Claudemir PereiraJornalismoMídia

PARA OS QUE SE ACHAM. Quem tem poder é o dono do jornal, jamais o jornalista

Os que têm alguma (nem precisa ser muita) intimidade com o editor já conhecem a história. Sem nomes, por favor, porque estão todos (ainda bem) vivos. Costumo dizer que, ao longo de um punhado de anos em que fui editor-chefe ou chefe de reportagem do jornal A Razão, havia um escritor pra lá de famoso que, a cada livro que lançava, enviava um ao jornalista, com dedicatória cheia de elogios pra lá de desbragados. E o cara lança(va) até dois por ano. Uma coleção que Dona Ziza (que admira o cara) guarda com devoção.

Bueno. Na segunda vez que “demiti” o jornal, bem no início dos 90’s, fiquei quatro anos afastado do veículo e da cidade. E foi coisa de meia dúzia de livros lançados no período. Sem que este escriba recebesse um sequer, quanto mais com o devido autógrafo. Ao retornar, a convite de Dona Zaira (que é minha amiga, bem antes de ser minha ex-chefe ou ex-patroa), não demorou dois meses para voltar a receber os mesmíssimos livros com as idênticas loas. Nem vermelho o cara ficava.

Resumo da ópera: este editor aprendeu muito cedo a jamaaaais juntar a pessoa com o cargo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não é fácil. Ao contrário, é difícil, estejamos todos certos. Por isso, aqui não vai nenhuma crítica ao comportamento de A ou B. Apenas relatando o que ocorre com este jornalista. Que também não serve de modelo (deus-me-livre) para ninguém.

Mas é interessante saber que o poder dos jornais (e dos demais veículos midiáticos, inclusive na internet) é do dono. E só do dono. De ninguém mais. Por conta disso, entendo exemplar, também, o que escreve Ricardo Noblat, provavelmente o blogueiro mais prestigiado do País e que, não faz tanto tempo assim, também assinou a mais importante (era, hoje não mais) coluna política brasileira. Para os que “se acham”, o texto é, digamos, pedagógico. Acompanhe:

A tentação de sentir-se poderoso

Poucos escapam dessa armadilha. Por circularem na companhia de figuras públicas, freqüentarem ambientes onde são tomadas decisões e publicarem o que viram ou ouviram falar de importante, jornalistas imaginam que têm poder ou que fazem parte do poder.

Têm poder até o momento em que são despedidos. Fazem parte do poder se concordam em servir aos que de fato o detêm. Os donos de jornal e dos demais meios de comunicação, estes sim, são poderosos. Porque não podem ser despedidos – no máximo, quebram. E porque a mídia é cada vez mais poderosa no mundo. Sem ela não se governa. Sem ela não se ganham guerras. Sem ela não se fazem negócios.

O poder do jornalista é relativo, ocasional e temporário. Nunca me encantei com o poder. Mas pensei que tivesse adquirido algum quando me tornei titular em 1989 da coluna diária “Coisas da Política”, no Jornal do Brasil. Nos dois anos anteriores, havia sido o interino da “Coluna do Castelo”, escrita pelo jornalista Carlos Castelo Branco, o Castelinho…”

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Um Comentário

  1. Não sei de quem estás falando, mas achei ótima a análise que fizeste dos que se ‘acham’ . Ontem vi um “jornalista” atacando uma pessoa no facebook de uma forma grosseira, misturando a pessoa com a função e este, a meu ver, não será um bom jornalista (ainda é estudante, imagine! fui conferir na página dele) pq bons jornalistas expressam suas opiniões, enquanto pessoas, mas dizem que estão fazendo isso,isto é separam a notícia da opinião. É por isso que te admiro: és autêntico.

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