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Absurdo: evasão nas universidades é de 50% – por Carlos Costabeber

Há muito tempo sou crítico do número absurdo de acadêmicos das nossas universidades, que desistem do curso no meio do caminho.

Só que numa conversa com a minha amiga, a poderosa Irma Irani da Unifra, “fiquei de cabelo em pé”.

Para minha surpresa, a evasão escolar nas universidades brasileiras, públicas e privadas, CHEGA A 50%, considerando o abandono puro e simples e mais o número de vagas não preenchidas nos vestibulares.

Imaginem o desperdicio de dinheiro público nas universidades federais;

Imaginem o sacrificio dos pais para manter os filhos nas universidades particulares;

Imaginem a angústia na cabeça de milhares de acadêmicos.

Literalmente, TODOS SAEM PERDENDO. Sem falar na frustração, em sonhos desfeitos, na falta de bons profissionais no mercado. A sociedade brasileira é a grande perdedora, pois um país com tantas carências, não pode se dar a um desperdicio dessa grandeza.

Se ficarmos só no ABANDONO dos cursos, a evasão nacional média é de 25%, sendo que aqui na nossa UFSM, deve andar por volta de 17%. É muita coisa !!!!!!

Mas acredito que alguns fatores sejam determinantes para essas desistências:

1) Os jovens têm de escolher uma profissão MUITO CEDO. Com 16/17 anos, a gurizada tem de optar por um curso superior. Falta-lhes maturidade, conhecimento, e principalmente, ORIENTAÇÃO VOCACIONAL.

2) São muitas as opções de escolha. Só a UFSM oferece 100 cursos de graduação, nas mais diversas áreas. E muitos cursos são recentes, sem um histórico de aproveitamento profissional e que foram criados para atenderem novos nichos de mercado de trabalho.

3) FALTA DE PENSAMENTO COMPETITIVO. No mundo moderno, a disputa pelo mercado de trabalho é cada vez mais árdua, e as escolas e as próprias famílias não conseguem preparar os jovens para essa dura realidade.

4) A grande oferta de novos cursos de graduação também tem gerado profissionais para áreas de atividade que não se sustentam. O mercado de trabalho, cada vez mais seletivo, não consegue viabilizar economicamente os egressos de muitas profissões.

Isso acaba “espantando” os acadêmicos que tinham outra expectativa quando da escolha de uma carreira.

Por fim:

Vejam que o assunto é por demais complexo para ser abordado nessas poucas linhas. Mas como pai, professor e empresário, e por ter uma visão global do mercado de trabalho, deixo esse alerta para reflexão das instituições de ensino (de segundo e terceiro graus), dos jovens e de suas famílias.

É muito desperdício de dinheiro e de energia; são muitas as frustrações e as incertezas.

Para encerrar, cito um exemplo aqui mesmo de Santa Maria, que tem 6 cursos de Direito e 6 de Administração, para um mercado, penso, já saturado.

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