A salvação da lavoura – por Daiani Ferrari
Essa semana, tiramos uma folga de Candelária. Consegui ficar três dias em Santa Maria sem nada para fazer, somente com preocupações leves, como preparar uma janta legal, com um prato diferente, ler revista de mulherzinha, olhar filmes e rever os seriados que mais me agradam.
A calmaria é só dentro de casa, pois na rua as pessoas andam cada vez mais apressadas com seus aparelhos celulares, cheias de coisas para resolver, e por conta disso quase se atropelam uns aos outros em todos os lugares. Chegam a fazer corrida de carrinhos no supermercado pelo melhor lugar na fila da balança, do caixa.
De tanto que correm, alguns diriam que até voam. É a vida moderna tomando conta de nós.
Como essa foi uma semana de vestibular da UFSM, pensei que a cidade estaria aquele caos de anos anteriores, mas enquanto ouvia gente reclamando que a descentralização do processo diminuiu o movimento da cidade, trazendo menos benefícios (lê-se dinheiro), e taxistas ranzinzas resmungando sobre a baixa no número de corridas, peguei um táxi com um senhor muito “boa praça”.
No meio da conversa, o motorista dizia que para os estudantes que não precisam viajar para fazer as provas, esse era um grande avanço e que, afinal de contas, o vestibular não é para que ele e os colegas fiquem ricos.
Depois de muito papo, com a corrida quase sendo um passeio pela cidade, ele tem um estalo e pergunta:
- Mas para onde mesmo estamos indo?
Destino alcançado, desci do carro e aquele senhor foi algo como a salvação da lavoura. Nem tudo está perdido, a vida louca ainda não tomou conta de todos.
Amanhã as pessoas vão continuar disputando alucinadamente os melhores lugares, o trânsito na Acampamento perto das 18h seguirá sendo algo a se evitar, os aparelhos celulares vão agregar ainda mais funções, servindo cada vez menos para fazer ligações, e os comerciantes continuarão achando que a UFSM deveria voltar com o velho sistema do vestibular. Ou seja, a vida louca e desatinada das grandes cidades que já chega à velha e boa Santa Maria, há algum tempo, vai ganhar mais força.
O progresso e o crescimento são ótimos, mas como em tudo temos o bônus e o ônus… É a vida moderna que vai deixando suas marcas.










