QUESTÃO DE ESTILO. Se Lula frita parceiros, Dilma prefere não perder tempo

Se a mostra é essa, que se vê na montagem do ministério, não há dúvida: mudará bastante o estilo de mandar embora assessores incômodos. Luiz Inácio Lula da Silva, o que sai, preferia que o defenestrado tomasse a atitude por conta própria. O que às vezes demorava muuuuito. Ou até nem se concretizava. Dilma Rousseff, está se percebendo, é diferente.

O exemplo mais concreto e visível é o da troca de comando no Banco Central. Quem conta a história, inclusive utilizando expressões, digamos, gastronômicas, bastante claras, é o jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo. Confira:

 “Dilma monstrou que prefere o microndas à frigideira

O processo de exclusão de Henrique Meirelles do “novo” primeiro escalão revela: ao menos num setor, a cozinha, a gestão Dilma descontinuará o governo Lula. Sob Lula, sempre que um auxiliar converteu-se em problema, foi fritado em fogo brando. Antes mesmo da posse, Dilma trocou a frigideira pelo microondas.

Há uma semana, Meirelles imaginava-se nomeado para mais um ciclo à frente do BC. Àquela altura, Dilma já havia começado a aquecê-lo. Meirelles viu-se espremido entre duas realidades. Numa, virtual, havia o interesse de Lula em que fosse mantido. Noutra, real, o desinteresse de Dilma. Julgando-se cacifado, Meirelles arrastou uma ficha cara ao mercado: a autonomia operacional do BC. Dilma converteu a astúcia em bode. A presidente já havia acomodado sobre o pano verde o nome de Alexandre Tombini. Fez da “imposição” de Meirelles um pretexto. E girou o botão do forno…”

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