ACABOU? E assim, de repente, já há quem faça o inventário de erros da oposição

A pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo no sábado, feita pelo Datafolha (do qual o jornalão paulista é proprietário), dando conta de uma diferença de 17% pró-Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) desencadeou um interessante processo: analistas começam a inventariar a candidatura oposicionista e seus erros.

Isso seria a (no caso de uns e outros) confissão de que a derrota é inevitável e, portanto, chegou a hora de caçar culpados? Aparentemente, a resposta é sim para as duas assertivas. Há quem, como Fernando Rodrigues, da própria Folha e também do portal Universo Online (também controlado pela empresa que edita a FSP), que foi bastante longe no tempo para buscar explicações.

Só não sei, e me permito essa dúvida, se Rodrigues percebeu isso apenas agora (o que não recomenda muito), ou já sabia e não escreveu antes por razões que desconheço (o que recomenda ainda menos). Numa ou noutra circunstância, porém, para concordar ou discordar, vale a pena lê-lo. No mínimo porque o raciocínio faz sentido. Acompanhe:

Tucanos erraram foco em 2002 e 2006

Falta um mês e meio para a eleição de 3 de outubro. Dilma Rousseff (PT) está com 47% e José Serra (PSDB) está com 30% (aqui, pesquisas anteriores). A chance de o PT permanecer no Palácio do Planalto parece ser quase irreversível a esta altura. A popularidade alta de Lula, o bom estado da economia e a sensação de bem estar dos eleitores contribuem decisivamente para o êxito da candidata petista. Mas não deve ser desconsiderada a incapacidade quase atávica dos tucanos e dos democratas (ex-pefelistas) quando estão na oposição.

Em 2002 e 2006, os candidatos do PSDB ao Planalto erraram feio nas suas estratégias. Não souberam usar o foco correto. Agora, virou padrão falar sobre o infortúnio de Serra em suas duas tentativas (2002 e agora). Em 2002, era o candidato da continuidade, mas o eleitor queria mudança. Neste ano, 2010, Serra encarna a mudança, mas os eleitores parecem preferir continuidade. Essa é apenas frase de efeito. Parte de um pressuposto superficial, como se houvesse destino e predestinação na política. Seria como acreditar em horóscopo. Se esse axioma (na realidade, um sofisma) sobre Serra fosse verdadeiro, seria impossível numa democracia vencer a eleição sendo oposição quando o governo de turno vai bem por causa da economia.  

É claro que quando tudo vai bem num país é natural o eleitor tender à acomodação. Basta analisar outras democracias representativas ao redor do mundo. Mas se trata de regra imutável. Nessas situações (como a brasileira), a oposição e seus candidatos só têm uma saída: partir para a emoção tentando oferecer inspiração ao eleitorado. Não há espaço para improvisações. É necessário trabalhar duro na construção do candidato e de sua proposta. Nos EUA, a campanha de Barack Obama durou 20 meses. Aqui, em fevereiro o tucano Serra ainda negava em público que seria candidato…”

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