Não sei se nos últimos tempos a política está mais próxima das minhas atividades, ou se apenas eu tenha passado a querer compreendê-la. Entre idas e vindas, nós estamos à mercê de conquistas, tal como namoro novo, momentos nos aproximam, fatos nos distanciam, mas o gosto pelo desconhecido, os mistérios que cercam aquilo que não nos é concreto, instigam o desafio. Assim vamos indo, ora ela me apaixona, e eu encantado sigo atrás dela, mas chegam os dias em que ela me afasta e em razão daqueles que fazem da política politicagem, eis o meu desprezo, tenho a deixado.
Por certo, seria uma decisão fácil, apenas a deixo ir. Em contraponto, permitir que a política, salvo exceções, molde-se e incorpore-se aos trejeitos e armações humanas de interesses distantes da vontade do coletivo é omitir-se. Estar inerte aos fatos é abraçar-se ao cômodo, estar fadado à estagnação.
Pois bem, então acredito que possamos encarar a política e todas as suas bandeiras. Tal como preconizou Aristóteles, o homem é um animal político. Pudera eu completar o dito, o homem é um animal da boa política. Até aí não mudaria em nada, pois a boa política, ainda poderia servir ao político em primeira instância, e o cenário ainda seria o da politicagem.
Quem sabe aqui, então tenha me deparado com uma boa razão de se fazer política: a proteção da boa política. Não a que serve a partidos, conchavados em interesses pessoais de seus fidalgos, nem tão pouco, a que alimenta os ranços inadequados, forças de intrigas e brigas antigas, desgastadas e frágeis em seu próprio objeto.
Infelizmente estamos diante da crescente mediocridade política e o pacto que se celebra em torno desta, cada vez mais são os adeptos da imoralidade. A militância combatida pelos militares, faz guerrilha velada em prédios públicos, já não sei se o militar não se fez militante, enquanto o poder do militante o tenha em suas pretensões o tornado um militar.
Estejam calados, mesmo que partidários, ainda mais se distantes da aristocracia política, pois a condição que lhes resta ainda é a da plebe. Os fidalgos os querem por perto para lhes amaciar o ego, mas não lhes querem como críticos, simplesmente sejam vassalos. Aos que entre estas linhas estiverem, não se percam no prumo, pois a ideologia política ficou lá atrás, bem mais longe dos nossos dias, e não faço aqui exceções, em sede partidária todos têm telhado de vidro, guardem as pedras, quiçá sirvam para tapar os buracos do chão.
Onde está a coerência dos que se formam técnicos e são fantoches políticos? Onde estão os entendidos da política que só a fazem em nome e proveito próprio? Não sejamos ingênuos, precisamos de quem possa dar dignidade à política e fazer dela instrumento de resgate da cidadania, da promoção de direitos à educação, moradia, saúde, à felicidade.
Hoje o maior desafio da política, salvo a minoria, é vencer os políticos, que a tornaram inacreditavelmente omissa, obscura e capaz de servir apenas aos que a marginalizaram. É a política refém, sufocada pela mordaça da hipocrisia oportunista de quem detém o poder, naufragados em sua própria vaidade, que pede por socorro. Sejamos capazes de atendê-la!