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Textos com Etiquetas ‘Maucio’

LUNETA ELETRÔNICA. Villaverde, mais para a Educação, mulheres e violência, FHC no feicebuqui, sítio do Maucio, se foi a greve…

* Enquanto em Santa Maria, o PT rema, rema, rema e nada de encontrar um porto, na capital os petistas já resolveram um problema: candidato a prefeito.

* Com maioria antecipada dos delegados ao encontro municipal da sigla, no sábado, Adão Villaverde contou com a desistência de Raul Pont e, enfim, é o nome do PT para tentar a vitória em 2012.

* Entre 2009 e 2010, conforme REPORTAGEM de Amanda Cieglinski, da Agência Brasil, os gastos municipais cresceram 10,7%, com um investimento total de R$ 80,92 bilhões.

* Os dados foram divulgados pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e incluem, na conta, repasses da União e dos estados aplicados na área, pelas comunas.

* O aumento dos recursos, informa Amanda, é consideravelmente superior ao verificado em 2009, quando a crise econômica impactou negativamente na arrecadação fiscal.

* Nesta segunda-feira, a partir da 1 da tarde, na Assembleia Legislativa, acontece (numa parceria com a Câmara dos Deputados) o 1° Encontro Gaúcho dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

* A iniciativa é também da Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, que é coordenada pelo deputado Edegar Pretto (PT).

* E o Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, vai entrar firme no feicebuqui, a maior e que mais cresce (no Brasil) das redes sociais da internet. A abertura de sua nova página é nesta segunda-feira. Antes, não adianta acessar.

* O link (www.facebook.com/presidentefhc) terá vídeo especial gravado por, no qual nega ser exibicionista e diz que a ferramenta permitirá “prestar contas” por ser “homem público”.

* O Comitê Regional de Santa Maria do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP), em parceria com a Cacism, realiza quarta-feira, dia 7, cerimônia de Reconhecimento às organizações que participaram do Sistema de Avaliação 2011.

* Também serão citadas as organizações que aderiram ao programa em 2011, as ganhadoras do Prêmio Qualidade RS deste ano e as que participaram da nova ferramenta de avaliação da gestão simplificada do PGQP (SAGS).

* O evento será realizado às 7 e meia da noite no salão de festas do SESC – 6º andar. É necessário adquirir o convite do coquetel até esta segunda. Mais informações pelo fone 3222-7600 ou pgqp@cacism.com.br, com Raquel.

* Certamente, líderes do CPERS Sindicato farão avaliação interna do fiasco que foi a greve do magistério estadual encerrada oficialmente na sexta e que, na prática, inexistiu.

* Nessa “lavação de roupa” haverá quem coloque com clareza o erro que foi não perceber o óbvio: a falta de mobilização mínima para paralisar, não obstante a justa reivindicação.

* Bueno, isso é o que seria normal e desejável. A menos que o pessoal que dirige a organização prefira a cegueira política. Nesse caso, terá outras (e talvez maiores) derrotas futuras.

* Já está disponível o novo sítio do professor e cartunista Máucio (colaborador faz tempo licenciado deste espaço). No local, o internata pode conferir cartuns, crônicas, poesias, exposições e eventos.

* Ainda, segundo a assessoria de comunicação do Centro de Artes e Letras, será possível encontrar publicações recentes do Máucio e novas imagens publicadas semanalmente na seção “Quintal do Máucio”.

* Nesta semana o professor, que também é coordenador do curso de Desenho Industrial do CAL/UFSM, fala sobre a “menor praça do mundo”. Ah, o endereço: www.maucio.com.br.

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CULTURA. Saiba mais sobre a história do “Cartucho”, referência em evento de humor gráfico, e que começa na sexta-feira

19, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Já publiquei, na última quinta, em primeira mão, a PROGRAMAÇÃO do 8° Encontro dos Cartunistas Gaúchos. É o “Cartucho”, que atinge sua maioridade e se transforma em verdadeira referência no humor gráfico do sul do País.

Promovido pelo curso de Desenho Industrial da UFSM (uma ideia do professor e cartunista Máucio, que coordena o evento) e pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Cultura, o Cartucho abre na noite de sexta, no auditório da Cesma, com entrada gratuita. Além do show de abertura (“Ala Pucha!”) e do lançamento da revista “Xiru Lautério”, um trabalho autoral de Byrata, o homenageado especial dessa edição, acontece também a eleição, pelos presentes, do tema a ser focalizado pelos cartunistas, neste ano.

Agora, em material produzido e distribuído pela Chili, empresa produtora executiva da promoção, acompanhe mais informações e, inclusive, um histórico do Cartucho. A seguir:

O que é o Cartucho?

O Cartucho é um evento que há sete anos vem reunindo em Santa Maria, durante um fim de semana, os mais importantes cartunistas do Rio Grande do Sul. Tem como tradição misturar muito humor, com convívio para troca de experiências sobre a atividade sem deixar de lado o contato direto com o público leitor, constituindo-se em uma de suas importantes características. Participam também, jovens cartunistas amadores, o que costuma completar um número de mais de 30 desenhistas de humor.

O encontro começa com o sorteio de um tema, que será tratado e retratado em desenhos de humor que, ao final do Encontro formarão a Invernada do Humor, que é a exposição de cartuns que rsume o melhor do humor gaúcho sobre o assunto. Tudo isso de forma de repente, de trova, de improviso, pois os desenhistas têm pouco mais de um dia para vencer o desafio. Após o Encontro, essa exposição percorrerá durante os meses seguintes, vários locais da cidade, oportunizando uma grande popularização dos trabalhos.

O principal contato com o leitor se dará sábado pela manhã, no calçadão da cidade, onde serão feitos ao vivo, charges, cartuns, caricaturas e um painel coletivo, com os desenhistas participantes do evento.

Reponte Temático:

Um dos grandes diferenciais do Cartucho é o Reponte Temático. No início do evento é sorteado um  tema, um assunto, uma palavra chave. A partir deste momento, os cartunistas participantes tem cerca de um dia para produzir um desenho: Charge, Cartum, Caricatura, Tira, História em Quadrinhos. Como   durante este período os desenhistas irão de um lugar pra outro pensando e produzindo o trabalho, deu-se o nome de Reponte que significa, em termos gauchescos, levar os animais, por diante, de um lugar para  outro.

Chimarrão com Nanquim:

Para quem conhece minimamente o dia-a-dia de um cartunista gaúcho, não é difícil imaginá-lo em  algum momento, às voltas de seu trabalho juntamente com uma cuia de chimarrão na mão. A associação   do chimarrão com nanquim não é tão absurda assim, tudo no seu devido lugar, claro, não é tinta na cuia.

Chimarrão com nanquim é o momento dentro do Cartucho em que há o maior contato entre os  desenhistas e a população, onde rola a conversa, o improviso, a caricatura e, pra completar, a bebida que o gaúcho não se afasta, mesmo quando trabalhando.

Invernada do Humor:

A expressão surgiu na terceira edição do Cartucho, para dar nome à exposição dos trabalhos temáticos,  feitos durante o evento. Invernada, no sentido gauchesco diz respeito a uma extensão de campo cercado,  destinado a tratar o gado para determinado objetivo, criar, engordar, desmamar, etc. A expressão é usada  aqui no sentido de um espaço delimitado para expor os cartuns resultantes do Cartucho.

Histórico do Cartucho:

1º CARTUCHO – 2004 – Tema: Poder

2º CARTUCHO – 2005 – Tema: Ar / Homenageado: Reinaldo Pedroso

3º CARTUCHO – Julho/2006 

Tema: Pedaço

Homenageado: Eugênio Neves

Destaque: Presença de Canini.

4º CARTUCHO – Agosto/2007 –

Tema: Erro

Homenageado: Edgar Vasques

5º CARTUCHO – Setembro/2008

Tema: Memória

Homenageado: Santiago

6º CARTUCHO – Novembro/2009

Tema: Animais de estimação

Homenageado: Luis Fernando Veríssimo

Destaque: O Riso é Livre

7º CARTUCHO – Setembro/2010

Homenageada: Yara Sousa

Tema:Sustentabilidade

8º CARTUCHO – Setembro/2011

Homenageado: BYRATA”

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EXTRA. Byrata oficializado, agora há pouco, homenageado da 8ª edição do Cartucho

Máucio (E) anunciou o homenageado. Byrata (de barba) se disse em “estado de choque”

Foi num ‘happy-hour’. Salsichão e cerveja. E água, para este editor e o seu auxiliar técnico, Pedro Pereira, também presente ao Máucio’s Bar. Momentos pra lá de agradáveis, de muuuito bom humor, com a presença do anfitrião, Máucio, e, dentre outros, o pró-reitor de Graduação (e escritor) da UFSM, Orlando Fonseca, e os colegas Francisco Dalcol (Diário de Santa Maria) e Vilceu Godoy (TV Santa Maria).

De surpresa, os organizadores do Encontro dos Cartunistas Gaúchos (o Cartucho), que em sua oitava edição, acontece entre os próximos dias 23 e 25, anunciaram o nome do homenageado especial de 2011. E será um veterano, fundador do Cartucho, hoje uma referência nacional em evento para essa áreaa.

Trata-se do Byrata. Que, quando teve a honraria informada por Máucio, se disse em “estado de choque”. Cá entre nós, o cara merece. Voltaremos, em outra ocasião, com mais informações sobre o 8° Cartucho – inclusive a programação, pra lá de bacana, que está sendo montada. Mas, aqui, você já fica sabendo dessa. Cumprimentos ao Byrata, que tem, sim, uma história de dedicação à arte gráfica em geral e ao cartum em particular.

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EFEITO DOMINÓ. Confira outra das grandes sacadas do Máucio. É amanhã, no Campus

Essa nem vou me cansar. Está tudo explicadinho no material que o Máucio me mandou. Pode conferir, com direito a foto (que imagino seja dele mesmo). A seguir:

Efeito Dominó - 3ª edição

Alunos do Curso de Desenho Industrial da UFSM apresentam o Projeto Efeito Dominó

Os acadêmicos do 1º ano do curso de Desenho Industrial da UFSM realizam na próxima quarta-feira, dia 13, a apresentação dos seus trabalhos com a técnica do efeito dominó.

Cada projeto apresenta mais de 500 peças (quinhentas) que formam desenhos temáticos que são animados pela tradicional brincadeira da queda em sequência.

Os trabalhos apresentam temas variados, como:

- Vazamento nuclear ocorrido no Japão

- Redes Sociais

- Pirotecnia

O evento acontece no hall do Centro de Artes e Letras, prédio 40 da UFSM, às 16h. A entrada é franca.

A disciplina Laboratório de Solução de Problemas é coordenada pelo prof. Máucio.

Evento: Apresentação dos trabalhos em Efeito Dominó

Data: 13/4/2011

Horário: 16h

Local: UFSM, Centro de Artes e Letras – prédio 40

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CRÔNICA. Máucio, o final do ano e a velocidade do tempo

28, dezembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

A gente passa o ano inteiro ouvindo expressões como: poxa, já estamos em maio; credo, já é agosto; cruzes, já está chegando o fim de ano! As pessoas vivem reclamando que tudo está rolando muito depressa. Será que foi o tempo que mudou ou foram os viventes?

Tem uma teoria bem simplória que tenta explicar esse fato. Para uma criança de quatro anos de idade, 12 meses representam 25% de sua existência, para um indivíduo de quarenta, significam apenas 2,5%. Isso quer dizer que quanto mais velho o sujeito fica, mais 1 ano parece menos…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “O tempo não para”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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O tempo não para – por Máucio

28, dezembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

A gente passa o ano inteiro ouvindo expressões como: poxa, já estamos em maio; credo, já é agosto; cruzes, já está chegando o fim de ano! As pessoas vivem reclamando que tudo está rolando muito depressa. Será que foi o tempo que mudou ou foram os viventes?

Tem uma teoria bem simplória que tenta explicar esse fato. Para uma criança de quatro anos de idade, 12 meses representam 25% de sua existência, para um indivíduo de quarenta, significam apenas 2,5%. Isso quer dizer que quanto mais velho o sujeito fica, mais 1 ano parece menos.

Não sei bem se faz sentido, mas tem certa lógica. Na verdade o que parece que mudou mesmo nos últimos tempos é o número de afazeres e a rapidez dos acontecimentos e contatos. Alterou-se a velocidade das coisas. Por exemplo, uma conquista amorosa antigamente poderia levar meses ou até anos. Nos dias atuais se consegue com facilidade o nome, o fone, o email, o MSN, o Twitter – e não sei mais o que – da pretendida. Em poucos dias, horas, minutos se estabelecem as possibilidades do enlace. Ou dá ou desce.

Os celulares e a Internet são sem dúvidas os grandes aceleradores do nosso cotidiano. Muitas vezes, por força da profissão, ficamos plugados 8, 12, 16 horas por dia. Na verdade estamos todos linkados 24 horas por dia, até mesmo quando dormimos. Com isso a sensação que o tudo passa muito depressa é ainda mais evidente.

Isso se deve também à hegemonia avassaladora do Deus Cronos. Nele a noção do tempo é matemática, preciso, sequencial, com os eventos enfileirados. Vivemos a cada minuto como se participássemos de um enredo complexo, cheio de inícios e fins a cada momento.

A vida humana, no entanto, possui outras dimensões, a da continuidade, da contemplação e da emoção, que sucumbem diante das fragmentações contemporâneas. Precisamos de menos cronologia e mais atemporalidades.

Feliz ano novo a todos!

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CRÔNICA. Máucio e a crítica severa a dois pratos “modernos” da ceia natalina

14, dezembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Uma amiga me disse dia desses que odiava panetone e sempre nessa época fica sem saber o que fazer com os pães que sua família recebe todos os anos. Houve uma ocasião em que chegaram a ganhar oito de presente, oriundos de amigos, da empresa, dos parentes. O mais esquisito é que ninguém em casa apreciava a iguaria.

Fiquei pensando que essa moda de panetones não é muito antiga por essas bandas, sua popularização tem ocorrido de uns anos para cá. Na verdade, os fabricantes estão conseguindo criar esse hábito. Atualmente, tem uma infinidade de marcas, só que todas são a mesma coisa. Panetone industrializado é uma cuca metida à besta: redonda, fabricada muitas semanas antes e…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Ceia de Natal”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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Ceia de Natal – por Máucio

14, dezembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Uma amiga me disse dia desses que odiava panetone e sempre nessa época fica sem saber o que fazer com os pães que sua família recebe todos os anos. Houve uma ocasião em que chegaram a ganhar oito de presente, oriundos de amigos, da empresa, dos parentes. O mais esquisito é que ninguém em casa apreciava a iguaria.

Fiquei pensando que essa moda de panetones não é muito antiga por essas bandas, sua popularização tem ocorrido de uns anos para cá. Na verdade, os fabricantes estão conseguindo criar esse hábito. Atualmente, tem uma infinidade de marcas, só que todas são a mesma coisa. Panetone industrializado é uma cuca metida à besta: redonda, fabricada muitas semanas antes e colocada dentro de uma embalagem mais chique.

Desconfio que as pessoas acabem comprando automaticamente, por impulso e muitas vezes sequer gostam de comê-los. Por isso, sugiro: reflitam bem antes de presentear.

Outra invenção natalina, mais antiga por aqui, é o tal do chester pronto, temperado. Normalmente, resulta num prato sem graça, pois além do tempero padrão de sabor monótono, possui uma carne seca, insossa. O chester é uma versão raitéqui e piorada da velha galinha assada.  

Em alguns casos, é possível imaginar a ceia de natal composta pelo seguinte cardápio, uma ave dessas que vem pronta, rodeada por uma farofa qualquer. Logo ali ao lado, para completar, um exemplar dos famigerados panetones de grife.  Pode haver menu mais engasgante? Depois não entendem por que as pessoas se entopem de cerveja e refrigerante.

Não sei não, mas eu não troco esses manjares industrializados, cuja única vantagem é a praticidade, por uma boa cuca da Quarta Colônia – recheada com uvas frescas – e uma bela galinha crioula caseiramente temperada com muita cebola, alho, pimenta, sálvia e alecrim. Podem me chamar de retrógrado, mas chester e panetones de mercado, nem pensar!

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CRÔNICA. Máucio e uma interessante reflexão de época: o “espírito natalino”

30, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Uma vez um amigo me perguntou se eu acreditava no espírito natalino. Respondi que não era uma questão de crença e sim de disposição. Como seres sociais estamos ao alcance das efemérides e das sazonalidades culturais e podemos nos engajar mais ou menos intensamente nos acontecimentos. 

O fato é que o clima de final de ano aflora cada vez mais cedo. Em primeiro lugar no comércio, ávido em fazer o pé de meia do negócio e equilibrar as finanças. Não é só nas lojas, no entanto, que esses movimentos iniciam antecipadamente. Desde novembro, quiçá antes, as pessoas começam a…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Espírito natalino”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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Espírito natalino – por Máucio

30, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Uma vez um amigo me perguntou se eu acreditava no espírito natalino. Respondi que não era uma questão de crença e sim de disposição. Como seres sociais estamos ao alcance das efemérides e das sazonalidades culturais e podemos nos engajar mais ou menos intensamente nos acontecimentos. 

O fato é que o clima de final de ano aflora cada vez mais cedo. Em primeiro lugar no comércio, ávido em fazer o pé de meia do negócio e equilibrar as finanças. Não é só nas lojas, no entanto, que esses movimentos iniciam antecipadamente. Desde novembro, quiçá antes, as pessoas começam a preocupar-se: com o que farão nas festas, onde passarão o natal e virada do ano, em arrumar a casa, pintar paredes, trocar móveis, limpar armários e gavetas, etc.

A questão da limpeza, da seleção e descarte das coisas guardadas é muito interessante e sintomática. Pelas semanas, meses ou anos afora, vamos acumulando coisas sem que percebamos e, chega um momento que precisamos tomar uma atitude. Ou fizemos uma triagem nas bugigangas ou teremos que mudar para uma residência maior. Essa segunda hipótese é sempre mais difícil. O jeito então é fazer faxina e desfazer-se dos entulhos inúteis acumulados.

No que tange as quinquilharias, no então, a utilidade é apenas um dos critérios. Existe também a questão dos afetos, da memória, que faz com que guardemos, por exemplo: a caixa do presente recebido de uma pessoa querida, uma garrafa vazia de vinho que lembra uma noite muito especial, um sapato velho que não usaremos mais, um quadro de gosto duvidoso que ganhamos e não penduramos na parede, mas que ficamos porque afinal, o que vale é a intenção, e muito outras tralhas.

Também nas antevésperas de fim de ano ocorrem muitos encontros e muitas separações. É uma época em estamos mais sensíveis. Isso faz com que as pessoas tomem decisões porque questionam os sentimentos interpessoais guardados. Principalmente aqueles parados ou mofados nos fundos das prateleiras amorosas.

O certo mesmo é que o estado psicossocial que anuncia o fim do ano e o renascer de um novo ciclo existe, quer queiramos ou não. É um período que revolve emoções e que tende a rejeitar cheiro de naftalina até mesmo nas roupas do Papai Noel.

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PÃO E CIRCO. Máucio, (de novo) o show de Paul e ainda o contrato do Portaluppi

23, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Semana passada escrevi um texto chamado Paul em PoA que causou uma série de comentários. O foco da minha análise nem foi sobre a qualidade musical do ex-Beatles, quis apenas chamar a atenção de pontos como a sua capacidade de marketing, sobre a durabilidade do sucesso do Grupo, ainda que replicante, e também sobre o espetáculo sob o ponto de vista comercial, algo que as pessoas em geral nem se dão conta.

O fato é que boa parte dos comentários recebidos declarava que o show tinha valido a pena e que não se importavam com o dinheiro que haviam gasto. Alguns, inclusive, revelaram que…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Pão e Circo”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Pão e Circo – por Máucio

23, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Semana passada escrevi um texto chamado Paul em PoA que causou uma série de comentários. O foco da minha análise nem foi sobre a qualidade musical do ex-Beatles, quis apenas chamar a atenção de pontos como a sua capacidade de marketing, sobre a durabilidade do sucesso do Grupo, ainda que replicante, e também sobre o espetáculo sob o ponto de vista comercial, algo que as pessoas em geral nem se dão conta.

O fato é que boa parte dos comentários recebidos declarava que o show tinha valido a pena e que não se importavam com o dinheiro que haviam gasto. Alguns, inclusive, revelaram que fizeram muita economia e que gastaram boa percentagem de seu salário para ver o astro. Isso, no mundo dos negócios é conhecido como custo/ benefício. Só que, nesse caso, o custo é monetário e o benefício é simbólico, o que torna difícil uma avaliação mais precisa.

No decorrer da semana, outro acontecimento me chamou a atenção; a renovação do contrato do técnico do meu time, Renato Portaluppi. Por um lado eu e quase toda a torcida tricolor ficamos felizes. No entanto, quando pensei no valor que o treinador irá embolsar por mês, fui calcular quanto tempo eu precisaria para colocar 400 mil na minha conta.

Como e por que será que algumas pessoas ligadas ao futebol ganham tanto dinheiro? Por que o ingresso do Paul foi tão caro? O que esses dois episódios têm em comum?

Lembrei da velha máxima, o povo precisa de pão e circo. Até aí tudo bem, mas eu queria saber por que o circo anda tão caro? Se formos comprar um CD na loja, podemos pagar até mais do que 30 reais. Um jogo qualquer da dupla Grenal sai em torno de 30 ou 40 reais, e dura apenas 90 minutos.

Acho que o mundo dos negócios descobriu que o universo emocional é muito rentável. As pessoas reclamam do preço do tomate, da maçã, do dentista, mas pagam até o que não podem quando se trata de algo pelo que são fanáticos. Isso inclui as diversões e os produtos culturais midiáticos – bens intangíveis. Tão ou mais necessários que o arroz com feijão.

Isso foi sempre assim ou é um fenômeno contemporâneo?

CRÔNICA. Máucio e o supershow de Paul McCartney, o negócio e a arte musical

16, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Na semana passada aconteceu uma apresentação histórica do ex-Beatles Paul McCartney em Porto Alegre. Que novidade, né?  Lembrei da música dos anos 80 que perguntava: será que um dia eles vêm aqui, cantar as canções que a gente quer ouvir? Não vieram não, mas enviaram um representante algumas décadas depois.

Indiscutivelmente, para os fãs, ¼ dos Beatles é ainda considerado Beatles, mesmo que muito tempo tenha se passado. É um fenômeno musical e mercadológico. 50 mil pessoas em um estádio de futebol, ao preço médio de 300 reais per capita, dá para calcular a soma rápida de 15 milhões de reais arrecadados, só de ingressos. Digamos que se pague a metade para…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Paul em PoA”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Paul em PoA – por Máucio

16, novembro, 2010 Claudemir Pereira 10 comentários

Na semana passada aconteceu uma apresentação histórica do ex-Beatles Paul McCartney em Porto Alegre. Que novidade, né?  Lembrei da música dos anos 80 que perguntava: será que um dia eles vêm aqui, cantar as canções que a gente quer ouvir? Não vieram não, mas enviaram um representante algumas décadas depois.

Indiscutivelmente, para os fãs, ¼ dos Beatles é ainda considerado Beatles, mesmo que muito tempo tenha se passado. É um fenômeno musical e mercadológico. 50 mil pessoas em um estádio de futebol, ao preço médio de 300 reais per capita, dá para calcular a soma rápida de 15 milhões de reais arrecadados, só de ingressos. Digamos que se pague a metade para o astro e a sua equipe, restam 7,5 milhões. Calculando que 3,5 são de despesas, sobram outros 4,0 milhões limpos no caixa. Sem falar nas outras fontes de renda.

Deixo claro que são apenas valores bem hipotéticos, não tenho a menor informação a respeito dos números. Ou seja, reivindico margens de erro, para mais ou para menos.

Meu irmão mais velho me questionou sobre o porquê de tanta euforia pelo show. Respondi que, em primeiro lugar, porque há uma rede de comunicação promovendo o evento, logo, a exposição midiática é muito grande. Por outro lado, tem a presença do Paul, o ex-Beatles mais marqueteiro de todos. Falou: bah, tchê!  Logo após, na Argentina, declarou: tenho o sangue latino! Essas coisas nem o papa ousou.

Por favor, não estou tentando diminuir a importância – cultural e comercial – do acontecimento. É um negócio como qualquer outro.

Em terceiro lugar, é preciso entender que os garotos de Liverpool realmente conseguiram atingir o gosto médio dos ouvintes, desde a década de 1960.  Com suas canções de amor e novos ritmos mais estridentes e alegres, conquistaram uma população sofrida em um contexto sem muita esperança no mundo capitalista marcado pela Guerra Fria.

Claro, atravessaram décadas, continuam pop, mas quem disse que algo mudou na sociedade?

Há, no entanto outro olhar possível, de viés social, que acrescenta mérito a esses músicos. Depois de mais seguros e maduros, John Lennon compõe Imagine, comprando briga com setores conservadores. Aliás, essa canção foi ¨proibida¨ nos EUA após o 11 de setembro. Por outro lado, Harrison escreve sua trajetória individual lançando My Swett Lord e cantando Bangladesh, quando chama a atenção internacional para a miséria do povo daquela região. Creio que essa tenha sido uma atitude pioneira para a época.

E o Paul faz o quê?

CRÔNICA. Máucio e aquele estabelecimento que ressuscitou a “maisbalia”. Hein?

…Na hora de pagar as compras, a moça do caixa entregou moedas de troco e uma bala. Em um relance perguntei por que aquilo. Ela justificou que não possuía cinco centavos… Por isso as balas.

Não estava acostumado mais com o troco em bala. Pensei que era coisa de antigamente e disse à funcionária que não iria brigar por centavos, desde que não fosse uma nova praxe do estabelecimento.  Notei que ficou rubra, constrangida, o que me fez concluir que era sim uma determinação da chefia. Lembrei então que…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Troco em balas?”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Troco em balas? – por Máucio

26, outubro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Nas últimas semanas fui duas ou três vezes ao supermercado de costume e notei uma diferença um pouco incômoda. Na hora de pagar as compras, a moça do caixa entregou moedas de troco e uma bala. Em um relance perguntei por que aquilo. Ela justificou que não possuía cinco centavos… Por isso as balas.

Não estava acostumado mais com o troco em bala. Pensei que era coisa de antigamente e disse à funcionária que não iria brigar por centavos, desde que não fosse uma nova praxe do estabelecimento.  Notei que ficou rubra, constrangida, o que me fez concluir que era sim uma determinação da chefia. Lembrei então que, nos últimos meses, já havia percebido outras vezes este mesmo procedimento.

Fui para casa e, por curiosidade, fiz uma estimativa do que isso poderia representar financeiramente, não individualmente para os compradores, mas para o supermercado. Estimei que por cada operadora de caixa passava em média umas 200 pessoas por dia. Se 20% dos trocos forem em balas, avaliadas em 5 centavos, daria precisamente 2 reais por caixa/dia. Em um mês somariam 50 reais. Multiplicando-se pelas cindo caixas na loja, resultariam 250 reais por mês em troconagem. Isso em cada loja da empresa.

Se levarmos em conta as quatro lojas da rede, o somatório da estratégia de empurrar caramelos a consumidores distraídos chega-se a mil reais por mês. Não é nada? É sim, pode ser igual ou até mais do que o salário de um funcionário. Resumindo, estão pagando um empregado com a maisbalia.

Esse é apenas um exemplo de possíveis malandragens silenciosas que quase ninguém denuncia. Têm outras, como por exemplo… Os enormes sacos de plástico que oferecem no departamento de hortifrutis onde colocamos uma ou duas cebolas. Ao pesarem somam junto gramas de plástico pelo mesmo preço das frutas e legumes. Ou a re-etiquetagem do prazo de validade dos perecíveis. Mas esses são assuntos para outro dia.

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CRÔNICA. Máucio e a pergunta: por que as feiras livres não acabam? Ah, ele tem a resposta

No sábado fui à feira livre da Avenida Rio Branco procurar muda de gerânio crioulo que tem numa banca onde sou freguês. Nas floriculturas só oferecem o híbrido que necessita de maiores cuidados. Claro, não vingando a gente tem que comprar novamente. Essa parece ser a lógica do negócio.

Como já haviam sido vendidos todos os pés nesse dia pensei em fazer as compras de frutas, verduras e legumes, mas não recordava o que estava em falta e fui em casa para fazer o levantamento. No meio do caminho pensei em alternativas, quem sabe eu deixo isso para a semana em algum supermercado?…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Por que as feiras livres não acabam?”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Por que as feiras livres não acabam? – por Máucio

No sábado fui à feira livre da Avenida Rio Branco procurar muda de gerânio crioulo que tem numa banca onde sou freguês. Nas floriculturas só oferecem o híbrido que necessita de maiores cuidados. Claro, não vingando a gente tem que comprar novamente. Essa parece ser a lógica do negócio.

Como já haviam sido vendidos todos os pés nesse dia pensei em fazer as compras de frutas, verduras e legumes, mas não recordava o que estava em falta e fui em casa para fazer o levantamento. No meio do caminho pensei em alternativas, quem sabe eu deixo isso para a semana em algum supermercado?  

Chegando em casa vi que alguns gêneros precisavam ser repostos. A alface havia murchado, a rúcula estava no fim, as laranjas também. Acabei voltando à feira. Comprei brócolis, couve-flor, tomate, cebola e alho. Além da rúcula e das laranjas. Ah, ia esquecendo, peguei também dois pacotes de abóbora para fazer doce, já cortada em cubos, limpa e embalada. Saí com um fardo completo.

Compro quase tudo na mesma banca, a do Luiz. A maioria das coisas é ele mesmo quem produz, o fato fica evidente pela forma com que se refere aos hortifrutigranjeiros. Descreve os canteiros, fala com otimismo sobre a safra da alface crespa, mimosa, roxa e assim por diante. Perguntado, explica quando terá alho próprio para vender. Dá dicas de como preparar um prato de jiló, mas sempre deixando claro: só leve o que for precisar. Tem medo de parecer empurrando artigos.

Fiquei pensando: por que gosto de ir à feira? Poderia deixar para comprar em hora mais conveniente, numa passada. Ora, adquirir esses produtos em supermercado estabelece um ritual completamente diferente. Nessas lojas as mercadorias parecem que estão lá abandonadas. São tomates, alfaces e cebolas completamente anônimas, genéricas.

Na feira há a mediação humana do feirante. É possível perguntar:

− Essa mandioca abre?

− Abre! Pode levar que eu garanto.

Se não abrir, na semana seguinte a prosa continua.

O supermercado é seco, sem circunstância. Um não-lugar. A feira é, por sua vez, uma extensão da horta caseira. A horta do Luiz mora em nossa memória ancestral e a memória é umas de nossas estruturas básicas. Supermercado é a pura solidão do consumo.

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CRÔNICA. Máucio, as eleições e um taxista saudoso dos tempos de chumbo

Em uma roda de amigos, um conhecido recém-chegado de viagem à Bahia quis dar um panorama da situação eleitoral de lá. Usou como parâmetro a conversa que teve com um taxista que o levou ao aeroporto. Não sei por que as pessoas citam esses profissionais como depositários da opinião pública. É certo que possuem informação urbana, mas daí a achar que balizam tendências vai muita distância.

Aqui no bairro, por exemplo, tem um taxista muito tradicional, Seu José. Mais de 30 anos nesta atividade, a vizinhança toda sabe dele ali do ponto da esquina.  No entanto, no meu entender  não serve de referência porque, apesar de simpático, é uma das pessoas mais de mal com a vida que conheço. Para ele o país está vivendo um momento péssimo. O futebol não é mais o mesmo. As mulheres são levianas e as pessoas inconfiáveis…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “O taxista e as eleições”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

O taxista e as eleições – por Máucio

Em uma roda de amigos, um conhecido recém-chegado de viagem à Bahia quis dar um panorama da situação eleitoral de lá. Usou como parâmetro a conversa que teve com um taxista que o levou ao aeroporto. Não sei por que as pessoas citam esses profissionais como depositários da opinião pública. É certo que possuem informação urbana, mas daí a achar que balizam tendências vai muita distância.

Aqui no bairro, por exemplo, tem um taxista muito tradicional, Seu José. Mais de 30 anos nesta atividade, a vizinhança toda sabe dele ali do ponto da esquina.  No entanto, no meu entender  não serve de referência porque, apesar de simpático, é uma das pessoas mais de mal com a vida que conheço. Para ele o país está vivendo um momento péssimo. O futebol não é mais o mesmo. As mulheres são levianas e as pessoas inconfiáveis.

Andar com Seu José é sempre um episódio. Primeiro porque fica resmungando ao volante, depois porque instiga a gente com alfinetadas. Prefeito, governador, presidente: nenhum presta. Nunca. O passado é que foi bom. Atualmente está tudo virado, sentencia.

Esses dias fiz uma corrida e não deu outra. Começou falando no clima, do frio que não parava, depois dos buracos das ruas chegando à questão eleitoral, seu objetivo velado.

− Já decidiu em quem votar?

Perguntou. Respondi sim e me calei. Não abri o jogo. Então ele retomou a prosa.

− Antigamente não era assim… esses assaltos.

Como assim, perguntei.  

− No tempo da ditadura a coisa era diferente. Não havia essa baderna!

Coloquei-me a rir como única reação ponderada para a ocasião. Claro, percebi que não haveria nenhuma chance de um diálogo minimamente compartilhado. Porém, segundos depois não me contive e lasquei.

− Quer dizer então que se vivêssemos em uma ditadura os problemas de trânsito acabariam?

– Não só os de trânsito. Acabariam todos!

Criei mais coragem e o afrontei.

− Seu José, o senhor é muito louco! 

Para minha surpresa ele sorriu e falou meio mascado.

− Venha trabalhar de taxista pra ver como é! Saí do carro e fiquei pensando.

Seu José ganha a vida no trânsito, ou seja, opera em um lugar cada vez mais caótico. A maioria está ali só de passagem, mas ele não, seu destino é permanecer no caos. No frio, no calor, no vento, na neblina. Nos momentos de chuva, em que todos evitam a circulação sua presença se acentua ainda mais, não há escolha.

Nos fins de semana: festas, formaturas, bailes… Está lá levando passageiros pra cá e pra lá.  Deixa a pessoa na porta, mas não entra. Páscoa, natal, ano novo, decisão do campeonato, nada disso o libera da lida. Com um agravante, ele está na rua, ao abrigo do imponderável.

Agora entendo o José, seu temperamento e a sua tendência de voto. Mas acho que o candidato dele não irá ganhar a eleição. Até porque os tempos mudaram. Ainda bem.

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CRÔNICA. Máucio e o ritual do voto. Ah, e a primeira eleição que disputou

Não lembro direito do dia em que votei pela primeira vez, mas certamente deveria estar ansioso.  Fico apreensivo até agora, imagina com 18 aninhos.  Muitas eleições se passaram e a sensação de compromisso e desejo continua a mesma.

Quis o destino que o local onde eu voto hoje fosse a escola Cícero Barreto, onde cursei o ensino fundamental. Foi ali que, em um período político conturbado no país, comecei a receber as primeiras noções de cidadania. Em um colégio público a criança tem uma amostra grátis da nação…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Dia de votar”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Dia de votar – por Máucio

Não lembro direito do dia em que votei pela primeira vez, mas certamente deveria estar ansioso.  Fico apreensivo até agora, imagina com 18 aninhos.  Muitas eleições se passaram e a sensação de compromisso e desejo continua a mesma.

Quis o destino que o local onde eu voto hoje fosse a escola Cícero Barreto, onde cursei o ensino fundamental. Foi ali que, em um período político conturbado no país, comecei a receber as primeiras noções de cidadania. Em um colégio público a criança tem uma amostra grátis da nação.

Minha primeira experiência de eleição ao vivo, no entanto, ocorreu no ensino médio, quando ganhei uma disputa por apenas um voto para líder de turma. Fui um candidato que surgiu das bases, para fazer frente ao oficial, chapa branca, lançado pelas professoras. Caso o resultado desse empate, o postulante da situação empossaria, por ser quase um ano mais velho que eu. Hehe!

A partir da adolescência, tive o prazer de lutar e acompanhar a redemocratização, passando pela Volta do irmão do Henfil, pelas Diretas já e pelos Caras pintadas. Hoje os pleitos passaram a fazer parte do calendário e a gente, às vezes, nem se dá conta que construiu o hábito eleitoral. A importância, no entanto, continua a mesma.

Queiramos ou não, em dia de eleições todos possuem seu ritual. Uns votam de manhã bem cedinho porque querem se sentir logo livres, com o compromisso cumprido.  Outros deixam para o período da tarde, porque odeiam enfrentar filas.  Um vizinho disse que vai sempre nos quinze minutos finais e jura que é por isso que seus candidatos sempre ganham. 

Muita gente, principalmente os idosos, estabelece circunstâncias para a ocasião. Meu avô tratava esse dia com muita cerimônia. Colocava sua melhor roupa e o ato de votar era uma solenidade cívica sagrada. Eu, quando criança, ficava olhando sem conseguir dimensionar direito.

Creio que a minha geração cresceu e está acompanhando uma importante fase da maturação da democracia brasileira. Mesmo que alguns Tiriricas apareçam e se elejam por aí. Mas cá entre nós, isso não tem nada de novo.  O Cacareco se fosse candidato hoje – e tivesse mídia – poderia até empatar com o palhaço. E, neste caso seria ele o empossado, pois é muito, muito mais antigo.

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CULTURA. Máucio e os primos ilustres: Cartucho e Santa Maria Vídeo e Cinema

21, setembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

“…São momentos culturais que vêm caracterizando a cidade. O SMVC tem, em minha opinião, como sua característica mais especial o fato de projetar filmes em espaço público. Com isso dá acesso a novas platéias e estabelece uma maneira ampla e democrática de recepção cinematográfica. Deste modo o Festival faz história e um dia ele mesmo será motivo de um documentário precioso que registrará essa experiência peculiar.

O Cartucho, embora mais modesto, também tem suas atrações diferenciadoras. Para se ter uma ideia, é único em todo o Brasil, também não se tem notícia de algo similar em nenhuma outra parte…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Santa Maria do Cartucho e do Vídeo Cinema”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Santa Maria do Cartucho e do Vídeo Cinema – por Máucio

21, setembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Acontece neste fim de semana a sétima edição do Encontro dos Cartunistas Gaúchos aqui em nossa cidade. Neste mesmo mês já ocorreu o 9º Santa Maria Vídeo Cinema. Ano passado o escritor Candido de Azambuja Ribeiro, em uma de suas crônicas no jornal A Razão, fez uma aproximação entre esses eventos e, a partir de então, vejo os dois acontecimentos como primos.

São momentos culturais que vêm caracterizando a cidade. O SMVC tem, em minha opinião, como sua característica mais especial o fato de projetar filmes em espaço público. Com isso dá acesso a novas platéias e estabelece uma maneira ampla e democrática de recepção cinematográfica. Deste modo o Festival faz história e um dia ele mesmo será motivo de um documentário precioso que registrará essa experiência peculiar.

O Cartucho, embora mais modesto, também tem suas atrações diferenciadoras. Para se ter uma ideia, é único em todo o Brasil, também não se tem notícia de algo similar em nenhuma outra parte.  O que existem são salões de humor cuja configuração é sempre a mesma: cartunistas enviam trabalhos, ocorre a seleção e a premiação. Tudo à distância, ou seja, não há encontro dos profissionais para desenhar, trocar ideias e ter contatos com o público.

O Cartucho se destaca justamente pelo inusitado. Na abertura, sexta, cada pessoa presente recebe uma cédula e ajuda a escolher o tema do ano, é o início do Reponte Temático. Deste momento em diante os desenhistas terão, no máximo, 24 horas para fazer seus trabalhos.

No sábado de manhã no calçadão, acontece o Chimarrão com Nanquim. Cartunistas rabiscando ao vivo, acompanhados pelas crianças do 2º Cartuchinho. Esse ano o local vai ferver porque, concomitantemente, haverá um mar de cabos eleitorais e candidatos angustiados com a proximidade do pleito.

A Invernada do Humor, exposição dos cartuns feitos no Cartucho, faz o rescaldo dos três dias, reunindo a produção da galera. Ano passado foram mais de 70 desenhos produzidos, tanto por profissionais como por jovens desenhistas amadores. Qualquer um pode participar, é só estar presente na abertura e esperar o tema mais votado. E é tudo, tudo de graça e não poderia ser diferente.

O Santa Maria Vídeo Cinema e o Cartucho são apenas dois exemplos de promoções culturais populares e de qualidade oferecidos aos santa-marienses que, diga-se de passagem, tem apoiado muito esses agitos.

CULTURA E HUMOR. Vem aí mais um Cartucho, o Encontro dos Cartunistas Gaúchos

14, setembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Tai (mais) uma invenção do Máucio, nosso cronista semanal, que deu certo. E começa a atingir a maturidade, ao chegar a sua sétima edição. Me refiro ao Encontro dos Cartunistas Gaúchos (Cartucho), que acontece entre os dias 24 e 26.

Os detalhes chegam através do texto divulgado pela Chilli Produções Culturais, em texto assinado pela relações públicas Rose Carneiro. Acompanhe:

Vem aí o Cartucho número 7

Os dias 24, 25 e 26 de setembro próximos, Santa Maria se transforma na capital gaúcha do humor. O evento reúne em torno de 30 cartunistas profissionais e mais um tanto de jovens amadores da cidade. O objetivo, nos 3 dias do Encontro, é a troca de experiências e a difusão da atividade junto à comunidade, além da produção de cartuns temáticos que comporá a mostra Invernada do Humor. Na sua 7ª edição, o CARTUCHO já ganhou o respeito do pessoal da área, se legitimou como um evento cultural importante, projetando a cidade no cenário gaúcho e nacional do humor gráfico.

Hilários: assim são também os que participam do Cartucho, nas atividades conjuntas (foto do evento de 2009)

Como já é tradição, o Cartucho faz uma homenagem anualmente a um profissional da área. Em 2009 o homenageado do Cartucho foi Luis Fernando Veríssimo, que veio à cidade para prestigiar o evento. A 7 Edição homenageia Yara Souza, formada pela UFSM.

Ganhando força, na sua 7ª edição, o CARTUCHO promove o II Cartuchinho, envolvendo a gurizada na arte gráfica do humor. São palestras em 12 instituições de ensino, com Jô, Byrata e Elias e oficinas de Arte Gráfica que vão acontecer nas escolas da rede municipal de ensino: EMEF Oscar Grau, EMEF Duque de Caxias e EMEF Fontoura Ilha (esta ultima a confirmar). Dessas oficinas vai resultar a exposição do II Cartuchinho no domingo a tarde, juntamente com a Invernada de Humor (Exposição) do Cartucho 2010 e uma publicação especial a ser publicada após o evento.

O II Cartuchinho também vai ter atividades no Calçadão, no Chimarrão com Nanquin que acontece no sábado pela manhã. Os pequenos cavaletes colocados ao longo do calçadão vão oportunizar à criançada ensaiar desenhos junto aos grandes cartunistas.

Cartuchês:

Reponte Temático –  Um dos grandes diferenciais do Cartucho. No início do evento é sorteado um tema, uma palavra-chave. A partir desse momento os cartunistas tem aproximadamente 24 horas para produzir um desenho: charge, cartum, tira, história em quadrinhos. Como durante este período, os desenhistas irão de um lugar para outro pensando e produzindo o trabalho, deu-se o nome de Reponte, que significa, em termos gauchescos, levar o gado de um lugar para outro, fazendo paradas.

Chimarrão com Nanquin – prá quem conhece o dia-a-dia de um cartunista gaúcho, não é difícil imaginá-lo em algum momento às voltas com seu trabalho juntamente com uma cuia de chimarrão na mão.  A Associação de chimarrão com nanquin não é tão absurda, claro cada coisa no seu lugar. No Cartucho, Chimarrão com Nanquin é o momento em que há maior contato entre os desenhistas e a comunidade, onde rola a conversa, o improviso,  a caricatura e, claro, o chimarrão.

Invernada do Humor – é a exposição dos trabalhos temáticos resultantes do Cartucho. Invernada quer dizer, em termos gauchescos, uma extensão de campo cercado destinado a tratar o gado para determinado objetivo, criar, engordar, etc. A expressão é usada no Cartucho no sentido de um espaço delimitado para expor os cartuns resultantes do Reponte Temático.”

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POLÍTICA. Máucio e os momentos, e locais, em que discutir eleição não é uma boa

14, setembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Evito polêmicas, por exemplo, em certas rodas festivas onde percebo que estejam presentes indivíduos exacerbáveis e de ideologias diferentes. E quando um dos participantes inicia alguma possível provocação, deixo o assunto se esvair.

Outro momento em que contenda deve ser evitada é em encontros familiares como o dia das mães. Irmãos, primos, tios, sobrinhos, sogra, que há tempo não se vêem, se reúnem em torno de uma macarronada ou de um risoto e podem tornar-se homens-bomba caso resolvam fazer pregações partidárias, mesmo que indiretas. Em ano de eleições então, nem se fala…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “As eleições e os emails”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

As eleições e os emails – por Máucio

14, setembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Não sou daqueles que repetem sem pensar a manjada frase a qual diz que política não se discute, claro que se discute. O debate político deve ser um cardápio cotidiano, porém, no meu entender, tudo tem hora e lugar. Pelo menos para quem cultiva relações de amizade.

Evito polêmicas, por exemplo, em certas rodas festivas onde percebo que estejam presentes indivíduos exacerbáveis e de ideologias diferentes. E quando um dos participantes inicia alguma possível provocação, deixo o assunto se esvair.

Outro momento em que contenda deve ser evitada é em encontros familiares como o dia das mães. Irmãos, primos, tios, sobrinhos, sogra, que há tempo não se vêem, se reúnem em torno de uma macarronada ou de um risoto e podem tornar-se homens-bomba caso resolvam fazer pregações partidárias, mesmo que indiretas. Em ano de eleições então, nem se fala.

Existe, porém outro lugar impróprio para esse tipo de atitude. As pessoas não se dão conta porque não costumam fazer a equivalência dos hábitos do convívio social concreto com o relacionamento digital e assim as novas tecnologias acabam sendo usadas sem critérios. É o caso da Internet e mais especificamente do correio eletrônico no período eleitoral.

Nos últimos meses tenho recebido vários emails, desses enviados simultaneamente pela lista de endereços pessoais, que são simplesmente campanhas políticas explícitas ou veladas. Não sei o que é pior. Acho que as dissimuladas são as mais chatas, porque pressupõem que o receptor é ingênuo ou desinformado.

Pensem comigo, o sujeito vai votar no fulano, então recebe e re-encaminha para seu grupo de relacionamento mensagens contra ciclana. Na lista tem contatos de todas as cores ideológicas.  Acontece que boa parte dessas mensagens de propaganda disfarçada é composta de calúnias, difamações, fotografias que não corresponde aos fatos, ou seja, verdadeiras armações que qualquer pessoa esclarecida detecta.

Fazer esse tipo de divulgação por emails é o mesmo, ou pior, que chegar a um churrasco de amigos e começar a esbravejar um monte de asneiras com o objetivo de dissuadir pessoas a votar em quem ele não gosta. E mais, quando faz isso pela Internet, o mala não corre sequer o risco de sofrer uma blitz para que pare de dizer bobagens.

Tentei, com jeito, pedir para dois conhecidos pararem de me enviar essas coisas e já consegui dois narizes torcidos comigo. Que situação! O que será que devemos fazer?

CRÔNICA. Máucio e a história do tio Bepin e suas tralhas sem serventia

“Tio Bepin sempre foi um sujeito muito teimoso e quanto mais o tempo passava mais ficava.  Ao longo dos anos, como quase todos nós, incorporou hábitos, manias, excentricidades. Neuroses, diriam alguns. Um dos seus costumes mais criticados pelos filhos – três homens e três mulheres – é o de guardar coisas. Nunca colocou nada fora, quem entrasse no galpão, lá no fundo do pátio, poderia perceber bem essa prática. Apesar de grande o espaço era entupido de tralhas. Quinquilharias, cacaiedos, segundo a prole.

Quando, por exemplo, tinha que mandar trocar alguma peça da sua fubica – um Austin – guardava a antiga, não se entendia por quê. Por isso a fama de pão-duro. Se um eletrodoméstico pifava e não havia conserto também o levava para lá, pois tinha certeza de que uma hora dessas poderia precisar de alguma parte…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “As tralhas do tio Bepin”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS

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As tralhas do tio Bepin – por Máucio

Tio Bepin sempre foi um sujeito muito teimoso e quanto mais o tempo passava mais ficava.  Ao longo dos anos, como quase todos nós, incorporou hábitos, manias, excentricidades. Neuroses, diriam alguns. Um dos seus costumes mais criticados pelos filhos – três homens e três mulheres – é o de guardar coisas. Nunca colocou nada fora, quem entrasse no galpão, lá no fundo do pátio, poderia perceber bem essa prática. Apesar de grande o espaço era entupido de tralhas. Quinquilharias, cacaiedos, segundo a prole.

Quando, por exemplo, tinha que mandar trocar alguma peça da sua fubica – um Austin – guardava a antiga, não se entendia por quê. Por isso a fama de pão-duro. Se um eletrodoméstico pifava e não havia conserto também o levava para lá, pois tinha certeza de que uma hora dessas poderia precisar de alguma parte.  Chaleira furada, ferro de passar roupa, garfos tortos, pratos lascados, parafusos e pregos enferrujados, nada, nada ia para o lixo. Quem guarda tem, dizia uma plaquinha pendurada na parede principal do recinto.

Tia Amélia, vez por outra, estimulada e pressionada pelas filhas, tentava promover uma faxina galponeira, mas não havia jeito. Bepin vinha sempre com a sentença: tu cuida da casa, eu do garpão! Uma vez a relação quase foi à bancarrota quando o tio começou a fincar uns palanques para fazer um puxado para aumentar a área – uma meia água. Acabaram se acertando, mas não sem que tivesse de comprar uma máquina de costura nova para a patroa. Acabou lucrando, a usada foi acompanhar as outras duas que já havia no estoque.

Bepin está com mais de 80 anos e o coitado não consegue fazer mais nada de pesado. A lida na horta abandonou há tempo, até porque as sequelas do tempo da lavoura de soja foram se manifestar mais tarde. Tem uma das pernas afetadas por uma queda do trator. Televisão não é muito sua distração, prefere acompanhar o noticiário pelo rádio. Josiepe, nome de batismo, passava os dias envoltos por suas bugigangas, sem saber muito por que. Até que um dia uma de suas netas que mora em Minas Gerais veio passar as férias na casa dos avós.

Manoela ficou encantada com o galpão, passou a temporada olhando as coisas e conversando com o vovô. Quatro meses depois, incentivado pela netinha, o tio colocou um portão que dá para a rua do lado e abriu um brique: Antiquário do Bepin. Na rua da frente fixou uma placa sinalizando, com logotipo e tudo. Hoje, alegre e sorridente, passa os dias recebendo e conversando com a freguesia, cada vez mais numerosa e interessada.

Tio Bepin expõe e comercializa o tempo gravado nos objetos colhidos ao longo da vida. Conversa, explica, sorri, conta histórias e vai enchendo os bolsos. Não entende muito bem, entretanto, porque as pessoas compram, entusiasmadamente, aquelas tralhas. O certo é que hoje, faceiro, achou serventia para o que guardou.

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TEMPOS MODERNOS. Máucio e as profissões em extinção: carpinteiro, sapateiro…

“Os Correios estão com uma série de selos muito interessante. Apresenta desenhos com estilo de cartum que mostram pessoas trabalhando: sapateiro, costureira, carpinteiro, barbeiro, pipoqueiro.  É uma coleção encantadora, não só pelas ilustrações como também pela escolha das profissões.

Essas ocupações despertam nossa memória afetiva.  Quem não se lembra do tempo em que se levavam sapatos para consertar? Entregava-se o calçado estropiado para arrumar com certa resignação e ia-se depois buscá-lo no dia e hora marcados, cheios de esperança de que se receberia um par novinho em folha. Nem sempre era o que acontecia, mas afinal, estavam melhores do que antes. Era subjacente o conceito de reaproveitamento, da possibilidade de…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Profissões em extinção”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Profissões em extinção – por Máucio

Os Correios estão com uma série de selos muito interessante. Apresenta desenhos com estilo de cartum que mostram pessoas trabalhando: sapateiro, costureira, carpinteiro, barbeiro, pipoqueiro.  É uma coleção encantadora, não só pelas ilustrações como também pela escolha das profissões.

Essas ocupações despertam nossa memória afetiva.  Quem não se lembra do tempo em que se levavam sapatos para consertar? Entregava-se o calçado estropiado para arrumar com certa resignação e ia-se depois buscá-lo no dia e hora marcados, cheios de esperança de que se receberia um par novinho em folha. Nem sempre era o que acontecia, mas afinal, estavam melhores do que antes. Era subjacente o conceito de reaproveitamento, da possibilidade de renovação das coisas.

Das costureiras também acho que quase todos temos guardados episódios. Quem nunca mandou fazer uma calça ou uma camisa perdeu essa experiência. Levava-se o tecido e entregava-se cheios de esperança de que tudo daria certo. Era um ato de confiança e expectativa. E veja como se tinha tempo, saíamos para comprar o pano, escolhia-se o modelo, explicava-se para a costureira, tiravam-se as medidas. Após provava-se uma ou mais vezes. Nossa, que maratona, que paciência. Tudo isso ainda correndo-se o risco da roupa não ficar como se sonhara. E os sonhos costumam mesmo ser atrevidos.

Os carpinteiros, por sua vez, ainda não sumiram completamente, porque tem até agora quem opte por casa de madeira, mas é cada vez mais escasso. Vai me dizer que você conhece muitos carpinteiros? Contam-se nos dedos os mestres sobreviventes e eles não estão formando seguidores, creio eu.

O barbeiro, no entanto, terá vida um pouco mais longa, afinal, acho que não será muito fácil inventarem uma máquina automática de cortar cabelos sem a necessidade do um operador especializado. E a questão maior neste caso nem é tecnológica é de sensibilidade mesmo.  Afinal, esse profissional mexe com algo de nossa subjetividade estética absolutamente valorizada e que faz parte do corpo. O cabelo é tido como um componente tão ou mais importante que o cérebro. Para alguns, inclusive, é muito mais importante. Tanto que existe a expressão fazer a cabeça, referindo-se a ir ao cabeleireiro.

E o pipoqueiro? Ah, o pipoqueiro! Vocês acham que ele sumirá? Quando? Por quê? Qual a diferença desse sujeito em relação aos demais? Ele sobreviverá? Até quando?

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EDUCAÇÃO E ARTE. Máucio e os sentimentos cidadãos de 150 crianças de uma escola pública de SM

“Semana passada fui convidado para conversar sobre minha exposição, Subjetos, com os alunos das séries iniciais de uma escola da cidade. Foi uma proposta da professora Celina Cervo, da Escola Estadual de 1º Grau Marieta D’Ambrósio, localizada na Apel.

No primeiro telefonema logo aceitei porque não teria como recusar um compromisso desses, afinal, também atuo no ensino público e sei como são as dificuldades para fazer alguma coisa diferente no cotidiano da educação. Ao chegar próximo do dia marcado, no entanto, certa apreensão apareceu. Pensando bem, eu teria que me dirigir a crianças, o que difere muito das aulas para jovens adultos. Inutilmente fiquei a refletir sobre estratégias de comunicação para o novo desafio. Nada, porém, era palpável…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Criança, educação e arte”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Criança, educação e arte – por Máucio

Semana passada fui convidado para conversar sobre minha exposição, Subjetos, com os alunos das séries iniciais de uma escola da cidade. Foi uma proposta da professora Celina Cervo, da Escola Estadual de 1º Grau Marieta D’Ambrósio, localizada na Apel.

No primeiro telefonema logo aceitei porque não teria como recusar um compromisso desses, afinal, também atuo no ensino público e sei como são as dificuldades para fazer alguma coisa diferente no cotidiano da educação. Ao chegar próximo do dia marcado, no entanto, certa apreensão apareceu. Pensando bem, eu teria que me dirigir a crianças, o que difere muito das aulas para jovens adultos. Inutilmente fiquei a refletir sobre estratégias de comunicação para o novo desafio. Nada, porém, era palpável.

Chegando lá fiz questão de dizer à professora que eu não tinha a menor ideia de como e o que iria falar. Ela me respondeu, fique tranqüilo, está tudo organizado, o que me deixou mais aflito ainda.

A atividade começou às 14 horas, quando duas turmas entraram no auditório. Cerca de cinquenta aluninhos. Meninos e meninas. Estavam alegres, sorrindo e olhando para tudo. Enquanto encontravam assento fui abraçando-os. Depois perguntei o nome e a idade de alguns. Quase todos com 8 anos.

Foram três sessões, cada uma com duas turmas de 25, o que soma 150 crianças. Fiquei conversando durante duas horas e meia, envolto na mais pura emoção. Eles haviam estado na exposição e, incentivados pela professora, realizaram tarefas de interpretação que envolveu releituras dos trabalhos e textos poéticos a respeito.

O mínimo que poderia dizer é que estava me sentindo lisonjeado, mas não é sobre isso que quero falar. O que me tocou profundamente foi: a organização da escola; o interesse das crianças, a dedicação evidente dos professores. Uma absoluta simplicidade infantil – e diversidade de escola pública – estava ali recheada de sentimentos, de humanidade, de cidadania latente. Ver aquelas crianças todas, sem exceção, olhando atentas, presentes, foi uma experiência pra lá de significante. As perguntas que me faziam a respeito dos trabalhos expostos, sobre as razões da arte e sobre, especificamente, os discursos plásticos, foi algo que me deixou embasbacado. É como se eu conversasse com um grupo de amigos íntimos. 

Saí da escola tendo a certeza de que nosso país – e o mundo – nunca irá ter uma mudança realmente transformadora em seus valores genuínos do que se entende por humano, enquanto não houver uma ação  radical que promova a educação como fator social absoluto. É incrível que nenhum governo invista efetivamente nisso.

Obrigado Escola Marieta D’ Ambrósio. Eu voltarei quando quiserem, pois sou eu que devo agradecer.

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VIDA NADA MOLE. As peripécias de Máucio na tentativa de comprar um colchão

17, agosto, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

“Semana passada saí para comprar um colchão para o quarto de hóspedes. É uma empreitada nada fácil, quase tão complexa quanto trocar de carro. Na primeira loja que cheguei o sujeito me perguntou para que eu queria o produto. Ora, para deitar, respondi. 

A escolha inicial é entre um colchão de molas e um de espuma. Há três anos adquiri um de molas e a decisão de compra foi repleta de questiúnculas. Cheguei a uma empresa especializada e o atendimento foi tão complicado que eu fiquei tonto com tantas informações. Senti a firme convicção que precisaria de uns dias para assimilar.

Na loja seguinte o sujeito desdisse quase todas as afirmações anteriores. Fui então a uma de departamentos. Procurei um vendedor e falei objetivamente: quero…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Colchão novo não é mole!”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Colchão novo não é mole! – por Máucio

17, agosto, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Semana passada saí para comprar um colchão para o quarto de hóspedes. É uma empreitada nada fácil, quase tão complexa quanto trocar de carro. Na primeira loja que cheguei o sujeito me perguntou para que eu queria o produto. Ora, para deitar, respondi. 

A escolha inicial é entre um colchão de molas e um de espuma. Há três anos adquiri um de molas e a decisão de compra foi repleta de questiúnculas. Cheguei a uma empresa especializada e o atendimento foi tão complicado que eu fiquei tonto com tantas informações. Senti a firme convicção que precisaria de uns dias para assimilar.

Na loja seguinte o sujeito desdisse quase todas as afirmações anteriores. Fui então a uma de departamentos. Procurei um vendedor e falei objetivamente: quero um colchão de molas. Sua resposta, porém, chacoalhou tudo o que eu já havia armazenado de dados. Para piorar um pouco mais, me ofereceu uma quinta opção com um preço 30% inferior. E ainda por cima poderia pagar em 10 vezes pelo preço avista. Quase fechei o negócio por impulso, mas resolvi me retirar para meditar.

Sinceramente nem lembro o que, naquela ocasião, me levou a decidir pela compra. O fato é que, mesmo com todos os critérios adotados, o colchão deu problema três anos depois. Felizmente ainda estava na garantia e com um simples telefonema a equipe veio e fez a reposição por um novinho em folha. A penosa via sacra até que teve alguma recompensa.

Desta feita, por se tratar de um de colchão de espuma, pensei que a compra seria mais fácil, que nada! Tudo foi tão ou mais difícil devido ao grande número de variáveis desencontradas que cada vendedor colocava. O primeiro começou falando em densidade e acabou perguntando qual o peso da companheira que dormiria comigo. Achei uma invasão de privacidade, dei meia volta e fui porta afora.

Na loja em frente o sujeito me falou em densidade 33, ou seja, D33. Depois me mostrou outro mais barato com a mesma especificação D33, porém sem o selo Pró-espuma. E, como se não bastasse mostrou ainda outro onde estava escrito só 33, sem o D. E ainda outro com a indicação C33. Quando começou a explicação sobre os colchões fabricados com espumas recicladas, que chegam ao mercado com preços ainda mais baixos, pedi para parar porque eu tinha hora marcada. Fugi.

Fui para casa, deitei no colchão antigo e fiquei relembrando de quando íamos para a casa da vovó em Cruz Alta. Dormir naquela cama de ferro, com colchão feito de palhas de milho e travesseiro de penas era muito maravilhoso! Será que tudo era tão simples só por que éramos crianças?

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