Antes era apenas a Veja, que havia se transformado em ex-revista e continua sendo o “case” a ser estudado. Afinal, como pode um importante veículo de comunicação do País ter se transformado, em tão pouco tempo, em apenas um panfleto? Que fere as regras mais comezinhas da prática do jornalismo.

Veja: a ex-revista virou panfleto. E faz tempo. Como? Sem contraditório. Mas não apenas
Pooois é. Outros integrantes da mídia grandona faziam o mesmo, mas mais discretamente, e passando um verniz no que noticiavam. Agora, porém, parece ter-se formado um verdadeiro trio. À publicação da Editora Abril (que, como alguns sabem, virou oposição por um “nobre” motivo: o fato de o presidente Lula decidiu democratizar o acesso às verbas para livros e revistas didáticas, fazendo os Civita perder mais de R$ 100 milhões/ano) seguem-se, neste momento, outros dois ícones da mídia pátria. Um, que teve importante papel na redemocratização do País (ainda que tivesse colaborado diretamente com o regime militar, na sua primeira década), é a Folha de São Paulo. Outro, a Rede Globo – se bem que esta já é conhecida, historicamente, pela arte da manipulação.
Mas, e isso é que talvez seja o novo, aparentemente estão agindo juntos, nessa que virou uma verdadeira guerra. Em que vale tudo. Ou quase. Ou tudo mesmo.Ok, ok, ok. Este repórter tem dito isso seguidamente, então não vale. Fiquemos, assim, com outra avaliação. Esta feita por Maurício Caleiro, jornalista e doutorando em comunicação pela Universidade Federal Fluminense. O artigo foi publicado no insuspeito e muito acatado sítio especializado Observatório da Imprensa. Acompanhe:
“A revista na guerra eleitoral
No decorrer das duas útimas semanas, evidências sucessivas sugerem que, após o convescote do Instituto Millenium, o comportamento do triunvirato midiático Globo-Veja-Folha de S.Paulo se tornou ainda mais agressivo e distante do que se espera de um setor encarregado da nobre missão de informar a sociedade. A hipótese de ações coordenadas, com vistas a interferir, de maneira pesada, no jogo eleitoral, parece se confirmar.
Senão, vejamos: o Jornal Nacional claramente subiu o tom, incluindo uma despropositada insinuação quanto ao triplex do presidente; O Globo vem oferecendo factóides em sequência – culminando com a “notícia” de que Lula pediria licença por dois meses, deixando ninguém menos que José Sarney como presidente interino; e a Folha de S.Paulo brinda seu cada vez mais reduzido leitorado com uma vendetta disfarçada de reportagem contra um jornalista que fora uma de suas estrelas por mais de uma década.
Porém, no quesito jornalismo tendencioso, Veja continua imbatível. A chamativa capa de semana passada, afirmando, em gíria da marginália, que a casa do partido X caiu, seria por si só – pela linguagem empregada, pelo escândalo buscado e, sobretudo, pela precariedade das acusações face às provas – evidência da, sejamos indulgentes, exaltação exacerbada de ânimos que se seguiu ao tal convescote.
No entanto, desmentida em questão de dias por decisão judicial que não apenas recusou as denúncias, mas criticou o promotor pelo parco embasamento das mesmas, a matéria – e o destaque a ela dado – suscita urgente discussão sobre quais os limites da…”
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