OLHAR DE FORA. “Sargento que trabalhava no gabinete de Yeda Crusius é preso por espionagem”
Acompanhei (e me penitencio por não dar uma nota sequer, até o momento), na medida do possível, o noticiário sobre a prisão do sargento Cesar Carvalho, que trabalhava no gabinete da governadora. Esperei o suficiente para encontrar um material jornalístico, em princípio, não contaminado pela política local.
Isso poderia gerar uma série de interpretações que, me perdoe, leitor, instigaria as patrulhas. E hoje, sexta-feira, não me sinto disposto a isso (também tenho o direito de me poupar, eventualmente, não?). Então, é o seguinte: acabo de ler uma reportagem completa sobre tudo o que aconteceu. E só não tem a versão da governadora porque sua assessoria não atendeu às ligações do jornalista.
E, o melhor, para meus propósitos: é de um jornal paulista que, embora conservador, pratica hoje (na minha modesta opinião) a coisa mais parecida com jornalismo minimamente aceitável. E que é pra lá de insuspeito. No caso, O Estado de São Paulo. Assim, “suguei” até o título original, e o coloquei ali em cima. Aqui, você lê a íntegra. Ah, o autor é o repórter Rodrigo Álvares. Acompanhe:
“Sargento que trabalhava no gabinete de Yeda Crusius é preso por espionagem
O sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, lotado no gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB) foi preso na manhã de hoje em Porto Alegre, após uma investigação do Ministério Público Estadual. O sargento é acusado de utilizar o Sistema de Consultas Integradas do Estado para levantar informações de investigações policiais, de partidos políticos, de candidatos a deputado, além de um ex-ministro e de um atual senador da República. O Ministério Público diz que continuará a investigação, pois há indícios de que oficiais de dentro da Casa Militar estariam envolvidos no esquema. O sargento foi denunciado por um contraventor ligado aos caça-níqueis e bingos, de quem cobrava propina há dois anos.
O promotor criminal de Canoas, Amilcar Macedo, deu detalhes sobre os acessos na tarde desta sexta-feira: “Eu ainda não consegui entender o por quê de ele estar acessando estes dados, que tipo de perigo à segurança da governadora isso poderia causar”.
Amilcar confirmou que foram verificados dados de um senador, de um ex-ministro da República, de um oficial do 5° Comando Aéreo Regional (Comar) e do chefe de inteligência do Comando de Policiamento Metropolitano. “Ele usava senhas que poderiam verificar o que os oficiais estavam investigando. Ele estava investigando a equipe que estava à frente da investigação e chegou a boicotar o nosso trabalho”, disse Amilcar.
O sargento também estava acessando dados relativos a um partido político, diretórios e veículos de partidos políticos, dos quais o procurador evitou mencionar para não atrapalhar as investigações. “Essa é uma conclusão minha, mas pela função da Casa Militar, que está a serviço à senhora governadora do Estado, eu ainda não consegui entender o por quê de ele estar acessando estes dados, que tipo de perigo à segurança da governadora isso poderia causar. Eu não acredito que ele estivesse fazendo isso por livre vontade”, falou o procurador..,”
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