Veja só a curiosidade: os dois partidos que, até aqui, firmaram oficialmente posição contrária ao aumento do número de vagas no Legislativo da comuna, se a vontade que manifestam for a acolhida na votação a ser feita nos próximos dias, estão exatamente entre aqueles que perdem. É isso mesmo. O PSDB, que se posiciona pela manutenção das 14 cadeiras; e o PSOL, que pensa do mesmo jeito e não tem hoje espaço no parlamento, dificilmente aumentarão, no caso dos tucanos, ou conquistarão, pensando nos psolistas, lugar melhor que hoje na política parlamentar santa-mariense.
Mas, afinal, quem ganha e quem perde numa eventual ampliação ou conservação do atual número de vagas na Câmara de Vereadores? Para responder a esta questão, além da sua própria observação, o editor ouviu outros observadores da situação local e fontes dos principais partidos envolvidos na eleição de 2012. PT, PMDB e PP são as siglas às quais estão filiados os ouvidos.
A seguir, um resumo do que foi colhido e com o que este sítio concorda, sem qualquer reparo:
1) Dificilmente será aprovada a impossibilidade de coligações no pleito proporcional, como se supunha pudesse ocorrer na reforma política. Se isso, porém, ocorrer, apenas se consolida a ideia de que as agremiações médias (PDT, PTB, PSDB e DEM) e pequenas (PSOL, PSTU, PPL, PR e outras) terão enorme dificuldades para segurar o que têm (DEM), ampliar (PSDB) ou conquistar (PDT, por exemplo) vagas no parlamento.
2) A tendência, a manter-se o 14, é a concentração ainda maior de poder em torno de PMDB e PT, com a presença do PP garantida, porém menor. E o PSDB terá que se virar para conservar seu vereador – tarefa relativamente facilitada por ter um deputado ajudando a puxar votos. O DEM, mesmo que mantendo a coligação com os tucanos (se estes quiserem e puderem) estaria condenado. O PDT, unido e com pelo menos dois nomes fortes na lista, Marcelo Bisogno e Duda Barin, substituiria o demismo. Há quem diga que o PTB, que tem um candidato fortíssimo, Ovídio Mayer, poderia sonhar. Mas dependeria, e muito, do restante da nominata e da aliança que poderia ser formada. E pronto. Nada além disso.
3) A situação fica ainda mais consolidada se forem vetadas as alianças proporcionais. Aí, é cada um por si e Deus por todos. Nesse caso, torna-se bastante provável que só PT e PMDB (que controlariam dois terços ou até mais do Legislativo), PP, PSDB e, taaalvez, o PDT, poderiam ter espaço no Legislativo.
4) E com 21 cadeiras? Bem, aí, pela redução do coeficiente eleitoral, que cairia para algo como 7 mil votos (em vez dos 10 mil, com 14), além dos já favoritos, o PSDB e o próprio PDT poderiam sonhar em ter mais de uma vaga, ombreando com o PP. E DEM e PTB ganham o direito de acreditar em ter bancada.
5) A manutenção das 14 cadeiras fará, se acontecer, muita gente desistir de concorrer. Afinal, os caciques concentrarão os maiores recursos (financeiros, políticos e de recursos humanos), impedindo o surgimento de outras possibilidades. Esse fenômeno atingiria em cheio, curiosamente, o PSDB – partido que tem nomes bem cotados mas que, com a manutenção das vagas, têm suas chances reduzidas a quase zero. Ou até menos.
E COMO ESTÁ A SITUAÇÃO, HOJE? Todas os ouvidos pelo editor acreditam que a posição tucana varia entre a demagógica e a camicase. Para agradar à maioria, a opção foi o suicídio político/eleitoral. Que lhe tirará nomes importantes da lista de candidatos e impedirá o avanço da sigla na disputa local. De outro lado, a decisão do PSDB, pró-14 vagas, pode ser elemento catalisador de outras adesões. O que levaria à manutenção do atual número. Sim, avança a possibilidade de mais “desgarrados”. Se chegarão a cinco, mais de um terço dos votos, inviabilizando o aumento, ninguém sabe. Mas já foi maior o otimismo dos que querem ampliar das atuais 14 para 21 vagas no parlamento de Santa Maria.
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