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Textos com Etiquetas ‘Crônica’

TEMPOS MODERNOS. Máucio e as profissões em extinção: carpinteiro, sapateiro…

“Os Correios estão com uma série de selos muito interessante. Apresenta desenhos com estilo de cartum que mostram pessoas trabalhando: sapateiro, costureira, carpinteiro, barbeiro, pipoqueiro.  É uma coleção encantadora, não só pelas ilustrações como também pela escolha das profissões.

Essas ocupações despertam nossa memória afetiva.  Quem não se lembra do tempo em que se levavam sapatos para consertar? Entregava-se o calçado estropiado para arrumar com certa resignação e ia-se depois buscá-lo no dia e hora marcados, cheios de esperança de que se receberia um par novinho em folha. Nem sempre era o que acontecia, mas afinal, estavam melhores do que antes. Era subjacente o conceito de reaproveitamento, da possibilidade de…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Profissões em extinção”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Profissões em extinção – por Máucio

Os Correios estão com uma série de selos muito interessante. Apresenta desenhos com estilo de cartum que mostram pessoas trabalhando: sapateiro, costureira, carpinteiro, barbeiro, pipoqueiro.  É uma coleção encantadora, não só pelas ilustrações como também pela escolha das profissões.

Essas ocupações despertam nossa memória afetiva.  Quem não se lembra do tempo em que se levavam sapatos para consertar? Entregava-se o calçado estropiado para arrumar com certa resignação e ia-se depois buscá-lo no dia e hora marcados, cheios de esperança de que se receberia um par novinho em folha. Nem sempre era o que acontecia, mas afinal, estavam melhores do que antes. Era subjacente o conceito de reaproveitamento, da possibilidade de renovação das coisas.

Das costureiras também acho que quase todos temos guardados episódios. Quem nunca mandou fazer uma calça ou uma camisa perdeu essa experiência. Levava-se o tecido e entregava-se cheios de esperança de que tudo daria certo. Era um ato de confiança e expectativa. E veja como se tinha tempo, saíamos para comprar o pano, escolhia-se o modelo, explicava-se para a costureira, tiravam-se as medidas. Após provava-se uma ou mais vezes. Nossa, que maratona, que paciência. Tudo isso ainda correndo-se o risco da roupa não ficar como se sonhara. E os sonhos costumam mesmo ser atrevidos.

Os carpinteiros, por sua vez, ainda não sumiram completamente, porque tem até agora quem opte por casa de madeira, mas é cada vez mais escasso. Vai me dizer que você conhece muitos carpinteiros? Contam-se nos dedos os mestres sobreviventes e eles não estão formando seguidores, creio eu.

O barbeiro, no entanto, terá vida um pouco mais longa, afinal, acho que não será muito fácil inventarem uma máquina automática de cortar cabelos sem a necessidade do um operador especializado. E a questão maior neste caso nem é tecnológica é de sensibilidade mesmo.  Afinal, esse profissional mexe com algo de nossa subjetividade estética absolutamente valorizada e que faz parte do corpo. O cabelo é tido como um componente tão ou mais importante que o cérebro. Para alguns, inclusive, é muito mais importante. Tanto que existe a expressão fazer a cabeça, referindo-se a ir ao cabeleireiro.

E o pipoqueiro? Ah, o pipoqueiro! Vocês acham que ele sumirá? Quando? Por quê? Qual a diferença desse sujeito em relação aos demais? Ele sobreviverá? Até quando?

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EDUCAÇÃO E ARTE. Máucio e os sentimentos cidadãos de 150 crianças de uma escola pública de SM

“Semana passada fui convidado para conversar sobre minha exposição, Subjetos, com os alunos das séries iniciais de uma escola da cidade. Foi uma proposta da professora Celina Cervo, da Escola Estadual de 1º Grau Marieta D’Ambrósio, localizada na Apel.

No primeiro telefonema logo aceitei porque não teria como recusar um compromisso desses, afinal, também atuo no ensino público e sei como são as dificuldades para fazer alguma coisa diferente no cotidiano da educação. Ao chegar próximo do dia marcado, no entanto, certa apreensão apareceu. Pensando bem, eu teria que me dirigir a crianças, o que difere muito das aulas para jovens adultos. Inutilmente fiquei a refletir sobre estratégias de comunicação para o novo desafio. Nada, porém, era palpável…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Criança, educação e arte”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

VIDA NADA MOLE. As peripécias de Máucio na tentativa de comprar um colchão

17, agosto, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

“Semana passada saí para comprar um colchão para o quarto de hóspedes. É uma empreitada nada fácil, quase tão complexa quanto trocar de carro. Na primeira loja que cheguei o sujeito me perguntou para que eu queria o produto. Ora, para deitar, respondi. 

A escolha inicial é entre um colchão de molas e um de espuma. Há três anos adquiri um de molas e a decisão de compra foi repleta de questiúnculas. Cheguei a uma empresa especializada e o atendimento foi tão complicado que eu fiquei tonto com tantas informações. Senti a firme convicção que precisaria de uns dias para assimilar.

Na loja seguinte o sujeito desdisse quase todas as afirmações anteriores. Fui então a uma de departamentos. Procurei um vendedor e falei objetivamente: quero…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Colchão novo não é mole!”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Colchão novo não é mole! – por Máucio

17, agosto, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Semana passada saí para comprar um colchão para o quarto de hóspedes. É uma empreitada nada fácil, quase tão complexa quanto trocar de carro. Na primeira loja que cheguei o sujeito me perguntou para que eu queria o produto. Ora, para deitar, respondi. 

A escolha inicial é entre um colchão de molas e um de espuma. Há três anos adquiri um de molas e a decisão de compra foi repleta de questiúnculas. Cheguei a uma empresa especializada e o atendimento foi tão complicado que eu fiquei tonto com tantas informações. Senti a firme convicção que precisaria de uns dias para assimilar.

Na loja seguinte o sujeito desdisse quase todas as afirmações anteriores. Fui então a uma de departamentos. Procurei um vendedor e falei objetivamente: quero um colchão de molas. Sua resposta, porém, chacoalhou tudo o que eu já havia armazenado de dados. Para piorar um pouco mais, me ofereceu uma quinta opção com um preço 30% inferior. E ainda por cima poderia pagar em 10 vezes pelo preço avista. Quase fechei o negócio por impulso, mas resolvi me retirar para meditar.

Sinceramente nem lembro o que, naquela ocasião, me levou a decidir pela compra. O fato é que, mesmo com todos os critérios adotados, o colchão deu problema três anos depois. Felizmente ainda estava na garantia e com um simples telefonema a equipe veio e fez a reposição por um novinho em folha. A penosa via sacra até que teve alguma recompensa.

Desta feita, por se tratar de um de colchão de espuma, pensei que a compra seria mais fácil, que nada! Tudo foi tão ou mais difícil devido ao grande número de variáveis desencontradas que cada vendedor colocava. O primeiro começou falando em densidade e acabou perguntando qual o peso da companheira que dormiria comigo. Achei uma invasão de privacidade, dei meia volta e fui porta afora.

Na loja em frente o sujeito me falou em densidade 33, ou seja, D33. Depois me mostrou outro mais barato com a mesma especificação D33, porém sem o selo Pró-espuma. E, como se não bastasse mostrou ainda outro onde estava escrito só 33, sem o D. E ainda outro com a indicação C33. Quando começou a explicação sobre os colchões fabricados com espumas recicladas, que chegam ao mercado com preços ainda mais baixos, pedi para parar porque eu tinha hora marcada. Fugi.

Fui para casa, deitei no colchão antigo e fiquei relembrando de quando íamos para a casa da vovó em Cruz Alta. Dormir naquela cama de ferro, com colchão feito de palhas de milho e travesseiro de penas era muito maravilhoso! Será que tudo era tão simples só por que éramos crianças?

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CRÔNICA. Daiani Ferrari e aquela baliza que a derrotou na prova para virar motorista

“…Acordei cedo na quinta-feira, tomei 45 gotas de água de melissa, um copo de leite, me assegurei de que carregava a carteira de identidade para poder fazer a prova e fui para o local marcado. Chegando lá, os nervos estavam mais que atacados, eu parecia um canguru, sentia que o corpo estava pulando.

Pensei em fumar um cigarro para acalmar, mas fiquei com preguiça.

Conversando com os outros aspirantes a motoristas, fui me acalmando. Quando o professor me chamou, ainda consegui fazer uma brincadeira. Disse para o examinador do DETRAN que se eu batesse na baliza a culpa não era minha, mas do vento forte que teimava em ficar por ali…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Eu não passei na prova,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítido, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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Eu não passei na prova – por Daiani Ferrari

Hoje é sexta-feira, dia de voltar para Santa Maria e ver nosso cachorro que ficou hospedado na casa da minha irmã. Durante a semana as coisas correram bem. Tudo tranquilo com os novos afazeres. Começamos a caminhar, já com a “operação verão” na cabeça. A mudança do tabelionato bem adiantada, com várias coisas a respeito já resolvidas.

Poderia dizer que as coisas estariam sensacionais se não fosse por um pequeno fato: eu não ter sido aprovada na prova de direção para a obtenção da CNH. Acordei cedo na quinta-feira, tomei 45 gotas de água de melissa, um copo de leite, me assegurei de que carregava a carteira de identidade para poder fazer a prova e fui para o local marcado. Chegando lá, os nervos estavam mais que atacados, eu parecia um canguru, sentia que o corpo estava pulando.

Pensei em fumar um cigarro para acalmar, mas fiquei com preguiça.

Conversando com os outros aspirantes a motoristas, fui me acalmando. Quando o professor me chamou, ainda consegui fazer uma brincadeira. Disse para o examinador do DETRAN que se eu batesse na baliza a culpa não era minha, mas do vento forte que teimava em ficar por ali.

Entrei no carro e parece que foi como tirar meu nervosismo com a mão. Completamente calma, dei a partida no carro, sinalizando para sair e para estacionar, o que fiz com maestria. Foi na hora de tirar o carro o meu deslize. Achando que podia ir um pouco mais para trás e sair com folga na dianteira do carro, encostei na baliza. “Antes não tivesse feito a piadinha”, pensei na hora.

O examinador prontamente mandou que desligasse o carro e saísse. Foi o que fiz, ainda sem acreditar que eu tinha cometido esse erro idiota, que não cometi em nenhuma das aulas.  

Enfim, prova já marcada para o dia 2 de setembro e aulas extras também. Mas não era nisso em que eu pensava, em não ter passado, ou as aulas que terei que fazer de novo, tampouco no dinheiro que gastei para tanto… O que não me saía da cabeça era a história de uma senhora que aguardava para também fazer a prova.

Ela comentou que já faz dois anos que tenta obter a CNH. Nunca passa na prova de direção, já tendo feito no mínimo umas 20 vezes. Segundo ela, já foram cerca de R$ 5 mil reais gastos nisso. E não pensem que ela estava triste ou desanimada. Nem pensava em parar até conseguir a habilitação.

Não sei se conseguiu, saí antes dela. Só sei que eu não consegui e isso que nem era sexta-feira 13 de agosto.

CRÔNICA. Daiani Ferrari reflete sobre “o amor de sempre, mesmo que mude”

“Dois casais em quatro bancos no ônibus. Nos da frente, dois jovens em pleno clima de descobertas. Risinhos, olhares tímidos e toques na mão, na perna, um carinho no rosto.

Nos de trás, um casal de, no mínimo, uns 40 anos de união. Os dois quietos, apenas aguardando o fim da viagem. Vez ou outra, a senhora perguntava se ele queria um refrigerante ou um pastel da marmita que havia levado. Mas era só. Nada de conversa. Nada de mimos. Ele respondia com a cabeça.

Vendo as duas cenas distintas, minha pergunta é uma só: O casamento (entendido como união, da forma que seja) acaba com o romantismo? Será que o segundo casal começou com clima romântico, idealizando o amor, morrendo de tanto chamego e com a dor que o sentimento proporciona?…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “É sempre amor, mesmo que mude,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítido, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

“FISSURA”. Um celular no qual dá pra desenhar? Pronto, Máucio não larga o dele

“Nunca fui um aficionado pelas novas tecnologias, sou daqueles que sabem que elas surgem, mas não saem correndo atrás para provar os últimos lançamentos. No meu trabalho, por exemplo, devo ter sido um dos últimos a adquirir um PC. A era da informática para mim, acho que começou uns três anos depois da parceria.

Lembro de ouvir meus colegas entusiasmados nos corredores falando em hardware, software, programas e eu passando ao lado. Um dia um deles, me vendo parado só ouvindo, quis me colocar na conversa e perguntou se eu já possuía um micro e que tipo ele era. Respondi de pronto: tenho sim, é um Brastemp. Uns silenciaram, outros esboçaram um sorriso. Claro que depois, mais tarde, entrei na era digital…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Sedução tecnológica”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Sedução tecnológica – por Máucio

Nunca fui um aficionado pelas novas tecnologias, sou daqueles que sabem que elas surgem, mas não saem correndo atrás para provar os últimos lançamentos. No meu trabalho, por exemplo, devo ter sido um dos últimos a adquirir um PC. A era da informática para mim, acho que começou uns três anos depois da parceria.

Lembro de ouvir meus colegas entusiasmados nos corredores falando em hardware, software, programas e eu passando ao lado. Um dia um deles, me vendo parado só ouvindo, quis me colocar na conversa e perguntou se eu já possuía um micro e que tipo ele era. Respondi de pronto: tenho sim, é um Brastemp. Uns silenciaram, outros esboçaram um sorriso. Claro que depois, mais tarde, entrei na era digital.

O celular também entrou na minha vida lentamente. Não percebia muito a necessidade de tê-lo. Até que um dia chegou a antevéspera de um Encontro Estadual do qual eu era o coordenador. Imaginei que as pessoas começariam a chegar de várias cidades em dias e horários diferentes, muito provavelmente precisariam obter informações comigo, sobre a programação, hotéis, etc. Imediatamente providenciei um aparelho. Mais preocupado com os visitantes do que comigo propriamente dito. Na verdade o que estou dizendo é óbvio, afinal de contas ninguém compra um telefone para falar consigo mesmo, não é?

Pensando bem, nem sei como as pessoas eram capazes de organizar eventos antigamente, sem Internet e sem celular. Mas organizavam!

O certo é que eu e quase todos nós, aos poucos, vamos rendendo-nos às novidades. Não vejo nenhum sentido, todavia, ficar trocando toda hora de tecnologia pelo simples fato dela estar desatualizada e muito menos apenas para dar sinais de poder aquisitivo. Arg! No entanto uma armadilha me pegou distraído esta semana. Eu havia trocado de celular, não fazia cinco meses, por absoluta necessidade, o teclado do aparelho começou a perder os números e isso já começara a causar transtornos. Troquei por um novinho em folha, o mais barato que encontrei. Com essa atitude estava preparado para tê-lo por uns quatro ou cindo anos. Ledo engano. Dias atrás minha amiga Carla, artista plástica, me mostrou seu celular novo, ele vinha acompanhado de uma canetinha digital que dava pra desenhar na tela.

Bem, é isso mesmo que vocês estão pensando. Fiquei fissurado! Um modelo que poderia usar para desenhar! Credo! Eu posso desenhar agora o que eu quiser, na hora que quiser, onde eu estiver, basta estar com meu celular – que já faz parte do meu corpo. Não precisarei mais ficar procurando um papelzinho, nem uma caneta que escreva. O fato de poder falar no aparelho passou a ser até secundário.

A sedução tecnológica acabara de tocar-me em algo sagrado e absolutamente essencial para mim, o desenho. É assim que o marketing consumista age. Ataca nossa emocionalidade. O que varia é onde as pessoas colocam suas emoções.

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CRÔNICA. Daiani Ferrari, a cadela Gorda e este frio de “renguear cusco”

“….Comentei que por aqui era meio comum o grande número de animais soltos pelas ruas, que alguns até eram meio adotados pela comunidade, que os alimentavam, oferecia assistência médica se necessário fosse. Mencionei, inclusive, o caso da cachorra Gorda, que vive no Centro de Santa Maria. Um bicho querido, não cria confusão, todos gostam e é a presença mais assídua em qualquer tipo de atividade que esteja sendo realizada pelos arredores. Gorda deve ganhar até banho dos lojistas e moradores do Centro, pois já a vi diversas vezes com lacinhos parecidos com os que meu cachorro ganha quando volta do pet shop…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “O que vier primeiro,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítido, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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O que vier primeiro – por Daiani Ferrari

Ainda tenho dedos para digitar, mas isso já não é tarefa fácil, tamanho é o frio que está fazendo. Exageros à parte, estou achando esse inverno “por demais” rigoroso, pensei que não superaria o do último ano, mas, para mim, já passou léguas de distância.

Deixando o frio de lado, tenho conversado com pessoas de fora do estado e uma delas comentou dia desses sobre a grande quantidade de cachorros nas ruas e uma coisa que a intrigava era a situação de saúde dos pobres animais.

- São todos estranhos – dizia.

Comentei que por aqui era meio comum o grande número de animais soltos pelas ruas, que alguns até eram meio adotados pela comunidade, que os alimentavam, oferecia assistência médica se necessário fosse. Mencionei, inclusive, o caso da cachorra Gorda, que vive no Centro de Santa Maria. Um bicho querido, não cria confusão, todos gostam e é a presença mais assídua em qualquer tipo de atividade que esteja sendo realizada pelos arredores. Gorda deve ganhar até banho dos lojistas e moradores do Centro, pois já a vi diversas vezes com lacinhos parecidos com os que meu cachorro ganha quando volta do pet shop.

Recomendei que quando visse casos extremos em que só atendimento especializado resolvesse, se não pudesse providenciar, que chamasse uma instituição que acolhe e cuida dos pobrezinhos. (Se pudesse, levava todos para casa, mas sou fortemente reprimida!).

Voltando ao frio, essa era outra de suas reclamações. Ela não conseguia se adaptar. Por mais roupas que usasse, nada fazia com que seus pés ficassem quentes, suas mãos tivessem a agilidade de sempre e sua maior vontade era um chapéu que cobrisse as orelhas, como o do Chaves, dizia, e um protetor de nariz. (fico pensando, para quem tem nariz grande, como eu, que coisa mais feia um protetor de nariz… prefiro o frio). O banho ela pensava no mínimo cinco vezes se realmente ia tomar.

Saímos à rua para tentar encontrar coisas que amenizassem o frio da moça, moradora de Imperatriz, no Maranhão, perto da Linha do Equador. Depois de mais uma conversa sobre cachorros e frio ela finalmente entendeu o que acontecia e no fim achou graça. Finalmente, a visitante friorenta presenciava o chamado “frio de renguear cusco”, que havia escutado fazia anos e achava que era apenas uma lenda urbana.

Agora ela, com pena dos cachorrinhos, tinha dois desejos: ou levá-los para o Maranhão ou que a primavera rapidamente chegasse. O que viesse primeiro.

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CRÔNICA. Máucio faz a pergunta: onde anda você, música brasileira?

Cresci em uma época em que se ouvia através do rádio e da televisão músicas populares de ótima qualidade, tanto no que se refere às letras como no sentido musical propriamente dito.  Rodava Chico Buarque, Caetano e Gil, além de compositores também de peso como: Gonzaguinha, Edu Lobo, Tom, Vinícius, Moraes Moreira, Alceu Valença, Zé Ramalho, Belchior e tantos outros.

Esses dias ouvi uma entrevista com João Bosco relatando como surgiu O Bêbado e o Equilibrista. Conta que ficou sensibilizado com a notícia da morte de Charles Chaplin, em 25 de dezembro de 1977, e acabou criando a melodia. Dias depois a entregou para o genial letrista Aldir Blanc que, passados uns dias, volta à casa de Bosco e diz: cara! Acho que fizemos uma coisa boa. A composição acabou virando um dos ícones da luta contra a ditadura. Esse é só mais  um exemplo de como a música popular participava das questões sociais do país…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Música brasileira, onde anda você?”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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Música brasileira, onde anda você? – por Máucio

Cresci em uma época em que se ouvia através do rádio e da televisão músicas populares de ótima qualidade, tanto no que se refere às letras como no sentido musical propriamente dito.  Rodava Chico Buarque, Caetano e Gil, além de compositores também de peso como: Gonzaguinha, Edu Lobo, Tom, Vinícius, Moraes Moreira, Alceu Valença, Zé Ramalho, Belchior e tantos outros.

Esses dias ouvi uma entrevista com João Bosco relatando como surgiu O Bêbado e o Equilibrista. Conta que ficou sensibilizado com a notícia da morte de Charles Chaplin, em 25 de dezembro de 1977, e acabou criando a melodia. Dias depois a entregou para o genial letrista Aldir Blanc que, passados uns dias, volta à casa de Bosco e diz: cara! Acho que fizemos uma coisa boa. A composição acabou virando um dos ícones da luta contra a ditadura. Esse é só mais  um exemplo de como a música popular participava das questões sociais do país.

Os anos 80 também foi promissor na MPB, aparecem as bandas de Rock Nacional: Blitz, Ultrage a Rigor, Kid Abelha, Camisa de Vênus, Titãs, Radio Taxi, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho entre outras. Sem esquecer indivíduos como Eduardo Dusek, Leo Jaime, Lulu Santos, Pepeu Gomes, Guilherme Arantes, Marina Lima, Baby Consuelo… a lista é quase interminável. Refrões como nós vamos invadir sua praia e inúteis, nós somos inúteis embalavam e refletiam uma época de abertura política.

Na década de 1990 alcançam sucesso e espaço na mídia outros grupos como Skank, Pato Fu, Planet Hemp, Jota Quest, com propostas musicais ainda razoáveis. Todavia os grandes nomes da MPB, que continuam produzindo e gravando, passam a não chegar mais às emissoras – agora predominantemente FMs – nem às televisões.  O mesmo que acontece com os novos talentos surgidos nos anos 2000, como: Lenini, Chico Cesar e Zeca Baleiro. Este último com um pouquinho mais de divulgação.

A MPB de qualidade acabou? Claro que não, o que acontece é que o espaço na mídia popular foi ocupado por canções tolas – pra dizer o mínimo – que vão desde a Dança da Garrafa até Um tapinha não dói.  Dói sim! É só ficar ouvindo essas coisas.

Na década atual, conforme dados fornecidos pelas próprias gravadoras, sabem quais são três dos maiores nomes em divulgação e, por consequência, em vendas de cds? Banda Calypso, Ivete Sangalo e Padre Marcelo. O que você acha disso tudo?

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CRÔNICA. Daiani Ferrari e seu jeito peculiar de gostar de ler. Qual será o teu?

“….Em Candelária tem um livro que estou lendo nem sei quanto tempo faz, “Comer, Rezar e Amar”, de Elizabeth Gilbert, presente de uma cunhada. Estou no trecho em que Liz está na Índia, focando-se em seu lado espiritual. No momento se preocupa em aprender a meditar, através de vários exercícios de corpo e mente. Em Santa Cruz tenho o “Inés de minha Alma”, de Isabel Allende, que fala da viagem da jovem costureira, que no século XVI saiu em direção ao Novo Mundo atrás do marido, e em Santa Maria o “Clube dos Anjos”, do Luis Fernando Veríssimo. Esse estou há mais tempo sem ler. Também na onda da morte de Saramago peguei para ler “As intermitências da morte”. Mas só passei os olhos pela primeira página.

Ok, pode ser que eu goste mais da ideia de ter um livro para ler. Como tenho problemas de…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Definitivamente, gosto de ler,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítido, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

CRÔNICA. Máucio, Direito e Nutrição. Ah, e as áreas “duras” e “moles”

“Encontrei sexta à tarde em frente ao supermercado do bairro a Fernanda, a ex-namorada de um amigo. Quando nos vimos o parar para conversar quase foi automático. Beijinhos e abraços para cá e para lá e veio a pergunta inevitável: é aí, onde andas? O que estás fazendo?  Para minha surpresa ela disse-me que estava morando em Porto Alegre, havia deixado – acho que quase no fim do curso – a faculdade de Direito e que agora atuava na área gastronômica. Ano passado tinha até trabalhado em um restaurante.

Estava na cidade justamente para tratar da transferência de seu ex-curso para o de Nutricionismo, na capital.  Fiquei contente com a notícia e fui entendendo porque quase não a reconheci ao vê-la. Parecia mais leve, mais madura, mais alegre. Muito provavelmente, porque encontrara um rumo na vida. Uma atividade, um assunto pelo qual estava apaixonada…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Nutrição x Direito”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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Nutrição x Direito – por Máucio

Encontrei sexta à tarde em frente ao supermercado do bairro a Fernanda, a ex-namorada de um amigo. Quando nos vimos o parar para conversar quase foi automático. Beijinhos e abraços para cá e para lá e veio a pergunta inevitável: é aí, onde andas? O que estás fazendo?  Para minha surpresa ela disse-me que estava morando em Porto Alegre, havia deixado – acho que quase no fim do curso – a faculdade de Direito e que agora atuava na área gastronômica. Ano passado tinha até trabalhado em um restaurante.

Estava na cidade justamente para tratar da transferência de seu ex-curso para o de Nutricionismo, na capital.  Fiquei contente com a notícia e fui entendendo porque quase não a reconheci ao vê-la. Parecia mais leve, mais madura, mais alegre. Muito provavelmente, porque encontrara um rumo na vida. Uma atividade, um assunto pelo qual estava apaixonada.

Lembrei de outra amiga, também da área jurídica que recentemente, ao escrever as derradeiras páginas da sua tese me disse que, naqueles dias, o sonho dela era fazer literatura, porque deveria ser bem mais legal do que escrever sobre o Direto que pertence às chamadas áreas duras. Achei curiosa a esquecida expressão e fiquei pensando cá com meus botões: será que eu atuo nas áreas moles? Será que a Fernanda trocou para a arte culinária também por esse motivo? Seria essa a causa de seu sorriso atual? Ou cada um nasceu para um tipo de área?

O certo é que a Fernanda, conforme me confessou, vai estudar nutrição com foco na saúde – alimentos integrais, orgânicos, ingredientes saudáveis, etc. Quer entender a relação entre o que comemos e o que somos, ou o que viramos. Creio que esse é um tema e, por conseqüência, uma profissão importantíssima nos dias atuais. É só bater os olhos no número crescente de obesidade – notadamente em crianças e adolescentes – e de outros sinais de descuido e desinformação sobre o que se consome.

Por outro lado, por ironia das horas, leio nesta mesma semana que diversas entidades dos setores alimentícios e publicitário estão se manifestando contra a recente decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de alertar os consumidores sobre substâncias prejudiciais  presentes nos alimentos. É uma medida corajosa e louvável, que determina o aviso nas embalagens dos alimentos industrializados – os grandes vilões da boa saúde – que o excesso de ingredientes como açúcar, sódio, gorduras trans e saturadas trazem diversos malefícios.

Pelo jeito a luta pela implantação da determinação da Anvisa pode incomodar interesses econômicos dos fabricantes e é provável que o imbróglio encaminhe-se para o campo jurídico. Como podes ver Fernanda, tua nova profissão também toca em questões que não são nada moles!

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CRÔNICA. Daiani Ferrari e o caso do goleiro Bruno, “se realmente for o culpado”

“….Chocou-me ver no noticiário depoimento em que o jovem de 17 anos conta que um dos envolvidos teria jogado a mão de Eliza para cachorros, tanto quanto me chocaram outros acontecimentos envolvendo mortes brutais noticiados pela mídia, que os escolheu para ser o foco de nossa atenção. Sem levar em consideração a imprensa sensacionalista, que só noticia isso (nem a Copa parece tão atrativa quanto o caso), repete coisas e dá tratamentos diversos para as pessoas – às vezes Eliza é ex-namorada e depois já é ex-amante, que me traz a conotação de destruidora de lares, esse caso é impressionante, traz coisas que eu não esperava. Agora até o pai da suposta vítima responde processo por estupro. Sem falar nas piadinhas do tipo, “o time do flamengo é bom, o goleiro é que mata…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Se o Bruno realmente for o culpado,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, que retoma sua colaboração semanal neste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Se o Bruno realmente for o culpado – por Daiani Ferrari

Não é nem de acreditar no caso do goleiro do Flamengo, Bruno. Uma pessoa que deve ter um salário ótimo, muito maior do que eu ganharia por uns, no mínimo, dez anos, com milhões de portas abertas e pode ser o responsável pela morte, se ela realmente estiver morta, da ex-namorada. Veja bem, não estou julgando muito menos condenando o goleiro. Estou me detendo nos fatos, que levam a crer que isso aconteceu.

Com a prisão de Bruno vêm os questionamentos sobre o porquê disso. Penso que o maior problema que ele poderia ter, se confirmada a paternidade, era a esposa e tudo nos faz pensar que ela já sabia da criança. Por que não assumir o filho? Acredito também na hipótese de que algo no encontro entre os envolvidos tenha dado errado, culminando na morte da moça e os suspeitos terem tentado corrigir um erro cometendo um maior ainda. Não sei, são suposições.

Chocou-me ver no noticiário depoimento em que o jovem de 17 anos conta que um dos envolvidos teria jogado a mão de Eliza para cachorros, tanto quanto me chocaram outros acontecimentos envolvendo mortes brutais noticiados pela mídia, que os escolheu para ser o foco de nossa atenção. Sem levar em consideração a imprensa sensacionalista, que só noticia isso (nem a Copa parece tão atrativa quanto o caso), repete coisas e dá tratamentos diversos para as pessoas – às vezes Eliza é ex-namorada e depois já é ex-amante, que me traz a conotação de destruidora de lares, esse caso é impressionante, traz coisas que eu não esperava. Agora até o pai da suposta vítima responde processo por estupro. Sem falar nas piadinhas do tipo, “o time do flamengo é bom, o goleiro é que mata”.

Ontem fui fazer fotos em uma vila de Santa Cruz que receberá intervenções do PAC e por lá vi várias crianças brincando na rua. Uma delas veio me cumprimentar e pedir para eu fazer uma fotografia sua. Falei um pouco com o menino e entrei no carro, quando o motorista comentou:

- Para ver, quando são crianças são uns amores, educadinhos e bonitinhos, mas depois de grande viram uns “anjinhos”. E como não virar levando em conta a realidade que vivem?”- falou, no meio da vila onde a pobreza toma conta.

Minha resposta foi automática.

- Tu estás enganado. A violência não é privilégio dos pobres e das vilas, basta ver o goleiro e tantos outros casos, como a riquinha que matou os pais.

Diante de tudo, só tenho uma pergunta: Por que tudo isso? Não tinha necessidade (se ele realmente for o culpado).

E ele já sofre com isso. Diz que sua chance de disputar a Copa do Mundo do Brasil acabou. Pois é.

CRÔNICA. Luiz Alberto Cassol e o “beijo puro como só a amargura de uma esquina pode revelar”

“…A família vendia na esquina vários produtos para carros, entre eles, o principal, limpadores de parabrisa. Eram três e a organização das tarefas era bem dividida. Entre um sinal verde e outro a atividade comercial se repetia. Um primeiro anunciava o produto e caso o motorista adquirisse, um segundo fazia o acerto financeiro. Calculava o troco e repassava o lucro a um terceiro que guardava em uma caixa de sapatos. Esse último, numa calçada, como um guardião ao lado do caixa e dos produtos a serem vendidos.

Seria uma atividade normal – ainda que desumana, pois perigosa pelo risco do trânsito – não fosse a idade e a forma com que estavam divididas as tarefas. O primeiro era um homem de cerca de quarenta anos que anunciava os produtos. Era apenas essa a sua tarefa. Caso se encaminhasse a venda ele sinalizava ao segundo. E lá vinha uma menina de 10 anos correndo pelo meio dos carros. Era ela que acertava toda a questão financeira. E dali, rapidamente, por entre os veículos se dirigia ao guardião do cofre. Esse, abrigado por uma lona em forma de barraca, abria a…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Um beijo puro como só a amargura de uma esquina pode revelar”, de Luiz Alberto Cassol, colaborador habitual deste sítio. Cassol é diretor de cinema e cineblubista. O texto foi postado há instantes, na seção “Artigos”!