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(IN)SEGURANÇA. Promotor Adede y Castro, em artigo, se diz no limite da tolerância

Dentro de alguns minutos, prevê-se a realização de uma manifestação na praça Saturnino de Brito. Ela foi convocada pelas redes sociais, mais especificamente no Facebook, por amigos e colegas do estudante Ângelo Razzolini Biazzi, ASSASSINADO no início da manhã de ontem, quando caminhava com sua namorada, no centro da cidade. A convocação é para um ato de protesto pela insegurança em Santa Maria.

O assassinato do rapaz de 23 anos também foi o elemento provocador de um texto, produzido pelo Promotor de Justiça João Marcos Adede y Castro, e publicado no seu (dele) blogue. Não é norma deste sítio publicar artigos que não sejam inéditos. No entanto, trata-se de uma exceção justificável, cá entre nós. Vale a pena (para concordar ou não) ler o que escreve Adede y Castro. A seguir, na íntegra:

Além de chorar

POR João Marcos Adede y Castro (*)

Ainda chocado com a notícia da morte de um jovem estudante de 23 anos em pleno centro de minha cidade e, por isto, provavelmente desprovido de objetividade que só um coração isento pode ter, digo que estou cansado disto tudo.

Sou um Promotor de Justiça que sempre se orgulhou de dizer que “não podemo se entregar pros home de jeito nenhum, amigo e companheiro, não tá morto quem luta e quem peleia”, mas estou chegando ao meu limite de tolerância.

Nós, autoridades, perdemos o controle da segurança, mesmo que nunca venhamos a admitir, e isto não é realmente necessário, pois a sociedade não é boba e já sabe de tudo.

Não se trata de assumir culpas, mas de assumir responsabilidades.

Por evidente que a criminalidade está cada vez mais organizada e nós cada vez mais perdidos, sem saber o quê fazer.

Podemos chorar, mas isto não satisfaz a sociedade e não traz de volta esta e muitas outras vidas já ceifadas, além de não dar nenhuma garantia de que amanhã, e depois de amanhã, e depois, e depois, não estejamos chorando a morte de um de nossos filhos.

Sempre defendi, e que Deus me dê forças para continuar defendendo, os direitos daqueles que cometem crimes, pois são pessoas, mas está na hora de pensar nas vítimas já existentes e naquelas que, caso continuemos de braços cruzados, ainda existirão às centenas.

É mais que na hora de aumentar o policiamento, prender mais e soltar menos, acreditar que se a lei penal não é a solução para todos os nossos problemas, é um instrumento que deveríamos encarar com mais respeito, aplicar com mais inteligência e pensar na dor da vítima e seus familiares.

Não advogo entregar ao Estado, que eu também represento, poderes absolutos, mas também acho que este Estado maltrapilho, desmoralizado, desmobilizado, entregue às traças e à bandidagem e que assiste a tudo como se não tivesse nada a ver, não nos interessa.

Dinheiro para corrupção, para o empreguismo, para o estelionato eleitoral, para aumento de salário de quem já ganha muito, sempre tem. Para soluções que interessam a comunidade, bem, o orçamento anda apertado, quem sabe para o ano que vem, quando tivermos 21 vereadores…

Chegamos ao limite.

Ou assumimos nossas responsabilidades ou damos o fora, deixando que outros, mais interessados que nós, assumam.

Com certeza amanhã já estarei arrependido do tom deste discurso, mas nunca, nunca mesmo, de seu conteúdo.

Quem não concordar, que atire a primeira pedra.

Por mim, já comecei meu autoflagelo.”

(*) João Marcos Adede y Castro é Promotor de Justiça, Professor e Escritor

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ALBANO POR ALBANO! Carlos Costabeber e o texto do “último comunista vivo” que o articulista conhece

“…Mas, como animal que pensa e que detêm a linguagem, como animal “racional” que sou, a despeito de algumas opiniões, disponho dos genes também inscritos em todos os animais: o da manutenção do organismo enquanto vida, que na espécie significa viver gregariamente entre iguais. Para o homo sapiens sapiens  isto pode significar a construção da afetividade em relação ao outro, o início da compreensão amorosa, que tanto serve para o acasalamento, como para o cuidado com a prole, assim como para a amizade, para a preservação da espécie.

Ousaria dizer que a amizade (filia como diriam os gregos), significa a aceitação da alteridade, da diferença entre nós, a solidariedade, o cuidado, o afeto, assim como os valores que daí advêm. Portanto, o começo das representações éticas e morais que…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra do artigo “Albano por Albano”, de Albano Marcos Bastos Pepe , com a introdução do colaborador semanal deste site, Carlos Costabeber. Costabeber é graduado em Administração e Ciências Contábeis pela UFSM (instituição da qual é professor aposentado), com mestrado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, com especialização em Qualidade Total no Japão e Estados Unidos. Presidiu a Cacism, a Câmara de Dirigentes Lojistas e a Associação Brasileira de Distribuidores Ford. É diretor da Superauto e do Consórcio Conesul.

“Albano por Albano” – por Carlos Costabeber (de Albano Marcos Bastos Pepe)

Em 2008 conheci o Professor Albano, quando o mesmo se tornou cliente da Superauto.

Dali pra frente, nos tornamos bons amigos. Afinal, nascemos no ano da graça de 1948 e somos professores universitários.

Mas as semelhanças terminam por aí, pois Albano, Doutor em Direito e em Filosofia, nascido no Recife, é um intelectual brilhante. Com ele, estou aprendendo sempre, pois seus conceitos seguidamente quebram meus paradigmas.

E, em qualquer roda de amigos, o apresento como “o último comunista vivo” (que eu conheço!!!)

No sábado, tomando uma cervejinha bock, provoquei-o a escrever um texto com o titulo: ALBANO POR ELE MESMO.

Abaixo, segue sua lavra!

Albano por Albano

Sábado, fim da manhã de um dia primaveril. Sentado ao lado do amigo Carlos Costa Beber tocando conversas sobre o mundo da vida, escuto uma proposta afetiva: Albano, escreva um texto de no máximo cinqüenta linhas para dizer de Albano, pois pretendo publica-lo e, cá estou eu a tentar costurar letras, palavras, frases, que possam falar daquele que sou, que pretendo ser ou daquele que pensam o que sou?

Penso-me como um animal da espécie homo sapiens sapiens conforme classificação cientifica consagrada. Mas o que é ser o animal que logo sou?

Sei, de início, que sou das espécies que habitam este planeta Gaia, o animal que detêm a palavra, a linguagem. Sei, portanto que sou de uma espécie capaz de reter memória, lembranças e esquecimentos. Sei, que somos (a espécie humana) capazes de construir sua própria história ao reter o passado ancestral, pensar o momento atual e ousar projetar o futuro (aquilo que pode acontecer ou não) e, neste aspecto sei que contamos com tecnologias desenvolvidas que nos remetem a alguns passos adiante no espaço-tempo ao qual estamos confinados enquanto indivíduos, enquanto subjetividades.

Somos assim, únicos dentre os animais terrestres a interferir na Natureza, modificando-a, no mais das vezes violentando-a, para, desta maneira, construímos nosso habitat, nossa morada planetária. Os demais animais vivem dos indicadores instintivos inscritos desde sempre em seus DNAs. Evoluem, adaptam-se ou não mimeticamente ao entorno, aos ecossistemas de suas espécies e do bioma existente.

Portanto, me entendo como membro de uma espécie já em conflito com seu modo de ser.

Não tenho acesso ao real, apenas às representações possíveis que faço através da linguagem e das ferramentas que produziram minha morada humana. Uso meus sentidos para perceber um mundo desde sempre anunciado como “já pronto”, como já definitivo, cabendo tão somente a mim adaptar-me e “ser feliz”, conforme os modelos em voga.

Meu olhar para o outro da minha espécie é determinado por uma inscrição ancestral da desconfiança, pois ele de algum modo (assim me ensinaram) ameaça os meus “projetos de vida e de felicidade”. Esta insociabilidade só é num primeiro momento vencida pelas elações simbólicas que me fazem recepcioná-lo, normalmente atravessadas pelo “contrato ocial” e pelas leis emanadas do Estado, que “garantem” minha individualidade e a realização dos acordos sociais consagrados. Neste estado de coisas, me resta a solidão e as terapias consagradas que também afirmam “garantir” minha sociabilidade.

Mas, como animal que pensa e que detêm a linguagem, como animal “racional” que sou, a despeito de algumas opiniões, disponho dos genes também inscritos em todos os animais: o da manutenção do organismo enquanto vida, que na espécie significa viver gregariamente entre iguais. Para o homo sapiens sapiens, isto pode significar a construção da afetividade em relação ao outro, o início da compreensão amorosa, que tanto serve para o acasalamento, como para o cuidado com a prole, assim como para a amizade, para a preservação da espécie.

Ousaria dizer que a amizade (filia como diriam os gregos), significa a aceitação da alteridade, da diferença entre nós, a solidariedade, o cuidado, o afeto, assim como os valores que daí advêm. Portanto, o começo das representações éticas e morais que visam a preservação e a manutenção da espécie, assim como sua continuidade.

Tendo em minha memória ancestral tais significantes, procuro dispor em meus atos, o compromisso e a responsabilidade para com a comunidade humana, para as demais espécies existentes, assim como para as demais manifestações da Natureza planetária que é meu legado enquanto vivente. Esta é uma opção, sem pretensões de verdade, tão somente um mergulho radical na vida, em nome da vida.

Albano Marcos Bastos Pepe

MEMÓRIA. Débora Dias, seu pai e o que teria sido uma “contradição do amor”

“…O meu pai foi um homem que nos educou severamente, “nos moldes antigos diria”, tanto eu como minha irmã mais nova, mas ao mesmo tempo, sempre brincou conosco, nos deu bons exemplos, cuidava de nossos estudos. Quando me lembro dele, do que nos dizia, do que falava a minha mãe sobre nossa educação, constato como ele era contraditório, acho que era a “contradição do amor” (se isto existe). Ele era machista, tinha em sua mente bem definidas tarefas de homem e de mulher, papéis distintos aos dois, mas quando se tratava de mim e da minha irmã o discurso era outro, completamente diferente. As regras dele não serviam para nós, que deveríamos ser independentes, jamais pensar em casamento como forma de crescimento pessoal ou profissional, etc…””

CLIQUE AQUI para ler a íntegra do texto “Pai”, de Débora Aparecida Dias, que colabora semanalmente (às quartas-feiras) com este sítio. Débora é graduada em Direito pela Universidade de Passo Fundo, especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes, Ciências Criminais e Segurança Pública e Direitos Humanos. Desde 2000 é delegada e, a partir do ano seguinte, é a titular da Delegacia de Polícia para a Mulher de Santa Maria. O texto foi publicado há instantes, e você pode encontrá-lo na seção “Artigos”.

Pai – por Débora Dias

No próximo domingo comemoramos o Dia dos Pais. Entendo racionalmente que é mais uma data comercial, mas emocionalmente não tem como não pensar no meu pai. Mesmo que saibamos que essas datas são para aquecer as vendas no comércio, a grande maioria das pessoas acaba por se render e comprar alguma coisa para a pessoa que está sendo “celebrada” na data.

O meu pai, Alvarino Gomes Dias, nasceu em Panambi, no dia 9 de novembro do ano de 1936 e partiu com 71 anos, há quase quatro anos; a dor da ausência está amenizada, mas jamais inexistente; dos dias em que ele esteve quase ausente devido ao Alzheimer. Procuro não recordar,  porque o pai que tenho em minha memória, o que viveu por 69 anos de forma lúcida,  não tem nem resquícios do que ele foi em seus dois últimos anos de vida. Ele era alegre, falante, atualizado em tudo, sempre com muitos planos, esse era meu pai.

Quanta falta ele me faz, sinto saudades do seu sorriso largo, das gargalhadas quando contava alguma piada ou inventava alguma brincadeira; sinto falta da escuta, de como ficava atento ouvindo sobre meu trabalho logo que entrei na polícia, ficava encantando, sorrindo com os olhos; sinto falta de tomar chimarrão na varanda de nossa casa em Passo Fundo, chimarrão com a água na chaleira, jamais na garrafa térmica porque ele dizia que o mate ficava “lavado” e ponto. Isto me faz falta demais.

O meu pai foi um homem que nos educou severamente, “nos moldes antigos diria”, tanto eu como minha irmã mais nova, mas ao mesmo tempo, sempre brincou conosco, nos deu bons exemplos, cuidava de nossos estudos. Quando me lembro dele, do que nos dizia, do que falava a minha mãe sobre nossa educação, constato como ele era contraditório, acho que era a “contradição do amor” (se isto existe). Ele era machista, tinha em sua mente bem definidas tarefas de homem e de mulher, papéis distintos aos dois, mas quando se tratava de mim e da minha irmã o discurso era outro, completamente diferente. As regras dele não serviam para nós, que deveríamos ser independentes, jamais pensar em casamento como forma de crescimento pessoal ou profissional, etc.

Interessante, meu pai.

Hoje penso que gostaria muito de dar mais lucros ao comércio se ele estivesse aqui. Mas, a vida é assim, nós passamos, mas o amor fica para sempre. O amor que ele nos deu ficou bem guardado como um grande tesouro que nos conforta a cada lembrança de sua ausência.

Não ao preconceito – por Daiani Ferrari

Cada vez que vou a farmácia comprar remédio, quando peço o remédio e digo para que é, sinto que me olham com uma cara de espanto, pena ou de quem procura feridas características da doença. Tenho psoríase, uma doença auto-imune e genética que afeta a pele com erupções e lesões cutâneas. Felizmente não tenho lesões maiores ou sérias, apenas bolinhas no cotovelo, um dos lugares de maior incidência da doença, junto com pernas, joelhos e barriga.

Realmente, chama a atenção quando vejo pessoas que têm características da doença, que pode ser desencadeada a partir da alimentação, medicação ou sistema nervoso. O aspecto da pele fica terrível e tem gente que realmente sofre com o efeito da doença, que acaba com qualquer fio de autoestima que a pessoa possa ter. Depois que descobri a psoríase, adotei uma postura de estresse zero ou quase zero, caso contrário ficaria toda “empipocada”. Também cuido da alimentação, evito alimentos ricos em conservantes, que não me ajudavam em nada com a doença. Quanto a remédios, preciso evitar o cetoconazol. Uma coisa que a mim faz bem é o sol.  

Mas a questão é que mesmo assim, às vezes, me sinto alvo de preconceito. As pessoas olham para o meu cotovelo e perguntam o que aconteceu. Até explicar o que é e o motivo, elas vão gradativamente esboçando o sentimento da pena em seus rostos. Tento não pensar nisso e tratar com naturalidade a doença, muito menos me abater com as caras tortas me olhando. Numa visão positiva, minha psoríase é pouca coisa perto de outras doenças muito mais agressivas.

Falando em preconceito, atento para a desistência do governo federal em nomear Emir Sader para a direção da Fundação Casa Rui Barbosa, depois de ele ter se referido à ministra da Cultura como “meio autista”.

Sinceramente, ele não deve ter em sua casa ou em sua família uma pessoa autista e não deve ter percebido o quanto foi preconceituoso com a insinuação. Ele também não deve saber como é doloroso e difícil o relacionamento com uma pessoa que sofre de autismo. Autistas são pessoas fechadas para o mundo, têm uma realidade só deles. Há casos em que não conseguem falar, podem ser agressivos, mas também extremamente carinhosos. Qualquer evolução do comportamento autista necessita de tempo, compreensão, dedicação e paciência, nunca de pré-julgamentos.

Não conheço o senhor Emir Sader, não sei se é competente ou não, mas achei bem feito que tenha perdido o cargo. Não precisamos de gente preconceituosa “lá em cima”.

Eu sei me defender, mas e quem não pode ou não consegue?

CRÔNICA. Daiani Ferrari e a necessidade de não transformar a vítima em culpado

25, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…liberação da adrenalina na hora em que o medo chega é o que nos faz ficar, brigar ou fugir. Ou não ter nenhum tipo de reação.

Não é estrelismo, nem exibicionismo, tampouco vontade de salvar o mundo, como um super homem. É fisiológico. É natural. É sobrevivência.

O que não entendo é a transformação da vítima em vilã. E a imprensa faz isso. São títulos como “Depois de reagir a assalto, homem morre com tiro no peito”, “Vítima reage a assalto em São José do Rio Preto” ou “Homem morre ao reagir a assalto”. A pessoa merece a morte por ter reagido?

Até os próprios assaltantes já estão acreditando nessa inversão de papéis. Fato que prova ocorreu em 2009, em Minas Gerais, quando…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “A vítima sempre vai ser vítima,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A vítima sempre vai ser vítima – por Daiani Ferrari

25, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Em fevereiro, dois casos noticiados pela imprensa prenderam minha atenção. O primeiro foi do jogador de futebol do América mineiro, William Morais, morto com um tiro em um assalto, em Belo Horizonte. O segundo, o ex-árbitro de futebol Oscar Roberto Godói que foi baleado após uma tentativa de assalto em São Paulo.

Depois das revelações de que ambos teriam reagido aos ataques parece que passaram de vítima a culpados. Era como se dissessem “só foram baleados porque reagiram”. E disseram. Como se as pessoas fossem programadas para esperar por um assaltante. Modo 1: Em assaltos, não reagir. Modo 2: Somente reagir se o assaltante estiver desarmado. Modo 3: Quer reagir, tudo bem, mas a culpa será sua.

Ninguém quer ser assaltado. Nunca fui assaltada, mas acredito que a pessoa em uma situação dessas não tem tempo para avaliar prós e contras da sua reação. Ela simplesmente o faz, não raro, sem nem saber o que está fazendo. É impulsivo. Quem não quer defender o filho, o pai, a mãe, um amigo ou namorada e a si mesmo? E por que não perguntar, quem não quer defender o que com tanto esforço conseguiu, como carro, dinheiro na carteira ou a casa? Desculpa, mas eu me apego às minhas coisinhas.

Se um dia for assaltada e porventura reagir, com certeza será para defender a mim, aos meus e ao que é meu. E mesmo assim, continuarei sendo a vítima. Conheço essa história sobre não reagir, que a vida vale mais que qualquer bem, mas é da vida. Toda ação desencadeia uma reação. Adequada ou não.

Em geral, é o medo que nos traz esse impulso, nem sempre é a vontade de ser o herói da história. É ele que nos faz pular em cima de alguém que tem uma arma apontada para nossas cabeças ou que está entrando em nossas casas. A liberação da adrenalina na hora em que o medo chega é o que nos faz ficar, brigar ou fugir. Ou não ter nenhum tipo de reação.

Não é estrelismo, nem exibicionismo, tampouco vontade de salvar o mundo, como um super homem. É fisiológico. É natural. É sobrevivência.

O que não entendo é a transformação da vítima em vilã. E a imprensa faz isso. São títulos como “Depois de reagir a assalto, homem morre com tiro no peito”, “Vítima reage a assalto em São José do Rio Preto” ou “Homem morre ao reagir a assalto”. A pessoa merece a morte por ter reagido?

Até os próprios assaltantes já estão acreditando nessa inversão de papéis. Fato que prova ocorreu em 2009, em Minas Gerais, quando um senhor foi processado pelo ladrão que tentava assaltar seu estabelecimento comercial. A ação, com acusação de lesões corporais, foi suspensa, mas o meliante ainda tinha a intenção de processar a vítima por danos morais, por considerar ter sido humilhado durante o roubo.

Isso parece brincadeira, mas não é. O mundo caminha para a perversão… Aonde vamos parar?

CRÔNICA. Daiani Ferrari, os ‘estranhos amigos’ e coisas sem nenhuma explicação

18, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Outro é uma pessoa incomodada e incomodativa e, realmente, ele é chato. Quando acho que estou fazendo algo importante ou interessante ele vem e joga um balde de água fria. A cada dia da cerveja ele consegue debochar de mim com a mesma piada e faz com que todos deem risada pela milésima vez dela. Quem é obrigado a adivinhar que a sinalização era a turística e não a de trânsito? Mas ele é um dos poucos que aceita o convite para ir à minha casa comer um churrasco que há tempos havia sido prometido. Ele chega lá e elogia a casa e a comida. E uma coisa eu aprendi. Se ele elogia é porque é sincero, visto que ele não é do tipo que finge…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Das coisas sem explicação,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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Das coisas sem explicação – por Daiani Ferrari

18, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira 2 comentários

Nunca fui de muitos amigos. Tenho um que é extremamente competitivo. Para ele, tudo vira um incentivo para trabalhar mais e mais. Trabalho, um ponto de divergência entre nós. Tento fazer com que ele trabalhe menos e viva mais, o que não é facilmente compreendido. Mas ele é quem me manda e-mail antes do ano novo desejando um bom 2011, dizendo que apesar de tudo sou sua melhor amiga.

Também tem uma mocinha linda que nunca dá notícias, foge para outro continente sem nem avisar. Às vezes acho que tudo não passa do medo que ela tem de que alguém tome seu lugar ou lhe faça algum mal. Só que ela é a única que todo dia 17 de janeiro envia um e-mail, mensagem via celular ou messenger, parabenizando pelo aniversário de formatura e agradecendo por eu ter feito parte dessa etapa da sua vida.

Outro é uma pessoa incomodada e incomodativa e, realmente, ele é chato. Quando acho que estou fazendo algo importante ou interessante ele vem e joga um balde de água fria. A cada dia da cerveja ele consegue debochar de mim com a mesma piada e faz com que todos deem risada pela milésima vez dela. Quem é obrigado a adivinhar que a sinalização era a turística e não a de trânsito? Mas ele é um dos poucos que aceita o convite para ir à minha casa comer um churrasco que há tempos havia sido prometido. Ele chega lá e elogia a casa e a comida. E uma coisa eu aprendi. Se ele elogia é porque é sincero, visto que ele não é do tipo que finge.

Fazendo uma autocrítica, sei que não sou das melhores companhias. Posso ser egoísta, sobretudo se o assunto for comida, faladeira, comilona, gritona e “perguntadeira”. Também tenho mania de limpeza, embora em um nível bem menor agora. Gosto de tomar cerveja e quando levemente embriagada posso chegar ao ponto do “te considero pra caramba”. E os piores: teimosa, impaciente e, segundo a Fabi, ansiosa.

Não são só esses os amigos. Têm outros que somem, reaparecem e em algum momento, quando menos espero, enviam uma mensagem de apreço ou um simples sinal de que não me esqueceram. Mesmo não tendo muitos, os poucos são ótimos.

Junto com o sumiço das canetas BIC e dos guarda-chuvas, a amizade é dessas coisas que não conseguimos explicar.

Pessoas tão diferentes que se encontram, se gostam e viram amigos… Simples assim!

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MAU HUMOR? Daiani Ferrari, os do contra e os fungadores. Ah, e o Jorge Pozzobom

4, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Pessoa que fala baixo e sem vontade deveria ter a unha do pé esmagada com muita força para aprender a falar de uma maneira que a comunicação seja efetivada e ver que não custa nada facilitar a vida dos outros.

E os fungadores? Não existe nada, ou quase nada, mais chato que gente fungando o nariz na tua frente. Tenho vontade de oferecer um lenço ou um descongestionante nasal. Eu não tenho nada a ver com as secreções dos outros. Pior que isso, só ouvir no rádio “tapa na cara eu sei que vai doer, mas não dói mais do que perder você” e pessoas cantarolando.

Mas o fim da picada é a polêmica gerada pelo fato de nosso deputado eleito Jorge Pozzobom ter ido à sua posse na Assembleia Legislativa, em Porto alegre, de táxi. Parece que…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Um filmezinho para acalmar,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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Um filmezinho para acalmar – por Daiani Ferrari

4, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

Sabe aqueles dias em que acordamos extremamente irritados?

Dias em que o menor ruído do rádio pode ferrar tudo e fazer com que pareça que comemos uns sete pacotes de balas azedas. Dias em que um simples “adorei o teu chinelo” faça com que chamemos o autor da frase de invejoso e olho grande.

Em um dia assim, não podiam nos deixar sair da cama. Tínhamos que ter um ajudante que fizesse quase tudo por nós. Trouxesse café, o controle remoto da televisão, da TV por assinatura, do ar-condicionado. Alguém que levasse o cachorro para passear e brincasse com ele depois do almoço.

Ninguém é sociável em um dia irritante. Claro que tem gente que não é sociável em dia nenhum, mas estou falando de pessoas normais, ou seja, esses estão fora. Pessoa que fala baixo e sem vontade deveria ter a unha do pé esmagada com muita força para aprender a falar de uma maneira que a comunicação seja efetivada e ver que não custa nada facilitar a vida dos outros.

E os fungadores? Não existe nada, ou quase nada, mais chato que gente fungando o nariz na tua frente. Tenho vontade de oferecer um lenço ou um descongestionante nasal. Eu não tenho nada a ver com as secreções dos outros. Pior que isso, só ouvir no rádio “tapa na cara eu sei que vai doer, mas não dói mais do que perder você” e pessoas cantarolando.

Mas o fim da picada é a polêmica gerada pelo fato de nosso deputado eleito Jorge Pozzobom ter ido à sua posse na Assembleia Legislativa, em Porto alegre, de táxi. Parece que as pessoas ainda não entenderam a estratégia dele. Falem mal ou bem, mas falem. Não quero entrar no mérito se foi marketing ou demagogia. Sinceramente, só espero que não passe os quatro anos de mandato fazendo as gracinhas tão típicas dele e somente isso.

Será que é adequado mentir para o chefe que estou doente e ir para casa, fazer pipoca e olhar o filme da Sessão da Tarde?

Só para a raiva passar…

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É O VERÃO. Daiani Ferrari, mosquitos, pernilongos e a saudade… do inverno

“…a terra dos mosquitos. Tem muitos. Tantos, que se não fechar a casa até 18h, uma nuvem deles entrará e fará da noite uma verdadeira sinfonia. Acredito que a madrugada da quarta para a quinta a mais mal dormida aqui. Com o quarto fechado, ao invés de dormir, nos estapeávamos, virávamos a todo o momento, sempre ouvindo a música que os bichinhos nos proporcionavam e com medo de que nos carregassem. Até o cachorro estava inquieto, acho que nem ele escapou das picadas dos mosquitos…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Deu de verão,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Deu de verão – por Daiani Ferrari

Detesto verão. Além de ir à praia, tomar caipirinha, fazer compras e comer coisas diferentes, ele não serve para nada. Entro no twitter e é só reclamação pelo calor que faz. Em Candelária, Santa Maria, Porto Alegre, São Borja, a ladainha é a mesma. E olha que não estou em São Borja, porque na Fronteira-Oeste, o calor das 3h é o mesmo das 12h, sem tirar nem por. Temperatura, no caso.

Como não bastasse o calor, junto vêm os mosquitos. Em Candelária é cada pernilongo que mais parece um marimbondo de tão grande. Como dizem na minha terra, “só sobraram os pernilongos porque já comeram todos os mosquitos”. Embora pernilongo e mosquito sejam a mesma coisa (não estou falando dos da dengue), nunca é demais a hipérbole para dar a dimensão da situação. Na noite de quarta-feira, depois de muito esperar pela chuva, ela veio. Não foi uma enxurrada, o que de fato é algo bom, porque estamos fartos de ver tantas tragédias na televisão, mas ajudou, trouxe um ventinho agradável. E mosquitos.

Credo, Candelária deve ser a terra dos mosquitos. Tem muitos. Tantos, que se não fechar a casa até 18h, uma nuvem deles entrará e fará da noite uma verdadeira sinfonia. Acredito que a madrugada da quarta para a quinta a mais mal dormida aqui. Com o quarto fechado, ao invés de dormir, nos estapeávamos, virávamos a todo o momento, sempre ouvindo a música que os bichinhos nos proporcionavam e com medo de que nos carregassem. Até o cachorro estava inquieto, acho que nem ele escapou das picadas dos mosquitos.

Depois da chuva, a quinta-feira ficou nublada, mas nada de abrandar o calor. Hoje é mais um dia em que a única vontade é estar em uma sala fechada, com ar condicionado. Também novamente teremos nossos colegas de apartamento, os mosquitos, com seu zumbido em dó, ré, mi, fá e o sol, lá, si também.

Por favor, dá pra passar o verão e chegar o inverno de uma vez?

MATERNIDADE. Daiani Ferrari, o seriado ianque e a preferência por filho adotivo

“…Depois de várias empreitadas nesse propósito, no episódio que vi essa semana, Scotty e Kevin vão a uma feira de adoção para tentar escolher uma criança, que por fim acaba escolhendo-os.

Não tenho ainda vontade de ter filhos, mas se um dia tiver (porque eu posso nunca ter!), com certeza seria através da adoção. Posso justificar dizendo que é uma maneira de contribuir com um problema social, dar uma família a quem precisa. Mas também poderia dizer que é por não ter a menor intenção de engravidar, ficar nove meses esperando, com enjôos, desejos e incômodos. Desculpa-me se minhas palavras agridem os poucos leitores que posso ter, mas essa é minha opinião.

Como uma pessoa que acredita na bondade das pessoas mais do que tudo, julgo esse ser um ato dos mais gloriosos. Sei que o processo não deve ser nem…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Prefiro a adoção,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

CRÔNICA. Daiani Ferrari faz uma reflexão sobre os seus quatro anos de vida de jornalista

Postado por MAIQUEL ROSAURO

“Para o jornalista, mesmo que as ligações não sejam importantes, elas têm que acontecer, nem que seja para ouvir alguma coisa da qual já sabia. Elas são sinais de que algo está acontecendo, mesmo que não seja da sua conta”.

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “A salvação da lavoura”, escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado há pouco, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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Já foram quatro anos – por Daiani Ferrari

O telefone da Betina era o mais silencioso possível. Tocava em horários específicos. No final da tarde de domingo, quando a mãe ligava para saber como ela estava, como havia passado o final de semana e se a aula de inglês do dia anterior fora produtiva. Não que a mãe soubesse algo da língua. Thanks e not eram as únicas palavras que conhecia e até arranhava pronunciar.

Também na quarta-feira, semana sim, semana não, podia-se ouvir o toque melodioso do seu aparelho celular. Era a mãe novamente, para dizer um oi.

Fora isso, o telefone tocava na tarde de sábado, mas ela nem se dava ao trabalho de atender – eram bancos oferecendo produtos e serviços.

Mas não foi sempre assim. Houve dias de muito tumulto e sobressaltos com as chamadas telefônicas da família, amigos e colegas. A linha residencial já havia cancelado há tempos. Aos poucos, as ligações no trabalho também foram ficando escassas. Embora o telefone tocasse o dia inteiro, nunca era para nossa amiga.

Noutros tempos seria preocupante não receber ligações, mas, com o passar do tempo, Betina acostumou. Era um problema a menos. Concluiu que era melhor assim.

***

Betina não é jornalista. Não sabe o quanto ficamos aflitos quando nossos telefones não tocam. Se não tocam, é sinal de que algo vai muito mal.

Para o jornalista, mesmo que as ligações não sejam importantes, elas têm que acontecer, nem que seja para ouvir alguma coisa da qual já sabia. Elas são sinais de que algo está acontecendo, mesmo que não seja da sua conta.

***

Paro, olho para meu telefone e penso, tentando definir onde me encontro a essa altura do campeonato da vida jornalística, fazendo um balanço desses quase quatro anos de formada.

O pobrezinho, às vezes, fica desligado a semana toda. É quando percebo que ou me perdi no processo ou o processo se perdeu em mim.

Só não sei quando aconteceu.

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CRÔNICA. Daiani Ferrari, o vestibular, o taxista e ônus e bônus da vida moderna

7, janeiro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

“…Como essa foi uma semana de vestibular da UFSM, pensei que a cidade estaria aquele caos de anos anteriores, mas enquanto ouvia gente reclamando que a descentralização do processo diminuiu o movimento da cidade, trazendo menos benefícios (lê-se dinheiro), e taxistas ranzinzas resmungando sobre a baixa no número de corridas, peguei um táxi com um senhor muito “boa praça”.

No meio da conversa, o motorista dizia que para os estudantes que não precisam viajar para fazer as provas, esse era um grande avanço e que, afinal de contas, o vestibular não é para que ele e os colegas fiquem ricos.

Depois de muito papo, com a corrida quase sendo um passeio pela cidade, ele tem um estalo e pergunta…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “A salvação da lavoura,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A salvação da lavoura – por Daiani Ferrari

Essa semana, tiramos uma folga de Candelária. Consegui ficar três dias em Santa Maria sem nada para fazer, somente com preocupações leves, como preparar uma janta legal, com um prato diferente, ler revista de mulherzinha, olhar filmes e rever os seriados que mais me agradam.

A calmaria é só dentro de casa, pois na rua as pessoas andam cada vez mais apressadas com seus aparelhos celulares, cheias de coisas para resolver, e por conta disso quase se atropelam uns aos outros em todos os lugares. Chegam a fazer corrida de carrinhos no supermercado pelo melhor lugar na fila da balança, do caixa.

De tanto que correm, alguns diriam que até voam. É a vida moderna tomando conta de nós.

Como essa foi uma semana de vestibular da UFSM, pensei que a cidade estaria aquele caos de anos anteriores, mas enquanto ouvia gente reclamando que a descentralização do processo diminuiu o movimento da cidade, trazendo menos benefícios (lê-se dinheiro), e taxistas ranzinzas resmungando sobre a baixa no número de corridas, peguei um táxi com um senhor muito “boa praça”.

No meio da conversa, o motorista dizia que para os estudantes que não precisam viajar para fazer as provas, esse era um grande avanço e que, afinal de contas, o vestibular não é para que ele e os colegas fiquem ricos.

Depois de muito papo, com a corrida quase sendo um passeio pela cidade, ele tem um estalo e pergunta:

- Mas para onde mesmo estamos indo?

Destino alcançado, desci do carro e aquele senhor foi algo como a salvação da lavoura. Nem tudo está perdido, a vida louca ainda não tomou conta de todos.

Amanhã as pessoas vão continuar disputando alucinadamente os melhores lugares, o trânsito na Acampamento perto das 18h seguirá sendo algo a se evitar, os aparelhos celulares vão agregar ainda mais funções, servindo cada vez menos para fazer ligações, e os comerciantes continuarão achando que a UFSM deveria voltar com o velho sistema do vestibular. Ou seja, a vida louca e desatinada das grandes cidades que já chega à velha e boa Santa Maria, há algum tempo, vai ganhar mais força.

O progresso e o crescimento são ótimos, mas como em tudo temos o bônus e o ônus… É a vida moderna que vai deixando suas marcas.

2011 VEM AÍ! Daiani Ferrari, o copo de medidas e as promessas não-feitas

31, dezembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Se quando estava na vitrine era difícil arrumar um emprego equivalente a um cargo público, com salário extraordinário e horários rigorosamente estabelecidos, imagina agora. Mas sem dramas, isso não é uma reclamação, é apenas uma constatação.

E quanto a ser alguém melhor, o que eu posso prometer? Falar menos palavrão? Improvável. Fazer o bem sem olhar a quem? Tento, nem sempre consigo. Ficar mais tempo perto da família? São Borja é longe. Não ficar indignada e não retrucar quando alguém diz que gostaria de ser bem pobre a ponto para não precisar trabalhar e receber “bolsa-tudo” do governo? Definitivamente, não… Tudo na vida tem um…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “2011 está aí…,  escrita pela jornalista Daiani Ferrari, colaboradora habitual deste sítio, às sextas-feiras. O texto foi postado agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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2011 está aí… – por Daiani Ferrari

31, dezembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Ser uma pessoa melhor no ano novo, emagrecer, buscar uma colocação profissional melhor, com um salário capaz de recompensar todo e qualquer esforço. Que nada! Eu quero muito usar o copo de medidas em 2011!

Na passagem de ano, sempre povoam nossas cabeças as benditas metas que sabemos que nunca vamos cumprir. Há dois anos não consigo perder os quilos adquiridos no inverno, e não vai ser dessa vez.

Se quando estava na vitrine era difícil arrumar um emprego equivalente a um cargo público, com salário extraordinário e horários rigorosamente estabelecidos, imagina agora. Mas sem dramas, isso não é uma reclamação, é apenas uma constatação.

E quanto a ser alguém melhor, o que eu posso prometer? Falar menos palavrão? Improvável. Fazer o bem sem olhar a quem? Tento, nem sempre consigo. Ficar mais tempo perto da família? São Borja é longe. Não ficar indignada e não retrucar quando alguém diz que gostaria de ser bem pobre a ponto para não precisar trabalhar e receber “bolsa-tudo” do governo? Definitivamente, não… Tudo na vida tem um limite.

Por isso, esse ano não prometerei nada. Eu já disse aqui que “é sempre bom ter alguma expectativa ou plano” (que nunca serão concretizadas, penso), mas mudei de ideia. Afinal de contas, só não muda de ideia quem não a tem (também já devo ter dito!).

***

O copo de medidas foi, talvez, a melhor aquisição do ano. Não a geladeira, o fogão ou a televisão bem linda e grande da sala. O copo veio de um impulso. Apenas o vi e achei que era a minha cara. Cheio de marcas rigorosas, mas com inúmeras possibilidades. Leite, óleo, farinha, açúcar, entre outros. Está ali se precisar.

Feito de material resistente, figurava quietinho num canto da prateleira, sem incomodar ninguém, mas causava tanta simpatia quando visto com atenção. Não resisti.

De fato, foi uma boa aquisição.

Outra hora, volto aqui e conto mais um pouco sobre ele.

Let’s go, 2011.

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CRÔNICA. Máucio, o final do ano e a velocidade do tempo

28, dezembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

A gente passa o ano inteiro ouvindo expressões como: poxa, já estamos em maio; credo, já é agosto; cruzes, já está chegando o fim de ano! As pessoas vivem reclamando que tudo está rolando muito depressa. Será que foi o tempo que mudou ou foram os viventes?

Tem uma teoria bem simplória que tenta explicar esse fato. Para uma criança de quatro anos de idade, 12 meses representam 25% de sua existência, para um indivíduo de quarenta, significam apenas 2,5%. Isso quer dizer que quanto mais velho o sujeito fica, mais 1 ano parece menos…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “O tempo não para”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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O tempo não para – por Máucio

28, dezembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

A gente passa o ano inteiro ouvindo expressões como: poxa, já estamos em maio; credo, já é agosto; cruzes, já está chegando o fim de ano! As pessoas vivem reclamando que tudo está rolando muito depressa. Será que foi o tempo que mudou ou foram os viventes?

Tem uma teoria bem simplória que tenta explicar esse fato. Para uma criança de quatro anos de idade, 12 meses representam 25% de sua existência, para um indivíduo de quarenta, significam apenas 2,5%. Isso quer dizer que quanto mais velho o sujeito fica, mais 1 ano parece menos.

Não sei bem se faz sentido, mas tem certa lógica. Na verdade o que parece que mudou mesmo nos últimos tempos é o número de afazeres e a rapidez dos acontecimentos e contatos. Alterou-se a velocidade das coisas. Por exemplo, uma conquista amorosa antigamente poderia levar meses ou até anos. Nos dias atuais se consegue com facilidade o nome, o fone, o email, o MSN, o Twitter – e não sei mais o que – da pretendida. Em poucos dias, horas, minutos se estabelecem as possibilidades do enlace. Ou dá ou desce.

Os celulares e a Internet são sem dúvidas os grandes aceleradores do nosso cotidiano. Muitas vezes, por força da profissão, ficamos plugados 8, 12, 16 horas por dia. Na verdade estamos todos linkados 24 horas por dia, até mesmo quando dormimos. Com isso a sensação que o tudo passa muito depressa é ainda mais evidente.

Isso se deve também à hegemonia avassaladora do Deus Cronos. Nele a noção do tempo é matemática, preciso, sequencial, com os eventos enfileirados. Vivemos a cada minuto como se participássemos de um enredo complexo, cheio de inícios e fins a cada momento.

A vida humana, no entanto, possui outras dimensões, a da continuidade, da contemplação e da emoção, que sucumbem diante das fragmentações contemporâneas. Precisamos de menos cronologia e mais atemporalidades.

Feliz ano novo a todos!

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CRÔNICA. Máucio e a crítica severa a dois pratos “modernos” da ceia natalina

14, dezembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Uma amiga me disse dia desses que odiava panetone e sempre nessa época fica sem saber o que fazer com os pães que sua família recebe todos os anos. Houve uma ocasião em que chegaram a ganhar oito de presente, oriundos de amigos, da empresa, dos parentes. O mais esquisito é que ninguém em casa apreciava a iguaria.

Fiquei pensando que essa moda de panetones não é muito antiga por essas bandas, sua popularização tem ocorrido de uns anos para cá. Na verdade, os fabricantes estão conseguindo criar esse hábito. Atualmente, tem uma infinidade de marcas, só que todas são a mesma coisa. Panetone industrializado é uma cuca metida à besta: redonda, fabricada muitas semanas antes e…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Ceia de Natal”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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Ceia de Natal – por Máucio

14, dezembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Uma amiga me disse dia desses que odiava panetone e sempre nessa época fica sem saber o que fazer com os pães que sua família recebe todos os anos. Houve uma ocasião em que chegaram a ganhar oito de presente, oriundos de amigos, da empresa, dos parentes. O mais esquisito é que ninguém em casa apreciava a iguaria.

Fiquei pensando que essa moda de panetones não é muito antiga por essas bandas, sua popularização tem ocorrido de uns anos para cá. Na verdade, os fabricantes estão conseguindo criar esse hábito. Atualmente, tem uma infinidade de marcas, só que todas são a mesma coisa. Panetone industrializado é uma cuca metida à besta: redonda, fabricada muitas semanas antes e colocada dentro de uma embalagem mais chique.

Desconfio que as pessoas acabem comprando automaticamente, por impulso e muitas vezes sequer gostam de comê-los. Por isso, sugiro: reflitam bem antes de presentear.

Outra invenção natalina, mais antiga por aqui, é o tal do chester pronto, temperado. Normalmente, resulta num prato sem graça, pois além do tempero padrão de sabor monótono, possui uma carne seca, insossa. O chester é uma versão raitéqui e piorada da velha galinha assada.  

Em alguns casos, é possível imaginar a ceia de natal composta pelo seguinte cardápio, uma ave dessas que vem pronta, rodeada por uma farofa qualquer. Logo ali ao lado, para completar, um exemplar dos famigerados panetones de grife.  Pode haver menu mais engasgante? Depois não entendem por que as pessoas se entopem de cerveja e refrigerante.

Não sei não, mas eu não troco esses manjares industrializados, cuja única vantagem é a praticidade, por uma boa cuca da Quarta Colônia – recheada com uvas frescas – e uma bela galinha crioula caseiramente temperada com muita cebola, alho, pimenta, sálvia e alecrim. Podem me chamar de retrógrado, mas chester e panetones de mercado, nem pensar!

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CRÔNICA. Máucio e uma interessante reflexão de época: o “espírito natalino”

30, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Uma vez um amigo me perguntou se eu acreditava no espírito natalino. Respondi que não era uma questão de crença e sim de disposição. Como seres sociais estamos ao alcance das efemérides e das sazonalidades culturais e podemos nos engajar mais ou menos intensamente nos acontecimentos. 

O fato é que o clima de final de ano aflora cada vez mais cedo. Em primeiro lugar no comércio, ávido em fazer o pé de meia do negócio e equilibrar as finanças. Não é só nas lojas, no entanto, que esses movimentos iniciam antecipadamente. Desde novembro, quiçá antes, as pessoas começam a…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Espírito natalino”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

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PÃO E CIRCO. Máucio, (de novo) o show de Paul e ainda o contrato do Portaluppi

23, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Semana passada escrevi um texto chamado Paul em PoA que causou uma série de comentários. O foco da minha análise nem foi sobre a qualidade musical do ex-Beatles, quis apenas chamar a atenção de pontos como a sua capacidade de marketing, sobre a durabilidade do sucesso do Grupo, ainda que replicante, e também sobre o espetáculo sob o ponto de vista comercial, algo que as pessoas em geral nem se dão conta.

O fato é que boa parte dos comentários recebidos declarava que o show tinha valido a pena e que não se importavam com o dinheiro que haviam gasto. Alguns, inclusive, revelaram que…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Pão e Circo”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

CRÔNICA. Máucio e o supershow de Paul McCartney, o negócio e a arte musical

16, novembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Na semana passada aconteceu uma apresentação histórica do ex-Beatles Paul McCartney em Porto Alegre. Que novidade, né?  Lembrei da música dos anos 80 que perguntava: será que um dia eles vêm aqui, cantar as canções que a gente quer ouvir? Não vieram não, mas enviaram um representante algumas décadas depois.

Indiscutivelmente, para os fãs, ¼ dos Beatles é ainda considerado Beatles, mesmo que muito tempo tenha se passado. É um fenômeno musical e mercadológico. 50 mil pessoas em um estádio de futebol, ao preço médio de 300 reais per capita, dá para calcular a soma rápida de 15 milhões de reais arrecadados, só de ingressos. Digamos que se pague a metade para…”

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UM CARA OTIMISTA. Adede y Castro, o pós-eleição e a graça concedida ao Zé Mané

4, novembro, 2010 Claudemir Pereira 9 comentários

Zé Mané acredita, como sempre!

POR João Marcos Adede y Castro, Promotor de Justiça e Escritor

Acho que já apresentei aos meus cinco leitores (há uma margem de erro na pesquisa de dois pontos, para mais ou para menos), o meu amigo Zé Mané. Ele é uma excelente pessoa, bom pai de família, vizinho colaborativo e cidadão pagador de seus tributos, inclusive daqueles que ele não reconhece dever. Acredita em tudo que lhe contam, pois não pode admitir que em uma sociedade civilizada como a nossa, alguém possa mentir e enganar. Por isto, passado as eleições, ele acredita que os vencedores e os vencidos continuarão com sua saga de perseguidores de corruptos, desta gente que trafica influência e dilapida o patrimônio público.

Zé Mané acredita que os vencedores, logo que assumirem seus cargos, determinarão a imediata instauração de investigações, “doa a quem doer”, para esclarecer as denúncias de fraudes, roubalheira, enganação, desprezo pelo interesse público e risinhos disfarçados de pena de todos nós, mesmo que isto inclua seus parceiros e apaniguados. Inclusive os perdedores não esquecerão as acusações graves que fizeram durante a campanha, mesmo que recebam generosas fatias de poder, mediante cargos e altos salários.

Afinal, todos, vencedores e vencidos, colaboraram enormemente para que a população, enganada durante os últimos anos, fosse esclarecida, informada, preparada para escolher os melhores e repudiar os piores, punir os corruptos e corruptores e salvar a Pátria Mãe tão distraída, que, segundo Chico Buarque, “dormia, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações”!

Aos que riem dele, Zé Mané apresenta um argumento irrefutável: de que os vencedores e vencidos tem compromissos com o Povo, a quem terão de recorrer novamente daqui a quatro anos. Claro que ele não ouviu falar que um dia o bruxo da Revolução de 1964, Golberi de Couto e Silva disse, filosoficamente canalha, que “a notícia de hoje é o lixo de amanhã”.

Um dia, talvez nunca, todos dirão que Zé Mané tinha razão. Enquanto isto, vamos conceder-lhe a graça.

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CRÔNICA. Máucio e aquele estabelecimento que ressuscitou a “maisbalia”. Hein?

…Na hora de pagar as compras, a moça do caixa entregou moedas de troco e uma bala. Em um relance perguntei por que aquilo. Ela justificou que não possuía cinco centavos… Por isso as balas.

Não estava acostumado mais com o troco em bala. Pensei que era coisa de antigamente e disse à funcionária que não iria brigar por centavos, desde que não fosse uma nova praxe do estabelecimento.  Notei que ficou rubra, constrangida, o que me fez concluir que era sim uma determinação da chefia. Lembrei então que…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Troco em balas?”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Troco em balas? – por Máucio

26, outubro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Nas últimas semanas fui duas ou três vezes ao supermercado de costume e notei uma diferença um pouco incômoda. Na hora de pagar as compras, a moça do caixa entregou moedas de troco e uma bala. Em um relance perguntei por que aquilo. Ela justificou que não possuía cinco centavos… Por isso as balas.

Não estava acostumado mais com o troco em bala. Pensei que era coisa de antigamente e disse à funcionária que não iria brigar por centavos, desde que não fosse uma nova praxe do estabelecimento.  Notei que ficou rubra, constrangida, o que me fez concluir que era sim uma determinação da chefia. Lembrei então que, nos últimos meses, já havia percebido outras vezes este mesmo procedimento.

Fui para casa e, por curiosidade, fiz uma estimativa do que isso poderia representar financeiramente, não individualmente para os compradores, mas para o supermercado. Estimei que por cada operadora de caixa passava em média umas 200 pessoas por dia. Se 20% dos trocos forem em balas, avaliadas em 5 centavos, daria precisamente 2 reais por caixa/dia. Em um mês somariam 50 reais. Multiplicando-se pelas cindo caixas na loja, resultariam 250 reais por mês em troconagem. Isso em cada loja da empresa.

Se levarmos em conta as quatro lojas da rede, o somatório da estratégia de empurrar caramelos a consumidores distraídos chega-se a mil reais por mês. Não é nada? É sim, pode ser igual ou até mais do que o salário de um funcionário. Resumindo, estão pagando um empregado com a maisbalia.

Esse é apenas um exemplo de possíveis malandragens silenciosas que quase ninguém denuncia. Têm outras, como por exemplo… Os enormes sacos de plástico que oferecem no departamento de hortifrutis onde colocamos uma ou duas cebolas. Ao pesarem somam junto gramas de plástico pelo mesmo preço das frutas e legumes. Ou a re-etiquetagem do prazo de validade dos perecíveis. Mas esses são assuntos para outro dia.

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CRÔNICA. Máucio e a pergunta: por que as feiras livres não acabam? Ah, ele tem a resposta

No sábado fui à feira livre da Avenida Rio Branco procurar muda de gerânio crioulo que tem numa banca onde sou freguês. Nas floriculturas só oferecem o híbrido que necessita de maiores cuidados. Claro, não vingando a gente tem que comprar novamente. Essa parece ser a lógica do negócio.

Como já haviam sido vendidos todos os pés nesse dia pensei em fazer as compras de frutas, verduras e legumes, mas não recordava o que estava em falta e fui em casa para fazer o levantamento. No meio do caminho pensei em alternativas, quem sabe eu deixo isso para a semana em algum supermercado?…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “Por que as feiras livres não acabam?”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

Por que as feiras livres não acabam? – por Máucio

No sábado fui à feira livre da Avenida Rio Branco procurar muda de gerânio crioulo que tem numa banca onde sou freguês. Nas floriculturas só oferecem o híbrido que necessita de maiores cuidados. Claro, não vingando a gente tem que comprar novamente. Essa parece ser a lógica do negócio.

Como já haviam sido vendidos todos os pés nesse dia pensei em fazer as compras de frutas, verduras e legumes, mas não recordava o que estava em falta e fui em casa para fazer o levantamento. No meio do caminho pensei em alternativas, quem sabe eu deixo isso para a semana em algum supermercado?  

Chegando em casa vi que alguns gêneros precisavam ser repostos. A alface havia murchado, a rúcula estava no fim, as laranjas também. Acabei voltando à feira. Comprei brócolis, couve-flor, tomate, cebola e alho. Além da rúcula e das laranjas. Ah, ia esquecendo, peguei também dois pacotes de abóbora para fazer doce, já cortada em cubos, limpa e embalada. Saí com um fardo completo.

Compro quase tudo na mesma banca, a do Luiz. A maioria das coisas é ele mesmo quem produz, o fato fica evidente pela forma com que se refere aos hortifrutigranjeiros. Descreve os canteiros, fala com otimismo sobre a safra da alface crespa, mimosa, roxa e assim por diante. Perguntado, explica quando terá alho próprio para vender. Dá dicas de como preparar um prato de jiló, mas sempre deixando claro: só leve o que for precisar. Tem medo de parecer empurrando artigos.

Fiquei pensando: por que gosto de ir à feira? Poderia deixar para comprar em hora mais conveniente, numa passada. Ora, adquirir esses produtos em supermercado estabelece um ritual completamente diferente. Nessas lojas as mercadorias parecem que estão lá abandonadas. São tomates, alfaces e cebolas completamente anônimas, genéricas.

Na feira há a mediação humana do feirante. É possível perguntar:

− Essa mandioca abre?

− Abre! Pode levar que eu garanto.

Se não abrir, na semana seguinte a prosa continua.

O supermercado é seco, sem circunstância. Um não-lugar. A feira é, por sua vez, uma extensão da horta caseira. A horta do Luiz mora em nossa memória ancestral e a memória é umas de nossas estruturas básicas. Supermercado é a pura solidão do consumo.

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CRÔNICA. Máucio, as eleições e um taxista saudoso dos tempos de chumbo

Em uma roda de amigos, um conhecido recém-chegado de viagem à Bahia quis dar um panorama da situação eleitoral de lá. Usou como parâmetro a conversa que teve com um taxista que o levou ao aeroporto. Não sei por que as pessoas citam esses profissionais como depositários da opinião pública. É certo que possuem informação urbana, mas daí a achar que balizam tendências vai muita distância.

Aqui no bairro, por exemplo, tem um taxista muito tradicional, Seu José. Mais de 30 anos nesta atividade, a vizinhança toda sabe dele ali do ponto da esquina.  No entanto, no meu entender  não serve de referência porque, apesar de simpático, é uma das pessoas mais de mal com a vida que conheço. Para ele o país está vivendo um momento péssimo. O futebol não é mais o mesmo. As mulheres são levianas e as pessoas inconfiáveis…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra da crônica “O taxista e as eleições”, de Máucio, colaborador habitual deste sítio. O texto foi publicado há instantes, na seção “Artigos”. Máucio (Mario Lúcio Bonotto Rodrigues) é cartunista e professor de design no Curso de Desenho Industrial/ CAL- UFSM.  É Bacharel em Comunicação Visual/ UFSM e Mestre em Comunicação/ UFRGS.

O taxista e as eleições – por Máucio

Em uma roda de amigos, um conhecido recém-chegado de viagem à Bahia quis dar um panorama da situação eleitoral de lá. Usou como parâmetro a conversa que teve com um taxista que o levou ao aeroporto. Não sei por que as pessoas citam esses profissionais como depositários da opinião pública. É certo que possuem informação urbana, mas daí a achar que balizam tendências vai muita distância.

Aqui no bairro, por exemplo, tem um taxista muito tradicional, Seu José. Mais de 30 anos nesta atividade, a vizinhança toda sabe dele ali do ponto da esquina.  No entanto, no meu entender  não serve de referência porque, apesar de simpático, é uma das pessoas mais de mal com a vida que conheço. Para ele o país está vivendo um momento péssimo. O futebol não é mais o mesmo. As mulheres são levianas e as pessoas inconfiáveis.

Andar com Seu José é sempre um episódio. Primeiro porque fica resmungando ao volante, depois porque instiga a gente com alfinetadas. Prefeito, governador, presidente: nenhum presta. Nunca. O passado é que foi bom. Atualmente está tudo virado, sentencia.

Esses dias fiz uma corrida e não deu outra. Começou falando no clima, do frio que não parava, depois dos buracos das ruas chegando à questão eleitoral, seu objetivo velado.

− Já decidiu em quem votar?

Perguntou. Respondi sim e me calei. Não abri o jogo. Então ele retomou a prosa.

− Antigamente não era assim… esses assaltos.

Como assim, perguntei.  

− No tempo da ditadura a coisa era diferente. Não havia essa baderna!

Coloquei-me a rir como única reação ponderada para a ocasião. Claro, percebi que não haveria nenhuma chance de um diálogo minimamente compartilhado. Porém, segundos depois não me contive e lasquei.

− Quer dizer então que se vivêssemos em uma ditadura os problemas de trânsito acabariam?

– Não só os de trânsito. Acabariam todos!

Criei mais coragem e o afrontei.

− Seu José, o senhor é muito louco! 

Para minha surpresa ele sorriu e falou meio mascado.

− Venha trabalhar de taxista pra ver como é! Saí do carro e fiquei pensando.

Seu José ganha a vida no trânsito, ou seja, opera em um lugar cada vez mais caótico. A maioria está ali só de passagem, mas ele não, seu destino é permanecer no caos. No frio, no calor, no vento, na neblina. Nos momentos de chuva, em que todos evitam a circulação sua presença se acentua ainda mais, não há escolha.

Nos fins de semana: festas, formaturas, bailes… Está lá levando passageiros pra cá e pra lá.  Deixa a pessoa na porta, mas não entra. Páscoa, natal, ano novo, decisão do campeonato, nada disso o libera da lida. Com um agravante, ele está na rua, ao abrigo do imponderável.

Agora entendo o José, seu temperamento e a sua tendência de voto. Mas acho que o candidato dele não irá ganhar a eleição. Até porque os tempos mudaram. Ainda bem.

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