COLUNA OBSERVATÓRIO. “A ‘pressa da desincompatibilização’ provoca caaaada coisa”
No máximo à meia noite de 2 de abril, todos os interessados em concorrer a uma vaga no parlamento, seja na Câmara dos Deputados ou na Assembléia Legislativa, e que tiverem cargo no Executivo, terão que obrigatoriamente se afastar. É a chamada desincompatibilização. Um verdadeiro palavrão, no sentido literal. E, para os que a ela terão que se curvar, um palavrão também naqueeeele sentido.
Por conta da dita cuja, acredite, muita coisa acontecerá até o instante fatal. Algumas reais, outras pura encenação – capazes, porém, de garantir uma foto para ser bem utilizada, seja nos santinhos ou cartazes ou, ainda, se houver possibilidade, também na propaganda eletrônica.
É praça sendo inaugurada (tomara que pronta) e posto de saúde aberto ou reaberto ou com algum outro serviço sendo acrescentado. É verba conseguida junto aos governos de lá e de cá, com direito a solenidade. É anúncio de obra há muito esperada ou qualquer outra coisa que seja permitido. E faltam só exatos 58 dias. Muuuuito tempo para um cidadão comum. Quase nada, para quem é secretário de município ou de Estado, por exemplo.
É a hora, também e se necessário (e quase sempre é), da criatividade. Até mesmo alguns hábitos sepultados na história, se for o caso (e parece que é), são exumados. Exemplo concreto: já que não dá para inaugurar a obra, o jeito e “lançar a pedra fundamental”. Sim, isso acontecerá aqui mesmo em Santa Maria em algum dia de março. É o Hospital Regional (fundamental, disso ninguém duvida) garantindo a foto dos candidatos oficiais do governismo municipal. Um é secretário estadual. Outro é municipal. E nem é da Saúde. Mas que importa isso, diante de uma foto bem feita?
EM TEMPO: o termo “pressa da desincompatibilização” tem como autor uma importante figura do governo da comuna, e que o usou em conversa com o colunista (que o guardou na memória) lá por abril, maio do ano passado. Cá entre nós, nunca foi tão atual.











