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A palavra de Andrés Sánchez, o sincero. Ou será réu confesso? – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 29 de setembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

SÁNCHEZ FALA SOBRE (QUASE) TUDO E DE TODOS

Na quarta-feira 21 de setembro, a às vezes atriz, outras vezes “jornalista” Marília Gabriela, estreou o novo dia de seu programa de entrevistas no SBT, o “De Frente com Gabi”.

O programa que era somente dominical agora passará a ser exibido também nas quartas feiras. O convidado foi o super-sincero Andrés Navarro Sánchez. O presidente corintiano falou sobre Corinthians, CBF, Ronaldo, e política,… demonstrando a maior calma sobre todos os assuntos.

SINCERO OU RÉU CONFESSO?

Andrés Sánchez termina o seu mandato no Corinthians no início do ano que vem e já tem como indicação para assumir o cargo, Mário Gobbi; mas sobre o futuro no futebol, nada de indicações. Ele teria prometido estrutura e base para o clube e deixou 75% ou 80% das coisas prontas, com os ganhos por ano sendo maiores que as dívidas – que são, no geral, na casa dos 150, 160 milhões de reais.

O mandatário corintiano voltou a defender Ricardo Teixeira, dizendo que as pessoas pegam pesado com o presidente da CBF. Segundo ele se fala muita coisa, mas não se prova nada, mesmo admitindo que na entidade há problemas, “como em qualquer lugar”.

O atual homem-forte de Ricardo Teixeira nos clubes disse o seguinte:

“Eu acho que ele foi muito importante pro futebol brasileiro, com erros e acertos. Eu acho que tão pegando muito no pé dele sem provas. Acho que aqui nesse país ainda temos que acreditar na Justiça, nos órgãos públicos e que se tiver alguma coisa que se fale logo. Não pode ficar dez anos batendo numa pessoa, insinuando e ninguém provando nada”.

Ainda bem que este ano algumas denúncias vêm acompanhadas de provas, em especial após a famosa entrevista de R.T. Para a revista Piauí em julho. O procurador da República Marcelo Freire remeteu na segunda-feira (26/09) à Superintendência da Polícia Federal no Rio um pedido de abertura de novo inquérito contra Teixeira para saber se o dinheiro recebido, segundo denúncia do jornalista Andrew Jennings, teria vindo ao Brasil de forma irregular.

SUBSTITUTO

Já tratamos aqui na Além das Quatro Linhas antes, mas Andrés Sánchez é um dos favoritos a assumir o lugar de Teixeira na presidência da CBF a partir de 2015 – se não ele, Joana Havelange.

Perguntado se sonha em ser presidente da CBF, Sánchez não descartou a hipótese, apenas desconversou dizendo não pensar nisso agora até mesmo porque ainda falta tempo para o processo eleitoral da entidade, apesar de se colocar à disposição do futebol no que precisar.

ESTÁDIO E RELAÇÕES POLÍTICAS

Andrés afirmou que jamais prometeu construir estádio, por ter sido enganado há 50 anos com essa história. Porém, eis que surge um projeto com a Odebrecht – quantas obras mesmo a empresa participa nesta Copa? E, falando em São Paulo, esta mesma empresa participa do Consórcio do Metrô Linha 4 (Linha Amarela) – aquele mesmo do buracão de 2007!

O presidente corintiano é claro ao dizer que quando o Morumbi foi vetado, a responsabilidade do clube era com o que tinha programado, os R$ 400 milhões por 44 mil lugares. O resto para a abertura? “Era um problema da cidade”. Se não fosse isso, “com certeza estaria mais adiantado do que está hoje e não teria também a renda que vai ter, é uma coisa muito grande”.

Marília Gabriela até tentou por algumas vezes que ele admitisse que seriam gastos recursos públicos. Sobre o empréstimo no BNDES, ele disse que pagará juros e que “qualquer brasileiro pode fazer isso” – qualquer um mesmo? No caso da ajuda municipal, seria só um documento. Balela; relações assimétricas e apelo eleitoral corintiano.

Vejamos as peripécias que teriam de ser cumpridas na busca de um critério universal. Primeiro ele terá que construir o estádio e gerar receitas, o que deve demorar cinco anos, para depois, na hora da arrecadação, tirar 200 ou 300 milhões de reais nisso. Ele disse também que as multinacionais vivem ganhando isenção fiscal porque geram empregos, e nem sempre geram os prometidos.
Sobre as relações com a política, disse que a experiência no comando do Corinthians o fez desistir de qualquer possibilidade eleitoral, mesmo sendo filiado ao Partido dos Trabalhadores (!). Ele já conhecia a o pessoal do PT “faz tempo”, mas teve que lidar com mudança de governador e que esse processo seria a prova de que “o Brasil deveria se unir mais”.

Apesar da relação com o PT, já que foi sindicalista e a família vivia em sindicato, o nome do estádio não será Luiz Inácio Lula da Silva, mas de quem pagar mais para tê-lo. Os naming rights estão na engenharia financeira para pagar o estádio.

400 milhões de reais é o valor mínimo pedido por 15 ou 20 anos. Apesar de ter algumas propostas, ainda depende da resolução de outros problemas com alguns “amigos”:

“Tem alguns problemas com a Rede Globo, que é a detentora do futebol brasileiro e nós temos que ser justos, ela não pode ter os parceiros dela no futebol e eu trazer um parceiro que ela tem que falar que entre em conflito com os patrocinadores dela. Em 4 ou 5 meses acho que se sabe”.

Segundo o próprio, tal situação o ensinou “a nunca ser político. Após o preconceito que passei por ser presidente do Corinthians eu não aceitaria me candidatar”.

IRONIAS E SINCERIDADE

Nem precisava ele ter dito que é muito sincero e paga um preço muito caro por isso. Afinal, quem teria coragem de dizer que é “amigo do pessoal da Globo, apesar de gângsters”? Na entrevista, chegou a pedir desculpas aos jornalistas pela estupidez dos últimos meses, já que estaria farto das cobranças e pedidos: “Muitos corintianos só sabem pedir”.

Sobre uma suposta perseguição por sua formação escolar, Sánchez é claro ao dizer que:

“Eu não me sinto perseguido, eu me sinto discriminado, o que é pior até. Por não ter ensino superior, não falar o português correto. Talvez por ser um cara sincero, um cara direto, às vezes pago um preço muito caro. É um país hipócrita, quer dizer, é um país com pessoas hipócritas”. Em suma, Andrés é curintia….e a Odebrecht, também é parte da “Fiel torcida”?!

Andrés Sánchez ironizou o presidente da FIFA Joseph Blatter sobre as críticas no atraso das obras. Segundo Sánchez, Blatter conhece o Brasil assim como ele conhece Marte. Garantiu que se São Paulo não abrir a Copa do Mundo FIFA 2014, a mesma será aberta na Alemanha ou em Marte:

“Não (tenho conhecimento sobre outros estados). Só batendo. Belo Horizonte e a Bahia ficam dizendo que vai ser lá e não têm condições. (Vai ser na Alemanha) ou em Marte. Como é que a Bahia quer fazer abertura de Copa, se São Paulo tem problemas imagina a Bahia”.

MAIS SINCERIDADE SOBRE A COPA

Quando questionado se a Copa seria realizada com puxadinhos, Andrés respondeu que sim, já que foi desta forma na Alemanha, no Japão e ainda mais na África do Sul.

Um dos grandes problemas de infra-estrutura no Brasil, os aeroportos receberam menção especial:

“Tem que fazer, de zero a dez, dez. Não vai fazer, vai fazer sete, seis, e dois e três vai ser puxadinho de 60 dias. Em todas as Copas teve. Obviamente algumas coisas vão ser adiantadas e outras coisas vão fazer puxadinhos. Eu não vou ser hipócrita e dizer que vai estar 100% perfeito. Vai funcionar, mas vai ter puxadinho”.

DINHEIRO

Andrés sai do Corinthians, deixando o clube com o sexto maior contrato de material esportivo do mundo, com a NIKE (entre 22 e 40 milhões de reais), e o quarto maior patrocinador de camisa, com a Hypermarcas, algo que gira em torno de 60-70 milhões de reais.

O atual presidente corintiano negou que fosse sócio de Ronaldo em algo, apesar de ser consultor da 9ine (e???), e disse que seria algo em qualquer coisa que o Fenômeno chamasse. Além disso, prometeu que R-marketing-9 voltará a campo em 2013, quem sabe para inaugurar o estádio corintiano e se despedir oficialmente do clube, o qual mudou o patamar financeiro.

DE SAÍDA (TEMPORÁRIA?)

Andrés disse ainda que está há 20 anos nas categorias de base do clube. Além disso, apesar da sinceridade que nós da Além das Quatro Linhas tanto gostamos, vale lembrar que foi diretor de Alberto Dualib e um dos responsáveis pela entrada da MSI, leia-se Kia Joorabchian e Boris Berezovsky, ao clube. Memória pouca é bobagem; é o padrão da transição política no Brasil, vale em clube, vale na república.

Trata-se da velha tentativa de atrair investidor estrangeiro, receber o dinheiro e depois dar um pé neles, como aconteceu em inúmeros casos durante a década de 1990 – a defunta ISL foi um dos alvos. É o jeitinho brasileiro do mandonismo, o jeito “oligarca” das direções de clube no Brasil, que enfrentaram e venceram até as multinacionais de marketing esportivo.

Ele até pode não ter ganho a Taça Libertadores, mas deixa a construção do estádio encaminhada, outro grande sonho de todo corintiano. Além disso, abriu o caminho para que ser sincero, mesmo apontando coisas ruins dos “amigos”, seja uma marca dos principais dirigentes brasileiros. Ricardo Teixeira até o seguiu em julho, mas depois se calou. Daí que de bico aberto, abriu-se a porteira para processos e construção sem fim de uma seqüência de fatos midiáticos resultando em fatos políticos e até judiciais. Depois, O Imperador se calou. Que pena…

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. A mil dias do seu início, se sabe que a Copa sairá. Mas como?

25, setembro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

“…A presidenta Dilma Rousseff, na companhia de Pelé (embaixador da Copa), foi até o estádio do Mineirão para verificar o andamento das obras. À tarde em uma cerimônia que custou cerca de R$ 650 mil aos cofres públicos, estiveram presentes o governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, o prefeito Marcio Lacerda, o ministro dos esportes Orlando Silva, o senador Aécio Neves, e o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira. Nenhum representante da FIFA compareceu ao evento.
Outros relógios foram lançados no mesmo dia em algumas das cidades, mas cada um seguiu seu padrão para a construção. Enquanto em Minas é uma ampulheta de oito metros de altura, o de Salvador tem a forma de berimbau e em Recife, nada de especial.
Já em Fortaleza se optou por marcar 1000 dias com uma missa ecumênica com os operários, enquanto em Brasília – sempre lá –, houve show que duraria todo o dia para comemorar que só faltam 1000 dias (como se estivesse tudo dentro do previsto…). Em Cuiabá, lançou-se o documentário turístico “Trilogia do Pantanal”. Óbvio que nada vai aparecer – não de forma oficial – sobre problemas a assolar a região, como a devastação de regiões da Amazônia Legal, a exemplo do norte de Mato Grosso.
Já em São Paulo, houve uma grande festa com campeões mundiais pelo Brasil, com direito a toda as personalidades pegando a linha “Corinthians-Itaquera” do metrô, dentre os quais, Ronaldo e o prefeito da cidade Gilberto Kassab. É claro que foi um vagão exclusivo para eles, ou acham que as “autoridades” enfrentariam um problema nalguma das linhas ou metrôs lotados?…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A mil dias do evento, a Copa sairá. Mas como? – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

25, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 19 de setembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha 

Menos de 1000 dias…

Relógios em algumas das cidades-sede para a Copa do Mundo FIFA 2014 – para não sermos processados, o nome da marca tem que ser por inteiro -, marcam que faltam menos de 1000 dias para a volta de um dos maiores eventos do planeta ao território brasileiro. No meio das comemorações, um site foi lançado, Lei Geral da Copa foi apresentada, greves foram contestadas e voltamos ao mesmo questionamento: a Copa sairá, mas como?

MAIS DINHEIRO PÚBLICO

Na última sexta-feira, 16 de setembro, a capital mineira Belo Horizonte foi o palco da realização do evento oficial que marcou a contagem regressiva de mil dias para a Copa do Mundo FIFA 2014.

A presidenta Dilma Rousseff, na companhia de Pelé (embaixador da Copa), foi até o estádio do Mineirão para verificar o andamento das obras. À tarde em uma cerimônia que custou cerca de R$ 650 mil aos cofres públicos, estiveram presentes o governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, o prefeito Marcio Lacerda, o ministro dos esportes Orlando Silva, o senador Aécio Neves, e o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira. Nenhum representante da FIFA compareceu ao evento.
Outros relógios foram lançados no mesmo dia em algumas das cidades, mas cada um seguiu seu padrão para a construção. Enquanto em Minas é uma ampulheta de oito metros de altura, o de Salvador tem a forma de berimbau e em Recife, nada de especial.

Já em Fortaleza se optou por marcar 1000 dias com uma missa ecumênica com os operários, enquanto em Brasília – sempre lá –, houve show que duraria todo o dia para comemorar que só faltam 1000 dias (como se estivesse tudo dentro do previsto…). Em Cuiabá, lançou-se o documentário turístico “Trilogia do Pantanal”. Óbvio que nada vai aparecer – não de forma oficial – sobre problemas a assolar a região, como a devastação de regiões da Amazônia Legal, a exemplo do norte de Mato Grosso.

Já em São Paulo, houve uma grande festa com campeões mundiais pelo Brasil, com direito a toda as personalidades pegando a linha “Corinthians-Itaquera” do metrô, dentre os quais, Ronaldo e o prefeito da cidade Gilberto Kassab. É claro que foi um vagão exclusivo para eles, ou acham que as “autoridades” enfrentariam um problema nalguma das linhas ou metrôs lotados?

GREVES MARCARAM COMEMORAÇÃO

Ao visitar o canteiro de obras do estádio do Mineirão, a presidenta Dilma deparou-se com máquinas e operários parados desde a última quinta-feira exigindo melhores condições de trabalho. Na chegada, a presidenta optou por evitar os grevistas que protestavam em frente ao estádio, entrando pelo lado oposto para acompanhar as obras. Desculpem a pilhéria, mas é inevitável questionar: – O que é isso companheira?!

E, como de costume, no Maracanã, não é diferente. Nesta segunda-feira, 19 de setembro, os trabalhadores resolveram retomar as obras que estavam paradas há 19 dias, também devido à greve. Na última sexta-feira o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) considerou abusiva a paralisação por tempo indeterminado dos operários. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Pesada (Sitraicp), uma nova reunião será marcada com o consórcio formado pelas construtoras Delta, Odebrecht e Andrade Gutierrez, responsável pela reforma, pois os trabalhadores continuam insatisfeitos.

Comenta-se que dentre as sedes a serem escolhidas pela FIFA em outubro para a Copa das Confederações, o nosso maior estádio não estará entre elas. Vale lembrar que não é a primeira greve no Rio de Janeiro e que outros problemas apareceram no percurso, como a ação na Justiça que questionava a destruição das arquibancadas pelo fato de o Estádio Mário Filho ser tombado.

FALTANDO MIL DIAS, HÁ O QUE COMEMORAR?

Faltando pouco mais de dois anos para o mundial de 2014, há mais com o que se preocupar do que comemorar. A maioria dos estádios está com atraso nas obras, aeroportos continuam um caos, e a mobilidade urbana pouco mudou. O Governo promete que tudo estará pronto, tranquilamente, a tempo, enquanto quem realmente organiza está calado. O COL do Teixeira se calara de vez.
Curioso, já que há tanta preocupação em destacar que a CBF é uma entidade privada, que não tem que dar qualquer justificativa; que a FIFA é outra entidade privada, a quem o torneio pertence e que só caberia à União assinar embaixo. Mas na hora de falar sobre as obras para um evento privado quem fala é o Ministério dos Esportes do Brasil. Para piorar, na hora de dividir os lucros, não esperem que a República Federativa do Brasil fique com algo, apesar de gastar tanto.

Em São Paulo o estádio do Corinthians passou a ser construído há poucos dias e só agora resolveram um grave problema, o dos dutos de gás que passam embaixo do terreno. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais aconteceram greves e em Porto Alegre as obras do Beira-Rio se arrastam, pois o contrato com a construtora ainda não foi assinado. O Internacional promete assiná-lo contrato com a Andrade Gutierrez até o fim de setembro.

Segundo o cronograma oficial, Cuiabá tem as obras adiantadas. Em Salvador o consórcio OAS/Odebrecht promete começar a perfuração do novo estádio em 30 dias, obra a qual o Tribunal de Contas do Estado havia estranhado o fato de o projeto não ser adequado, mesmo após a implosão de boa parte da antiga Fonte Novo.

Em Brasília as obras do Mané Garrincha estão em processo de desmonte e demolição, num estádio que mesmo com arquibancadas a serem desmontadas após a Copa do Mundo FIFA ainda ficará muito além do público do campeonato distrital – média de cerca de 2 mil pessoas para um estádio a 20 mil.

Em Recife, pelos comentários locais, ao menos o novo estádio deverá ter dono. Possuindo o menor dentre os três grandes pernambucanos, o Náutico deverá ficar com a responsabilidade de manter a nova Arena. As obras também não começaram, já que o consórcio Odebrecht/ISG/AEG, ainda finaliza uma pesquisa arqueológica sobre o terreno.

Fortaleza também está entre as sedes mais atrasadas. O consórcio Galvão/Serveng/BWA vai construir um novo estádio com valor estimado em R$ 450 milhões. Em oposição, Manaus é a sede com obras mais avançadas, orçado em R$ 500 milhões, que também será construído pela Andrade Gutierrez – um gasto deste tamanho para quem jogar lá depois?

Só que os maiores problemas estão em outros dois estados. No Paraná, as obras para reforma da Arena da Baixada ainda não começaram, as negociações se arrastam a mais de um ano, com um impasse entre o Atlético-PR e o governo.

Em Natal, o caso parece ser ainda mais grave. Até agora, todas as licitações para ter alguém como parceiro na construção não teve um concorrente sequer! O governo local tenta de tudo para evitar ainda mais problemas e mais atrasos.

LEI GERAL DA COPA

Esta semana foi enviado ao Congresso a Lei Geral da Copa, após forte pressão da FIFA, que quer seus interesses postos como lei o quanto antes, embora o Ministro dos Esportes dizer que não tem nada disso.

O valor dos ingressos será definido pela FIFA, apesar de ser respeitado o direito do idoso de 50% (Lei do Idoso) e de o direito de meia-entrada estudantil ser resolvido com os estados e municípios – pois o ex-presidente da UNE, atual ministro dos Esportes, não quis assumir um direito histórico do movimento estudantil e dar uma peitada na entidade internacional.

Além disso, as marcas FIFA ficarão sob exclusividade para a entidade, podendo causar prisão de três meses a um ano para quem a piratear. Os direitos de transmissão sonora, visual e qualquer outro tipo interligado também estão sob auspício da mesma regra. Por conta da “liberdade de expressão” se permite o repasse de 3% das partidas mesmo para quem não adquiriu tal direito – algo que já gerou problema da Globo com o Uol no mundial passado.

Outro item a ser negociado com os estados é a entrada de bebidas alcoólicas nos estádios, algo proibido em boa parte do país. Porém, uma das patrocinadoras do evento é uma cervejaria, que, com toda certeza, utilizará o seu direito contratual para exclusividade na cancha e arredores. O que pode gerar um problema também para os bares e restaurantes que já se localizam em torno, que não poderão vender outras marcas de cerveja.

Sobre o atraso das obras de infra-estrutura, já se admite que não ficarão prontas a tempo, ou seja, preparem-se para o bom e velho “jeitinho” brasileiro para resolver problemas como trânsito, vôos e tudo o mais que somos obrigado a nos “acostumar” cotidianamente. Quer dizer, apresentou-se uma solução genial: feriado nos dias de jogos. Afinal, no feriado nem em São Paulo há trânsito!

Enfim, faltando menos de mil dias para Copa, o Brasil tem muito com que se preocupar, e não estamos falando da seleção de Mano Menezes.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. E a bisca do Ricardo Teixeira, creia, começa a perder o sono

18, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…O ditador da CBF Ricardo Teixeira já não dorme mais tranquilo. A paz parece ter acabado desde que o jornalista Andrew Jennings resolveu assombrar sua vida. Como se não bastasse a perseguição a “Mister Teixeira” do jornalista da BBC, outro atual desafeto seu, certo Baixinho, resolveu ceder espaço para a opinião do autor do livro “proibido” “Jogo sujo: o mundo secreto da FIFA”.

Em entrevista ao site do ex-jogador e agora deputado federal Romário, o jornalista inglês disse que o mandatário maior do futebol brasileiro, queria sua própria Copa para enriquecer mais. Segundo Jennings, negócios foram feitos entre Teixeira e os demais presidentes das federações de países que compõem a Conmebol.

De acordo com ele, Ricardo Teixeira tem planos de chegar à presidência da FIFA, mas os recentes casos de anúncio de corrupção minaram as suas chances. Afinal, globalmente, não há confiança na CBF, apesar de estar certo de que, nos últimos anos, Blatter prometeu a Teixeira que o brasileiro seria o próximo presidente da FIFA, algo impedido pelos recentes escândalos envolvendo o nome dois poderiam estar afastando esta possibilidade…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A bisca do Ricardo Teixeira começa a ficar com medo – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

18, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 12 de setembro  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Os inimigos se multiplicam…

Andrew Jennings começou a pesquisar sobre a FIFA. Enquanto isso, no Brasil, jornalistas como Jorge Kajuru e Juca Kfouri seguiam implacáveis a Ricardo Teixeira. O tempo passou, e a lista tem até grupos de comunicação inteiros, como a ESPN, e o atual deputado federal Romário. E a lista só aumenta…

O medo já assombra Teixeira

O ditador da CBF Ricardo Teixeira já não dorme mais tranquilo. A paz parece ter acabado desde que o jornalista Andrew Jennings resolveu assombrar sua vida. Como se não bastasse a perseguição a “Mister Teixeira” do jornalista da BBC, outro atual desafeto seu, certo Baixinho, resolveu ceder espaço para a opinião do autor do livro “proibido” “Jogo sujo: o mundo secreto da FIFA”.

Em entrevista ao site do ex-jogador e agora deputado federal Romário, o jornalista inglês disse que o mandatário maior do futebol brasileiro, queria sua própria Copa para enriquecer mais. Segundo Jennings, negócios foram feitos entre Teixeira e os demais presidentes das federações de países que compõem a Conmebol.

De acordo com ele, Ricardo Teixeira tem planos de chegar à presidência da FIFA, mas os recentes casos de anúncio de corrupção minaram as suas chances. Afinal, globalmente, não há confiança na CBF, apesar de estar certo de que, nos últimos anos, Blatter prometeu a Teixeira que o brasileiro seria o próximo presidente da FIFA, algo impedido pelos recentes escândalos envolvendo o nome dois poderiam estar afastando esta possibilidade.

Dentre tantas outras coisas, o jornalista inglês trabalha há 40 anos investigando máfias italianas e sua atuação na Europa, Reino Unido e América do Norte. Segundo Jennings: “Esta experiência e entendimento de como as famílias do crime organizado operam foi o treinamento perfeito para o próximo alvo – as federações esportivas internacionais. […] Não tenho dúvidas de que a FIFA é uma família do crime organizado e que Blatter (presidente da FIFA) mantém a sua influência distribuindo fartamente ingressos da Copa do Mundo”.

Andrew começou a pesquisar mais sobre o Brasil após a escolha do país como sede da Copa do Mundo de 2014, após uma suposta corrupção nas obras da África do Sul e numa desnecessária construção de estádios para o Mundial. Algo que deve ser repetido aqui.

Ele responde às acusações de que as matérias da BBC, em novembro do ano passado e maio deste ano, só teriam saído porque a Inglaterra não foi escolhida para os Mundiais de 2018 e 2022, Jennings diz que trata do assunto de suborno para a escolha de sedes desde 2006.

Tour pelo Brasil e entrevista à Placar

Andrew Jennings pode ser considerado a principal figura contra nomes como João Havelange, Joseph Blatter e Ricardo Teixeira. Recentemente esteve no Brasil para participar de programas esportivos e dar autógrafos do seu livro.

A Placar dedicou em agosto uma página à entrevista com o homem que  está proibido de participar de entrevistas coletivas da Fifa desde 2003. Dentre as respostas, fica o incentivo por fazer jornalismo investigativo, cada vez mais perdido dentre a efemeridade da profissão. Como no “Caso Watergate”, ele afirma seguir o dinheiro, por achar mais interessante “as atividades de Blatter, suas maquinações diárias” que os resultados dos jogos.

Ele defende ainda que o futebol não precisa de nomes como Ricardo Teixeira ou até a própria Fifa, já que o esporte é feito por jogadores, clubes e árbitros, por mais que o principal evento dele seja dominado por esta entidade de direito privado.

Para ele, se a presidenta Dilma Rousseff tivesse a coragem de não atender aos pedidos de Teixeira e companhia, estaria prestando um imenso serviço como prova de como se combate a corrupção – mal sabe ele o quão este termo está imbricado nos setores político-eleitorais brasileiros. Além disso, “se o Brasil conseguisse se desvencilhar das regras da Fifa e fizesse as suas próprias, poderia nascer um novo modelo para Copas do Mundo”.

Por fim, ele disse que nunca é desagradável encontrar Blatter, pelo  contrário, é divertido ver alguém que diz que ele faz ficção, pois tem medo de ir à Justiça para processá-lo, pois teria que falar sobre as acusações.

Inimigos brasileiros

Na mídia brasileira, Ricardo Teixeira também tem seus inimigos. Mesmo que alguns por interesses outros, a briga pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro fez a Record disputar fortemente, através de matérias especialmente no Domingo Espetecular, o posto de inimiga número um dos homens fortes do futebol mundial.

Outros já estão a algum tempo tentado desmascarar o presidente da CBF, exemplos como Juca Kfouri, Jorge Kajuru, e José Luiz Datena, que chegou a dizer no programa do Gugu (Rede Record) que odeia Ricardo Teixeira. Além do pessoal da ESPN Brasil, dirigidos por José Trajano, que fizeram uma entrevista com Jennings no Bola da Vez.

Mas o caso mais marcante acabou sendo a opinião de Milton Leite, narrador do canal Sportv, que pertence às Organizações Globo.

O narrador escreveu em seu blog, entre outras coisas, que está mais do que na hora do Governo Federal fazer valer a sua posição de investidor maior do evento, Copa do Mundo, e frear o comportamento fora de propósito de quem está gerindo o maior evento esportivo que o país já sediou.

Para se preocupar?

Já comentamos aqui na Além das Quatro Linhas sobre a matéria do Jornal Nacional sobre acusações referentes a um amistoso do Brasil em 2008, em Brasília, que teria ocorrido por conta de mudança dos padrões de horários dos sábados e domingos.

Como resposta, a CBF passou, dentre outros jogos, a partida entre os até então líderes do Brasileirão, Corinthians X Flamengo, para a quinta-feira passada, no mesmo árduo horário das 21h50, impossibilitando a transmissão em TV aberta.

Em entrevista publicada na Revista Poder deste mês, que tem como matéria de capa o perfil de Joana Havelange, filha de Teixeira, neta de João Havelange e diretora executiva do Comitê Organizador Local da Copa, o ex-sogro defendeu o mérito de todos eles, sobrando críticas até para a Globo.

O homem que ficou 24 anos no comando da Fifa, onde “globalizou” o negócio futebol através de forte estratégias e “parcerias”, atacou a emissora diretamente ao dizer que: “Enquanto interessou à Globo, o Ricardo era um gênio. No dia que ele quis tomar uma medida que poderia ferir a emissora, ela volta-se contra ele”.

Nunca é demais lembrar que o motivo de tamanha revolta midiática contra R.T. não veio por conta das duas edições do Panorama, da BBC, mas sim pela entrevista à revista Piauí. Nela, Daniela Pinheiro tirou do mandatário da CBF o menosprezo à “mesma patota.  UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas m…”.

Não só as matérias com alguns dos seus supostos casos de corrupção se multiplicaram, a ponto de aparecerem com grande frequência, como até mesmo os torcedores se reuniram em frentes para protestar contra os gastos nas obras da Copa do Mundo. Vale lembrar do protesto coletivo das torcidas organizadas na última rodada do primeiro turno do Brasileirão.

Ainda assim, Ricardo Teixeira tem a emissora dos Marinho há anos como principal aliada, o que sempre fez o dono do futebol brasileiro achar estar acima do bem e do mal. O direito de sediar a Copa de 2014 fez Mister Teixeira “entrar em campo de salto alto”. A soberba pode custar caro. Só esperamos que não seja para o bolso dos contribuintes brasileiros…

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. A ligação umbilical da Globo com a bisca do Ricardo Teixeira

11, agosto, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

“…É visível a proteção da emissora para com Ricardo Teixeira, o próprio já admitiu publicamente que a sua única preocupação é não “aparecer no Jornal Nacional”. Ambos parecem terem ganhado um adversário que aos poucos tende a despertar do berço esplêndido. Alguns movimentos sociais, e uma crescente parcela da população nacional, começam a protestar contra a cartolagem e o futebol como negócio (e do tipo escuso), como a criação de uma Frente Nacional de Torcedores.

Que a Globo e o presidente da CBF são aliados há anos não chega a ser novidade, mas com a aproximação do maior evento esportivo do mundo ocorrendo no Brasil, a afinidade aumentou, ou pelo menos ficou mais exposta. A Rede Record nunca falou tão mal da CBF e com tantas pautas em seqüência como agora. A TV do “bispo” Macedo se soma aos já “tradicionais” críticos, como Lance!, Estadão, Juca Kfouri e Jorge Kajuru…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A Globo e a bisca do Ricardo Teixeira, unidos para sempre – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 8 de agosto  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Eles fazem a festa com o seu dinheiro

O pequeno hiato nesta coluna não fez com que esquecêssemos de comentar sobre a farra dos R$ 30 milhões de reais gastos no dia 30 de julho deste ano. A Marina da Glória, no Rio de Janeiro, foi sede do sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, o primeiro evento oficial da competição, e que já traz as perspectivas de futuro.

Cerca de duas mil pessoas estiverem presentes, entre atletas, ex- jogadores, técnicos e dirigentes. O governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, tiraram cerca de R$ 30 milhões de reais dos cofres públicos para a realização do evento. Em detrimento aos US$ 2 milhões gastos pela África do Sul há 4 anos. Que inflação! Ou, diante do espelho, algum ladino pode se perguntar num arroubo de sinceridade: quantas bocas para morderem o mesmo sanduíche!

A Rede Globo transmitiu toda a cerimônia, com direito a dois nomes de seu elenco apresentando – e, com Tadeu Schmidt, cometendo a garfe de trocar o nome de Ronaldo por Romário, novo desafeto de Ricardo Teixeira. Deve ser a norma do “baixinho”, porque sua excelência eleito pelos distritos simbólicos da Barra e da Penha, quando foi assinar ficha de filiação no PSB fluminense, confundiu a sigla com o PSDB, do ex-tucano Sérgio Cabral Filho!

Voltando à cerimônia, ou ao papelão inflacionado, a Band, parceira da nave mãe na transmissão televisiva de futebol parou para mostrar um jogo da Série B. Afinal, alguém poderia nos dizer quando se transmitiu sorteio de eliminatórias, ainda mais quando a da Conmebol é por pontos corridos e, além disso, o Brasil já está garantido enquanto sede da Copa?

Enfim, a Geo Eventos, empresa de eventos das Organizações Globo em sociedade com o Grupo RBS – com suas afiliadas do Plim-Plim em Santa Catarina e Rio Grande do Sul –, foi contratada em regime de exclusividade pelo Comitê Organizador Local (COL) para captar patrocinadores para a organização do evento. E, como se sabe, a mordida da cota das agências e captadoras de patrocínio gira na ordem de 20%. Legal essa equação. Mas, se a Globo e a Band compram direitos de transmissão, cabe a elas vender o “produto” (argh! Como dói dizer esse jargão neoliberal) e não ser contratadas pelo Comitê Organizador Local para vender o pacote do evento…..Depois os caras se enroscam e dizem não saberem porque!

Para provar nossa tese resumida acima, estranhamente, ou não quando se trata de Brasil, os dois únicos patrocinadores que a empresa de eventos fechou contrato foram a prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do Estado. Cada contrato, segundo os diários oficiais respectivos, custou R$ 15 milhões. Em troca… O que mesmo teve de resultados para a população do Rio?

Os absurdos não param por aí. O que vocês (leitores e leitoras aguerridos, do tipo corneteiro de cartola e crítico dos críticos jabazeiros) pensam de quatro horas de interrupção nas chegadas e partidas no Aeroporto Santos Dumont para não “atrapalhar” a transmissão midiática internacional? Afinal, o que é mais importante: atender às exigências de Blatter, Teixeira e cia. ou manter o, já problemático, sistema aéreo nacional na normalidade em pleno final de semana? Entidades privadas, “mister Teixeira”, consumindo dinheiro público e atrapalhando as pessoas.

Ah não, car@ leitor (a), isso não é ponto positivo. Quem sabe esse dinheiro todo tenha sido gasto para surpreender Joseph Blatter com um “Rio de Janeiro; a capital da Copa”, em meio às assinaturas para a construção do centro de imprensa na cidade, algo que não existiu em lugar algum. Velha “malandragem” brasileira, que tenta surpreender aos especialistas sênior neste quesito…
Precisa dizer que a promessa de nossos governantes de não usar dinheiro público vem descendo morros e ladeiras abaixo, com o primeiro evento oficial do Mundial de 2014 trazendo um exemplo primordial?

Socorro! Chamem o Andrew Jennings!!!

Rede Globo censura protesto

A Vênus Platinada evita ao máximo falar de Ricardo Teixeira – mas não no sentido da presidenta Dilma Rousseff, que até lugar separado pediu para não ter imagem ligada ao dono presidente da CBF. Tratado por funcionários da empresa como Doutor, ele foi alvo de inúmeros protestos via redes sociais. No dia do evento, houve protestos do lado de fora da Marina da Glória – após uma grande repercussão via Twitter e noticiosos da Campanha #foraricardoteixeira e derivadas.

Porém, os jornais televisivos da emissora fizeram breves comentários sobre o assunto. No seu site de notícias esportivas, as primeiras informações eram de que “apenas” 50 pessoas. Depois, acrescentou bem mais aos números, entretanto, “justificando” que houve acréscimo de manifestantes de outras áreas – que protestam contra o governador Sérgio Cabral Filho. Como se as lutas pudessem ser separadas…

É visível a proteção da emissora para com Ricardo Teixeira, o próprio já admitiu publicamente que a sua única preocupação é não “aparecer no Jornal Nacional”. Ambos parecem terem ganhado um adversário que aos poucos tende a despertar do berço esplêndido. Alguns movimentos sociais, e uma crescente parcela da população nacional, começam a protestar contra a cartolagem e o futebol como negócio (e do tipo escuso), como a criação de uma Frente Nacional de Torcedores.

Que a Globo e o presidente da CBF são aliados há anos não chega a ser novidade, mas com a aproximação do maior evento esportivo do mundo ocorrendo no Brasil, a afinidade aumentou, ou pelo menos ficou mais exposta. A Rede Record nunca falou tão mal da CBF e com tantas pautas em seqüência como agora. A TV do “bispo” Macedo se soma aos já “tradicionais” críticos, como Lance!, Estadão, Juca Kfouri e Jorge Kajuru.

“A experiência da Euro foi desastrosa”

Aproveitando de um contato com um comunicólogo com proximidade à política portuguesa, que trabalhou numa campanha de promoção da imagem da cidade do Porto, questionamos sobre o “saldo” da Euro 2004 – o campeonato europeu de seleções – para Portugal, anfitriã do evento. A resposta foi: “A experiência da Euro foi desastrosa”.

Segundo ele, foram desnecessariamente construídos dez estádios, em que só o de Lisboa, por conta do Benfica e do Sporting, e o da cidade do Porto, por conta do Porto, estão sendo bem utilizados. Cogita-se a hipótese de até implodir alguns estádios por conta do alto custo de manutenção. Obs: na África do Sul ocorre o mesmo.

Aproveitamos para lembrar que Portugal vive uma crise econômica (derivada de uma fraude financeira) de tanta proporção que o ex-primeiro-ministro antecipou as eleições para o seu substituto. Além disso, a Grécia também sente “falta” do dinheiro gasto com as Olimpíadas de 2004. Isso porque estamos falando de lugares em que, imagina-se, há um planejamento melhor que o nosso – por mais que tenham entrado na “onda” do mercado de derivativos, conduzida esta última pelo ex-braço direito financeiro do dono do Milan (Mario Draghi, ex-presidente da Banca d’Italia no governo de Silvio Bunga Bunga Berlusconi), que gerou a atual tsunami nos mercados capitalistas mundiais.

O que fazer com estádios em Brasília, Mato Grosso e Amazonas, cujas médias de público dos regionais representam cerca de 10% da capacidade desses monumentos? E em Recife, com cada clube tendo seu estádio – por mais gritante que seja a diferença entre o Arruda e os demais –, quem utilizará a Arena Recife?

Esta fonte de Portugal muito bem definiu tal situação: “a paixão do futebol faz com que os políticos cedam facilmente, mas na prática não há resultados já que o público que vai a uma Copa do Mundo é o que já consome os produtos daí derivados”. Apesar que, assim como quando discutimos e comparamos os mercados comunicacionais dos dois países, percebemos que a ex-colônia ainda tem mais justificativas que a simples “cessão à paixão pelo futebol”.

Uma dívida celeste

Esta coluna ainda deve uma análise e homenagem para a conquista da Copa América pela seleção da República Oriental do Uruguai e o ressuscitar de um futebol apesar de Paco Casal, Eugenio Figueredo, Juan Figger, Pablo Betancourt e companhia. Devemos essa homenagem e vai sair en buen castilla, criollo y villero.

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Grêmio Barueri, o time da terra dos ETs, o Cruzeiro de Porto Alegre e a venda de uma paixão

“…O caso mais emblemático é o paulista Grêmio Barueri. Pouco mais de um ano após  chegar a Presidente Prudente, o time foi novamente “vendido”, e voltou à cidade de origem.

O agora Grêmio Barueri Ltda foi fundado em 1989, mas só foi atuar profissionalmente em 2001, quando se passou a chamar Grêmio Recreativo Barueri. Até que em 2009, os dirigentes do time resolveram transformá-lo em clube-empresa – modelo que naufragou aos cartolas brasileiros no final da década de 1990, casos das parcerias Vitória S.A., com financiamento do Banco Excel Econômico (este vindo de uma incorporação de falência suspeitíssima do antigo Banco Econômico, sendo que o próprio Excel, fundado em 1990, depois é vendido para o BBVA; vale lembrar que três ex-diretores do Excel-Econômico foram condenados em 2006 pela Justiça Federal da Bahia por gestão temerária), que também ajudou o Corinthians que viria a ser bicampeão brasileiro em 1998/1999, Grêmio/ISL (esta é inesquecível para os gremistas, e as memórias são piores do que o mito da cobra cega e as ovelhinhas de Tite…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Barueri, time da terra dos ETs, Cruzeiro de Porto Alegre e a venda da paixão – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 27 de junho  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Eles vendem sua paixão!

Você já deve ter ouvido falar que um homem muda de casa, estado, país, partido político, religião e até mesmo de mulher, mas não de time de futebol. Você também não deve ter mudado de time, mesmo após derrotas doloridas, títulos perdidos e flautas dos rivais. Mas alguns times deixam seus torcedores, mudam de cidade. 

O caso mais emblemático é o paulista Grêmio Barueri. Pouco mais de um ano após  chegar a Presidente Prudente, o time foi novamente “vendido”, e voltou à cidade de origem.

O agora Grêmio Barueri Ltda foi fundado em 1989, mas só foi atuar profissionalmente em 2001, quando se passou a chamar Grêmio Recreativo Barueri. Até que em 2009, os dirigentes do time resolveram transformá-lo em clube-empresa – modelo que naufragou aos cartolas brasileiros no final da década de 1990, casos das parcerias Vitória S.A., com financiamento do Banco Excel Econômico (este vindo de uma incorporação de falência suspeitíssima do antigo Banco Econômico, sendo que o próprio Excel, fundado em 1990, depois é vendido para o BBVA; vale lembrar que três ex-diretores do Excel-Econômico foram condenados em 2006 pela Justiça Federal da Bahia por gestão temerária), que também ajudou o Corinthians que viria a ser bicampeão brasileiro em 1998/1999, Grêmio/ISL (esta é inesquecível para os gremistas, e as memórias são piores do que o mito da cobra cega e as ovelhinhas de Tite…)

Entretanto, a prefeitura disse que não investiria num bem privado, entendendo um clube esportivo como bem cultural coletivo. Enquanto empresa, não poderiam aproveitar o reformado estádio municipal da cidade que, para atender às demandas de um clube recém-chegado à Primeira Divisão nacional, foi transformado num dos melhores do país.

Restou à empresa mudar de cidade, distintivo e nome. Pois, como se sabe, o capital migra, não tem pátria e nem apego. Seria essa uma versão do futebolês para a vergonha da guerra fiscal entre os estados brasileiros? O Grêmio foi para Presidente Prudente, para jogar num dos mais antigos estádios de São Paulo – o mesmo Prudentão que o agora aposentado Ronaldo fez seu primeiro gol pelo Corinthians, no derby com o Palmeiras, em que “ajudou” a derrubar o alambrado na comemoração. No distintivo, o Grêmio Prudente destacava o nome Grêmio.

Como Prudente, o Grêmio teve vida curta, disputou somente dois campeonatos, as primeiras divisões do Paulista e do Brasileiro, sendo rebaixado em ambos. Os donos do clube resolveram negociar o retorno com o prefeito de Barueri, que pagou o valor da multa exigida pela Federação Paulista de Futebol, cerca de R$ 300 mil – que a FPF tende a aumentar o valor, dada a freqüência de trocas -, e trouxe o clube-empresa de volta para a cidade.

Dúvida cruel. Será que se alguém montasse uma “lavanderia heterodoxa” não seria ao menos algo mais honesto?

A moda segue na Série B

Outra cidade do interior paulista também tem desde o início do ano time de futebol no cenário nacional: o Americana Futebol LTDA. Os donos do Guaratinguetá pediram cerca de R$ 6 milhões para a prefeitura do município de mesmo nome para permanecer na cidade, mas o prefeito não conseguiu arrecadar o dinheiro junto à iniciativa privada. O clube-empresa resolveu mudar-se para Americana, onde disputou o Paulistão e está mandando os jogos da Série B nacional. Um dos destaques do time é o “artilheiro dos gols bonitos” Dodô.

Já em Minas Gerais, foi o Ituiutaba que mudou de cidade e de nome. Fundado em 1947, o clube mudou-se para a cidade de Varginha – aquela dos supostos Extra-Terrestres na década de 1990, devidamente “laudados” por Badan Palhares e cia., PC Farias que o diga -, no sul do estado mineiro. O agora Boa Vontade Esporte Clube se mudou por um motivo mais “nobre”. Segundo os dirigentes, o antigo estádio, a Fazendinha, não tem capacidade para dez mil pessoas, exigidas no Estatuto do Torcedor para competições nacionais, caso da Série B, em que o time realiza sua estréia em 2011.

Ah, não podemos jamais nos esquecer que o empresário (Grupo OK, sócio de Paulo Octávio, que era vice de Arruda e amigaço de Collor!) senador candango cassado Luiz Estevão (PMDB/DF) – uma proeza, por haver sido o primeiro na história da Nova República – figura como dono do Brasiliense F. C. (fundado no ano 2000) da cidade satélite de Taguatinga

Por aqui não é diferente

Um dos mais tradicionais clubes de Porto Alegre também ira mudar de sede. Com 97 anos de história, um título estadual da primeira divisão gaúcha, e três campeonatos citadinos, o Sport Clube Cruzeiro de Porto Alegre irá se mudar para Cachoeirinha, na região metropolitana, deixando órfãos seus torcedores e simpatizantes..

O presidente do “Cruzeirinho”, que foi às semifinais dos dois turnos do Gauchão deste ano, vendeu o estádio do Estrelão para uma construtora. A promessa é fazer um centro de treinamentos e uma arena com capacidade para 16 mil pessoas nos padrões FIFA, para candidatar-se à sub-sede gaúcha na Copa de 2014.  

E o torcedor como fica?

Que o futebol moderno virou um grande negócio, disso não temos dúvidas. Mas parece não haver limites. Cartolas só tornaram mais claro com as mudanças de sedes o caráter econômico desse bem cultural (sem limite de preço e valor!) tão importante para o brasileiro. Eles vendem estádios, criam dívidas impagáveis (haverá uma bolha inflacionada por empresários e investidores?!) e a paixão do torcedor é colocada de lado – vale lembrar que o Sport Club Internacional só terminou com o caixa azul no ano passado após a venda do histórico Estádio dos Eucaliptos (ué, e os aportes do Grupo Sonda?!).

Imagina se o Corinthians saísse de São Paulo? Mesmo que tenham torcida no país todo, a capital paulista é seu lugar de origem. Se Grêmio ou Internacional fossem embora da capital gaúcha, como ficaria a rivalidade?

Essa situação só piora no caso de cidades do interior como Barueri, Presidente Prudente, Guaratinguetá e Ituiutaba. Nesses locais não há times disputando os principais torneios do país, restando aos seus moradores torcerem pela televisão para os grandes clubes do estado.

Como seria se um presidente do Brasil de Pelotas, recém-eliminado da Segunda Divisão Gaúcha, mas que teve ao menos duas mil pessoas por jogo em casa, resolvesse contrariar a sua apaixonada torcida e mudasse para outra cidade, com melhores condições financeiras? É possível supor que a Baixada comandaria uma revolta popular pelotense, ressuscitando o espírito quilombola entre os descendentes dos sofridos escravos de saladeros?! Nós, daqui do outro lado do monitor, sinceramente esperamos que sim….

O futebol é mais dinheiro que paixão

No futebol podemos ver mais de perto, sentir algumas das contradições do capital: manter a paixão de torcedores que cresceram com o time jogando ao lado das suas casas ou trocar de sede por dinheiro líquido (mesmo que em base monetária imaterial) para garantir a existência no mercadológico mundo do esporte televisivo?

O caso do Cruzeiro gaúcho é emblemático. O time escolheu a segunda opção para sair da Porto Alegre Gre-Nal de forma a ser o único time de outra cidade, onde poderá garantir mais investimentos. E a prefeitura dessa cidade metropolitana, não estará o prefeito e seu séquito querendo apenas competir com o modelo do Cerâmica de Gravataí, município vizinho?

Cada vez mais se torna difícil um time surgir no cenário nacional se não tiver um bom aporte financeiro, seja através de sua “tradicional” utilização para fins político-partidários ou como time de futebol de uma empresa ou empresário. A paixão dos torcedores tradicionais nos pequenos centros socioeconômicos pode ficar restrita apenas à memória de quem viveu seus áureos tempos de glória.

Esta coluna através de seus articulistas, estão na peleia aberta a braba contra mais esse absurdo!

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Libertadores, vitória do Santos e o filho (que não sabe ganhar) do delegado paulista

“…Na noite desta quarta-feira terminou a 51ª edição da Taça Libertadores da América (chamada de Copa pelo banco espanhol que patrocina até o paletó do terno do Pelé), que pela 16ª vez ficou com um time brasileiro. Ao final da partida, Édson Arantes do Nascimento teve o seu dia de Pelé ao buscar o técnico santista Muricy Ramalho e levar até o meio de campo para ser ovacionado pela torcida do Peixe. Mas alguém reparou que o Édson estava com um terno vermelho conforme já indicamos no parêntesis acima?

O que representa a Taça Libertadores da América para os times sul-americanos? Muito. Comecemos pelo nome, o tradicional, que tanto serve para metaforicamente designar as partidas desse torneio, que por mais que não tenha o hino ou todo o “ritual” da européia Champions League, tem a raça e a garra demonstradas dentro de campo. O detalhe é que temos um grau elevado de latino-americanização dos clubes, com presença de jogadores do Cone Sul em times de todo o Continente. O Brasil, por exemplo, torna-se um “Eldorado” possível para los hermanos do sul do mundo…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Libertadores, vitória do Santos e o filho (que não sabe ganhar) do delegado – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 23 de junho  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Termina mais uma edição da Copa “Santander” Libertadores

Na noite desta quarta-feira terminou a 51ª edição da Taça Libertadores da América (chamada de Copa pelo banco espanhol que patrocina até o paletó do terno do Pelé), que pela 16ª vez ficou com um time brasileiro. Ao final da partida, Édson Arantes do Nascimento teve o seu dia de Pelé ao buscar o técnico santista Muricy Ramalho e levar até o meio de campo para ser ovacionado pela torcida do Peixe. Mas alguém reparou que o Édson estava com um terno vermelho conforme já indicamos no parêntesis acima?

O que representa a Taça Libertadores da América para os times sul-americanos? Muito. Comecemos pelo nome, o tradicional, que tanto serve para metaforicamente designar as partidas desse torneio, que por mais que não tenha o hino ou todo o “ritual” da européia Champions League, tem a raça e a garra demonstradas dentro de campo. O detalhe é que temos um grau elevado de latino-americanização dos clubes, com presença de jogadores do Cone Sul em times de todo o Continente. O Brasil, por exemplo, torna-se um “Eldorado” possível para los hermanos do sul do mundo.

Um pouco de história  

Comecemos por onde todo livro de História Geral pode contar. Em 1492 o genovês Cristóvão Colombo aportou na ilha que veio a ser denominada de San Salvador, onde hoje se localizam as Bahamas. O navegador que pôs o ovo em pé, aportou em terras estranhas tomando-as depois em nome dos Reis Católicos da Península Ibérica, súdito que era de Isabel de Castela. Anos mais tarde, seria a vez de Pedro Álvares Cabral, sob patrocínio do reino português, fazer o mesmo no atual território brasileiro.
Enquanto os Estados Unidos eram colonizados por britânicos, o Brasil era colonizado por Portugal – com alguma presença da França e da Holanda -, as demais regiões da América, com povos indígenas de desenvolvimento cultural superior, eram colonizadas por espanhóis. Mas o que isso tem a ver com a Libertadores?

Pois bem, o nome do torneio é uma homenagem às pessoas que lutaram contra a opressão espanhola no território, caso de Simon Bolívar, José Artigas, José de San Martín, Francisco de Miranda, Abreu e Lima, Antonio José de Sucre e tantos outros próceres (para aprofundar no tema, ver a seção Clássicos deste portal) que percorreram as Américas para libertar os seus moradores da opressão de Espanha através dos agentes dos Vice-Reinados. Ah, para variar, o Brasil ficou de fora desta epopéia, uma vez que aqui a solução foi um pacto de elites, transacionando a unidade territorial pela manutenção do escravagismo.

A história em campo e fora dele

51 edições depois a história, desta vez do futebol, reaparece no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo – o mesmo estádio que foi “excluído” da Copa de 1950 porque a torcida vaiou a seleção brasileira após empate contra a Suíça em 2 a 2 na segunda fase daquele mundial. De um lado o Santos, marcado pela “era Pelé”, com dois títulos da Libertadores e mundiais em 1962 e 1963. Do outro, o Peñarol, o clube com mais participações e primeiro campeão do torneio, e que repetiria o feito em outras quatro edições, a última em 1987.

Os dois times se enfrentaram na decisão de 1962 que, como a mídia tanto repetiu nos últimos dias, necessitou de três partidas para encerrar graças a uma garrafa jogada no árbitro da segunda partida, na Vila Belmiro, quando o Peñarol vencia por 3 a 2. O Santos empataria o jogo, o que lhe daria o título, já que venceu o primeiro jogo no Centenário por 2 a 1. Porém, só dias depois a Conmebol anularia o resultado e marcava a terceira partida para a Argentina, quando o Santos, com Pelé no time, venceria por 4 a 0.
A diferença primordial daquela partida, além dos jogadores, estrutura, transmissão televisiva, pode ser reparada também de forma metafórica com a alteração no nome do torneio: Copa Santander Libertadores e não mais a boa e velha pauleira da Taça Libertadores da América.

O principal torneio de futebol sul-americano, que homenageava os coirmãos que libertaram a América do julgo espanhol, tem na sua nomenclatura um dos maiores bancos do mundo, com sede na Espanha! Os libertadores são agora “lembrados” ao lado de um símbolo financeiro importante dos seus antigos colonizadores contra quem tanto lutaram. Ah, detalhe, sugiro que os leitores porcurem saber quem é Alfredo Saenz, conselheiro-delegado (alta hierarquia da holding do Grupo Santander, na posição de segundo vice-presidente) da administração do Banco e sua condenação no Tribunal Supremo de Espanha por mau uso de fundos e gestão perigosa quando estava à frente de outro banco, o Banesto.

Já não é de hoje que citamos esse fato – o do nome de “batismo” – repetindo a ladainha em outros textos da “Além das Quatro Linhas”, motivados pela ironia mercadológica dessa mudança. Mas no futebol midiatizado e com altas quantias de recursos financeiros em jogo, não é nenhuma novidade que o principal patrocinador do torneio passe a ter a sua marca colocada entre o nome do próprio. É assim que nasce mais um bebê de Rosemary. Negócios são negócios, e o futebol há muito tempo passou a ser um.

A própria Libertadores já foi Copa Toyota Libertadores (ui!), há a Copa Kia do Brasil (ai!), o Campeonato Brasileiro Petrobras (dói igual)… E para não ficar muito longe, o Gauchão Coca-Cola (uahhhh, essa é de lascar o couro do guasca, faz o taura virar pinto molhado em dia chuva em meados de julho!).

Santos “tricampeão” da Libertadores – ué, quando éramos crianças (parte de nós ao menos, ser tri era ganhar três campeonatos seguidos, correto?)

Na noite de 22 de junho, o confronto começou pegado, como todo bom jogo da Taça Libertadores da América, ainda mais em caso de decisão. Após 90 minutos de zero a zero no Uruguai, os primeiros 45 de São Paulo terminaram da mesma forma. O Santos dominava a posse de bola, quase 70% do tempo, mas pouco criou de efetivo. Já o Peñarol mostrou que se arriscaria nos contra-ataques, mas depois da metade da etapa pouco mostrou.

Logo no início do segundo tempo, o volante Arouca, que tanto errara passes no primeiro tempo, fez uma excelente jogada, desestabilizando totalmente a marcação uruguaia. Após tabela com Paulo Henrique Ganso, tocou para Neymar – que só havia aparecido no primeiro tempo para tirar com uma solada González, seu marcador, da partida – tocar no canto de Sebastián Sosa para marcar o seu sexto gol da competição.

A partir daí o Peñarol partiu para o ataque e abriu muitos espaços na defesa para contra-ataques santistas. O ritmo do jogo mudou de lado. Quando o segundo tempo estava pela metade, o lateral-direito Danilo, que mal subira ao ataque para ajudar na marcação, fez uma bela jogada na ponta-direita e chutou rasteiro. Santos 2 a 0, título garantido…

…não num jogo da Taça Libertadores da América. Aos 35 minutos, numa jogada sem qualquer perigo, o zagueiro Durval foi tentar interceptar cruzamento e a bola acabou entrando no gol. O Peñarol tentava, mas a marcação montada por Muricy Ramalho, seu grande trunfo no comando desse time do Santos, afastava qualquer perigo. Muito mais chances teve o time santista para aumentar o placar que o time uruguaio para empatar o jogo. Até que acabou – uma hora sempre acaba, a não ser quando alguém mela o campeonato…não dessa vez, a zona começou depois.

Fim de jogo e final de fardo. Pelé (de vermelho, assim como no ano passado no Beira Rio!) voltou a campo para “apresentar” Muricy à torcida. Acabava o “fardo” da “era Pelé”. O Santos 48 anos depois de sua geração, finalmente conseguia conquistar outro título sul-americano. Mas se até a Libertadores ganhou um codinome espanhol, o terno do Rei do Futebol indicava que ele também era patrocinado pelo banco. Poderíamos chamá-lo de Édson Santander Arantes?

Filho de Delegado invade campo e provoca confusão – ou a história de sempre, quando apenas um moleque metido a galo para imaginar que uma equipe charrua não iria descontar a raiva na derrota dando chutes voadores, vingando na trava da chuteira a derrota na bola….

A festa da vitória santista acabou sendo manchada. Uma briga generalizada tomou conta do gramado, jogadores e comissão técnica de ambas equipes entraram em confronto após o apito final do árbitro da partida. O pivô da briga foi o torcedor santista Eric Del Delbosque, 18 anos, filho do Delegado Osvaldo Nico Gonçalves, titular da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista.

Após serem provocados, os uruguaios partiram para cima do torcedor, o que causou revolta nos boleiros da baixada santista. Alguns jogadores do alvinegro praiano chegaram a declarar que time do Peñarol não sabia perder. Mas o filho do Delegado parece que não sabe ganhar. Ao invés de comemorar o título da Libertadores (de preferência fora de campo) fato que não ocorria há 49 anos, o “torcedor” resolveu provocar. Chama a atenção à demora da Polícia Militar, para entrar em campo e tentar controlar a situação. Ou será que a “briosa” PM de São Paulo – onde o mesmo Choque que policia os estádios operou na repressão da rebelião do Carandiru em 2 de outubro de 1992 – se recordou do embate Brigada Militar X Peñarol, durante a Supercopa de 1993, quando o elenco Manya Aurinegro peitou os brigadianos de chuteira em riste?!

As perguntas que ficam: Quem autorizou a entrada do filho do Delegado? Que punição o mesmo sofrerá?

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Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

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ALÉM DAS 4 LINHAS. A propina que Ricardo Teixeira devolveu e a privatização de uma paixão pública dos brasileiros

“…E olha que para este ser o tema da coluna desta semana teria que ser algo que afetasse o panorama futebolístico mundial. A edição de uma das revistas de maior circulação nacional, ao menos para leitores conservadores/reacionários, teve como matéria de capa o atraso nas obras para a construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014, sugerindo que no ritmo que estão indo só estarão prontos em 2038!

Neste interim, a entidade máxima do futebol descartou dois Estados como sedes da Copa das Confederações (2013): Rio Grande do Norte, em que mais uma licitação não teve construtoras interessadas em fazer a Arena das Dunas; e São Paulo. Caro(a) leitor(a), a cidade de maior PIB do país, uma das maiores do mundo, com o maior estádio particular do Brasil caminha firmemente para, no mínimo, ser coadjuvante de um dos maiores eventos do planeta sendo realizado em terras tupiniquins.

Porém, por mais problemáticos e argumentativos que tais fatos sejam, o assunto não pode ser outro. Segundo o programa televisivo Panorama, da britânica BBC, exibido no dia 23, o ex-presidente da CBF e da Fifa João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-genro e atual monarca da entidade brasileira de futebol, tiveram que devolver dinheiro de propina como punição da justiça suíça…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A propina que Teixeira devolveu e a privatização de uma paixão pública – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 30 de maio  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Justiça obriga dirigentes brasileiros de futebol a devolverem dinheiro de propina!

Para quem lê o título deste texto, e talvez não tenha visto as matérias sobre o assunto ao longo da semana, deve achar que tem algo estranho: “no Brasil, após julgamento de atos de corrupção estão punindo as pessoas envolvidas e ainda tendo elas que devolver todo o dinheiro?”. Desculpa pela efêmera esperança, apesar de os dirigentes serem brasileiros, a justiça citada é a suíça, local que detém mais de 60 sedes de federações esportivas do mundo por conta de baixa tarifação fiscal.

E olha que para este ser o tema da coluna desta semana teria que ser algo que afetasse o panorama futebolístico mundial. A edição de uma das revistas de maior circulação nacional, ao menos para leitores conservadores/reacionários, teve como matéria de capa o atraso nas obras para a construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014, sugerindo que no ritmo que estão indo só estarão prontos em 2038!

Neste interim, a entidade máxima do futebol descartou dois Estados como sedes da Copa das Confederações (2013): Rio Grande do Norte, em que mais uma licitação não teve construtoras interessadas em fazer a Arena das Dunas; e São Paulo. Caro(a) leitor(a), a cidade de maior PIB do país, uma das maiores do mundo, com o maior estádio particular do Brasil caminha firmemente para, no mínimo, ser coadjuvante de um dos maiores eventos do planeta sendo realizado em terras tupiniquins.

Porém, por mais problemáticos e argumentativos que tais fatos sejam, o assunto não pode ser outro. Segundo o programa televisivo Panorama, da britânica BBC, exibido no dia 23, o ex-presidente da CBF e da Fifa João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-genro e atual monarca da entidade brasileira de futebol, tiveram que devolver dinheiro de propina como punição da justiça suíça.

O repórter Andrew Jennings já havia feito a denúncia no mesmo programa em novembro do ano passado: membros do Comitê Executivo da Fifa teriam recebido propinas numa somatória de mais de US$ 100 milhões na década de 1990, através da empresa de marketing esportivo ISL, que repassava o dinheiro e que faliu em 2001. A justiça suíça quis saber como uma empresa que gerenciava os direitos de transmissão (em todas as plataformas tecnológicas) da Copa do Mundo, que gira em torno de bilhões de dólares, pode falir?

O propinoduto do futebol mundial

Agora podemos ter uma ideia e, provavelmente, Joseph Blatter, atual presidente da Fifa e braço-direito de Havelange em boa parte de suas quase três décadas no comando da entidade, também tenha. Afinal, um dinheiro “desconhecido”, no valor de 1 milhão de francos suíços (quase R$ 2 milhões), apareceu na conta da entidade em 1998 por “engano”, pois seria endereçado à conta do brasileiro, então presidente.

Talvez até mesmo o Brasil sabia. Quem não se lembra da “CPI do Futebol”, em 2001, que teve como convidados a depor Ricardo Teixeira, Vanderlei Luxemburgo e, por alguns deputados por conta da final da Copa de 1998, até mesmo Ronaldo “Fenômeno” – este último liberado?

A Comissão Parlamentar de Inquérito, que teve como presidente o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), queria saber de onde vieram os R$ 2,9 milhões que apareceram na conta da empresa de fachada Sanud, de Ricardo Teixeira, entre 1996 e 1997. Aliás, segundo as informações da BBC, valor bem menor que os US$ 9,5 milhões que a empresa teria recebido entre 1992 a 1997 por “contratos de marketing”.

A BBC não faz a denúncia à toa. A emissora pública britânica segue a “revolta” gerada no Reino Unido com a escolha de Rússia e Catar como sedes das Copas de 2018 e 2022, em detrimento ao país em que o futebol foi organizado em regras e que, inclusive, terá Londres como sede dos próximos Jogos Olímpicos de verão.

Numa audiência convocada pelo Parlamento local (!), o ex-presidente da Federação Inglesa  David Triesman havia dito que a única hipótese era que dirigentes do Comitê Executivo teriam recebido dinheiro. Ele chega a denunciar que teria sido convidado por Ricardo Teixeira a dar seu lance. Nicolas Leóz (presidente da Conmebol) e Issa Hayatou (presidente da Confederação Africana de Futebol) também teriam participado do processo.

A disputa pela entidade no meio disso tudo

Na verdade nem a Fifa nem a justiça suíça anunciaram quem são os dois nomes do Comitê Executivo que tiveram de devolver 5,5 milhões de francos suíços, equivalentes a cerca de R$ 10 milhões, que deveriam ser usados na ISL. Um repórter suíço conseguiu a autorização para que a justiça do seu país lhe informasse quem são, mas a entidade do futebol já se mobiliza para evitar que isso ocorra.

Vale lembrar que nesta semana (1º de junho) há a eleição para presidente da entidade e que neste ano voltamos a ter dois candidatos na disputa, o que justifica a tentativa de Blatter, candidato a reeleição, a empurrar o anúncio para depois de junho. Fica implícito (ou explícito?) que ele deveria saber que esse tipo de coisa ocorria, dada a importância dos nomes. Além de, ironicamente, sua campanha ter como eixo o combate à corrupção no futebol.

A Federação abriu um processo administrativo em seu conselho de ética para investigar o caso e as pessoas envolvidas, inclusive o seu presidente. Mas se engana quem acha que isso possa sinalizar algo positivo. A iniciativa de investigar só veio porque o candidato adversário, Mohamed bin Hamman, presidente da Confederação Asiática de Futebol, já estava sendo investigado por conta de denúncia de que teria organizado um congresso da entidade em Trinidad e Tobago, cujo valor recebido por delegados não teve objeção quanto possível ilegalidade por parte de Blatter.

Ainda assim, neste domingo, a entidade anunciou o resultado das investigações do conselho de ética. Bin Hamman, que renunciou à candidatura já no sábado, e o presidente da Concacaf (Confederação das Américas Central, Caribe e do Norte) Jack Warner, foram suspensos temporariamente de qualquer atividade relacionada ao futebol. Eles teriam oferecido US$ 40 mil a cada um dos 25 dirigentes da Concacaf; dois desses dirigentes também foram inocentados.

Já Joseph Blatter caminha sem oposição para mais uma gestão à frente da Fifa, em que foi inocentado da acusação de omissão. Ricardo Teixeira também foi inocentado das denúncias de corrupção no caso da escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022 por “falta de provas”.

A privatização de uma paixão pública

Como diz Eduardo Galeano em seu Futebol ao sol e à sombra, os dirigentes do futebol se aproveitam da paixão dos torcedores para ganharem o quanto podem em cima do esporte. Entendido como um bem cultural importantíssimo para o mundo, o “cuju” praticado pelos chineses séculos antes de Cristo transformou-se num bem econômico tão importante quanto o amor ao esporte, em que as organizações capitalistas que o administram não se sentem na obrigação de divulgar publicamente seus balanços financeiros por serem empresas.

O nosso caso parece ser ainda pior. Enquanto na Suíça cogitou-se a hipótese de intervenção na Fifa, no Brasil, Ricardo Teixeira já se garantiu no comando da CBF – e de seus onze patrocínios – até, ao menos, a Copa de 2014. Quando questionado se poderia reabrir a Comissão Parlamentar de Inquérito, o senador Álvaro Dias disse apenas que iria pedir algumas informações ao Banco Central.

Este é o país do caixa dois nas campanhas eleitorais, das barganhas políticas, do propinoduto, das obras atrasadas e superfaturadas, mas também é o país do futebol, este “esporte do povo” que não é do povo.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

NOTA DO EDITOR: o artigo foi escrito antes da eleição na FIFA. Que, no entanto, não muda o conteúdo, de vez que, candidato único, Blatter foi reeleito na presidência da entidade mundial do futebol.

ALÉM DAS 4 LINHAS. As agruras do deputado-cartola que preside o Grêmio e a tal janela da CBF

“…Mas um dia a máscara iria cair. Odone não cumpriu o prometido, além dos fracassos do time em campo, fora das quatro linhas não é diferente. O mandatário tricolor fez o clube pagar o “mico” do ano no caso Ronaldinho, com quem negociou durante mais de 40 dias, e chegou a garantir sua contratação com direito a caixas de som no gramado do Olímpico. Deu a cara na mídia, expôs-se publicamente e tentara capitalizar em cima do retorno de quem saíra do clube brigado com a direção. Não deu certo.

A reação vem aos poucos, e nem sempre da forma mais adequada. No twitter e em redes sociais de tricolores rio-grandenses, a ira contra o dublê de cartola e deputado (Como será que ele faz? Como é possível dar triplo ou duplo expediente? Quem conhece a lida da política sabe que é impraticável, mas….)…

… O Brasileirão mal começou, e já voltou o assunto da “maldita” janela de transferências de jogadores que vem do exterior. É incompreensível que a mesma só abra em agosto. Todos os anos é aquele jogo de bastidores tentando a antecipação das inscrições dos jogadores contratados. No final da história, a CBF as antecipa, e o Imperador Teixeira fica com crédito junto aos dirigentes dos clubes. Depois, parodiando a interpretação de Marlon Brando na obra de Mario Puzzo reinterpretada para o…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

As agruras do cartola-deputado que preside o Grêmio. Ah, e a janela – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 23 de maio  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Um dia a máscara iria cair – ou as desventuras da politicagem futeboleira na Província do Eucalipto dominada pela Jabalândia

Pelos lados da Azenha, as coisas não vão bem. O novo início da gestão presidencial do senhor Paulo Odone de Araújo Ribeiro, vai de mal a pior. Os resultados dentro de campo não chegam a ser surpreendentes. O elenco fraco e modesto, não atingiu bons resultados, perdeu o estadual para o rival Internacional (nos pênaltis, é verdade), e a Copa SANTANDER Libertadores para o Universidad Católica (obs. outrora um dos berços do neoliberalismo latino-americano através de convênios junto a Escola de Economia de Chicago, daí o termo de Chicago Boys) nas oitavas de final. Obs nervoso: Ai como dá urticária ver um nome de banco associando-se com a paixão do Continente, que traz no nome uma homenagem aos “Libertadores” de uma América então ainda dominada por espanhóis endividados…como diziam os chilenos, “eso es cosa de Juan y Pueblo, no de patrícios”.

Voltando apenas à bola (ôps, mas está cheio de deputado, economista da FEE e da Fazenda Gaúcha metido a CEO e o escambau nos vestiários), quando oposição, Paulo Odone tinha um discurso inflamado. O motivador mexeu com a paixão do torcedor gremista. Evocando a “imortalidade eterna”, alimentou os fantasmas da Batalha dos Aflitos e ia se dando bem. Foi eleito presidente do clube pela terceira vez no final de 2010, através do conselho deliberativo, já que no estatuto do clube consta uma cláusula de barreira que obriga um os candidatos a atingirem o mínimo de 30% dos votos, para irem para um segundo turno. Nas urnas, depois que eméritos e beneméritos conselheiros reduzem as margens de manobra, é onde o sócio-torcedor pode votar. Odone eleito pela massa que lota o Olímpico, prometeu fazer o Grêmio voltar a ser vencedor.

Mas um dia a máscara iria cair. Odone não cumpriu o prometido, além dos fracassos do time em campo, fora das quatro linhas não é diferente. O mandatário tricolor fez o clube pagar o “mico” do ano no caso Ronaldinho, com quem negociou durante mais de 40 dias, e chegou a garantir sua contratação com direito a caixas de som no gramado do Olímpico. Deu a cara na mídia, expôs-se publicamente e tentara capitalizar em cima do retorno de quem saíra do clube brigado com a direção. Não deu certo.

A reação vem aos poucos, e nem sempre da forma mais adequada. No twitter e em redes sociais de tricolores rio-grandenses, a ira contra o dublê de cartola e deputado (Como será que ele faz? Como é possível dar triplo ou duplo expediente? Quem conhece a lida da política sabe que é impraticável, mas….) o torcedor gremista sente que foi usado pelo presidente para promover-se publicamente. O castelo de cartas cai quando a massa se inflama, e muitas vezes de forma equivocada. No primeiro protesto contra a direção a tensão leva a Brigada Militar a “baixar a porrada” e esta – o Corpo Auxiliar de Polícia Imperial, anti-farrapa -  como de costume, repudia qualquer manifestação popular. O cacete cantou, a borracha queimou e a relação umbilical cartola e torcida estremeceu.

Odone precisa mais da massa de “alma castelhana” do que a torcida dele necessita. Deputado estadual reeleito em 2010 e presidente do PPS em Porto Alegre (obs ansioso: é verdade gente, Odone pertenceria a uma legenda “socialista”…ai São Sepé, que  tempos vivemos!) parece ser mais um que aproveita os status de presidente de um grande clube para ter sucesso na carreira política. Pena que não é o único.

Torcedor tem que deixar a visão da política corriqueira de lado, reforçando aquele pensamento tacanho de que: “enquanto o sujeito estiver nos beneficiando não importam os meios para isso”. Afinal, como podemos ver em vários casos (alguém ainda lembra do Eurico Miranda?), os fins que aparecerão em poucos anos costumam ser bem melhores para o cartola e/ou político que para os torcedores/eleitores.

Esta coluna e este portal manifestam-se contra a cartolagem politiqueira no futebol e entende ser necessário um veto onde políticos no exercício do mandato ou candidatos a estes postos no Executivo e no Legislativo não poderiam acumular funções dirigindo clube de futebol profissional. Mas, será que alguém na CBF ou no moribundo Clube dos 13 vai dar bola para isso?!

De novo a tal da janela

O Brasileirão mal começou, e já voltou o assunto da “maldita” janela de transferências de jogadores que vem do exterior. É incompreensível que a mesma só abra em agosto. Todos os anos é aquele jogo de bastidores tentando a antecipação das inscrições dos jogadores contratados. No final da história, a CBF as antecipa, e o Imperador Teixeira fica com crédito junto aos dirigentes dos clubes. Depois, parodiando a interpretação de Marlon Brando na obra de Mario Puzzo reinterpretada para o cinema através do diretor Francis Ford Coppola, “ele irá pedir um favorzinho em troca”.

Só para lembrar, o Corinthians está repatriando vários jogadores, depois de o Andrés Sánchez ter dito em alto e bom tom que é amigo do Ricardo Teixeira e da Globo “apesar de gângster”, não temos dúvida a janela será aberta ainda em junho. É fato inegável, o futebol ganha devido à capacidade destes atletas que estão voltando, mas não precisava ser assim.

Esta é a triste sina do modus vivendi de nosso futebol. O “jeitinho” brasileiro que fará uma edição da Copa do Mundo, mas que ninguém sabe de que forma.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas 

ALÉM DAS 4 LINHAS. O quê?!?! Presidente do Corinthians diz ser um “gângster”? Mas é uma baaarbaridade!!!

“…Vale lembrar. No dia 03 de maio do corrente ano da graça, o presidente da segunda maior nação futebolística brasileira disse em alto e bom som: “Sou amigo do Ricardo Texeira, sou amigo da Globo mesmo, apesar de ser gângster!”. Perfeito, simples e direto, apesar do erro de concordância perfeitamente tolerável fora da norma culta da língua.

Parabéns Andrés Sánchez, este portal espera que daqui para frente, todos os cartolas do país falem realmente o que pensam e explicitem em suas intervenções públicas as reais relações de força a manipular o desgoverno sobre a maior paixão esportiva dos 200 milhões de brasileiros.”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana – que traz também avaliação de nova denúncia contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Nova denúncia contra Ricardo Teixeira. E o “gângster” Sánchez – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 16 de maio  de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Mais um escândalo do imperador

Na semana passada ocorreu mais uma denuncia de escândalo envolvendo o imperador. Não estamos aqui falando do centroavante Adriano, cujos gols lhe renderam tal apelido. Mas sim de Ricardo Teixeira, amo e senhor do futebol brasileiro. Perdemos as contas de quantas vezes já teve seu nome envolvido escândalos “supostamente” ligados a corrupção. Juca Kfouri que o diga!

O ex-presidente da Associação Inglesa de Futebol, David Triesman acusou quatro presidentes de federações, entre eles Ricardo Teixeira, de exigirem propina  para votar na Inglaterra como sede da copa de 2018. Segundo o dirigente Inglês, ao pedir apoio a Teixeira, o mandatário da CBF teria perguntado o que ganharia em troca, para votar na Inglaterra.

Triesman disse que não contou o fato antes, porque ninguém iria acreditar, mas como foi aberto um inquérito pelo governo britânico para saber o porquê perderam a disputa, resolveu falar agora. Estranhamente a Inglaterra ganhou apenas dois votos, dos vinte e dois possíveis, e perdeu a chance de sediar o mundial. O milionário presidente da CBF nega as acusações e promete processar David Triesman. Como era de se esperar, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, disse desconhecer o assunto. Ou será que Blatter acha isso normal? Pois estes são todos da mesma “laia”.

Só para não deixar passar em branco, outro nome dos citados é o Sr Nicolás Leoz Almirón, presidente da Conmebol, o mesmo que vendeu a maior competição da América do sul a um banco espanhol, e por alguns milhões de dólares aceitou a participação dos clubes mexicanos. Vale lembrar que este cartola foi vice da Confederação Sul-Americana entre 1972 e 1974 e após de 1980 a 1986. Deste último ano até o presente momento, Leoz segue a tradição do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, longevo no poder de seu país como boneco ventríloquo e satélite do Brasil e dos EUA, governando para benefício próprio o Paraguai de 1954 a 1989 – quando perde o poder em função de disputa dentro de cartéis de contrabando.

É nas mãos (patas seria, se não fosse ofensa contra os quadrúpedes) que está o futebol mundial, e da trincheira do lado de cá estão os justos e não os adesistas de plantão. Mas, não percamos as esperanças, quando um destes “cair” levaram todos juntos, temos certeza. Há de chegar o dia que citaremos neste espaço o Sr° Teixeira como um ex-presidente.

Precisava ser assim?

No final de semana de 14 e 15 de maio, chegaram ao fim os principais campeonatos estaduais. Depois de quatro meses finalmente conhecemos os campeões. Com exceção do carioca que acabou no primeiro dia deste mês, já que o Flamengo venceu os dois turnos e não foi preciso disputar afinal, os outros todos terminaram neste domingo.

No início dos estaduais, os clubes ditos “grandes” desprezaram a competição. Mas com os fracassos na Santander Libertadores e na Copa Kia do Brasil (mais essa!), os estaduais que por aqui já foi apelidado de “ruralito”, “cafezinho” entre outros, viraram tema de Copa do Mundo.

Tem time que precisava perder as competições consideradas prioridade, para valorizar o campeonato estadual? Isso é reflexo de uma falta de modéstia e perspectiva. Alguns clubes de uns anos para cá, criaram uma “mania” de grandeza excessiva que acabou virando soberba.

Parabéns ao Santos, que pode não ganhar a Copa Libertadores (embora já  esteja na semi-final), mas valorizou o Paulistão e sagrou-se campeão. Os outros caíram do “cavalo”, e apenas amenizaram o “fiasco” que proporcionaram nas competições que julgavam as mais importantes do ano. 

Parabéns a Andrés Navarro Sánchez  

O presidente do S.C. Corinthians Paulista pode ter inaugurado uma nova era para a cartolagem nervosa do futebol brasileiro. Em reunião no moribundo Clube dos 13, entidade dividida e estilhaçada por ingerência do Imperador Teixeira e da Nave Mãe Platinada da Famiglia Marinho, Andrés disse o que pensa em alto e bom som. Depois tentou desmentir, mas não deu. O furo na internet saiu do incansável Juca Kfouri, foi replicado por Paulo Henrique Amorim e daí ganhou a rede circulando no Brasil. Nós, modestamente, replicamos na coluna radiofônica do JT RS e também no brioso Periscópio da Mídia na Unisinos FM.

Vale lembrar. No dia 03 de maio do corrente ano da graça, o presidente da segunda maior nação futebolística brasileira disse em alto e bom som: “Sou amigo do Ricardo Texeira, sou amigo da Globo mesmo, apesar de ser gângster!”. Perfeito, simples e direto, apesar do erro de concordância perfeitamente tolerável fora da norma culta da língua.

Parabéns Andrés Sánchez, este portal espera que daqui para frente, todos os cartolas do país falem realmente o que pensam e explicitem em suas intervenções públicas as reais relações de força a manipular o desgoverno sobre a maior paixão esportiva dos 200 milhões de brasileiros.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Ronaldo Nazário, esse, definitivamente, não dá ponto sem nó

“…No final de 2010 o fenômeno criou a 9ine em parceria com a WPP (uma das maiores empresas de marketing do mundo). Atualmente no Brasil, gerencia a carreira de atletas como Anderson Silva (MMA, único campeão invicto do UFC), Falcão (futsal), e, como muito se especulou entre jornalistas do ramo, o “Fenômeno” estaria em negociação com o meio de campo Paulo Henrique Ganso, do Santos (sabe-se lá até quando…).

Com Anderson Silva, veio uma amostra dos primeiros resultados. A 9nine conseguiu com a marca Bozzano um patrocínio para a luta contra o também brasileiro Vítor Belfort de aproximadamente R$ 170 mil reais. Trata-se de quantia considerável por dois fatores. Primeiro, o contrato da luta é assinado de três a quatro meses antes do evento, e até o momento de subir no octógono, só é possível vender a expectativa do confronto. Outro fator é a paixão do brasileiro por televisão e o acompanhamento de grandes espetáculos esportivos. Com o…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Ronaldo Nazário, o que não dá ponto sem nó – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 25 de abril de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

9nine e WPP

Este não dá ponto sem nó! Ou então, como diz o povo da velha guarda, “esse dá nó em pingo de éter!” É o que podemos usar para definir a nova carreira promissora do agora empresário Ronaldo Nazário de Lima. Antes mesmo de anunciar sua aposentadoria dos campos de futebol (fato ocorrido meteoricamente no inicio deste ano) o R-9 já havia planejado tudo. No final de 2010 o fenômeno criou a 9ine em parceria com a WPP (uma das maiores empresas de marketing do mundo). Atualmente no Brasil, gerencia a carreira de atletas como Anderson Silva (MMA, único campeão invicto do UFC), Falcão (futsal), e, como muito se especulou entre jornalistas do ramo, o “Fenômeno” estaria em negociação com o meio de campo Paulo Henrique Ganso, do Santos (sabe-se lá até quando…).

Com Anderson Silva, veio uma amostra dos primeiros resultados. A 9nine conseguiu com a marca Bozzano um patrocínio para a luta contra o também brasileiro Vítor Belfort de aproximadamente R$ 170 mil reais. Trata-se de quantia considerável por dois fatores. Primeiro, o contrato da luta é assinado de três a quatro meses antes do evento, e até o momento de subir no octógono, só é possível vender a expectativa do confronto. Outro fator é a paixão do brasileiro por televisão e o acompanhamento de grandes espetáculos esportivos. Com o evento de MMA é ao contrário, pois o UFC não passa ao vivo em TV aberta no Brasil e nem em canais por assinatura, apenas no pay per view! Impressiona o talento de Ronaldo para conseguir recursos e associar novos valores à sua marca pessoal e agora empresarial. O lance parece mais uma jogada fenomenal do ex-atacante corintiano, para deleite do esporte negócio e adjacências. Este que tanto dinheiro ganhou nos campos, ruma para um caminho muito parecido fora dele. Trata-se de um gênio, basta o leitor julgar se do bem ou do mal.

Sempre vale tentar   

A Copa “Santander” Libertadores 2011 (obs: perdoem-nos a chatice, mas dá um ódio ver o torneio do Continente recebendo a marca de um banco, ah isso dá!), parecia perdida para o Fluminense. Após Muricy Ramalho ter abandonado o atual campeão brasileiro na lanterna do grupo 3, o clube das Laranjeiras foi buscar um técnico interino para assumir o comando da equipe. A aposta deu certo. Éderson Moreira, vítima da reestruturação gerencial de Aod Cunha, foi demitido do Internacional “B” de Porto Alegre. Seguindo a sina dos interinos, Moreira foi para o tricolor carioca no tipo contratação “tapa buraco”. A missão era treinar o pó de arroz até a chegada do renomado Abel Braga, que ocorrerá somente em maio, já para a disputa do Brasileirão 2011. Mas Éderson surpreendeu, foi à Argentina e venceu o Argentinos Juniors por dois gols de diferença e classificando o Flu para as oitavas de final do torneio mais cobiçado da América do Sul.

Essa vitória quebra alguns mitos e reforça outros. O grande time do Fluminense necessita realmente de um técnico de renome? O clube pó de arroz bem que poderia investir em Éderson Moreira, e largar essa dança das cadeiras a girar sempre em torno dos mesmos nomes. É síndrome da mesmice nas contratações ou os nomes no topo da lista para “professor” de boleiro também carregam consigo alguns nomezinhos para levar ao saldão de balanço de final de meia temporada a cada troca de comando? Será por isso o motivo dos clubes grandes, e seus respectivos investidores, terminarem por de fato proibir o surgimento de um novo nome? Na mentalidade da cartolagem agora com jargão de gerente de banco, somente altos salários parecem comprovar talento aos clubes. Se em campo surgem jovens talentos, porque fora das quatro linhas não apostar em um jovem técnico?

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

EM TEMPO: esta coluna foi redigida ANTES do jogo Grêmio 1 x 2 União Espanhola. Por isso, nada foi comentado a respeito.

ALÉM DAS 4 LINHAS. Jogada de Ganso fora de campo. Nada genial, mas muito rendosa

“…Voltando ao caso do Ganso, após seis meses de afastamento dos gramados devido a uma grave lesão no joelho, o jogador resolveu que quer (ou parece querer) deixar o alvinegro praiano. Mas a pendenga é grande. O que esperar de uma negociação envolvendo o Grupo DIS, Andrés Sánchez e agora o novo empresário Ronaldo (9INE)? Ganso está disposto a trocar de clube e ficar no mesmo estado por alguns poucos meses. Especula-se que o chamado “poderoso Timão” seria usado como “barriga de aluguel”, com o consentimento de Andrés Sánchez e Ronaldo, para uma futura venda para a Europa. Nesta operação, cada parte leva a sua polpuda porcentagem e encerra-se de maneira triste a curta carreira de Paulo Henrique, o Ganso, no Brasil. Vale destacar que a multa rescisória para clubes nacionais é de cerca de R$ 59,4 milhões, valor bem distante dos cerca de R$ 102,8 milhões para clubes de fora do país.

O ainda jogador santista tem contrato até fevereiro de 2015. O Corinthians deve contar com a ajuda de um investidor (provavelmente anônimo – ué, isso pode?! Será a volta dos armênios iranianos, georgianos exilados em Londres para…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A jogada de Ganso. E a brincadeirinha de Blatter – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 18 de abril de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Aprendeu rápido

Como diz o velho ditado, o que não presta aprende-se rápido. É o que parece ter acontecido com Paulo Henrique Ganso. O jogador resolveu entrar em litígio com o Santos, criando situações constrangedoras e já entrando voluntariamente na rede de arrasto da empresa de “consultoria” de Ronaldo Nazário. A mais nova invenção do “Fenômeno” entra como um rolo compressor, associada na gigante transnacional de marketing esportivo e adjacências, a WPP (voltaremos a este tema em particular em edições posteriores da coluna).

Voltando ao caso do Ganso, após seis meses de afastamento dos gramados devido a uma grave lesão no joelho, o jogador resolveu que quer (ou parece querer) deixar o alvinegro praiano. Mas a pendenga é grande. O que esperar de uma negociação envolvendo o Grupo DIS, Andrés Sánchez e agora o novo empresário Ronaldo (9INE)? Ganso está disposto a trocar de clube e ficar no mesmo estado por alguns poucos meses. Especula-se que o chamado “poderoso Timão” seria usado como “barriga de aluguel”, com o consentimento de Andrés Sánchez e Ronaldo, para uma futura venda para a Europa. Nesta operação, cada parte leva a sua polpuda porcentagem e encerra-se de maneira triste a curta carreira de Paulo Henrique, o Ganso, no Brasil. Vale destacar que a multa rescisória para clubes nacionais é de cerca de R$ 59,4 milhões, valor bem distante dos cerca de R$ 102,8 milhões para clubes de fora do país.

O ainda jogador santista tem contrato até fevereiro de 2015. O Corinthians deve contar com a ajuda de um investidor (provavelmente anônimo – ué, isso pode?! Será a volta dos armênios iranianos, georgianos exilados em Londres para pagar pouco imposto?!) para pagar os cerca de 6 milhões de Euros. Isso garantiria o lucro em uma futura transferência para a Europa. O restante da multa seria pago pelo próprio DIS, e o futuro novo clube do atleta.

Para acabar a manobra, P.H. Ganso acionaria a Justiça do Trabalho para depositar somente a parte que cabe ao Santos (R$26,7 milhões) abrindo mão dos seus direitos. A genialidade de campo parece haver fora dele também. Aprendeu rápido esse novo drible o Sr. Paulo Henrique Ganso.

O Sr Blater só pode estar de brincadeira

Cerca de duas semanas após ter feito duras críticas as obras de estrutura para a Copa de 2014, o presidente da FIFA Joseph Blater, por algum motivo voltou atrás. O “poderoso chefão” do futebol mundial só pode estar de brincadeira. O que mudou de duas semanas para cá? Em um estudo feito esta semana, aponta que 10 dos 13 aeroportos com investimentos previstos para a Copa estão operando acima da capacidade. Oito deles devem estar prontos somente em 2018. O ministro dos esportes Orlando Silva disse que ninguém está mais preocupado com a Copa do que o Brasil. Quem tem que temer é o povo, porque no final da história surgirá uma operação “tapa buracos” e o custo vai triplicar. E, como não podia deixar de ser, o fantasma do buraco sem fundo do Panamericano ainda está presente.

O Sr. Blater deve estar realmente brincando. Afinal nada mudou, não temos um estádio pronto, o transporte tanto terrestre quanto aéreo continua um caos. Mas não há com o que nos preocuparmos, a Copa vai sair independente de quem irá pagar.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. A chegada de Damião, o matador, e o horror da grama sintética

“…O centroavante mostra ser do ramo, tem ótimo posicionamento, e é um baita cabeceador, algo raro no futebol brasileiro nos dias de hoje. O atleta colorado que já criou polêmica ao provocar o rival Grêmio após um gol, (isso parece crime no futebol) vive seus dias de glória. Ao torcedor colorado, uma dica. Vá ao campo acompanhar enquanto ainda há tempo, antes que um dirigente inteligente o negocie com um clube de fora do país por alguns bons milhões de euros.

Querem matar o futebol - estragando os joelhos de quem vive de chutar uma bola e não dos engravatados a comprar e vender direitos de transmissão dos times e federativos dos craques.

Não bastasse a quantidade de absurdos que ocorrem fora das quatro linhas, parece estarem achando uma maneira de “esculhambar” dentro de campo também. Grama sintética é para showbol. Como a poderosa FIFA permite praticar futebol em grama artificial? No estádio remodelado do querido Zequinha (São José de Porto Alegre) foi implantado esse recurso. Isto é de péssimo gosto, futebol tem que ser natural desde a…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A chegada de Damião, o matador, e o horror da grama sintética – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 21 de março de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Eis que surge um matador – e não é para matar de vergonha os torcedores associados alienando patrimônio ou usando o clube como trampolim político através da demagogia futeboleira.

A boa notícia da semana foi a convocação de Leandro Damião, do Internacional de Porto Alegre. Nascido em Jardim Alegre, interior do Paraná, o jovem centroavante começou a ganhar destaque no segundo semestre de 2010. Mas foi neste início de 2011, que sua média de gols passou a impressionar (8 jogos e 13 gols), levando-o a ser chamado por Mano Menezes, para participar do amistoso contra Escócia neste domingo (27 de março, 2011). Devido às lesões dos atacantes Alexandre Pato (Milan) e Nilmar (Villarreal), Damião deve vir a jogar. O centroavante mostra ser do ramo, tem ótimo posicionamento, e é um baita cabeceador, algo raro no futebol brasileiro nos dias de hoje. O atleta colorado que já criou polêmica ao provocar o rival Grêmio após um gol, (isso parece crime no futebol) vive seus dias de glória. Ao torcedor colorado, uma dica. Vá ao campo acompanhar enquanto ainda há tempo, antes que um dirigente inteligente o negocie com um clube de fora do país por alguns bons milhões de euros.

Querem matar o futebol - estragando os joelhos de quem vive de chutar uma bola e não dos engravatados a comprar e vender direitos de transmissão dos times e federativos dos craques.

Não bastasse a quantidade de absurdos que ocorrem fora das quatro linhas, parece estarem achando uma maneira de “esculhambar” dentro de campo também. Grama sintética é para showbol. Como a poderosa FIFA permite praticar futebol em grama artificial? No estádio remodelado do querido Zequinha (São José de Porto Alegre) foi implantado esse recurso. Isto é de péssimo gosto, futebol tem que ser natural desde a grama. Lembra as peladas na terra do Tio Sam, quando Pelé e Beckenbauer foram tentar animar o futebol (soccer) lá nos EUA. Não emplacou, sendo que até hoje – mesmo após uma Copa do Mundo – o esporte mais praticado no mundo lá é um hábito de latino-americanos além de imigrantes recentes. 

Somos contra a grama sintética porque também se trata de um crime contra atletas. Com o piso mais duro, as articulações sofrem mais impactos e uma série de lesões pode ocorrer devido a este tipo de solo. O uruguaio Sorondo é o exemplo mais preciso dessa barbaridade. Por outro lado, os joelhos gritam, mas a cartolagem adora. A aparência da cancha do até pouco tempo atrás semi-convalescente Estádio do Passo da Areia mudou, ficando realmente muito bonita, sem buracos, com cor de verde “natural”. Tamanha “boniteza” rendeu até uma possível e provável candidatura para sede de treinamentos da subsede rio-grandense na Copa de 2014.

Ninguém pode dizer que os senhores do Football Association não são “coerentes”. A aparência é o que realmente importa para a FIFA, seus dirigentes vivem dela!

A bola rolou (esta seção sempre dá ênfase na Libertadores de América, o mítico campeonato que um banco espanhol comprou da Conmebol!)

No Brasil a bola nunca para. Não importa a época, estação ou categoria. A semana foi de jogos pelos estaduais do Brasil todo. Pela América do Sul (mais o México), os jogos da Copa “Santander” Libertadores (obs: ah, que raiva que dá falar nome de banco antes dos Libertadores de América!), começam a definir a classificação dos grupos que devem reservar poucas surpresas. Dos brasileiros, apenas o Fluminense sem Muricy entrou em campo. O clube das Laranjeiras parece ter deixado claro que não havia complô contra seu ex-técnico. Na vitória de 3×2 contra os mexicanos do América, o time carioca fez um jogo “de chorar”. Muita vontade, total desorganização tática e tudo na base do “vamo que dá”. A vitória veio, já a classificação ainda segue difícil, pois precisa vencer o copeiro Nacional do Uruguai no Parque Central e o aguerrido Argentino Jrs. (clube que foi fundado por anarquistas e teve como seu primeiro nome “Mártires de Chicago”) – no bairro La Paternal em Buenos Aires, mas o sonho segue vivo. 

Obs: Ah se El Viejo Artigas estivesse vivo e visse o seu emblema “alugado” por um banco espanhol!!!

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Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

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ALÉM DAS 4 LINHAS. A estranha demissão de Muricy e os milhões da Globo para 11 clubes

“…Muricy Ramalho alegou que o motivo de sua saída seria pela falta de estrutura do clube “do pó de arroz”. Só para lembrar os leitores, quando o Fluminense foi campeão brasileiro há cerca de 4 meses, não houve nenhuma referência a esta mesma suposta falta de estrutura. A ilação possível para que o treinador deixe o cargo é outra. Supostamente ocorre o seguinte. Correm nos bastidores que Muricy estaria sendo pressionado a escalar jogadores que pertencem à patrocinadora do clube (Unimed). Se este fato é verdadeiro o treinador tem motivos de sobra para deixar o clube. Caso seja verdade, mais uma vez prova que é um sujeito correto embora turrão. Afinal, ninguém deixa de assumir a seleção para cumprir um contrato e menos ainda deixa este mesmo contrato – e ganhando invejáveis R$700 mil reais por mês – por convicções. È um erro alegar que falta estrutura no clube  quando o motivo – se é existente e real – é outro…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A estranha demissão de Muricy e os milhões da Globo – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 14 de março de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Muricy Ramalho pulou do barco – pelas ilações circulantes, ah se a moda pega!

Após ter demonstrado uma atitude rara no futebol brasileiro, quando negou o convite para ser o técnico da seleção em função de um contrato a ser cumprido junto ao clube das Larajeiras, Muricy Ramalho decepcionou ao deixar o comando do Fluminense. Após o empate sem gols no clássico contra o Flamengo, o treinador super-campeão pelo São Paulo anunciou que não era mais o técnico do tricolor carioca.

A decepção não esta na sua saída do clube, e sim a maneira como se deu o acontecimento. Muricy nem sequer foi para a coletiva após a partida. Ninguém tem a obrigação de trabalhar onde não se sente bem, mas deixar o atual campeão brasileiro na difícil situação que se encontra na Copa “Santander” Libertadores (3jogos e 2 pontos) parece um claro abandono de barco.

Muricy Ramalho alegou que o motivo de sua saída seria pela falta de estrutura do clube “do pó de arroz”. Só para lembrar os leitores, quando o Fluminense foi campeão brasileiro há cerca de 4 meses, não houve nenhuma referência a esta mesma suposta falta de estrutura. A ilação possível para que o treinador deixe o cargo é outra. Supostamente ocorre o seguinte. Correm nos bastidores que Muricy estaria sendo pressionado a escalar jogadores que pertencem à patrocinadora do clube (Unimed). Se este fato é verdadeiro o treinador tem motivos de sobra para deixar o clube. Caso seja verdade, mais uma vez prova que é um sujeito correto embora turrão. Afinal, ninguém deixa de assumir a seleção para cumprir um contrato e menos ainda deixa este mesmo contrato – e ganhando invejáveis R$700 mil reais por mês – por convicções. È um erro alegar que falta estrutura no clube  quando o motivo – se é existente e real – é outro. Afinal, se a moda pega, teria de haver uma debandada de treinadores de bancos e titulares escalados por patrocinadores, investidores, pelos próprios técnicos e outras “parcerias” de indecente trajetória.

Para o Muricy sempre fala o que pensa, culpar a estrutura do clube parece estar cuspindo no prato em que comeu.

Quanta pilantragem

Onze clubes teriam acertado o valor das cotas de transmissão das próximas edições do Campeonato Brasileiro (2011,2012,2013) com a TV Globo. Embora somente o Grêmio admita o fato (o clube irá ganhar cerca de R$ 60 milhões por ano), Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Goiás e Internacional já teriam um acerto verbal com a emissora da famiglia Marinho. Na ponta de cima das remunerações, um projeto de editar Real Madri e Barcelona tupiniquim, onde Flamengo e Corinthians ganhariam em torno de R$100 milhões por ano. Quando os clubes com maior torcida ganham mais, e por tanto com capacidade de retorno de investimento, está aberta a porteira para que nunca mais tenhamos um campeonato nivelado. A cartolagem poderia tentar indicar como os clubes pequenos e médios em escala nacional – mesmo que grandes em seus estados – sobreviverão na primeira divisão com cotas absurdamente menores? A idéia parece mesmo ser acabar com as chances reais de vitória dos clubes de menor expressão, concentrando riquezas e acumulando poder no eixo Rio São Paulo, e com ênfase nacional para o Parque São Jorge e a Gávea.

O futebol brasileiro cada vez mais esta indo para um caminho sem volta, o do quem paga mais leva. E ainda tem gente que acredita que a CPI da CBF vai resolver alguma coisa!

Mas… há bola também a rolar

No verdadeiro futebol, na essência do esporte bretão tudo vai bem obrigado, com a semana foi repleta de jogos com envergadura nacional ou latino-americana. Na Libertadores de América, o Cruzeiro segue goleando, fazendo 6 x 1 no Tolima da Colômbia. E ainda teve jornalista dizendo que o Tolima era um grande time, isto quando a equipe colombiana eliminou a turma do parque São Jorge. Jogando fora o  Internacional não tomou conhecimento e também goleou o fraquíssimo boliviano Jorge Wilstermann  por 4×1. Já o Grêmio ficou no 1×1 com a fraca equipe do León de Huánuco do Peru. O Peixe segue decepcionando, de técnico interino e com Paulo H. Ganso na linha, perdeu para o duríssimo Colo-Colo do Chile por 3×2 e complicou sua classificação as oitavas de final.

Na Copa do Brasil o Flamengo fez 3×0 no Fortaleza em pleno Castelão com bom público; e o Palmeiras 4 x0 Uberaba, com ambos eliminando o jogo da volta. Ipatinga e Avaí ficaram no 1×1, Brasiliense 0×0 Ceará, Sampaio Corrêa 3×2 Santo André e Paulista 0×1 Atlético – Pr.  

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Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. O dilema colorado, Aod Cunha, Andrade Gutierrez e Copa 2014. Tudo a ver?

“…Será que com essa parceria modernizante o Internacional S.C, caminhará para a via crucis de Hicks & Muse, MSI, ISL e outras falcatruas do gênero? E agora, onde está a Guarda Colorada, o calor da popular, onde está a massa de sócios pagantes e contribuintes a opinar? Porque os cartolas dissidentes não tentam modificar o estatuto propondo consulta pública para obras de alienação de patrimônio, mesmo que seja de patrimônio ainda a ser constituído?

A volta de Aod Cunha e porque a Andrade Gutierrez?

Bastou Aod Cunha chegar nas bandas da Padre Cacique, para o terrorismo começar. O super-executivo, após “criar” o ilusório déficit zero do governo Yeda (contabilidade fantástica onde não se paga quem se deve, algo tão surreal como o chamado superávit primário), no Rio Grande do Sul, chegou ao Internacional promentendo tirar o colorado do vermelho (com perdão do trocadilho). Segundo dados da atual direção, o déficit de…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Que há (há?) em comum entre Copa 2014, Aod, Andrade Gutierrez e o Inter-PA – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 7 de março de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Em meio às festas do rei momo…abundam as dúvidas na Beira do Rio

Em meio às festas do Rei Momo, o assunto que esquenta as ruas de Porto Alegre-RS, não se trata de samba. As reformas do estádio Beira Rio tornaram-se a preocupação dos colorados neste primeiro trimestre de 2011. Tudo parecia acertado desde os últimos meses de 2010, até a nova direção assumir. Direção esta que venceu a oposição no último pleito. Nas eleições para presidente do Internacional, já se notava que um possível “racha” estava por acontecer. Uma briga de egos (semelhante a que levou o clube a ficar mais de 20 anos sem títulos de expressão) fez com que a atual diretoria entrasse em litígio.  Enquanto o ex-presidente Vitorio Piffero defende que a obra possa ser feita com recursos próprios, assim como Pedro Affatato e Emídio Ferreira, a atual gestão do presidente Giovanni Luigi prega o contrato com a construtora Andrade Gutierrez. A empreiteira bancaria toda a obra e ainda entregaria ao Inter um centro de treinamentos. Em troca, exploraria durante 20 anos ativos que o clube ainda não dispõe, como por exemplo um shopping, um edifício garagem para 3 mil veículos, novas suítes e cadeiras. Quem sustenta esse segundo modelo de negócios é o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha, um dos artífices do primeiro empréstimo do Rio Grande junto ao Banco Mundial. Especialista em impor regime de caixa e bônus para executivos, Aod entra com a lenga-lenga da modernização conservadora. Alienar receitas futuras é parte de sua expertise, assim como a abertura de capital para ações preferenciais do Banrisul, dentre outras “jogadas de risco”.

Voltando ao clube da Beira do Rio, bastou surgir um parceiro para o orçamento inicial de R$ 150 milhões, passar para R$ 250 milhões. O Internacional vendeu o antigo estádio dos Eucaliptos por cerca de R$ 30 milhões (números não confirmados pela direção) e com esta verba o clube deu início a fundação para cobertura do estádio. Na pratica o Internacional deixará o Beira Rio nas mãos de terceiros, tudo para sediar a Copa. E a pergunta que fica, onde está Fernando Carvalho? Onde está a liderança que com sua varinha mágica garantira a vitória de Giovanni Luigi na peleia interna do Conselho e nas eleições de sócios votantes? Será que com essa parceria modernizante o Internacional S.C, caminhará para a via crucis de Hicks & Muse, MSI, ISL e outras falcatruas do gênero? E agora, onde está a Guarda Colorada, o calor da popular, onde está a massa de sócios pagantes e contribuintes a opinar? Porque os cartolas dissidentes não tentam modificar o estatuto propondo consulta pública para obras de alienação de patrimônio, mesmo que seja de patrimônio ainda a ser constituído?

A volta de Aod Cunha e porque a Andrade Gutierrez?

Bastou Aod Cunha chegar nas bandas da Padre Cacique, para o terrorismo começar. O super-executivo, após “criar” o ilusório déficit zero do governo Yeda (contabilidade fantástica onde não se paga quem se deve, algo tão surreal como o chamado superávit primário), no Rio Grande do Sul, chegou ao Internacional promentendo tirar o colorado do vermelho (com perdão do trocadilho). Segundo dados da atual direção, o déficit de 2010 ficou em torno de R$ 20 milhões, a maior parte deste rombo proveniente de endividamento bancário. O clube teria gasto R$ 650 mil somente com o juros do cheque especial do Banrrisul. É por isso que Aod afirma: o Internacional não tem condições de realizar a obra sozinho, e a construtora Andrade Gutierrez seria a solução! Há controvérsias. A construtora Engevix teria se oferecido para fazer a obra pela metade do valor cobrado pela AG, sendo isto desmentido pela direção colorada. O fato é que por motivos que para os autores desta coluna parecem óbvios, a construtora do agrado de parte dos conselheiros colorados chama-se Andrade Gutierrez. Já a ex-direção composta por engenheiros civis expôs em planilhas e projeções um projeto quase fechado, com valor menor e sem alienação de patrimônio. No final da reunião do Conselho, o debate da mídia local (haja província!) era se Piffero pilheriou ou não a Luigi quando disse que se a obra fosse em rodoviária (o atual presidente é administrador deste ramo) ele não se meteria, mas em construção civil quem manja é o próprio ex-presidente abençoado pelo mago e desaparecido Fernando Carvalho.

O Internacional está proximo de criar uma dívida astronômica para fazer um estádio nos padrões da mãe FIFA, e assim sediar a Copa de 2014. Deveria usar o exemplo do São Paulo, ou se aceita as condições do clube, ou levam a Copa para o raio que o parta, afinal o nem Blater nem Teixeira investem um centavo no clube. É opinião editorial desta coluna que a decisão deve ser soberana dos torcedores contribuintes e não da cartolagem “brilhante” que resolvera repatriar não a um craque de futebol, mas sim ao economista neoliberal e neoclássico Aod Cunha! Quanto absurdo.

Quando a bola rola

Mas o futebol tem seu lado bom. Quando a bola rola a alegria volta ao menos para grande parte do povo brasileiro. Na copa “Santander” Libertadores (é outra miséria da Conmebol, dar o nome de um banco espanhol ao torneio que homenageia aqueles que pelearam contra este Império), o Fluminense parece estar perto de uma participação vexatória;  foi ao México e perdeu para o América por 1X0 e soma apenas dois pontos em três jogos. O Internacional fez o que se espera do atual campeão da América e aplicou 4×0 no Jaguares do México. O Santos após demitir o técnico Adilson Batista, empatou em casa com o Cerro Porteño em 1×1. Já o Cruzeiro segue firme na caminhada rumo ao título e empatou em 0×0 com o Deportes Tolima (carrasco corintiano). Na Copa do Brasil alguns sustos, mas sem surpresas. O Botafogo fez um jogo dramático com cara de tragédia (típico do alvinegro carioca), mas após vencer o River Plate por 1X0 no tempo normal, eliminou os sergipanos nos pênaltis. O Palmeiras fez 5×1 no Comercial do PI. O destaque ficou por conta do Atlético-MG, que aplicou 8X1 no IAPE-MA.

Já a maior lição boleira pós-carnaval vem da final da Taça Piratini, o 1º turno do Gauchão. O SER Caxias após fazer um primeiro tempo exemplar, quando virou ganhando de 2×1 do Grêmio de Renato Portaluppi, voltou do vestiário com o complexo de time pequeno, retranqueiro e fiasquento. O cai-cai do final do 2º tempo acabou dando sobrevida ao tricolor da Azenha (de mudança conturbada para a zona do Humaitá, devido aos enormes problemas trazidos pela Construtora OAS dentro do canteiro de obras), que empatou nos acréscimos e valeu-se da imortalidade na hora dos pênaltis. Em campo é 11 contra 11, mas tem horas (muitas horas, quase todas por sinal) que falta mesmo é auxílio psicológico para os clubes do interior, mesmo se tratando de um time de Caxias do Sul, município potência da Serra Gaúcha. O Grêmio tomou o sufoco, sobreviveu e soube se impôs.

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ALÉM DAS 4 LINHAS. A TV e o racha do Clube dos 13. Ah, e a polêmica colorada

“…Os clubes de menor torcida, já chegam a ganhar metade da cota oferecida pela TV, mas estes não reivindicam aumento, certamente por medo de represália.

A balela toda vai acabar de forma relativamente previsível. Como os “poderosos chefões” – provavelmente Flamengo e Corinthians – terão suas cotas maiores, os outros que lutem pelos seus direitos. E viva a ditadura do Teixeira. Esta coluna entende que clube de futebol não pode ser refém de emissora de TV, que um bom plano de sócios, junto com patrocinadores pode tornar os clubes auto-sustentáveis. E aos rebeldes, uma sugestão. Antes de se desligar do Clube dos 13, não se esqueçam de pagar a dívida com a entidade. 

Polêmica colorada, ou quando uma agremiação vê o demônio bater ao seu lado com cara de simpático e bem sorridente

Prometemos dar seguimento no caso do estádio Beira-Rio, mas já antecipando a linha editorial, afirmamos que não é de bom tom ceder…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

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Tapetão da CBF, racha do Clube dos Treze e polêmica colorada – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 28 de fevereiro de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Ele voltou – eles voltaram, o tapetão e o fantasma do racha e a disputa baixa e sectária entre os clubes

Andou sumido nos últimos anos, muitos apostavam na aposentadoria do mesmo. Mas o famoso “tapetão” esta de volta ao futebol brasileiro. A CBF inovou, não vira mais a mesa do campeonato atual, e sim das edições anteriores. Com vinte e quatro anos de atraso, o Flamengo foi declarado o campeão brasileiro de 1987. Após reunião entre Ricardo Teixeira e Patrícia Amorim, o presidente (o Imperador) da Confederação Brasileira de Futebol BF nomeou o Flamengo campeão do Brasil daquele ano. Reconhece-se que fora um campeonato memorável, a gloriosa Copa União, com transmissão de jogos ao vivo e um contrato junto a TV negociado coletivamente pelo então recém nascido Clube dos Treze. Vendo-se emparedada diante da vontade das grandes equipes, a Confederação na Era Nabi Abi Chedid instaurou a fantasia dos dois Módulos, o Verde e o Amarelo. Qualquer um que se recorde daquela competição sabe que o campeão foi o Flamengo. Na bola e dentro de campo, só jogando clássicos e fechando contra o Internacional em pleno Maracanã.

Como onde há fumaça tem fogo, fica a dúvida cruel e instigante. A dissolução (na prática) do Clube dos Treze tem alguma relação com a conquista silenciosa da presidenta Patrícia Amorim e sua assessoria, capitão Léo incluído? A presidente rubro-negra disse que a atual diretoria como sempre, trabalhou em silêncio (isso é que nos preocupa). Acordos às escuras no futebol brasileiro são fatos mais do que comum. A mandatária do clube da Gávea declarou que agora o torcedor flamenguista pode bater no peito, e se considerar campeão. Ganhar títulos nos bastidores parece ser bem mais fácil para a ex-nadadora Patrícia Amorim. Nunca é demais lembrar que a Copa União foi fruto de um ato de rebelião dos clubes contra a cartolagem isolada na antiga sede na Rua da Alfândega. Agora o título ganho na bola veio através da caneta do genro do homem?! E, como “é dando que se recebe”, a máxima do finado Roberto Cardoso Alves se materializa no futebol. A CBF reconhece o que já era de direito e ao mesmo tempo empurra o Clube dos Treze pela ladeira abaixo! Alguém realmente pensa ser isso uma mera “coincidência”?

É impressionante como entra ano sai ano, e as coisas se repetem. Enquanto o Imperador Teixeira continuar ditando as regras, não pode-se duvidar de nada, e sempre esperar pelo pior.

Segue vergonhoso – dividir para reinar é a máxima dos “executivos da bola”, isso como se alguém ou alguns pudessem montar campeonatos sozinhos?!

As manchetes dos jornais do Brasil dão conta de um racha no Clube dos 13. Já quem escreve esta coluna não vê necessariamente como um racha profundo, pois afinal nunca houve união entre os clubes. Cada um sempre lutou pelos seus direitos, dentro e fora das quatro linhas. Outra vez mais o gênio do mal adentra a cancha, conseguindo o Em mais o Imperador Teixeira fazer com que os clubes ditos grandes (devido a sua história passada, não a atual) voltarem-se contra o Clube dos 13. O motivo alegado seria as baixas cotas de televisão (proporcionalmente já distribuídas) para os de maior torcida. O presidente corintiano Andrés Sánchez chegou a declarar que vai (ou já está) a negociar individualmente as transmissões dos jogos do Corinthians, e que assim poderia faturar mais. A ameaça de negociar com outras emissoras, fez com que os mandatários dos clubes cresçam o “olho”. Diante do fantasma de preços inalcançáveis que podiam (e ainda podem) ser oferecidos pela Record, a Rede Globo foi cobrar satisfações da CBF assim que se deu conta da mudança  de cenário. Afinal, as emissoras dos Marinho, sempre tiveram exclusividade na transmissão do campeonato brasileiro. Vale lembrar. Os clubes de menor torcida, já chegam a ganhar metade da cota oferecida pela TV, mas estes não reivindicam aumento, certamente por medo de represália.

A balela toda vai acabar de forma relativamente previsível. Como os “poderosos chefões” – provavelmente Flamengo e Corinthians – terão suas cotas maiores, os outros que lutem pelos seus direitos. E viva a ditadura do Teixeira. Esta coluna entende que clube de futebol não pode ser refém de emissora de TV, que um bom plano de sócios, junto com patrocinadores pode tornar os clubes auto-sustentáveis. E aos rebeldes, uma sugestão. Antes de se desligar do Clube dos 13, não se esqueçam de pagar a dívida com a entidade. 

Polêmica colorada, ou quando uma agremiação vê o demônio bater ao seu lado com cara de simpático e bem sorridente

Prometemos dar seguimento no caso do estádio Beira-Rio, mas já antecipando a linha editorial, afirmamos que não é de bom tom ceder um patrimônio a ser construído pela empreiteira Andrade Gutierrez. Esta coluna também manifesta um rechaço quanto à presença do economista neoclássico – o ex-secretário de Fazenda de Yeda Crusius – Aod Cunha na alta administração do clube. O assunto vai ter seguimento.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. A despedida de Ronaldo, o marketing e o gênio do futebol

24, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…A despedida levou Ronaldo às lágrimas, também devido ao amor que ainda sente pelo futebol. O presidente corintiano Andéz Sánchez também chorou, mas este último tem grandes motivos para se preocupar, afinal as receitas do clube dependem do “fenômeno”.

Um gênio somente no futebol

Em campo Ronaldo foi um dos maiores atacantes de todos os tempos. Da intermediária adversária prá frente, era quase impossível pará-lo. Para a indústria do futebol, foi e é um dos maiores marqueteiros na atualidade do esporte, ao ponto de ter contratos vitalícios de grandes marcas. A vida pessoal do R-9, sempre passou por momentos de muita visibilidade. Além das graves lesões que o acompanharam ao longo de sua carreira, o “fenômeno” já foi flagrado ingerindo bebidas alcoólicas e fumando cigarros. Ambos os hábitos, embora comuns para boa parte dos brasileiros, nada condizem com a imagem de atleta que ele próprio tenta e consegue vender. Falando de imagem abalada, o fato mais marcante da vida pública foi o escândalo envolvendo três travestis. Em abril de 2008, após uma festa na…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Ronaldo Nazário, o marketing e o fenômeno em campo – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

24, fevereiro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 14 de fevereiro de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

O adeus da bola e a presença no marketing

Ronaldo Nazário de Lima, mais conhecido como “Ronaldo fenômeno” resolveu assumir de vez a aposentadoria. Após o fiasco corintiano na Copa “Santander” Libertadores (sabemos que é difícil aturar essa ironia cruel denominando o campeonato de clubes latino-americanos), o fenômeno midiático antecipou o fim de sua carreira dentro das quatro linhas. Em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira dia 13 de fevereiro, o ex-craque falou com a imprensa por pouco mais de uma hora, agradeceu a diversos patrocinadores e justificou a aposentadoria devido a dores no corpo. Sobre a constante briga com o peso Ronaldo disse sofrer um de um distúrbio hormonal, fato este não confirmado por profissionais da área. Vivemos a era do paradoxo. Quem mais vende camisa é quem menos vinha jogando nos últimos anos. Carência de “ídolos”, nem que sejam apenas e tão somente “ídolos” dentro de campo, e olhe lá.

O menino pobre de Bento Ribeiro, subúrbio carioca, ganhou o mundo através do dom que Deus lhe deu, que é jogar futebol. Das categorias de base do São Cristovão foi para os profissionais do Cruzeiro-MG. Do clube mineiro seus empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta (estes anos mais tarde foram presos pela PF acusados de lavagem de dinheiro) o levaram para o PSV da Holanda. O sucesso o fez ser um dos jogadores mais cobiçados do futebol europeu. Foi ídolo na Espanha ( arrepiou no time da Catalunha, o Barcelona e enrolou os castelhanistas do Real Madrid) na Itália (jogando bem mais na Internazionale e também com boa passagem pelo Milan).

Em Copas do Mundo, foi do céu ao inferno umas quantas vezes. Banco e mascote da retranca de Parreira em 1994 foi o pivô do papelão do Brasil na final contra a França jogando de local (vareio do time de Zidane). Deu a volta por cima, sendo ídolo e herói na Copa da Coréia/Japão em 2002. Novamente na retranca Parreirista, viveu os dias do “liberou geral” da Copa da Alemanha (muito parecido com o mercado de pulgas instalado nos saguões de hotéis que abrigavam o time de Sebastião Lazaroni, outro invento do Imperador Teixeira assim como o “treinador” Dunga) trazendo de volta o fracasso de 2006. Em 2009, com uma grande jogada de marketing voltou ao Brasil para “jogar” no Corinthians. Após ter conquistado dois títulos neste mesmo ano, ficou mais de molho e no estaleiro do que em campo, fracassando no ano seguinte (ano do centenário quando o Timão não levou nada), pendurando as chuteiras após a desclassificação na pré-libertadores 2011.

A despedida levou Ronaldo às lágrimas, também devido ao amor que ainda sente pelo futebol. O presidente corintiano Andéz Sánchez também chorou, mas este último tem grandes motivos para se preocupar, afinal as receitas do clube dependem do “fenômeno”.

Um gênio somente no futebol

Em campo Ronaldo foi um dos maiores atacantes de todos os tempos. Da intermediária adversária prá frente, era quase impossível pará-lo. Para a indústria do futebol, foi e é um dos maiores marqueteiros na atualidade do esporte, ao ponto de ter contratos vitalícios de grandes marcas. A vida pessoal do R-9, sempre passou por momentos de muita visibilidade. Além das graves lesões que o acompanharam ao longo de sua carreira, o “fenômeno” já foi flagrado ingerindo bebidas alcoólicas e fumando cigarros. Ambos os hábitos, embora comuns para boa parte dos brasileiros, nada condizem com a imagem de atleta que ele próprio tenta e consegue vender. Falando de imagem abalada, o fato mais marcante da vida pública foi o escândalo envolvendo três travestis. Em abril de 2008, após uma festa na Barra da Tijuca Ronaldo Nazário foi para um Motel com um travesti e este chamou mais dois.

 Após uma suposta tentativa de extorsão o caso foi parar na policia. Em outubro do mesmo ano o apartamento onde morava André Albertini (um dos travestis que teria tentado extorqui-lo) pegou fogo, morrendo um amigo de André. Em julho de 2009 foi a vez de Albertini falecer. Uma estranha morte (supostamente tenha sido causada por uma meningite) e que passou quase despercebida pela mídia. A blindagem de Ronaldo é tão impressionante que nem este lamentável e caricato episódio é usado pelas torcidas adversárias para irritar o craque. Pelo visto Ronaldo Luís Nazário de Lima escolheu certa a nova carreira. Associando-se com a gigante britânica WPP, Ronaldo fundou a 9ine, agência de marketing. Deve vir a vender tanta roupa e suvenir que até perna de pau furando em bola vai virar tela de camiseta!

De volta para o campo, sem grandes novidades

Os torneios mais importantes no Brasil no primeiro semestre, não houve grandes surpresas. A Copa do Brasil teve os clubes ditos grandes garantindo a classificação no primeiro jogo. Na Libertadores não houve derrotas dos brasileiros embora Santos,Internacional e Fluminense frustraram um pouco suas torcidas e ficaram no empate. O Cruzeiro passeou e fez 5×0 no Estudiantes de La Plata mostrando que o futebol argentino segue em decadência. Em Porto Alegre, o Grêmio aplicou 3×0 no Oriente Petroleiro da Bolívia e começou bem a caminha rumo ao tri.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

OBSERVAÇÃO: o texto da coluna é anterior ao jogo de ontem, pela Libertadores, que apontou a vitória do Internacional por 4 x 0 sobre o Jaguares, do México.

ALÉM DAS 4 LINHAS. O “caso” Ronaldinho Gaúcho, a máfia que não era italiana e o papelão da mídia

“…Vale observar que um negócio envolvendo Patrícia Amorim, Paulo Odone, Salvador Palaia, J Hawila, Roberto Assis e Adriano Galliani seria sucesso nas bilheterias dos cinemas, superando clássicos como Wall Street (e Wall Street 2) e Trama Internacional – versão ficcional da história do BCCI. Quem sabe José Padilha não se interessa pelo tema?!

A mídia também fez seu “papelão”

Nesta negociação envolvendo tantas partes concorrentes, a mídia desportiva (promotora de info-entretenimento desportivo) fez um papel ridículo. O mito fundador da imprensa no capitalismo é ver o jornalista como relator e analista de fatos e tramas de interesse público. O que ocorreu foi totalmente ao contrário. Plantaram mais notas e fontismo do que soja transgênica na Bacia do Rio Uruguai. Havia jornalista torcendo para que Ronaldinho jogasse no clube A ou B, produzindo matérias sem cabimento e gerando idolatria em excesso. A afiliada RBS – que só depois do acerto de Ronaldinho com o Flamengo denunciou as irregularidades do instituto Ronaldinho em Porto Alegre – entrou em colisão com a madrinha Globo. A primeira queria…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Ronaldinho Gaúcho, a “máfia” e o papelão da mídia – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 17 de janeiro de 2011 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

2011 começou, mas nada mudou por aqui

Esta coluna demorou a manifestar-se, mas não poderia deixar de falar do fato mais bizarro do futebol nacional das últimas décadas. A volta do “ex- craque de futebol”, atual rei do marketing Ronaldinho “Gaúcho” (ao menos no nome) durante aproximadamente um mês foi o assunto mais falado em todos os veículos de comunicação. O empresário e irmão do ex- melhor do mundo, Roberto Assis, deu aula de saliência a muitos dirigentes do futebol tupiniquim. Assis conseguiu derrubar do pedestal a cartolas ditos experientes no “ramo”, entre eles Paulo Odone (Grêmio) e Salvador Palaia (Palmeiras). Ambos confiaram na “palavra” de Assis. Quem conhece o passado dos irmãos Moreira não poderia de forma alguma se fiar apenas no que disse Assis. Em 2001 Ronaldinho se beneficiou da Lei Pelé e saiu pela porta dos fundos do estádio Olímpico para o PSG da França. Algo semelhante ocorreu com o próprio Assis no inicio da década de 90, quando ainda era jogador e forçou sua saída do Grêmio para o inexpressivo futebol suíço. Com pouco mais de 20 anos de idade Assis já dava mostras de tipo de negociação que ia levar quando passasse a representar o irmão mais novo. 

A máfia não era italiana

Em uma cena de causar inveja a Al Pacino e Marlon Brando, os irmãos Moreira convocaram uma coletiva que atraiu a imprensa do Brasil todo para anunciar, na presença de Adriano Galliani (dirigente do Milan e braço direito de Silvio Berlusconi) que o Gaúcho estava de saída do clube Italiano. Fato que já era dado como certo por mais de 20 dias. Enquanto isso em Porto Alegre era encarado como fato consumado pela mídia empresarial gaúcha, principalmente pela RBS – que supostamente seria um dos investidores gremistas na repatriação do R10 – a volta de Ronaldinho ao Grêmio. A presidente do C.R. Flamengo Patrícia Amorim reuniu-se com Galliani e Assis e o leilão pela marca Ronaldinho estava estabelecido! Com o apoio da empresa Traffic, de propriedade do palmeirense J Hawilla, o rubro-negro carioca acabou vencendo a disputa, e o R10 vestiu a camisa do Flamengo na última terça-feira. Detalhe, se os termos contratuais são sigilosos, é sinal para todos nos prepararmos para as surpresas do futuro.

Vale observar que um negócio envolvendo Patrícia Amorim, Paulo Odone, Salvador Palaia, J Hawila, Roberto Assis e Adriano Galliani seria sucesso nas bilheterias dos cinemas, superando clássicos como Wall Street (e Wall Street 2) e Trama Internacional – versão ficcional da história do BCCI. Quem sabe José Padilha não se interessa pelo tema?!

A mídia também fez seu “papelão”

Nesta negociação envolvendo tantas partes concorrentes, a mídia desportiva (promotora de info-entretenimento desportivo) fez um papel ridículo. O mito fundador da imprensa no capitalismo é ver o jornalista como relator e analista de fatos e tramas de interesse público. O que ocorreu foi totalmente ao contrário. Plantaram mais notas e fontismo do que soja transgênica na Bacia do Rio Uruguai. Havia jornalista torcendo para que Ronaldinho jogasse no clube A ou B, produzindo matérias sem cabimento e gerando idolatria em excesso. A afiliada RBS – que só depois do acerto de Ronaldinho com o Flamengo denunciou as irregularidades do instituto Ronaldinho em Porto Alegre – entrou em colisão com a madrinha Globo. A primeira queria o gaúcho no Grêmio, a segunda o queria no Flamengo.

Para quem supõe que exageramos, convidamos a usar a internet e recorrer às manchetes dos dias anteriores do anúncio da contratação no Rio. É difícil para os defensores da notícia como forma-mercadoria e do esporte apenas como entretenimento afirmar a sua “seriedade” na cobertura jornalística, quando jornalismo foi o que não houve na cobertura. Sabe-se que o tal do interesse público acima das metas empresariais é papo para boi dormir. Mas dessa vez, as chefias do esporte deixaram a discrição de lado e foram para as cabeças em defesa dos interesses de seus patrões. 

Como se não bastasse todo o circo armado em torno da volta de Ronaldinho ao país, o dia do anúncio oficial foi mais um absurdo. A “entrevista” coletiva do Gaúcho foi realizada com perguntas previamente enviadas ao assessor de imprensa do Flamengo. O mais impressionante foi os jornalistas aceitarem tal absurdo. Nem tentativa de boicote houve.

O “craque” respondeu somente perguntas do tipo “o que sentiu ao ver a recepção da torcida?” Depois esses caras enchem a boca para gritar contra a “censura”. Por favor, nos preservem desta chanchada, o povo merece mais que isso.

Começou o que importa

A bola voltou a rolar Brasil a fora. Além do Gauchão, começaram os campeonatos Paulista, Catarinense, Baiano e Cearense. Com mesmo (baixo) nível técnico de sempre, mas se mantém uma cultura do futebol local. Ressaltamos apenas que as fórmulas precisam ser revistas. Os estaduais não podem ser uma espécie de estorvo, e sim vistos como um teste para as competições mais fortes.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

ALÉM DAS 4 LINHAS. As torcidas organizadas e os clubes. Quem é o “bandido”?

30, dezembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

“…As chamadas “torcidas organizadas” terminam sendo um abrigo para todo tipo de covardia. Não apenas como um esconderijo de marginais, com criminosos se travestem de torcedores, para cometer atos de selvageria dentro e fora dos estádios. Mas também na modalidade de torcida-empresa, com escolas de samba, academias de lutas e venda de uniformes e adereços onde a macheza e valentia se expressam por monstrinhos e outros símbolos cujo significante é a opressão através da força bruta sobre outro homem, outro igual. 

Os clubes têm grande parcela de culpa, afinal são seus cartolas que financiam estas facções. Ingressos de graça, viagens subsidiadas, livre acesso nas dependências dos clubes, são alguns dos privilégios dados a estes “torcedores”. Enquanto a grande maioria dos sócios é obrigada a ter suas mensalidades rigorosamente e dia, as facções uniformizadas têm acesso livre aos jogos do clube. Isso funciona como uma espécie de troca de favores, já que…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI  para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Torcidas organizadas e clubes, quem é o bandido? – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

30, dezembro, 2010 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 20 de dezembro de 2010, incluindo a última semana do ano - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Quem é o bandido?

O assunto que esta coluna trata nesta semana, não chega a ser novidade no futebol brasileiro. A violência nos estádios e ao redor dos mesmos está longe de ter fim. A morte de um torcedor cruzeirense no mês passado é apenas mais um fato triste na história do futebol brasileiro. Faltando três anos da Copa do Mundo do Brasil, atitudes enérgicas precisam ser tomadas. Não adianta as autoridades vir a público com discursos de que “isso” precisa acabar. As chamadas “torcidas organizadas” terminam sendo um abrigo para todo tipo de covardia. Não apenas como um esconderijo de marginais, com criminosos se travestem de torcedores, para cometer atos de selvageria dentro e fora dos estádios. Mas também na modalidade de torcida-empresa, com escolas de samba, academias de lutas e venda de uniformes e adereços onde a macheza e valentia se expressam por monstrinhos e outros símbolos cujo significante é a opressão através da força bruta sobre outro homem, outro igual. 

Os clubes têm grande parcela de culpa, afinal são seus cartolas que financiam estas facções. Ingressos de graça, viagens subsidiadas, livre acesso nas dependências dos clubes, são alguns dos privilégios dados a estes “torcedores”. Enquanto a grande maioria dos sócios é obrigada a ter suas mensalidades rigorosamente e dia, as facções uniformizadas têm acesso livre aos jogos do clube. Isso funciona como uma espécie de troca de favores, já que cartolas usam os mesmos como cabos eleitorais em campanhas políticas no clube e na vida pública. Cartolas usam os clubes, financiam as ditas organizadas – de forma direta e indireta – e são sem dúvida os maiores criminosos.

Torcer não deveria fazer parte do elenco de atividades violentas. A barbárie entre iguais, como a covardia cometida dessa vez por integrantes da Galoucura contra um membro da Máfia Azul, tem de ser abolida. Como estamos na era do sócio-torcedor, e como da cartolagem se espera pouco ou nada, é hora dos associados se mobilizarem para retirar poder político, dentro dos clubes, e poder simbólico nas arquibancadas.

Por que unificar?

A CBF precisava roubar a cena neste final de ano. Depois de um ano de fracassos dentro e fora de campo a Confederação Brasileira de Futebol, levantou a hipótese de unificar os títulos nacionais. O campeonato brasileiro existe oficialmente desde 1971, ano que teve o Atlético-MG como campeão. Antes disso as competições nacionais tinham formatos e nomes diferentes. De 1959 a 1968, a Taça Brasil, e 1969 de 1970, a Taça de Prata.

A pergunta que fica porque depois de mais de 40 anos a cúpula do Sr Teixeira resolveu pensar em unificar títulos? O que deve estar pensando Teixeira? As eleições para presidente da CBF ainda estão muito longe de acontecer. Por que a entidade máxima do futebol não decide primeiro para quem vai à “taça das bolinhas”, o que legitimaria o campeão de brasileiro 1987? Por que o Vasco é reconhecido como o campeão Brasileiro de 2000, se o que ganhou naquele ano foi a Copa João Havelange? Afinal o brasileirão de 2000 foi “melado” devido à escandalosa virada de mesa em cima do São Caetano, em pleno estádio de São Januário.

Se a Confederação Brasileira de Futebol, não consegue organizar um campeonato que não fique sob suspeita, querer tomar decisões sobre unificação de títulos cheira mal, e muito mal por sinal. É mais uma boa idéia que é atirada na vala comum. Reconhecer títulos pregressos sem incluir a Copa União de 1987 para o C.R. do Flamengo é simplesmente um absurdo!

Agora acabou de vez

Agora é só esperar 2011, o futebol brasileiro teve seu encerramento oficial no sábado dia 18 de dezembro. O Internacional de Porto Alegre foi a campo disputar o terceiro lugar do mundial de clubes. Após uma vexatória participação nas semi-finais, o time gaúcho aplicou 4×2 no Seongnam, da Coréia do Sul e amenizou a “crise”. Mas não há como negar, o mundial foi dos africanos. Além de ter o Mazembe como vice campeão (time da República Democrática do Congo), teve um jogador do seu continente escolhido como craque da competição. O camaronês Samuel Eto’o correspondeu as expectativas sobre ele. É sem dúvida um dos maiores jogadores da história do futebol africano.

Já a Internazionale de Milão foi passear em Abu Dhabi, sem esforço algum venceu os dois jogos por 3×0, e sagrou-se campeão mundial pela terceira vez na sua história, afrouxou a corda do pescoço técnico Rafa Benítez.  

A FIFA poderia rever a formula do mundial, pois o nível técnico foi muito fraco. Caberia acrescentar um clube de cada continente, fazer uma competição mais disputada, e com mais prestígio, principalmente entre os europeus. A média de publico no emirado foi decepcionante, 20 mil pessoas, estando as arquibancadas vazias. Também, foram inventar de jogar bola em um “país” cujo monarca paga a torcida para ir ao campo!

No ano que vem deve voltar a ser disputado no Japão – que pelo menos gosta de futebol – e também porque, afinal, o sr Blatter precisa faturar. 

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise.

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