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ALÉM DAS 4 LINHAS. E então, aquele cartola graúdo embolsou uma medalha alheia

5, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Minutos depois, a ex-Miss Brasil e jornalista Renata Fan (ai, ai,ai….os efeitos que Fan e Cia. Fazem nas salas de aula das faculdades de comunicação são inenarráveis; pululando a cabeça das promessas de coleguinhas mais atraentes, é o efeito Fátima-Patrícia na bola), e seus comentaristas do programa da tarde na Band, mostravam onde ela sumiu. Como o futebol brasileiro não pode ficar somente dentro das quatro linhas, eis que surge (ressurge) um “personagem vilão”: José Maria Marín resolveu premiar-se e colocou uma das medalhas no bolso.

Já tínhamos visto colocar o jogo no bolso, malas pretas e brancas circulando, ameaças de roubo, mas nunca, nunca mesmo, de forma literal e real. Uma imagem captada pela TV Bandeirantes mostra quando o presidente em exercício da CBF faz isso…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana. A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

O futebol e o dia em que o cartola embolsou uma medalha – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

5, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 2 de fevereiro de 2012 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

A metáfora da cartolagem brasileira (?)

Até pouco tempo, a cartolagem brasileira era marcada pela malandragem que nossos jogadores apresentam dentro de campo: drible de corpo e gingas suficientes para se manterem no poder e, “ninguém” sabe como, para conseguir sair com mais dinheiro do que entrou, mesmo se tratando de trabalho “para o bem dos clubes” e do futebol. Cara de pau, cinismo, vínculos nada justificáveis, mas um tom meio cafona e cantinflesco, o cartola era a alma gêmea do banqueiro do bicho e do coronel da política, isto quando a pessoa física não se mesclava entre estes três personagens, criando a síntese do “atraso”, fazendo com que os poucos críticos de nosso futebol afirmassem ser necessário um choque de capitalismo! Idos tempos…..

Será que era só malandragem? No dia 25, final da Copa São Paulo sub-18 e todas as câmeras flagram o vice-presidente da CBF para a Região Sudeste colocando uma medalha no bolso. Começou “bem” o ano para o futebol brasileiro. Como se fala na gíria dos boleiros: jogador não deve atuar fora de suas características……

Todo começo do ano é do mesmo jeito. Enquanto os grandes clubes retornam das férias, as “promessas de craque” entram em campo no maior torneio de base do país: a Copa São Paulo. Cada vez mais inchado, o torneio foi transformado em “celeiro para empresários”, com cerca de 96 clubes de quase todo o Brasil – menos Roraima que mal consegue fazer torneios profissionais, imagina amadores. Vale registrar que a copinha já foi algo de encher os olhos, sem equipes montadas às pressas por intermediários querendo vender guris mal saídos da adolescência para qualquer time que eles tenham de tirar passaporte.

No último dia 25 (de janeiro), data do aniversário da cidade de São Paulo de Piratininga, os maiores campeões da Copinha entraram em campo para a decisão. Corinthians e Fluminense protagonizaram um bom jogo, vencido pelos paulistas com dois gols de cabeça do zagueiro, de virada, por 2×1.

O “Timãozinho” fez uma campanha perfeita, vencendo os 8 jogos disputados, apesar de o próprio (agora) ex-presidente corintiano, Andrés Sánchez, ter dito que não investiu tanto na base. Em setembro, a revista Placar – que dá lampejos dos seus áureos tempos – fez matéria destrinchando a falta de investimento no setor, especialmente após as obras para o estádio do clube, no local em que a base treinava.

O goleiro corintiano Matheus deu provas da raça do clube ao ficar vários minutos machucado em campo, após choque com jogador adversário. Na hora da comemoração, ele seria o último a receber a medalha, carregado por alguém da comissão técnica, mas não havia mais medalha…

Como a medalha desapareceu?

Minutos depois, a ex-Miss Brasil e jornalista Renata Fan (ai, ai,ai….os efeitos que Fan e Cia. Fazem nas salas de aula das faculdades de comunicação são inenarráveis; pululando a cabeça das promessas de coleguinhas mais atraentes, é o efeito Fátima-Patrícia na bola), e seus comentaristas do programa da tarde na Band, mostravam onde ela sumiu. Como o futebol brasileiro não pode ficar somente dentro das quatro linhas, eis que surge (ressurge) um “personagem vilão”: José Maria Marín resolveu premiar-se e colocou uma das medalhas no bolso.

Já tínhamos visto colocar o jogo no bolso, malas pretas e brancas circulando, ameaças de roubo, mas nunca, nunca mesmo, de forma literal e real. Uma imagem captada pela TV Bandeirantes mostra quando o presidente em exercício da CBF faz isso.

A Federação Paulista de Futebol reparou o “erro” e enviou outra medalha ao goleiro corintiano Matheus. Em nota a FPF nega o roubo e diz que houve um erro na contagem das medalhas, mas não explica o porquê Marín ficar com uma das medalhas. Será que ele sofre de cleptomania?

Depois ele explicou que a FPF teria dado uma das medalhas de campeão e ele teria pegado naquela hora para não causa estranheza (?!). Já vimos medalhas para árbitros em finais de torneios importantes, mas para dirigentes? Por que o presidente da Federação não pegou a sua então? E, se a competição dos cartolas for outra, como por exemplo, índices de escândalos com projeção internacional, o Brasil seria sempre campeão do mundo!

Quem é José María Marín?

José María Marín é formado em direito (e pela USP!), foi deputado estadual e vereador, além de governador do estado de São Paulo por dez meses na década 80, substituindo Paulo Salim Maluf. Ambos eram (e são arenistas de carteirinha, típicos representantes da de São Paulo, reproduzindo a mentalidade do vale tudo político-empresarial) que saíra do Palácio dos Bandeirantes para concorrer ao nobre cargo de deputado federal pelo PDS (nome dado para a Arena após a reorganização partidária promovida por Golbery na Casa Civil de Figueiredo). Por ironia da história – e tristeza do povo brasileiro – Maluf segue deputado e Marín ocupa cargo relevante na cartolagem brasileira.

Antes, José María fora jogador de futebol do São Paulo, na década de 1950, clube que viria presidir décadas depois. Após o fim da ditadura militar, sua carreira política foi perdendo espaço, candidatou-se ao senado pelo PFL em 1986, mas conseguiu apenas o quarto lugar. Atualmente é filiado ao PTB (partido base do governo, assim como um terço da Arena histórica, hoje PP, e outro terço em cima do muro, o PSD).

Como a carreira política não ia bem, Marín resolveu investir na política esportiva. Presidiu a Federação Paulista nos anos 80 e foi chefe da delegação que disputou a Copa do Mundo de 1986, no México – a mesma que Octávio Pinto Magalhães admitiu ter pagado dirigentes e até suas esposas para assistirem. Naquela Copa, o país do gigante adormecido apresenta ao universo um personagem “amigo” de Marin, Nabi Abi Chedid (este último teve a proeza de ser deputado estadual pela legenda de Plínio Salgado – PRP -, passando após para a Arena, sempre a Arena). Marin tem estirpe, e é essa que estamos narrando….

Marín ressuscita, se reorienta, aproximando-se do clã Havelange-Teixeira. O cartola de 79 anos substituiu recentemente Ricardo Teixeira na presidência da CBF, quando este resolveu tirar uma licença do cargo por 45 dias, após um ano de 2011 bem movimentado, com várias ameaças e boatos até de sua retirada em definitivo do cargo.

Como se pode perceber pelo seu recente substituto, parece que precisamos ainda mais para mudar o futebol brasileiro, não bastando que Teixeira saia do cargo que ocupa – afinal, alguém acredita que o tirarão? – há mais de 22 anos.

 (Entre em contato com a coluna e ajude-nos a desvendar os bastidores e as estruturas de poder do futebol profissional e dos manda-chuvas do Brasil Olímpico que não tem esporte de base. Escreva, colabore, critique, sugira, participe através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Um ano cheio de futebol, algumas vergonhas e muitas polêmicas

“…Como imaginar que a versão feminina do esporte mais acompanhado tenha tantos retrocessos em termos estruturais, mesmo vivenciando a “Era Marta”? Lembram do basquete feminino? Pois bem, caminha-se pelo mesmo calvário, como sempre, mais uma vez.

Nos últimos dias de 2011, o presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro confirmou o fim do time de futsal por falta de patrocínio – o que fez Falcão ir para o Ortolândia e reacender o desejo de outras equipes grandes de (re)montar times na quadra – e também do futebol feminino, em meio ao fim do contrato estabelecido até então.

Entre idas e vindas passageiras de Marta, na folga da temporada estadunidense, as “Sereias da Vila” tinham a base da Seleção, que podiam contar com uma estrutura digna para treinamento. Sem o time, as meninas não só terão que buscar novos clubes para atuarem – como Érica, que partiu para a Coreia do Sul – como também sofrerão com “ajudas de custo” e falta de estrutura para treinos regulares…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI  para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana. A autoria do texto é de Anderson Santos (que edita o material). A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Um ano repleto de futebol. E de polêmicas! – por Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 24 de janeiro de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Bruno Lima Rocha

Não faltaram polêmicas nestas poucas semanas que a Além das Quatro Linhas esteve de “folga”. A FIFA continua pressionando o Brasil, a crise do Flamengo só aumenta, as trocas de clubes continuaram a todo vapor e o futebol feminino perdeu ainda mais espaço no país. Mas também teve o anúncio oficial da aposentadoria do, agora, ex-goleiro Marcos.

Para esta primeira coluna do ano, comentemos esses mais diversos assuntos, como um aperitivo do que virá nas outras semanas de 2012!

Futebol feminino reflete situação de esportes olímpicos

Daqui a pouco mais de quatro anos o Brasil terá uma das suas cidades como sede dos Jogos Olímpicos de Verão e pouco se vê, em termos gerais, ações para que o país desenvolva a prática e o desenvolvimento dos esportes olímpicos.

O futebol feminino, tratado como amador no país, acaba sendo o exemplo mais radical. Como imaginar que a versão feminina do esporte mais acompanhado tenha tantos retrocessos em termos estruturais, mesmo vivenciando a “Era Marta”? Lembram do basquete feminino? Pois bem, caminha-se pelo mesmo calvário, como sempre, mais uma vez.

Nos últimos dias de 2011, o presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro confirmou o fim do time de futsal por falta de patrocínio – o que fez Falcão ir para o Ortolândia e reacender o desejo de outras equipes grandes de (re)montar times na quadra – e também do futebol feminino, em meio ao fim do contrato estabelecido até então.

Entre idas e vindas passageiras de Marta, na folga da temporada estadunidense, as “Sereias da Vila” tinham a base da Seleção, que podiam contar com uma estrutura digna para treinamento. Sem o time, as meninas não só terão que buscar novos clubes para atuarem – como Érica, que partiu para a Coreia do Sul – como também sofrerão com “ajudas de custo” e falta de estrutura para treinos regulares.

Vale lembrar que em 2012 será realizado o segundo torneio mais importante da categoria, as Olimpíadas, em que o time feminino bateu na trave nas duas últimas edições.

A notícia vem no momento em que o Governo federal criou, através do ministro do Esporte Aldo Rebelo, uma coordenação específica para tratar da modalidade, sob liderança da ex-jogadora Michael Jackson.

Algumas empresas já entraram em contato com a diretoria santista para a manutenção da equipe, mas até agora ninguém confirmou nada sobre o assunto. O Santos afirma que teve que fazer uma grande engenharia financeira para manter o craque Neymar e pretende cortar custos de setores que não cobrirem seus gastos.

Daqui a pouco, Neymar quebra o contrato, aparece algum mecenas para pagar a multa rescisória e o Santos fica sem o dublê de quase-craque e backing vocal de cantor “sertanojo” e sem o futsal e as meninas.

Nike entra firme no mercado brasileiro

Uma das fornecedoras de material esportivo mais conhecida na atualidade, aqui no Brasil principalmente após uma CPI que recebeu sua alcunha, a Nike tenta firmar a terceira etapa de entrada no mercado local de futebol.

Se na década de 1990 teve-se o início da parceria com a CBF, que nos seus primeiros anos contava até mesmo com o direito à escolha “aleatória” de amistosos; e na década passada, o intuito de patrocinar os dois times de maior torcida do país, Flamengo e Corinthians; é a hora de ir em direção a outros centros de futebol, tendo em vista a Copa do Mundo FIFA 2014.

A próxima leva de novos uniformes, geralmente para o início do Brasileirão, contará com alterações em quatro campeões brasileiros, sendo dois deles os mais recentes campeões da Taça Santander Libertadores. Bahia, Coritiba, Internacional e Santos passam a usar o visto do lado direito com o sonho de ampliar o reconhecimento em outras partes do mundo – no caso do Peixe, as vendas, já que Pelé, Coutinho, Pepe e cia. já o fizeram reconhecido na metade do século passado.

O caso dos gaúchos tem um interesse ainda maior, com o fortalecimento da Aliança Internacional, rede global de cooperação estabelecida em setembro de 2011, inicialmente com os mexicanos do América, os estadunidenses do Chicago Fire e os espanhóis do Atlético de Madri – todos já patrocinados pela Nike. Em dezembro, ganharam a companhia de: Al Ain Sports (Emirados Árabes Unidos), Muangthong United Football Club (Tailândia), Raja Club Athletic (Marrocos), Shanghai Shenhua (China) e Besiktas (Turquia).

Sobre a Nike, o intuito é expandir ainda mais a atuação no mercado brasileiro. Cogita-se que os próximos alvos serão Vasco e Atlético-MG.

Cobranças e mais cobranças

Nem as férias de Ricardo Teixeira da CBF ou o encontro com Romário na Suíça fez com que os representantes da FIFA diminuíssem a pressão sob o Brasil. Enquanto o secretário-geral Jérôme Valcke esteve no país na última semana para se reunir com Ronaldo, Ricardo Teixeira e o ministro do Esporte Aldo Rebelo, o presidente Joseph Blatter se rasgava em elogios à Rússia.

Valcke ficou surpreso com a popularidade de Ronaldo (!) entre os trabalhadores das obras dos estádios no Brasil. Houve até promessa do Fenômeno (também do marketing) em realizar amistosos com os operários dos estádios que ficarem prontos ainda em 2012 e, quem sabe, o repasse de ingressos para alguns deles.

Dentre as obras visitadas, Valcke ficou deslumbrado com os andamentos em Fortaleza e com preocupação maior em relação a Natal. Mas a grande coisa em seu comunicado à imprensa foi o reforço da aprovação da Lei Geral da Copa, marcando até data para a assinatura oficial da presidenta Dilma Rousseff com Blatter: março.

Para Valcke, o Brasil estaria exigindo demais “só” porque conquistou cinco títulos mundiais. Entre os assuntos mais polêmicos que envolvem a LGC, o secretário-geral da FIFA não arredou o pé da venda de cerveja nos estádios – alvo de acordo oficial da CBF com Ministério Público Federal e de lei em alguns Estados. Em tempos de problemas criminais graças ao consumo de bebida num reality show, ele disse que estaríamos nos esquecendo que “só é cerveja”.

Direto da Rússia, Blatter disse que o país estava muito mais avançado para 2018 que o Brasil para 2014, retratando-se posteriormente.

As relações entre FIFA e CBF estariam estremecidas também por conta da decisão de abrir o processo dos membros do Conselho da entidade internacional que devolveram dinheiro de suborno da ISL à Justiça Suíça. Rumores davam conta de que se esses documentos vierem à tona, Teixeira abandona o barco de vez – mesmo que para algum dos seus “amigos”. O outro envolvido no caso, João Havelange, será indicado pelo Brasil para o Prêmio Nobel da Paz…

“Eles fingem que pagam e a gente finge que joga

A famosa frase do ex-jogador Vampeta, em sua passagem pelo Flamengo no início do século, parece estar de volta à Gávea. Ronaldinho Gaúcho está bastante insatisfeito com o atraso de cinco meses de 75% do seu salário por conta da falta do contrato da Traffic com o rubro-negro carioca.

Como se não pudesse piorar, ele teria ido para o “andar errado” na preparação do clube em Londrina e levou uma mulher para a concentração. O técnico Vanderlei Luxemburgo teria pedido o seu afastamento do elenco, mas o R10 só teve uma advertência por escrito. Luxa poderia ser demitido logo após os jogos da Pré-Libertadores.

O agente do jogador, seu irmão Assis, ainda teria conversado com dirigentes do Internacional para que o dentuço voltasse a Porto Alegre – como se os gremistas já não tivessem sofrido tanto com ele no ano passado… Esse boato parece piada e de péssimo gosto!

A novela desse contrato já se arrasta há meses e nunca parece que irá se resolver. Nesta quarta-feira (25 de janeiro), o Flamengo enfrenta o Real Potosí, na altitude boliviana. Ainda não se sabe se Ronaldinho entrará em campo.

Além dele, alguns jogadores do clube já reclamaram de atrasos, entre salários e luvas, que teriam sido pagas no dia 16. No mesmo dia, o zagueiro Alex Silva não se apresentou para viajar à Bolívia por conta do problema com os salários e deverá ser negociado.

Como se a turbulência não fosse pouca, após um longo vai-e-vem, o rubro-negro ainda perdeu o meio-campo Thiago Neves para o rival Fluminense, que venceu a disputa pela compra do jogador aos árabes do Al-Hilal.

A despedida de “São Marcos”

O ano também teve a despedida de um dos grandes ídolos do futebol surgidos nas últimas décadas. O ex-goleiro Marcos anunciou a sua aposentadoria após quase duas décadas de serviços prestados ao Palmeiras – inclusive negando o Arsenal da Inglaterra para jogar a Série B – e à Seleção, onde foi destaque no último título de Copa do Mundo FIFA, em 2002.

Com a humildade e a sinceridade que o marcaram como um ídolo dentre várias torcidas do país, Marcos destacou que sempre pensou em honrar o nome da família para não aborrecer os seus pais e que a maior homenagem que poderiam fazer para ele foi ter atuado no seu clube de coração por tanto tempo.

Relações assim entre clube, torcida e imprensa em tempos de assessores para isso e para aquilo farão de Marcos eterno quando o assunto for o futebol brasileiro. Ainda diremos: “Um dia ainda existiu quem falasse para os repórteres o que todo torcedor queria dizer…”.

Voltamos!

Esta foi só uma prévia do quanto de assuntos podemos e iremos tratar na Além das Quatro Linhas ao longo de 2012. Continuaremos monitorando o andar da carruagem que nos levará à Copa do Mundo FIFA 2014, independente de promessas, e os demais assuntos que interferem diretamente no jogo, mas que ainda são pouco discutidos por quem ama o futebol, o esporte do povo que cada vez mais se distancia dele.

(Entre em contato conosco e sugira assuntos, critique nossas opiniões, enfim, ajude-nos a construir a discussão do futebol “Além das Quatro Linhas”: andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. O que há por trás das mudanças no calendário do futebol

15, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Vamos mais a fundo e tentar fazer o que poucos têm coragem: falar sobre os “donos” do futebol. Ainda mais com a Confederação Brasileira de Futebol seguindo o critério “o que está funcionando bem ’a gente’ muda”.

Quem é jovem deve lembrar. Na década de 1990, os times “expressinhos” eram bastante utilizados para cumprir uma agenda cruel, com até dois jogos num mesmo dia (!).

Por mais críticas que possamos fazer a ele, Ricardo Teixeira soube melhorar o calendário aos poucos. Mesmo que o fosso para os times pequenos só cresça, a organização do Campeonato Brasileiro em pontos corridos, primeiro através da Série A em 2003 e dois anos depois na Série B, permitiu uma regularidade de datas jamais vista. Isto é inegável, assim como o fim das viradas de mesa. Agora grande cai, e isso é bom.

Quanto à competitividade, o ano estava bem definido. Os Estaduais – torneios que os grandes tratam com desdém, mas os que não o ganham sabem sua importância – dão a emoção dos clássicos regionais com caráter decisivo; a Libertadores é a cereja do bolo, difícil, mas prazerosa; o Brasileirão é a regularidade à prova, com decisões cada vez mais emocionantes tanto quanto na época dos mata-matas; a Sul-Americana ainda sofre por um respeito maior, mesmo com a vaga ao campeão para a Libertadores…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana. A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Muda o calendário do futebol brasileiro. Mas, a quem isso interessa? – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

15, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 13 de dezembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A Confederação Brasileira de Futebol resolveu chamar a atenção para si no final de ano. Primeiro, Ricardo Teixeira (finalmente) resolveu largar o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA 2014, repassando-o para Ronaldo Nazário (o neófito cartola do curíntia). Depois, veio o anúncio de que ele se afastará por 45 dias do comando, deixando a entidade sob presidência de José Maria Marin – ex-jogador do São Paulo na década de 50, vice-governador de Maluf na década de 1980 (este homem já teve sua relevância na política paulista, operando com Paulo Salim na repressão contra as greves do ABC, por exemplo) e atual vice-presidente da CBF pela região Sudeste.

Mas “só” isso não bastava. Ricardo Teixeira e seu diretor de competições, Virgínio Elísio, resolveram mudar o calendário das competições nacionais a partir de 2013, mesmo quando tudo parecia estar caminhando bem. Os motivos? Nós contamos a partir daqui.

Tudo caminhava bem…

Com o fim do Campeonato Brasileiro, os bastidores do esporte bretão costumam ser sempre muito agitados. Os clubes fazem algumas contratações, há trocas no comando técnico,… Enfim, fatos corriqueiros do mundo da bola.

Mas, como de costume, esta coluna deixa isso para os grandes veículos de mídia abordarem. Vamos mais a fundo e tentar fazer o que poucos têm coragem: falar sobre os “donos” do futebol. Ainda mais com a Confederação Brasileira de Futebol seguindo o critério “o que está funcionando bem ’a gente’ muda”.

Quem é jovem deve lembrar. Na década de 1990, os times “expressinhos” eram bastante utilizados para cumprir uma agenda cruel, com até dois jogos num mesmo dia (!).

Por mais críticas que possamos fazer a ele, Ricardo Teixeira soube melhorar o calendário aos poucos. Mesmo que o fosso para os times pequenos só cresça, a organização do Campeonato Brasileiro em pontos corridos, primeiro através da Série A em 2003 e dois anos depois na Série B, permitiu uma regularidade de datas jamais vista. Isto é inegável, assim como o fim das viradas de mesa. Agora grande cai, e isso é bom.

Quanto à competitividade, o ano estava bem definido. Os Estaduais – torneios que os grandes tratam com desdém, mas os que não o ganham sabem sua importância – dão a emoção dos clássicos regionais com caráter decisivo; a Libertadores é a cereja do bolo, difícil, mas prazerosa; o Brasileirão é a regularidade à prova, com decisões cada vez mais emocionantes tanto quanto na época dos mata-matas; a Sul-Americana ainda sofre por um respeito maior, mesmo com a vaga ao campeão para a Libertadores.

A Copa Kia do Brasil (ai, ai, não cansam de vender os símbolos para as transnacionais!) – não o Joorabchian, mas a marca de carros sul-coreana – dá a emoção dos mata-matas e a possibilidade de um pequeno surpreender (Criciúma, Juventude, Paulista e Santo André que o digam). Quer dizer, a Copa do Brasil dava esta expectativa, ou dará até 2012.

O torneio teve anunciada a mudança de sua fórmula a partir de 2013. Só não começa a partir do ano que vem porque o Estatuto do Torcedor exige prazo de dois anos para mudança de forma de disputa – e exige tantas outras coisas que deveriam ser respeitadas, já que o torcedor agradeceria.

O novo formato

O novo formato terá a participação de 86 clubes, no lugar dos atuais 64 (uau, quem não se lembra: onde a Arena vai mal, mais um no Nacional, onde vai bem, mais um também!). 80 virão segundo critérios da CBF ainda não definidos e disputarão mata-matas até que sobrem 10 clubes, ou seja, teremos quatro fases, no lugar das duas atuais, até se chegar às oitavas-de-final.

E os outros seis? Por mais que os dois primeiros anos de Série D, dentre outros problemas (financeiros, especialmente) tenha chegado a ter 5 classificados para as quartas-de-final, com três desclassificados sendo classificados depois, eles já corrigiram o erro a partir deste ano.

Para a Copa Kia do Brasil, os seis virão da Copa Santander Libertadores – haja marcas! Caso só cinco times brasileiros participem da competição sul-americana, o líder do ranking da CBF chegaria direto para as oitavas – hoje seria o Santos, não mais o Grêmio, que perdeu o posto no RNC no início da semana.

Este é um desejo antigo. Desde 2001 que os times que participam da Libertadores não atuam no torneio local por falta de datas, problema ainda sem solução. A ideia é que o torneio nacional vá de março a novembro, numa clara imitação das copas e taças dos países europeus. Estica o calendário, estica até que arrebenta os clubes médios, só restando os abençoados pelo pool de empresários-investidores!

Dos oito perdedores desse mata-mata, os quatro com melhores campanhas no Brasileiro do ano anterior serão remanejados para a Copa Bridgestone Sul-Americana (mais um torneio vendido!, Ay Caramba, Bolívar dá coices na tumba e Artigas esperneia também!) do mesmo ano. Quer dizer, se o torneio continental já não era levado a sério, agora a CBF assume que não precisa, afinal, virou um consolo.

Eles entrarão já na etapa internacional, eliminando os confrontos entre brasileiros na primeira fase e diminuindo pela metade a participação nacional no torneio. 

Mas o problema não é só “imitação”

Esta decisão acaba com uma das fontes de disputa do Brasileirão. Com exceção de 2011, quando as vagas foram rapidamente definidas, a disputa por entrar na “zona da Sul-Americana” permitia que os times no meio da tabela pudessem dar trabalho e entrar em campo com vontade de vencer.

Além disso, se um torneio assim parece não ser importante para São Paulo ou Palmeiras – se bem que ambos estão com necessidade de títulos… – para clubes como Atlético-GO e Bahia, classificados para 2012, vale muito. É a chance de aparecer em nível internacional.

Além disso, com a ampliação de datas para o torneio, com Estaduais e Brasileirão mantendo os formatos atuais, o número máximo de partidas oficiais de um clube brasileiro em um ano saltará de 83 para 89! E em 2014, com a parada para a Copa do Mundo, como fica? Nem a CBF sabe.

Explicando 1 – O fator Corinthians

Pode se tratar de uma mera coincidência (o que estes colunistas duvidam muito), mas bastou o Corinthians ser eliminado na pré-Libertadores para a CBF incluir os times que disputam a maior competição da América do Sul na Copa do Brasil. Teixeira deve ter tomado esta decisão na companhia de seus novos aliados Andrés Sánchez e Ronaldo – o mesmo que disse em 2009 que o presidente da CBF tem duplo caráter.

O time corintiano passou os primeiros meses do ano disputando “apenas” o Campeonato Paulista. Eles só não vêem que isso acabou sendo uma vantagem. O clube paulista pôde reformular a equipe e entrar descansado para o Brasileiro, onde venceu oito dos dez primeiros jogos disputados (mais dois empates). Quando caiu o rendimento, a gordura serviu para mantê-lo entre os primeiros. Porém, o dinheiro a entrar nos cofres foi menor.

Parece-nos claro que a CBF quer privilegiar os clubes grandes. O caminho para o título de um time dos chamados pequenos é bem maior. Quatro divisões nacionais – que não aumentaram a quantidade de participantes de forma geral – e mais uma Copa Kia do Brasil com duas fases a mais e nas oitavas de final com o enfrentamento com elencos montados para a Libertadores.

Além disso, se for eliminado precocemente da Copa do Brasil não parece haver problema. Mesmo que estes clubes não disputem mais nada ao longo do ano e tenham que encerrar suas atividades por falta de renda – algo mais que comum.

É a lei da CBF: fortalecer os grandes e os pequenos que se virem. E as federações, o que acham disso? Acatam, afinal todos são aliados do império da CBF. Que vergonha, hein, cartolagem estadual!

Explicação 2 – Fator Organizações Globo

Mas não podia ficar só nisso. Para quem trabalha com a Economia Política da Comunicação, ficar só no campo, esquecendo da “amiga gângster” Globo…

A informação vem da (sócia no Valor Econômico) Folha, em texto dos jornalistas Nelson Barros Neto e Sergio Neto: “A ampliação do período de disputa agrada ao Sportv, canal pago da Globo, que no próximo ano não terá mais o direito de transmitir a Libertadores e a Sul-Americana”. Elementar Watson, elementar!

O grupo de Rupert Murdoch passará a atuar de forma firme no Brasil. O canal Fox Sports chegará à TV fechada brasileira em 2012 – a partir de fevereiro, com sede no Rio de Janeiro – tirando as duas competições sul-americanas do Sportv. Quem mandou aprovarem o PLC 116, agora chora e guenta!

A nova fórmula da Copa Kia do Brasil é a aposta para se ter jogos a transmitir durante o ano inteiro e, ainda mais, contando com a presença dos melhores elencos do país a partir da segunda metade do ano, com a entrada dos que disputavam a Libertadores.

Não é à toa que o principal executivo da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto compareceu ao anúncio. Vale lembrar que a perda dos torneios olímpicos para a Record pesa muito contra ele dentro das Organizações Globo.

Finalmente o retorno?

Quem é nordestino deve se lembrar. Em 2001 e 2002 o futebol local viveu um dos seus melhores momentos. A criação da Liga do Nordeste, com dezesseis clubes de maior torcida de oito Estados da região (exceção do Maranhão e do Piauí), patrocínio master da Coca-Cola e transmissão das afiliadas e filiadas Globo (como a Copa União, 1987) foi sucesso.

Não é a toa que em 2002, a CBF resolveu apostar nos torneios ampliados por região, que davam vaga à Copa dos Campeões, torneio curto no meio do ano que garantia lugar na Libertadores. O problema é que, com exceção do torneio nordestino, os outros foram um desastre em termos competitivos e de lucratividade. Então, que os outros acabem?

A CBF acabou com todos eles, quebrando contratos importantes para os times nordestinos e diminuindo a visibilidade deles. Após anos de disputa judicial – que poderia gerar um prejuízo de R$ 38 milhões aos cofres da CBF! – finalmente parece que se chegou  a um acordo.

A tendência é que o torneio volte em 2013 – houve tentativas menores em 2003 e 2010, mas sem nenhuma benesse, com direito a pedido do Sport para não jogar a competição e times reservas atuando. Para o torneio serão separadas 12 datas. A fórmula de disputa será a mesma de 2000, com quatro grupos de quatro times em jogos de ida e volta, com os dois melhores classificando para os mata-matas. 

Qualificam-se para o torneio os dois melhores de cada Estadual no ano anterior. Estas competições também apresentarão mudanças, já que os seus representantes só poderão entrar na reta final. 

A reunião que definiu o retorno do torneio foi realizada há um mês, com a presença de Ricardo Teixeira, Campos Pinto (Globo) e representantes da empresa de marketing esportivo, a pioneira, Klefer (do ex-presidente do Flamengo e ex-radialista Kleber Leite). Os cartolas locais não confirmam ter aceitado, apesar de a fórmula já ter sido publicada.

A cereja do bolo seria a vaga à Copa Bridgestone Sul-Americana ao campeão do torneio. Mas isto ainda depende do aval da Conmebol, das entranhas do Imperador Nicolás Leoz.

Efetivas mudanças

Mudanças em fórmulas de torneios nacionais e do calendário brasileiro já vimos aos montes. Nós ainda esperamos – sentados ou até deitados, para não nos cansar – o dia em que a gestão do futebol brasileiro mude para valer, passando a atender aos interesses dos torcedores e não apenas de certos cartolas, patrocinadores ou emissoras de televisão.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Doutor Sócrates e a “democracia corintiana” em plena ditadura

“…O “Magrão”, como era chamado por conta do seu 1,91m de altura, sem qualquer característica de jogador de futebol, sempre foi um líder instruído e bem articulado. Esta liderança fez com que o Corinthians passasse a adotar um sistema democrático. Jogadores e diretores tinham peso de voto igual para tomar as decisões que mudariam o rumo do clube e do time dentro de campo, de contratações a aumento salarial. Nascia a chamada “Democracia Corintiana”.

O Brasil ainda vivia a ditadura militar (nos seus estertores, governo João Figueiredo, e ainda à época com Golbery e Delfim em ministérios), a democracia não era bem vista no país. O time corintiano deu exemplo de como o sistema democrático poderia funcionar. O time entrava em campo com mensagens políticas nas camisas, além de um constante apoio nas passeatas do movimento das “Diretas Já”, que quase levou às eleições diretas a presidência do Brasil…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana. A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A trajetória do Doutor Sócrates, militante do esporte. E da democracia – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 6 de dezembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A DIFÍCIL MISSÃO DE FALAR SOBRE SÓCRATES

A dificuldade de escrever esta coluna não está ligada às trapaças feitas por cartolas do futebol brasileiro, algo que para nós já se tornou rotineiro. A morte de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira fez com que os articulistas da Além das Quatro Linhas mudassem o tema da coluna desta semana na última hora.

Independente dos times que o Magrão jogou, ou até mesmo o que ele amou, nesse caso o Corinthians, Dr. Sócrates foi uma referência em campo pelo seu calcanhar mágico, mas principalmente fora dele por sua capacidade intelectual, que o levou a se formar em Medicina pela Universidade de São Paulo (campus de Ribeirão Preto). Além das quatro linhas foi um verdadeiro militante, um dos responsáveis pela Democracia Corintiana, uma proposta raríssima para aquelas bandas e ainda mais nos dias atuais.

A TRAJETÓRIA

No início dos anos 70, Sócrates começa a treinar no Botafogo de Ribeirão Preto, dividindo o tempo entre o clube e a faculdade de Medicina. Marcou sua passagem pelo clube do interior sendo artilheiro do Paulistão em 1976. Em 1978, transferiu-se para o Corinthians. Ao lado de Palhinha, Casagrande, Wladimir e Biro-Biro começou a surgir uma forte equipe que chegaria ao auge nos anos 80. Naquele time, ganhariam o bi-campeonato paulista de 1982-1983, parando a Máquina Tricolor, que tinha craques como Zé Sérgio no ataque e Renato Pé Murcho (ex-bugrino) no meio.

Em 1982, surgiu o que até hoje podemos chamar de um dos maiores movimentos democráticos da história do futebol brasileiro, a democracia corintiana. Sócrates exerceu sua liderança também como fruto do tempo que vivera, de abertura política e marcadas lutas sindicais por todo o Brasil.. O futebol era (e é) ainda habitado pelos chamados resquícios do entulho autoritário e contra estes o ex-estudante de Medicina se insurgira.

O “Magrão”, como era chamado por conta do seu 1,91m de altura, sem qualquer característica de jogador de futebol, sempre foi um líder instruído e bem articulado. Esta liderança fez com que o Corinthians passasse a adotar um sistema democrático. Jogadores e diretores tinham peso de voto igual para tomar as decisões que mudariam o rumo do clube e do time dentro de campo, de contratações a aumento salarial. Nascia a chamada “Democracia Corintiana”.

O Brasil ainda vivia a ditadura militar (nos seus estertores, governo João Figueiredo, e ainda à época com Golbery e Delfim em ministérios), a democracia não era bem vista no país. O time corintiano deu exemplo de como o sistema democrático poderia funcionar. O time entrava em campo com mensagens políticas nas camisas, além de um constante apoio nas passeatas do movimento das “Diretas Já”, que quase levou às eleições diretas a presidência do Brasil.

Sócrates foi um dos principais entusiastas do movimento e, dada a negativa do Congresso Nacional (em 1984, com a ditadura ganhando no voto dentro do Congresso), optou por deixar o país e atuar na italiana Fiorentina.

COPAS DE 1982 E 1986

A Copa do Mundo de 1982 ficou marcada para os brasileiros pelo grande time que acabou não vencendo. Esta geração do início dos anos 80 foi uma das mais talentosas do futebol. Ao lado de Toninho Cerezo, Paulo Roberto Falcão, Zico, Éder, Júnior, Leandro, Luizinho, Oscar e Batista, Sócrates fez parte de um meio campo inesquecível, de toques rápidos e envolventes. Após ser eliminado pela Itália no mundial de 82, ele declarou que foram os 30 dias mais perdidos de sua vida.

Na Copa seguinte, em 1986, o doutor e sua geração não eram mais os mesmos. Telê estava de volta, mas o encanto passara. Vivia-se a censura da palavra imposta pela direção de Otávio Pantera Cor de Rosa Pinto Guimarães e o mui nobre e ilibado Nabi Abi Chedid. O Magrão perdeu um dos pênaltis na fase de quartas de final e assim ficou marcado. Foi a última aparição de Sócrates com a camisa amarela. Mas sua classe nunca foi esquecida.

Seus últimos anos no futebol não tiveram o mesmo brilho. Sócrates teve problemas de relacionamento com seus companheiros de clube. Alguns chegaram a dizer que ele suspeitava da manipulação de resultados com participação de alguns de seus companheiros. O Doutor ainda voltou ao Brasil para atuar no Santos e no Flamengo. Justiça seja feita, no time da Vila, só o consórcio Luqui Bandeirantes se entusiasmou. Já no time de Zico, passou correndo sem deixar lembranças. Sem o mesmo brilho das atuações de anos anteriores, o Magrão optou pela aposentadoria em 1989, onde tudo começou, no Botafogo de Ribeirão Preto.

NENHUMA LIGAÇÃO COM AS PESSOAS DO TIME ATUAL

O Corinthians conquistou no final de semana o seu quinto título brasileiro. Óbvio que pulularam matérias ligando o grande Sócrates a este Corinthians campeão nacional, mas que em sua gestão atual nada representa o Magrão. As glórias e os títulos, sim, como bem provou a torcida ao homenageá-lo com o braço erguido no minuto de silêncio antes do jogo contra o Palmeiras.

A CBF está se brindando. Após muitas ameaças contra Ricardo Teixeira, o “dono” da entidade foi “obrigado” a distribuir o poder entre seus aliados mais recentes, todos eles vindo do Sport Club Corinthians Paulista – quem diria, logo de quem, dos mosqueteiros do povo, malditos como “gambás” pelas torcidas rivais. A cada dia, o Corinthians mais se assemelha ao Boca Juniors, dentro e fora das quatro linhas. No segundo aspecto, a frase acima não é nenhum elogio.

Voltando às manobras do Imperador Teixeira, primeiro, Andrés Sanchez, que sempre disse que não tinha interesse em comandar a CBF deu o primeiro passo para isso, ao assumir como diretor de seleções a partir de 2012, assim que sair da presidência do Corinthians.

A última cartada veio na última semana. Ronaldo Nazário de Lima foi escolhido para assumir a direção do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo. O Fenômeno terá a missão de aproximar pessoas (ou será tirar de cena Ricardo Teixeira antes que seja tarde?) já que a presidenta Dilma Rousseff demonstra total descontentamento com o presidente da CBF.

Ao anunciar Ronaldo, Teixeira disse que é hora da conciliação para podermos realizar a melhor e mais bela Copa de todos os tempos. O presidente corintiano voltou a fazer elogios ao R-Marketing-9 que, segundo ele, tudo o que toca vira ouro e, nesse caso, não será diferente (será?).

Ronaldo, o que confundiu André Luiz com Andréia (estava escuro e ele bêbado, segundo declarações oficiais….), faz tudo por dentro e com rubrica, sob o amparo de uma transnacional de marketing, relações-públicas e assessoria de comunicação e eventos. Não queima o filme dos sofredores como Kia Joorabchian do sultanato de Dualib, mas se batesse de frente com um grupo furioso de procuradores, talvez desguiasse, pulando da jangada, deixando “seu amigo” Andrés sozinho entre tubarões.

Romário já deu a dica ao ex-companheiro de ataque da Seleção. Se ele não quiser queimar sua imagem, basta realizar uma auditoria assim que assumir.

“NUNCA SERÃO”

Frase famosa do filme Tropa de Elite 1, repetida pelo lutador Anderson Silva no UFC-Rio 2011, encaixa-se como uma luva para Ronaldo e Andrés Sánchez. O Fenômeno foi genial dentro de campo, mas fora dele não podemos dizer o mesmo.

O presidente do Corinthians também pode ser considerado um gênio na arte de conquistar aliados e, indiscutivelmente, em termos de resultados, saindo no auge, com o título brasileiro. Os maiores exemplos de “amigos” são Ricardo Teixeira, Ronaldo e a alta cúpula da Rede Globo, a quem ele se referiu como gângster no início do ano. Ah, como já dissemos várias vezes, Andrés é sincero, muito sincero!

A relação de Sócrates com o presidente do Corinthians era conturbada. O doutor sempre deixou claro que não concordava com a administração de Sanchez. Meses atrás, Sócrates negou o convite para por os pés na calçada da fama do clube do Parque São Jorge. Não queria ser visto ao lado de Andrés.

FUTEBOL PARA ALÉM DAS QUATRO LINHAS

Fora de campo, Sócrates foi o que Ronaldo não é, e talvez nunca seja. Um lutador contra tudo que há de ruim no futebol, um claro exemplo que nos inspira a escrever e seguir com uma coluna com a perspectiva que nós temos.

Num mundo em que a criticidade é cada vez mais exceção, isso é visto por nós como uma dádiva. Nos campos futebolísticos, então, é uma imensa exceção, e isso juntando jogadores, comissões técnicas, dirigentes e jornalistas esportivos.

Escrever futebol “além das quatro linhas” é mais que o simples ato de preencher linhas ou pixels, é vivê-lo sob os diversos matizes proporcionados por este esporte, entendendo por que fazem o que fazem com a nossa paixão; racionalizando o máximo possível sobre algo que muitas vezes é irracional, explicando as relações de poder sobre, mas nunca esquecendo do amor em torno do assunto. Sócrates reflete isso.

TRÊS NOTAS PARA NÃO DEIXAR PASSAR

Nota de epílogo, primeira parte:

O S.C. Corinthians Paulista é muito maior do que a vivacidade de seus dirigentes e os diretores da Gaviões, torcida-empresa. Mas, na medida em que estas duas estruturas de poder – cartolagem e torcedores profissionais – vão tomando conta do espetáculo e marketizando o “ser curíntia” como um clichê de anúncio mal feito, a tendência é a fusão de imagens. Depois, para retirar um de dentro do outro, fica muito difícil.. O melhor exemplo é o C.R. Vasco da Gama, vice-campeão do Brasileiro 2011 e uma agremiação que deu a volta por cima. Para tanto, tiveram de “desEuricar”, embora escorando-se no ex-deputado estadual tucano Roberto Dinamite. Ainda dá tempo para a Fiel Torcida, mas tudo se encaminha para um processo à la Boca Jrs. Pré, durante e após Mauricio Macri. Cuidado!

Nota de epílogo, segunda parte:

Alô Pica-Pau, brioso informante e notório comentarista desta modesta coluna. Por favor, manda informações, tudo o que vier nós checaremos e vamos publicar, doa a quem doer. Pica-Pau, correio eletrônico também funciona….aquele abraço e bola prá frente.

Nota de epílogo, terceira parte:

Para a massa Xavante da Princesa do Sul. Valeu pelo retorno e a repercussão. Ou as mais de 24 micro-regiões do Rio Grande se unem e organizam uma defesa de suas expressões culturais, como os clássicos citadinos por exemplo, ou tudo vira pó sob a pressão da grenalização do futebol e a peleia selvagem pela audiência das rádios generalistas de Porto Alegre. Contem com a gente.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. As causas por que o futebol do interior gaúcho está ferrado

30, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…A ilusão seria seguir falando dos vários títulos do Internacional, justificando o seu nome a partir da última década, ou da “imortalidade” do Grêmio, provada nos rincões da Série B e da final da Libertadores logo a seguir. É algo que de tão visível acaba escondendo problemas maiores no futebol local.

O Rio Grande do Sul que já teve o título da Copa do Brasil de 1998 com o Juventude, em pleno Maracanã, contra o Botafogo e que viu em 1986 o Brasil de Pelotas eliminar o Flamengo de Zico e cia nas quartas de final do Brasileiro, vê o interior do estado em amplo processo de decadência.

Para se ter um parâmetro, enquanto o futebol alagoano terá dois times na Série B, o Rio Grande do Sul não terá nenhum. Vale lembrar que a economia alagoana é bem pior que a do interior gaúcho, não tendo, por exemplo, um banco estatal para patrocinar os clubes.

O Brasil de Pelotas foi rebaixado da Série C porque um lateral não cumpriu uma punição acumulada do ano passado. Ainda assim, só…

… Times do interior gaúcho vivem sob condições precárias. Ao contrário dos grandes porto-alegrenses, a dificuldade de manter um clube em atividade por doze meses no ano é o maior desafio encontrado pelos dirigentes. A subida ou descida de divisão depende do maior apoio de um grupo político e/ou empresarial. Este drama é comum a todo futebol profissional do interior brasileiro…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana. A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A derrocada do futebol do interior gaúcho. E suas causas – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

30, novembro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 28 de novembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Refletindo a decadência do futebol gaúcho

Para quem olha para o futebol gaúcho como uma possibilidade de fuga do domínio – reflexo socioeconômico – do eixo Rio-São Paulo, a tendência é tomar um susto com o regresso apresentado nos últimos anos.

A ilusão seria seguir falando dos vários títulos do Internacional, justificando o seu nome a partir da última década, ou da “imortalidade” do Grêmio, provada nos rincões da Série B e da final da Libertadores logo a seguir. É algo que de tão visível acaba escondendo problemas maiores no futebol local.

O Rio Grande do Sul que já teve o título da Copa do Brasil de 1998 com o Juventude, em pleno Maracanã, contra o Botafogo e que viu em 1986 o Brasil de Pelotas eliminar o Flamengo de Zico e cia nas quartas de final do Brasileiro, vê o interior do estado em amplo processo de decadência.

Para se ter um parâmetro, enquanto o futebol alagoano terá dois times na Série B, o Rio Grande do Sul não terá nenhum. Vale lembrar que a economia alagoana é bem pior que a do interior gaúcho, não tendo, por exemplo, um banco estatal para patrocinar os clubes.

O Brasil de Pelotas foi rebaixado da Série C porque um lateral não cumpriu uma punição acumulada do ano passado. Ainda assim, só escaparia nos critérios de desempate contra o paulista Santo André e o também gaúcho Caxias, que foi o último campeão gaúcho (e isso em 2000) fora a dupla Gre-Nal,  quando apareceu o atual técnico corintiano Tite.

O time da Serra Gaúcha será o único representante do estado na Terceira Divisão (!). O Pará contará com o outrora forte Paysandu e o Águia de Marabá.

O citado Juventude, também de Caxias do Sul, foi eliminado nas oitavas de final da Quarta Divisão e só garantiu vaga para o ano que vem porque venceu a Copa Laci Ughini, a “Copinha” do segundo semestre promovida pela Federação Gaúcha.

O Cruzeiro de Porto Alegre, terceiro colocado do Gauchão 2011, não passou da primeira fase da Série D. O outro representante do Estado só será definido no estadual do ano que vem. A coisa tá feia.

OS ESTADUAIS RESISTIRAM, MAS COM PERDA DA FORÇA DOS PEQUENOS

O Brasil é o único país do mundo onde existem os campeonatos estaduais de futebol profissional. Alguns comentaristas fazem longas teses para pedir o fim destes torneios, que deveriam ser apenas para clubes pequenos (gostaríamos de descobrir o que estes comentaristas entendem por pequenos).

Há quem defenda que o Campeonato Gaúcho evoluiu, que hoje é um campeonato moderno. Mas os anos acabam mostrando que nada mudou, quer dizer, só piorou. A dupla Gre-Nal continua soberana. Onze anos sem surpresas, com Grêmio e Internacional alternando os títulos estaduais, com um time de médio ou pequeno porte aparecendo em alguma final de turno, como foi o caso do Caxias, no primeiro deste ano.

Times do interior gaúcho vivem sob condições precárias. Ao contrário dos grandes porto-alegrenses, a dificuldade de manter um clube em atividade por doze meses no ano é o maior desafio encontrado pelos dirigentes. A subida ou descida de divisão depende do maior apoio de um grupo político e/ou empresarial. Este drama é comum a todo futebol profissional do interior brasileiro.

15 DE CAMPO BOM MOSTROU MANO MENEZES AO MUNDO

Alguém lembra do 15 de Novembro, de Campo Bom (Vale dos Sinos), que em 2004 chegou às semifinais da Copa do Brasil, deixando no caminho o Vasco, com vitória por 3 a 0 em pleno São Januário?

O time havia se qualificado para participar da sua segunda edição do torneio por ter sido vice-campeão do Gauchão em 2003 – e também no ano anterior, ambos após derrotas para o Internacional.

Aquele time de 2004 fora treinado por Mano Menezes, que após passagens ruins por clubes do interior gaúcho e paranaense pode mostrar o seu trabalho e alçar voos maiores, que o levaram hoje a treinar a Seleção brasileira de futebol – ou o que o Ricardo Teixeira quer que isso seja.

Nos seus rápidos tempos áureos, o 15 voltaria a ser vice-campeão gaúcho em 2005 e a aparecer no cenário nacional após tirar o conterrâneo Grêmio na segunda fase da Copa do Brasil, sendo eliminado em seguida para o Volta Redonda.

A pedra no meio do caminho foi a crise do setor coureiro-calçadista – que migrou para o Nordeste em busca de maiores isenções fiscais. O clube hoje está licenciado da Federação Gaúcha por falta de condições de se manter.

COTAS DE TRANSMISSÃO

Apesar do já citado apoio do Banrisul, a diferença paga para Grêmio e Internacional em relação aos demais ainda é grande em vários níveis, não só no caso da publicidade para quem “tem tudo”, como diz o slogan da instituição financeira.

No caso estadual, a Federação Gaúcha paga cotas maiores à dupla Gre-Nal, daí a disparidade dentro de campo, seguindo um modelo espanhol – algo já comentado em outras colunas – em que o torneio fica restrito a quem tem maior aporte financeiro na competição.

Fica a dúvida (?): os clubes não arranjam mais patrocinadores porque não ganham torneios ou não ganham torneios porque não têm jogos transmitidos pela TV, o que prejudica a quantidade de possíveis apoios financeiros às campanhas?

Para resgatar a importância da TV também para os clubes do interior se manterem, trazemos o caso do Brasil de Pelotas de 2009. O ônibus com a delegação do time sofreu um grave acidente quando voltava de um amistoso, com a morte de três pessoas, dentre elas o ídolo xavante Cláudio Milar.

Na época, o clube não tinha as mínimas condições para ter jogadores em campo, tanto por motivos físicos, quanto psicológicos e financeiros, já que faltava uma semana para o início do torneio.

Após muita discussão, o problema principal era que os clubes já haviam recebido as cotas de transmissão da Rede Brasil Sul (RBS), com determinação de jogos a serem transmitidos e tudo o mais. Não se poderia atrasar o campeonato.

Esta informação não vem de fontes ocultas, mas de dois funcionários do Grupo, ao menos naquele período, o repórter fotográfico Nauro Júnior e o jornalista Eduardo Cecconi, autores do livro A noite que não acabou (Livraria Mundial, 2009). Eis um dos trechos:

“A urgência pelo respeito ao contrato que proporciona aproximadamente trezentos e cinquenta mil reais para cada clube pela cessão dos direitos de televisionamento afligia de tal maneira Novelletto [presidente da FGF], que reiterava a iminência de ter o fígado devorado se a tabela não fosse religiosamente cumprida” (p. 193).

É óbvio que não se coloca aqui a culpa de um acidente automobilístico nos Sirotsky, mas é inegável que ter de fazer um jogo a cada dois dias do primeiro turno daquele ano em muito contribuiu para que o time fosse rebaixado. E, pior do que isso, para que o clube de maior torcida no interior do RS entrasse numa rota de decadência.

CONGRESSO VIRA FARRA

Enquanto os seus clubes vão sendo tornados pequenos, a Federação local viaja a América do Sul para realizar congressos técnicos.

Em anos anteriores, a FGF os realizou em Montevidéu e Buenos Aires. Desta vez o Chile foi o destino, mais precisamente o luxuoso Regal Pacific, próximo dos centros comerciais.

A visita à ANPF (Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile) parece que não estava no roteiro, ou não deu tempo. Os cartolas passaram longe. Já Viña Del Mar e Valparaíso, pontos turísticos litorâneos, foram locais propícios para se debater sobre futebol?

Cerca de 60 pessoas, entre dirigentes e suas esposas (afinal elas também vivem de futebol), ganharam um natal antecipado do senhor Francisco Noveletto.

O presidente da Federação Gaúcha argumenta que o dinheiro gasto não é da federação. Quem teria bancado a “festa”, segundo ele, são os patrocinadores (não se trata da rede de lojas do presidente). Enquanto eles desperdiçam o dinheiro em farras, seus clubes vivem com a corda amarrada no pescoço.

PARECE PIADA

Mas não é só congresso técnico que sai do seu local de origem. Único grande atrativo de torcedores – ao menos no que aparenta ser a visão dos dirigentes, já que Ca-Ju também é clássico – o clássico Gre-Nal na fase classificatória percorre outras cidades e até outros países.

Nos últimos campeonatos gaúchos, tivemos clássico em Erechim, interior gaúcho, e Rivera (Uruguai), com um grande contingente de gremistas e colorados que residem naquela região. Os clubes receberam um bom dinheiro e os estádios tiveram bom público, apesar do superfaturamento dos ingressos.

Há um suposto convite para jogar um clássico em Boston ou Miami (EUA). Parece mais uma piada de mau gosto. Que os dois grandes clubes vão ganhar dinheiro disso não duvidamos, mas e o torcedor? Como vai se deslocar até os Estados Unidos no único clássico garantido pela “moderna” tabela?

Enquanto isso, os clubes do interior caem num ostracismo que é altamente prejudicial ao futebol local. Se no Rio de Janeiro só sobraram os quatro grandes, o Rio Grande do Sul só possui dois, o que diminui o potencial de barganha e de enfrentamento inclusive em áreas como a definição dos direitos de transmissão e da publicidade.

Torcedor apaixonado existe em qualquer lugar e deveria ser o foco de um clube, mas ninguém pensa nele mesmo. Esta figura só é lembrada pelos homens da cartola quando o nó da gravata aperta e os clubes estão no sufoco, beirando o rebaixamento ou no “fundo de um poço sem fundo”, como é o caso dos outrora famosos times do interior gaúcho.

É HORA DA ADAGA!

Esta coluna editorialmente entende que é chegada a hora de se valer das melhores tradições rio-grandenses e partir para a peleia direta contra a cartolagem e todas as forças sinistras que fazem da capital uma sanguessuga das mais de 24 microrregiões do estado. Se o futebol é parcela importante da identidade de um povo, é hora de defendê-la a ferro e fogo.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

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ALÉM DAS 4 LINHAS. Além de ajudar o Grêmio, o “gladiador” é esperança eleitoral do deputado Odone

23, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Paulo Odone de Araújo Ribeiro é um grande visionário. Sempre fez tudo pensando no futuro. A tentativa de apagar o péssimo ano de 2011 tem muito a ver com o que poderá vir, mas não exatamente  para o clube.

Odone se elegeu deputado estadual pelo PPS usando como palanque eleitoral o Grêmio Futebol Porto-Alegrense. Após trazer o clube de volta à primeira divisão nacional de forma épica, as eleições de 2010 ficaram fáceis. O presidente foi eleito para mais um mandato como deputado estadual com mais de 60 mil votos. Nas eleições do clube, venceu em primeiro turno, com 222 votos dos 279 conselheiros presentes, alcançando seu quarto mandato.

Com gestão de dois anos, o certo é que o mandatário tricolor tem somente 2012 para tentar se redimir junto à torcida gremista e salvar sua carreira política. Neste ano, o time disputou ferreamente o Gauchão contra o rival Internacional que, mesmo com um elenco bastante superior, só venceu o torneio nos pênaltis.

No Brasileirão, viveu altos e baixos, com direito a demissão do ídolo, e salvador de 2010, Renato Portaluppi, o que gerou grandes desentendimentos com a torcida, que teve que ver o fracasso do ex-auxiliar técnico de Falcão, Julinho Camargo, e o sempre discutível Celso Roth até o fim de um campeonato que o clube não almeja grandes coisas há algumas rodadas.

A primeira missão do “Gladiador” é, sem dúvida, apagar os fracassos do seu novo presidente. Caso contrário, Paulo Odone corre o risco de virar um novo…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana. A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A chegada do “gladiador” Kleber e o deputado Odone – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

23, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 21 de novembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A NOVA NOVELA DO FUTEBOL BRASILEIRO TEM COMO PROTAGONISTAS KLEBER E O GRÊMIO

Odone tenta criar mais um mito com a contratação de Kleber. O “gladiador imortal” terá que reerguer gestão de presidente gremista

Quando se tem uma contratação que demora semanas, até meses para ser concluída no futebol, logo se traz à tona a palavra “novela” para designá-la. O atacante Kleber e o Grêmio sabem muito bem serem protagonistas delas, chegou a vez de atuarem juntos.

Na última semana, o “Gladiador” foi notícia nos principais jornais do Brasil, principalmente na imprensa gaúcha. O Grêmio através do seu presidente (e deputado estadual pelo PPS) Paulo Odone, passou a fazer todo o esforço para contratar o atacante.

A negociação teve direito a voo fretado (São Paulo-Porto Alegre) e reunião na casa de empresário, até terminar em uma famosa boate de Porto Alegre. O bom atacante dentro de campo, problemático fora dele, pediu tempo para pensar.

Kleber chegou a dizer que não queria sair de São Paulo por conta das filhas, mas especula-se que o Corinthians estaria atravessando o negócio, mesmo com uma melhor proposta do tricolor gaúcho. Não custa lembrar, porém, que apesar da ligação com o rival Palmeiras, o coração, ao menos na juventude, era corintiano.

O supersincero, e em fim de mandato, Andrés Sanchez primeiro disse que não passaria por cima dos gaúchos, para depois confirmar o interesse no jogador, mas com uma proposta menor de salário e de compra de parte do passe.

No sábado (19 de novembro), após uma surpreendente derrota para o Ceará em pleno Olímpico, o executivo de Futebol gremista, Paulo Pelaipe, confirmou a contratação de Kleber – mesmo que durante a semana o Fluminense, numa negociação paralela, quase estragasse tudo. Com aval do Palmeiras, os tricolores já podem apresentá-lo oficialmente como o grande reforço para 2012, que ao menos em termo de salário (R$ 500 mil por mês) não deixa dúvidas disso.

O MEDO DO NOVO MICO

O presidente do Grêmio temia pagar um novo “mico”. Ressabiado do episódio Ronaldinho Gaúcho no início do ano, em que no dia marcado para o anúncio até caixa de som foi instalada no gramado do Olímpico, Odone optou por não dar como certa a contratação do “Gladiador”.

Mesma atitude tomou a imprensa gaúcha. O jornal Zero Hora optou por aguardar, já que em episódio anterior seu editor executivo de esportes deu a barrigada do ano, quando garantiu Ronaldinho no Olímpico. O ex-melhor do mundo acabou acertando com o Flamengo, e a imprensa preferiu culpar a família Assis e a direção gremista. Afinal, jornalista esportivo cravando contratações que não chegam não é novidade alguma.

Kleber também tem históricos com ameaças de negociações. Após uma sondagem do Flamengo no meio deste ano, que lhe oferecia um salário maior que no Palmeiras, onde tinha grande identificação com a torcida – em especial com a organizada Mancha Alviverde –, chegou a adiar a entrada em campo para completar sete jogos pelo clube no Brasileiro, o que inviabilizaria sua participação em qualquer outro time.

Mesmo após o “fico”, o atleta caiu de rendimento, marcando apenas um gol pela Série A a partir daí. Após a suposta agressão de torcedores contra o volante João Vitor, Kleber peitou técnico e vice-presidente de futebol, fechando a sua segunda passagem pelo clube paulista da pior forma possível.

PENSANDO NO FUTURO

Paulo Odone de Araújo Ribeiro é um grande visionário. Sempre fez tudo pensando no futuro. A tentativa de apagar o péssimo ano de 2011 tem muito a ver com o que poderá vir, mas não exatamente  para o clube.

Odone se elegeu deputado estadual pelo PPS usando como palanque eleitoral o Grêmio Futebol Porto-Alegrense. Após trazer o clube de volta à primeira divisão nacional de forma épica, as eleições de 2010 ficaram fáceis. O presidente foi eleito para mais um mandato como deputado estadual com mais de 60 mil votos. Nas eleições do clube, venceu em primeiro turno, com 222 votos dos 279 conselheiros presentes, alcançando seu quarto mandato.

Com gestão de dois anos, o certo é que o mandatário tricolor tem somente 2012 para tentar se redimir junto à torcida gremista e salvar sua carreira política. Neste ano, o time disputou ferreamente o Gauchão contra o rival Internacional que, mesmo com um elenco bastante superior, só venceu o torneio nos pênaltis.

No Brasileirão, viveu altos e baixos, com direito a demissão do ídolo, e salvador de 2010, Renato Portaluppi, o que gerou grandes desentendimentos com a torcida, que teve que ver o fracasso do ex-auxiliar técnico de Falcão, Julinho Camargo, e o sempre discutível Celso Roth até o fim de um campeonato que o clube não almeja grandes coisas há algumas rodadas.

A primeira missão do “Gladiador” é, sem dúvida, apagar os fracassos do seu novo presidente. Caso contrário, Paulo Odone corre o risco de virar um novo Eurico Miranda, que de ídolo e deputado federal dos vascaínos, nas eleições seguintes teve menos votos que porteiro de prédio e, no clube, é lembrado por detalhes não futebolísticos, no melhor estilo Luiz XIV.

Kleber assina por cinco anos…vamos ver quanto tempo levará ate a primeira encrenca.

VOLTARAM A DISPARAR

Por mais que a Copa do Mundo FIFA 2014 não seja o assunto principal da coluna, ela sempre vai aparecer. Odone é o Secretário Extraordinário do evento no Rio Grande do Sul, mesmo sendo presidente do rival do time que, ao menos por enquanto, terá seu estádio como sede do evento.

Brigas gaúchas a parte, Romário voltou a atacar nos últimos dias. Ao participar de um evento ao lado de Neymar e Pepe (o maior artilheiro da história do Santos, porque Pelé é hour concours), o baixinho disparara contra o Rei do futebol: “ Ele não tem p… nenhuma de consciência. Eu prometi para mim mesmo que não falaria do Pelé. Uma vez eu disse que ele calado é um poeta. Guardar mágoa é coisa de babaca. Ele tem de calar a boca. E tem mais. Eu não levo nenhuma da CBF. Eu não sei se ele leva”.

Edson Arantes do Nascimento respondeu dias depois, afirmando que não ouviu a frase do atual deputado federal pelo Rio de Janeiro (PSB-RJ), mas que não tinha relação alguma com a CBF, apesar de dizer que não havia nada provado contra seu presidente, Ricardo Teixeira.

Sobre o jornalista inglês Andrew Jennings, da BBC, principal inimigo da FIFA, o ex-artilheiro de Vasco e Flamengo disse que na opinião dele se trata do maior jornalista da atualidade, pois ele descobre coisas que ninguém descobre.

Nos Emirados Árabes, outro baixinho famoso, Diego Maradona tecia críticas ao presidente da FIFA Joseph Blatter, que teria contemporizado os casos de racismo entre atletas dentro de campo. “El Pibe de Oro” pediu medidas contra Blatter, destacando que “Blatter já cometeu muitos erros anteriormente. Seja por suas decisões ou o que ele falou, não é a primeira vez. Normalmente, os erros dele não são a favor do futebol”.

Sobre o caso, que se refere às denúncias contra o zagueiro inglês John Terry (Chelsea) e o atacante uruguaio Luiz Suárez (Liverpool), até o ministro do Esporte do Reino Unido, Hugh Robertson, defendeu a saída de Blatter da presidência da entidade por conta de atitudes como esta. Lembra-se que o Parlamento inglês formou uma espécie de CPI para entender como se perdeu o direito de realizar a Copa do Mundo para países como Rússia (2018) e Catar (2022), apontando para a compra de votos como único motivo plausível. Como se diz na gringa “Money rules!”, ainda mais se vier de petrodólares ou sob controle de máfias pós-soviéticas.

Pelé foi melhor que Romário e Maradona dentro dos gramados – trazer Blatter para a comparação seria incoerente, pois ele poucas vezes deve ter chutado uma bola. Fora de campo, o argentino teve uma vida repleta de fatos negativos, mas sempre peitou qualquer tipo de interesse contrário aos jogadores e à população oprimida. Romário vem sendo a grande surpresa, positiva, no Congresso Nacional. Já o Edson…

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. O britânico que deu aula aos congressistas, sobre a FIFA e a bisca Ricardo Teixeira

13, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…Sobre o homem que comanda o futebol do país há mais de duas décadas, ele é bem claro sobre, utilizando uma comparação bem interessante com o que se dá dentro de campo: “Todo mundo ouviu falar do Pelé, do Romário, do Ronaldinho… Agora, o Ricardo Teixeira é comentado em todas as casas e isso não é bom para o Brasil. Vocês sabem disso. São os seus policiais que estão investigando o Teixeira, não sou eu. Estamos vendo criminosos, estamos vendo criminalidade no Brasil”.

Jennings não poupou da ironia para “explicar” a nossos senadores a situação: “É o momento de vocês dizerem à FIFA: ‘vocês fedem, vocês fedem. […] Não queremos que a nossa presidente seja fotografada com esses criminosos. Que animal é esse a FIFA, que animal é esse?”

Para ele, toda a pressão da entidade para que se cumpra o contrato assinado pelo então preside Lula em 2007, mesmo que infrinja leis brasileiras, é inócua, já que ela jamais teria a ousadia de tira o evento da maior nação de futebol do mundo. Nós deveríamos saber disso.

Jennings ainda explicou o maior problema e o principal motivo de o Brasil ser escolhido como sede do evento em 2014. Blatter teria “dado” a Copa a Teixeira em troca do apoio do presidente da CBF em sua reeleição na FIFA. Assim, poderia “roubar nos contratos”…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana –- com ênfase para a audiência no Senado em que foi ouvido o jornalista britânico Andrew Jennings, que desnudou a situação complicadíssima (para dizer o mínimo) da bisca do Ricardo Teixeira, aliado da FIFA e coordenador local da Copa do Mundo de 2014. A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

O jornalista inglês, os senadores e as biscas Ricardo Teixeira e FIFA – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

13, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 10 de novembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

UMA AULA AOS NOSSOS CONGRESSISTAS

Após a Copa do Mundo de 1998, o Congresso Brasileiro foi palco da CPI da Nike/Futebol. O intuito era dissecar as relações político-econômicas indicadas no esporte mais querido dos brasileiros a partir do contrato com a empresa de material esportivo.

Dez anos depois, não só continuamos com Ricardo Teixeira – o homem que caga montão para as críticas – no comando da CBF, como ele está sentado no baú de ouro, como presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA 2014. Enquanto isso, congressistas tentam mostrar trabalho. Em favor de quem?

Três processos, dois na Polícia Federal e um na Civil do Distrito Federal, foram reabertos recentemente – nesta sexta, R.T. prestou depoimento à PF do Rio de Janeiro. Em compensação, o ex-algoz Agnelo Queiroz (PCdoB), que presidiu a CPI e teve livro sobre o assunto proibido de circular, assumiu o Ministério do Esporte com direito a “boas-vindas” oficiais da entidade. A “oposição” a ele não virá por aí…

Na Câmara dos Deputados há uma Comissão que analisa a Lei Geral da Copa, motivo de rusgas entre Governo federal e FIFA, com destaque para atuação de Romário (PSB). Esta semana, o “Baixinho” criticou à iniciativa de “dar totais poderes a uma entidade marcada por denúncias de corrupção” e que nomeou um homem que responde a três processos para comandar os gastos de um evento do porte da Copa do Mundo.

A audiência na Câmara – só para registrar, presidida por Renan Filho (PMDB/AL), cujo nome e Estado de origem indicam a origem genealógica – teve como ponto central de discussão os direitos dos torcedores enquanto torcedores. Vale lembrar que o Estatuto do Torcedor, assim como o Estatuto do Idoso, é uma lei federal e está sendo amplamente desconsiderado pelo caráter “diferenciado” do evento.

JÁ NO SENADO…

No Senado, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte ouviu no dia 26 o “inimigo número 1” de Havelange, Blatter e “mr. Teixeira”, o jornalista Andrew Jennings, que deu uma aula sobre o caso aos parlamentares, incluindo como eles deveriam agir sobre.

Afinal, esta comissão não tem ninguém com experiência, não é mesmo? Álvaro Dias (PSDB/PR) participou da CPI Nike; Cristóvam Buarque (PDT/DF) foi ministro na primeira gestão petista; Roberto Requião (PMDB/PA), polêmicas com jornalistas e mamonas à parte, preside a CE, onde, em abril, chegou a sugerir a criação de uma legislação sobre a contratualização dos direitos de transmissão esportivos no país.

Ainda assim, foi necessário que o grande jornalistas inglês viesse ao Brasil para falar algo que já disse várias e várias vezes, seja em entrevistas, em reportagens para a BBC e no livro “Jogo sujo: o mundo secreto da FIFA”. Vai ver que é mais fácil que conseguir a vinda de Teixeira, Blatter e seu escudeiro Jerôme Valcke venham dizer coisas que ninguém ouviu.

Não sejamos injustos, há promessas de que ainda este mês o secretário-geral Valcke, que em momento de sinceridade sanchezniana admitiu em e-mail compra de votos na entidade, irá se apresentar no Senado – talvez para “forçar” a aprovação da Lei Geral da Copa.

Voltando a Jennings, ele reafirmou a denúncia do programa “Panorama”, que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo FIFA 2014 recebeu cerca de US$ 9,5 milhões (R$ 16,7 milhões) de suborno da empresa de marketing esportivo ISL. Seu ex-sogro, João Havelange, teria ficado com US$ 1 milhão. Ambos teriam tido que devolver essa vultosa quantia à Justiça Suíça.

Relembrando, o parecer foi feito em cima de documentos da justiça suíça a que o jornalista teve acesso – e pelo qual briga para que seja divulgado publicamente. Segundo o repórter, o desvio que deu fim a uma empresa que movimentava cerca de US$ 2 bilhões por ano em direitos de comercialização de tudo registrado pela FIFA, a ISL, seria arquitetada pelo trio Havelange-Teixeira-Blatter, este último que também teria se beneficiado do esquema.

Em 2000, a ISL fez uma estranha parceria com Grêmio e Flamengo, investindo milhões de dólares. No ano seguinte decretou falência, deixando ambos os clubes com dividas astronômicas.  

CRIME ORGANIZADO

Para Andrew Jennings, a FIFA possui todos os requisitos para ser enquadrada como uma quadrilha de crime organizado. Para ele, a Copa do Mundo FIFA 2014, a ser realizada no Brasil, poderá ficar marcada por escândalos envolvendo Teixeira, Havelange e Blatter.

Sobre o homem que comanda o futebol do país há mais de duas décadas, ele é bem claro sobre, utilizando uma comparação bem interessante com o que se dá dentro de campo: “Todo mundo ouviu falar do Pelé, do Romário, do Ronaldinho… Agora, o Ricardo Teixeira é comentado em todas as casas e isso não é bom para o Brasil. Vocês sabem disso. São os seus policiais que estão investigando o Teixeira, não sou eu. Estamos vendo criminosos, estamos vendo criminalidade no Brasil”.

Jennings não poupou da ironia para “explicar” a nossos senadores a situação: “É o momento de vocês dizerem à FIFA: ‘vocês fedem, vocês fedem. […] Não queremos que a nossa presidente seja fotografada com esses criminosos. Que animal é esse a FIFA, que animal é esse?”

Para ele, toda a pressão da entidade para que se cumpra o contrato assinado pelo então preside Lula em 2007, mesmo que infrinja leis brasileiras, é inócua, já que ela jamais teria a ousadia de tira o evento da maior nação de futebol do mundo. Nós deveríamos saber disso.

Jennings ainda explicou o maior problema e o principal motivo de o Brasil ser escolhido como sede do evento em 2014. Blatter teria “dado” a Copa a Teixeira em troca do apoio do presidente da CBF em sua reeleição na FIFA. Assim, poderia “roubar nos contratos”.

Além disso, explica que há um forte esquema de empreiteiros sobre o assunto – como tratamos na coluna passada sobre o caso da reforma do Beira-Rio não “poder” ser por conta própria. O suposto esquema se daria assim: “Eles têm que diminuir o ritmo de construção dos estádios e vai ficar mais caro e aí quando eles receberam a bolsa dos cidadãos abertos desse jeito aí eles constroem. Não sei por que vocês devem ser abusados dessa forma”.

Para o jornalista inglês, ainda há tempo para evitar que se manche a reputação do Brasil como foi feito com a África do Sul. Porém, a vontade tem que vir dos brasileiros em mudar a situação, não cabendo a um estrangeiro nos dizer como fazer isso. Numa das colocações retóricas, e das mais interessantes, ele pediu aos senadores: “Por favor, olhem-me nos olhos e digam que não há nenhum suborno nem propina acontecendo para a construção dos estádios”.

Poucos senadores, ao final da audiência, propuseram coisas para além de uma preocupação sobre o assunto. Os senadores gaúchos Pedro Simon (PMDB) e Ana Amélia (PP), por exemplo, pediu que Jennings encaminhasse as denúncias à presidenta Dilma – cá entre nós, por que não eles?

O único a mostrar algo de concreto foi senador Mário Couto (PSDB-PA) – o mesmo que discutiu com Marta Suplicy (PT) na tribuna em fevereiro. Couto foi ao encontro do que disse o jornalista e chegou a dizer que o próximo a cair será Ricardo Teixeira, ou o “mundo inteiro vai nos criticar”, pois este seria um dos maiores ladrões da pátria. Ele tentará criar uma CPI para investigar Teixeira.

CHAMADO A DEPOR

Na última quinta-feira dia 4 de novembro, Ricardo Teixeira foi até a Polícia Federal do Rio de Janeiro prestar depoimento. Acompanhado de três advogados Teixeira falou por mais de 3 horas, sobre seu patrimônio e suas contas foras do Brasil. O delegado afirmou que tudo será investigado, e quando for a hora seu sigilo telefônico e bancário será quebrado.

Teria o senhor Ricardo Teixeira soltado o verbo com fez a meses atrás à revista piauí? E com tantas cartas na manga o Presidente do COL, e dono do futebol brasileiro corre riscos de perder o reinado?

SUPERAÇÃO DE CRISE

O anúncio da semana não foi colocado. Após “prever” a queda do ministro Orlando Silva, parece que Governo e FIFA estão entrando nos trilhos. A promessa é que o acordo seja finalizado na semana que vem, com a aceitação da meia-entrada para os idosos, mas jamais para os estudantes – alguém lembra a juventude de qual partido que “domina” há décadas a União Nacional dos Estudantes?

Jerôme Valcke afirmou que a FIFA até poderá propor ingressos “populares” entre R$ 34,50 e R$ 50,90 para os jogos da primeira fase – afinal, já viu pobre em festas para a elite? Mas não deixou de “ameaçar” o Governo federal, ao afirmar que num confronto com a entidade não haverá vencedores: “O Brasil não vencerá a FIFA”. Se a entidade fez muitas concessões, o país terá que fazer o mesmo.

Um inglês dando aulas sobre como combater a corrupção no Brasil, enquanto um francês intimida a nação com as suas explicações de que os mais poderosos são os mais fortes. Espera aí, as nossas desigualdades sociais já não nos apresentam tal realidade, independente de Copa do Mundo?

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Felipão e os conflitos permanentes num conturbado Palmeiras

“…Mesmo Luiz Felipe Scolari, em entrevista após a partida contra o Flamengo, no dia seguinte, optou por não defender o jogador ou atacar os torcedores. Disse que ali “não há nenhum santinho”.

Vale lembrar que a Mancha foi a que fez o principal protesto contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no clássico contra o Corinthians, em agosto. No mesmo dia, num conflito com policiais militares em torno do estádio, dois torcedores palmeirenses foram baleados – e não eram balas de borracha!

Na mesma semana, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, que também é conselheiro do clube, assinou ofício proibindo a entrada da Torcida Organizada Mancha Alviverde dos estádios em São Paulo. Rapidez, no mínimo, curiosa e que nunca ocorreu no país.

Sem atacar ou defender as organizadas, que tem a maioria dos seus membros ligados a conselheiros e diretorias – que diga certa torcida que teria ganho R$ 1 milhão para aturar, e pedir autógrafos, a certo iraniano líder de lavanderia –, a história foi passada de forma indiscutível: a T.O. haveria realizado uma emboscada ou algo parecido.
Mas os problemas não pararam por aí. Afinal, isso é Palmeiras…”

Esse é apenas um trecho (clique  AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

O Palmeiras, Felipão e o conflito permanente – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 20 de outubro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

UMA CRISE (E DÚVIDAS) SEM FIM

Ao longo de 2011, a Sociedade Esportiva Palmeiras parece estar fazendo questão de encher os jornalistas brasileiros, em especial do “centro” do Brasil, de notícias. Mas o motivo não são os bons resultados em campo, “esquecidos” desde a Era Parmalat, mas as crises que aparecem na mesma proporção do tamanho da sua torcida.

Estas pequenas crises deixam ainda outras dúvidas. O estopim mais recente traz como protagonistas uma torcida organizada que foi afastada dos estádios após protesto contra Ricardo Teixeira e um atleta que teria peitado os chefes pela falta de ação no caso de um colega agredido.

Na terça-feira da semana passada (11/10), quando todos souberam a respeito da agressão ao volante palmeirense João Vítor em frente à loja do Palmeiras, a primeira reação foi rechaçar a veracidade da ainda suposta ação de quinze torcedores contra o jogador alagoano, seu pai e um amigo.

Depois, com as primeiras imagens de celular divulgadas, surgiu a dúvida de como se dera a agressão. Numa cena aparece o atleta e um amigo “em cima” de um torcedor e na seguinte, claramente cortada, ele já aparece com a camisa rasgada.

João Vítor disse que um torcedor, com calça da Mancha (Alvi)Verde teria chutado o seu carro e a discussão começaria ali. O torcedor foi o primeiro a prestar depoimento na polícia, dizendo que o jogador haveria se irritado com as críticas dele, afirmando que um boleiro daquele nível não deveria andar com um carrão enquanto o time vai muito mal. Como a sede da Organizada fica bem perto, outros torcedores teriam ido “ajudar” o companheiro.

Mesmo Luiz Felipe Scolari, em entrevista após a partida contra o Flamengo, no dia seguinte, optou por não defender o jogador ou atacar os torcedores. Disse que ali “não há nenhum santinho”.

Vale lembrar que a Mancha foi a que fez o principal protesto contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no clássico contra o Corinthians, em agosto. No mesmo dia, num conflito com policiais militares em torno do estádio, dois torcedores palmeirenses foram baleados – e não eram balas de borracha!

Na mesma semana, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, que também é conselheiro do clube, assinou ofício proibindo a entrada da Torcida Organizada Mancha Alviverde dos estádios em São Paulo. Rapidez, no mínimo, curiosa e que nunca ocorreu no país.

Sem atacar ou defender as organizadas, que tem a maioria dos seus membros ligados a conselheiros e diretorias – que diga certa torcida que teria ganho R$ 1 milhão para aturar, e pedir autógrafos, a certo iraniano líder de lavanderia –, a história foi passada de forma indiscutível: a T.O. haveria realizado uma emboscada ou algo parecido.
Mas os problemas não pararam por aí. Afinal, isso é Palmeiras…

DE ÍDOLO A JUDAS

Poucas horas depois da notícia da agressão a João Vítor, os sites noticiavam que os atletas teriam resolvido não seguir viagem ao Rio de Janeiro, onde enfrentariam o Flamengo, após terem se assustado com o que ocorreu horas antes. Boatos davam conta de que eles poderiam fazer até greve e não entrar em campo.

Não demorou para aparecer outra crise; Kleber teria discutido com o vice-presidente de Futebol Roberto Frizzo e com Felipão, que realizaram uma conciliação entre eles quase inédita, porque a diretoria não manifestou repulsa ao ocorrido. No meio da discussão, o “Gladiador” chegou a apontar o técnico como culpado da agressão ao colega, por jogar o time contra a torcida, pois sempre fala que pretende contratar outros jogadores para o ano que vem.

Num choque de “gigantes”, Luiz Felipe disse que Kleber nunca mais jogaria consigo e o atleta foi afastado do grupo. A diretoria até voltou atrás da preocupação em demitir o jogador por conta das multas que pode pagar, mas que ele volte a atuar com a camisa alviverde, aí é difícil.

Se Felipão não é unanimidade no elenco, Kleber muito menos. Quer dizer, nem entre a organizada já aqui supracitada, a quem sempre foi “leal”, mesmo na época em que vestia a camisa do Cruzeiro. Na partida de domingo, alguns torcedores mostravam uma camisa em que ele aparecia como “Judas”. Semanas antes, alguns realizaram protesto em frente ao apartamento do atacante. Kleber quase saiu do Palmeiras após tentadora proposta do Flamengo e desde junho só marcou um gol pelo time.

Quem apagou o incêndio, ou parte dele, foi o goleiro Marcos, que mesmo sem atuar para se recuperar de dores no joelho esquerdo, ligou imediatamente para o presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo para saber o que poderiam fazer. Além disso, mostrou aos jogadores que era importante atuar.

BRIGAS QUE MARCARAM O FUTEBOL

Não são raras as brigas envolvendo jogadores e treinadores. Em 2006, Carlos Alberto e Emerson Leão discutiram na beira do campo, quando ambos estavam no Corinthians. A briga só terminou porque atletas e a comissão técnica intervieram. O time corintiano perdeu para o Lanús por 4×2 e acabou eliminado da Copa Sul-americana daquele ano.

Em 2007, Vanderlei Luxemburgo e Marcelinho Carioca, que se “aturaram” no Corinthians e na Seleção, discutiram fortemente no extinto programa Por Dentro da Bola, de José Luiz Datena. A briga foi tão áspera que o apresentador teve que intervir chamando os comerciais.

No último domingo, o atacante Miralles, do Grêmio, veio a público queixar-se da falta de respeito do técnico Celso Roth com ele. O atleta viajou para Santos e não foi relacionado nem mesmo para o banco de reservas.

Segundo Roth, falta comprometimento tático e disposição durante os treinamentos. O técnico tem fama de arrumar encrenca com jogadores por onde passa. Foi assim em sua passagem pelo Internacional, e na anterior no mesmo Grêmio.

FELIPÃO X IMPRENSA

Mas o técnico Luiz Felipe Scolari vai além. Marcado por formar “famílias” por onde passa, apesar dos problemas no Chelsea (ING), na recente passagem pelo alviverde paulista ele já brigou com jornalistas, dirigentes, empresários e jogadores.

Ele nunca demonstrou muito apreço pelo trabalho da imprensa (embora muitas vezes seja mesmo difícil), mas na sua volta ao Brasil a paciência do técnico “pentacampeão” parece ter se esgotado.

Em recente entrevista para o jornalista (e agora também filiado ao PPS) Jorge Kajuru, ele não escondeu certa mágoa com a mídia esportiva pela forma como o tratou no seu período à frente da Seleção. A Globo teria até montado manifestações contra ele na época da convocação para a Copa – quando o Brasil, inclusive o presidente FHC, queria Romário.

Muitos dizem que o treinador palmeirense já está cansado do convívio do futebol, e que já está na hora de aposentar-se, mas a mídia brasileira costuma levar tudo para o lado pessoal.

Em outubro de 2010, Felipão chamou um repórter de palhaço por achar que uma pergunta foi provocativa. No jogo seguinte todos os jornalistas foram para a coletiva de imprensa usando um nariz de palhaço. Após uma reunião com o sindicato de profissionais, um acordo de paz foi selado.

Este ano o relacionamento entre Felipão e a imprensa ruiu ainda mais. Primeiro, tentou agredir um fotógrafo após a derrota para o Botafogo no Engenhão. No aeroporto, ao voltar com o time da partida contra o Flamengo, insultou outro fotógrafo ao mandá-lo fotografar seu p…

Seguidamente o técnico resolve proibir os jogadores de darem entrevistas, fato que revolta os setoristas, e aí os coleguinhas usam sem dó nem piedade o espaço da mídia destinado ao Palmeiras para criticar o técnico.

TÉCNICO X PARCERIA

Luiz Felipe também entrou em atrito com a Traffic, empresa que pertence a J. Hawilla – alguns dizem até que não… A empresa chegou a ser a principal investidora do Palmeiras, mas abandonou o barco há algum tempo, optando por colocar jogadores em vários clubes.

No início do ano, um atleta formado na base teria forçado sua venda para a Itália. O atacante Vinícius tinha porcentagem da Traffic – como muitos outros jogadores, repartidos em forma de pizza. O técnico tirou o outro atleta pertencente ao grupo da relação de jogadores, o meia Tinga, alegando defender o Palmeiras, e não aceitar escalar jogadores para colocá-los na vitrine, não interessando a qual empresário os jogadores pertencem.

Confusões a parte, fato é que Felipão, mesmo sem fazer uma grande campanha desde que saiu do comando da seleção de Portugal, em 2008, tem um amplo mercado de atuação, tanto em grandes clubes brasileiros quanto em times portugueses ou seleções de menor porte.

O contrato com o Palmeiras vai até 2012. Há quem duvide que ele continue, principalmente pela diretoria sempre sofrer pressão da oposição (leia-se Mustafá Contursi) por conta do alto salário ganho por Scolari. Ele fica até quando quiserem. Já os problemas, ninguém sabe quando acabarão.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

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ALÉM DAS 4 LINHAS. Afinal, noticiário esportivo é jornalismo ou entretenimento?

“…Tratar o esporte apenas com dados das partidas, quem fez tal jogada em qual tempo, como se faz nos textos de jornal impresso e de sites de internet “profissionais” passa ao largo de demonstrar o melhor que um jogo tem para passar, o que mais atrai o torcedor: a emoção.

Enquanto isso, a proposta de encarar só como entretenimento, acaba por esquecer que há informação a ser transmitida. O esporte é um fato sociocultural e como tal deve ser transmitido. Para além das piadas excessivas e da falta de emoção característica….e convenhamos, as piadas realizadas passam longe de tocar no dedo mínimo das estruturas de poder do futebol profissional e do próprio Comitê Olímpico Brasileiro e as confederações filiadas.

A Rede Globo de Televisão que não possui em sua grande de programação nenhum programa jornalístico com humor, resolveu optar por fazer isso nos programas esportivos. Nota-se que no atual momento, no estilo “CQC”, o jornalista está tentando aparecer mais e mais, sobressaindo-se ataques a notícia, omitindo o contraditório, ignorando a investigação jornalística e pasteurizando o que já foi papo de esquina…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Noticiário esportivo, jornalismo ou entretenimento? – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 13 de outubro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

JORNALISMO ESPORTIVO OU ENTRETENIMENTO ESPORTIVO?

A acentuada ampliação da oferta de produtos midiáticos que misturam estratégias do jornalismo e do entretenimento está cada vez mais evidente nos últimos anos. Entre os que amam ou odeiam, o “modelo Tiago Leifert” de se apresentar programa esportivo tomou conta dos “noticiários” esportivos. Num padrão em que o mais importante é ser descontraído.

Depois de passar anos sob a “objetividade” do jornalismo, agora o questionamento é saber onde foi parar a notícia quando se fala de esporte? Bem…

Em 2008, o repórter Tino Marcos, há 20 anos acompanhando os jogos da Seleção, deixava o cargo para assumir a edição executiva e a apresentação do Globo Esporte nacional. O intuito era que seguisse um modelo de telejornal, com dois apresentadores, uma bancada, telão do lado… Não durou muito tempo.

Já no ano seguinte, Tino voltou aos jogos do Brasil. 2009 foi ano da divisão em mais centrais da Central Globo de Jornalismo, que passou a ter uma Diretoria Geral de Jornalismo e Esporte e uma Central Globo de Esportes. A ordem era mudar o noticiário esportivo da emissora, muito sério (ah, se fosse mesmo sério, o Imperador Teixeira não duraria tanto….).

São Paulo ganhou então o seu Globo Esporte, para atender ao público local. O apresentador da nova empreitada, e editor, seria Tiago Leifert, que seguiu no programa uma direção oposta à iniciada no ano anterior. Informalidade virou palavra-chave para que o esporte fosse tratado de forma descontraída.

Desde então, o modelo cresceu muito dentro da emissora e ganha alguns reflexos nas demais “concorrentes”. O Esporte Espetacular é prova disso, com o ex-jogador de vôlei Tande dividindo a apresentação do programa com Glenda Koslovski. Além da “polêmica” promoção com o joão-bobo João Sorrisão.

MODELO VEM DO SEMANAL FANTÁSTICO

Em 2007, Tadeu Schmidt recebeu a tarefa de fazer os gols do Fantástico virarem um atrativo para toda a família. Algumas novidades foram implantadas, como o jogador que fizer três gols poder escolher uma música; mostrar alguns erros e algumas curiosidades dos jogos; além da “interatividade” do programa com o púbico nos quadros Bola Cheia e Bola Murcha, onde o apresentador recebe vídeos enviados pelos próprios telespectadores. Interatividade controlada na web e alguns minutos a menos de produção de externas e pós-edição….

Neste caso, o Fantástico se propõe a ser uma revista eletrônica, mesmo que nas últimas décadas venha tentando se achar entre jornalismo e entretenimento. O não mais só irmão do “mão santa” Oscar Schmidt (agora funcionário da Record e com passagens consagradas pelo malufismo) conseguiu encontrar um meio-termo que parece faltar ao programa de forma geral.

UM NOVO PÚBLICO E O SUCESSO NACIONAL

Voltando ao Globo Esporte, o teste final da adesão ao modelo foi o programa “Central da Copa”, que ocorria após os jogos do Brasil na Copa do Mundo FIFA 2010 ou durante o Jornal da Globo, quase todos os dias. Se mais de um ano após o evento, o programa continuou com o mesmo nome e indo ao ar, não precisava dizer que o formato deu certo.

Durante a Central da Copa, Leifert, e seu fiel escudeiro o atual comentarista e ex-centroavante Caio Ribeiro, criaram um programa de auditório para comentar as partidas, com a presença de alguns dos nomes da cobertura esportiva da emissora como convidados. Uma das suas campanhas favoritas foi contra a Argentina, quando apostou com uma brasileira torcedora dos hermanos quem cairia primeiro no torneio.

Muitos passaram a assistir os programas esportivos da Globo devido ao novo formato, isto é inegável. Basta Tiago Leifert aparecer na telinha que comentários como “não gostava de ver esportes na TV, mas com ele….” aparecerem nas redes sociais.

Mesmo quando ele não está apresentando o Globo Esporte SP, há substitutos nas brincadeiras do programa. Sempre alguém jovem, pronto para fazer piadas sobre as notícias do cotidiano futebolístico, com reportagens que tentam ser engraçadas ao tratar o futebol, em particular, de um jeito menos formal.

AS POLÊMICAS

Antes de qualquer coisa, Leifert tem e terá que conviver com o fato de ser filho de um importante diretor da Globo, Gilberto Leifert – diretor de relações com o mercado, mas também, presidente do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Na dúvida para ataques, volta-se para o lado familiar como “facilitador” de sua entrada. Informação passada, independente de como ele entrou, o seu jeito de fazer jornalismo esportivo, se é que ainda podemos chamá-lo disso, ganhou força por méritos próprios. E, sejamos francos, se não desse audiência ele não estaria à frente de um monitor da famiglia Marinho. Já o custo para o bem imaterial mais apreciado do povo brasileiro….

Ao menos o febeapá entra em “divertidas confusões”, como numa versão mais mondo cane da Sessão da Tarde. Na ainda curta carreira como apresentador do Globo Esporte SP envolveu-se em algumas polêmicas. Primeiro foi com o ex- jogador Neto, atual comentarista e apresentador da Band.

Em uma palestra na Uninove, o apresentador do Globo Esporte desmentiu o ex-craque corintiano sobre a possível vinda do holandês Seedorf para o Corinthians, em abril deste ano, e a troca de farpas continuou via Twitter.. No microblog, questionado sobre o porquê de não falar contra Ricardo Teixeira, Tiago Leifert ameaçou deixar o Twitter e mandou o telespectador aproveitar o sábado e procurar uma mulher. Que beleza, diante do contraditório o “jornalista” abandona a arena….

EM MAIS UM CASO DE SINCERIDADE À LÁ ANDRÉS SANCHEZ:

Em maio, foi a vez de se desentender com o portal UOL (Grupo Folha). O setor esportivo do site comentou entrevista do apresentador à revista GQ, em que disse achar estranho quando lhe perguntaram por que não falava sobre outros assuntos.

Leifert ao menos é sincero, como se nota nas palavras abaixo:

“Meu amigo, muda de canal pra ver a sua notícia! Não tem Fórmula Indy na Globo, não vai ter Pan-americano na Globo, não vai ter Olimpíada na Globo! Essa cobrança é puro romantismo! A gente tem que perder essa mania de achar que tudo é uma força do mal. Não é isso, é negócio.. Quem paga mais leva e quem leva exibe”.

Depois, também via Twitter, disse que ao contrário do que diz a matéria do UOL, não iriam “esconder” as Olimpíadas. Viram porque o contraditório é importante?

Outro desafeto público é o jornalista Jorge Kajuru, que após vários comentários contra o jovem apresentador, chegou a “ameaçar” Leifert; vindo após a considerar que talvez tenha exagerado em muitas críticas. Kajuru não esconde de ninguém que esse modelo de descontração é usado por ele desde sua passagem pela Band e que a Rede Globo teria tentado o contratar na época para fazê-lo….viram, não adianta negar, a indústria cultural existe, é horrenda e tem fome, muita fome.

EDIÇÃO GAÚCHA TAMBÉM ADERIU AO NOVO FORMATO

Com a regionalização nas outras praças do Globo Esporte, que não necessariamente têm agora que seguir a rede, o formato foi repassado. No Rio Grande do Sul não foi diferente, o Globo Esporte RS – que até poderia se chamar por “Só Gre-Nal” – ganhou uma edição completa, não mais apenas o primeiro bloco.

Os telespectadores acreditavam que o esporte local ganharia mais espaço para passar informações sobre o futebol do interior e outras modalidades esportivas, num Estado com importantes clubes, como é o caso do Grêmio Náutico União e da Sogipa. Mas isso não ocorreu, apenas a dupla Gre-Nal teve seu espaço ampliado….o raciocínio da famiglia Sirotsky deve ser guiado pelo gênio de Tiago Leifert. Para que falar de potências olímpicas do Rio Grande do Sul se quem vai transmitir são os compradores da massa quase falida deixada por Renato Ribeiro?!

Ainda assim, parece que meia hora é muito tempo para falar só dos dois clubes da capital. Então, o programa ganhou quadros totalmente humorísticos, não contendo nada de informações relevantes, detalhando, por exemplo, os cuidados com o cabelo de um recém-contratado do Grêmio….

BANDEIRANTES AINDA USA O “MEIO TERMO”

Na Rede Bandeirantes, ainda podemos dizer que usam o chamado “meio termo” entre o humor e o jornalismo esportivo, com a polêmica continuando a ser a pauta – imitando o programa de José Luiz Datena.

A edição paulista do Jogo Aberto, cuja primeira parte é nacional, optou por colocar ex-jogadores (Neto, Denílson, Edmundo) ao lado da jornalista Renata Fan (ex-Miss Brasil) e de algum outro convidado, casos do narrador Oscar Ulysses e de Osmar de Oliveira. A ordem parece ser a de demonstrar atrito entre eles.

A âncora do programa já teve seu dia de humorista, quando, após uma campanha reverberada entre jogadores, dançou em meio ao programa uma música da cantora pop Shakira.

Um modelo parecido, com mulher mediando o debate entre homens, ocorre também na Rede TV!, que ainda conta com o “Mulheres na Rede” no domingo, incluindo “personalidades” como a ex-jogadora Milene Rodrigues, para discutir com comentaristas, a exemplo do ex-goleiro do Corinthians Ronaldo (Soares Giovanelli, não confundir com o ex-de Milene).

“JORNALISMO ESPORTIVO”

De um lado o jornalismo, com seus formatos definidos, que enquadram os fatos – apesar de a ordem de agora seja apostar na informalidade, ao menos na exclusão do Teleprompter nos telejornais de praças. Do outro, o esporte, que traz um entretenimento, com suas paixões e emoções de todo o torcedor.

Será que arranjar uma união entre estes dois elementos é esquecer dos fundamentos de um dos dois?

Tratar o esporte apenas com dados das partidas, quem fez tal jogada em qual tempo, como se faz nos textos de jornal impresso e de sites de internet “profissionais” passa ao largo de demonstrar o melhor que um jogo tem para passar, o que mais atrai o torcedor: a emoção.

Enquanto isso, a proposta de encarar só como entretenimento, acaba por esquecer que há informação a ser transmitida. O esporte é um fato sociocultural e como tal deve ser transmitido. Para além das piadas excessivas e da falta de emoção característica….e convenhamos, as piadas realizadas passam longe de tocar no dedo mínimo das estruturas de poder do futebol profissional e do próprio Comitê Olímpico Brasileiro e as confederações filiadas.

A Rede Globo de Televisão que não possui em sua grande de programação nenhum programa jornalístico com humor, resolveu optar por fazer isso nos programas esportivos. Nota-se que no atual momento, no estilo “CQC”, o jornalista está tentando aparecer mais e mais, sobressaindo-se ataques a notícia, omitindo o contraditório, ignorando a investigação jornalística e pasteurizando o que já foi papo de esquina…

HOSANA DOS GRAMADOS….

João Sem Medo Saldanha, em sua figura, nós homenageamos a todos os que construíram o gênero da crônica esportiva (futeboleira na verdade) neste país então deitado em berço esplêndido. Como ironia nada sutil (deveras macabra, reconhecemos), nenhum dos bonequinhos de ventríloquos das direções de emissoras líderes no oligopólio tupiniquim mereceriam ser tema de um conto de Edilberto Coutinho.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. Morte do operário da Arena e o que isso tem a ver com a Copa

“…Na noite de domingo (02/10/2011), um operário que trabalhava na obra da Arena do Grêmio morreu atropelado porque não há transporte para atravessar uma movimentada avenida no dia de folga. Por conta disso, os demais trabalhadores teriam colocado fogo no alojamento. Foi o terceiro protesto só este ano. Você acha que isso não tem nada a ver com a Copa?

Grêmio e Internacional fazem um duelo de bastidores para que um deles seja a sede “gaúcha” (rio-grandense, pois os gauchos originais não seriam obedientes a patrões e capatazes) da Copa do Mundo. A proximidade a países com fortes seleções, casos do Uruguai e da Argentina, cujas formas de torcer são “imitadas” por aqui, seria uma grande atração para o Rio Grande do Sul em 2014.

O Beira-Rio surgia como franco favorito. Bastava uma simples reforma e tudo ficaria pronto com tempo de sobra. Porém, o modelo de autofinanciamento foi descartado, já que o valor da reforma começou a crescer, e em maio a construtora Andrade Gutierrez foi escolhida.

Ainda assim, só esta semana a mega-empreteira (com ilustrativas passagens pelas operações da PF, a Satiagraha e a Castelo de Areia) encaminhou a minuta do contrato, que passará nas mãos de um escritório de advocacia para análise e só então será…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos (que edita o material) e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A morte do operário da Arena e o que isso tem a ver com a Copa – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 6 de outubro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

UMA COPA ACIMA DAS PESSOAS

Já tratamos neste espaço sobre a Copa do Mundo FIFA 2014 – cada vez mais FIFA e menos do Brasil. Já falamos sobre as greves em alguns dos estádios. Já destacamos Ricardo Teixeira e seus amigos. Ainda assim, quase toda semana aparecem notícias relevantes sobre o evento e não temos como nos calar.

Na noite de domingo (02/10/2011), um operário que trabalhava na obra da Arena do Grêmio morreu atropelado porque não há transporte para atravessar uma movimentada avenida no dia de folga. Por conta disso, os demais trabalhadores teriam colocado fogo no alojamento. Foi o terceiro protesto só este ano. Você acha que isso não tem nada a ver com a Copa?

Grêmio e Internacional fazem um duelo de bastidores para que um deles seja a sede “gaúcha” (rio-grandense, pois os gauchos originais não seriam obedientes a patrões e capatazes) da Copa do Mundo. A proximidade a países com fortes seleções, casos do Uruguai e da Argentina, cujas formas de torcer são “imitadas” por aqui, seria uma grande atração para o Rio Grande do Sul em 2014.

O Beira-Rio surgia como franco favorito. Bastava uma simples reforma e tudo ficaria pronto com tempo de sobra. Porém, o modelo de autofinanciamento foi descartado, já que o valor da reforma começou a crescer, e em maio a construtora Andrade Gutierrez foi escolhida.

Ainda assim, só esta semana a mega-empreteira (com ilustrativas passagens pelas operações da PF, a Satiagraha e a Castelo de Areia) encaminhou a minuta do contrato, que passará nas mãos de um escritório de advocacia para análise e só então será apresentada na reunião do Conselho Deliberativo para ser aprovado ou não.

Enquanto isso, o Grêmio seguiu o projeto de construir um novo estádio, num sistema que a construtora ficará com o antigo, o Olímpico – alguém lembra de um clube grande que iria construir o seu estádio independente da Copa, mas viu ser escolhido em detrimento de um rival?

A escolha da Arena para a Copa não é descartada por ninguém, nem que seja apenas como campo de treinamento. Se for alternativa para estádio então, há um excesso de canchas para o evento – 12, quando se pode fazer com 8 – e outros estádios do Brasil na sobra.

E OS TRABALHADORES?

Se o Inter só derrubou um pedaço das arquibancadas e ainda usa o seu estádio, a promessa tricolor é que o seu estará pronto três meses antes do previsto, até o fim de 2012. Na pressa, alguns problemas trabalhistas apareceram e foram motivo para duas greves até aqui por más condições de trabalho.

Na noite do primeiro domingo de outubro veio à justificativa para a terceira. O trabalhador José Elias Machado foi atropelado no trecho da BR-209, conhecido como Freeway, no bairro do Humaitá, em Porto Alegre. A pista bastante movimentada fica entre a obra e o alojamento de cerca de 500 operários e não tem uma passarela. Como protesto, alguns dos operários teriam tocado fogo no alojamento e se recusaram a trabalhar nesta segunda-feira.

O Ministério do Trabalho já chegou a embargar a obra em março deste ano por falta de condições de segurança e porque os fiscais encontraram pessoas trabalhando sem carteira assinada.

Lembramos que, por conta dos baixos valores de salário, a maioria dos operários vem das regiões Norte e Nordeste e, portanto, não têm ligação com o sindicato local dos trabalhadores da construção civil.

Segundo a OAS, construtora responsável pela obra (também com uma ilustrativa passagem pelo inquérito da Operação Castelo de Areia), há disponibilização de transporte apenas para os dias de trabalho, que não seria o caso do domingo, justo quando todos precisam sair de casa para se divertir. Ou seja, para os “donos da obra”, peão não precisa se divertir, e se sai para caminhar ou dar uma volta nas tardes de domingo, pode se arriscar ao atropelamento! Desgraçadamente, a tese patronal estava errada.

Como já relatamos em outras edições desta coluna, obras das reformas de Maracanã e Mineirão já pararam mais de uma vez por conta de má condição de trabalho, baixo salário e falta de cumprimento com direitos legais. No Maracanã até comida estragada foi entregue aos operários (como na guerra dos candangos durante a construção de Brasília); no caso da Arena do Grêmio, o trabalho era em três turnos.

Quanto vale uma Copa? Quer dizer, em termos de recursos gastos nestas obras vale muito, mas no cuidado com os trabalhadores, sejam os que constroem as obras ou aqueles que pagam os seus impostos, parece que a relação é inversamente proporcional.

ENTREGUEMOS O PAÍS!

Desde que foi enviada ao Congresso Nacional, a Lei Geral da Copa divide opiniões. Parte da mídia, até a pequena, viu alguns problemas que demonstrariam a interferência de uma entidade internacional privada nos interesses do país. Toda a outra parte passou a anunciar estremecimento da relação entre a FIFA e o Governo federal, a ponto de sugerirem que teria sido cogitada a quebra de contrato para o evento por faltar pontos importantes para a Federação comandada por Blatter.

Na segunda-feira (03/10), a presidenta Dilma Rousseff se reuniu com o secretário-geral da Associação com sede na Suíça (àquela que lava mais branco!), Jeröme Valcke, em mais um exemplo de como não quer ver sua imagem ligada a nomes como Ricardo Teixeira, presidente do Comitê Organizador Local, e Joseph Blatter, presidente da dona do evento.

O choque das exigências da FIFA com as leis federais e estaduais do país será diminuído ou até eliminado. Ao menos foi o que deu a entender o ministro dos Esportes, o ex-comunista Orlando Silva, que prometeu a Valcke que o Governo sugerirá alterações numa lei que ele mesmo fez. A justificativa é que a Copa do Mundo é um evento “único” – já os problemas de saúde, educação e infra-estrutura são tão comuns que não há tanta urgência na preocupação…

O secretário-geral da FIFA – que era vice-presidente de marketing foi afastado por suposta corrupção e voltou num cargo maior – deixou claro que as exigências são sempre as mesmas, independente das leis de cada país. Como o Brasil assinou um contrato se comprometendo em cumpri-las, cabe agora ao Governo recuar e deixar “nítido que todas as garantias serão cumpridas”, como disse o ministro.

Um dos pontos em conflito é a garantia de meia-entrada. A FIFA teria liberdade para colocar qualquer valor nos ingressos – o que justifica a “Copa no Brasil, mas não dos brasileiros”, como diz o atual deputado federal (e recém contratado pela Record) Romário –, porém há o Estatuto do Idoso, lei federal que garante o direito de pagar a metade do valor para entrar em eventos. No caso estudantil, as regras são em alguns Estados e deve ficar mais fácil de serem quebradas com um pedido especial de um ministro que já foi presidente da União Nacional dos Estudantes…ai, ai, UNE, quem te viu e quem te vê!

O SUPER-SINCERO ESTÁ DE VOLTA

Como a coluna da semana passada foi sobre ele, achamos que não deveríamos trazê-lo de volta para a desta semana. Mas não dá. Andrés Navarro Sánchez, presidente do Corinthians, foi matéria especial da Revista Época (Organizações Globo), que contou toda a sua história – com direito a detalhes pessoais e sua ligação com bicheiros paulistas.

De toda a matéria assinada por Luiz Maklouf Carvalho o que criou mais polêmica foi o seguinte trecho, que aqui reproduzimos:

“Quem fez o estádio fui eu e o Lula. Garanto que vai custar mais de R$ 1 bilhão. Ponto. A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht (presidente do Conselho de Administração da Odebrecht). – O dia em que essa história vier a público vai ficar feio para quem?? – Não vai ficar feio pra ninguém. Vai ficar, talvez, não imoral, mas difícil para o Lula. – Por quê?? – Porque vão falar: ’Pô, como é que uma empreiteira se submete a fazer isso? Por que o presidente pediu?”’

Uma nota foi publicada no site do Corinthians ainda no sábado. Andrés não retira o que disse sobre a importância do ex-presidente Lula para a construção do estádio, mas que não teria dito que o estádio custaria mais de R$ 1 bilhão, seria o contrário: “o Corinthians lutou para baixar este valor para R$ 820 mi e que o custo total da obra não irá superar esta marca”.

ENQUANTO ISSO…

Enquanto o Governo federal corre para agradar a FIFA, a “farra” de gastos com estádios no Brasil não parece que vai parar tão cedo. Na final do “Superclássico das Américas”, em que o time B do Brasil (ou de Teixeira) venceu o time B (ou C?) da Argentina (ou de Grondona), foi anunciado que o Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão) será sede da Copa América de 2015. Goiânia também foi confirmada no amistoso realizado contra a Holanda.

Como bem provou a torcida paraense, ainda nos parece inadmissível que Estados como Pará e Goiás, com mais tradição no futebol estejam fora da Copa do Mundo FIFA 2014 em detrimento de Amazonas e Mato Grosso (neste caso, como o Rei da Soja, ex-governador Blairo Maggi é base do governo, senador pelo PR do MT, tudo pôde e conseguiu).

Além disso, e ainda mais grave, é pensar que para um evento que precisa de oito estádios e vão construir doze (!) ninguém tenha pensado em aproveitar quatro ou cinco deles para sediar a Copa América que será no ano seguinte.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. Fala Andrés Sánchez, presidente do Corinthians. Será ele sincero ou réu-confesso?

“…O mandatário corintiano voltou a defender Ricardo Teixeira, dizendo que as pessoas pegam pesado com o presidente da CBF. Segundo ele se fala muita coisa, mas não se prova nada, mesmo admitindo que na entidade há problemas, “como em qualquer lugar”.
O atual homem-forte de Ricardo Teixeira nos clubes disse o seguinte:
“Eu acho que ele foi muito importante pro futebol brasileiro, com erros e acertos. Eu acho que tão pegando muito no pé dele sem provas. Acho que aqui nesse país ainda temos que acreditar na Justiça, nos órgãos públicos e que se tiver alguma coisa que se fale logo. Não pode ficar dez anos batendo numa pessoa, insinuando e ninguém provando nada”.

Ainda bem que este ano algumas denúncias vêm acompanhadas de provas, em especial após a famosa entrevista de R.T. Para a revista Piauí em julho. O procurador da República Marcelo Freire remeteu na segunda-feira…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A palavra de Andrés Sánchez, o sincero. Ou será réu confesso? – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 29 de setembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

SÁNCHEZ FALA SOBRE (QUASE) TUDO E DE TODOS

Na quarta-feira 21 de setembro, a às vezes atriz, outras vezes “jornalista” Marília Gabriela, estreou o novo dia de seu programa de entrevistas no SBT, o “De Frente com Gabi”.

O programa que era somente dominical agora passará a ser exibido também nas quartas feiras. O convidado foi o super-sincero Andrés Navarro Sánchez. O presidente corintiano falou sobre Corinthians, CBF, Ronaldo, e política,… demonstrando a maior calma sobre todos os assuntos.

SINCERO OU RÉU CONFESSO?

Andrés Sánchez termina o seu mandato no Corinthians no início do ano que vem e já tem como indicação para assumir o cargo, Mário Gobbi; mas sobre o futuro no futebol, nada de indicações. Ele teria prometido estrutura e base para o clube e deixou 75% ou 80% das coisas prontas, com os ganhos por ano sendo maiores que as dívidas – que são, no geral, na casa dos 150, 160 milhões de reais.

O mandatário corintiano voltou a defender Ricardo Teixeira, dizendo que as pessoas pegam pesado com o presidente da CBF. Segundo ele se fala muita coisa, mas não se prova nada, mesmo admitindo que na entidade há problemas, “como em qualquer lugar”.

O atual homem-forte de Ricardo Teixeira nos clubes disse o seguinte:

“Eu acho que ele foi muito importante pro futebol brasileiro, com erros e acertos. Eu acho que tão pegando muito no pé dele sem provas. Acho que aqui nesse país ainda temos que acreditar na Justiça, nos órgãos públicos e que se tiver alguma coisa que se fale logo. Não pode ficar dez anos batendo numa pessoa, insinuando e ninguém provando nada”.

Ainda bem que este ano algumas denúncias vêm acompanhadas de provas, em especial após a famosa entrevista de R.T. Para a revista Piauí em julho. O procurador da República Marcelo Freire remeteu na segunda-feira (26/09) à Superintendência da Polícia Federal no Rio um pedido de abertura de novo inquérito contra Teixeira para saber se o dinheiro recebido, segundo denúncia do jornalista Andrew Jennings, teria vindo ao Brasil de forma irregular.

SUBSTITUTO

Já tratamos aqui na Além das Quatro Linhas antes, mas Andrés Sánchez é um dos favoritos a assumir o lugar de Teixeira na presidência da CBF a partir de 2015 – se não ele, Joana Havelange.

Perguntado se sonha em ser presidente da CBF, Sánchez não descartou a hipótese, apenas desconversou dizendo não pensar nisso agora até mesmo porque ainda falta tempo para o processo eleitoral da entidade, apesar de se colocar à disposição do futebol no que precisar.

ESTÁDIO E RELAÇÕES POLÍTICAS

Andrés afirmou que jamais prometeu construir estádio, por ter sido enganado há 50 anos com essa história. Porém, eis que surge um projeto com a Odebrecht – quantas obras mesmo a empresa participa nesta Copa? E, falando em São Paulo, esta mesma empresa participa do Consórcio do Metrô Linha 4 (Linha Amarela) – aquele mesmo do buracão de 2007!

O presidente corintiano é claro ao dizer que quando o Morumbi foi vetado, a responsabilidade do clube era com o que tinha programado, os R$ 400 milhões por 44 mil lugares. O resto para a abertura? “Era um problema da cidade”. Se não fosse isso, “com certeza estaria mais adiantado do que está hoje e não teria também a renda que vai ter, é uma coisa muito grande”.

Marília Gabriela até tentou por algumas vezes que ele admitisse que seriam gastos recursos públicos. Sobre o empréstimo no BNDES, ele disse que pagará juros e que “qualquer brasileiro pode fazer isso” – qualquer um mesmo? No caso da ajuda municipal, seria só um documento. Balela; relações assimétricas e apelo eleitoral corintiano.

Vejamos as peripécias que teriam de ser cumpridas na busca de um critério universal. Primeiro ele terá que construir o estádio e gerar receitas, o que deve demorar cinco anos, para depois, na hora da arrecadação, tirar 200 ou 300 milhões de reais nisso. Ele disse também que as multinacionais vivem ganhando isenção fiscal porque geram empregos, e nem sempre geram os prometidos.
Sobre as relações com a política, disse que a experiência no comando do Corinthians o fez desistir de qualquer possibilidade eleitoral, mesmo sendo filiado ao Partido dos Trabalhadores (!). Ele já conhecia a o pessoal do PT “faz tempo”, mas teve que lidar com mudança de governador e que esse processo seria a prova de que “o Brasil deveria se unir mais”.

Apesar da relação com o PT, já que foi sindicalista e a família vivia em sindicato, o nome do estádio não será Luiz Inácio Lula da Silva, mas de quem pagar mais para tê-lo. Os naming rights estão na engenharia financeira para pagar o estádio.

400 milhões de reais é o valor mínimo pedido por 15 ou 20 anos. Apesar de ter algumas propostas, ainda depende da resolução de outros problemas com alguns “amigos”:

“Tem alguns problemas com a Rede Globo, que é a detentora do futebol brasileiro e nós temos que ser justos, ela não pode ter os parceiros dela no futebol e eu trazer um parceiro que ela tem que falar que entre em conflito com os patrocinadores dela. Em 4 ou 5 meses acho que se sabe”.

Segundo o próprio, tal situação o ensinou “a nunca ser político. Após o preconceito que passei por ser presidente do Corinthians eu não aceitaria me candidatar”.

IRONIAS E SINCERIDADE

Nem precisava ele ter dito que é muito sincero e paga um preço muito caro por isso. Afinal, quem teria coragem de dizer que é “amigo do pessoal da Globo, apesar de gângsters”? Na entrevista, chegou a pedir desculpas aos jornalistas pela estupidez dos últimos meses, já que estaria farto das cobranças e pedidos: “Muitos corintianos só sabem pedir”.

Sobre uma suposta perseguição por sua formação escolar, Sánchez é claro ao dizer que:

“Eu não me sinto perseguido, eu me sinto discriminado, o que é pior até. Por não ter ensino superior, não falar o português correto. Talvez por ser um cara sincero, um cara direto, às vezes pago um preço muito caro. É um país hipócrita, quer dizer, é um país com pessoas hipócritas”. Em suma, Andrés é curintia….e a Odebrecht, também é parte da “Fiel torcida”?!

Andrés Sánchez ironizou o presidente da FIFA Joseph Blatter sobre as críticas no atraso das obras. Segundo Sánchez, Blatter conhece o Brasil assim como ele conhece Marte. Garantiu que se São Paulo não abrir a Copa do Mundo FIFA 2014, a mesma será aberta na Alemanha ou em Marte:

“Não (tenho conhecimento sobre outros estados). Só batendo. Belo Horizonte e a Bahia ficam dizendo que vai ser lá e não têm condições. (Vai ser na Alemanha) ou em Marte. Como é que a Bahia quer fazer abertura de Copa, se São Paulo tem problemas imagina a Bahia”.

MAIS SINCERIDADE SOBRE A COPA

Quando questionado se a Copa seria realizada com puxadinhos, Andrés respondeu que sim, já que foi desta forma na Alemanha, no Japão e ainda mais na África do Sul.

Um dos grandes problemas de infra-estrutura no Brasil, os aeroportos receberam menção especial:

“Tem que fazer, de zero a dez, dez. Não vai fazer, vai fazer sete, seis, e dois e três vai ser puxadinho de 60 dias. Em todas as Copas teve. Obviamente algumas coisas vão ser adiantadas e outras coisas vão fazer puxadinhos. Eu não vou ser hipócrita e dizer que vai estar 100% perfeito. Vai funcionar, mas vai ter puxadinho”.

DINHEIRO

Andrés sai do Corinthians, deixando o clube com o sexto maior contrato de material esportivo do mundo, com a NIKE (entre 22 e 40 milhões de reais), e o quarto maior patrocinador de camisa, com a Hypermarcas, algo que gira em torno de 60-70 milhões de reais.

O atual presidente corintiano negou que fosse sócio de Ronaldo em algo, apesar de ser consultor da 9ine (e???), e disse que seria algo em qualquer coisa que o Fenômeno chamasse. Além disso, prometeu que R-marketing-9 voltará a campo em 2013, quem sabe para inaugurar o estádio corintiano e se despedir oficialmente do clube, o qual mudou o patamar financeiro.

DE SAÍDA (TEMPORÁRIA?)

Andrés disse ainda que está há 20 anos nas categorias de base do clube. Além disso, apesar da sinceridade que nós da Além das Quatro Linhas tanto gostamos, vale lembrar que foi diretor de Alberto Dualib e um dos responsáveis pela entrada da MSI, leia-se Kia Joorabchian e Boris Berezovsky, ao clube. Memória pouca é bobagem; é o padrão da transição política no Brasil, vale em clube, vale na república.

Trata-se da velha tentativa de atrair investidor estrangeiro, receber o dinheiro e depois dar um pé neles, como aconteceu em inúmeros casos durante a década de 1990 – a defunta ISL foi um dos alvos. É o jeitinho brasileiro do mandonismo, o jeito “oligarca” das direções de clube no Brasil, que enfrentaram e venceram até as multinacionais de marketing esportivo.

Ele até pode não ter ganho a Taça Libertadores, mas deixa a construção do estádio encaminhada, outro grande sonho de todo corintiano. Além disso, abriu o caminho para que ser sincero, mesmo apontando coisas ruins dos “amigos”, seja uma marca dos principais dirigentes brasileiros. Ricardo Teixeira até o seguiu em julho, mas depois se calou. Daí que de bico aberto, abriu-se a porteira para processos e construção sem fim de uma seqüência de fatos midiáticos resultando em fatos políticos e até judiciais. Depois, O Imperador se calou. Que pena…

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. A mil dias do seu início, se sabe que a Copa sairá. Mas como?

25, setembro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

“…A presidenta Dilma Rousseff, na companhia de Pelé (embaixador da Copa), foi até o estádio do Mineirão para verificar o andamento das obras. À tarde em uma cerimônia que custou cerca de R$ 650 mil aos cofres públicos, estiveram presentes o governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, o prefeito Marcio Lacerda, o ministro dos esportes Orlando Silva, o senador Aécio Neves, e o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira. Nenhum representante da FIFA compareceu ao evento.
Outros relógios foram lançados no mesmo dia em algumas das cidades, mas cada um seguiu seu padrão para a construção. Enquanto em Minas é uma ampulheta de oito metros de altura, o de Salvador tem a forma de berimbau e em Recife, nada de especial.
Já em Fortaleza se optou por marcar 1000 dias com uma missa ecumênica com os operários, enquanto em Brasília – sempre lá –, houve show que duraria todo o dia para comemorar que só faltam 1000 dias (como se estivesse tudo dentro do previsto…). Em Cuiabá, lançou-se o documentário turístico “Trilogia do Pantanal”. Óbvio que nada vai aparecer – não de forma oficial – sobre problemas a assolar a região, como a devastação de regiões da Amazônia Legal, a exemplo do norte de Mato Grosso.
Já em São Paulo, houve uma grande festa com campeões mundiais pelo Brasil, com direito a toda as personalidades pegando a linha “Corinthians-Itaquera” do metrô, dentre os quais, Ronaldo e o prefeito da cidade Gilberto Kassab. É claro que foi um vagão exclusivo para eles, ou acham que as “autoridades” enfrentariam um problema nalguma das linhas ou metrôs lotados?…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A mil dias do evento, a Copa sairá. Mas como? – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

25, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 19 de setembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha 

Menos de 1000 dias…

Relógios em algumas das cidades-sede para a Copa do Mundo FIFA 2014 – para não sermos processados, o nome da marca tem que ser por inteiro -, marcam que faltam menos de 1000 dias para a volta de um dos maiores eventos do planeta ao território brasileiro. No meio das comemorações, um site foi lançado, Lei Geral da Copa foi apresentada, greves foram contestadas e voltamos ao mesmo questionamento: a Copa sairá, mas como?

MAIS DINHEIRO PÚBLICO

Na última sexta-feira, 16 de setembro, a capital mineira Belo Horizonte foi o palco da realização do evento oficial que marcou a contagem regressiva de mil dias para a Copa do Mundo FIFA 2014.

A presidenta Dilma Rousseff, na companhia de Pelé (embaixador da Copa), foi até o estádio do Mineirão para verificar o andamento das obras. À tarde em uma cerimônia que custou cerca de R$ 650 mil aos cofres públicos, estiveram presentes o governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, o prefeito Marcio Lacerda, o ministro dos esportes Orlando Silva, o senador Aécio Neves, e o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira. Nenhum representante da FIFA compareceu ao evento.
Outros relógios foram lançados no mesmo dia em algumas das cidades, mas cada um seguiu seu padrão para a construção. Enquanto em Minas é uma ampulheta de oito metros de altura, o de Salvador tem a forma de berimbau e em Recife, nada de especial.

Já em Fortaleza se optou por marcar 1000 dias com uma missa ecumênica com os operários, enquanto em Brasília – sempre lá –, houve show que duraria todo o dia para comemorar que só faltam 1000 dias (como se estivesse tudo dentro do previsto…). Em Cuiabá, lançou-se o documentário turístico “Trilogia do Pantanal”. Óbvio que nada vai aparecer – não de forma oficial – sobre problemas a assolar a região, como a devastação de regiões da Amazônia Legal, a exemplo do norte de Mato Grosso.

Já em São Paulo, houve uma grande festa com campeões mundiais pelo Brasil, com direito a toda as personalidades pegando a linha “Corinthians-Itaquera” do metrô, dentre os quais, Ronaldo e o prefeito da cidade Gilberto Kassab. É claro que foi um vagão exclusivo para eles, ou acham que as “autoridades” enfrentariam um problema nalguma das linhas ou metrôs lotados?

GREVES MARCARAM COMEMORAÇÃO

Ao visitar o canteiro de obras do estádio do Mineirão, a presidenta Dilma deparou-se com máquinas e operários parados desde a última quinta-feira exigindo melhores condições de trabalho. Na chegada, a presidenta optou por evitar os grevistas que protestavam em frente ao estádio, entrando pelo lado oposto para acompanhar as obras. Desculpem a pilhéria, mas é inevitável questionar: – O que é isso companheira?!

E, como de costume, no Maracanã, não é diferente. Nesta segunda-feira, 19 de setembro, os trabalhadores resolveram retomar as obras que estavam paradas há 19 dias, também devido à greve. Na última sexta-feira o Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) considerou abusiva a paralisação por tempo indeterminado dos operários. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Pesada (Sitraicp), uma nova reunião será marcada com o consórcio formado pelas construtoras Delta, Odebrecht e Andrade Gutierrez, responsável pela reforma, pois os trabalhadores continuam insatisfeitos.

Comenta-se que dentre as sedes a serem escolhidas pela FIFA em outubro para a Copa das Confederações, o nosso maior estádio não estará entre elas. Vale lembrar que não é a primeira greve no Rio de Janeiro e que outros problemas apareceram no percurso, como a ação na Justiça que questionava a destruição das arquibancadas pelo fato de o Estádio Mário Filho ser tombado.

FALTANDO MIL DIAS, HÁ O QUE COMEMORAR?

Faltando pouco mais de dois anos para o mundial de 2014, há mais com o que se preocupar do que comemorar. A maioria dos estádios está com atraso nas obras, aeroportos continuam um caos, e a mobilidade urbana pouco mudou. O Governo promete que tudo estará pronto, tranquilamente, a tempo, enquanto quem realmente organiza está calado. O COL do Teixeira se calara de vez.
Curioso, já que há tanta preocupação em destacar que a CBF é uma entidade privada, que não tem que dar qualquer justificativa; que a FIFA é outra entidade privada, a quem o torneio pertence e que só caberia à União assinar embaixo. Mas na hora de falar sobre as obras para um evento privado quem fala é o Ministério dos Esportes do Brasil. Para piorar, na hora de dividir os lucros, não esperem que a República Federativa do Brasil fique com algo, apesar de gastar tanto.

Em São Paulo o estádio do Corinthians passou a ser construído há poucos dias e só agora resolveram um grave problema, o dos dutos de gás que passam embaixo do terreno. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais aconteceram greves e em Porto Alegre as obras do Beira-Rio se arrastam, pois o contrato com a construtora ainda não foi assinado. O Internacional promete assiná-lo contrato com a Andrade Gutierrez até o fim de setembro.

Segundo o cronograma oficial, Cuiabá tem as obras adiantadas. Em Salvador o consórcio OAS/Odebrecht promete começar a perfuração do novo estádio em 30 dias, obra a qual o Tribunal de Contas do Estado havia estranhado o fato de o projeto não ser adequado, mesmo após a implosão de boa parte da antiga Fonte Novo.

Em Brasília as obras do Mané Garrincha estão em processo de desmonte e demolição, num estádio que mesmo com arquibancadas a serem desmontadas após a Copa do Mundo FIFA ainda ficará muito além do público do campeonato distrital – média de cerca de 2 mil pessoas para um estádio a 20 mil.

Em Recife, pelos comentários locais, ao menos o novo estádio deverá ter dono. Possuindo o menor dentre os três grandes pernambucanos, o Náutico deverá ficar com a responsabilidade de manter a nova Arena. As obras também não começaram, já que o consórcio Odebrecht/ISG/AEG, ainda finaliza uma pesquisa arqueológica sobre o terreno.

Fortaleza também está entre as sedes mais atrasadas. O consórcio Galvão/Serveng/BWA vai construir um novo estádio com valor estimado em R$ 450 milhões. Em oposição, Manaus é a sede com obras mais avançadas, orçado em R$ 500 milhões, que também será construído pela Andrade Gutierrez – um gasto deste tamanho para quem jogar lá depois?

Só que os maiores problemas estão em outros dois estados. No Paraná, as obras para reforma da Arena da Baixada ainda não começaram, as negociações se arrastam a mais de um ano, com um impasse entre o Atlético-PR e o governo.

Em Natal, o caso parece ser ainda mais grave. Até agora, todas as licitações para ter alguém como parceiro na construção não teve um concorrente sequer! O governo local tenta de tudo para evitar ainda mais problemas e mais atrasos.

LEI GERAL DA COPA

Esta semana foi enviado ao Congresso a Lei Geral da Copa, após forte pressão da FIFA, que quer seus interesses postos como lei o quanto antes, embora o Ministro dos Esportes dizer que não tem nada disso.

O valor dos ingressos será definido pela FIFA, apesar de ser respeitado o direito do idoso de 50% (Lei do Idoso) e de o direito de meia-entrada estudantil ser resolvido com os estados e municípios – pois o ex-presidente da UNE, atual ministro dos Esportes, não quis assumir um direito histórico do movimento estudantil e dar uma peitada na entidade internacional.

Além disso, as marcas FIFA ficarão sob exclusividade para a entidade, podendo causar prisão de três meses a um ano para quem a piratear. Os direitos de transmissão sonora, visual e qualquer outro tipo interligado também estão sob auspício da mesma regra. Por conta da “liberdade de expressão” se permite o repasse de 3% das partidas mesmo para quem não adquiriu tal direito – algo que já gerou problema da Globo com o Uol no mundial passado.

Outro item a ser negociado com os estados é a entrada de bebidas alcoólicas nos estádios, algo proibido em boa parte do país. Porém, uma das patrocinadoras do evento é uma cervejaria, que, com toda certeza, utilizará o seu direito contratual para exclusividade na cancha e arredores. O que pode gerar um problema também para os bares e restaurantes que já se localizam em torno, que não poderão vender outras marcas de cerveja.

Sobre o atraso das obras de infra-estrutura, já se admite que não ficarão prontas a tempo, ou seja, preparem-se para o bom e velho “jeitinho” brasileiro para resolver problemas como trânsito, vôos e tudo o mais que somos obrigado a nos “acostumar” cotidianamente. Quer dizer, apresentou-se uma solução genial: feriado nos dias de jogos. Afinal, no feriado nem em São Paulo há trânsito!

Enfim, faltando menos de mil dias para Copa, o Brasil tem muito com que se preocupar, e não estamos falando da seleção de Mano Menezes.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. E a bisca do Ricardo Teixeira, creia, começa a perder o sono

18, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

“…O ditador da CBF Ricardo Teixeira já não dorme mais tranquilo. A paz parece ter acabado desde que o jornalista Andrew Jennings resolveu assombrar sua vida. Como se não bastasse a perseguição a “Mister Teixeira” do jornalista da BBC, outro atual desafeto seu, certo Baixinho, resolveu ceder espaço para a opinião do autor do livro “proibido” “Jogo sujo: o mundo secreto da FIFA”.

Em entrevista ao site do ex-jogador e agora deputado federal Romário, o jornalista inglês disse que o mandatário maior do futebol brasileiro, queria sua própria Copa para enriquecer mais. Segundo Jennings, negócios foram feitos entre Teixeira e os demais presidentes das federações de países que compõem a Conmebol.

De acordo com ele, Ricardo Teixeira tem planos de chegar à presidência da FIFA, mas os recentes casos de anúncio de corrupção minaram as suas chances. Afinal, globalmente, não há confiança na CBF, apesar de estar certo de que, nos últimos anos, Blatter prometeu a Teixeira que o brasileiro seria o próximo presidente da FIFA, algo impedido pelos recentes escândalos envolvendo o nome dois poderiam estar afastando esta possibilidade…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A bisca do Ricardo Teixeira começa a ficar com medo – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

18, setembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 12 de setembro  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Os inimigos se multiplicam…

Andrew Jennings começou a pesquisar sobre a FIFA. Enquanto isso, no Brasil, jornalistas como Jorge Kajuru e Juca Kfouri seguiam implacáveis a Ricardo Teixeira. O tempo passou, e a lista tem até grupos de comunicação inteiros, como a ESPN, e o atual deputado federal Romário. E a lista só aumenta…

O medo já assombra Teixeira

O ditador da CBF Ricardo Teixeira já não dorme mais tranquilo. A paz parece ter acabado desde que o jornalista Andrew Jennings resolveu assombrar sua vida. Como se não bastasse a perseguição a “Mister Teixeira” do jornalista da BBC, outro atual desafeto seu, certo Baixinho, resolveu ceder espaço para a opinião do autor do livro “proibido” “Jogo sujo: o mundo secreto da FIFA”.

Em entrevista ao site do ex-jogador e agora deputado federal Romário, o jornalista inglês disse que o mandatário maior do futebol brasileiro, queria sua própria Copa para enriquecer mais. Segundo Jennings, negócios foram feitos entre Teixeira e os demais presidentes das federações de países que compõem a Conmebol.

De acordo com ele, Ricardo Teixeira tem planos de chegar à presidência da FIFA, mas os recentes casos de anúncio de corrupção minaram as suas chances. Afinal, globalmente, não há confiança na CBF, apesar de estar certo de que, nos últimos anos, Blatter prometeu a Teixeira que o brasileiro seria o próximo presidente da FIFA, algo impedido pelos recentes escândalos envolvendo o nome dois poderiam estar afastando esta possibilidade.

Dentre tantas outras coisas, o jornalista inglês trabalha há 40 anos investigando máfias italianas e sua atuação na Europa, Reino Unido e América do Norte. Segundo Jennings: “Esta experiência e entendimento de como as famílias do crime organizado operam foi o treinamento perfeito para o próximo alvo – as federações esportivas internacionais. […] Não tenho dúvidas de que a FIFA é uma família do crime organizado e que Blatter (presidente da FIFA) mantém a sua influência distribuindo fartamente ingressos da Copa do Mundo”.

Andrew começou a pesquisar mais sobre o Brasil após a escolha do país como sede da Copa do Mundo de 2014, após uma suposta corrupção nas obras da África do Sul e numa desnecessária construção de estádios para o Mundial. Algo que deve ser repetido aqui.

Ele responde às acusações de que as matérias da BBC, em novembro do ano passado e maio deste ano, só teriam saído porque a Inglaterra não foi escolhida para os Mundiais de 2018 e 2022, Jennings diz que trata do assunto de suborno para a escolha de sedes desde 2006.

Tour pelo Brasil e entrevista à Placar

Andrew Jennings pode ser considerado a principal figura contra nomes como João Havelange, Joseph Blatter e Ricardo Teixeira. Recentemente esteve no Brasil para participar de programas esportivos e dar autógrafos do seu livro.

A Placar dedicou em agosto uma página à entrevista com o homem que  está proibido de participar de entrevistas coletivas da Fifa desde 2003. Dentre as respostas, fica o incentivo por fazer jornalismo investigativo, cada vez mais perdido dentre a efemeridade da profissão. Como no “Caso Watergate”, ele afirma seguir o dinheiro, por achar mais interessante “as atividades de Blatter, suas maquinações diárias” que os resultados dos jogos.

Ele defende ainda que o futebol não precisa de nomes como Ricardo Teixeira ou até a própria Fifa, já que o esporte é feito por jogadores, clubes e árbitros, por mais que o principal evento dele seja dominado por esta entidade de direito privado.

Para ele, se a presidenta Dilma Rousseff tivesse a coragem de não atender aos pedidos de Teixeira e companhia, estaria prestando um imenso serviço como prova de como se combate a corrupção – mal sabe ele o quão este termo está imbricado nos setores político-eleitorais brasileiros. Além disso, “se o Brasil conseguisse se desvencilhar das regras da Fifa e fizesse as suas próprias, poderia nascer um novo modelo para Copas do Mundo”.

Por fim, ele disse que nunca é desagradável encontrar Blatter, pelo  contrário, é divertido ver alguém que diz que ele faz ficção, pois tem medo de ir à Justiça para processá-lo, pois teria que falar sobre as acusações.

Inimigos brasileiros

Na mídia brasileira, Ricardo Teixeira também tem seus inimigos. Mesmo que alguns por interesses outros, a briga pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro fez a Record disputar fortemente, através de matérias especialmente no Domingo Espetecular, o posto de inimiga número um dos homens fortes do futebol mundial.

Outros já estão a algum tempo tentado desmascarar o presidente da CBF, exemplos como Juca Kfouri, Jorge Kajuru, e José Luiz Datena, que chegou a dizer no programa do Gugu (Rede Record) que odeia Ricardo Teixeira. Além do pessoal da ESPN Brasil, dirigidos por José Trajano, que fizeram uma entrevista com Jennings no Bola da Vez.

Mas o caso mais marcante acabou sendo a opinião de Milton Leite, narrador do canal Sportv, que pertence às Organizações Globo.

O narrador escreveu em seu blog, entre outras coisas, que está mais do que na hora do Governo Federal fazer valer a sua posição de investidor maior do evento, Copa do Mundo, e frear o comportamento fora de propósito de quem está gerindo o maior evento esportivo que o país já sediou.

Para se preocupar?

Já comentamos aqui na Além das Quatro Linhas sobre a matéria do Jornal Nacional sobre acusações referentes a um amistoso do Brasil em 2008, em Brasília, que teria ocorrido por conta de mudança dos padrões de horários dos sábados e domingos.

Como resposta, a CBF passou, dentre outros jogos, a partida entre os até então líderes do Brasileirão, Corinthians X Flamengo, para a quinta-feira passada, no mesmo árduo horário das 21h50, impossibilitando a transmissão em TV aberta.

Em entrevista publicada na Revista Poder deste mês, que tem como matéria de capa o perfil de Joana Havelange, filha de Teixeira, neta de João Havelange e diretora executiva do Comitê Organizador Local da Copa, o ex-sogro defendeu o mérito de todos eles, sobrando críticas até para a Globo.

O homem que ficou 24 anos no comando da Fifa, onde “globalizou” o negócio futebol através de forte estratégias e “parcerias”, atacou a emissora diretamente ao dizer que: “Enquanto interessou à Globo, o Ricardo era um gênio. No dia que ele quis tomar uma medida que poderia ferir a emissora, ela volta-se contra ele”.

Nunca é demais lembrar que o motivo de tamanha revolta midiática contra R.T. não veio por conta das duas edições do Panorama, da BBC, mas sim pela entrevista à revista Piauí. Nela, Daniela Pinheiro tirou do mandatário da CBF o menosprezo à “mesma patota.  UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas m…”.

Não só as matérias com alguns dos seus supostos casos de corrupção se multiplicaram, a ponto de aparecerem com grande frequência, como até mesmo os torcedores se reuniram em frentes para protestar contra os gastos nas obras da Copa do Mundo. Vale lembrar do protesto coletivo das torcidas organizadas na última rodada do primeiro turno do Brasileirão.

Ainda assim, Ricardo Teixeira tem a emissora dos Marinho há anos como principal aliada, o que sempre fez o dono do futebol brasileiro achar estar acima do bem e do mal. O direito de sediar a Copa de 2014 fez Mister Teixeira “entrar em campo de salto alto”. A soberba pode custar caro. Só esperamos que não seja para o bolso dos contribuintes brasileiros…

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. A ligação umbilical da Globo com a bisca do Ricardo Teixeira

11, agosto, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

“…É visível a proteção da emissora para com Ricardo Teixeira, o próprio já admitiu publicamente que a sua única preocupação é não “aparecer no Jornal Nacional”. Ambos parecem terem ganhado um adversário que aos poucos tende a despertar do berço esplêndido. Alguns movimentos sociais, e uma crescente parcela da população nacional, começam a protestar contra a cartolagem e o futebol como negócio (e do tipo escuso), como a criação de uma Frente Nacional de Torcedores.

Que a Globo e o presidente da CBF são aliados há anos não chega a ser novidade, mas com a aproximação do maior evento esportivo do mundo ocorrendo no Brasil, a afinidade aumentou, ou pelo menos ficou mais exposta. A Rede Record nunca falou tão mal da CBF e com tantas pautas em seqüência como agora. A TV do “bispo” Macedo se soma aos já “tradicionais” críticos, como Lance!, Estadão, Juca Kfouri e Jorge Kajuru…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A Globo e a bisca do Ricardo Teixeira, unidos para sempre – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 8 de agosto  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Eles fazem a festa com o seu dinheiro

O pequeno hiato nesta coluna não fez com que esquecêssemos de comentar sobre a farra dos R$ 30 milhões de reais gastos no dia 30 de julho deste ano. A Marina da Glória, no Rio de Janeiro, foi sede do sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, o primeiro evento oficial da competição, e que já traz as perspectivas de futuro.

Cerca de duas mil pessoas estiverem presentes, entre atletas, ex- jogadores, técnicos e dirigentes. O governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, tiraram cerca de R$ 30 milhões de reais dos cofres públicos para a realização do evento. Em detrimento aos US$ 2 milhões gastos pela África do Sul há 4 anos. Que inflação! Ou, diante do espelho, algum ladino pode se perguntar num arroubo de sinceridade: quantas bocas para morderem o mesmo sanduíche!

A Rede Globo transmitiu toda a cerimônia, com direito a dois nomes de seu elenco apresentando – e, com Tadeu Schmidt, cometendo a garfe de trocar o nome de Ronaldo por Romário, novo desafeto de Ricardo Teixeira. Deve ser a norma do “baixinho”, porque sua excelência eleito pelos distritos simbólicos da Barra e da Penha, quando foi assinar ficha de filiação no PSB fluminense, confundiu a sigla com o PSDB, do ex-tucano Sérgio Cabral Filho!

Voltando à cerimônia, ou ao papelão inflacionado, a Band, parceira da nave mãe na transmissão televisiva de futebol parou para mostrar um jogo da Série B. Afinal, alguém poderia nos dizer quando se transmitiu sorteio de eliminatórias, ainda mais quando a da Conmebol é por pontos corridos e, além disso, o Brasil já está garantido enquanto sede da Copa?

Enfim, a Geo Eventos, empresa de eventos das Organizações Globo em sociedade com o Grupo RBS – com suas afiliadas do Plim-Plim em Santa Catarina e Rio Grande do Sul –, foi contratada em regime de exclusividade pelo Comitê Organizador Local (COL) para captar patrocinadores para a organização do evento. E, como se sabe, a mordida da cota das agências e captadoras de patrocínio gira na ordem de 20%. Legal essa equação. Mas, se a Globo e a Band compram direitos de transmissão, cabe a elas vender o “produto” (argh! Como dói dizer esse jargão neoliberal) e não ser contratadas pelo Comitê Organizador Local para vender o pacote do evento…..Depois os caras se enroscam e dizem não saberem porque!

Para provar nossa tese resumida acima, estranhamente, ou não quando se trata de Brasil, os dois únicos patrocinadores que a empresa de eventos fechou contrato foram a prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do Estado. Cada contrato, segundo os diários oficiais respectivos, custou R$ 15 milhões. Em troca… O que mesmo teve de resultados para a população do Rio?

Os absurdos não param por aí. O que vocês (leitores e leitoras aguerridos, do tipo corneteiro de cartola e crítico dos críticos jabazeiros) pensam de quatro horas de interrupção nas chegadas e partidas no Aeroporto Santos Dumont para não “atrapalhar” a transmissão midiática internacional? Afinal, o que é mais importante: atender às exigências de Blatter, Teixeira e cia. ou manter o, já problemático, sistema aéreo nacional na normalidade em pleno final de semana? Entidades privadas, “mister Teixeira”, consumindo dinheiro público e atrapalhando as pessoas.

Ah não, car@ leitor (a), isso não é ponto positivo. Quem sabe esse dinheiro todo tenha sido gasto para surpreender Joseph Blatter com um “Rio de Janeiro; a capital da Copa”, em meio às assinaturas para a construção do centro de imprensa na cidade, algo que não existiu em lugar algum. Velha “malandragem” brasileira, que tenta surpreender aos especialistas sênior neste quesito…
Precisa dizer que a promessa de nossos governantes de não usar dinheiro público vem descendo morros e ladeiras abaixo, com o primeiro evento oficial do Mundial de 2014 trazendo um exemplo primordial?

Socorro! Chamem o Andrew Jennings!!!

Rede Globo censura protesto

A Vênus Platinada evita ao máximo falar de Ricardo Teixeira – mas não no sentido da presidenta Dilma Rousseff, que até lugar separado pediu para não ter imagem ligada ao dono presidente da CBF. Tratado por funcionários da empresa como Doutor, ele foi alvo de inúmeros protestos via redes sociais. No dia do evento, houve protestos do lado de fora da Marina da Glória – após uma grande repercussão via Twitter e noticiosos da Campanha #foraricardoteixeira e derivadas.

Porém, os jornais televisivos da emissora fizeram breves comentários sobre o assunto. No seu site de notícias esportivas, as primeiras informações eram de que “apenas” 50 pessoas. Depois, acrescentou bem mais aos números, entretanto, “justificando” que houve acréscimo de manifestantes de outras áreas – que protestam contra o governador Sérgio Cabral Filho. Como se as lutas pudessem ser separadas…

É visível a proteção da emissora para com Ricardo Teixeira, o próprio já admitiu publicamente que a sua única preocupação é não “aparecer no Jornal Nacional”. Ambos parecem terem ganhado um adversário que aos poucos tende a despertar do berço esplêndido. Alguns movimentos sociais, e uma crescente parcela da população nacional, começam a protestar contra a cartolagem e o futebol como negócio (e do tipo escuso), como a criação de uma Frente Nacional de Torcedores.

Que a Globo e o presidente da CBF são aliados há anos não chega a ser novidade, mas com a aproximação do maior evento esportivo do mundo ocorrendo no Brasil, a afinidade aumentou, ou pelo menos ficou mais exposta. A Rede Record nunca falou tão mal da CBF e com tantas pautas em seqüência como agora. A TV do “bispo” Macedo se soma aos já “tradicionais” críticos, como Lance!, Estadão, Juca Kfouri e Jorge Kajuru.

“A experiência da Euro foi desastrosa”

Aproveitando de um contato com um comunicólogo com proximidade à política portuguesa, que trabalhou numa campanha de promoção da imagem da cidade do Porto, questionamos sobre o “saldo” da Euro 2004 – o campeonato europeu de seleções – para Portugal, anfitriã do evento. A resposta foi: “A experiência da Euro foi desastrosa”.

Segundo ele, foram desnecessariamente construídos dez estádios, em que só o de Lisboa, por conta do Benfica e do Sporting, e o da cidade do Porto, por conta do Porto, estão sendo bem utilizados. Cogita-se a hipótese de até implodir alguns estádios por conta do alto custo de manutenção. Obs: na África do Sul ocorre o mesmo.

Aproveitamos para lembrar que Portugal vive uma crise econômica (derivada de uma fraude financeira) de tanta proporção que o ex-primeiro-ministro antecipou as eleições para o seu substituto. Além disso, a Grécia também sente “falta” do dinheiro gasto com as Olimpíadas de 2004. Isso porque estamos falando de lugares em que, imagina-se, há um planejamento melhor que o nosso – por mais que tenham entrado na “onda” do mercado de derivativos, conduzida esta última pelo ex-braço direito financeiro do dono do Milan (Mario Draghi, ex-presidente da Banca d’Italia no governo de Silvio Bunga Bunga Berlusconi), que gerou a atual tsunami nos mercados capitalistas mundiais.

O que fazer com estádios em Brasília, Mato Grosso e Amazonas, cujas médias de público dos regionais representam cerca de 10% da capacidade desses monumentos? E em Recife, com cada clube tendo seu estádio – por mais gritante que seja a diferença entre o Arruda e os demais –, quem utilizará a Arena Recife?

Esta fonte de Portugal muito bem definiu tal situação: “a paixão do futebol faz com que os políticos cedam facilmente, mas na prática não há resultados já que o público que vai a uma Copa do Mundo é o que já consome os produtos daí derivados”. Apesar que, assim como quando discutimos e comparamos os mercados comunicacionais dos dois países, percebemos que a ex-colônia ainda tem mais justificativas que a simples “cessão à paixão pelo futebol”.

Uma dívida celeste

Esta coluna ainda deve uma análise e homenagem para a conquista da Copa América pela seleção da República Oriental do Uruguai e o ressuscitar de um futebol apesar de Paco Casal, Eugenio Figueredo, Juan Figger, Pablo Betancourt e companhia. Devemos essa homenagem e vai sair en buen castilla, criollo y villero.

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Grêmio Barueri, o time da terra dos ETs, o Cruzeiro de Porto Alegre e a venda de uma paixão

“…O caso mais emblemático é o paulista Grêmio Barueri. Pouco mais de um ano após  chegar a Presidente Prudente, o time foi novamente “vendido”, e voltou à cidade de origem.

O agora Grêmio Barueri Ltda foi fundado em 1989, mas só foi atuar profissionalmente em 2001, quando se passou a chamar Grêmio Recreativo Barueri. Até que em 2009, os dirigentes do time resolveram transformá-lo em clube-empresa – modelo que naufragou aos cartolas brasileiros no final da década de 1990, casos das parcerias Vitória S.A., com financiamento do Banco Excel Econômico (este vindo de uma incorporação de falência suspeitíssima do antigo Banco Econômico, sendo que o próprio Excel, fundado em 1990, depois é vendido para o BBVA; vale lembrar que três ex-diretores do Excel-Econômico foram condenados em 2006 pela Justiça Federal da Bahia por gestão temerária), que também ajudou o Corinthians que viria a ser bicampeão brasileiro em 1998/1999, Grêmio/ISL (esta é inesquecível para os gremistas, e as memórias são piores do que o mito da cobra cega e as ovelhinhas de Tite…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Barueri, time da terra dos ETs, Cruzeiro de Porto Alegre e a venda da paixão – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 27 de junho  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Eles vendem sua paixão!

Você já deve ter ouvido falar que um homem muda de casa, estado, país, partido político, religião e até mesmo de mulher, mas não de time de futebol. Você também não deve ter mudado de time, mesmo após derrotas doloridas, títulos perdidos e flautas dos rivais. Mas alguns times deixam seus torcedores, mudam de cidade. 

O caso mais emblemático é o paulista Grêmio Barueri. Pouco mais de um ano após  chegar a Presidente Prudente, o time foi novamente “vendido”, e voltou à cidade de origem.

O agora Grêmio Barueri Ltda foi fundado em 1989, mas só foi atuar profissionalmente em 2001, quando se passou a chamar Grêmio Recreativo Barueri. Até que em 2009, os dirigentes do time resolveram transformá-lo em clube-empresa – modelo que naufragou aos cartolas brasileiros no final da década de 1990, casos das parcerias Vitória S.A., com financiamento do Banco Excel Econômico (este vindo de uma incorporação de falência suspeitíssima do antigo Banco Econômico, sendo que o próprio Excel, fundado em 1990, depois é vendido para o BBVA; vale lembrar que três ex-diretores do Excel-Econômico foram condenados em 2006 pela Justiça Federal da Bahia por gestão temerária), que também ajudou o Corinthians que viria a ser bicampeão brasileiro em 1998/1999, Grêmio/ISL (esta é inesquecível para os gremistas, e as memórias são piores do que o mito da cobra cega e as ovelhinhas de Tite…)

Entretanto, a prefeitura disse que não investiria num bem privado, entendendo um clube esportivo como bem cultural coletivo. Enquanto empresa, não poderiam aproveitar o reformado estádio municipal da cidade que, para atender às demandas de um clube recém-chegado à Primeira Divisão nacional, foi transformado num dos melhores do país.

Restou à empresa mudar de cidade, distintivo e nome. Pois, como se sabe, o capital migra, não tem pátria e nem apego. Seria essa uma versão do futebolês para a vergonha da guerra fiscal entre os estados brasileiros? O Grêmio foi para Presidente Prudente, para jogar num dos mais antigos estádios de São Paulo – o mesmo Prudentão que o agora aposentado Ronaldo fez seu primeiro gol pelo Corinthians, no derby com o Palmeiras, em que “ajudou” a derrubar o alambrado na comemoração. No distintivo, o Grêmio Prudente destacava o nome Grêmio.

Como Prudente, o Grêmio teve vida curta, disputou somente dois campeonatos, as primeiras divisões do Paulista e do Brasileiro, sendo rebaixado em ambos. Os donos do clube resolveram negociar o retorno com o prefeito de Barueri, que pagou o valor da multa exigida pela Federação Paulista de Futebol, cerca de R$ 300 mil – que a FPF tende a aumentar o valor, dada a freqüência de trocas -, e trouxe o clube-empresa de volta para a cidade.

Dúvida cruel. Será que se alguém montasse uma “lavanderia heterodoxa” não seria ao menos algo mais honesto?

A moda segue na Série B

Outra cidade do interior paulista também tem desde o início do ano time de futebol no cenário nacional: o Americana Futebol LTDA. Os donos do Guaratinguetá pediram cerca de R$ 6 milhões para a prefeitura do município de mesmo nome para permanecer na cidade, mas o prefeito não conseguiu arrecadar o dinheiro junto à iniciativa privada. O clube-empresa resolveu mudar-se para Americana, onde disputou o Paulistão e está mandando os jogos da Série B nacional. Um dos destaques do time é o “artilheiro dos gols bonitos” Dodô.

Já em Minas Gerais, foi o Ituiutaba que mudou de cidade e de nome. Fundado em 1947, o clube mudou-se para a cidade de Varginha – aquela dos supostos Extra-Terrestres na década de 1990, devidamente “laudados” por Badan Palhares e cia., PC Farias que o diga -, no sul do estado mineiro. O agora Boa Vontade Esporte Clube se mudou por um motivo mais “nobre”. Segundo os dirigentes, o antigo estádio, a Fazendinha, não tem capacidade para dez mil pessoas, exigidas no Estatuto do Torcedor para competições nacionais, caso da Série B, em que o time realiza sua estréia em 2011.

Ah, não podemos jamais nos esquecer que o empresário (Grupo OK, sócio de Paulo Octávio, que era vice de Arruda e amigaço de Collor!) senador candango cassado Luiz Estevão (PMDB/DF) – uma proeza, por haver sido o primeiro na história da Nova República – figura como dono do Brasiliense F. C. (fundado no ano 2000) da cidade satélite de Taguatinga

Por aqui não é diferente

Um dos mais tradicionais clubes de Porto Alegre também ira mudar de sede. Com 97 anos de história, um título estadual da primeira divisão gaúcha, e três campeonatos citadinos, o Sport Clube Cruzeiro de Porto Alegre irá se mudar para Cachoeirinha, na região metropolitana, deixando órfãos seus torcedores e simpatizantes..

O presidente do “Cruzeirinho”, que foi às semifinais dos dois turnos do Gauchão deste ano, vendeu o estádio do Estrelão para uma construtora. A promessa é fazer um centro de treinamentos e uma arena com capacidade para 16 mil pessoas nos padrões FIFA, para candidatar-se à sub-sede gaúcha na Copa de 2014.  

E o torcedor como fica?

Que o futebol moderno virou um grande negócio, disso não temos dúvidas. Mas parece não haver limites. Cartolas só tornaram mais claro com as mudanças de sedes o caráter econômico desse bem cultural (sem limite de preço e valor!) tão importante para o brasileiro. Eles vendem estádios, criam dívidas impagáveis (haverá uma bolha inflacionada por empresários e investidores?!) e a paixão do torcedor é colocada de lado – vale lembrar que o Sport Club Internacional só terminou com o caixa azul no ano passado após a venda do histórico Estádio dos Eucaliptos (ué, e os aportes do Grupo Sonda?!).

Imagina se o Corinthians saísse de São Paulo? Mesmo que tenham torcida no país todo, a capital paulista é seu lugar de origem. Se Grêmio ou Internacional fossem embora da capital gaúcha, como ficaria a rivalidade?

Essa situação só piora no caso de cidades do interior como Barueri, Presidente Prudente, Guaratinguetá e Ituiutaba. Nesses locais não há times disputando os principais torneios do país, restando aos seus moradores torcerem pela televisão para os grandes clubes do estado.

Como seria se um presidente do Brasil de Pelotas, recém-eliminado da Segunda Divisão Gaúcha, mas que teve ao menos duas mil pessoas por jogo em casa, resolvesse contrariar a sua apaixonada torcida e mudasse para outra cidade, com melhores condições financeiras? É possível supor que a Baixada comandaria uma revolta popular pelotense, ressuscitando o espírito quilombola entre os descendentes dos sofridos escravos de saladeros?! Nós, daqui do outro lado do monitor, sinceramente esperamos que sim….

O futebol é mais dinheiro que paixão

No futebol podemos ver mais de perto, sentir algumas das contradições do capital: manter a paixão de torcedores que cresceram com o time jogando ao lado das suas casas ou trocar de sede por dinheiro líquido (mesmo que em base monetária imaterial) para garantir a existência no mercadológico mundo do esporte televisivo?

O caso do Cruzeiro gaúcho é emblemático. O time escolheu a segunda opção para sair da Porto Alegre Gre-Nal de forma a ser o único time de outra cidade, onde poderá garantir mais investimentos. E a prefeitura dessa cidade metropolitana, não estará o prefeito e seu séquito querendo apenas competir com o modelo do Cerâmica de Gravataí, município vizinho?

Cada vez mais se torna difícil um time surgir no cenário nacional se não tiver um bom aporte financeiro, seja através de sua “tradicional” utilização para fins político-partidários ou como time de futebol de uma empresa ou empresário. A paixão dos torcedores tradicionais nos pequenos centros socioeconômicos pode ficar restrita apenas à memória de quem viveu seus áureos tempos de glória.

Esta coluna através de seus articulistas, estão na peleia aberta a braba contra mais esse absurdo!

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. Libertadores, vitória do Santos e o filho (que não sabe ganhar) do delegado paulista

“…Na noite desta quarta-feira terminou a 51ª edição da Taça Libertadores da América (chamada de Copa pelo banco espanhol que patrocina até o paletó do terno do Pelé), que pela 16ª vez ficou com um time brasileiro. Ao final da partida, Édson Arantes do Nascimento teve o seu dia de Pelé ao buscar o técnico santista Muricy Ramalho e levar até o meio de campo para ser ovacionado pela torcida do Peixe. Mas alguém reparou que o Édson estava com um terno vermelho conforme já indicamos no parêntesis acima?

O que representa a Taça Libertadores da América para os times sul-americanos? Muito. Comecemos pelo nome, o tradicional, que tanto serve para metaforicamente designar as partidas desse torneio, que por mais que não tenha o hino ou todo o “ritual” da européia Champions League, tem a raça e a garra demonstradas dentro de campo. O detalhe é que temos um grau elevado de latino-americanização dos clubes, com presença de jogadores do Cone Sul em times de todo o Continente. O Brasil, por exemplo, torna-se um “Eldorado” possível para los hermanos do sul do mundo…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Libertadores, vitória do Santos e o filho (que não sabe ganhar) do delegado – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 23 de junho  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Termina mais uma edição da Copa “Santander” Libertadores

Na noite desta quarta-feira terminou a 51ª edição da Taça Libertadores da América (chamada de Copa pelo banco espanhol que patrocina até o paletó do terno do Pelé), que pela 16ª vez ficou com um time brasileiro. Ao final da partida, Édson Arantes do Nascimento teve o seu dia de Pelé ao buscar o técnico santista Muricy Ramalho e levar até o meio de campo para ser ovacionado pela torcida do Peixe. Mas alguém reparou que o Édson estava com um terno vermelho conforme já indicamos no parêntesis acima?

O que representa a Taça Libertadores da América para os times sul-americanos? Muito. Comecemos pelo nome, o tradicional, que tanto serve para metaforicamente designar as partidas desse torneio, que por mais que não tenha o hino ou todo o “ritual” da européia Champions League, tem a raça e a garra demonstradas dentro de campo. O detalhe é que temos um grau elevado de latino-americanização dos clubes, com presença de jogadores do Cone Sul em times de todo o Continente. O Brasil, por exemplo, torna-se um “Eldorado” possível para los hermanos do sul do mundo.

Um pouco de história  

Comecemos por onde todo livro de História Geral pode contar. Em 1492 o genovês Cristóvão Colombo aportou na ilha que veio a ser denominada de San Salvador, onde hoje se localizam as Bahamas. O navegador que pôs o ovo em pé, aportou em terras estranhas tomando-as depois em nome dos Reis Católicos da Península Ibérica, súdito que era de Isabel de Castela. Anos mais tarde, seria a vez de Pedro Álvares Cabral, sob patrocínio do reino português, fazer o mesmo no atual território brasileiro.
Enquanto os Estados Unidos eram colonizados por britânicos, o Brasil era colonizado por Portugal – com alguma presença da França e da Holanda -, as demais regiões da América, com povos indígenas de desenvolvimento cultural superior, eram colonizadas por espanhóis. Mas o que isso tem a ver com a Libertadores?

Pois bem, o nome do torneio é uma homenagem às pessoas que lutaram contra a opressão espanhola no território, caso de Simon Bolívar, José Artigas, José de San Martín, Francisco de Miranda, Abreu e Lima, Antonio José de Sucre e tantos outros próceres (para aprofundar no tema, ver a seção Clássicos deste portal) que percorreram as Américas para libertar os seus moradores da opressão de Espanha através dos agentes dos Vice-Reinados. Ah, para variar, o Brasil ficou de fora desta epopéia, uma vez que aqui a solução foi um pacto de elites, transacionando a unidade territorial pela manutenção do escravagismo.

A história em campo e fora dele

51 edições depois a história, desta vez do futebol, reaparece no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, em São Paulo – o mesmo estádio que foi “excluído” da Copa de 1950 porque a torcida vaiou a seleção brasileira após empate contra a Suíça em 2 a 2 na segunda fase daquele mundial. De um lado o Santos, marcado pela “era Pelé”, com dois títulos da Libertadores e mundiais em 1962 e 1963. Do outro, o Peñarol, o clube com mais participações e primeiro campeão do torneio, e que repetiria o feito em outras quatro edições, a última em 1987.

Os dois times se enfrentaram na decisão de 1962 que, como a mídia tanto repetiu nos últimos dias, necessitou de três partidas para encerrar graças a uma garrafa jogada no árbitro da segunda partida, na Vila Belmiro, quando o Peñarol vencia por 3 a 2. O Santos empataria o jogo, o que lhe daria o título, já que venceu o primeiro jogo no Centenário por 2 a 1. Porém, só dias depois a Conmebol anularia o resultado e marcava a terceira partida para a Argentina, quando o Santos, com Pelé no time, venceria por 4 a 0.
A diferença primordial daquela partida, além dos jogadores, estrutura, transmissão televisiva, pode ser reparada também de forma metafórica com a alteração no nome do torneio: Copa Santander Libertadores e não mais a boa e velha pauleira da Taça Libertadores da América.

O principal torneio de futebol sul-americano, que homenageava os coirmãos que libertaram a América do julgo espanhol, tem na sua nomenclatura um dos maiores bancos do mundo, com sede na Espanha! Os libertadores são agora “lembrados” ao lado de um símbolo financeiro importante dos seus antigos colonizadores contra quem tanto lutaram. Ah, detalhe, sugiro que os leitores porcurem saber quem é Alfredo Saenz, conselheiro-delegado (alta hierarquia da holding do Grupo Santander, na posição de segundo vice-presidente) da administração do Banco e sua condenação no Tribunal Supremo de Espanha por mau uso de fundos e gestão perigosa quando estava à frente de outro banco, o Banesto.

Já não é de hoje que citamos esse fato – o do nome de “batismo” – repetindo a ladainha em outros textos da “Além das Quatro Linhas”, motivados pela ironia mercadológica dessa mudança. Mas no futebol midiatizado e com altas quantias de recursos financeiros em jogo, não é nenhuma novidade que o principal patrocinador do torneio passe a ter a sua marca colocada entre o nome do próprio. É assim que nasce mais um bebê de Rosemary. Negócios são negócios, e o futebol há muito tempo passou a ser um.

A própria Libertadores já foi Copa Toyota Libertadores (ui!), há a Copa Kia do Brasil (ai!), o Campeonato Brasileiro Petrobras (dói igual)… E para não ficar muito longe, o Gauchão Coca-Cola (uahhhh, essa é de lascar o couro do guasca, faz o taura virar pinto molhado em dia chuva em meados de julho!).

Santos “tricampeão” da Libertadores – ué, quando éramos crianças (parte de nós ao menos, ser tri era ganhar três campeonatos seguidos, correto?)

Na noite de 22 de junho, o confronto começou pegado, como todo bom jogo da Taça Libertadores da América, ainda mais em caso de decisão. Após 90 minutos de zero a zero no Uruguai, os primeiros 45 de São Paulo terminaram da mesma forma. O Santos dominava a posse de bola, quase 70% do tempo, mas pouco criou de efetivo. Já o Peñarol mostrou que se arriscaria nos contra-ataques, mas depois da metade da etapa pouco mostrou.

Logo no início do segundo tempo, o volante Arouca, que tanto errara passes no primeiro tempo, fez uma excelente jogada, desestabilizando totalmente a marcação uruguaia. Após tabela com Paulo Henrique Ganso, tocou para Neymar – que só havia aparecido no primeiro tempo para tirar com uma solada González, seu marcador, da partida – tocar no canto de Sebastián Sosa para marcar o seu sexto gol da competição.

A partir daí o Peñarol partiu para o ataque e abriu muitos espaços na defesa para contra-ataques santistas. O ritmo do jogo mudou de lado. Quando o segundo tempo estava pela metade, o lateral-direito Danilo, que mal subira ao ataque para ajudar na marcação, fez uma bela jogada na ponta-direita e chutou rasteiro. Santos 2 a 0, título garantido…

…não num jogo da Taça Libertadores da América. Aos 35 minutos, numa jogada sem qualquer perigo, o zagueiro Durval foi tentar interceptar cruzamento e a bola acabou entrando no gol. O Peñarol tentava, mas a marcação montada por Muricy Ramalho, seu grande trunfo no comando desse time do Santos, afastava qualquer perigo. Muito mais chances teve o time santista para aumentar o placar que o time uruguaio para empatar o jogo. Até que acabou – uma hora sempre acaba, a não ser quando alguém mela o campeonato…não dessa vez, a zona começou depois.

Fim de jogo e final de fardo. Pelé (de vermelho, assim como no ano passado no Beira Rio!) voltou a campo para “apresentar” Muricy à torcida. Acabava o “fardo” da “era Pelé”. O Santos 48 anos depois de sua geração, finalmente conseguia conquistar outro título sul-americano. Mas se até a Libertadores ganhou um codinome espanhol, o terno do Rei do Futebol indicava que ele também era patrocinado pelo banco. Poderíamos chamá-lo de Édson Santander Arantes?

Filho de Delegado invade campo e provoca confusão – ou a história de sempre, quando apenas um moleque metido a galo para imaginar que uma equipe charrua não iria descontar a raiva na derrota dando chutes voadores, vingando na trava da chuteira a derrota na bola….

A festa da vitória santista acabou sendo manchada. Uma briga generalizada tomou conta do gramado, jogadores e comissão técnica de ambas equipes entraram em confronto após o apito final do árbitro da partida. O pivô da briga foi o torcedor santista Eric Del Delbosque, 18 anos, filho do Delegado Osvaldo Nico Gonçalves, titular da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista.

Após serem provocados, os uruguaios partiram para cima do torcedor, o que causou revolta nos boleiros da baixada santista. Alguns jogadores do alvinegro praiano chegaram a declarar que time do Peñarol não sabia perder. Mas o filho do Delegado parece que não sabe ganhar. Ao invés de comemorar o título da Libertadores (de preferência fora de campo) fato que não ocorria há 49 anos, o “torcedor” resolveu provocar. Chama a atenção à demora da Polícia Militar, para entrar em campo e tentar controlar a situação. Ou será que a “briosa” PM de São Paulo – onde o mesmo Choque que policia os estádios operou na repressão da rebelião do Carandiru em 2 de outubro de 1992 – se recordou do embate Brigada Militar X Peñarol, durante a Supercopa de 1993, quando o elenco Manya Aurinegro peitou os brigadianos de chuteira em riste?!

As perguntas que ficam: Quem autorizou a entrada do filho do Delegado? Que punição o mesmo sofrerá?

 QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

ALÉM DAS 4 LINHAS. A propina que Ricardo Teixeira devolveu e a privatização de uma paixão pública dos brasileiros

“…E olha que para este ser o tema da coluna desta semana teria que ser algo que afetasse o panorama futebolístico mundial. A edição de uma das revistas de maior circulação nacional, ao menos para leitores conservadores/reacionários, teve como matéria de capa o atraso nas obras para a construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014, sugerindo que no ritmo que estão indo só estarão prontos em 2038!

Neste interim, a entidade máxima do futebol descartou dois Estados como sedes da Copa das Confederações (2013): Rio Grande do Norte, em que mais uma licitação não teve construtoras interessadas em fazer a Arena das Dunas; e São Paulo. Caro(a) leitor(a), a cidade de maior PIB do país, uma das maiores do mundo, com o maior estádio particular do Brasil caminha firmemente para, no mínimo, ser coadjuvante de um dos maiores eventos do planeta sendo realizado em terras tupiniquins.

Porém, por mais problemáticos e argumentativos que tais fatos sejam, o assunto não pode ser outro. Segundo o programa televisivo Panorama, da britânica BBC, exibido no dia 23, o ex-presidente da CBF e da Fifa João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-genro e atual monarca da entidade brasileira de futebol, tiveram que devolver dinheiro de propina como punição da justiça suíça…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A propina que Teixeira devolveu e a privatização de uma paixão pública – por Dijair Brilhantes, Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 30 de maio  de 2011 - por Dijair Brilhantes, Anderson Santos & Bruno Lima Rocha

Justiça obriga dirigentes brasileiros de futebol a devolverem dinheiro de propina!

Para quem lê o título deste texto, e talvez não tenha visto as matérias sobre o assunto ao longo da semana, deve achar que tem algo estranho: “no Brasil, após julgamento de atos de corrupção estão punindo as pessoas envolvidas e ainda tendo elas que devolver todo o dinheiro?”. Desculpa pela efêmera esperança, apesar de os dirigentes serem brasileiros, a justiça citada é a suíça, local que detém mais de 60 sedes de federações esportivas do mundo por conta de baixa tarifação fiscal.

E olha que para este ser o tema da coluna desta semana teria que ser algo que afetasse o panorama futebolístico mundial. A edição de uma das revistas de maior circulação nacional, ao menos para leitores conservadores/reacionários, teve como matéria de capa o atraso nas obras para a construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014, sugerindo que no ritmo que estão indo só estarão prontos em 2038!

Neste interim, a entidade máxima do futebol descartou dois Estados como sedes da Copa das Confederações (2013): Rio Grande do Norte, em que mais uma licitação não teve construtoras interessadas em fazer a Arena das Dunas; e São Paulo. Caro(a) leitor(a), a cidade de maior PIB do país, uma das maiores do mundo, com o maior estádio particular do Brasil caminha firmemente para, no mínimo, ser coadjuvante de um dos maiores eventos do planeta sendo realizado em terras tupiniquins.

Porém, por mais problemáticos e argumentativos que tais fatos sejam, o assunto não pode ser outro. Segundo o programa televisivo Panorama, da britânica BBC, exibido no dia 23, o ex-presidente da CBF e da Fifa João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-genro e atual monarca da entidade brasileira de futebol, tiveram que devolver dinheiro de propina como punição da justiça suíça.

O repórter Andrew Jennings já havia feito a denúncia no mesmo programa em novembro do ano passado: membros do Comitê Executivo da Fifa teriam recebido propinas numa somatória de mais de US$ 100 milhões na década de 1990, através da empresa de marketing esportivo ISL, que repassava o dinheiro e que faliu em 2001. A justiça suíça quis saber como uma empresa que gerenciava os direitos de transmissão (em todas as plataformas tecnológicas) da Copa do Mundo, que gira em torno de bilhões de dólares, pode falir?

O propinoduto do futebol mundial

Agora podemos ter uma ideia e, provavelmente, Joseph Blatter, atual presidente da Fifa e braço-direito de Havelange em boa parte de suas quase três décadas no comando da entidade, também tenha. Afinal, um dinheiro “desconhecido”, no valor de 1 milhão de francos suíços (quase R$ 2 milhões), apareceu na conta da entidade em 1998 por “engano”, pois seria endereçado à conta do brasileiro, então presidente.

Talvez até mesmo o Brasil sabia. Quem não se lembra da “CPI do Futebol”, em 2001, que teve como convidados a depor Ricardo Teixeira, Vanderlei Luxemburgo e, por alguns deputados por conta da final da Copa de 1998, até mesmo Ronaldo “Fenômeno” – este último liberado?

A Comissão Parlamentar de Inquérito, que teve como presidente o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), queria saber de onde vieram os R$ 2,9 milhões que apareceram na conta da empresa de fachada Sanud, de Ricardo Teixeira, entre 1996 e 1997. Aliás, segundo as informações da BBC, valor bem menor que os US$ 9,5 milhões que a empresa teria recebido entre 1992 a 1997 por “contratos de marketing”.

A BBC não faz a denúncia à toa. A emissora pública britânica segue a “revolta” gerada no Reino Unido com a escolha de Rússia e Catar como sedes das Copas de 2018 e 2022, em detrimento ao país em que o futebol foi organizado em regras e que, inclusive, terá Londres como sede dos próximos Jogos Olímpicos de verão.

Numa audiência convocada pelo Parlamento local (!), o ex-presidente da Federação Inglesa  David Triesman havia dito que a única hipótese era que dirigentes do Comitê Executivo teriam recebido dinheiro. Ele chega a denunciar que teria sido convidado por Ricardo Teixeira a dar seu lance. Nicolas Leóz (presidente da Conmebol) e Issa Hayatou (presidente da Confederação Africana de Futebol) também teriam participado do processo.

A disputa pela entidade no meio disso tudo

Na verdade nem a Fifa nem a justiça suíça anunciaram quem são os dois nomes do Comitê Executivo que tiveram de devolver 5,5 milhões de francos suíços, equivalentes a cerca de R$ 10 milhões, que deveriam ser usados na ISL. Um repórter suíço conseguiu a autorização para que a justiça do seu país lhe informasse quem são, mas a entidade do futebol já se mobiliza para evitar que isso ocorra.

Vale lembrar que nesta semana (1º de junho) há a eleição para presidente da entidade e que neste ano voltamos a ter dois candidatos na disputa, o que justifica a tentativa de Blatter, candidato a reeleição, a empurrar o anúncio para depois de junho. Fica implícito (ou explícito?) que ele deveria saber que esse tipo de coisa ocorria, dada a importância dos nomes. Além de, ironicamente, sua campanha ter como eixo o combate à corrupção no futebol.

A Federação abriu um processo administrativo em seu conselho de ética para investigar o caso e as pessoas envolvidas, inclusive o seu presidente. Mas se engana quem acha que isso possa sinalizar algo positivo. A iniciativa de investigar só veio porque o candidato adversário, Mohamed bin Hamman, presidente da Confederação Asiática de Futebol, já estava sendo investigado por conta de denúncia de que teria organizado um congresso da entidade em Trinidad e Tobago, cujo valor recebido por delegados não teve objeção quanto possível ilegalidade por parte de Blatter.

Ainda assim, neste domingo, a entidade anunciou o resultado das investigações do conselho de ética. Bin Hamman, que renunciou à candidatura já no sábado, e o presidente da Concacaf (Confederação das Américas Central, Caribe e do Norte) Jack Warner, foram suspensos temporariamente de qualquer atividade relacionada ao futebol. Eles teriam oferecido US$ 40 mil a cada um dos 25 dirigentes da Concacaf; dois desses dirigentes também foram inocentados.

Já Joseph Blatter caminha sem oposição para mais uma gestão à frente da Fifa, em que foi inocentado da acusação de omissão. Ricardo Teixeira também foi inocentado das denúncias de corrupção no caso da escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022 por “falta de provas”.

A privatização de uma paixão pública

Como diz Eduardo Galeano em seu Futebol ao sol e à sombra, os dirigentes do futebol se aproveitam da paixão dos torcedores para ganharem o quanto podem em cima do esporte. Entendido como um bem cultural importantíssimo para o mundo, o “cuju” praticado pelos chineses séculos antes de Cristo transformou-se num bem econômico tão importante quanto o amor ao esporte, em que as organizações capitalistas que o administram não se sentem na obrigação de divulgar publicamente seus balanços financeiros por serem empresas.

O nosso caso parece ser ainda pior. Enquanto na Suíça cogitou-se a hipótese de intervenção na Fifa, no Brasil, Ricardo Teixeira já se garantiu no comando da CBF – e de seus onze patrocínios – até, ao menos, a Copa de 2014. Quando questionado se poderia reabrir a Comissão Parlamentar de Inquérito, o senador Álvaro Dias disse apenas que iria pedir algumas informações ao Banco Central.

Este é o país do caixa dois nas campanhas eleitorais, das barganhas políticas, do propinoduto, das obras atrasadas e superfaturadas, mas também é o país do futebol, este “esporte do povo” que não é do povo.

QUEM ESCREVE:

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo, Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

NOTA DO EDITOR: o artigo foi escrito antes da eleição na FIFA. Que, no entanto, não muda o conteúdo, de vez que, candidato único, Blatter foi reeleito na presidência da entidade mundial do futebol.

ALÉM DAS 4 LINHAS. As agruras do deputado-cartola que preside o Grêmio e a tal janela da CBF

“…Mas um dia a máscara iria cair. Odone não cumpriu o prometido, além dos fracassos do time em campo, fora das quatro linhas não é diferente. O mandatário tricolor fez o clube pagar o “mico” do ano no caso Ronaldinho, com quem negociou durante mais de 40 dias, e chegou a garantir sua contratação com direito a caixas de som no gramado do Olímpico. Deu a cara na mídia, expôs-se publicamente e tentara capitalizar em cima do retorno de quem saíra do clube brigado com a direção. Não deu certo.

A reação vem aos poucos, e nem sempre da forma mais adequada. No twitter e em redes sociais de tricolores rio-grandenses, a ira contra o dublê de cartola e deputado (Como será que ele faz? Como é possível dar triplo ou duplo expediente? Quem conhece a lida da política sabe que é impraticável, mas….)…

… O Brasileirão mal começou, e já voltou o assunto da “maldita” janela de transferências de jogadores que vem do exterior. É incompreensível que a mesma só abra em agosto. Todos os anos é aquele jogo de bastidores tentando a antecipação das inscrições dos jogadores contratados. No final da história, a CBF as antecipa, e o Imperador Teixeira fica com crédito junto aos dirigentes dos clubes. Depois, parodiando a interpretação de Marlon Brando na obra de Mario Puzzo reinterpretada para o…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Anderson Santos e Dijair Brilhantes. Eles fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!