Arquivo

Textos com Etiquetas ‘Além das 4 linhas’

ALÉM DAS 4 LINHAS. Mano na Seleção, estádio do Corinthians na Copa. Tudo a ver?

“…Os boatos que circulam em alguns veículos da mídia dão conta de que quando a CBF contratou o técnico Mano Menezes, Ricardo Teixeira teria feito um acordo com Andrés Sanchez, presidente do clube que outrora abrigou a Democracia Corintiana. O suposto trato seria de ordem simples: se o mandatário corintiano liberasse o treinador, o estádio do timão sediaria a copa do mundo. “Boatos” esses que acabaram se confirmando na última sexta-feira. Após ter excluído o Morumbi (para vingar-se de Juvenal Juvêncio) o Imperador Teixeira escolheu a futura Arena do maior rival são-paulino para sediar os jogos.

Jornalismo não pode ser baseado em teoria conspiratória e menos ainda em “fontismo indireto”.  Mas a pulga morde e pesado. Será que tudo não passa apenas de coincidência? Nós, articulistas do…”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

SIGA O SITÍO NO TWITTER

Mano, o estádio do Corinthians e os Eucaliptos. Tudo a ver? – por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 30 de agosto de 2010 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Os Primeiros passos

Finalmente começaram as obras do Maracanã. Depois de muito papo, maquetes, vídeos e diversas outras maneiras de promover as obras para a Copa de 2014, o mais conhecido palco do futebol brasileiro começou nesta última terça-feira dia 24 de agosto a ganhar sua nova cara. É a segunda reforma estrutural desde o fatídico Mundial do Eurico Miranda, ocorrido no ano 2000, quando o C.R. Vasco da Gama perdera para o S.C. Corinthians Paulista. O estádio terá sua capacidade reduzida para 45 mil lugares até o seu fechamento total; isto porque o anel inferior fica com acesso fechado.

O jogo de despedida foi marcado pela farra de ingressos que parece não ter fim. Entra ano e sai ano e a praga continua. Dos 80.080 (público oficial) somente 66.757 pagaram para assistir ao duelo entre Vasco e Fluminense. Além dos ingressos destinados aos menores de doze anos e a portadores de deficiência, houve uma imensa quantidade de cortesias sediadas por ambos os clubes. Esses “brindes” são concedidos para autoridades, patrocinadores, “celebridades” de gostos duvidosos e outros personagens de triste presença na combinação da demagogia com o trem da alegria futeboleiro.  

Vale ressaltar que para nós, mortais ocupando a faixa de sócios torcedores, o que ocorre é uma inversão de valores. Quem mais tem menos paga, já que boa parte dos convidados ou da cartolagem que convida, tem maior poder aquisitivo, bem acima de ti (nós, todos nós) torcedor que é apaixonado por seu clube, e, no caso de um jogo cheio e com farra de ingressos, sempre vai ter que desembolsar no mínimo R$50,00, pagar taxa de consumo em algum bar e restaurante assinatura do PFC ou então, apenas escutar pelo velho “radinho”.

Quanto vale o show

No futebol há coisas impagáveis, como assistir a verdadeiros gênios da bola em campo. Na última quarta feira dia 25 de agosto, o show de Ganso e Neymar no Estádio Olímpico nos leva a esquecer tudo que de ruim cerca o futebol. O primeiro dribla, faz gols, o segundo é um legítimo maestro. O salário astronômico de Neymar discutido no artigo passado, embora seja um absurdo em termos societários, para o torcedor (principalmente o santista) isso fica em segundo plano. Por vezes até nos esquecemos do chamado “descolamento de preços” quando o jogador entra em campo e mostra tal genialidade.

E de onde surgem tantos craques? No país de onde saíram Ronaldinhos, Romário, Zico, e claro Pelé, a cada ano surge um novo jogador em algum clube, por vezes de médio porte, que se beneficiam com suas vendas.

No Brasil, país cuja maioria dos jogadores vem de classes baixas e de regiões periféricas, não há uma explicação convincente de onde surgem tantos craques, a não ser um baita presente de Deus (que segundo os brasileiros, é daqui; ou é rio-grandense, conforme os nativos da Província da Jabalândia do Eucaliptol e pode ser mesmo argentino, pois ele nasceu apenas algumas centenas de anos antes de Evita e Dieguito!).

A nota triste ficou por conta da lesão do Paulo Henrrique Ganso. O jogador rompeu o ligamento cruzado do joelho e só volta aos gramados em 2011. Se a lesão tivesse ocorrido com Neymar, teria o Santos F.C. se arrependido por não ter negociado o jogador com o Chelsea na semana passada? Esperamos que não, embora a relação de confiança com a cartolagem e vendedores de embutidos (lembrando a piada sem graça da fábrica de salsichas e do parlamento), seja pouca ou nenhuma.

Mas, se nós desejamos ver esses talentos continuarem a florescer, é necessário o imediato combate à especulação imobiliária, onde temos espigões demais, saneamento básico de menos e uma lacuna de política pública de esporte, a várzea incluída. No caso de Porto Alegre e a Região Metropolitana, vivemos sob o reino das incorporadoras e construtoras, tomando os terrenos baldios e privatizando a cidade. Onde tem cerca e grade a bola não rola. Voltamos a falar disso em outras situações.  

Estádio corintiano será sede da Copa

Acreditem amigos leitores, o futuro estádio do Corinthians será a sede paulista para a Copa do mundo de 2014. Há indícios que receberá inclusive o jogo de abertura do mundial. O anúncio foi feito após o presidente corintiano fechar acordo com a construtora Odebrecht, que será responsável por erguer a obra em Itaquera, na zona leste paulistana. A empresa comandada por Marcelo Odebrecht, uma das cinco irmãs das empreiteiras “nacionais”, está presente nas maiores “jogadas”, e nem sempre com o devido sucesso. Como a empreiteira é partícipe dos fatídicos consórcios da Via Amarela e da Linha Amarela do buraco do metrô de São Paulo, o empreendimento necessitaria de, no mínimo, um acompanhamento pesado do Ministério Público paulista e também, uma ação vigilante voluntária da massa da Gaviões, da Camisa 12, do P9 e de outras “organizadas”. A obra prevista tem um orçamento inicial de R$ 300 milhões de reais. Mas, fica a dúvida: quanto por cento a mais custará? E, como será a mesma financiada? Com a isenção fiscal? Com a alocação de recursos públicos?

Os boatos que circulam em alguns veículos da mídia dão conta de que quando a CBF contratou o técnico Mano Menezes, Ricardo Teixeira teria feito um acordo com Andrés Sanchez, presidente do clube que outrora abrigou a Democracia Corintiana. O suposto trato seria de ordem simples: se o mandatário corintiano liberasse o treinador, o estádio do timão sediaria a copa do mundo. “Boatos” esses que acabaram se confirmando na última sexta-feira. Após ter excluído o Morumbi (para vingar-se de Juvenal Juvêncio) o Imperador Teixeira escolheu a futura Arena do maior rival são-paulino para sediar os jogos.

Jornalismo não pode ser baseado em teoria conspiratória e menos ainda em “fontismo indireto”.  Mas a pulga morde e pesado. Será que tudo não passa apenas de coincidência? Nós, articulistas do Além das quatro linhas, não acreditamos em coincidências, não com pessoas desse naipe. O certo é que ser amigo do Imperador e conviva da famiglia Havelange-Teixeira sempre dá “bons” frutos.

Pelos lados dos Pampas

Aqui no Rio Grande do Sul as coisas não mudam muito em relação aos demais estados do Brasil. No último sábado, dia 28 de agosto, o presidente do Internacional S.C. Vittorio Piffero anunciou a venda do estádio do Eucaliptos. Lembramos, este foi palco de dois jogos da Copa de 1950 e é uma das últimas áreas ainda livres da especulação no bairro Menino Deus. Segundo o presidente colorado a venda da antiga sede servirá para ajudar financeiramente as obras do Gigante da Beira Rio para a copa de 2014.

Até aí tudo bem, ao menos o argumento é tolerável, embora o achincalhe que foi a aprovação da quebra de padrão do Plano Diretor da capital tenha sido uma vergonha. O que não podemos entender é porque o valor da venda não foi divulgado? Que motivo – quais supostos motivos – tem as partes para fazerem as negociações às escuras? É tão difícil assim fazer uma negociação transparente? Não estamos aqui duvidando da legalidade da venda, mas quem nos dá brecha para pensarmos ao contrário são os próprios dirigentes, que preferem fazer tudo em sigilo….

…..a propósito, e a Arena do Grêmio, heim? Alguém da mídia grande se lembrou de ouvir o ex-presidente Hélio Dourado?      

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo e Bruno Lima Rocha (blimarocha@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br)

SIGA O SITÍO NO TWITTER

 

ALÉM DAS 4 LINHAS. A sanha arrecadadora da CBF e a transformação de Neymar em produto

“…O que tem de real nisso? Nada. O que ocorreu é que a CBF não conseguiu quem pagasse cerca 2 milhões de dólares exigidos pela entidade máxima do futebol brasileiro. A explicação de Mano não passa de “balela”. Para que serve um período de treinamentos para um time que não vai disputar nada relevante nos próximos meses? E, se for só para treinar, por que não convocou apenas jogadores em idade pré-olímpica? Será que a sanha de faturar a todo custo nunca vai se esgotar? Ou alguém esqueceu que as vésperas da Copa do Mundo da África, a seleção brasileira enfrentou Tanzânia e Zimbábue? Parece que desta vez, o Imperador Teixeira vai ter que esperar um pouquinho mais para “engordar” sua “obesa” conta bancária, já que não conseguiu acertar nenhum amistoso “caça níquel”. O time brasileiro ficou com a imagem muito arranhada após o mundial de 2010. E, pelo visto, esta mais nova trapalhada vem ao encontro da tradição de desmandos e absurdos….”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

A sanha arrecadadora da CBF. E Neymar, agora um produto – por Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 23 de agosto de 2010 - por Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A convocação da seleção

Na última sexta-feira, o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes convocou 22 jogadores para um período de treinamentos na Espanha. A preparação vai de 2 a 8 de setembro em Barcelona. Em entrevista, o treinador da seleção, atual funcionário de Ricardo Teixeira, disse preferir apenas treinar, a ter de enfrentar uma seleção com pequena expressão no futebol mundial.

O que tem de real nisso? Nada. O que ocorreu é que a CBF não conseguiu quem pagasse cerca 2 milhões de dólares exigidos pela entidade máxima do futebol brasileiro. A explicação de Mano não passa de “balela”. Para que serve um período de treinamentos para um time que não vai disputar nada relevante nos próximos meses? E, se for só para treinar, por que não convocou apenas jogadores em idade pré-olímpica? Será que a sanha de faturar a todo custo nunca vai se esgotar? Ou alguém esqueceu que as vésperas da Copa do Mundo da África, a seleção brasileira enfrentou Tanzânia e Zimbábue? Parece que desta vez, o Imperador Teixeira vai ter que esperar um pouquinho mais para “engordar” sua “obesa” conta bancária, já que não conseguiu acertar nenhum amistoso “caça níquel”. O time brasileiro ficou com a imagem muito arranhada após o mundial de 2010. E, pelo visto, esta mais nova trapalhada vem ao encontro da tradição de desmandos e absurdos. Ao menos o treinador brasileiro foi coerente (palavra que virou chavão na seleção de Dunga) e não levou jogadores que atuam no Brasil por estarem disputando o campeonato brasileiro. Menos mal.

O Santos e Neymar

O presidente santista Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro também nesta sexta-feira, 20 de agosto de 2010, anunciou a renovação de contrato com o atacante Neymar. O novo termo foi renovado até 2015 com multa rescisória que beira aos 100 milhões de reais. O salário do jogador passará de 160 mil para 500 mil reais (pouco mais de 300%,), uma media galáctica para os soldos brasileiros. Basta comparar com os salários do STF, desembargadores e procuradores no topo da carreira, girando em torno de R$ 30.000,00, já inclusas as gratificações. E, para subverter, a lógica da remuneração, o “menino da Vila” se transforma em produto. Conforme o presidente santista, o salário do jogador será pago por ações de marketing, algo semelhante feito pelo Corinthians com o jogador Ronaldo.

O descolamento de preços e salários, típico de nossa era, se manifesta também nos campos. A desigualdade social atinge também o futebol, salários astronômicos só são pagos a atletas quando estes são assediados por clubes europeus, fora isso, a regra é como dizem os dirigentes, se adaptar aos padrões do clube. O problema também passa pela inversão de prioridades. Se as verbas dos clubes fossem bem administradas, e houvesse um maior investimento nas categorias de base com certeza sairiam muito mais Ronaldinhos, Robinhos, e Neymares, e não estariam os clubes brasileiros com dividas impagáveis.

Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo e Bruno Lima Rocha (blimarocha@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br)

ALÉM DAS 4 LINHAS. Vão faltar tapumes para esconder as favelas na Copa 2014

“….Vale uma observação. Nós defendemos neste espaço que todos têm o direito de prestigiar o esporte bretão. De maneira alguma temos a intenção de discriminar qualquer estado, mas pensamos que o futebol não pode – e nem em pensamento – ser tratado como prioridade.

O problema é grave. O governo central aprovou através medida provisória, a desoneração de impostos (PIS/COFINS) para a importação de materiais e serviços para as obras da copa de 2014. O mesmo procedimento poderia ser usado para construção de hospitais, escolas, creches e outros necessários aparelhos sociais. Podem ter certeza, isso também traria enormes “ganhos”, em longo prazo e com menos holofotes, mas traria. Na onda de embonecar as cidades-sede e sub-sedes, nos fica uma dúvida cruel. Usará a FIFA tapumes para esconder as favela e pobrezas do Brasil assim como fez na Cidade do Cabo na África do Sul durante a copa de 2010? Se isso fizer, vão faltar tapumes podem ter certeza….”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Vão faltar tapumes para esconder as favelas na Copa 2014 – por Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas, 9 de agosto de 2010 – por Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (blimarocha@gmail.com)  

Vão faltar tapumes

Nos dias atuais não há como falar de futebol no Brasil sem citar a copa de 2014. O problema é que até agora, só vimos projetos e maquetes de estádios. Ao que tudo indica, a corrida pela Copa do Mundo é a corrida rumo ao pote de ouro ao final do arco-íris regado a dinheiro público. O Pan do Rio que o diga.

A maior especulação, como não podia deixar de ser, é a loucura atrás de estádios padrão FIFA. Nem a terra da garoa escapa da pressão. São Paulo, a mais importante capital do país, a locomotiva do país segundo uma parte da paulicéia outrora desvairada, uma das doze sedes, até agora não definiu aonde vai realizar os jogos. Será feita uma reforma no Morumbi ou virá a construção de uma nova arena? O que teremos? Piritubão? Pietazão Guarulhense? Vão fazer um estádio no Rodoanel? Ou será que o Corinthians vai ganhar uma cancha nova na Barra Funda ou no Tatuapé? E o que falar de Manaus, (com todo respeito que merece o povo que habita aquela região) que o clube mais importante disputa a série D? Qual a utilidade de um estádio com capacidade mínima para 40 mil pessoas em um estado sem um grande time de futebol?  

Vale uma observação. Nós defendemos neste espaço que todos têm o direito de prestigiar o esporte bretão. De maneira alguma temos a intenção de discriminar qualquer estado, mas pensamos que o futebol não pode – e nem em pensamento – ser tratado como prioridade.

O problema é grave. O governo central aprovou através medida provisória, a desoneração de impostos (PIS/COFINS) para a importação de materiais e serviços para as obras da copa de 2014. O mesmo procedimento poderia ser usado para construção de hospitais, escolas, creches e outros necessários aparelhos sociais. Podem ter certeza, isso também traria enormes “ganhos”, em longo prazo e com menos holofotes, mas traria. Na onda de embonecar as cidades-sede e sub-sedes, nos fica uma dúvida cruel. Usará a FIFA tapumes para esconder as favela e pobrezas do Brasil assim como fez na Cidade do Cabo na África do Sul durante a copa de 2010? Se isso fizer, vão faltar tapumes podem ter certeza.

O México migrou para a América do Sul

O poder político no futebol parece não haver limites. A Conmebol mudou o mapa-mundi, e trouxe o México para a América do Sul. A Confederação Sulamericana de Futebol junto com a Fox TV, usa A Copa “Santander” Libertadores (antes Toyota) como mercadoria. Ao mesmo tempo em que a participação dos clubes mexicanos rende bons lucros na competição, a mesma perde em credibilidade.

O torneio mais árido e difícil do mundo (em nossa opinião), corre o risco de ter um clube de fora do continente campeão. Não se trata de ir contra o futebol mexicano nem qualquer outra bobagem parecida. O contra senso é que o time que ganhar pode não levar o pacote completo, simplesmente porque haveria uma dupla representação. É isso o que pode manchar uma história de mais de 50 anos. E, pela segunda vez um clube brasileiro pode se tornar Campeão do Mundo sem ter sido campeão da Copa Libertadores.

Depois do até hoje contestado título mundial do Corinthians em 2000, agora pode ser a vez do Internacional a bola da vez, ao disputar a final com o Chivas Guardalajara. O colorado pode vir a perder e mesmo assim já está garantido no mundial da FIFA em dezembro. Convenhamos, não precisava ser assim, podendo tranquilamente a representação da Conmebol ser do campeão do torneio organizado pela mui, nobre e valorosa organização comandada pelo paraguaio Nicolás Leoz Almirón, outro imperador que recebera seu cetro em 1º de maio de 1986!

E, preparemos nossos corações porque nem tudo o que não reluz não é ouro, com o perdão do trocadilho. Pelo segundo ano consecutivo, o Mundial de Blatter será disputado em Dubai, um dos sete emirados que compõe os Emirados Árabes Unidos. Trata-se da capital mundial da especulação imobiliária. Dubai forma uma mistura de bolha financeira sobre um tapete de petróleo e funcionando como lavanderia do mundo. E, como onde há dinheiro lá está a Velha Senhora Suíça, é para lá que estarão postas as esperanças de metade do Rio Grande e a secação da outra parte.

Debate presidencial x futebol

Tava na cara que isso iria acontecer. Na última quinta-feira dia 05 de agosto, a TV Bandeirantes organiza e transmite o primeiro debate presidencial em rede nacional. O pastiche da política televisiva contou com Serra, Dilma e Marina em banho-maria e Plínio tentando esquentar as coisas, mas não conseguindo. Logo ali ao lado, outra instituição “paulistocêntrica” recebia a convidados. No mesmo horário, também ao vivo e sendo transmitido pela Rede Globo, em rede nacional e aberta, jogavam pelas semi-finais da Copa Libertadores, São Paulo x Internacional. Basta de comparação, correto?

Não há necessidade de qualquer tipo de pesquisa para sabermos qual destes eventos proporcionou o maior número de audiência às emissoras. Na atualidade não existe possibilidade alguma da política nacional sobrepor o futebol. Nem mesmo os debates dos anos ’80, do reinício da democracia de tipo indireta e baseada na política profissional em nosso país conseguiriam bater um bom jogo. Hoje, na era da “mesmice twitada”, além de vermos um povo desacreditado na política atual, vivemos no país onde se “respira” futebol.

Não vamos nós aqui fazer críticas a quem assistiu o futebol ao invés do debate, mas achamos que de forma alguma dois eventos tão importantes para nós brasileiros poderiam concorrer no mesmo horário em TV aberta. Ou era interesse de alguém não assistirmos o debate? Ou será que o vale tudo concorrencial supera o direito a informação, mesmo que seja esta truncada e pasteurizada como o debate de 5ª dia 05 de agosto? 

Dijair Brilhantes é estudante de jornalismo e Bruno Lima Rocha é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br)       

ALÉM DAS 4 LINHAS. Como se pode estar “pelado, liso, duro, quebrado” em meio a um esporte milionário

“….É como um cassino dar prejuízo (e acreditem, tem alguns que dão prejuízo porque uns espertalhões desviam…), é inimaginável. A crise de liquidez (não há dinheiro em caixa, os preços estão descolados dos ingressos de renda) instalada há tempos no futebol brasileiro é um dos principais motivos da falta de qualidade técnica do campeonato nacional. O problema é de simples diagnóstico e de difícil solução no curto prazo. Os clubes seguem o modelo de negócio de vender jogadores como principal fonte de renda.

Ressaltamos que, muitos destes boleiros, sequer chegam a jogar no Brasil entre os profissionais. Enquanto não abrem as janelas ou temporadas de contratação, o grosso do caixa é bancado pela venda (coletiva) dos direitos de transmissão. Na metade da temporada o dinheiro escasseia, porque muitos já pediram a antecipação das cotas de TV para saldar dívidas.

Como há pouco dinheiro em caixa e as categorias de base cada vez formam menos (pelo fator indicação de conselheiro ou padrinho de peneira; retornaremos ao fato noutras ocasiões), se torna quase impossível formar grandes times….”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna desta semana foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

Como é possível estar quebrado em meio a um esporte milionário – por Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas, 02 de agosto de 2010 – por Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (blimarocha@gmail.com)  

Ta demorando a engrenar 

Passado o período de Copa do Mundo, os clubes, mídias, e torcidas parecem estar demorando um pouco a retomar o foco no campeonato nacional. Há raras exceções, dentre elas se incluem Corinthians, Internacional, Ceará, e Fluminense que fazem campanhas empolgantes e têm boa média de público.

Com a abertura da “famosa janela” que causou tanta polêmica, alguns clubes trouxeram reforços do exterior que estavam sem ritmo de jogo, outros acima do peso, implicando nisso a necessidade de um trabalho exclusivo na preparação física em meio à temporada. Talvez este seja um dos motivos para a falta de qualidade dos jogos e a demora na engrenagem das equipes. Mas o fato é que a ausência de grandes craques que trocam o Brasil, hoje não só por grandes times da Europa, mas também por equipes sem expressão alguma no futebol mundial, implica em problema “futebolísitico”, com caneladas e perebices abundantes dentro de campo.

Uma das causas dessa venda exagerada se deve a falta de organização e planejamento dos dirigentes que presidem os chamados grandes clubes. Outra, com certeza, atravessam a nada republicana conduta e postura da maior parte da cartolagem – que intermédia os investidores dos clubes – e os procuradores ou representantes legais dos boleiros – que na sanha de uma comissãozinha iludem a molecada para irem jogar em lugares inóspitos, com frio absurdo para os padrões brasileiros – mesmo sendo de gaúchos uma parte do “pé de obra exportado”. Assim, terminam por zanzar entre centros inexpressivos, segundas divisões européias, até serem repatriados. E, como sempre, alguém tira da cartola um coelho de pelúcia falsificado, garantindo a pérola que: “A baixa qualidade técnica do futebol nacional sempre acarreta em velhas discussões sobre a mudança do calendário para os moldes europeus”. Quanta baboseira.

Sem recursos financeiros a qualidade é baixa

Como é possível estar “pelado, liso, duro, quebrado” em meio a um esporte milionário, com cifras astronômicas? É como um cassino dar prejuízo (e acreditem, tem alguns que dão prejuízo porque uns espertalhões desviam…), é inimaginável. A crise de liquidez (não há dinheiro em caixa, os preços estão descolados dos ingressos de renda) instalada há tempos no futebol brasileiro é um dos principais motivos da falta de qualidade técnica do campeonato nacional. O problema é de simples diagnóstico e de difícil solução no curto prazo. Os clubes seguem o modelo de negócio de vender jogadores como principal fonte de renda. Ressaltamos que, muitos destes boleiros, sequer chegam a jogar no Brasil entre os profissionais. Enquanto não abrem as janelas ou temporadas de contratação, o grosso do caixa é bancado pela venda (coletiva) dos direitos de transmissão. Na metade da temporada o dinheiro escasseia, porque muitos já pediram a antecipação das cotas de TV para saldar dívidas. Como há pouco dinheiro em caixa e as categorias de base cada vez formam menos (pelo fator indicação de conselheiro ou padrinho de peneira; retornaremos ao fato noutras ocasiões), se torna quase impossível formar grandes times.

Alguns clubes, dentre eles Santos, Internacional e Corinthians, buscam como alternativas, participar ou se associar aos “fundos de investimentos” (como os geridos pelos Grupos Sonda ou o Traffic), para manter ou adquirir jogadores com custos elevados. O problema nesse tipo de negócio acaba sendo que os clubes além de obedecerem as regras absurdas impostas pela TV Globo (como datas e horários) devido aos direitos de transmissão dos jogos, passam a ser escravos também desses investidores, pois são os verdadeiros donos dos atletas. Estas empresas usam o futebol jogado no Brasil apenas como vitrine para futuras vendas e bons milhões de euros em suas contas bancárias.

Afinal, para que serviu a Lei Pelé? O objetivo não era libertar os jogadores? Os atletas apenas mudaram de dono, antes eram dos clubes agora são dos empresários. Transformar os clubes em “empresas” até agora na prática resultou apenas nas frustradas tentativas de obter lucros. Instituições como Vasco e Flamengo têm dívidas superiores a R$ 300 milhões de reais, o que, se auferido com rigores da Receita ou outro tipo de fiscalização, causaria a falência de qualquer empresa que não tivesse fortes conexões com Brasília e os respectivos governos estaduais.

Paixão Cara

Explorar a marca! Esse é um dos argumentos dos dirigentes e dos departamentos de marketing para impor os elevados valores dos produtos oficiais dos clubes. Uma camiseta oficial da temporada em andamento, produzida pelo fornecedor do material esportivo custa em torno de R$170,00, independente de ser o 1º, 2° ou 3° uniforme. De tão caro, os detentores do licenciamento (os próprios clubes), resolveram criar a segunda linha de si mesmos. Devido ao valor elevado destas camisas e para evitar a pirataria, foram criadas as peças alternativas com valores que não chegam à metade das tradicionais. Não contam com os produtos do fornecedor oficial, mas são devidamente licenciadas pelos clubes. Esta medida simples – para caber no bolso de quem ama muito, recebe pouco e já está mais que pendurado em crediários e parcelamentos – acabou aumentando consideravelmente os lucros, pois torcedor paga menos e acredita estar ajudando na receita do time do coração. Em 2009, só o Grêmio faturou mais de 10 milhões de reais em sua loja (conforme dados divulgado pelo próprio clube) com seus produtos tanto da linha original quanto licenciada.

O futebol custa muito caro ao torcedor de um país da semi-periferia do capitalismo como o Brasil. Os ingressos saem em torno de R$ 50,00, o que é muito para uma família das classes C e D. Os lugares mais baratos, mais populares nos nossos estádios, obrigam o torcedor a ainda sentar na pedra e tomar chuva na cabeça (isso quando não voa o líquido quente e amarelo, vindo do anel superior…). A dificuldade se mantém nos horários em jogos noturnos que chegam próximos do dia seguinte. As chamadas super-quartas são feitas para heróis ou jovens cheios de disposição e recém saídos da adolescência. E para completar, parece loucura, mas a busca pela auto-sustentação dos clubes resultou em ainda mais exclusão. É compreensível a meta de uma grande agremiação em querer ao menos zerar as despesas com a receita programada através do débito em conta ou do boleto do torcedor associado. Mas, ao criarem o chamado sócio-torcedor que paga uma taxa mensal para ter o direito de comprar antecipados os ingressos para os jogos, os clubes inibem o deslocamento e a relação do torcedor mais avulso. O que é uma excelente idéia (o sócio-torcedor) termina operando como força de sucção (feito vaca “nadando” em enchente) no rodamoinho do consumo e do endividamento da população.

A lógica aparente é terrível. O poder aquisitivo passando por cima da paixão; assim, o amor clubístico virou sofrimento para pessoas com baixas rendas. Não compram produto licenciado, alimentam a pirataria, não conseguem mais pagar ingresso para ir aos jogos e terminam excluídas, acompanhando tudo apenas através da mídia: assistem pela TV e ouvem a crônica esportiva. Para os clubes mais ricos, a impressão é de que os brasileiros mais humildes não merecem assistir futebol, porque não trazem nenhum lucro.     

Quem escreve: Dijair Brilhantes é estudante de jornalismo e é muito interessado em futebol e na crônica esportiva em particular; Bruno Lima Rocha é editor do portal Estratégia & Análise