Embora publicamente tenha sido negado, na tarde desta segunda-feira, é fato que, sim, o PMDB, como toda a mídia local (inclusive este sítio) já havia informado, uma pesquisa foi realizada. Aliás, alguns dados já eram conhecidos antes mesmo da entrega do relatório oficial, o que aconteceu na última quinta-feira.
O documento final já foi lido por pelo menos quatro pessoas do alto comando da prefeitura. Inclusive porque foi o próprio prefeito Cezar Schirmer, em conjunto com a direção partidária (que bancou o trabalho), que encomendou o levantamento, feito por instituto de Porto Alegre.
Com base no relato que tive do próprio comandante do Executivo (há 10 dias), e que tinha conhecimento de alguns dados, e com fontes que consultei no final de semana e na tarde passada, segue, a seguir, parte do resultado apurado pela pesquisa. Há, por conta da preocupação com vazamento integral, muita dificuldade para obter os números todos. Mas existe, sim, material que justifica a divulgação e sobre os quais é possível, digamos, meditar. Confira o que o sítio conseguiu descobrir:
1) A pesquisa foi feita durante mais de uma semana, com 1,5 mil eleitores. A margem de erro foi de 2%.
2) Ao contrário do que se imaginava, e até se divulgou, a pesquisa não confrontou possíveis candidatos “ideais” à vice-prefeitura. Este é, mesmo, a menos que não queira, José Farret (PP). No entanto, foram colocados para os eleitores vários nomes, com o objetivo de aferir o pensamento do eleitorado acerca deles. Um, inclusive, foi Luiz Carlos Fort, do PT. Outro foi Jorge Pozzobom, do PSDB. Um terceiro Marcelo Bisogno, do PDT.
3) Vários cenários eleitorais foram montados. E o pior candidato possível para enfrentar o atual prefeito é (como boa parte dos analistas já suspeitava, inclusive) o do deputado estadual Valdeci Oliveira, do PT. Hoje, segundo a pesquisa, ele estaria 2% atrás de Schirmer. O percentual exato de cada um não foi possível (ainda) descobrir.
4) O nome do deputado estadual Jorge Pozzobom (PSDB) é bem avaliado pela população. No entanto, por conta de perguntas específicas (sim, o tucano foi considerado respeitosamente por quem encomendou o levantamento), o resultado apontou-o como nome ascendente. Mas não seria, hoje, concorrente efetivo de Cezar Schirmer.
5) Uma questão importante, do ponto de vista da prefeitura, foi a que fez uma relação entre “os oito anos de Valdeci” e os “dois anos e meio de Schirmer”. No resultado apresentado ao governo, a comparação seria favorável ao atual prefeito, numa diferença positiva de 12%.
6) Há uma certa coincidência na avaliação feita por pesquisa publicada por A Razão há três semanas, no que toca aos serviços melhor e pior avaliados. Looonge, os mais complicados são a situação precária (na avaliação dos entrevistados) em que se encontram as ruas da cidade e o atendimento à saúde. Nesse quesito, o interessante é que a população não estaria reclamando da falta de medicamentos nem de postos ou dos profissionais da área, mas da “dificuldade de ser atendido”.
7) Os serviços melhor avaliados são, de novo, os mesmos apontados no levantamento feito por encomenda do jornal: a iluminação pública conta com 88% de aprovação. Índice semelhante é obtido pela coleta de lixo – a reclamação, nesse quesito, se daria pelo estado dos contêineres. Em muito provocado pelo vandalismo.
8) A avaliação feita pelo esquadrão montado pelo alto comando do governismo indica que os resultados obtidos foram considerados positivos. Mas é preciso dar a devida atenção aos pontos fracos. Bem, é isso que se busca numa pesquisa, não?
CONCLUSÃO CLAUDEMIRIANA: é evidente que os dados acima são parciais. E, bastante provavelmente, as informações integrais jamais virão a público. Mas é possível afirmar que o otimismo foi a tônica, a partir dos resultados já conhecidos. O que não se sabe é quem mais saberá deles, na medida em que há um verdadeiro cercamento às fontes. Imagina-se, porém, que, em pílulas, o conteúdo do relatório venha a ser divulgado a partir de agora. Ao menos para os alto e médio escalões da prefeitura e do PMDB. Até porque, do contrário, qual a vantagem, se apenas um ou dois tiverem conhecimento pleno?
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