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É SÓ UMA TEORIA. Humoristas, no fundo, preferiam que lei os impedisse de tratar de política

6, setembro, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Atenção, atenção, atenção: é só uma teoria. Nada além disso. E mais: é da inteira lavra deste (nem sempre) humilde repórter – que tem alguuuuns anos de estrada. No fundo, no fundo, os humoristas que batiam forte na legislação eleitoral que os impedia de falar em candidatos, preferiam que continuasse assim mesmo.

Por quê? Ora, é simples: é ótimo defender a liberdade de expressão, quando ela é suprimida. Deixa todo mundo bem com a galera. Já tendo-a disponível para usar e abusar, o que fazer com ela? É um problemaço. Estou errado? É? Estou? Pois bem, o Supremo Tribunal Federal liberou a piada. E o que estão fazendo os piadistas, agora?

Para ter uma idéia, e concordar ou não com a merreca da teoria claudemiriana, acompanhe reportagem publicada ainda na sexta-feira, na versão online da Folha de São Paulo. A reportagem é de Ivan Finotti. Confira:

Humoristas enfrentam autocensura após suspensão da lei antihumor

Uma semana depois de o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto ter liberado a gozação geral, ou melhor, ter suspendido a legislação que proíbe programas de fazerem piadas com os candidatos que disputarão as eleições de outubro, a censura ainda faz sombra em cima dos humoristas.

As últimas edições dos principais programas de humor da TV brasileiros – “Casseta & Planeta” (Globo), “CQC” (Band) e “Pânico” (Rede TV) – fizeram, finalmente, piadas em cima dos presidenciáveis.

“O problema é que rola um sintoma pós-traumático”, avalia Marcelo Tas, do “CQC”. “É como quando você leva uma porrada no futebol ou quebra um braço e tira o gesso. Fica com receio de bater de novo ali. Espero que isso desapareça logo. Estamos em 2010 e é muito tarde pra esse tipo de brincadeira…”

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BARBARIDADE!!! Promotor anuncia que dará nome dos espionados pelo sargento

5, setembro, 2010 Claudemir Pereira 3 comentários

Vou apenas reproduzir o que li hoje no TWITTER do Promotor de Justiça Amilcar Macedo, que investiga o caso do sargento que trabalhava no Palácio Piratini e que espionava políticos. São dois “twitters” apenas – mas o suficiente para deixar muita gente nervosa. Inclusive da mídia.

Confira:

“Final de semana com trabalho intenso na operação #agregação. Amanha divulgarei nomes de autoridades e fatos que considero graves!!!”

“A equipe esta de parabéns! Trabalha intensamente no domingo. São milhares de acessos a verificar.

COMENTÁRIO CLAUDEMIRIANO: a coisa vai, com perdão pelo termo, feder.

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MÍDIA GAÚCHA CALADA. Afinal, foi Simon ou Zambiasi o senador bisbilhotado pelo sargento do Piratini?

Leio um punhado até bem grandão de sítios, blogues e afins. Deles extraio parte da matéria-prima que alimenta minha própria análise e ajuda a difundir pensamentos bastante diferentes no meu próprio espaço na internet. Um dos que leio, e até reproduzo pouco, é Marco Aurélio Weissheimer. Gosto muito dele, embora não use muito suas intervenções.

Mas, agora, neste sábado, ele escreve um texto (deixe as convicções político/pessoais de lado e se atenha ao fato – que não é nada pequeno) absolutamente importante e necessário acerca do comportamento da mídia tradicional gaúcha – e que está misteriosamente calada, ou no máximo sussurra, sem acrescentar muito.

O assunto é o sargento que bisbilhotava o PT e personalidades políticas gaúchas direto do Palácio Piratini e que foi preso por ação do Ministério Público. Que diabo, quem será o senador (já se sabe que não é o petista Paulo Paim) que esteve na mira dele? Pedro Simon? Sérgio Zambiasi?

Mas,^mais importante ainda do que isso, que já é gravíssimo, por que a midiona da terra de São Pedro não dá ao caso a atenção e o espaço que, por exemplo, ofereceria se o ocorrido fosse do outro lado da política provincial ou nacional? Heim? É sobre isso também que escreve o Weissheimer, no seu blogue RS Urgente. E que tomo a liberdade de reproduzir, a seguir:

 “Segurança de Yeda, que cobrava propinas com carro do Palácio, violou dados sigilosos do PT

Imaginem a seguinte situação: um segurança do presidente Lula é preso por cobrar propinas de empresários de máquinas caça-níqueis, usando carros oficiais do governo para fazer essas cobranças. Além disso, com uma senha especial, ele acessou dados sigilosos de adversários políticos do governo por meio de um sistema de consultas integradas do governo. O país estaria virado num inferno, não é mesmo?

Pois tudo isso está acontecendo no Rio Grande do Sul, com uma diferença. Um silêncio estrondoso e vergonhoso por parte da mídia. O promotor Amílcar Macedo confirmou neste sábado que o sargento César Rodrigues de Carvalho, que trabalhava na segurança da governadora Yeda Crusius (PSDB), no Palácio Piratini, acessou inúmeras vezes o Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança para levantar dados sobre diretórios do Partido dos Trabalhadores (endereços, registros de veículos, nome de pessoas).

O sargento, segundo o promotor, também acessou dados sigilosos de um ex-ministro de Estado (seria o ex-ministro da Justiça e atual candidato ao governo gaúcho, Tarso Genro) e de um senador da República. Segundo o promotor, o senador e o ministro não são do mesmo partido, o que indica que se trata ou do senador Pedro Simon (PMDB) ou do senador Sérgio Zambiasi (PTB)…”

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NÃO CUSTA LEMBRAR. “Guerra” entre Globo e Record? Esqueça, é tudo “business”

Confira a seguir trecho da nota publicada aqui na madrugada de 4 de setembro de 2009, uma sexta-feira:

MÍDIA. Conheça mais uma boa razão para não levar muito a sério a briga entre Globo e Record

Devo ter escrito uma ou duas notas, se tanto, acerca do forrobodó entre Globo e Record. Numa delas, inclusive, chamei a atenção para a chatice – decorridos quatra ou cinco dias do bafafá nos principais programas jornalísticos das duas redes grandonas. A verdade é que nada tem a ver com briga judicial ou religião. Não, naaaada disso. É puro “business”.

Tanto isso é verdade que, em alguns momentos bem específicos, o que conta, meeeesmo, é o bolso. E a ilustração dessa nota (extraída de vooz.com) perde todo o sentido. Confira, por exemplo, a nota publicada por…”

PARA LER A ÍNTEGRA, inclusive a imagem referida e o texto que a originou, CLIQUE AQUI

PASSADO EXATAMENTE UM ANO da publicação da nota, se já pensava ser mais prudente não entrar numa briga que tem tudo a ver com negócios – e não com qualidade do produto televisão – agora mais ainda. Inclusive porque as duas partes já se entenderam, por exemplo, na questão dos direitos de transmissão da Olimpíada de 2012. Em TV aberta segue na Record, que adquiriu a exclusividade. Mas na TV Paga, a rede do bispo já se acertou com os canais da Globosat. Então…

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JORNAL ASFIXIADO. Vergonha: o escândalo gaúcho que a mídia joga para baixo do tapete

Quem conhece meu trabalho sabe das restrições que faço à ação do sindicato que representa os jornalistas. Não quero nem falar sobre isso, porque me deprime. E nem é o caso. Quando, recentemente, fui atacado de forma vil, a solidariedade (imensa e emocionante) que recebi veio dos leitores e de colegas de trabalho mais próximos ou que me conhecem há mais tempo.

Mas, de todo modo, isso é irrelevante, agora. Só não consigo entender por que não saiu, até agora, nota alguma em defesa de um cara que tem história fantástica de resistência no jornalismo gaúcho. E ele atuava numa época em que muita gente que hoje se considera democrata estava beeem escondidinha.

Me refiro ao drama vivido por Elmar Bones, sócio-majoritário do jornal , de Porto Alegre, e profissional da mais reconhecida competência, fundador e tocador do falecido Coojornal, entre outras experiências difíceis e até perigosas (considerando a época) ao tempo do regime autoritário.

Eu próprio, por falta de algumas informações, não tratava do assunto. Mas agora encontrei o “gancho”. Mais que isso, a história toda. Que é contada por Luiz Cláudio Cunha. Para quem não sabe, se trata do cara que, corajosamente, por sua ação, acabou noticiando o seqüestro dos uruguaios em Porto Alegre em plena ditadura militar. Nem sempre concordo com ele (nem com Bones), mas tiro o chapéu.

Você quer saber exatamente do que se trata? E de como a mídia gaúcha esconde a situação, com a conivência, inclusive, das entidades empresariais e de trabalhadores? Leia o artigo dele, com um relato excepcional de toda a situação, e publicado esta semana no sítio especializado Observatório da Imprensa. A seguir:

Jornal Já - Como calar e intimidar a imprensa

Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.

É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o , que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.

Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois -– Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.

Até que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio online das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga. Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano…”

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INTERNET. Jornal do Brasil digital. É só o fim de uma era? Ou começo de outra?

Jornal do Brasil digital: a “capa” da primeira edição na nova fase

Em nota de 50 pontos, o Jornal do Brasil, em sua primeira versão inteiramente digital, explica como e por que esse que é (era?) um pioneiro da nova fase do jornalismo brasileiro, se mandou com exclusividade para a internet.

Pessoalmente, ainda não digeri muito bem isso aí. Mas também, problemas de gestão da empresa que o edita a parte, prefiro esperar pra ver. Afinal, na pior das hipóteses, teremos uma experiência ainda não experimentada, até onde sei. Enfim, afora o saudosismo (que não é necessariamente ruim), o fato objetivo é que o JB acabou. E um novo jornal está surgindo. Para o bem. Ou para o mal.

A propósito de como vai funcionar a coisa, a versão online do Jornal do Brasil divulgou uma espécie de relato, em que explica os “comos” e os “porquês”. Confira você mesmo, a seguir:

A nova fase digital do Jornal do Brasil

… 1. Há cerca de um mês, o Jornal do Brasil, jb.com.br, comunicou a seus leitores a decisão de tornar-se o primeiro 100% digital do País.

2. A decisão, fruto de análise responsável dos rumos da imprensa escrita em todo o mundo, resultou também de pesquisa diária que o JB, promoveu mediante anúncios em suas páginas e no site jb.com.br.

3. Nela, o Jornal do Brasil convidou leitores e internautas a opinarem sobre preferências e hábitos de consumo de mídia – incluindo-se as inovadoras plataformas digitais.

4. À semelhança de tantos veículos de comunicação de elevado prestígio no mundo todo, o Jornal do Brasil quer atualizar seus modos de interação com o público leitor, privilegiar práticas ecologicamente sustentáveis e aperfeiçoar-se em tecnologias de última geração.

5. Ao dar efetividade a esse processo, o Jornal do Brasil trabalha para que sua centenária marca e conteúdo de qualidade se façam presentes, de maneira cada vez mais influente, para atuais e futuras gerações de leitores…”

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JUSTIÇA. Políbio Braga fez apologia ao crime ou exercitou a liberdade de expressão?

31, agosto, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Acho inaceitável que alguém diga, muito menos escreva, após a nomeação de 3,2 mil brigadianos, que “o que estava faltando era isto que ocorreu agora: matar, prender e mostrar a força aos bandidos do Rio Grande do Sul”.

Mas, e essa é a discussão, quando um jornalista publica e assina isso ele está “exercitando a liberdade de expressão”, um direito constitucional, ou fazendo a “apologia ao crime”? Não, não se trata de tese, mas de fato concreto. O Ministério Público está processando Políbio Braga, o autor das afirmações. E ele, obviamente, se defende. Os detalhes (que você não lerá na mídia tradicional) estão no Espaço Vital, sítio especializado em questões jurídicas. Confira e, lá embaixo, ainda dou minha própria opinião. Acompanhe:

 “Jornalista gaúcho acusado de apologia ao crime

O jornalista gaúcho Políbio Adolfo Braga – que também é advogado (OAB-RS nº 8.771) impetrou, em causa própria, na última terça-feira (24), habeas corpus no STF com o objetivo de trancar uma ação penal a que responde por apologia ao crime (artigo 286 do Código Penal).
A acusação partiu do MP-RS que considerou criminoso um texto divulgado pelo jornalista em seu blog na Internet. Na publicação, ocorrida em 16 de janeiro deste ano, Políbio informou que a governadora Yeda Crusius contratou 3.200 brigadianos e reequipou toda a Brigada.
Em seguida afirmou que “o que estava faltando era isto que ocorreu agora: matar, prender e mostrar a força aos bandidos do Rio Grande do Sul”.
Em sua defesa, o jornalista argumenta que o texto nada mais é que a livre manifestação do pensamento e o direito de opinião, assegurados na Constituição Federal (artigo 220). Para ele, a intervenção do Ministério Público é “genérica” e não está fundamentada, resultando em “repudiada e inaceitável censura aos meios de comunicação de massa e aos jornalistas…”

OPINIÃO CLAUDEMIRIANA: não há um só leitor deste sítio que desconheça minha percepção sobre o trabalho de Políbio Braga. Como, e isso posso afirmar, aqui jamais alguém escreveria o que ele publicou. Sou suficientemente ntransigente com algumas questões e esta, da defesa de que se “matem os bandidos”, nuuuunca seria abrigada. No entanto, que diabo, tendo a concordar que ele tem, sim, o direito de dizer esse absurdo – desde que alguém permita. No caso, o sítio é dele mesmo. Logo…

Reconheço, porém, que se trata de caso bastante difícil. E é exatamente por isso que o expus aqui. De maneira que todos possam, se desejarem, também oferecer a sua opinião.

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ELEIÇÕES 2010. De novo, mídia toma partido. E perde. Não aprendeu a lição de 2006

Contra a vontade expressa da mídia (da grandona à nem tanto e até parte da pequena), Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição de 2006. Deu uma sova de votos em Geraldo Alckmin, no segundo turno. Pois, agora (aliás, desde então), de novo os veículos se colocaram contra o Presidente e sua candidata, Dilma Rousseff. O resultado, aparentemente, salvo um fato absolutamente imprevisível, será o mesmo. E muito provavelmente ainda no primeiro turno.

Quem faz a análise disso tudo é alguém pra lá de experiente. No caso, Mário Augusto Jakobskind, veterano profissional que já atuou, entre outros veículos, na Folha de São Paulo. Autor de vários livros. Um deles: “Dossiê Tim Lopes – Fantástico/Ibope”. Especificamente sobre a mídia e o pleito de 3 de outubro, acompanhe o artigo que Jakobskind publica no sítio “Direto da Redação”, editado pelos jornalistas Eliakim Araújo e Leila Cordeiro. A seguir:

Quem perde com a eleição

Três de outubro se aproxima e a se confirmarem os resultados das pesquisas indicando uma vitória avassaladora de Dilma Roussef já no primeiro turno, as análises a serem feitas devem transcender o aspecto político partidário propriamente dito e o significado do fenômeno Lula na história brasileira.

O Presidente da República, segundo indicam as pesquisas, em termos de popularidade ultrapassou Getúlio Vargas em sua época. O então líder trabalhista, além de se eleger em 1950 enfrentando os ancestrais do PSDB e Demo, poucos anos antes elegeu quem parecia inelegível, ou seja, o seu ex-ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, que acabou se tornando um dos piores presidentes que o Brasil já teve, comparável a FHC, inclusive traindo compromissos assumidos durante a campanha.

Tais fatos pertencem à história, mas o principal neste momento é analisar a derrota acachapante que vem sofrendo a mídia de mercado tipo Veja, O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, TV Globo e outros veículos de imprensa que diariamente se opõem a Lula e a sua candidata. Ou seja, apesar disso, Lula está transferindo praticamente cem por cento dos seus votos para Dilma Roussef, o que os analistas de plantão diziam que jamais aconteceria.  

Tanto a mídia de mercado quanto o candidato de oposição de direita, José Serra, esgotaram o estoque de acusações infundadas contra a candidata Dilma Roussef. A aliança PSDB-Dem-PPS desencavou até o emergente da Barra de sobrenome da Costa como vice, para caluniar com base em mentiras. Não satisfeito com as baixarias, encampadas por Serra, da Costa gratuitamente passou a fazer críticas grosseiras a Leonel Brizola, o governador do Estado do Rio de Janeiro por duas vezes, falecido em junho de 2004…”

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NOVO TEMPO. Mídia tradicional ainda não entendeu que sua influência se deteriora

27, agosto, 2010 Claudemir Pereira 1 comentário

Com discordâncias apenas pontuais (e o leitor habitual deste sítio já as percebeu, com certeza), dá para assinar embaixo do que escreve o jornalista Mair Pena Neto – que já trabalhou em veículos como O Globo e Jornal do Brasil  (onde foi editor de política e repórter especial de economia) e agências de notícias como a Estado e a Reuters.

Pena Neto trata de algo que é visível a olho nu, menos pelos interessados; no caso, os representantes da mídia tradicional. Vale a pena ler – nem que seja para discordar – o artigo que ele publica no portal “Direto da Redação”, editado por Eliakim Araújo e Leila Cordeiro. A seguir:

A imprensa parou no tempo

A imprensa é hoje um dos setores mais conservadores da sociedade brasileira. Como se evitasse enxergar os novos tempos, se atém a modelos antigos e práticas condenáveis de jornalismo, se dissociando totalmente da população, que vive um momento de otimismo e esperança com o país.

Talvez desde os anos JK, o Brasil não compartilhava uma confiança tão grande na sua capacidade e no seu destino de ser um grande país. Os indicadores econômicos são todos favoráveis e as perspectivas animadoras, desde que não se quebre a ordem constitucional. A população aprova seu presidente com índices elevadíssimos e a sucessão de pesquisas de intenção de voto demonstra claramente que o desejo é de continuidade.

Quem se manifesta contra isso: a imprensa, dando voz aos menos de 10% queconsideram o atual governo ruim ou péssimo. E em seu intento de desmoralizá-lo recorre ao moralismo e à disseminação de inverdades, que evita desvendar por saber que não resistiriam a uma matéria honesta sequer. A imprensa não esconde sua dor com a iminente vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno das eleições presidenciais. Parece pasma diante da força avassaladora da população que quer eleger a candidata de Lula…”

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REFLEXÃO. Um novo tipo de curral eleitoral. Agora, quem tenta comandá-lo é a mídia

Deixam a cena os antigos coronéis, que mandavam e desmandavam na intenção de voto nos mais (ou menos) recolhidos rincões do País. Agora, quem comanda (ou pelo menos tenta) essa opinião é a mídia – especialmente os donos de concessões públicas de rádio e televisão.

A tese não chega a ser exatamente uma novidade. Mas é interessante que se reflita sobre ela – mesmo que seja para, se for o caso, discordar. Quem a expõe é o médico psicoterapeuta Meraldo Zisman, cujo artigo a respeito foi publicado originalmente no sítio “Direto da Redação”, editado pelos jornalistas Eliakin Araújo e Leila Cordeiro. Dê uma conferida e firme sua própria opinião. A seguir:

 “O voto é secreto mesmo?

De quando em vez surpreendo-me com coisas que já sei. Desta vez foi com a pesquisa de julho de 2010 do Tribunal Eleitoral sobre o nível da escolaridade do eleitor brasileiro. Se não vejamos: de um total de 135,8 milhões de votantes, 5,9% são analfabetos, 35% informaram saber ler e escrever, mas a maioria não concluiu o primeiro grau escolar, o que significa que não freqüentaram escola e provavelmente não sabem interpretar textos.

Apesar de concordar com a ideia de que o processo democrático é algo dinâmico e em constante aperfeiçoamento, enquanto os regimes ditatoriais são estáticos e donos de uma verdade que é a do ditador, acredito no que ensina o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920): “A Democracia é a melhor forma de governo, porém possui o seu calcanhar de Aquiles.  É o seu colégio eleitoral”. Continuo.

O voto de curral era a expressão empregada para designar o sistema eleitoral onde a eleição era manipulada pelos “coronéis”, figuras que detinham o poder social e político em diversas regiões do País. Não importando a forma de governo central, Brasil Colonial, Império ou República, quem mandava e desmandava eram esses pequenos caudilhos. O seu poder assemelhava-se ao feudo medieval, mas em lugar de fossos e muralhas havia cercas de arame farpado para guardar seus eleitores de cabresto…

Com o advento da TV e da eletrônica pensei que muita coisa iria mudar. Mudou sim, mais muito pouco. Nas grandes cidades – ou na maioria delas – quem manda são os donos da Mídia, principalmente os donos das cadeias de TV. De um povo cuja cultura vem das novelas, dos programas de baixo nível, desestruturado, analfabeto, o que se poderá esperar como resultado eleitoral?…”

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INTERNET. Velha mídia perde primeira grande batalha no Judiciário. E essa você não lerá nos jornais

A grande discussão, hoje, na mídia brasileira, é a perda crescente da influência dos tradicionais, especialmente os veículos eletrônicos e, em menor escala, também os jornais. Quem ganha com isso? Obviamente, a internet, que a cada dia ganha mais espaço como meio de comunicação.

Por conta disso, e da montanha de dinheiro que vem por trás (e você pensou que se estava falando de outra coisa?), vale tudo. Inclusive a tentativa de colocar o Judiciário na história. Um dos grandes embates, e provavelmente o primeiro, envolve as entidades representativas da mídia tradicional. No caso, a ABERT (que congrega emissoras privadas de rádio e televisão) e a ANJ (a associação dos jornais). O “adversário” é o Terra, um dos grandes portais de internet brasileiros e que tem o controle da espanhola Telefônica. Quer saber o resultado? Leia aqui (em reprodução de matéria do sítio especializado Espaço Vital) o que você não lerá, creia, nos jornais:

Arquivamento de representação contra o saite Terra

A Internet é um meio distinto de interação social global, não apenas de provimento de conteúdo e seu modelo é diferente dos meios de comunicação tradicionais. Por esse motivo, não se aplica à rede o artigo 222 da Constituição Federal, que prevê que a propriedade da empresa jornalística deve ser de brasileiros natos ou naturalizados e com a participação de, no máximo, 30% de capital estrangeiro.

Em síntese, este é o argumento do procurador da República Márcio Schustershitz da Silva Araújo, para promover o arquivamento de uma representação da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), remetida à Procuradoria Geral da República, e distribuída ao ofício do Consumidor e da Ordem Econômica do Ministério Público Federal em São Paulo. Este tem a competência para cuidar do caso, pois a sede do Terra no Brasil fica na capital paulista.

Em sua representação, a Abert e a ANJ, em síntese, alegam que as empresas Terra Networks Brasil Ltda, controlada pela espanhola Telefônica, e responsável pelo portal Terra, e a Empresa Jornalística Econômico S.A., controlada pelo grupo português Ongoing, responsável pelo jornal Brasil Econômico, violam o artigo 222 da Constituição Federal, por serem controlados ou terem participação estrangeira acima dos limites previstos…”

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TROLOLÓ ELEITORAL. Propaganda gratuita no rádio e na TV? Na-na-ni-na-não!

É mito, puro mito. Inventaram essa história de que o que estamos assistindo e ouvindo no rádio e na televisão, nesse período pré-eleitoral, é a tal de “propaganda gratuita”. Balela. Custa caro. E bem caro. E quem paga é você, eu, nós – o contribuinte. Quem ganha? As emissoras de rádio e televisão, que podem descontar do imposto que deveriam pagar. É uma renúncia fiscal pura e simples.

Já posso até antecipar: quem ganha mais são os grandões da mídia eletrônica. Ah, e não é pouca coisa, não. É algo muito próximo ao bilhão de reais. Como isso acontece? Uma boa explicação pode ser encontrada em elucidativa reportagem publicada na versão online d’O Estado de São Paulo. A seguir:

Propaganda eleitoral custará R$ 851 mi a cofres públicos

A propaganda eleitoral gratuita custará aos cofres públicos aproximadamente R$ 851 milhões. O valor equivale à isenção dada pela Receita Federal às emissoras de rádio e de TV como uma forma de compensação pelo tempo reservado nas grades de programação para a veiculação da propaganda dos partidos e dos candidatos neste ano.

Na última campanha presidencial, em 2006, a Receita deixou de cobrar das emissoras R$ 228,6 milhões. No ano passado, quando ainda não havia propaganda eleitoral, apenas publicidade partidária, a isenção passou de R$ 669 milhões…”

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TV SANTA MARIA. Uma novidade na mídia santa-mariense entra no ar, AO VIVO, nesta segunda

Estive na manhã de sábado nos estúdios da TV Santa Maria. Fiquei impressionado com o entusiasmo daquela gente. Afinal, enfim pode estar surgindo uma alternativa à margem da mídia comercial e com enraizamento efetivamente (e não apenas como produto de marqueting) comunitário. E, o que é melhor, a partir desta segunda-feira já haverá programação AO VIVO.

A emissora, que já está no ar em caráter experimental há alguns meses, é o veículo de vários programas locais, entre eles o Claudemir Pereira Café (realização da Paz Produtora e da CP & S Comunicações, proprietária deste sítio). Mas, agora, entra-se numa outra etapa. Bem-Vinda, muuuito bem-vinda TV Santa Maria. Ah, mais detalhes sobre o que teremos a partir desta semana você encontra no material produzido pela assessoria de comunicação da emissora, via InoxIdeias. A seguir:

TV Santa Maria inicia programação ao vivo na segunda-feira

A partir desta segunda-feira (16), a TV Santa Maria, Canal 19 da NET inicia uma nova etapa: a programação ao vivo. Inicialmente, dois programas entrarão ao vivo na grade do canal: o telejornal Santa Maria Agora, das 12h às 13h, e o Mídia Mix, que vai ao ar na sequência, das 13h às 14h, ambos de segunda à sexta-feira.

O Mídia Mix, apresentado por Vilceu Godoy, já estava na programação, só que em formato gravado. O telejornal Santa Maria Agora será apresentado pelo jornalista Airton do Amaral Leal. O novo espaço de notícias vai apresentar notícias e atualidades de Santa Maria e terá quadros fixos de Esportes, Previsão do Tempo e o Canal do Cidadão, em que a comunidade poderá, através de ligações telefônicas, expor suas dúvidas e reclamações sobre diferentes setores e serviços. O telejornal ainda terá os quadros semanais: UAC na TV, Cultural, Debates, A Brigada e a Comunidade, Ministério Público e Especial Musical.

TV Santa Maria

A TV Santa Maria iniciou suas atividades em dezembro do ano passado, em caráter experimental. Já estão na grade do canal os programas: Saúde e Qualidade de Vida, Gastronomia com Caco Pereira, Claudemir Pereira Café, Roda Brasil (Marion Mello), Pauta Cultural (Cezare Barichello), Santa Maria Vídeo e Cinema (Luiz Alberto Cassol) e Conversando com o Cardiologista (Dr. Arnoldo Azevedo dos Santos- Icor).

O Canal 19 é coordenado pela Associação TV Santa Maria, presidida pelo professor Adalberto Meller. A entidade sem fins lucrativos é composta por membros da sociedade santa-mariense, entre eles professores da UFSM e empresários locais.”

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ALÉM DAS 4 LINHAS. Vão faltar tapumes para esconder as favelas na Copa 2014

“….Vale uma observação. Nós defendemos neste espaço que todos têm o direito de prestigiar o esporte bretão. De maneira alguma temos a intenção de discriminar qualquer estado, mas pensamos que o futebol não pode – e nem em pensamento – ser tratado como prioridade.

O problema é grave. O governo central aprovou através medida provisória, a desoneração de impostos (PIS/COFINS) para a importação de materiais e serviços para as obras da copa de 2014. O mesmo procedimento poderia ser usado para construção de hospitais, escolas, creches e outros necessários aparelhos sociais. Podem ter certeza, isso também traria enormes “ganhos”, em longo prazo e com menos holofotes, mas traria. Na onda de embonecar as cidades-sede e sub-sedes, nos fica uma dúvida cruel. Usará a FIFA tapumes para esconder as favela e pobrezas do Brasil assim como fez na Cidade do Cabo na África do Sul durante a copa de 2010? Se isso fizer, vão faltar tapumes podem ter certeza….”

Esse é apenas um trecho (clique AQUI para ler a íntegra) da coluna “Além das 4 linhas”, desta semana.  A coordenação e co-autoria do texto é do jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, colaborador habitual deste site, com a participação, também, de Dijair Brilhantes. Ambos fazem reflexões sobre a mídia, entre outros temas.  Neste caso, o enfoque é o esporte e o que isso significa para os brasileiros. A coluna foi postada agora há pouquinho, na seção “Artigos”. Boa leitura!

MÍDIA (2). O notório Roberto Jefferson: “foram violentos com Dilma e Marina e amarelaram para Serra”

Roberto Jefferson, o notório presidente de honra do PTB, aquele que disse ter recebido R$ 4 milhões ilegalmente mas não informou para onde foi, e que é apoiador de (e incômodo ético para) José Serra, do PSDB, também fez a sua avaliação das entrevistas dos presidenciáveis ao “Jornal Nacional”, entre segunda-feira e quarta.

Jefferson, aliás, foi o motivo da única pergunta mais ou menos difícil que teve que responder o candidato oposicionista – segundo todos os relatos dos que assistiram e/ou comentaram os encontros via TV Globo. Pois olha só o que ele disse, e repercutiu no seu Twitter, segundo alentada nota publicada pelo jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo. A seguir:

Jefferson: ‘JN facilitou a vida para o meu candidato’

Depois de Lula ter dito que faltou “gentileza” de Willian Bonner para com Dilma Rousseff, Roberto Jefferson concluiu que sobrou “facilidade” para José Serra.

Terminada a entrevista do presidenciável tucano ao “Jornal Nacional”, Jefferson plugou-se à internet.

Pendurado no twitter, anotou: “William Bonner e Fátima Bernardes facilitaram para o meu candidato. Foram mais amenos com ele”. Um internauta discordou: “Desculpe deputado, mas esse seu comentário não é oportuno. Pegaram leve? Pelo contrário, o Serra é que se saiu muito bem!” Jefferson manteve a avaliação: “Escrevo para meus leitores sem paixão. Compare a inquirição da Dilma e a do Serra”.

Em resposta a outro interlocutor cibernético, Jefferson como que ecoou o desafeto Lula: “O Bonner e sua Fátima amarelaram perante o Serra. Foram violentos com Dilma e Marina…”

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MÍDIA. Uma análise: Bonner e o Jornal Nacional são “uma só e uma mesma coisa”

Proliferam, na internet, e especialmente no Twitter, o portal dos microblogues, avaliações acerca do desempenho do “Jornal Nacional” e de seu âncora principal, William Bonner, nas entrevistas feitas entre segunda-feira e quarta, com os candidatos à Presidência, Dilma Rousseff, Marina Silva e José Serra.

Não há dúvida: conforme a visão política de quem publica, há crítica ou elogio ao desempenho dos entrevistados e de Bonner. De minha parte, por ser mais alentado, recolho (e ofereço ao leitor) o artigo escrito por Uraniano Motta, jornalista e autor de “Soledad do Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo.

O texto foi originalmente publicado no sítio “Direto da Redação”, que tem como editores os jornalistas Eliakin Araújo e Leila Cordeiro, ex-profissionais da própria Rede Globo e hoje atuando nos Estados Unidos. Acompanhe e tire tua própria conclusão. A seguir:

O estilo Bonner e Dilma

A maioria dos  brasileiros observou o comportamento agressivo de William Bonner contra a candidata Dilma Roussef  no Jornal Nacional. Aquela entrevista mereceria mais o nome de cilada, ou armadilha, se surpresa houvesse no caráter do apresentador. Mas não, se o homem é naquilo que ele faz, o âncora deus-nos-acuda há muito é um ser revelado.

Um breve perfil de William Bonner não deixaria de notar, em primeiro lugar, que ele é um jornalista medíocre.  Surpresa? Não, ainda não. Em um meio em que a primeira condição de sucesso é não ter muitas ideias, e, de preferência, nenhuma, Bonner seria medíocre por estar na média. (Na mídia, ele diria.)  Depois, de passagem, na sua média mediocridade seria notado e anotado que ele possui uma fidelidade, não a do gênero canino, porque os cães, até mesmo eles, sofrem lapsos de confiança quando atacados pelo vírus da raiva. Bonner é um jornalista de fidelidade maquinal, de obediência automática ao comando do  nome Marinho. Surpresa? Não, ainda não. Os astros da Globo mantêm isso como um distintivo, um crachá que atravessa o peito e atinge a própria alma, como um sinete de qualidade.

Então, se tudo nele é médio, por que o seu alto cargo, de editor do Jornal Nacional? Antes que responda, “bem, alguém tinha que ocupar”, poderia responder que ele obedece à lei geral de, para aparecer na tela, o jornalista deve possuir um ar de bom moço, que mantenha aparências de dignidade mesmo quando chancele as maiores canalhices. O rosto simpático e nome de galã de filme B longe estão de um específico, de um caráter, digamos. Ainda que este parágrafo venha a lhe dar um aumento de salário e promoção na empresa Globo, devo dizer: o específico de William Bonner vem da rara condição de que ele é cria, criado e criatura da ilha de edição do Jornal Nacional. Um algo que somente pode viver e  sobreviver naquela redoma, um ser que dorme com a sua apresentadora e acorda com a vinheta, a logomarca e a voz de anúncio,  “Jornal Nacional !”. William Bonner ali não trabalha, ele é, somente é, somente pode ser ali.

Bonner e o Jornal Nacional são uma só e uma mesma coisa. (Nova promoção para o rapaz.) Isso explica por que ele, WB, e JN sejam capazes de coisas inomináveis, sem engulhos, sem trauma ou vinco no rosto. Quem assiste ao Jornal Nacional percebe que o mundo ali vem desmontado entre caras e bocas, em dramatização de telenovelas. Chega-se ao limite…”

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DANO MORAL. Agora, é um juiz de futebol que leva troco de jornal. Decisão é do Judiciário

Você, que eventualmente é aficionado do esporte em geral e do futebol em particular, deve estar lembrado: há dois anos, numa decisão intempestiva, a Confederação Brasileira de Futebol trocou o árbitro de um jogo, na última rodada do campeonato brasileiro – aquele em que o Grêmio chegou em segundo, atrás do São Paulo.

Pois bem, extrapolando de suas próprias razões, um jornal especializado de circulação nacional – Lance! é seu nome – fez algumas observações sobre o árbitro substituído. O cara, Wagner Tardelli (por sinal, já aposentado) entrou na Justiça e… O resultado, com detalhes, você confere na reportagem publicada pelo sítio especializado Consultor Jurídico. A seguir:

 “Jornal é condenado a indenizar árbitro de futebol

O juiz Alessandro Oliveira Felix, da 51ª Vara Cível da Capital, condenou o jornal Lance! a pagar R$ 15 mil, a título de indenização por danos morais, ao árbitro de futebol Wagner Tardelli de Azevedo. O jornal publicou reportagem sobre suspeita de suborno e manipulação de resultado nos jogos do Campeonato Brasileiro em 2008, o que levou a Confederação Brasileira de Futebol, por cautela, a substituí-lo na partida final, disputada entre Goiás e São Paulo.

Essa é a segunda condenação que a publicação sofreu em menos de uma semana sob o fundamento, de que extrapolou os limites constitucionais do direito de informação. Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão que condenou o jornalista Juca Kfouri e a Arete Editorial a indenizarem o treinador de futebol Vanderlei Luxemburgo em R$ 9,6 mil por danos morais. Para o desembargador Erickson Gavazza, a notícia publicada no jornal Lance!, sob o título “É ruim chamar Luxemburgo”, “extrapola os limites do direito de informar e criticar”. Cabe recurso.

Para o juiz Alessandro Oliveira, a imprensa possui importante papel como órgão formador da consciência do povo. Mas, de acordo com ele, para o exercício adequado da liberdade de imprensa, o emissor não pode ultrapassar os limites fixados na Constituição Federal, em especial o respeito aos direitos da personalidade…”

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NÃO CUSTA LEMBRAR. Uma avaliação de Lula. E olha que faltava ano e meio para o fim do governo

Confira a seguir trecho de nota publicada aqui na madrugada de 9 de agosto de 2009, um domingo:

Não é cedo?! Jornalista acha que não e avalia o governo de Lula, ano e pouco antes do final

Kennedy Alencar, penso, é um dos mais lúcidos analistas políticos do Brasil. Atua na Folha de São Paulo – tanto na versão impressa quanto na online. Nesta, escreve três artigos inéditos, dois na seção “Pensata”, um na “Brasília Online”. Nesta sexta-feira, seu tema foi o governo de Luiz Inácio Lula da Silva – sobre o qual avalia, mesmo faltando ano e pouco para terminar, o que ele não desconhece.

Mas, afinal, o que diz Alencar de Lula e sua administração? Coisas positivas, algumas muito positivas – a ponto de ser considerado um “bom presidente”. Mas também com pontos bastante negativos, os quais o repórter alinha. Cá entre nós, afora ser muito cedo, a avaliação é salomônica. Mas, ainda assim, muito interessante…”

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PASSADO EXATAMENTE UM ANO da publicação da nota, já falta menos de seis meses para o fim do governo Lula. E, ainda que a estratégia (correta) da oposição avance no sentido de impedir o fato, a eleição de 3 de outubro, no finalzinho do mandato, servirá mesmo de análise do que fez ou não Lula em seus oito anos de poder. Ou alguém duvida?

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IMPRENSA. Ministério Público conversa com jornalistas. Inclusive deste sítio

Papo bastante elucidativo reuniu jornalistas, Promotores e funcionários do MP(foto Rafael Dias)

Acompanhe, a seguir, nota distribuída agora há pouco, pela assessoria de imprensa do Ministério Público, em Santa Maria. Logo em seguida, o meu adendo. A seguir:

Encontro aproxima imprensa do MP

O Ministério Público de Santa Maria recebeu, nessa quinta (5), um grupo de jornalistas para o encontro com  promotores de justiça e demais funcionários da Comarca. A atividade, mediada pelo promotor Ricardo Lozza, tinha como objetivo estreitar as relações entre a instituição e a imprensa local.

Os jornalistas presentes expuseram os pontos favoráveis e desfavoráveis da instituição em relação a acessibilidade na divulgação de informações. Já os promotores explicaram que alguns dados são omitidos para proteger as partes envolvidas ou para não atrapalhar as investigações de um processo.

O debate serviu levantar questões de interesse público e aprimorar a comunicação entre o MP e a imprensa. A segunda edição deste encontro será ainda em 2010, mas ainda não há uma data definida.”

ADENDO CLAUDEMIRIANO: além do (nem sempre) humilde responsável por este sítio, participaram do trololó amigável com o Ministério Público, também os colegas José Mauro Batista (A Razão), Jacqueline Silveira (Diário de Santa Maria) e Ticiana Fontana (RBS-TV)

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MÍDIA E DANO MORAL. Ex-jogador Falcão será indenizado pelo jornal Diário Popular

Falcão: indenizado pelo dano moral reconhecido na Justiça

Demorou mais de cinco anos, até que o caso terminou (se é que ainda não haverá um último recurso, para o Superior Tribunal de Justiça). Mas o fato é que o Diário Popular, um dos mais tradicionais jornais gaúchos, terá que pagar uma indenização ao ex-jogador, atual comentarista e, dizem, futuro técnico de futebol, Paulo Roberto Falcão.

O diário pelotense terá que arcar com o pagamento de 50 salários mínimos a Falcão. Mas, por que esse enrosco todo? Quem conta é o excelente Espaço Vital, sítio especializado em questões jurídicas, em reportagem exclusiva (e que dificilmente você lerá em outro lugar). Acompanhe:

Após dez meses, STJ publica acórdão que condena jornal gaúcho a indenizar Paulo Roberto Falcão

Só dez meses e dois dias depois do julgamento ocorrido em 1º de outubro de 2009, o STJ publicou ontem (3), o acórdão de sua 4ª Turma, que manteve decisão que condenou a empresa Gráfica Diário Popular Ltda., editora do jornal Diário Popular, de Pelotas (RS)  a indenizar, com 50 salários-mínimos, o ex-jogador de futebol Paulo Roberto Falcão.

O processo chegou ao STJ em 7 de janeiro de 2005 – são decorridos, portanto, cinco anos e meio. Na Justiça gaúcha, a ação começou em 22 de janeiro de 2001.

Ao reproduzir entrevista de Rosane Damásio, ex-companheira de Falcão, o jornal teria ofendido a dignidade e a imagem do ex-atleta e hoje comunicador.

Em primeiro grau, a empresa foi condenada ao pagamento de valor equivalente a 50 salários mínimos a título de reparação por danos morais. A sentença foi da juíza Suzana Viegas Neves da Silva, da comarca de Pelotas…”

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