Sei que há quem pense diferente. É um direito. Mas contra o fato, a argumentação é difícil, para não dizer impossível. Santa Maria apresentou projetos inconsistentes (sendo bondoso) e perdeu R$ 65 milhões – o número não é deste editor, mas do ex-secretário de “Supervisão de Programas e Projetos Intersetoriais”, em entrevista no dia 18 de novembro ao Diário de Santa Maria, já reproduzida AQUI - em recursos do PAC 2 (Plano de Aceleração do Crescimento).
Tentou-se vender a idéia – que a mídia tradicional da cidade comprou, sem questionar – de que ainda haveria uma espécie de repescagem, com a apresentação de novos projetos. Não é correto. Não há segunda chance, exceto num novo PAC, taaaalvez em 2012. Taaalvez. O que se perdeu, perdeu.
Santa Maria é do chamado “Grupo 1” do PAC 2. Inclui as cidades médias, como a boca do monte, e as regiões metropolitanas, como a de Porto Alegre (onde se inclui a nossa já famosa Araricá, aqui usada como EXEMPLO). A história cobrará esse fiasco e o prejuízo da cidade. Ponto.
Mas, se você quiser chorar, lamentar ou se irritar – como aconteceu com esse repórter – basta saber também que, na sexta-feira, dia 24, o Diário Oficial da União publicou a relação das obras selecionadas para receber recursos do PAC 2 nos “Grupos 2 e 3”, relativos às cidades menores. Aí, se fica sabendo do que outras comunas gaúchas, que apresentaram projetos mais adequados, e, mmm, consistentes, terão à disposição para obras que beneficiarão suas populações.
Tive o trabalho (penoso, por conta da minha desilusão com a incompetência da gestão local do PAC, pelo menos até meados deste mês) de coletar algumas informações, nas 106 páginas de que se compõe o arquivo com os projetos.
Por conta disso, fica-se sabendo, só para citar municípios mais próximos de Santa Maria, que Alegrete levou R$ 9,9 milhões (do orçamento, a fundo perdido) para habitação. E R$ 1,42 milhão para saneamento, via financiamento à Corsan – que em Santa Maria, choremos, “desistiu” de projetos que chegariam a R$ 100 milhões.
Quer mais? Cachoeira do Sul receberá, em números redondos, R$ 17 milhões (R$ 15 milhões a fundo perdido) para saneamento. São Gabriel obterá R$ 7,31 milhões para habitação. Livramento ganhou, porque apresentou projeto consistente, R$ 17,4 milhões. Cruz Alta teve aprovado projeto para pavimentação urbana: R$ 3,04 milhões a fundo perdido.
Para fechar, que também cansei de me irritar, vamos à vizinha São Pedro do Sul. Pelo menos 20 vezes menor que Santa Maria, conseguiu R$ 560 mil. Isto é apenas R$ 60 mil a menos que a boca do monte. E para fazer a mesma coisa: projeto de urbanização. Ótimo para os são-pedrenses, humilhante para os boca-do-montenses.
Dirá alguém: esse editor é mesmo do contra. Tanto que inventa números, fatos, etc. É? Então leia material produzido pela Assessoria de Comunicação do Ministério das Cidades, não esquecendo de ir ao link, lá embaixo, em que todos os projetos listados podem ser acessados. A seguir:
“Selecionadas obras do PAC 2 para pequenos municípios
A primeira etapa de seleção de obras e projetos do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) foi finalizada, hoje (23), com a publicação no Diário Oficial da União das seleções dos grupos 2 e 3. Essa seleção acrescenta 710 propostas de municípios pequenos, somando R$ 3 bilhões aos R$ 20,2 bilhões da primeira seleção.
Nessa etapa, o Ministério das Cidades selecionou obras e projetos de Urbanização de Assentamentos Precários, Abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário, Saneamento Integrado, Drenagem Urbana e Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas.
Em novembro as prefeituras pré-selecionadas do G2 e G3 estiveram em Brasília para reuniões técnicas, apresentando as propostas agora selecionadas…”
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