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Violência e futebol – por Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 29 de março de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Bruno Lima Rocha

Mais uma vez a pauta pensada para a coluna era outra, no caso, a pauta derrubada abordava propostas de mudanças na gerência do futebol brasileiro. O assunto mudou, mas não tanto, já que o assunto aqui tratado também deve entrar no bolo de propostas de alterações.

A violência ganhou as manchetes dos jornais esportivos do Brasil e mudou a rota das notícias sobre a rodada do final de semana para as páginas policiais. Violência, mortes e agressões das forças da “ordem”. Esta coluna se dedica a entender o porquê há tantos que tentam igualar futebol a estas práticas nefastas.

(MAIS) DUAS MORTES…

Tarde de domingo. A rodada do Paulistão colocava frente a frente o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato. O líder contra o terceiro colocado. Um clássico que há anos não tinha os rivais em boa fase ao mesmo tempo. O Corinthians venceu o Palmeiras em campo por 2 a 1, mas, no dia seguinte, não foi a virada em três minutos que tirou a invencibilidade de 22 jogos do rival a manchete nos meios de comunicação.

Antes da partida, um confronto entre 500 “torcedores” das duas principais organizadas dos clubes ocorreu na Avenida Inajar de Souza, na zona norte paulistana, passou por cima da escolta policial e, até o momento, deixou dois mortos, jovens de 19 e 21 anos. A saber, Gaviões da Fiel e Mancha (Alvi)Verde promoveram o confronto. São “torcidas-empresa”, com escolas de samba, uma legião de afiliados e muita força na interna de seus clubes.

A Federação Paulista de Futebol – dando resposta para o óbito e para os “gringos” que virão para a Copa – proibiu as torcidas de entrarem em campo no decorrer do Paulistão. Já a Polícia Militar, surpreendida com a ação dos “torcedores” corintianos frente à guarnição de duas viaturas para “proteger” “torcedores” palmeirenses, fez apreensão de computadores nas sedes das organizadas e prendeu cinco diretores da Mancha.

Dois tipos de crítica foram realizadas sobre o assunto. O primeiro tipo é a tradicional execração das organizadas. De fato, por conta do “código de ética” das T.O.s, a corintiana resolveu se vingar de outros fatos no dia desse jogo. Num confronto no ano passado, a palmeirense teria ido para o confronto com armas de fogo. Na disputa pelo Carnaval de SP, em meio à confusão de rasgar as cédulas com as notas, um integrante da palmeirense teria dado um soco numa “torcedora” da organizada corintiana.

Do outro lado, há grande questionamento sobre a inevitabilidade desse fato ter ocorrido. Mensagens em redes sociais já anteviam o confronto, dias antes do clássico, e nada foi feito – e, nesse caso, não precisa de muito mesmo, é só “seguir” membros de T.O.s… O código da vendetta foi evocado, mas nos dias de hoje não precisa de motivação para a idiotice coletiva de promover a guerra entre a base da pirâmide social.

Para se ter uma idéia de como a PM que promovera “ações humanistas” como a Chacina do Carandiru e a vingança após o Salve Geral de 2006 foi “surpreendida” pelo local do confronto, o Ministério Público de São Paulo solicitou às organizadas de Palmeiras e São Paulo no ano passado a indicação de locais mais perigosos no caminho ao Pacaembu ou ao Morumbi. Um deles era a Av. Inajar de Souza. Ainda assim, um torcedor morreu após confrontos entre as torcidas.

Na terça-feira (27 de março), a edição paulista do diário Lance! afirma: “Muita gente sabia e ninguém fez nada para evitar, nem a polícia”. A capa traz também o editorial “Basta querer!”, reproduzido em outros estados. Quando todos sabem e as autoridades nada fazem, são no mínimo cúmplices por omissão.

Afinal, o que adianta proibir torcidas organizadas, camisas, tambores, bandeiras com mastros, balões,… de entrarem em campo? Enquanto a inércia judicial que varre o país nos mais diversos flancos imperar, nada muda. Quando os responsáveis por atos assim terão um julgamento e uma punição séria? Será que só quando os bandidos de colarinho branco também o tiverem, inclusive os que dirigem clubes e a Nação?

“POLÍCIA! PARA QUEM PRECISA”

Já tratamos aqui do quanto a polícia é preparada para tratar com os torcedores. Na maior parte dos casos, primeiro se bate para depois saber quem estava envolvido no caso.

Em Alagoas, um vídeo gravado antes de CSA X ASA, no último domingo (25/03), foi parar em sites de notícia.. Policiais mandavam ver os cassetetes em torcedores do CSA do lado oposto ao da principal organizada do clube. Detalhe: como as torcidas dos clubes são “parceiras”, não há problema algum nesse confronto – com exceção das emboscadas da torcida do CRB, rival de ambos, que pode ocorrer. Assim, a igualmente “bem apreciada” Polícia Militar alagoana baixou o sarrafo em um jogo onde não havia risco algum. E para quê? Para exercitar o sadismo da tropa rasa?

Esse não é um caso isolado. Quantas vezes não vemos imagens de câmeras encontrarem policiais baixando o cacete no meio de uma torcida, geralmente por conta de uma discussão mais áspera? Crianças, mulheres e senhores de idade não são diferenciados na hora da pancada. Foi o que ocorreu no Beira-Rio em 2005, num domingo imperdoável para a Brigada Militar (a PM do RS, nascida para auxiliar o Exército Caramuru na luta contra os Farrapos).

A história e a tragédia se repetem. Tudo isso para tratar do que ocorreu no Rio Grande do Sul na rodada do Gauchão do final de semana. No sábado, Caxias e Novo Hamburgo refizeram o confronto da final do primeiro turno. O resultado final foi vitória do Nóia por 1 a 0. Mas o que marcou o jogo foi a mordida que o cachorro (rottweiler) da BM deu no atacante Vanderlei, do Caxias.

Segundo o comandante da Brigada, a função do cachorro não é ser aproximado em meio a uma confusão – como foi o caso, reclamação com o auxiliar de arbitragem. Inclusive porque o animal tende a reagir quando vê algo de errado, uma bagunça, o que aconteceu.

Para piorar, no mesmo Estádio do Vale, no domingo, Grêmio e Cruzeiro-POA empatavam em 1 a 1 até os 49 minutos do segundo tempo. Vuaden, árbitro FIFA (vai entender o critério para essa indicação!), só marcou o toque da mão na bola do jogador cruzeirense por conta do auxiliar. Nova confusão, com muitas reclamações do futuro time de Cachoeirinha. A resposta do Choque da BM foi jogar spray de pimenta no rosto de um dos jogadores. O Cruzeiro que já fora prejudicado ao perder pontos na primeira fase, agora sofre a marcação de um pênalti existente, mas perde ao ter os descontos do jogo e ainda leva para casa a vergonha de ter um jogador profissional ferido pela Brigada com arma não letal.

Mais uma vez o descaso com o procedimento padrão. A regra é que isso só seja feito em caso de agressão, o que ainda não ocorrera. Ainda assim, com uma distância mínima de 1 metro. Jamais esvaziar o spray no rosto de uma só pessoa. Pelo menos dessa vez as emissoras grandes (no tamanho e não em sua grandeza) deram o caso e apertaram razoavelmente o capitão do BOE (operações especiais do RS) presente no estádio.

Também em Alagoas, um clássico entre CSA e CRB foi interrompido, pelo Alagoano de 2008, porque os policiais militares jogaram spray de pimenta em jogadores azulinos.

Se ainda o fizessem em uma sessão plenária da Assembléia Legislativa (mui nobre e ilibada por sinal), até seriam perdoados, mas em jogadores profissionais – que necessitam do corpo para trabalhar – aí é demais!

Para ambos os casos, a promessa da BM gaúcha é que o relatório seja apresentado num período de 20 a 30 dias. Um mês para relatar o que foi filmado e gravado por TVs de sinal aberto! Depois falam em eficiência, PGPQ e outras sanhas neoliberais. Quanta bobagem…

Vale salientar que, no geral, os militares estaduais não recebem nenhum extra por trabalharem para instituições privadas (clubes e federações), por mais que o Estatuto do Torcedor exija que os responsáveis pelo evento definam como será a segurança na partida. Assim, quem paga a conta da barbaridade é o arigó que paga imposto embutido em tudo e, ao levar o filho para a cancha no fim de semana, ainda se arrisca de levar paulada das forças da “ordem” ou ver-se no meio da confusão promovida por torcedores profissionais através de imbecilizados com roupa parecida.

ORGANIZAÇÃO

Também já falamos das torcidas organizadas antes, inclusive as elogiando quando foi pertinente – campanha “Fora Ricardo Teixeira” na rodada final do primeiro turno do Brasileirão do ano passado – e as olhamos para além do preconceito rotineiro, no caso da agressão com o jogador palmeirense João Vitor.

Não defendemos público de “orquestra” para jogos de futebol, que só aplaude quando é solicitado; porém, tampouco, nós, apaixonados por um clube de futebol, queremos ser afastados dos estádios por aqueles que colocam a organizada como prioridade, acima até mesmo dos times.

Um claro exemplo do potencial dessas torcidas está nos protestos ocorridos no Egito por mudanças políticas. Duas torcidas rivais se juntaram para participar das manifestações. Esse, inclusive, pode ter sido o motivo para a polícia egípcia ter permitido o massacre de Port Said, com a morte de dezenas de torcedores do Al Ahly – esta semana, torcedores do Masry protestaram contra a suspensão do clube por 2 anos e uma criança, de treze anos, teria morrido.

Futebol é jogado dentro de campo, discutido nas arquibancadas, ambientes de lazer e de trabalho – que os chefes não nos leiam! A zombaria, cornetagem ou “flauta”, como dizem aqui no Sul, também faz parte, com o limite que cada um dá e permite receber. Violência entre torcedores, não.

A pancadaria prometida antes da partida de futebol, inclusive, apaga todos os problemas de segurança que vivemos em várias partes do país – quer dizer, aqueles que não podem pagar por carro blindado ou segurança particular. Se a polícia não está preparada para casos “marcados”, como estará para o nosso dia a dia?

Como diz o slogan da Ultras Resistência Coral, torcida do cearense Ferroviário, a ideia defendida por estes colunistas é rápida e objetiva: “Nem guerra entre as torcidas, nem paz entre as classes”

 (Para quem quiser sugerir um nome que pudesse ser uma real alternativa para comandar o futebol no Brasil, ou achar que escrevemos muita besteira, entre em contato através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

O número 1 – por Bianca Zasso

Em japonês, “ichi” significa número um. Ser o primeiro da lista, o primeiro da classe, o preferido de todos é o desejo dos mortais. Afinal, quem não gosta de ser admirado? Porém, o que para alguns é apenas um sentimento bom, pode tornar-se uma obsessão. E o cinema sempre soube transformar obsessões em arte, o que resulta, na maioria das vezes, em cenas fortes que dividem a opinião dos espectadores. Quentin Tarantino costuma ser o nome mais lembrado, já que seus personagens, além das inúmeras referências pop, vivem às voltas com sangue, perversões e violência. 

Mas alguns anos antes de Tarantino mostrar ao mundo sua primeira aventura como diretor (em Cães de Aluguel), um japonês já mostrava que tinha talento para cabeças cortadas e tiros certeiros. Seu nome: Takashi Miike, diretor que iniciou sua carreira em 1991 e já possui mais de sessenta filmes em sua filmografia. Ele não só filma bem como filma muito.

Mais conhecido pelo público freqüentador de salas alternativas e cineclubes, Takashi Miike conquistou o ocidente depois que Tarantino encheu de elogios sua produção de 2001, Ichi – O Assassino. Não era para menos. Ichi – O assassino é Tarantino elevado a décima potência. Aliás, Tarantino assumiu abertamente se inspirar em Miike na hora de criar seus roteiros.  Sim, filmes violentos existem aos montes. Mas nenhum é como Ichi – O assassino.

A trama é inspirada no mangá homônimo criado por Hideo Yamamoto, conhecido por seus quadrinhos que tem como pano de fundo a máfia japonesa, a temível Yakuza, e personagens perversos e perturbados.  Ichi – O assassino não foge a essa regra.

 Ichi, o protagonista, é um jovem guiado por um policial aposentado para cometer crimes. Mesmo com um perfil aterrorizante, Ichi demonstra imaturidade, chora e treme antes de matar e é atormentado por traumas de infância. Ainda por cima vive perturbado por sentir prazer ao presenciar crimes sexuais.  Mesmo sendo um personagem tão complexo, o destaque do filme é seu antagonista, o sádico Kakihara. Integrante da Yakuza, ele sai em busca de Ichi para tentar vingar o desaparecimento de seu chefe.  O que na mão de um diretor comum de filmes de ação poderia se tornar um bom motivo para criar perseguições pelas ruas de Tóquio se torna um jogo violento, quase obsceno, nas mãos de Miike. Óleo quente nas costas, dedos quebrados e ter a pele do rosto arrancada com as mãos são apenas algumas das práticas de Kakihara que, numa das melhores sequências do filme, corta um pedaço da própria língua. O “procedimento” tem direito a close-ups que reviram o estômago até dos mais fortes.

Ao contrário de outros personagens violentos da ficção, Kakihara não aparenta ter motivos para vingança. Seus cortes no rosto (sua boca é rasgada nos dois cantos, numa alusão clara ao protagonista de O homem que ri, filme de 1928 dirigido por Paul Leni), seus piercings e seu aparato de tortura são para ele pura diversão, o que causa ainda mais impacto no espectador. A interpretação nada caricata que Tadanobu Asano traz para Kakihara faz do personagem um sério concorrente ao título de ídolo pop. Kakihara é mau, mas também é engraçado, bizarro, estiloso. Em certos momentos, repensamos nossa condição de bons cidadãos quando percebemos uma certa simpatia com ele. Sem pânico, pois na cena seguinte ele vai nos deixar com medo e sem nem um pingo de admiração.

Dúbios e encantadores, os personagens de Miike não choram as mágoas de um passado infeliz com assassinatos. Quem conhece os códigos da Yakuza sabe que matar é apenas um detalhe dentro do currículo do integrante. O motivo das mortes também, soam naturais como se fossem a única, e comum, alternativa. Esta que vos escreve assume que não é fácil gostar de Takashi Miike. Mas com um pouco de desprendimento da realidade e uma imersão no mundo dos mangás adultos é possível. Miike não coloca sangue jorrando à toa, ele conhece os segredos do público. E, como todos nós, só quer ver seu trabalho admirado.

Ichi – O assassino (Koroshiya ichi)

Ano: 2001

Direção: Takashi Miike

Disponível em DVD

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Cadastros (velados) de consumidores – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

O Código de Defesa do Consumidor é claro quando se refere ao direito de acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre o consumidor, bem como sobre as suas respectivas fontes.

O direito à informação está garantido como um dos direitos básicos do consumidor. Em que pese, não apenas informações referentes ao produto ou serviço ofertado à relação de consumo, mas também informações sobre o próprio sujeito da relação de consumo – consumidor.

Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos (incluam-se aqui SPC e Serasa), além da obrigatoriedade de se fazer o comunicado por escrito ao consumidor quando da abertura do cadastro.

No mesmo sentido, é vedado ao fornecedor, dentre outras práticas abusivas, repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos.

Pois bem, não raramente, e creio que do conhecimento de todos, fala-se em “listas negras”, aqui denominada de cadastro velado; prática recorrente, principalmente, nas instituições financeiras. 

O fato tem sido crescente entre as reclamações de consumidores. Injustificadamente consumidores sofrem restrição de crédito, por exemplo, quando possuem uma ação judicial em que busca a revisão do valor das prestações de um financiamento (a conhecida ação revisional de juros).

Não quero contraditar o meu discurso sobre a prevenção e tratamento do superendividamento. Pelo contrário, precisamos normatizar critérios responsáveis para concessão de crédito. Ocorre que se existem informações sobre o consumidor, estas devem ser claras e repassadas a este em sua integralidade. Sendo que o agravante, neste cenário, é a abusividade de manter um banco de dados velado (a tal lista negra). No mesmo sentido, rever o valor das prestações é um direito de qualquer cliente de bancos e financeiras, não podendo este ser discriminado por um critério oculto. A pensar!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Lixo: o submundo que desconhecemos – por Carlos Costa Beber

Como o assunto que abordei na semana passada (LIXO) teve boa repercussão, começo essa coluna com a mensagem que recebi de um amigo, militar graduado que morou por muitos anos em nossa cidade:

“Sempre me incomodou este aspecto da cidade. Tenho Santa Maria como minha cidade: aquela do coração.
Espero que seu texto ajude a mobilizar a cidade.
Na minha casa acostumamos com a idéia de separar plástico, papel, vidro, pilhas… Montamos um sistema de coleta dentro de casa! 
Também sempre tivemos o cuidado de lavar as caixas de leite, os plásticos… Acho que vale a pena cuidar da nossa casa: a TERRA!!!!
Pra ser franco, tinha um pouco de vergonha de andar por Santa Maria, com os estrangeiros que nos visitavam (o grifo é meu).
Torço pelo impacto positivo de seu texto, e por favor mantenha a pressão. Vale a pena!!!”

Como resultado imediato do texto anterior, fui convidado pelo Secretário do Meio Ambiente, o amigo Luiz Alberto, a conhecer o trabalho que está sendo desenvolvido pela Prefeitura de Santa Maria.

Fiquei surpreso, confesso, com o trabalho. Numa reunião de 2 horas e com a participação também do Rogério Assis Brasil, pude ver que a Secretaria e o próprio Gabinete do Prefeito conseguiram mapear os problemas gerados pela produção de 170 TONELADAS DIÁRIAS de lixo que é produzido em Santa Maria.

O trabalho da Secretaria é muito bom, mas peca por não saber se comunicar com a população. Às vezes as boas idéias não vão adiante, por falta de comunicação e entendimento !

Claro que a nossa situação ainda é privilegiada, perto do que acontece na maioria das cidades brasileiras. Mas, pelo que pude conhecer, a população e a Prefeitura têm um desafio improrrogável. E em várias frentes!

Começa por um trabalho de conscientização, para que haja a separação do lixo na origem, dentro de um procedimento padronizado.

Depois vem a coleta: do lixo comum, e em separado, o seletivo.

O lixo reciclável é um capitulo a parte, pois se estima que sejam produzidos diariamente 50 TONELADAS de lixo que podem ser reindustrializados. É muita coisa!

Hoje, o lixo reciclável passa por uma cadeia de coleta que envolve uns 2.000 CATADORES, num trabalho degradante, desumano. E a coleta mecânica, além de  restrita, sofre com a falta de conscientização da população, com o vandalismo, e com a ação desregrada desses mesmos catadores.

Complicadíssimo ! E todos nós sentimos isso em nosso cotidiano.

Mas saí da reunião na Secretaria de Meio Ambiente reconfortado, convencido de que estamos no caminho certo; apesar das dificuldades de logística, da necessidade de resolver o problema dos catadores (e de suas carroças circulando pelo trânsito da cidade), e de promover a conscientização da população.

E, muito importante: de gerar a criação de uma POLO INDUSTRIAL para transformar todo esse lixo reciclável em novos produtos. Não é pouca coisa, pois além do que é aqui produzido, vem para Santa Maria grande parte do lixo produzido nas cidades da região. 

Um alto negócio !

LIXO É DINHEIRO ! Não esqueçam disso!!!! Muito dinheiro!

Por fim, deixei uma sugestão, que me foi enviada por um amigo: a Prefeitura deve criar normas para que as novas construções, para serem autorizadas, tenham detalhados no projeto, a DESTINAÇÃO DOS RESIDUOS DOMÉSTICOS.

O pessoal adorou essa sugestão! E será mais um passo a contribuir para a melhoria dessa situação.

Boa semana a todos !

Futebol sem democracia – por Anderson Santos, Bruno Lima Rocha e Dijair Brilhantes

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 22 de março de 2012 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

O tema desta coluna poderia referir-se a uma dezena de clubes do futebol brasileiro. Mas está direcionado ao Esporte Clube Bahia, um dos times com maior média de público do país, mesmo após o desastre da Fonte Nova, em 2007. Como todos sabem, o futebol na boa terra atrai multidões, literalmente.

Desde dezembro do ano passado, o clube passa por uma forte crise política (e não é a primeira, vale lembrar da era de Paulo Maracajá como presidente – que retorna agora com outro cargo). O atual presidente, Marcelo Guimarães Filho, foi reeleito através do Conselho Deliberativo, descumprindo a promessa de voto direto dos sócios. A oposição entrou com o pedido na Justiça e conseguiu cancelar a eleição de dezembro do ano passado, sendo nomeado um interventor, às vésperas de um Ba-Vi.

Marcelo Guimarães Filho foi deputado federal pelo PMDB da Bahia de 2007 a 2010 e é filho do ex-presidente Marcelo Guimarães, cuja proeza foi dirigir o time nos rebaixamentos para a Série B, em 2004, e para a Série C, em 2006. “Marcelinho”, em meio a uma crise política, assumiu o comando do clube sob desconfiança, conseguindo recolocá-lo no cenário nacional.

Uma das medidas mais controversas da sua gestão foi empregar Paulo Carneiro, ex-presidente do rival Vitória de 1988 a 2005, enquanto diretor de futebol do Bahia, algo que durou de dezembro de 2008 a setembro de 2009.

Reeleito em dezembro de 2011 para mais três anos de mandato após reerguer o clube no cenário nacional, Marcelo Guimarães Filho e toda a diretoria foram destituídos do cargo, pela segunda vez, por ordem judicial no dia 13 deste mês justamente pela falta da lista de sócios. O advogado Carlos Rátis foi nomeado interventor do clube, com um salário de R$ 60 mil mensais ou proporcional a isso, caso não completasse um mês.

Rátis só encontrou uma funcionária e um monitor, sem o gabinete com a CPU, na sede do clube, o que o impossibilitaria de entrar em contato com os sócios e conselheiros do Bahia. Os computadores que continham a lista dos 323 conselheiros que participaram da eleição sumiram. A alternativa foi convocar via imprensa uma audiência extraordinária.

DIRIGENTE FEZ PIADA

Enquanto isso, Marcelo Guimarães Filho culpava a decisão judicial por qualquer resultado negativo no clássico. Inclusive, um jogador contratado pela diretoria, o lateral boliviano Luis Gutiérrez, só estava esperando que a situação no clube se resolvesse para poder atuar.

Na sexta-feira, 16 de março, o desembargador Gesivaldo Brito concedeu um efeito suspensivo à diretoria afastada. Guimarães Filho encontrou disposição para fazer piada no Twitter: “ôoooo o tricolor voltou…, a CPU voltou…”, em referência a CPU que não havia sido encontrada pela justiça. Logo depois escreveu “a justiça foi feita” e que o “sumiço” da CPU deveria gerar uma CPI, mas não ocorreria – como ex-deputado, ele sabe como as coisas (não) funcionam.

Com a liminar obtida pela diretoria do Bahia através da Justiça, foi suspensa a audiência pública onde os sócios decidiriam o futuro do clube – e que provavelmente recolocaria o presidente no cargo. A liminar deu validade à eleição realizada no final de 2011, com um Bahia nada democrático, em que os torcedores clamam por eleições diretas e querem entender como um dos clubes com maior público em jogos oficiais no Brasil não faz uma campanha para adquirir mais sócios. Eis a soma absurda de burrice com prepotência.

Após uma série de jogos sem perder, sob o comando do ex-colorado – e ainda angustiado com os dirigentes do Internacional – Falcão, o Bahia foi derrotado pelo Vitória comandado por Toninho Cerezo por 3 a 2 no Barradão, com todos os gols saindo num movimentado primeiro tempo. A diferença na liderança caiu para 4 pontos.

FALTA O PASSO À FRENTE

Pois bem, para quem imagina que a saída de Ricardo Teixeira poderia ser a deixa para os clubes conseguirem uma independência em relação à CBF, o caso do Bahia neste momento é emblemático.

Clubes nada democráticos, esta é a situação do futebol tupiniquim. As agremiações são – em escala menor – uma espécie de espelho da CBF e das federações estaduais. Bastava contar com o voto universal dos sócios, assim como o voto direto dos clubes com pesos distintos diante da posição nas séries do Brasileiro, e o volume de recursos e torcida. Mas, até agora, nem sinal disso, apenas o enterro anunciado do Clube dos 13!

Mesmo com diversos progressos conquistados ao longo dos anos dentro do país, os clubes ficam presos a poderes de famílias que comandam o futebol há décadas. O poder passa de pai para filho, de um irmão para outro, às vezes para amigos do mesmo grupo social e político, deixando o torcedor refém e de mãos atadas.

O FIM DA NOVELA? NÃO, DE UM CAPÍTULO

Não poderíamos deixar de falar na coluna desta semana do possível final da novela entre Internacional e Andrade Gutiérrez. Depois de mais de 260 dias, finalmente o contrato para a reforma do Estádio Beira-Rio foi assinado na segunda-feira. A assinatura teve direito a festa de título, telão, abraços e promessas. Até o governador Tarso Genro, que havia discutido asperamente ao vivo com representantes da AG, compareceu sorridente à cerimônia.

Antes disso, a mesma imprensa que caiu no golpe do jogador criado pela torcida, resolveu se antecipar e “furar” o acordo. A rádio do oligopólio gaúcho “líder” de audiência interrompeu seu correspondente de notícias para anunciar na quinta-feira, dia 15, que o contrato havia sido assinado. Horas depois teve que desmentir a informação.

Uma imensa quantidade de críticas surgiu para a construtora especialmente nos últimos dias, com direito à definição do prefeito da capital para que isso ocorresse até o final de março. Parece que deu certo.

Após a assinatura do contrato, os elogios voltaram pelas mesmas pessoas e veículos que haviam feito críticas na semana anterior. O que havia mudado? A AG. Passou a ser uma das melhores construtoras do mundo no fim de semana, como foi dito na rádio já citada. A mídia local parece desconhecer a palavra coerência.

Pelo menos, agora se espera que os torcedores e dirigentes da capital esqueçam o confronto para saber “quem tem mais obreiros trabalhando” e passem a se concentrar dentro de campo, com os difíceis desafios da Copa Libertadores de América (a mesma que o banco espanhol insiste em batizar) e da Copa do Brasil. Basta de Gre-Nal de cartolas e de oba oba da mídia de ocasião. Por que não continuar olhar para fora do campo, mas nos setores dirigentes do futebol brasileiro?

(Para quem quiser sugerir um nome que pudesse ser uma real alternativa para comandar o futebol no Brasil, ou achar que escrevemos muita besteira, entre em contato através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

Não é romântico? – por Bianca Zasso

Musicais: ame-os ou deixe-os. Sem dúvida um dos gêneros cinematográficos que mais dividem opiniões. Quem faz campanha contra afirma que suas tramas costumam ser bobas e as situações criadas no roteiro são apenas uma desculpa para colocar atores cantando e dançando. Já seus defensores afirmam que a música e a dança presentes nestes filmes conferem um charme único a história, além de permitir momentos lúdicos inesquecíveis. Essa pequena “guerra” é uma das principais responsáveis pela evolução dos musicais, que deixaram de ser apenas filmes para a família e criaram tramas que marcaram para sempre a história do cinema.

Desde o simbólico Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen, um musical que fala das dificuldades de alguns atores com a chegada do som no cinema até o genial Amor, sublime amor, de Robert Wise, onde a música dita o ritmo do confronto entre duas gangues rivais em uma barulhenta Nova York dos anos 60, os musicais tiveram seus momentos sublimes. Talvez um dos mais significativos seja Ama-me esta noite.

Dirigido por Rouben Mamoulian, um diretor talentoso, vindo do teatro e um dos precursores do cinema independente (e um dos preferidos desta que vos escreve, tenho que confessar), Ama-me esta noite tem um roteiro simples, cujo protagonista é um alfaiate, interpretado pelo sempre charmoso Maurice Chevalier, que sai em busca de um cliente para cobrar uma conta. O caloteiro em questão é um aristocrata que mora em um belo cháteau com a família e dezenas de empregados. Como o tal rapaz não quer contar a família que deve até as calças, literalmente, ao alfaiate, entra em cena uma mentira necessária: Maurice se passa por um barão endinheirado e passa a ser convidado da família até que seu cliente consiga o dinheiro necessário para pagar sua conta. Como charme é algo que Maurice tem de sobra, não demora muito para que ele chame a atenção da frágil e mimada princesa Jeanette, interpretada por Jeanette MacDonald. O amor entra em cena.

Mesmo sendo um romance de trama simples, o filme possui tempero picante. A cena em que a princesa fica em trajes mínimos para que Maurice tire suas medidas causou polêmica na época do lançamento. Isso sem contar o jeito inocente de Jeanette que, de vez em quando, deixa escapar um olhar cheio de segundas intenções.

Lançado apenas cinco anos depois do advento do som no cinema, Ama-me esta noite merece ser visto também por suas inovações na narrativa. A cena de abertura mostra o amanhecer em Paris, com a cidade acordando. Os sons das fábricas, das vassouras varrendo a frente das casas, as bicicletas e até o ronco do mendigo fazem os primeiros acordes para a canção “ Isn’t it romantic?”, interpretada com o charme único de Maurice Chevalier.

Diante do uso comum deste recurso em filmes mais atuais, parece apenas mais um artifício para transformar a rotina em música. Mas Ama-me esta noite surgiu num tempo onde o som no cinema ainda era uma tecnologia a ser explorada e este tipo de experimento era considerado uma revolução. Outro destaque é o ritmo das cenas. Em momentos de aventura, como quando a família sai para caçar ou quando a princesa persegue um trem a cavalo, as imagens tornam-se aceleradas para, na sequência, voltarem ao ritmo normal. O que é um truque de iniciante nos nossos tempos fez muita gente vibrar nos anos 30.

Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald fizeram par romântico em inúmeros filmes, incluindo o ótimo Alvorada do Amor, de Ernst Lubitsch. Mas Ama-me esta noite é o grande trunfo do casal, além de ser filmografia básica para quem quer conhecer mais da história dos musicais. Mesmo que este não seja o seu objetivo, o filme é uma bela história de amor. E um pouco de romantismo não faz mal a ninguém.

Ama-me esta noite (Love me Tonight)

Ano: 1932

Direção: Rouben Mamoulian

Disponível em DVD

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Carnis Valles (II) – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

Mestre-sala e porta-bandeira em evolução com a harmonia cantam samba-enredo. Ao som da bateria, sem deixar a evolução, fantasias e alegorias completam a magia do bom sujeito (já dizia o cantante quem não gosta de samba, bom sujeito não é; é ruim da cabeça ou doente do pé).

Aqui já dito, o carnaval, a semana santa e a quaresma são elementos do mesmo bloco, desfilam na mesma escola e rezam do mesmo samba. É a partir da quarta-feira de cinzas que se inicia a quarentena que antecede a páscoa.

Ocorre que em Santa Maria as alegorias deixaram a avenida apenas no ultimo final de semana. Espetáculo do samba! Magia dos tambores! Na cidade da Vila Brasil que do enredo nos faz Unidos, do Itaimbé, de Camobi. Da Zona Norte vem o Império, das Dores a Mocidade Independente, o Barão chegou de Itararé, a Imperatriz vem do samba, e a sorte do Trevo de Ouro.

Na Avenida Liberdade, letra e melodia que a Vila deslumbrante vem contar, canta e encanta a quarta colônia, enquanto voa periquito, voado centenário da cidade foi campeão, futebol é amor e saudade,100 anos de paixão assim cantou o Itaimbé.

Camobi sambou nas cinzas de Fênix e o templo do sol e em melodia deixou o recado: a cada tropeço, somos Fênix lutando, somos povo. Isso, por que no fim…tudo vai dar certo e cantou a Mocidade: é novo ano, é nova era, um novo dia. Mas como será o amanhã? É a pergunta que não quer calara hora é agora e só você pode mudar, ecoou o Império.

O paraíso do carnaval é a maçã da Imperatriz fazendo despertar o homem ao destino que selou. Festa e samba fora de época, alegria em comissão de frente pode apostar, agora vai começar o jogo do prazer e da sedução, a sorte grande pode estar em suas mãos…a vida é um jogo embalou a Trevo de Ouro. O Barão (campeão) de Itararé pediu licença à guardiã da fé nos orixás, e da mistura do samba com ijexá, fez tremular nossa bandeira, cantando a auto-estima africana, o Barão é a Bahia…

Os trechos dos sambas de Santa Maria escrevem o texto de hoje, muito mais que a alegria exposta na avenida, que fique o registro da vontade, da garra, de quem faz da vida um samba. Mesmo que o enredo se perca da melodia, é preciso pensar o carnaval como uma ação social, eis a escola…do samba.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Lixo seletivo: Santa Maria (ainda) é um mau exemplo! – por Carlos Costabeber

No Jornal Nacional de 6ª feira, dia 16, saiu uma informação bombástica: APENAS 1,7% DO LIXO DA CIDADE DE SÃO PAULO É RECICLADA.

Instantaneamente pensei em Santa Maria, onde apesar das melhores intenções, ainda não funciona um processo mínimo de coleta se lixo seletiva.

Vejam o meu exemplo: como separo pacientemente o lixo que pode ser reciclado, ainda não encontrei uma solução para o meu problema: o que fazer com ele? Por enquanto, coloco o saco no porta-malas do carro, e quando encontro algum “catador”, faço a entrega, feliz da vida.

Enquanto isso, continuam esses mesmos catadores, abrindo as lixeiras da cidade, rasgando as embalagens para retirar o que possa ser vendável, aumentando cada vez mais a sujeira pelas calçadas.

E nós ficamos assistindo, de braços cruzados, esse trabalho desumano, degradante !

Por isso, vejam o que acontece bem aqui pertinho, em Caxias do Sul, e na cidade de Londrina, no Paraná.

CAXIAS DO SUL:  Lá, ao lado de cada container verde (iguais aos de Santa Maria), existe um  menor e amarelo, onde são colocados os resíduos passíveis de serem reciclados . A prefeitura faz campanha incentivando, não permitindo a circulação de carroças nas ruas onde existem os containeres. Esses resíduos são então levados para diversas associações, para que façam a reciclagem e posterior venda do material. O sistema funciona muito bem e acaba gerando uma quantidade enorme de empregos diretos,  de forma mais organizada, em galpões com  melhores condições de trabalho.

LONDRINA:  Lá. a Prefeitura distribui gratuitamente para a população, sacos de lixo na cor verde. Cada morador  separa o seu lixo (também é feita muita campanha). Quando o morador coloca o lixo para fora da casa para o recolhimento, ele leva dois tipos de sacos de lixo, o preto com o lixo orgânico e o outro verde que contém o resíduo reciclável. Quando passa o caminhão da coleta normal, ele só recolhe  os sacos pretos, deixando os verdes para o caminhão da coleta seletiva, que recolhe e leva também para associações montadas e organizadas. Vi isto funcionando há muito tempo, e achei genial a iniciativa de Londrina.

Agora, em Santa Maria:

É preciso que o cidadão ligue para um numero,  se cadastre,  para que o caminhão vá  até a sua casa recolher os resíduos recicláveis. No caso de um amigo que mora na Presidente Vargas, o gari sobe até o apartamento, toca a campainha e apanha o lixo. Segundo me contou esse amigo, o gari quase nunca aparece, e quando ele reclama, alegam que não tinha ninguém em casa.

Com isso, os poucos santa-marienses que tentam utilizar esse processo acabam desistindo. Não funciona, porque não está automatizado junto à população, como nos dois exemplos acima, onde cada cidadão faz a sua parte, ou seja, separa e  depois ele mesmo leva até a rua ou coloca  no container.

Acredito que para implantar um bom sistema de coleta seletiva, a Prefeitura teria que tomar uma decisão mais corajosa, pois envolveria o uso de recursos públicos. Mas, pelo menos, implantar containeres específicos para a coleta seletiva, ao lado dos atuais – para copiar o que já é feito em Caxias do Sul. Por enquanto, copiamos apenas uma parte do projeto implantado naquela cidade.

Mas confesso que estou pessimista! Não sei por quanto tempo ainda conviveremos com catadores e carroças circulando (e sujando) a cidade, quando essas pessoas deveriam estar trabalhando de forma organizada (e humanizada) em galpões especiais.

Cheguei a acreditar que estávamos no caminho certo; que teríamos uma forte cooperativa de catadores, dando suporte a um eficiente sistema de coleta seletiva. E não teríamos de ver o sofrimento desses catadores e de seus cavalos famintos e sedentos, circulando pelas ruas de Santa Maria.

Uma bela plataforma de campanha, para a tentativa de reeleição do Prefeito Cezar Schirmer.

“Para a felicidade geral da nação, eu fui!” – por Anderson Santos, Bruno Lima Rocha e Dijair Brilhantes

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 15 de março de 2012 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

Aconteceu o que quase todos desejávamos, Ricardo Terra Teixeira renunciou ao cargo de presidente da CBF após longos 23 anos, período que podemos chamar de a maior ditadura da história brasileira – já que a militar durou 21 anos (1964-1985). Vale reforçar, estes autores esperariam que o rei RT fosse deposto, o que não foi o caso.

A licença médica de 60 dias tirada por Ele nos dava a impressão que a renúncia seria questão de tempo. Estrategicamente, “Mr. Teixeira” articulava-se nos bastidores para deixar o cargo, dividindo com outras pessoas o seu poder na entidade. Após a ameaça da renúncia nas vésperas do carnaval, o que acabou não se confirmando naquele momento, parecia que a poeira havia baixado, mas só parecia.

Na quinta-feira (08), o “anúncio” da licença veio através de seu porta-voz oficial entre os presidentes das federações, Marco Polo del Nero (São Paulo). O cartola da terra da garoa deixou dúvidas sobre até quando seria a licença médica, algo que o e-mail mandado aos presidentes não dizia. Não dizia por que o futebol seria agraciado com seu derradeiro afastamento.

Óbvio que o acúmulo de denúncias e o fato dele ter subestimado a chiadeira da “imprensa que dá traço” (e dos independentes da web, como esta coluna se insere); perder a relação umbilical com Joseph Blatter – identificando-o como adversário do cartola-mor da FIFA – foi derrubando as barreiras construídas em frente ao castelo de Teixeira, mas não foi isso que o derrubou. Ele saiu!

Fritou muito desde aquela matéria da jornalista Daniela Pinheiro, em julho de 2011 na revista Piauí; somando-se ao anúncio de Blatter, após a confirmação de Andrew Jennings na BBC, de que abriria os nomes do escândalo de propinas da empresa de marketing ISL; e à denúncia, com direito à matéria no Jornal Nacional, do caso Alianto (Brasil X Portugal, em Brasília, em 2008).

Mas ele não saiu por ter sido julgado, e sim por vontade própria, com o acúmulo das denúncias somadas aos problemas de saúde e familiares.

Atenção, atenção: Zorro é preso pelo Sargento Garcia!

Quando surgiram os boatos no mês passado sobre a renúncia de Ricardo Teixeira, o supersincero ex-presidente corintiano Andrés Sánchez declarou que o seu, agora, ex-chefe, só sairia do comando da CBF no dia em que o Sargento Garcia prendesse o Zorro.

Ou Andrés equivocou-se ou estes articulistas não foram informados da mudança na tradicional história, com a prisão do personagem. O fato é que ao menos deste senhor o futebol brasileiro está livre. E Sánchez mais do que nunca sente-se ameaçado do cargo de diretor de seleções que ganhou do amigo Teixeira, já que está num lugar em que o palmeirense Del Nero e o são-paulino Marin passam a ter maior poder de decisão. Isso sem contar que, por relações cruzadas, Sánchez – o mais sincero – não tem raízes no malufismo e sim na ala direita do PT de São Paulo.

Vitória do governo

Esta coluna nunca teve o mínimo interesse em defender governo, seja ele estadual ou federal, muito pelo contrário. Mas é evidente que a presidenta Dilma Rousseff tem um papel fundamental na saída do comandante da CBF.

Desde que assumiu a presidência do Brasil, Dilma deixava claro que não concordava com as maneiras que Teixeira administrava o futebol. Por diversas vezes fez críticas ao agora ex-presidente da CBF. Na cerimônia de sorteio dos grupos das eliminatórias para a Copa, realizada no Rio de Janeiro, a presidenta negou-se a ficar no mesmo espaço de Teixeira, preferindo a companhia do “Rei” Pelé – eterno amigo-inimigo de RT –, o qual ela mesma nomeou embaixador da Copa.

Caiu de pé

Com lágrimas correndo nos olhos destes autores, vai um trecho da emocionante carta lida por José Maria Marin enquanto Ricardo Teixeira já se encontrava, com todos os seus milhões em contas estadunidenses – quiçá em outros paraísos –, em Boca Ratón com a família:

“Presidir paixões não é uma tarefa fácil. Futebol em nosso país é associado a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos, exaltam o talento. Quando perdemos, a desorganização. Fiz nesses anos o que estava ao meu alcance, sacrificando a saúde. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias. Deixo definitivamente a presidência da CBF com a sensação de dever cumprido”.

Um dito popular diria que Ricardo Teixeira caiu “feito gato”, pois caiu de pé. Não acreditamos que o ex-presidente da CBF saiu por baixo. Um homem que conseguiu dobrar seu patrimônio mesmo abandonando aos 41 anos o mundo do capital financeiro para assumir uma entidade de futebol tão pobre quanto era a CBF em 1989 não pode ser perdedor…

Isso porque ainda não contamos com os milhões supostamente recebidos – alguns deles devolvidos – no caso da propina com a ISL, empresa que movia bilhões em direitos de transmissão de tudo que se referia à imagem da FIFA e congêneres.

Ele já se encontra numa mansão num paraíso litorâneo da Florida (EUA) após ter vendido tudo o que tinha no Brasil e se mudado de mala, cuia, família e pertences para terras ianques. Dificilmente responderá pelos seus atos. Se formos falar de preservação de sua imagem pública, bom, esse não é exatamente um assunto que preocupa Teixeira, sua biografia mostra isso.

A carreira

Justiça seja feita, verdade seja dita. Apontado pelo sogro João Havelange, que viu seu indicado perder a eleição anterior para Octávio Pinto Guimarães e Nabid Abi Chedid, Teixeira assumiu a Seleção numa péssima situação organizacional e financeira, em que os cartolas oligarcas faziam e desfaziam. Como cão de guarda, trouxe o professor luso-brasileiro do avô do Ali Babá: o então vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda.

Após o desastre com Lazaroni em 1990, veio o paraíso de dois títulos mundiais depois de um longo jejum, em 1994 e 2002. No entreato, conseguira um vice-campeonato, em 1998, cuja final controversa muito prejudicaria sua imagem.

Sejamos francos, foi a derrota acachapante para a França que provocou dois CPIs, uma na Câmara e outra no Senado. Aberta a janela de oportunidade, alguns parlamentares caíram babando sobre a imagem de Mr. Teixeira. Só não contavam com a força da bancada da bola.

A CPI CBF-Nike, da Câmara, sob a presidência do atual ministro do Esporte Aldo Rebelo (PCdoB/SP) conseguiu chegar ao fim, indicando mais de dez processos contra Teixeira, que acabaram prescrevendo conforme o tempo graças às relações políticas que ele tinha – de deputados a juízes. No final, não puniram por manobra dos cartolas parlamentares; ainda foi editado um livro pela Casa Amarela, livro esse proibido de circular e com edição apreendida.

Ainda assim, o desastre do período Leão somado ao auge da “Família Scolari” colocou mais fôlego ao mandatário da CBF. Deitado em berço esplêndido, aproveitou para espetacularizar a Seleção em 2006, com direito à preparação aberta na Suíça. Em 2010, fez o inverso, dando corda para que Dunga trancafiasse os jogadores – e, até mesmo, brigasse com a Globo. A maré virou, colecionando desastres.

Se nas vitórias, ele acompanhou a delegação em visita aos presidentes da República, ao final das derrotas, a culpa sempre era dos jogadores, como afirmou Ronaldo após 2006. O mesmo garoto-propaganda do Corinthians que foi aproximado para o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 no ano passado.

Ainda assim, entre variados títulos nestes 23 anos, entre categorias de base, Copas Américas e das Confederações e da Copa do Mundo FIFA, com direito à ampliação de 2 para 10 patrocinadores e saneamento de contas da CBF, a nossa avaliação é que o mal foi maior.

Os fracassos dele foram, na verdade, fracassos da sociedade brasileira, em que, mais uma vez, viu-se alguém ser acusado de várias crimes sem sequer ter investigação conclusiva sobre ele. É a imagem do futebol brasileiro que está em jogo, pois ao invés de ser lembrado por Pelés, Garrinchas, Zicos, Romários e Ronaldos, também é lembrado com a ligação a supostos crimes.

O Sucessor

A sucessão ao cargo de presidente da CBF ainda vai dar muito “pano pra manga”, todos querem ocupar o cargo. Provisoriamente assumiu José Maria Marin (o “ganhador” da medalha da Copa São Paulo sub-18 no início deste ano) por ser o vice-presidente mais antigo.

Pouco deve mudar, além da saída de RT e todos os seus aliados nos mais diversos ramos, que refletiam em torno dele um poderio inimaginável. A ordem é “seguir” o que estava sendo feito. Então, tenhamos pena dos clubes menores e do futebol feminino, que cada vez menos conseguem se sustentar e são incentivados a isso…

Mas, não há consenso na cartolagem, algumas federações, dentre elas a gaúcha, articulam-se para convocar uma assembléia, visando tentar uma nova eleição. Inclusive, os presidentes das federações gaúcha, mineira, carioca e baiana não foram convidados para uma reunião antes da entrevista coletiva de Marin.

Enquanto isso o futebol brasileiro segue indefinido, nas aparências ao menos. Até que alguém diga o contrário, o mandato do arenista encerra em 2015. Se não for derrubado, este senhor (o Zé da Medalha) – cujo pedigree implica haver assumido o governo de São Paulo na década de 1980 no lugar de Paulo Salim Maluf (!) e ser amigo do banqueiro especulador Naji Nahas -, estará no principal posto de futebol no país.

Isto mesmo, enquanto no “país do futebol” o principal posto for o de presidente da CBF, entidade eleita por federações e clubes totalmente dependentes, o futuro não será tão belo quanto um golaço de Neymar ou de Messi. Continuamos na torcida e incentivando os torcedores, estes sim deveriam ser os astros eternos deste esporte.

Afinal, saem jogadores, técnicos, dirigentes e até o Ricardo Teixeira, mas é o torcedor que sofre diariamente com os desmandos de quem comanda a paixão nacional, reflexo da sociedade brasileira!

(Para quem quiser sugerir um nome que pudesse ser uma real alternativa para comandar o futebol no Brasil, ou achar que escrevemos muita besteira, entre em contato através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

Dez – por Bianca Zasso

15, março, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

Meu primeiro contato com o mundo do cinema se deu dentro de casa, já que meus pais e avós sempre foram chegados em ver e comentar o assunto. Filmes e diretores eram o tema de muitas das nossas conversas e meu avô até hoje, aos 82 anos, encara uma maratona de discussão cinéfila comigo. Eu de um lado defendendo o cinema japonês e ele do outro, contando as inúmeras vezes que saiu de casa para assistir uma aventura estrelada por Edward G. Robinson. Foi assim que nasceu em mim a paixão pelo cinema. Mas paixões, para durarem, precisam evoluir. E esta evolução aconteceu dentro do Cineclube Unifra. 

Desenvolvido por alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Franciscano, o projeto Cineclube Unifra completa este mês 10 anos de atividades e uma programação especial está programada. Durante todo o ano de 2012, antigos integrantes do Cineclube vão poder participar de um revival, escrevendo releases, comentando filmes e criando cartazes.

Receber um convite para voltar num tempo nem tão distante e reviver momentos inesquecíveis sempre mexe com a gente. Ainda mais para mim que tive, por meio do cineclube, a oportunidade de conhecer filmografias, rever clássicos de todos os tempos e entender melhor o que há por trás do “luz, câmera, ação!”. Para quem não sabe, um dos principais objetivos de um cineclube é criar público e dar a oportunidade das pessoas conhecerem filmes que em cinemas comerciais não teriam vez. Muito mais do que  sentar confortavelmente na poltrona e entrar na história, ver um filme num cineclube é discutir, aprender e ir além das imagens. A gente aprende que certos filmes, assim como certos livros, possuem entrelinhas.

Para iniciar as comemorações, o Cineclube abre 2012 com o ciclo Águas de Março, com filmes onde a água é um personagem ou o cenário principal. Na estreia, a tela será tomada por um clássico do cinema de horror que fez muita gente fugir do mar nos anos 70. Tubarão, dirigido por Steven Spielberg  deu novo fôlego aos chamados “filmes de mostro” ao causar medo com a simples insinuação da proximidade do predador. O resultado foi o sucesso e uma série de cópias, mas nenhuma chegou perto do impacto da versão original.

Além de festejar o sucesso das sessões, o Cineclube Unifra vai ganhar um novo local para suas sessões. Desde seu início, as exibições ocorriam no Salão Azul do Campus I instituição de ensino, localizado na rua Andradas. Agora, o ponto de encontro dos cinéfilos será no Salão Acústico do Conjunto III, na rua Silva Jardim.

Pulando de Hollywood para o Irá, as comemorações de aniversário do Cineclube Unifra me fizeram lembrar de outro grande filme. Dez, além de ser a idade do Cineclube, é também o nome de uma produção do diretor iraniano Abbas Kiarostami, um talento do oriente que eu conheci por meio das atividades do projeto. Espero que, assim como os bons filmes, o Cineclube Unifra tenha vida longa. A Sétima Arte agradece.

Tubarão  (Jaws)

Ano: 1975

Direção: Steven Spielberg

Dia: Sábado, 17 de março

Horário: 15h

Local:  Salão Acústico do Conjunto III (Silva Jardim, 1175)

ENTRADA FRANCA

 

Banalização da defesa do consumidor – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

Já se abordou neste espaço considerações sobre um punhado de assuntos e temas, em especial, sociedade de consumo e direito do consumidor são os mais assíduos.

Por estas linhas já tratei, em texto anterior, sobre a interiorização do governo estadual que trouxe notícias positivas ao município e região. Em que pese, à defesa do consumidor, cuidou-se de anunciar a regionalização do Procon/SM.

As relações de consumo, a defesa de direitos não se viabiliza apenas com a vigência do Código de Defesa do Consumidor (CDC),  já dito outrora, repito: a efetividade depende essencialmente de ações concretas. Harmonizar as relações e reconhecer a vulnerabilidade do consumidor, talvez sejam, dentre os princípios que norteiam o CDC, os pontos de maior atenção.

O Procon/SM, de fato, tem logrado êxito em suas investidas. Presta em média 80 atendimentos diários, desde 2006 já atendeu próximo a 200.000 pessoas, tem sido atendo à educação do consumidor, promoveu com sucesso encontros, reuniões, audiências públicas e eventos, entre eles a Semana do Consumidor, hoje instituída por lei municipal.

Por certo, inaugura-se uma nova fase, tenho como certeza que o direito do consumidor, dada a importância para cidadania, é ramo promissor na área jurídica. Eis aqui, o futuro das relações contratuais, cada vez mais complexas e diversas, exigindo dos aplicadores do direito estudo e aprimoramento técnico.

O direito, não raramente, precisa ser lapidado, necessita encontrar na sociedade sua aplicação, oportunizando não apenas justiça por meio do Poder Judiciário, mas por vias menos morosas, mais céleres, ágeis. Aqui um cuidado, as vias administrativas não podem cair no descaso, senão teremos falhado em nossa representatividade em defesa ao consumidor.

Os Procons foram criados para legitimar um espaço modelo de solução de controversas em matéria consumerista – proteção ao indivíduo vulnerável da relação contratual. Aqui o meu alerta, próximo ao Dia Mundial do Consumidor (15 de março), tenho receio que a fragilidade de instituições não preparadas em promover a educação e a defesa do consumidor possam banalizar o objetivo do Código de Defesa do Consumidor. Procons desestruturados, não capacitados podem se tornar mais vulneráveis que os próprios consumidores.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

Nos negócios, as mulheres fazem a diferença! – por Carlos Costabeber

12, março, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

É impressionante o marketing que rola no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Algumas ações são até ridículas (nem sei quantos emails “eu” recebi, parabenizando pela data).

As empresas ainda “brincam” com o tema, achando que estão fazendo algo positivo para suas imagens, enviando textos de forma indiscriminada para todo seu mailling. É um tiro pela culatra !

Mas ao chegar na Superauto naquele dia, ao invés de sair distribuindo felicitações, falei uma verdade incontestável: possivelmente em nenhuma outra empresa de Santa Maria, e certamente em nenhuma da Rede Ford, as mulheres são tão valorizadas profissionalmente, como na nossa empresa.

Basta ver que a maioria absoluta das funções de chefia está nas mãos de mulheres (entre todos os gerentes, só um é homem).

E na venda interna de carros novos, todas são mulheres: 8, entre as duas lojas (os rapazes ocupam as vendas externas).

Mas essa decisão de apostar na qualidade do trabalho feminino, não foi por acaso. Desde 1999 adotamos essa nova filosofia de RH, com foco em um perfil mais humanista, mais agregador, nas funções-chave.

Mas por que, na minha opinião, elas fazem a diferença nos negócios?

1) São mais conciliadoras no trato com as pessoas e naturalmente comunicativas;

2) Têm maior poder de convencimento (uma das razões para o perfil da equipe de vendas);

3) Conseguem com mais facilidade a colaboração das suas equipes;

4) Sabem compartilhar melhor as informações e as decisões;

5) Têm um verdadeiro “6° sentido” na hora de decidir; principalmente em momentos de dificuldade e até nas entrevistas de seleção de pessoal;

6) São mais comprometidas, mais perfeccionistas, mais preocupadas com os detalhes da operação;

7) Dependendo da valorização dentro da empresa, tendem a permanecer por mais tempo no emprego;

8) Administram melhor as crises e os eventuais conflitos (internos e com os clientes); e

9) Acredito que produzem melhores resultados para os negócios.

Claro que não é um caminho só de rosas (literalmente), pois existem razões que fogem ao controle do empregador. Uma delas é o desejo da funcionária em deixar num segundo plano uma carreira profissional, pelo desejo em ter filhos e/ou cuidar da família (uma evolução na gestão desses casos a ampliação dos horários de trabalho alternativos).

Por isso, as mulheres se dão melhor no trabalho em equipe do que em postos técnicos, como engenharia.

Em síntese, desejo alertar os empresários, de que nesses “novos tempos”, as mulheres passaram a ocupar seu espaço nos negócios, sendo competitivas e capazes de gerar melhores resultados, independentemente da função ocupada.

Minha empresa se orgulha em ter sido uma das pioneiras, ao reconhecer e valorizar o profissionalismo das mulheres.

E os resultados comprovam o acerto dessa decisão.

Obras privadas, mas com dinheiro público – por Anderson Santos e Dijair Brilhantes

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 8 de março de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

A pauta desta semana da coluna surgiu após uma discussão através de uma rede social. Embora tenham sido feitos comentários um pouco demasiados sobre o assunto, chegou-se ao consenso que o governo está interferindo diretamente em algumas obras de estádios privados para a Copa do Mundo FIFA 2014.

A discussão posterior sobre o “chute no traseiro” proposto pelo secretário-geral da FIFA Jérôme Valcke, e o consequente pedido para que a entidade mudasse o intermediário com o Governo brasileiro, só aumenta a dúvida: quais os limites do privado – incluído o paraestatal – e o público quando o assunto é a Copa?

No início, o Governo federal veio com o discurso de que a iniciativa privada seria muito importante para o Brasil durante o processo de reforma e construção de novas arenas esportivas. Ricardo Teixeira e Orlando Silva, então ministro do Esporte, afirmavam que não seria gasto um centavo do dinheiro público.

Logo depois, quando os projetos começaram a sair do papel, o governo passou a prometer o pagamento de apenas 25% das obras, que deveriam ter os gastos focados para a infraestrutura do país, o que “fica” após o mundial. Quanto às arenas particulares, caso de clubes como São Paulo (ou Corinthians), Internacional e Atlético-PR, nenhum investimento adviria dos cofres públicos.

TUDO MUDOU

A justificativa do governo federal é de que a iniciativa privada demonstrou até agora pouco interesse nas obras. Mesmo com a liberação de empréstimos do BNDES para todos os doze estádios previstos – inclusive para os prováveis futuros elefantes brancos –, poucos conseguiram parcerias efetivas, onde os dois lados perdem e ganham.

Os orçamentos das obras, muitos baseados em projetos com várias falhas, aumentam dia após dia, mesmo que sejam oferecidas frágeis condições de trabalho, como indicam as periódicas greves de obreiros Brasil a dentro.

Em termos locais, opta-se por fórmulas alternativas, como aconteceu com a prefeitura de São Paulo, chefiada pelo “nem direita, nem esquerda, nem centro” Gilberto Kassab (PSD). A Câmara Municipal da capital paulista aprovou um projeto de lei dando mais de R$ 400 milhões de isenção de impostos para que fosse construído o “Itaquerão”.

As prefeituras e os Estados oferecem, portanto, vários “confortos”, como isenção de impostos e carta para descontá-los quando a nova arena estiver de pé. Ainda assim, muitos acabam correndo para que a União resolva os problemas.

Para abrir os cofres quando há forte interesse do capital – seja das multinacionais ou das patrocinadoras do evento – o governo sempre encontra uma maneira, e não foi diferente no que diz respeito aos estádios particulares.

Como o próprio ex-presidente do Corinthians afirma, o ex-presidente Lula (PT) foi fundamental para agir nos bastidores e garantir o “sonho” corintiano – do mesmo nível de uma conquista da Libertadores. Lula atuou muito bem nos bastidores para que o estádio finalmente saísse do papel. Graças à “amizade” com Ricardo Teixeira, e às brigas de Juvenal Juvêncio com quase todos, ainda ganhou a ampliação do local, com direito a sediar a abertura da Copa do Mundo FIFA 2014.

Com isso, aquele papo de que as empresas colocariam dinheiro e financiariam as reformas – como já ocorrera com os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007 – vai correndo rio abaixo. Em alguns casos, os de estádios privados, ainda há a venda dos nomes dos estádios, que, porém, ficaria com a construtora e/ou clube responsável pela obra.

A NOVELA BEIRA-RIO E A POSSÍVEL CANETADA DA PRESIDENTA

Mas parece que não só o presidente Lula teria agido pela emoção. Em meio a uma briga de quase um ano entre Internacional, Andrade Gutierrez e Banrisul, com o BNDES à espera de garantias financeiras, a presidenta Dilma Rousseff teria entrado em campo para dar um ultimato à Andrade Gutierrez.

Depois de toda a novela, que foi brevemente relatada na coluna passada, parece que estamos perto de ter a decisão final – nem que seja com o prazo dado pela prefeitura de Porto Alegre, até o fim de março, para passar a adotar um Plano G (a Arena do Grêmio).

Algumas dúvidas ainda pairam no ar: O que teria feito a presidenta para fazer a AG mudar da noite para o dia? Qual artificio foi usado pelo Governo federal para resolver um problema que se arrasta por mais de meio ano? E por que esperaram Porto Alegre perder a Copa das Confederações para agirem?

Parte do Rio Grande do Sul acredita que Dilma agiu com a emoção, para não deixar o estádio do seu clube de coração fora da Copa. Há divergências sobre o assunto até mesmo entre os autores desta coluna. Afinal, a presidenta não é tão fanática por futebol quanto o seu antecessor. Além do que, as relações entre empreiteiras e obras, públicas ou não, no Brasil mereceriam mais livros do nível do “Privataria tucana” (Amaury Ribeiro Júnior).

As dúvidas de sempre, agora no lado político, sempre surgem: Por que sempre o oligopólio de empreiteiras se revezam nas obras públicas desde muitos anos? Alguém explica o porquê de o Inter ter sido “convencido” a não tocar a obra por conta própria? Por que não formar o pool de construtoras gaúchas para uma simples reforma?

KICKING THE ASS

Enquanto isso, em Brasília, a Comissão de Esportes aprovou a Lei Geral da Copa com bebidas nos estádios e tudo o mais. O caminho ainda é longo para a sanção da presidenta.

O grande problema dela é que o acordo assinado com a FIFA em 2007 parece que não foi lido direito, afinal todos os prováveis problemas com meia-entrada, vendida de bebidas nos estádios e tudo o mais estavam no caderno de encargos quando da candidatura única para o evento.

A entrevista raivosa de Jerôme Valcke para a imprensa europeia falou o que é verdade e uma realidade brasileira de muito tempo: arrasto para construir ou reformar, demora para a aprovação de leis, etc. O problema foi como ele disse isso.

Primeiro ele falou que o Brasil deveria levar um chute no traseiro para começar a fazer as coisas – e como uma expressão em francês pode ter sido mal traduzida se a frase foi falada em inglês?

Depois, falou que o país parecia muito mais interessado em ganhar a Copa que em fazer uma – repetimos a piada de dezenas de outros, ele não vê o time que o Mano Menezes coloca em campo para acreditar em tamanha leviandade!

Aldo Rebelo (PCdoB/SP), o deputado que propôs um projeto de lei para acabar com os estrangeirismos na Língua Portuguesa aplicada no Brasil, respondeu ao gringo como, finalmente!, deveriam ter feito no Governo federal há algum tempo: “não dialogaremos mais com este sujeito”.

Falamos que isso deveria ter ocorrido há mais tempo, porque Valcke é o único homem que gerou uma dívida para a empresa em que trabalha, após uma negociata para que a Visa assumisse o lugar da Master Card como patrocinadora dos eventos-FIFA – com direito a quebra de contrato e perda judicial – e, logo em seguida, foi promovido! Tem-se como confiar em alguém assim?

Porém, após pedidos de desculpas públicos vindos de Zurique – e não de Lousanne, para onde a resposta do Ministério do Esporte foi inicialmente – talvez isso mude.

Há quem já deixe no ar a possibilidade de a Copa do Mundo não ser realizada no Brasil, mas repassada à Inglaterra, como uma forma de diminuir as críticas da imprensa local pelo fato de o país ter perdido para a Rússia e o Catar (!!!) a sede dos mundiais seguintes. Inocência à parte, como diria o britânico Andrew Jennings, a FIFA não teria essa coragem toda para realizar tal ato.

Basta lembrar o tamanho do Brasil, e da paixão dos seus torcedores – Neymar que nos salve! –, para entender o potencial para este evento ocorrer aqui e, principalmente, se conseguirem tirá-lo daqui. Bastaria um estímulo da Rede Globo, por mais parceira que seja da entidade internacional, para as pessoas irem às ruas “em defesa do futebol brasileiro!”.

Tudo bem. Ricardo Teixeira queimou todas as suas possibilidades para assumir o lugar de Blatter quando ajudou na campanha passada o rival do suíço, Bin Hamman, mas não cremos que se chegaria a tanto…

Como diz o ditado, até 2014 muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Espera-se que o futebol e o bolso dos brasileiros sobreviva até lá!

(Para quem quiser nos ajudar respondendo algumas das perguntas feitas aqui, ou criticar e/ou sugerir assuntos, entre em contato através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com).

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

Grandes filmes, filmes grandes – por Bianca Zasso

Até que ponto a imponência de uma imagem pode garantir o sucesso de um filme? Qual o real peso de centenas de figurantes e cenários que levam meses para serem construídos? Vale mesmo a pena investir em uma trama simples, que trata de temas comuns a todos nós em detrimento de uma história de heroísmo e redenção?

Talvez o homem que melhor soubesse responder essas perguntas seja o diretor britânico David Lean. Ele é constantemente lembrado por ser o responsável pelas melhores adaptações de Charles Dickens para o cinema, como Grandes Esperanças, de 1946, e Oliver Twist, de 1948. Antes disso, sua filmografia se resumia a filmes românticos, sendo Desencanto o melhor deles, contando a história de uma jovem em dúvida sobre trair ou não o marido. Porém, o sucesso só chegou para Lean com filmes onde os conflitos tinham armas ao invés de amantes.

O início dessa fase de megaproduções teve início em 1962 com o filme A ponte do Rio Kwai, que integra até hoje as mais importantes listas de filmes de guerra organizadas por cinéfilos mundo afora. O Lean delicado e literário do início dá lugar a um perfeccionista preocupado com os tons da fotografia e com a grandiosidade das imagens, sem esquecer de criar um herói poderoso e que causasse empatia com o público.

O resultado foi a ótima interpretação de Alec Guinness e sequências eletrizantes ao som de uma marcante trilha sonora.  A expectativa pela próxima produção de Lean era grande e ele conseguiu um feito alcançado por poucos diretores. Lawrence da Arábia conseguiu superar A ponte do Rio Kwai em qualidade, tanto em técnica como em conteúdo. Os belos olhos azuis de Peter O’Tolle intensificam ainda mais a personalidade única de T.E. Lawrence, oficial do exército britânico que reuniu jovens árabes para uma revolução contra os turcos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a cena mais incrível é protagonizada por Omar Sharif e trata-se de sua primeira aparição no filme, um ponto no meio do deserto que vai se aproximando aos poucos para marcar território de forma violenta.

Toda essa conversa em torno desses dois épicos modernos serve para mostrar que, mesmo quando a locação é imponente, é possível contar uma história complexa, que foge do tradicional sofreu, lutou e ganhou no final. T.E. Lawrence, talvez por ser inspirado em uma autobiografia, é um dos personagens mais complexos do cinema, oscilando entre a euforia com as conquistas da guerra e a dor de ter que matar companheiros de batalha. De um militar arrogante, intelectual e exibicionista, ele passa a um homem que só quer um trabalho comum, ser mais um no meio do pelotão.

David Lean entrou para a história como um homem de grandes filmes e também de filmes grandes, já que seus maiores êxitos de bilheteria tem mais de duas horas de duração. Mas quando há talento, tamanho não é documento. Lawrence da Arábia podia ser um filme intimista sobre um homem relembrando seus tempos de glória. Mas David Lean preferiu nos brindar com um deserto sem fim onde mesmo ao lado de um exército, é possível se sentir só. Nossos olhos agradecem.

Código de Defesa do Consumidor: (atualização) das ações coletivas – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

A Constituição Federal trouxe em seu art. 5º, XXXII, o mando constitucional e fundamental ao Estado em elaborar lei que tivesse em seu escopo a defesa do consumidor. Em que pese, o Estado dito no referido artigo é a soma dos poderes que a ele representam: judiciário, executivo e legislativo. Nesta monta, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) delimita os direitos básicos em matéria consumerista, norteando procedimentos e particularidades desta crescente área do direito.

O sujeito (de direitos) consumidor ainda rodeia-se de desafios, mas também comemora conquistas, e diga-se, não são poucas (em pesquisa realizada em São Paulo, o CDC aparece como a segunda lei que mais beneficiou o cidadão desde sua criação).

Por certo, as andanças são muitas, a sociedade (de consumo) a qual o direito (do consumidor) limita-se a tutelar é dinâmica, porém a velocidade do direito, por vezes, não é a mesma da sociedade, dos seus anseios.

O CDC é contextualizado à época de sua publicação, 1990. Ainda que tenham se passados 20 e poucos anos, somos cúmplices de uma lei forte, apta ao seu tempo, mas que carece não de reforma, mas sim de atualização.

Neste sentido, o anteprojeto de atualização do CDC, aponta três temas: superendividamento do consumidor, comércio eletrônico e ações coletivas. Apegamo-nos ao ultimo tema, o qual merece atenção.

A proposta de nova redação, determina o art. 81 que a ação coletiva será exercida quando se tratar de interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos aqueles decorrentes de origem comum, de fato ou de direito, que recomendem tratamento conjunto pela utilidade coletiva da tutela; ou para tutelar interesses ou direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos presumindo-se a relevância social e jurídica.

Da atualização podemos destacar a disposição da imprescritibilidade da ação, bem como do procedimento, que poderá o juiz determinar de ofício a produção de provas, observado o contraditório, bem como a avaliação neutra de terceiro, que passa a ser o avaliador da causa, tendo a finalidade de orientar na composição amigável do conflito.

O projeto de lei apresentado visa desjudicializar os conflitos entre consumidor e fornecedor, reforçando a utilização de outras vias e, no plano do processo, implementando os meios consensuais de solução de controvérsias, eis o texto da justificativa… resta-nos esperar!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

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@vitorhugoaf

O que sobrou aos vereadores – por Carlos Costabeber

Vou lincar esse comentário com o que escreveu o Claudemir Pereira em sua coluna Observatório (A Razão deste final de semana).

Os contribuintes santa-marienses que leram a matéria ficaram ainda mais preocupados.

Afinal, o que se fala na mídia sobre a Câmara de Vereadores se resume a três questões. TODAS envolvendo dinheiro do contribuinte:

1) Construção/ampliação das instalações da Câmara;

2) Aumento de 14 para 21 cadeiras na Legislativo, e

3) Aumento salarial dos edis, e criação do 13° salário. Isso mesmo: 13o salário!!!!!!!!!!!!!!

MAS É ISSO QUE OS SANTA-MARIENSES QUEREM ?

1) Ninguém nos consultou sobre a necessidade de ampliar as instalações daquela Casa;

2) 90% da população é contrária ao aumento para 21 vereadores; e,

3) TODOS somos contra o aumento salarial dos vereadores e da criação de um pleiteado 13° salário.

Acho que está na hora de dar um basta!

Afinal, a cidade tem enormes carências; demandas urgentes; gente miserável catando lixo. 

Muito, muito tem de ser feito por essa cidade. Não é hora, pois, de aumentar os gastos públicos, sem o aval dos maiores interessados: os contribuintes santa-marienses.

Para tanto serve o exemplo do que agora está ocorrendo na Europa. A gastança desenfreada dos governantes está fazendo com que os europeus estejam pagando uma conta muito alta: aumento no desemprego (principalmente dos jovens), aumento na idade de aposentadoria, redução nos benefícios sociais, aumento da carga tributária, recessão econômica.

Tchê, o mundo mudou !

As leis estão caducando, vencidas pelos fatos e dados. Agarrar-se à legislação pura e simplesmente, pode não conferir uma legitimidade exigida pelos novos tempos.

Fiquem, senhores vereadores, atentos. Afinal, teremos eleições nesse ano, e a população santa-mariense irá votar em políticos comprometidos com a AUSTERIDADE. Os contribuintes já são por demais penalizados por uma carga tributária crescente.

Vamos, pois, ajustar o orçamento da Câmara para uma nova realidade. O bem comum deve estar muito, mas muito na frente dos interesses individuais e partidários.

Pensem bem nisso, pois queremos uma Câmara de Vereadores que nos encha de orgulho e respeito.

O último close – por Bianca Zasso

No último domingo, durante a cerimônia de entrega do Oscar 2012, um filme preto e branco e mudo foi consagrado como o melhor da última temporada. O Artista, dirigido por Michel Hazanavicius., levou para casa cinco estatuetas, incluindo melhor diretor. No seu discurso de agradecimento, Hazanavicius encheu de elogios a esposa e protagonista do filme, Bérénice Bejo, e saudou três vezes o nome do diretor Billy Wilder, um dos grandes nomes da direção da história do cinema. Num Oscar que se rendeu aos primórdios do cinema e a suas grandes figuras, nada melhor do que dar o pontapé inicial neste espaço falando de um clássico que ultrapassa as fronteiras do tempo.

Em 1950, ano em que Billy Wilder realizou Crepúsculo dos Deuses, matar um personagem no grand finale era uma estratégia utilizada por muitos roteiristas para dar impacto à trama. Mas Wilder nunca foi um cara comum e o filme começa com um cadáver boiando numa piscina e uma voz que anuncia que aquele corpo inerte pertence a ela. Nosso Machado de Assis já havia dado voz a um defunto no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, mas nos campos do cinema isso era novidade. Mas, prepare-se: este é apenas o começo de um filme cheio de momentos inesquecíveis.

O cadáver-narrador, Joe Gillis, interpretado por William Holden, é um aspirante a roteirista que se vê envolvido com a excêntrica Norma Desmond, uma atriz que vê sua carreira entrar em decadência com a chegada do cinema sonoro. Obcecada por voltar aos seus tempos de fama, Norma contrata Joe para revisar o roteiro de Salomé, filme que ela quer produzir para marcar seu retorno às telas.  Empolgado com a possibilidade de encher os bolsos com a fortuna de Norma, Joe passa a morar em sua mansão e torna-se seu amante.

Um dos pontos altos de Crepúsculo dos Deuses é o elenco. Além de Holden e Gloria Swanson, uma das grandes damas do cinema mudo, o filme conta com participações muito especiais de Erich Von Stroheim, diretor e ator de origem austríaca, o homem dos épicos Cecil B. DeMille e Buster Keaton, um dos maiores gênios da comédia.  Todos unidos em cenas ambientadas numa velha mansão de gosto duvidoso, permeadas por diálogos que mostram as agruras dos artistas do cinema mudo com a chegada do som. Seria ficção ou um retrato da realidade da época? Wilder conduz a trama, que é, acima de tudo, um ótimo suspense, com  muita segurança e bom humor.  Os chiliques de Norma Desmond, as armações de Joe Gillis e todo o clima da Hollywood dos anos 50 são apresentados com uma elegância única.

Billy Wilder integrou uma geração de diretores que deixaram a Europa durante o período de guerras para tentar a sorte em Hollywood. Junto com Otto Preminguer, Alfred Hitchcock e F.W. Murnau, entre outros, Wilder imprimiu em Hollywood um estilo que entraria para a história, com filmes que equilibravam o apelo popular com roteiros bem elaborados e inteligentes. Indicado a onze Oscars, Crepúsculo dos Deuses levou três prêmios e conquistou o público com sua trama onde os protagonistas são atores. Isso foi no início dos anos 50. Em 2012, a história parece se repetir. A história de O Artista talvez não consiga resistir ao tempo. Mas Billy Wilder tornou-se eterno, até o último close.

Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard)

Ano: 1950

Direção: Billy Wilder

Disponível em DVD

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Licitação para Rodoviárias – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

28, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

O Ministério Público interpelou judicialmente o Estado do Rio Grande do Sul em razão de que das 325 rodoviárias do estado, 280 estão com contratos vencidos. Disso, na prática, podemos falar dos primeiros sete editais para contratos de concessão de estações rodoviárias, já encaminhados.

A Lei Federal nº 8.666/93 regulamenta o art. 37, XXI, da Constituição Federal, tratando-se das normas para licitação e contratos da administração pública. Em que pese o art. 1o estabelece regras gerais pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Neste ínterim, a licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, o desenvolvimento sustentável, a partir dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, igualdade, publicidade e probidade administrativa.

Os primeiros editais para concessão de rodoviárias contemplam as cidades de Cerro Largo, Garibaldi, Horizontina, Nova Prata, Pinheiro Machado, São Francisco de Paula e São Sebastião do Caí. Os editais são encaminhamentos da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, e da Diretoria Transportes Rodoviário do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).

O que se observa é que 86% do total de rodoviárias do Estado estão atuando, no mínimo, de forma irregular. Um bom exemplo vem da serra gaúcha, em Bento Gonçalves, o Poder Judiciário determinou ao Governo Estadual multa diária de R$ 500,00 por falta de licitação. A pensar!

A Lei 8.666/93 é taxativa ao vetar que os agentes públicos possam, entre outros, admitir, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo. Eis, no meu ver, a essência do que fundamenta a licitação.

Já resenhei por aqui pauta semelhante, e ainda que já tenha dito, repito: segura o ônibus que é necessário embarcar neste assunto!

A Constituição Federal tratou de cuidar da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos do próprio Estado. Concordo que é um princípio tão amplo, como digo aos meus alunos, capaz de ser, ao mesmo, tempo um tudo e um nada. Por teimosia, sigo acreditando na primeira ideia.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

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Grécia, por que chegou à falência? – por Carlos Costabeber

27, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

O meu bom amigo, Prof. Andreas Weise, retornou de sua terra natal, a Alemanha, e me deu mais uma aula sobre a crise européia.

E as maiores dúvidas se concentram na situação da Grécia, que vive uma situação dramática, como jamais presenciei em toda minha vida acadêmica. É um drama que parece não ter fim, pois há mais de dois anos a imprensa comenta sobre os problemas referentes ao endividamento daquele país. Sempre que aparece uma solução de ajuda financeira, começa a etapa seguinte, envolvendo mais e mais dinheiro. A Grécia é um “buraco sem fundo”.

Mas se temos idéia dos efeitos, aonde estão as CAUSAS que deram origem a isso tudo?

Segundo o Andreas, podemos enumerar uma série infindável de erros, omissões e, até, características culturais próprias do povo grego.

Vamos lá!

* Antes de mais nada, a entrada da Grécia na Zona do Euro foi um erro da Comunidade Européia, pois foi uma decisão política (por que a Turquia, ao lado, não foi aceita até hoje ?). Isso porque era de conhecimento público sobre o elevado grau de endividamento interno.

* Com isso, a entrada de recursos de parte dos parceiros do Euro, só serviu para o pagamento de juros dessa dívida. Era dinheiro bom transformado em dinheiro ruim.

* Antes da crise financeira o governo reduziu os impostos, fazendo com a Grécia passasse a ter uma tributação sobre a Renda e sobre ganhos de capital muito abaixo do cobrado dentro da União Européia. Isso vem gerando um gradual aumento no déficit público, que chegou a 160% no ano passado.

* 24,2% dos empregados são servidores públicos, nos diversos níveis da estrutura pública. Sendo que boa parte deles recebe 14 salários anuais.

* A elevada sonegação de impostos, tanto pelas pessoas físicas como jurídicas, já faz parte da cultura do país.

* Quando a Grécia entrou para a Zona do Euro, houve uma diminuição nos juros e um aumento real de 15% para os funcionários públicos.

* A aposentaria era de apenas 50 anos, o nível mais baixo dentro da União Européia.

* A Grécia não tem indústrias importantes sendo que a sua grande fonte de divisas vem do turismo.

* A exemplo da Itália, o ingresso na Zona do Euro deixou a Grécia sem poder desvaloriozar a própria moeda, como forma de estimular a entrada de divisas. 

E assim se segue uma série de razões, que estão levando esse país à bancarrota. 

E aí vem o Presidente do partido Laos, Giorgos Karatzaferis, dizendo que a União Européia vai salvar a Grécia, e que eles não precisam fazer mais nada; que já foi feito o suficiente.

* E, para piorar, o povo não confia nos seus governantes desde longa data.

Um cenário complicado, e que deverá ser pauta do próximo artigo: as CONSEQUÊNCIAS dessa crise.

Na folia com a possível renúncia de Teixeira, os bobos apareceram – por Anderson Santos e Dijair Brilhantes

26, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 23 de fevereiro de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

Nas vésperas da festa do Rei Momo, surgiu um forte boato que mexeria com o futebol brasileiro: Ricardo Teixeira iria renunciar a presidência da CBF! E não era notícia vinda das empresas “que dão traço”, liderados por Juca Kfouri, até as Organizações Globo esperavam por isso.

Os presidentes de federações estaduais também esperavam, com direito a entrevista em Globo Esporte local sobre quais seriam as exigências para o seu substituto. Divergência entre grupos, São Paulo X Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, assembleia convocada com urgência,… Mas ele não saiu do cargo. E agora?

ELE DESISTIU NO MEIO DO CAMINHO?

O processo de mudanças na Confederação Brasileira de Futebol começou no final do ano passado, com a chegada de Ronaldo ao Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA 2014. O comando das obras da nova sede da CBF também foi repassado.

No final do ano, a licença do cargo por 45 dias nos apresentou José Maria Marín, vice-presidente da CBF na região Sudeste, o mais velho deles. Na premiação da Copa São Paulo deixou o seu recado ao colocar no bolso uma das medalhas…

Na volta ao cargo, a demissão de Marco Antonio Teixeira, seu tio, do cargo de secretário-geral da entidade após duas décadas trabalhando ao lado do sobrinho – com uma polpuda indenização por conta do tempo de “trabalho”.

No campo pessoal, no fim de 2011, o mandatário da CBF começou a se desfazer do seu polpudo patrimônio. Vendeu todo o gado que possuía na fazenda Santa Rosa, em Piraí (RJ), arrecadando cerca de R$ 2 milhões; encerrou as atividades do Laticínio Linda Linda; o restaurante e a boate que possui no Rio de Janeiro pararam de funcionar; e até mesmo o luxuoso apartamento que vivia no Leblon foi vendido.

A estratégia do cartola parece bem clara: desfazer-se do patrimônio e enviar todo dinheiro ao exterior, evitando que a justiça mande bloquear seus bens. Teixeira já teria adquirido um apartamento em Paris e uma casa em Boca Raton, na Flórida, onde iria morar com a sua atual esposa e a filha de 9 anos, que estaria sofrendo com piadas na escola.

Para esquentar ainda mais a expectativa para o dia 16 de fevereiro, “dia do saio”, a Folha de S. Paulo divulgou informações de que Teixeira teria ligações com a Alianto, empresa envolvida em irregularidades na organização de um amistoso da Seleção em Brasília, em 2008.

Todos, inclusive os presidentes de Federações, esperavam que ele renunciasse até a sexta-feira passada (17), com nota oficial no site da CBF. Porém, o que se viu foram três rápidas notas afirmando que o presidente voltaria ao posto após o Carnaval. Além de uma resposta direta a Juca Kfouri, que publicou em seu blog que Sandro Rosell, diretor da Alianto e atual presidente do Barcelona, depositou R$ 3.800.000 na conta da filha de Teixeira. Sem que ninguém negasse o fato, a CBF reclamava de terem citado uma menor de idade.

Há quem pense que a ameaça de saída de Teixeira possa ter sido uma tática para descobrir com quem ele poderia contar no futebol brasileiro – ou até uma maneira de tripudiar de adversários, caso de Juca Kfouri. Verdade ou não, conseguiu mostrar divergências entre os presidentes de Federações. 

A BRIGA PELA POSSÍVEL SUCESSÃO

Todos esperavam pela queda do ditador. O fim da semana que antecedia as festas do Rei Momo era de muitas expectativas. Os presidentes de algumas federações estavam que eram só empolgação, a ponto de o presidente da Federação Gaúcha de Futebol comparecer ao Globo Esporte local para falar sobre a sucessão na entidade, mesmo que Teixeira não tivesse renunciado.

O “medo” de algumas federações, liderados por Francisco Noveletto (FGF), Rubens Lopes (da FFERJ) e Ednaldo Rodrigues (FBF), era que a CBF virasse um “território paulista”, após ter Andrés Sanchez como diretor de base e a possibilidade de José Maria Marín completar o mandato até 2015, tendo Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista, como secretário-geral da CBF.

Noveletto preparava um movimento para exigir novas eleições, já que o comando de Ricardo Teixeira foi prorrogado até 2015, sem eleições. Por mais que o regimento interno da entidade exija que o mais velho dos vice-presidentes assuma e complete o mandato – Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, é o segundo mais velho – a “justificativa” dele era que ampliou-se o mandato de Teixeira, não de todos os vices…

O TIRO SAIU PELA CULATRA

A pressa pública pelo lugar na CBF pode ter sido um tiro nos pés. Antes de viajar, Teixeira ligou para todos os presidentes das federações, menos os que se preparavam para indicar o seu substituto em eleições.

Estes chegaram ao ponto de convocar uma assembleia para discutir o assunto no dia 29, mas como o presidente não saiu, cancelaram a ideia. O que Teixeira fez? Convocou uma assembleia por e-mail para o mesmo dia, no final de semana do Carnaval.

O medo percorre o país. Afinal, a diferença do que ganha a CBF para o que ganham as Federações é abismal, mesmo para o caso das mais poderosas.

Para se ter uma ideia, em 2010, enquanto as 13 mais importantes federações do país tiveram receita, juntas, de R$ 70 milhões, a CBF arrecadou R$ 270 milhões, e com superávit, ao contrário das suas afiliadas.

A imensa maioria das federações depende do repasse anual de cerca de R$ 400 mil reais da CBF para poder funcionar. Estão nas mãos de R.T. política e financeiramente. 

Fato é que Teixeira pode reconhecer os seus aliados. A maioria dos presidentes de federações do Nordeste optaram por esperar a possível renúncia e criticaram quem já articulava o enterro antes de alguém morrer.

Em meio ao carnaval da Gaviões, o “super sincero” Andrés Sanches declarou que Ricardo Teixeira só sai da CBF no dia que o Sargento Garcia prender o Zorro.

Ronaldo foi outro que disse não saber de nada, no dia em que recebeu a companhia de Bebeto – deputado estadual pelo PDT no Rio – no COL, cargo que Cafu renegou.

Continuam fortes os rumores que Teixeira sairá nos próximos dias ou meses. Independente disso, o “truque” de soltar os boatos permitiu definir melhor quem são seus aliados no futebol brasileiro. Assim, quem assumir seu lugar, em 2012 ou 2015, terá totalmente o seu apoio e estará mais próximo de seguir o caminho aberto pelo seu ex-sogro João Havelange e seguido por ele nestes 23 anos.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

Carnis Valles – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

21, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

O carnaval, a semana santa e a quaresma são elementos do mesmo bloco, desfilam na mesma escola e rezam do mesmo samba. A semana santa tem no término do carnaval o marco inicial da quaresma (quarenta dias de jejum) – quarta-feira de cinzas.

Ainda que em tempos remotos, as marchinhas marcaram época, de Chiquinha Gonzaga pra cá muitos foram os abre alas, e aqueles da lira, não podemos negar, pediram passagem à rosa de ouro. E aqui, quem sabe ela, atravessando o deserto do saara tivesse ecoado…mas que calor ô ô ô ô ô ô. Que venha do Egito, das bases do samba, do crioulo doido, ô ô ô ô Aurora. Veja só que bom que era, o balance.

Opa, mas aqui já estamos com Braguinha cantarolando: entra na roda morena pra ver, ô balance, balance! E quando por mim você passa (fingindo que não me vê), meu coração quase se despedaça. Ah, e se fosse a saudade que me invade (lá na bandeira branca amor) eu peço paz.

Já estou em outro embalo, ainda que saiba que cachaça não é água não, ainda que venha do alambique. Pode me faltar o amor. Há, há, há, há. Isto até acho graça! Só não quero que me falte, a danada da cachaça.

Por certo, o que não faltava era cabelo ao Zezé maomé, bossa nova (será que ele é?) Só sabemos que bacana era a Chiquita, aquela lá da Martinica, com casca de banana nanica… ainda que triste (mas o que foi que te aconteceu?)

Vem jardineira, vem meu amor…O carnaval dos prazeres (valles), das carnes (carnis). Carnis Valles, ô abre alas, que eu quero passar!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com  

@vitorhugoaf

Ficha Limpa: cidadania ganha espaço – por Carlos Costabeber

20, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Todos os brasileiros aplaudiram a aprovação, pelo STF, da lei que tornou constitucional a proibição imediata de candidatos a cargos eletivos que estejam condenados pela Justiça.

Esse é um sinal de que a cidadania ganha espaço, justamente no órgão maior do Magistratura.

Com isso, se vislumbra a possibilidade de que o julgamento de maior relevância da história pública brasileira, tenha um destino semelhante: o caso “Mensalão”.

Acompanho com interesse esse assunto que enlameou a política brasileira, e mostrou como ainda carecemos de instrumentos sólidos, para coibir  a prática da “compra de votos”. A cooptação de congressistas, para através de benesses, garantir o apoio para a aprovação dos projetos encaminhados pelo Executivo, se tornou uma prática nojenta, antipatriótica.

Mas, apesar de todas as manobras legais, a maioria dos Ministros do STF está inclinada a se rebelar contra as tentativas que tentam levar o “Mensalão” a ser esvaziado por decurso de prazo.

É a voz do povo repercutindo nas decisões do STF !

Afinal, aos poucos vamos recuperando nosso instinto de indignação. Nossa cultura sempre foi de aceitar as coisas como nos são postas pelos governantes, Com isso, chegamos a um nível insustentável de corrupção e de desmandos. Bilhões de reais de dinheiro público são desviados todos os anos de forma espúria. E os poucos que a Policia Federal consegue enjaular, em pouco tempo estão livres, e respondendo por processos que se arrastam indefinidamente.

Chega !!!

Hoje a Presidente Dilma tem adotado uma postura mais firme contra essa safadeza. Mas infelizmente, ela (e todos nós brasileiros) luta contra gigantescos interesses pessoais e partidários, que se encastelam de tal forma no poder, que dificilmente conseguem ser atingidos por ações higienizadoras.

Mas a esperança está de volta. A começar com a demissão de ministros comprometidos com a corrupção, e cerceando os partidos políticos que sempre se beneficiaram de um sistema nefasto de mau uso da máquina pública.

Agora o Supremo também começa a dar mostras de que é preciso dar um basta a tanta impunidade. Que nós, cidadãos, queremos políticos preocupados com o bem comum, e não com seus próprios interesses e os “interésses” de seus partidos.

Surge uma esperança de um Brasil melhor, para que possamos passar para as novas gerações, um Brasil melhor!

Bom Carnaval a todos.

Eis Chico Noveletto, mais um “craque” da cartolagem – por Anderson Santos e Dijair Brilhantes

19, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 16 de fevereiro de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

15 de fevereiro de 2012, Anderson Santos (editor) e DijairBrilhantes

Francisco Noveletto Neto iniciou 2012 com a certeza de mais um mandato à frente da Federação Gaúcha de Futebol – o terceiro! Eleito em junho de 2011, tomou posse para mais quatro anos no cargo no dia 27 de janeiro deste ano após pesquisa de consultoria indicar o Gauchão Coca-Cola – olha o patrocinador aí… – como o terceiro campeonato mais valioso do Brasil.

Dentre os desafios apontados pelo presidente para esta gestão, “fortalecer mais nossos clubes e campeonatos”. Para começar, com o Grêmio se reforçando, a alegria nas hostes da FGF ia de um canto a outro da boca. A dupla Gre-Nal teria tudo para deslanchar no Brasil e na América do Sul. Mas e os outros clubes?

Como (quase) sempre na cartolagem brasileira, há muita coisa “Além das Quatro Linhas”.

A “bancada da bola”

No dia 20 de janeiro, o bom e crítico jornal gaúcho Sul 21 , através do jornalista Felipe Prestes publicou uma matéria com o título “FGF começa a formar bancada da bola gaúcha”. Num Estado que setores político-partidários e do movimento estudantil utilizam-se da paixão pelo futebol para se eleger, o caminho vai se alargando.

Em 2008, os vereadores de Porto Alegre Haroldo de Souza (PMDB) e Alceu Brasinha (PTB), receberam R$ 15 mil cada. Outros dois candidatos a receberem apoio da FGF foram Martin Ingo Ahlert (PMDB), que não se elegeu como vereador em Canoas, e recebera R$ 1,5 mil; e o candidato a deputado federal Matteo Chiarelli (DEM), que em 2010 recebera R$ 10 mil e também não se elegeu. A Federação Gaúcha de futebol começava a seguir o exemplo da sua entidade nacional.

A Confederação Brasileira de Futebol fazia doações a campanhas de candidatos a deputados federais e senadores, em troca do apoio dos mesmos no Congresso Nacional.

O termo “bancada da bola” ficou famoso após a CPI do Futebol/Nike, de 2000, que apesar de sugerir indiciamento de Ricardo Teixeira em onze processos, não seguiu adiante numa investigação ainda mais específica sobre o mandatário do futebol brasileiro – que há quem diga não manterá o ar de sua graça no cargo a partir desta semana.

A entidade máxima do futebol brasileiro também já abasteceu campanhas de prefeitos de cidades pequenas, como, por exemplo, os desconhecidos municípios de Cocos-BA, Comercinho-MG e Lagoa Grande-MG, que seriam base de importantes deputados federais. Um novo modelo de negócio que parece ser bem lucrativo, pois assim os mais poderosos cartolas do futebol brasileiro conseguem atingir seus objetivos: evitar problemas com quem tem o poder nas mãos.

Em 2010, o apoio da CBF teria se dado de maneira indireta, através de seus principais patrocinadores. Estariam na lista, segundo o jornalista Ricardo Perrone, nomes como o dos deputados federais José Rocha (PR/BA) e Aldo Rebelo (PCdoB/SP), atual ministro dos Esportes.

O caso se apresenta de forma mais clara quando observadas as ações da Comissão de Turismo e Desporto do Congresso Nacional, algumas das quais já criticadas pelo agora deputado federal Romário (PSB/RJ).

A bancada gaúcha

Assim como na CBF, a Federação Gaúcha não tem só um presidente. Apesar de estar a menos tempo no cargo (8 anos) Francisco Noveletto é ex-presidente do São José-POA, o Zequinha, e proprietário de uma empresa que patrocina a entidade e seus campeonatos. Pelo menos indiretamente, ele lucra com a mesma entidade em que decide como se deve gastar o dinheiro.

Já tratamos aqui dos desnecessários gastos com dirigentes e esposas para a realização de um congresso técnico no Chile. Já os altos investimentos em campanhas políticas deixariam claro, mais uma vez, que a Federação está pagando pelo que julga ser de “interesse do futebol”, quando o que na verdade são interesses pessoais.

O exemplo mais claro foi no empenho do executivo municipal na aprovação de um terreno de 10 mil metros quadrados próximo ao Rio Guaíba para a construção da nova sede da FGF.

A alegação do vereador Brasinha é que com a proximidade da Copa do Mundo, a FGF precisa de uma nova sede. O terreno foi utilizado como estacionamento privado até o fim de 2011, e nem sinal de construção ali…

Os candidatos se defendem dizendo que não há nada de ilegal nas doações. Segundo eles, quem negocia a verbas são os chefes de campanha. Cabe ao leitor julgar se os esforços dos políticos em ajudar as federações não passam de mais uma mera coincidência. As evidencias parecem deixar claro que não.

Enquanto Noveletto investe em campanha de políticos, os clubes do interior gaúcho seguem em ruínas, fazendo esforços surreais para não terem que fechar as portas.

Quem tinha Banrisul…

Para seguir nas relações entre futebol e Estado, no dia 31 de janeiro, a Federação anunciou em seu site oficial que o estatal Banrisul romperia o contrato de patrocínio com onze times do Gauchão Coca-Cola “devido à inserção do BMG como patrocinador dos clubes da 1ª Divisão do Campeonato (Cruzeiro, Juventude e Lajeadense)”.

O texto, que enaltece a “sempre parceira” culpa alguns dos seus filiados pela decisão de rompimento unilateral de patrocínio por parte do banco, como comprova o título do “FGF informa”, que em nada parece demonstrar tristeza com a situação, o cancelamento do principal patrocinador destas onze equipes: “BANRISUL confirma apoio para a primeira divisão, divisão de acesso e segunda divisão”.

O único a se pronunciar sobre o caso foi o presidente do Cruzeiro, ainda de Porto Alegre, Dirceu de Castro – ano que vem o clube vai a Cachoeirinha, fugindo da dupla Gre-Nal. Segundo ele, o Cruzeirinho fechou com o BMG após muito esperar por definições do Banrisul e sempre mantendo conversas com Noveletto.

Para Dirceu, se o banco quisesse realmente apoiar o futebol do interior gaúcho teria feito como fez com a dupla Gre-Nal, que após quatro meses sem contrato fixo, mas com o nome do banco no peito, conseguiu fechar uma proposta para os clubes e evitou a entrada de mais dois com a marca laranja no uniforme.

Outra confusão, e com o Cruzeiro de novo

Dono da melhor campanha do primeiro turno do Gauchão, o Cruzeirinho perdeu seis pontos por decisão do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul. O time teria escalado de forma irregular o atacante Jô, um dos destaques do Estadual do ano passado, na primeira rodada. Jô ainda estaria registrado ao Luverdense-MT, onde disputou a Série C nacional em 2011.

Documento sob posse da diretoria do Cruzeiro comprovaria que a rescisão do contrato se deu no dia 02 de janeiro, só que, por conta do “grande fluxo de transferência”, a Federação Mato-grossense de Futebol só o registrou cinco dias depois de solicitada, no dia 23 de janeiro.

Além disso, apesar de a FGF tirar os seis pontos na tabela de classificação em seu site oficial, não há nenhuma justificativa, um asterisco que seja, que justifique. Muito menos a publicação da decisão do TJD/RS, como exige o Estatuto do Torcedor (Lei n. 10.671/2003) em seus artigos 34 e 35, com o Art. 36 afirmando a nulidade das decisões que não tomarem em conta os artigos anteriores, com os princípios de impessoalidade, moralidade, celeridade, independência e publicidade das decisões. Esta ocorrendo no sítio oficial do torneio.

Segundo Dirceu, o jogador estava naquela rodada vinculado a dois clubes, já que seu clube de “pertencimento” é o de Porto Alegre. Isso faz com que se atenda ao Art. 5º, §55, do regulamento do Gauchão Coca-Cola, por terem contrato em vigor com os clubes que retornaram após retornarem de empréstimo.

Seguindo os trâmites, o Cruzeiro pode paralisar o campeonato após o Carnaval, porque ficaria a dúvida jurídica sobre quem se classificaria para a segunda fase da Taça Piratini,

Mudam os nome mas…

É impressionante o quanto esta coluna depois de fazer uma análise acaba no senso comum. Os veículos de grande mídia fecham os olhos e preferem omitir a verdade. A nós parece muito claro que o que muda de uma federação para outra é apenas os nomes. A ideologia – se é que podemos chamar assim – é a mesma. Ficar anos no cargo, atingir status de poderosos e, quem sabe, aumentar a conta bancária… Mas, e o futebol?

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (anderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

A razão gen(ética) – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

14, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

A Declaração Internacional sobre os Dados Genéticos Humanos tem em sua redação a consciência da capacidade única dos seres humanos em refletir sobre sua própria existência, de perceber a injustiça; de evitar o perigo; de assumir responsabilidade; de buscar cooperação e de demonstrar o sentido moral que dá expressão a princípios éticos.

Pois bem, a partir dos avanços da ciência passamos a desenvolver novas competências e compreensões da vida, consequentemente novos questionamentos. Entre eles conflitos de ordem ética. Como diz a própria Declaração, reconhecendo-se as questões éticas, devemos examiná-las com respeito à dignidade da pessoa humana.

Disso, considerando o papel da UNESCO em elaborar princípios consubstanciados a valores éticos, compartilhados ao desenvolvimento científico e tecnológico, além da transformação social, é que se funda a Declaração Internacional sobre os Dados Genéticos Humanos. Por certo, entre os maiores desafios práticos da Declaração está a efetividade dos objetivos, em especial, a congregação de dois deles.

Ao passo que falamos em promover o respeito pela dignidade humana e proteger os direitos humanos, assegurando o respeito pela vida e pelas liberdades fundamentais; deparamo-nos com a necessidade de reconhecer a importância da liberdade da pesquisa científica e os benefícios resultantes dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos.

O diálogo ético entre a pesquisa e os valores humanos tem guarida no princípio de que os interesses e o bem-estar do indivíduo devem ter prioridade sobre a ciência. Eis a regra.

Se assim é (será), já elucidado os avanços humanos pelos pensamentos de Aristóteles (criador da filosofia da ética) eis que se encontra, novamente, o ideal de que, acima de tudo, deve estar o bem humano, associado a três funções básicas, a vida, o sentimento e a razão.

É a razão que nos distingue como humanos. Em que pese, a razão deve conciliar o avanço científico e a ética humana. Eis que Aristóteles deixou dito: o fim último de uma vida virtuosa é ser feliz. Portanto, a felicidade tem que ser o correto desempenho do que lhes é próprio; o uso correto da razão.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Valdir Oliveira e os 32 anos do PT

13, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira 5 comentários

POR MAIQUEL ROSAURO

O Partido dos Trabalhadores (PT) completou 32 anos de fundação em 10 de fevereiro. Para marcar a data, o presidente da sigla na cidade, Valdir Oliveira, enviou para o sítio o artigo abaixo.

PT 32 anos
Valdir Oliveira
Presidente municipal do PT

No momento que o Partido dos Trabalhadores completa 32 anos de idade não há como não voltarmos no passado e repassarmos em nossas mentes os momentos marcantes da trajetória dessa construção coletiva e democrática que é o PT.

Quem olha o PT hoje no poder do Brasil, no poder do Rio Grande do Sul e no poder de várias cidades no país, não imagina o quanto este partido sofreu e combateu para chegar onde chegou.

Basta lembrar que o PT nasceu no período da ditadura militar, onde expressar opiniões políticas era proibido para ver a dureza que foi ser fundador do PT.

Nem é preciso voltar muito a fita da nossa memória para lembrar que houve uma época no país que ser petista era sinônimo imediato de baderneiro e agitador.

Houve época neste país que quando acontecia algo de ruim imediatamente se fabricava uma associação ao PT.

Certa vez, até a camiseta do PT foi colocado em um dos sequestradores do empresário Abílio Diniz porque naquele momento transcorria uma eleição presidencial no país e havia chance do PT ganhar as eleições.

Neste mesmo período sombrio, em meados de 1989, uma das mais poderosas redes de televisão do mundo não se envergonhou de editar um debate de televisão e adulterar a verdade dos fatos somente para retardar a chegada do PT à presidência do país.

Mas não eram ignorantes os adversários do PT desta época difícil para os militantes de esquerda. Esses adversários que faziam barbaridades contra o partido tinham em mente há muito tempo que se fosse concedido espaço para o partido no Brasil, ele poderia se pulverizar de Norte a Sul do Brasil e se tornar hegemônico.

Pois o combate ao PT mesmo cerrado, violento e repleto de preconceito um dia fraquejou. E quando fraquejou o partido foi pouco a pouco, região por região, crescendo e arregimentando apoiadores no campo, na cidade, nas universidades e nas fábricas.

Em 1986, os gaúchos tiveram a coragem de eleger o missioneiro Olívio Dutra como prefeito de Porto Alegre. Depois de Olívio Dutra, outros três prefeitos petistas foram eleitos em sequencia na capital dos gaúchos.

O movimento também chegou ao interior. Em 1998, Santa Maria, que até então só tinha prefeitos engenheiros ou médicos elegeu pela primeira vez na história um prefeito operário, um prefeito metalúrgico, que foi o hoje deputado Valdeci Oliveira.

A administração do Valdeci e do seu vice, Paulo Pimenta, ousou logo de cara ao dizer para a população que o governo deles seria para toda a cidade, para todos os bairros e vilas e não só para a Primeira Quadra da Bozano.

Valdeci e Pimenta pegaram a Prefeitura em ruínas. Sem recursos, sem autoestima e sem possibilidades. E ao final de 8 anos de gestão o PT devolveu a Prefeitura com um PAC, com financiamento do Banco Mundial garantido, com obras de infraestrutura em todas as regiões da cidade, com o mega loteamento habitacional do Cipriano Rocha garantido, com as finanças em dia, sem salários atrasados e principalmente com as mãos limpas.

Poderia aqui ainda falar do que o Presidente Lula fez para o Brasil e do que a Presidenta Dilma está fazendo para o nosso país. Mas precisaria de muito mais tempo para dizer algo que já é bastante sabido e conhecido.

O fato é que seja no Brasil, no Rio Grande ou em Santa Maria, a história mudou depois que o Partido dos Trabalhadores entrou em cena há 32 anos. E esta história mudou para melhor, porque onde tem PT, tem combate firme a toda e qualquer desigualdade, a todo e qualquer preconceito.

Por esse rápido resgate da história do PT e da história de cada um de nós aqui é que temos o compromisso de não deixar esta história sem novos e vencedores registros

Parabéns a todos nós que todos os dias fortalecemos este partido. Vida longa ao PT! Vida longa a nossa militância!

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Família Zappe salva os 70 anos da Imembuí – por Carlos Costabeber

13, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

Acompanhei de perto o drama da Rádio Imembuí, que desde o inicio dos anos 90 vivia uma situação de grandes dificuldades financeiras. Apesar da maioria das ações estar em mãos da família Isaia, a operação ficava sempre a cargo de profissionais. E essa fórmula passou a não dar mais certo, como se provou mais tarde.

E essa família já estava cansada de ter de “colocar dinheiro” na rádio todos os meses. Afinal, a rádio não era foco dos seus negócios.

Além de anos seguidos de dificuldades, a queda na receita com propaganda crescia como rabo de cavalo: para baixo. Sempre estava faltando dinheiro no caixa.

Acompanhei de perto e até participei de reuniões, que tentavam encontrar uma solução para salvar a Rádio; a Planalto chegou a admitir a aquisição; e o próprio Dom Ivo, com forte vinculo com os Isaia, temia por um fim indesejável.

Esse final indesejável era aceitar uma proposta de uma poderosa igreja evangélica, que compraria à vista a rádio, e assumindo os passivos trabalhistas e fiscais.

Enquanto isso, o Cláudio Zappe, que já havia acumulado uma larga experiência no segmento, estava expandindo os seus negócios, adquirindo pequenas emissoras do interior; a maioria em situação difícil como a da Imembuí.

Empreendedor nato, amante do rádio e provocado pela família (leia-se Alcides) e por amigos próximos como o Névio Cancian e o Jhonny Rosa, o Cláudio começou a se interessar pelo negócio.

Mas mesmo com todo o seu conhecimento do ramo, também achava que era uma situação muito delicada. Um projeto inviável! Que mesmo sofrendo um pesado choque de gestão, a Imembuí levaria muitos e muitos anos para se recuperar.

Mas a experiência bem sucedida em outras emissoras, o estimulo da família e dos amigos, fizeram com que o Cládio, o Alcides e o Jhonny se decidissem por “abraçar o pepino”. Tudo isso, e mais a fé em Deus e em São Pio, e com as bênçãos do bispo Dom Ivo.

Corria o ano de 1997!

E realmente o “pepino” era ainda maior do que o imaginado. Dívidas trabalhistas e impostos atrasados tiveram que ser renegociados com prazos longos. E a receita com propaganda, em queda contínua, não animava os novos controladores.

Conversei muito com o Cláudio e com o Alcides, de lá para cá. Acompanhei de perto “o calvário” que foi a recuperação da Imembuí, pois essa turma teve “que botar dinheiro”, muito suado, a cada mês, para o pagamento da folha e dos parcelamentos assumidos.

Enquanto isso, uma estratégia comercial muito agressiva, uma inovadora programação e a adesão imediata das empresas locais levaram a um rápido aumento na audiência e a uma gradual recuperação nas receitas.

Foram mais de 13 anos, isso mesmo, 13 anos de muito trabalho e extrema dedicação, para que a Rádio Imembuí chegasse ao seu ponto-de-equilibrio.

A missão estava cumprida!

Não fosse a bagagem de conhecimento, a paixão pelo rádio e a fé desses empreendedores, e certamente A IMEMBUI NÃO ESTARIA CHEGANDO AOS 70 ANOS.

Parabéns a  esse belo grupo de profissionais que faz parte do quadro da rádio! Gente que sacrificou as suas vidas, e que abriu mão de muita coisa, para salvar essa rádio. Especialmente a esse amigo, a quem dedico um carinho e uma admiração extraordinárias, o CLÁUDIO ZAPPE.

Afinal, nesse mesmo período, passei por uma situação semelhante: sair de uma cisão familiar, e reerguer a Superauto.

E com essas duas experiências vivenciadas, cheguei uma conclusão muito importante nos negócios:

“É fundamental, ter uma certa DOSE DE INGENUIDADE na hora de se tomar  decisões”.

Quem coloca “tudo na ponta do lápis” na hora de decidir, pode estar perdendo uma grande oportunidade nos negócios.

Missões Cumpridas!!!

Seria estranho se não fosse no Flamengo – por Anderson Santos e Dijair Brilhantes

12, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 9 de fevereiro de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

O espaço desta coluna por diversas vezes foi preenchido com assuntos relacionados ao Flamengo. Infelizmente pouco pelo futebol e muito pelo que ocorre além das quatro linhas. Neste início de 2012, como imaginamos na primeira coluna do ano, não seria diferente. A fritura de Luxemburgo, com grande ajuda da “estrela” da companhia entrou na história desse amado e conturbado clube.

No emprego, mas já sem ele

O que era um boato, virou (quase) certeza horas antes do importante jogo pela Pré-Libertadores – com direito a substituto contratado –, foi confirmado na quinta-feira (02). A demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo seria estranha, mas se tratando de Flamengo tudo pode acontecer.

Todos ficaram curiosos esperando o final do jogo do Flamengo contra o Real Potosí pela Pré-Libertadores. O motivo não era entrevistar Ronaldinho, autor de um golaço que carimbou a passagem para a fase de grupos do torneio sul-americano. Muito menos o atacante Deivid, que apesar de estar no clube, acabara de entrar na Justiça para receber dezenove meses de salários atrasados.

O sotaque característico do técnico Vanderlei Luxemburgo era aguardado por dezenas de repórteres na entrevista coletiva ao final do jogo. Do menor meio de comunicação à Rede Globo de Televisão, repórteres queriam as sinceras palavras de alguém que entrara em campo já demitido.

Para a surpresa geral, afinal já era dada como certa a demissão de Luxemburgo e até a contratação de seu substituto, Joel Santana, não se viu o bom e velho Luxa na entrevista. Pelo contrário, um tom altamente conciliador e pensando no jogo do Carioca, dois dias depois.

Algo poucas vezes visto se espalhou naquele grupo de jornalistas: revolta. Fontes seguras da diretoria do Flamengo davam conta de que a demissão ocorreria depois do jogo, mas ninguém, da presidenta ao diretor de futebol, deu as caras para confirmar ou negar a informação.

Até o jornalista global Érick Faria exigiu que o clube respeitasse os profissionais, apontados como vilões numa história que o bom trabalho de apuração, e seriedade, diziam o contrário que a omissão da diretoria flamenguista apontava.

A decisão

A presidenta do Flamengo passou a semana dizendo que tudo não passava de boatos, que Ronaldinho não pedira a cabeça de Luxa no prato, que mal conversava com ele,…

Porém, na quinta-feira o discurso mudou. Vanderlei só passou 20 minutos no campo de treinamento pois fora convocado para uma reunião com a presidenta e diretores do clube.

Horas depois, Patrícia Amorim comunicava à imprensa que a vitória sobre o Real Potosi encerrou um ciclo no clube. Estariam demitidos o treinador, toda a sua comissão técnica e o gerente de futebol Isaías Tinoco. Além do diretor Luiz Augusto Veloso ter pedido demissão.

A ex-nadadora Patrícia justificou que “o clima não estava bom”. Mas o que fazer quando a estrela da companhia exige que só ficaria caso o chefe fosse mandado embora? O beijo num treino dias antes acabou gerando a metáfora com Judas. Nada mal…

Foi para isso que ele veio?

Quando contratado, após vencer um acirrado “leilão” contra Grêmio e Palmeiras, Ronaldinho Gaúcho chegou para ser a estrela maior do elenco rubro-negro. Com direito a festa na apresentação, com discurso de um “novo” flamenguista, o R-10 levou os torcedores ao êxtase.

No Carioca, ele deu o ar da graça. Num time bem montado, foi o capitão do título. O alvo agora era o Campeonato Brasileiro, mas, mesmo com uma série de tropeços dos ponteiros R10 e cia. viram o Vasco, que teve as atenções divididas com a Copa do Brasil e a Sul-Americana, ser o carioca mais próximo do título. Sobrou uma vaga na Pré-Libertadores.

Um ano depois de sua contratação, o gaúcho teria sido um dos principais motivos da discórdia entre técnico e jogadores. Com elenco considerado de alto custo financeiro, o Flamengo iniciou 2011 como uma das forças do futebol brasileiro, mas demorou muito para conseguir patrocinador master e, para piorar, sem qualquer garantia do mesmo para 2012.

Boa parte do salário do “craque” está atrasada há mais de 5 meses, o que acaba impedindo o clube de cobrar atitudes profissionais do camisa 10. Na esteira, outros atletas, que recebem seus salários diretamente do clube, estão com pendências, a ponto de Alex Silva abandonar o barco e Deivid processar o clube. O salário de Luxemburgo também estaria atrasado desde novembro de 2011.

É a volta dos bons e velhos tempos em que o Fla podia contar com um time com jogadores como Alex, Edilson, Denilson e Vampeta, mas não podia pagá-los. O que fez o irônico volante, campeão do mundo com a Seleção em 2002, criar a excelente frase: “eles fingem que pagam e eu finjo que jogo”.

Técnico com vida de boleiro

O que diz respeito a futebol dentro das quatro linhas, Vanderlei Luxemburgo é sem dúvida um dos melhores do Brasil. Embora, para muitos, ele já esteja ultrapassado, o treinador sabe montar boas equipes.

Seu currículo diz tudo, ninguém ganhou 5 campeonatos brasileiros por nada, formando o super-time Palmeiras-Parmalat (1993-1994) – e apanhando de Romário na sua passagem anterior pelo Flamengo, em 1995. Além de ser o único técnico a ter conquistado a tríplice coroa no Brasil, pelo Cruzeiro (Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, todos em 2003), e a dirigir por um semestres os “galáticos” do Real Madri.

Além de uma passagem frustrada pela seleção brasileira, onde foi demitido durante as eliminatórias para a Copa 2002. Envolvimentos extracampo também marcam a sua carreira: suposto envolvimento com lavagem de dinheiro; recebimento de propina de empresários; empréstimos não pagos (como a Edmundo); e a famosa briga com Marcelinho Carioca num programa da Band.

O técnico costuma dizer que nunca provaram nada contra ele, mas também nunca provou sua inocência. Como de costume no Brasil, ninguém mais investigou nada e muitos comentaristas chegaram a pedir seu retorno à Seleção – por mais que Muricy e Felipão ainda estejam à sua frente.

Uma matéria da revista Placar em 2011 denunciava que o técnico estaria abusando das noitadas. Jogos de pôquer e o uísque estariam prejudicando o trabalho do treinador. O técnico nega que isto o atrapalhe.

Ainda assim, com a vitória no jogo que guiaria o ano, ele não merecia sair. Luxemburgo, como disse em entrevista coletiva na sexta-feira, passou por um processo de fritura como poucas vezes na história do país.

A presidenta Patrícia Amorim, que prometeu ser diferente no comando de um clube com seis níveis de comando, onze ex-presidentes vivos e uma divisão política do tamanho de sua torcida, repete seus antecessores. Para começar, a volta do “papai” Joel

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo

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Por si só, a (in)justiça – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

7, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

A justiça tarda, mas não falha (quem já não ouviu?), em contrapartida Rui Barbosa registrou que justiça tardia é injustiça qualificada (a decidir?!). A partir de recente texto do professor Lênio Streck, eu pergunto: a que(m) a justiça serve?

Não passo aqui a questionar nenhum dos Poderes, tampouco, o quase intocável, que em dias passados tentou limitar a competência do Conselho Nacional de Justiça (perdeu o jogo!). O texto tem sim o intuito de discutir, talvez o melhor termo seja apresentar, os nuances da justiça (ou daquilo que convencionamos assim chamar).

O texto de Streck (A lei, a interdição e os limites) comenta a ‘chacina’ promovida no litoral por uma modelo no primeiro dia do ano. Armada em quatro rodas, a moça que não tinha habilitação para dirigir, matou duas pessoas e feriu gravemente uma terceira. Prisão?! Não! Eis a decisão, baseando-se em jurisprudência do STF em que “a gravidade do crime não é motivo para decretar a prisão”. Ocorre que o douto juiz não inclui a redação por completo da jurisprudência da corte suprema, pois lá, completa-se o texto anterior, está dito “a gravidade do crime, por si só, não é motivo para prisão ”.

Por si só perdeu-se no texto; por si só deixou de se fazer justiça; por si só ludibriaram a jurisprudência, quem nem disse (por si só) aquilo que passou a fundamentar. Ora, injustiça qualificada, metida à justa, aqui confio mais no justo (apertado), do que no justo (o que faz justiça). Talvez o justo da justiça, tenha se tornado suas decisões justas, estreitas à justiça. Só um juízo de valor. Só? Por si só.

Eis que outrora, o nosso professor já tenha refletido que é justamente neste contexto que estas reflexões se inserem, buscando a construção de um discurso que aborde a crítica ao papel do direito, ao discurso jurídico. Em obra mais recente, expõe trecho de acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em que o magistrado deixa descrita a sua percepção sobre a sua função, na qual o juiz é o interprete da consciência social, pois contrapõe a livre valoração moral à norma. Livre valoração? (no mínimo inquietante) Valoração moral à norma (piada!). E pode ficar pior (e fica!). Em publicação do STJ, proferiu um excelentíssimo ministro, decido de acordo com minha consciência de julgador e o meu entendimento pessoal (Opa! Rasguem os Códigos, guardemos as Leis).

Aqui, em coro ao professor Lênio: o direito não é (e não pode ser) aquilo que o intérprete quer que ele seja. Tenho receio que o espírito das leis tenham dado espaço aos homens que em togas, iluminadas em sua  consciência, por si só, façam suas as vontades dos homens. Em que pese, um direito digno é oriundo de homens dignos…por si só!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Santa Maria, a capital das festas! – por Carlos Costabeber

6, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Há poucos dias recebi um convite informal, para a festa de aniversário de um grande amigo, que se realizaria na metade do ano.

Para minha surpresa, ele acabou de ligar, dizendo que só conseguiu reservar um local grande para a sua festa de 60 anos, quando estiver comemorando os 61 anos – em maio de 2013.

Já na Superauto, temos feito as festas de final-de-ano nas belas instalações do CASUSA. Mas como “dormi no ponto”, lá não existe mais nenhuma disponibilidade de data, para qualquer 6ª feira ou sábado, entre novembro e dezembro.

Isso sem falar nas grandes festas de colação de grau! Ou os alunos se programam com quatro ou cinco anos de antecedência, ou irão ficar sem um local para a formatura. Para comprovar, conheça a agenda do Centro de Eventos do Hotel Morotin!

Portanto, Santa Maria se transformou numa enorme cidade de eventos.

É um segmento de serviços, que não conhece a palavra “crise”; bem pelo contrário!

Claro que tudo começou com as festas de formatura na UFSM, e que aos poucos foi se espalhando, com o crescimento do ensino superior na cidade.

Mas o interessante disso tudo é que os empreendedores que atuam no setor, não só descobriram um grande filão de negócios, como trataram de ampliá-lo significativamente.

Por exemplo: em dezembro recebi um convite belíssimo, com uma produção cinematográfica; certamente muito caro. Mas não era para a graduação da Medicina, e sim, para uma turma que estava concluindo o 2° grau do Colégio Santa Maria.

Assim, esse pessoal tem feito um trabalho de marketing, que se tornou um verdadeiro “case” de sucesso.

Com isso, esses empresários fizeram/fazem um processo, digamos,  de “down trading”; partindo dos cursos superiores e chegando lá em baixo. Eles conseguiram/conseguem “vender seu peixe”, da universidade até o maternal. 

Impressionante!!!!

Comentei isso com um amigo, pai de um adolescente, e ele confirmou: “olha, mal começa o ano, e a gente já tem que ir pagando uma parcela mensal, para a festa de final-de-ano da turma”. E no caso dos colégios particulares, diz ele, “não é pouca coisa”!

Mas a sacada mais genial desses empresários é que, nos casos envolvendo alunos, eles recebem o dinheiro com antecedência, não necessitando de muito capital para trabalhar, e têm uma inadimplência/risco zero.

Genial!!!

Claro que é admirável o trabalho de qualidade que esse pessoal oferece. Tomo por exemplo o Antônio, da IMAGEM, que de simples fotógrafo se tornou uma empresa de grande projeção, oferecendo uma gama cada vez maior de bons serviços.

E, além de atuarem em Santa Maria, muitos empresários locais hoje estenderam seus negócios para todo o interior, como o GUSTAVO (FOTOS), que se tornou referência nas formaturas de Pelotas/Rio Grande.

E é bem óbvia essa expansão, pois a maioria das cidades do interior não tem estrutura para eventos. Lembro do amigo Neimar, que numa promoção da RBS em Rosário do Sul, teve de levar toda a estrutura da festa aqui de Santa Maria.

Por fim, quero expressar a minha alegria em escrever esse texto, pois talvez esteja enaltecendo o trabalho de marketing mais impressionante que já se viu nessa cidade.

São esses empreendedores que fizeram/fazem de Santa Maria, a CAPITAL DAS FESTAS ! 

Parabéns, gurizada!

O futebol e o dia em que o cartola embolsou uma medalha – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

5, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 2 de fevereiro de 2012 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

A metáfora da cartolagem brasileira (?)

Até pouco tempo, a cartolagem brasileira era marcada pela malandragem que nossos jogadores apresentam dentro de campo: drible de corpo e gingas suficientes para se manterem no poder e, “ninguém” sabe como, para conseguir sair com mais dinheiro do que entrou, mesmo se tratando de trabalho “para o bem dos clubes” e do futebol. Cara de pau, cinismo, vínculos nada justificáveis, mas um tom meio cafona e cantinflesco, o cartola era a alma gêmea do banqueiro do bicho e do coronel da política, isto quando a pessoa física não se mesclava entre estes três personagens, criando a síntese do “atraso”, fazendo com que os poucos críticos de nosso futebol afirmassem ser necessário um choque de capitalismo! Idos tempos…..

Será que era só malandragem? No dia 25, final da Copa São Paulo sub-18 e todas as câmeras flagram o vice-presidente da CBF para a Região Sudeste colocando uma medalha no bolso. Começou “bem” o ano para o futebol brasileiro. Como se fala na gíria dos boleiros: jogador não deve atuar fora de suas características……

Todo começo do ano é do mesmo jeito. Enquanto os grandes clubes retornam das férias, as “promessas de craque” entram em campo no maior torneio de base do país: a Copa São Paulo. Cada vez mais inchado, o torneio foi transformado em “celeiro para empresários”, com cerca de 96 clubes de quase todo o Brasil – menos Roraima que mal consegue fazer torneios profissionais, imagina amadores. Vale registrar que a copinha já foi algo de encher os olhos, sem equipes montadas às pressas por intermediários querendo vender guris mal saídos da adolescência para qualquer time que eles tenham de tirar passaporte.

No último dia 25 (de janeiro), data do aniversário da cidade de São Paulo de Piratininga, os maiores campeões da Copinha entraram em campo para a decisão. Corinthians e Fluminense protagonizaram um bom jogo, vencido pelos paulistas com dois gols de cabeça do zagueiro, de virada, por 2×1.

O “Timãozinho” fez uma campanha perfeita, vencendo os 8 jogos disputados, apesar de o próprio (agora) ex-presidente corintiano, Andrés Sánchez, ter dito que não investiu tanto na base. Em setembro, a revista Placar – que dá lampejos dos seus áureos tempos – fez matéria destrinchando a falta de investimento no setor, especialmente após as obras para o estádio do clube, no local em que a base treinava.

O goleiro corintiano Matheus deu provas da raça do clube ao ficar vários minutos machucado em campo, após choque com jogador adversário. Na hora da comemoração, ele seria o último a receber a medalha, carregado por alguém da comissão técnica, mas não havia mais medalha…

Como a medalha desapareceu?

Minutos depois, a ex-Miss Brasil e jornalista Renata Fan (ai, ai,ai….os efeitos que Fan e Cia. Fazem nas salas de aula das faculdades de comunicação são inenarráveis; pululando a cabeça das promessas de coleguinhas mais atraentes, é o efeito Fátima-Patrícia na bola), e seus comentaristas do programa da tarde na Band, mostravam onde ela sumiu. Como o futebol brasileiro não pode ficar somente dentro das quatro linhas, eis que surge (ressurge) um “personagem vilão”: José Maria Marín resolveu premiar-se e colocou uma das medalhas no bolso.

Já tínhamos visto colocar o jogo no bolso, malas pretas e brancas circulando, ameaças de roubo, mas nunca, nunca mesmo, de forma literal e real. Uma imagem captada pela TV Bandeirantes mostra quando o presidente em exercício da CBF faz isso.

A Federação Paulista de Futebol reparou o “erro” e enviou outra medalha ao goleiro corintiano Matheus. Em nota a FPF nega o roubo e diz que houve um erro na contagem das medalhas, mas não explica o porquê Marín ficar com uma das medalhas. Será que ele sofre de cleptomania?

Depois ele explicou que a FPF teria dado uma das medalhas de campeão e ele teria pegado naquela hora para não causa estranheza (?!). Já vimos medalhas para árbitros em finais de torneios importantes, mas para dirigentes? Por que o presidente da Federação não pegou a sua então? E, se a competição dos cartolas for outra, como por exemplo, índices de escândalos com projeção internacional, o Brasil seria sempre campeão do mundo!

Quem é José María Marín?

José María Marín é formado em direito (e pela USP!), foi deputado estadual e vereador, além de governador do estado de São Paulo por dez meses na década 80, substituindo Paulo Salim Maluf. Ambos eram (e são arenistas de carteirinha, típicos representantes da de São Paulo, reproduzindo a mentalidade do vale tudo político-empresarial) que saíra do Palácio dos Bandeirantes para concorrer ao nobre cargo de deputado federal pelo PDS (nome dado para a Arena após a reorganização partidária promovida por Golbery na Casa Civil de Figueiredo). Por ironia da história – e tristeza do povo brasileiro – Maluf segue deputado e Marín ocupa cargo relevante na cartolagem brasileira.

Antes, José María fora jogador de futebol do São Paulo, na década de 1950, clube que viria presidir décadas depois. Após o fim da ditadura militar, sua carreira política foi perdendo espaço, candidatou-se ao senado pelo PFL em 1986, mas conseguiu apenas o quarto lugar. Atualmente é filiado ao PTB (partido base do governo, assim como um terço da Arena histórica, hoje PP, e outro terço em cima do muro, o PSD).

Como a carreira política não ia bem, Marín resolveu investir na política esportiva. Presidiu a Federação Paulista nos anos 80 e foi chefe da delegação que disputou a Copa do Mundo de 1986, no México – a mesma que Octávio Pinto Magalhães admitiu ter pagado dirigentes e até suas esposas para assistirem. Naquela Copa, o país do gigante adormecido apresenta ao universo um personagem “amigo” de Marin, Nabi Abi Chedid (este último teve a proeza de ser deputado estadual pela legenda de Plínio Salgado – PRP -, passando após para a Arena, sempre a Arena). Marin tem estirpe, e é essa que estamos narrando….

Marín ressuscita, se reorienta, aproximando-se do clã Havelange-Teixeira. O cartola de 79 anos substituiu recentemente Ricardo Teixeira na presidência da CBF, quando este resolveu tirar uma licença do cargo por 45 dias, após um ano de 2011 bem movimentado, com várias ameaças e boatos até de sua retirada em definitivo do cargo.

Como se pode perceber pelo seu recente substituto, parece que precisamos ainda mais para mudar o futebol brasileiro, não bastando que Teixeira saia do cargo que ocupa – afinal, alguém acredita que o tirarão? – há mais de 22 anos.

 (Entre em contato com a coluna e ajude-nos a desvendar os bastidores e as estruturas de poder do futebol profissional e dos manda-chuvas do Brasil Olímpico que não tem esporte de base. Escreva, colabore, critique, sugira, participe através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

A (des)construção da política – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

31, janeiro, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

As minhas leituras têm se encontrado cada vez mais às linhas do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que entre seus escritos defende que o maior desafio dos pensadores e políticos contemporâneos é recuperar a dimensão comunitária do espaço público, como forma de aprender a arte de uma coexistência segura, pacífica e amigável. Disso, nas ultimas semanas, três foram as obras do autor que instigaram meus pensamentos – Em busca da política – Confiança e medo na cidade – Legisladores e intérpretes.

Lá está escrito que em tempos passados nas leis trazidas por Moisés ao povo de Israel ecoavam os trovões no alto do Monte Sinai, mas as leis manifestavam clara e abertamente o que os trovões apenas insinuavam. Eis, então, qual o papel dos intelectuais no mundo moderno? Bauman responde que a intelectualidade se formou ao mesmo tempo do Estado absolutista, quando lhe foi atribuído o papel universal de progresso da razão e da humanidade.

Na era que se convencionou chamar de pós-modernidade, a estratégia da atividade intelectual é caracterizada pelo trabalho de intérprete. O intelectual pós-moderno pretende facilitar a comunicação entre o Estado e o cidadão.

Em busca da política, toda opção implica em escolher uma coisa dentre outras e raramente o conjunto de coisas a escolher depende daquele que escolhe. O que é decorrente das instituições políticas vigentes que vivem hoje um processo de abandono ou diminuição de seu papel de criadoras. Marca-se, assim, a tendência crescente da separação entre poder e política.

Reafirma-se aqui a ausência de um agente efetivo o bastante para legitimar, promover, instalar e servir a qualquer conjunto de valores ou qualquer agenda de opções consistente e coerente. Bauman defende que o princípio do consumo, estimula a busca de satisfação, e seguindo o princípio da sociedade de consumo, induz os indivíduos a ver o despertar dos desejos que clamam por satisfação como a regra diretriz da vida.

Transformou-se o indivíduo de cidadão político em consumidor de mercado. Instrumentaliza-se a manutenção dos padrões e a administração de tensões. Passamos dos tempos heróicos dos líderes espirituais para uma época de exemplos pessoais.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Nossos homens no Rio – por Carlos Costabeber

Há poucos dias recebi a honrosa visita de um velho amigo, o General Adriano, que hoje é o Comandante Militar do Leste, e responsável pelas forças do Exército que estão em missão pacificadora nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Esse breve período de reencontro culminou com um churrasco no domingo, 15, com a presença do Prefeito Schirmer. E, nessa oportunidade, deu para saber um pouco mais sobre um assunto que, para a absoluta maioria dos brasileiros, é totalmente desconhecido: a vida nas favelas cariocas, antes e depois da ocupação pela policia e pelos militares.

Além do que o general já declarou em entrevista exclusiva ao Diário de Santa Maria, me arrisco a complementar com algumas informações interessantes:

* O início do processo de dominação dos morros pelos traficantes se deu nos anos 80, quando, com uma política equivocada, o Governo proibiu a policia de atuar nessas áreas.

* O armamento desses bandos teve como motivo a guerra entre as quadrilhas, para aumentar seus domínios; e não a atuação da policia, impedida de combatê-los em seus refúgios. Com o passar do tempo é que eles passaram a usá-los para enfrentar os policiais que tentavam subir os morros e em todas as áreas da cidade.

* Além das drogas, outros dois negócios eram muito lucrativos para os bandidos: a rede de tv a cabo, popularmente conhecida por “gatonet”, e a venda de gás de cozinha.

Hoje, nas comunidades pacificadas, o acesso em segurança tem permitido que prestadoras do serviço de TV por assinatura e distribuidores de gás, legalizados, atendam essa população, oferecendo esses serviços a preços acessíveis aos moradores de todas as áreas já pacificadas.

* A missão das forças de pacificação, da Policia e do Exército, é restabelecer a presença do Estado, preservando a ordem pública, e coibindo a prática de qualquer tipo de ilícito; e, principalmente, impedir a dominação e os atos de violência dos traficantes contra a população. A volta, para milhares de habitantes das comunidades pacificadas, de uma PAZ que a maioria jamais conheceu.

Afinal, foram mais de 30 anos de domínio absoluto dos traficantes, que impuseram suas próprias leis, regidas pela criminalidade e pelo terror.

* Outra grave dificuldade enfrentada pelas forças pacificadoras é que a grande maioria dos elementos que atuavam nas comunidades e aterrorizavam a população, não é fichada pela policia. Então, a população sabe quem eles são, mas como não tem registro policial, legalmente não podem ser presos.

Essa é uma missão de altíssimo risco, mas que está sendo muito bem administrada pelo Secretário de Segurança do Rio, o santa-mariense José Mariano Beltrame, com a participação das forças do Exército. 

A política de segurança adotada pelo atual Governo do Rio tem se mostrado altamente efetiva. Haja visto os resultados alcançados na redução da criminalidade em toda a Cidade Maravilhosa. Conforme o programa elaborado pelo Secretário Beltrame, essa atuação será ampliada, e deverá atingir em breve todas as comunidades faveladas.

É o resgate da cidadania para centenas de milhares de brasileiros, que por mais de três décadas estiveram desprotegidos pelo Estado – e subjugados pelo tráfico.

Daí, chego a conclusão de que  por estarem dois gaúchos participando ativamente dessa ação pacificadora, é que rolou na internet uma charge, em que o Cristo Redentor foi substituído pelo “Laçador” lá no alto do Corcovado.

Um ano repleto de futebol. E de polêmicas! – por Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 24 de janeiro de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Bruno Lima Rocha

Não faltaram polêmicas nestas poucas semanas que a Além das Quatro Linhas esteve de “folga”. A FIFA continua pressionando o Brasil, a crise do Flamengo só aumenta, as trocas de clubes continuaram a todo vapor e o futebol feminino perdeu ainda mais espaço no país. Mas também teve o anúncio oficial da aposentadoria do, agora, ex-goleiro Marcos.

Para esta primeira coluna do ano, comentemos esses mais diversos assuntos, como um aperitivo do que virá nas outras semanas de 2012!

Futebol feminino reflete situação de esportes olímpicos

Daqui a pouco mais de quatro anos o Brasil terá uma das suas cidades como sede dos Jogos Olímpicos de Verão e pouco se vê, em termos gerais, ações para que o país desenvolva a prática e o desenvolvimento dos esportes olímpicos.

O futebol feminino, tratado como amador no país, acaba sendo o exemplo mais radical. Como imaginar que a versão feminina do esporte mais acompanhado tenha tantos retrocessos em termos estruturais, mesmo vivenciando a “Era Marta”? Lembram do basquete feminino? Pois bem, caminha-se pelo mesmo calvário, como sempre, mais uma vez.

Nos últimos dias de 2011, o presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro confirmou o fim do time de futsal por falta de patrocínio – o que fez Falcão ir para o Ortolândia e reacender o desejo de outras equipes grandes de (re)montar times na quadra – e também do futebol feminino, em meio ao fim do contrato estabelecido até então.

Entre idas e vindas passageiras de Marta, na folga da temporada estadunidense, as “Sereias da Vila” tinham a base da Seleção, que podiam contar com uma estrutura digna para treinamento. Sem o time, as meninas não só terão que buscar novos clubes para atuarem – como Érica, que partiu para a Coreia do Sul – como também sofrerão com “ajudas de custo” e falta de estrutura para treinos regulares.

Vale lembrar que em 2012 será realizado o segundo torneio mais importante da categoria, as Olimpíadas, em que o time feminino bateu na trave nas duas últimas edições.

A notícia vem no momento em que o Governo federal criou, através do ministro do Esporte Aldo Rebelo, uma coordenação específica para tratar da modalidade, sob liderança da ex-jogadora Michael Jackson.

Algumas empresas já entraram em contato com a diretoria santista para a manutenção da equipe, mas até agora ninguém confirmou nada sobre o assunto. O Santos afirma que teve que fazer uma grande engenharia financeira para manter o craque Neymar e pretende cortar custos de setores que não cobrirem seus gastos.

Daqui a pouco, Neymar quebra o contrato, aparece algum mecenas para pagar a multa rescisória e o Santos fica sem o dublê de quase-craque e backing vocal de cantor “sertanojo” e sem o futsal e as meninas.

Nike entra firme no mercado brasileiro

Uma das fornecedoras de material esportivo mais conhecida na atualidade, aqui no Brasil principalmente após uma CPI que recebeu sua alcunha, a Nike tenta firmar a terceira etapa de entrada no mercado local de futebol.

Se na década de 1990 teve-se o início da parceria com a CBF, que nos seus primeiros anos contava até mesmo com o direito à escolha “aleatória” de amistosos; e na década passada, o intuito de patrocinar os dois times de maior torcida do país, Flamengo e Corinthians; é a hora de ir em direção a outros centros de futebol, tendo em vista a Copa do Mundo FIFA 2014.

A próxima leva de novos uniformes, geralmente para o início do Brasileirão, contará com alterações em quatro campeões brasileiros, sendo dois deles os mais recentes campeões da Taça Santander Libertadores. Bahia, Coritiba, Internacional e Santos passam a usar o visto do lado direito com o sonho de ampliar o reconhecimento em outras partes do mundo – no caso do Peixe, as vendas, já que Pelé, Coutinho, Pepe e cia. já o fizeram reconhecido na metade do século passado.

O caso dos gaúchos tem um interesse ainda maior, com o fortalecimento da Aliança Internacional, rede global de cooperação estabelecida em setembro de 2011, inicialmente com os mexicanos do América, os estadunidenses do Chicago Fire e os espanhóis do Atlético de Madri – todos já patrocinados pela Nike. Em dezembro, ganharam a companhia de: Al Ain Sports (Emirados Árabes Unidos), Muangthong United Football Club (Tailândia), Raja Club Athletic (Marrocos), Shanghai Shenhua (China) e Besiktas (Turquia).

Sobre a Nike, o intuito é expandir ainda mais a atuação no mercado brasileiro. Cogita-se que os próximos alvos serão Vasco e Atlético-MG.

Cobranças e mais cobranças

Nem as férias de Ricardo Teixeira da CBF ou o encontro com Romário na Suíça fez com que os representantes da FIFA diminuíssem a pressão sob o Brasil. Enquanto o secretário-geral Jérôme Valcke esteve no país na última semana para se reunir com Ronaldo, Ricardo Teixeira e o ministro do Esporte Aldo Rebelo, o presidente Joseph Blatter se rasgava em elogios à Rússia.

Valcke ficou surpreso com a popularidade de Ronaldo (!) entre os trabalhadores das obras dos estádios no Brasil. Houve até promessa do Fenômeno (também do marketing) em realizar amistosos com os operários dos estádios que ficarem prontos ainda em 2012 e, quem sabe, o repasse de ingressos para alguns deles.

Dentre as obras visitadas, Valcke ficou deslumbrado com os andamentos em Fortaleza e com preocupação maior em relação a Natal. Mas a grande coisa em seu comunicado à imprensa foi o reforço da aprovação da Lei Geral da Copa, marcando até data para a assinatura oficial da presidenta Dilma Rousseff com Blatter: março.

Para Valcke, o Brasil estaria exigindo demais “só” porque conquistou cinco títulos mundiais. Entre os assuntos mais polêmicos que envolvem a LGC, o secretário-geral da FIFA não arredou o pé da venda de cerveja nos estádios – alvo de acordo oficial da CBF com Ministério Público Federal e de lei em alguns Estados. Em tempos de problemas criminais graças ao consumo de bebida num reality show, ele disse que estaríamos nos esquecendo que “só é cerveja”.

Direto da Rússia, Blatter disse que o país estava muito mais avançado para 2018 que o Brasil para 2014, retratando-se posteriormente.

As relações entre FIFA e CBF estariam estremecidas também por conta da decisão de abrir o processo dos membros do Conselho da entidade internacional que devolveram dinheiro de suborno da ISL à Justiça Suíça. Rumores davam conta de que se esses documentos vierem à tona, Teixeira abandona o barco de vez – mesmo que para algum dos seus “amigos”. O outro envolvido no caso, João Havelange, será indicado pelo Brasil para o Prêmio Nobel da Paz…

“Eles fingem que pagam e a gente finge que joga

A famosa frase do ex-jogador Vampeta, em sua passagem pelo Flamengo no início do século, parece estar de volta à Gávea. Ronaldinho Gaúcho está bastante insatisfeito com o atraso de cinco meses de 75% do seu salário por conta da falta do contrato da Traffic com o rubro-negro carioca.

Como se não pudesse piorar, ele teria ido para o “andar errado” na preparação do clube em Londrina e levou uma mulher para a concentração. O técnico Vanderlei Luxemburgo teria pedido o seu afastamento do elenco, mas o R10 só teve uma advertência por escrito. Luxa poderia ser demitido logo após os jogos da Pré-Libertadores.

O agente do jogador, seu irmão Assis, ainda teria conversado com dirigentes do Internacional para que o dentuço voltasse a Porto Alegre – como se os gremistas já não tivessem sofrido tanto com ele no ano passado… Esse boato parece piada e de péssimo gosto!

A novela desse contrato já se arrasta há meses e nunca parece que irá se resolver. Nesta quarta-feira (25 de janeiro), o Flamengo enfrenta o Real Potosí, na altitude boliviana. Ainda não se sabe se Ronaldinho entrará em campo.

Além dele, alguns jogadores do clube já reclamaram de atrasos, entre salários e luvas, que teriam sido pagas no dia 16. No mesmo dia, o zagueiro Alex Silva não se apresentou para viajar à Bolívia por conta do problema com os salários e deverá ser negociado.

Como se a turbulência não fosse pouca, após um longo vai-e-vem, o rubro-negro ainda perdeu o meio-campo Thiago Neves para o rival Fluminense, que venceu a disputa pela compra do jogador aos árabes do Al-Hilal.

A despedida de “São Marcos”

O ano também teve a despedida de um dos grandes ídolos do futebol surgidos nas últimas décadas. O ex-goleiro Marcos anunciou a sua aposentadoria após quase duas décadas de serviços prestados ao Palmeiras – inclusive negando o Arsenal da Inglaterra para jogar a Série B – e à Seleção, onde foi destaque no último título de Copa do Mundo FIFA, em 2002.

Com a humildade e a sinceridade que o marcaram como um ídolo dentre várias torcidas do país, Marcos destacou que sempre pensou em honrar o nome da família para não aborrecer os seus pais e que a maior homenagem que poderiam fazer para ele foi ter atuado no seu clube de coração por tanto tempo.

Relações assim entre clube, torcida e imprensa em tempos de assessores para isso e para aquilo farão de Marcos eterno quando o assunto for o futebol brasileiro. Ainda diremos: “Um dia ainda existiu quem falasse para os repórteres o que todo torcedor queria dizer…”.

Voltamos!

Esta foi só uma prévia do quanto de assuntos podemos e iremos tratar na Além das Quatro Linhas ao longo de 2012. Continuaremos monitorando o andar da carruagem que nos levará à Copa do Mundo FIFA 2014, independente de promessas, e os demais assuntos que interferem diretamente no jogo, mas que ainda são pouco discutidos por quem ama o futebol, o esporte do povo que cada vez mais se distancia dele.

(Entre em contato conosco e sugira assuntos, critique nossas opiniões, enfim, ajude-nos a construir a discussão do futebol “Além das Quatro Linhas”: andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

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Pessoa Jurídica Consumidora – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

24, janeiro, 2012 Claudemir Pereira 3 comentários

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) cuidou de estabelecer normas de proteção e defesa ao consumidor. Ainda que equivocadamente tenham manifestações que afirmam estarmos diante de normas de relações de consumo, discordo, pois o cerne do CDC é oportunizar uma relação de igualdade, equilíbrio entre consumidor e fornecedor.

O art. 2º dispõe sobre o ator-consumidor contextualizado às normas consumeristas, disso restou que consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. A partir deste enunciado já podemos barrar a especulação que pessoa jurídica não possa ser consumidora, pois o legislador deixou expressa tal possibilidade.

A questão que percorre maior complexidade está em torno da temática ‘destinatário final’. Em que pese o CDC não dispor expressamente a possibilidade de aplicar suas normas aos contratos em que ambas as partes contratantes são empresários (fornecedores). A doutrina e a jurisprudência corroboram ao entendimento de que é necessária a análise do caso em concreto, podendo assim avaliar a submissão desses às normas consumeristas.

Entendo que as pessoas jurídicas possam estar sujeitas ao CDC enquanto consumidoras, a partir da avaliação de duas questões necessárias, que podem, para tanto, configurar o caso concreto, ainda que separadas: a) destinatário final, e b) vulnerabilidade.

Na primeira situação, a empresa, ainda que consumidora, ela precisa ter adquirido produto e/ou serviço que não lhe seja objeto de lucro, de venda, ou seja, é consumidora por ter encerrado a relação de consumo em si, para consumo, ou seja, atuar como destinatária final. A outra situação impõe cuidado maior ao definirmos a pessoa jurídica consumidora, pois o que irá determinar a condição de consumidor é a vulnerabilidade diante da relação contratual.

Pois bem, em regra os empresários possuem uma relação de igualdade, seja econômica, informacional ou técnica; na contramão sendo desigual a relação entre os contratantes, havendo uma relação de vulnerabilidade de um para com o outro, aplica-se o CDC à relação contratual.

Da discussão, sobreveio a pergunta: aplica-se o CDC às pessoas jurídicas adquirentes de produtos e/ou serviços ainda que utilizados, direta ou indiretamente, na atividade que exercem?

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece a possibilidade. Em caso que se debateu a temática, repasso em síntese dois julgados que abordam a lide. O primeiro, Hospital Centro Transmontano x Companhia de Saneamento Básico de São Paulo–Sabesp, o Ministro Francisco Falcão entendeu que o empreendimento (Centro Transmontado)exerce atividade de prestação de serviços, sendo certo que a água fornecida ao imóvel da empresa é utilizada para a manutenção dos serviços e do próprio funcionamento do prédio, como é o caso do imóvel particular, sendo assim consumidor.

Em outro julgado o Ministro Aldir Passarinho Junior definiu destinatário final sendo aquele que assume a condição de consumidor dos bens e serviços que adquire/utiliza, ou seja, quando o bem/serviço, mesmo que componha o estabelecimento, não integrando por meio de transformação, montagem, beneficiamento ou revenda – o produto ou serviço que venha a ser ofertado a terceiros.

O tema em pauta ainda requer atenção ao definirmos a pessoa jurídica como consumidora. O que de fato pode se perceber é que há um abrandamento na interpretação do termo destinatário final, ao passo que se admite, diante do caso em concreto, a aplicação do CDC às pessoa jurídicas (consumidoras), desde que comprovada a vulnerabilidade técnica, econômica, ou jurídica.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Adoro a Argentina, mas… – por Carlos Costabeber

Conheço pouco do interior da Argentina, mas a sua charmosa capital, Buenos Aires, é a cidade que mais gosto do curtir. Ainda mais que fica tão pertinho (uma hora e meia de avião de POA ao Aeroparque, ao lado do centro, e por apenas US$ 200 ida-e-volta).

Mas quando voltei agora em dezembro, fiquei ainda mais preocupado, se comparando com as visitas anteriores (março e agosto). Bem ao contrário do Brasil, a Argentina parece que “perdeu o rumo”. A Presidente Cristina Fernández de Kirchner, sacrificou ainda mais as já combalidas finanças do país, ao subsidiar bens de consumo, gás, transportes públicos e muito mais, só com objetivos eleitoreiros.

Além disso, a inflação real foi de uns 20/25%, só no ano passado, encarecendo o custo de vida e reduzindo tremendamente o poder aquisitivo dos assalariados.

E a inflação está afastando inclusive o turismo de compras dos brasileiros, que antes viajavam com a clara intenção de aproveitar os preços bem mais atrativos do que os nossos. Isso praticamente está no fim.

Mas ganha a eleição (foi uma “lavada”, pois assim como aqui no Brasil, lá a oposição é inexpressiva e desunida), começaram as medidas de correção de rumo, com o corte naqueles subsídios.

Sem falar na tentativa de “sufocar” a imprensa, que tenta alertar os argentinos para o que está acontecendo.

Também as intervenções no controle do CÂMBIO, deram mais uma mostra de que está instalada na Argentina uma “insegurança jurídica”, fazendo com que a população prefira guardar em casa seu dinheiro, a deixar depositado nos bancos. E mais: a fiscalização rígida do câmbio, fez renascer um “mercado negro” de dólares.

Para não me alongar, encerro citando a “guerra comercial” aberta contra o Brasil, uma vez que o nosso superávit na balança de mercadorias vem se multiplicando a cada ano.

A Presidente Cristina declarou, recentemente, que o país “não compraria nem um prego” de fora.

Assim, os exportadores brasileiros estão apavorados, pois a cada dia os argentinos impõem novas restrições aos produtos importados.

Só que, agora, entrou um componente novo nessa briga. Enquanto o Presidente Lula “fechava os olhos” para cada nova exigência dos hermanos, a Presidente Dilma “não está prá brincadeira”, e está “jogando pesado” contra essas restrições aos produtos brasileiros.

Basta ver o que está acontecendo com os veículos produzidos na Argentina, e que são exportados para cá.

Simplesmente, as guias para a internação, que eram emitidas de forma automática, agora levam no mínimo 60 dias – numa evidente retaliação comercial contra as sanções argentinas.

Claro que no, caso dos veículos, as novas regras atingem a todos os importadores. Mas quem tem sofrido mesmo são os procedentes da Argentina. Lembrando que a indústria automobilística daquele país só é viável, exportando para o Brasil – e não o oposto. Enquanto que o forte da nossa economia é o MERCADO INTERNO, o mesmo não ocorre com os argentinos.

Por fim, acredito que o que está acontecendo naquele país é o reflexo de uma série de erros históricos, e que se agravaram no período comandado pelo casal Kirchner. A cada nova decisão na área econômica e fiscal, “é um tiro que é dado no pé”, pois essa insegurança jurídica vai desestimulando os investidores, que ao invés de se sentirem incentivados passaram a se sentir ameaçados.

Já o Brasil, bem ao contrário, vive uma democracia plena, com liberdade de imprensa, economia crescendo, inflação sob controle, pleno emprego e com regras claras e bem definidas.

Mas, apesar disso tudo, a Argentina é um dos mais belos países do mundo, e que tem a capital mais charmosa das Américas.

Amo Buenos Aires! Recoleta, Puerto Madero, Palermo, Teatro Colón, Plaza San Martin, Rio da Prata; arquitetura européia, restaurantes de qualidade, parques bem cuidados, ruas arborizadas, belos museus, livrarias grandiosas, shows de tango, gente hospitaleira e culta!