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Por si só, a (in)justiça – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

7, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

A justiça tarda, mas não falha (quem já não ouviu?), em contrapartida Rui Barbosa registrou que justiça tardia é injustiça qualificada (a decidir?!). A partir de recente texto do professor Lênio Streck, eu pergunto: a que(m) a justiça serve?

Não passo aqui a questionar nenhum dos Poderes, tampouco, o quase intocável, que em dias passados tentou limitar a competência do Conselho Nacional de Justiça (perdeu o jogo!). O texto tem sim o intuito de discutir, talvez o melhor termo seja apresentar, os nuances da justiça (ou daquilo que convencionamos assim chamar).

O texto de Streck (A lei, a interdição e os limites) comenta a ‘chacina’ promovida no litoral por uma modelo no primeiro dia do ano. Armada em quatro rodas, a moça que não tinha habilitação para dirigir, matou duas pessoas e feriu gravemente uma terceira. Prisão?! Não! Eis a decisão, baseando-se em jurisprudência do STF em que “a gravidade do crime não é motivo para decretar a prisão”. Ocorre que o douto juiz não inclui a redação por completo da jurisprudência da corte suprema, pois lá, completa-se o texto anterior, está dito “a gravidade do crime, por si só, não é motivo para prisão ”.

Por si só perdeu-se no texto; por si só deixou de se fazer justiça; por si só ludibriaram a jurisprudência, quem nem disse (por si só) aquilo que passou a fundamentar. Ora, injustiça qualificada, metida à justa, aqui confio mais no justo (apertado), do que no justo (o que faz justiça). Talvez o justo da justiça, tenha se tornado suas decisões justas, estreitas à justiça. Só um juízo de valor. Só? Por si só.

Eis que outrora, o nosso professor já tenha refletido que é justamente neste contexto que estas reflexões se inserem, buscando a construção de um discurso que aborde a crítica ao papel do direito, ao discurso jurídico. Em obra mais recente, expõe trecho de acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em que o magistrado deixa descrita a sua percepção sobre a sua função, na qual o juiz é o interprete da consciência social, pois contrapõe a livre valoração moral à norma. Livre valoração? (no mínimo inquietante) Valoração moral à norma (piada!). E pode ficar pior (e fica!). Em publicação do STJ, proferiu um excelentíssimo ministro, decido de acordo com minha consciência de julgador e o meu entendimento pessoal (Opa! Rasguem os Códigos, guardemos as Leis).

Aqui, em coro ao professor Lênio: o direito não é (e não pode ser) aquilo que o intérprete quer que ele seja. Tenho receio que o espírito das leis tenham dado espaço aos homens que em togas, iluminadas em sua  consciência, por si só, façam suas as vontades dos homens. Em que pese, um direito digno é oriundo de homens dignos…por si só!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Santa Maria, a capital das festas! – por Carlos Costabeber

6, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Há poucos dias recebi um convite informal, para a festa de aniversário de um grande amigo, que se realizaria na metade do ano.

Para minha surpresa, ele acabou de ligar, dizendo que só conseguiu reservar um local grande para a sua festa de 60 anos, quando estiver comemorando os 61 anos – em maio de 2013.

Já na Superauto, temos feito as festas de final-de-ano nas belas instalações do CASUSA. Mas como “dormi no ponto”, lá não existe mais nenhuma disponibilidade de data, para qualquer 6ª feira ou sábado, entre novembro e dezembro.

Isso sem falar nas grandes festas de colação de grau! Ou os alunos se programam com quatro ou cinco anos de antecedência, ou irão ficar sem um local para a formatura. Para comprovar, conheça a agenda do Centro de Eventos do Hotel Morotin!

Portanto, Santa Maria se transformou numa enorme cidade de eventos.

É um segmento de serviços, que não conhece a palavra “crise”; bem pelo contrário!

Claro que tudo começou com as festas de formatura na UFSM, e que aos poucos foi se espalhando, com o crescimento do ensino superior na cidade.

Mas o interessante disso tudo é que os empreendedores que atuam no setor, não só descobriram um grande filão de negócios, como trataram de ampliá-lo significativamente.

Por exemplo: em dezembro recebi um convite belíssimo, com uma produção cinematográfica; certamente muito caro. Mas não era para a graduação da Medicina, e sim, para uma turma que estava concluindo o 2° grau do Colégio Santa Maria.

Assim, esse pessoal tem feito um trabalho de marketing, que se tornou um verdadeiro “case” de sucesso.

Com isso, esses empresários fizeram/fazem um processo, digamos,  de “down trading”; partindo dos cursos superiores e chegando lá em baixo. Eles conseguiram/conseguem “vender seu peixe”, da universidade até o maternal. 

Impressionante!!!!

Comentei isso com um amigo, pai de um adolescente, e ele confirmou: “olha, mal começa o ano, e a gente já tem que ir pagando uma parcela mensal, para a festa de final-de-ano da turma”. E no caso dos colégios particulares, diz ele, “não é pouca coisa”!

Mas a sacada mais genial desses empresários é que, nos casos envolvendo alunos, eles recebem o dinheiro com antecedência, não necessitando de muito capital para trabalhar, e têm uma inadimplência/risco zero.

Genial!!!

Claro que é admirável o trabalho de qualidade que esse pessoal oferece. Tomo por exemplo o Antônio, da IMAGEM, que de simples fotógrafo se tornou uma empresa de grande projeção, oferecendo uma gama cada vez maior de bons serviços.

E, além de atuarem em Santa Maria, muitos empresários locais hoje estenderam seus negócios para todo o interior, como o GUSTAVO (FOTOS), que se tornou referência nas formaturas de Pelotas/Rio Grande.

E é bem óbvia essa expansão, pois a maioria das cidades do interior não tem estrutura para eventos. Lembro do amigo Neimar, que numa promoção da RBS em Rosário do Sul, teve de levar toda a estrutura da festa aqui de Santa Maria.

Por fim, quero expressar a minha alegria em escrever esse texto, pois talvez esteja enaltecendo o trabalho de marketing mais impressionante que já se viu nessa cidade.

São esses empreendedores que fizeram/fazem de Santa Maria, a CAPITAL DAS FESTAS ! 

Parabéns, gurizada!

O futebol e o dia em que o cartola embolsou uma medalha – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

5, fevereiro, 2012 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 2 de fevereiro de 2012 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes e Bruno Lima Rocha

A metáfora da cartolagem brasileira (?)

Até pouco tempo, a cartolagem brasileira era marcada pela malandragem que nossos jogadores apresentam dentro de campo: drible de corpo e gingas suficientes para se manterem no poder e, “ninguém” sabe como, para conseguir sair com mais dinheiro do que entrou, mesmo se tratando de trabalho “para o bem dos clubes” e do futebol. Cara de pau, cinismo, vínculos nada justificáveis, mas um tom meio cafona e cantinflesco, o cartola era a alma gêmea do banqueiro do bicho e do coronel da política, isto quando a pessoa física não se mesclava entre estes três personagens, criando a síntese do “atraso”, fazendo com que os poucos críticos de nosso futebol afirmassem ser necessário um choque de capitalismo! Idos tempos…..

Será que era só malandragem? No dia 25, final da Copa São Paulo sub-18 e todas as câmeras flagram o vice-presidente da CBF para a Região Sudeste colocando uma medalha no bolso. Começou “bem” o ano para o futebol brasileiro. Como se fala na gíria dos boleiros: jogador não deve atuar fora de suas características……

Todo começo do ano é do mesmo jeito. Enquanto os grandes clubes retornam das férias, as “promessas de craque” entram em campo no maior torneio de base do país: a Copa São Paulo. Cada vez mais inchado, o torneio foi transformado em “celeiro para empresários”, com cerca de 96 clubes de quase todo o Brasil – menos Roraima que mal consegue fazer torneios profissionais, imagina amadores. Vale registrar que a copinha já foi algo de encher os olhos, sem equipes montadas às pressas por intermediários querendo vender guris mal saídos da adolescência para qualquer time que eles tenham de tirar passaporte.

No último dia 25 (de janeiro), data do aniversário da cidade de São Paulo de Piratininga, os maiores campeões da Copinha entraram em campo para a decisão. Corinthians e Fluminense protagonizaram um bom jogo, vencido pelos paulistas com dois gols de cabeça do zagueiro, de virada, por 2×1.

O “Timãozinho” fez uma campanha perfeita, vencendo os 8 jogos disputados, apesar de o próprio (agora) ex-presidente corintiano, Andrés Sánchez, ter dito que não investiu tanto na base. Em setembro, a revista Placar – que dá lampejos dos seus áureos tempos – fez matéria destrinchando a falta de investimento no setor, especialmente após as obras para o estádio do clube, no local em que a base treinava.

O goleiro corintiano Matheus deu provas da raça do clube ao ficar vários minutos machucado em campo, após choque com jogador adversário. Na hora da comemoração, ele seria o último a receber a medalha, carregado por alguém da comissão técnica, mas não havia mais medalha…

Como a medalha desapareceu?

Minutos depois, a ex-Miss Brasil e jornalista Renata Fan (ai, ai,ai….os efeitos que Fan e Cia. Fazem nas salas de aula das faculdades de comunicação são inenarráveis; pululando a cabeça das promessas de coleguinhas mais atraentes, é o efeito Fátima-Patrícia na bola), e seus comentaristas do programa da tarde na Band, mostravam onde ela sumiu. Como o futebol brasileiro não pode ficar somente dentro das quatro linhas, eis que surge (ressurge) um “personagem vilão”: José Maria Marín resolveu premiar-se e colocou uma das medalhas no bolso.

Já tínhamos visto colocar o jogo no bolso, malas pretas e brancas circulando, ameaças de roubo, mas nunca, nunca mesmo, de forma literal e real. Uma imagem captada pela TV Bandeirantes mostra quando o presidente em exercício da CBF faz isso.

A Federação Paulista de Futebol reparou o “erro” e enviou outra medalha ao goleiro corintiano Matheus. Em nota a FPF nega o roubo e diz que houve um erro na contagem das medalhas, mas não explica o porquê Marín ficar com uma das medalhas. Será que ele sofre de cleptomania?

Depois ele explicou que a FPF teria dado uma das medalhas de campeão e ele teria pegado naquela hora para não causa estranheza (?!). Já vimos medalhas para árbitros em finais de torneios importantes, mas para dirigentes? Por que o presidente da Federação não pegou a sua então? E, se a competição dos cartolas for outra, como por exemplo, índices de escândalos com projeção internacional, o Brasil seria sempre campeão do mundo!

Quem é José María Marín?

José María Marín é formado em direito (e pela USP!), foi deputado estadual e vereador, além de governador do estado de São Paulo por dez meses na década 80, substituindo Paulo Salim Maluf. Ambos eram (e são arenistas de carteirinha, típicos representantes da de São Paulo, reproduzindo a mentalidade do vale tudo político-empresarial) que saíra do Palácio dos Bandeirantes para concorrer ao nobre cargo de deputado federal pelo PDS (nome dado para a Arena após a reorganização partidária promovida por Golbery na Casa Civil de Figueiredo). Por ironia da história – e tristeza do povo brasileiro – Maluf segue deputado e Marín ocupa cargo relevante na cartolagem brasileira.

Antes, José María fora jogador de futebol do São Paulo, na década de 1950, clube que viria presidir décadas depois. Após o fim da ditadura militar, sua carreira política foi perdendo espaço, candidatou-se ao senado pelo PFL em 1986, mas conseguiu apenas o quarto lugar. Atualmente é filiado ao PTB (partido base do governo, assim como um terço da Arena histórica, hoje PP, e outro terço em cima do muro, o PSD).

Como a carreira política não ia bem, Marín resolveu investir na política esportiva. Presidiu a Federação Paulista nos anos 80 e foi chefe da delegação que disputou a Copa do Mundo de 1986, no México – a mesma que Octávio Pinto Magalhães admitiu ter pagado dirigentes e até suas esposas para assistirem. Naquela Copa, o país do gigante adormecido apresenta ao universo um personagem “amigo” de Marin, Nabi Abi Chedid (este último teve a proeza de ser deputado estadual pela legenda de Plínio Salgado – PRP -, passando após para a Arena, sempre a Arena). Marin tem estirpe, e é essa que estamos narrando….

Marín ressuscita, se reorienta, aproximando-se do clã Havelange-Teixeira. O cartola de 79 anos substituiu recentemente Ricardo Teixeira na presidência da CBF, quando este resolveu tirar uma licença do cargo por 45 dias, após um ano de 2011 bem movimentado, com várias ameaças e boatos até de sua retirada em definitivo do cargo.

Como se pode perceber pelo seu recente substituto, parece que precisamos ainda mais para mudar o futebol brasileiro, não bastando que Teixeira saia do cargo que ocupa – afinal, alguém acredita que o tirarão? – há mais de 22 anos.

 (Entre em contato com a coluna e ajude-nos a desvendar os bastidores e as estruturas de poder do futebol profissional e dos manda-chuvas do Brasil Olímpico que não tem esporte de base. Escreva, colabore, critique, sugira, participe através dos e-mails andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

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A (des)construção da política – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

31, janeiro, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

As minhas leituras têm se encontrado cada vez mais às linhas do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que entre seus escritos defende que o maior desafio dos pensadores e políticos contemporâneos é recuperar a dimensão comunitária do espaço público, como forma de aprender a arte de uma coexistência segura, pacífica e amigável. Disso, nas ultimas semanas, três foram as obras do autor que instigaram meus pensamentos – Em busca da política – Confiança e medo na cidade – Legisladores e intérpretes.

Lá está escrito que em tempos passados nas leis trazidas por Moisés ao povo de Israel ecoavam os trovões no alto do Monte Sinai, mas as leis manifestavam clara e abertamente o que os trovões apenas insinuavam. Eis, então, qual o papel dos intelectuais no mundo moderno? Bauman responde que a intelectualidade se formou ao mesmo tempo do Estado absolutista, quando lhe foi atribuído o papel universal de progresso da razão e da humanidade.

Na era que se convencionou chamar de pós-modernidade, a estratégia da atividade intelectual é caracterizada pelo trabalho de intérprete. O intelectual pós-moderno pretende facilitar a comunicação entre o Estado e o cidadão.

Em busca da política, toda opção implica em escolher uma coisa dentre outras e raramente o conjunto de coisas a escolher depende daquele que escolhe. O que é decorrente das instituições políticas vigentes que vivem hoje um processo de abandono ou diminuição de seu papel de criadoras. Marca-se, assim, a tendência crescente da separação entre poder e política.

Reafirma-se aqui a ausência de um agente efetivo o bastante para legitimar, promover, instalar e servir a qualquer conjunto de valores ou qualquer agenda de opções consistente e coerente. Bauman defende que o princípio do consumo, estimula a busca de satisfação, e seguindo o princípio da sociedade de consumo, induz os indivíduos a ver o despertar dos desejos que clamam por satisfação como a regra diretriz da vida.

Transformou-se o indivíduo de cidadão político em consumidor de mercado. Instrumentaliza-se a manutenção dos padrões e a administração de tensões. Passamos dos tempos heróicos dos líderes espirituais para uma época de exemplos pessoais.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Nossos homens no Rio – por Carlos Costabeber

Há poucos dias recebi a honrosa visita de um velho amigo, o General Adriano, que hoje é o Comandante Militar do Leste, e responsável pelas forças do Exército que estão em missão pacificadora nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Esse breve período de reencontro culminou com um churrasco no domingo, 15, com a presença do Prefeito Schirmer. E, nessa oportunidade, deu para saber um pouco mais sobre um assunto que, para a absoluta maioria dos brasileiros, é totalmente desconhecido: a vida nas favelas cariocas, antes e depois da ocupação pela policia e pelos militares.

Além do que o general já declarou em entrevista exclusiva ao Diário de Santa Maria, me arrisco a complementar com algumas informações interessantes:

* O início do processo de dominação dos morros pelos traficantes se deu nos anos 80, quando, com uma política equivocada, o Governo proibiu a policia de atuar nessas áreas.

* O armamento desses bandos teve como motivo a guerra entre as quadrilhas, para aumentar seus domínios; e não a atuação da policia, impedida de combatê-los em seus refúgios. Com o passar do tempo é que eles passaram a usá-los para enfrentar os policiais que tentavam subir os morros e em todas as áreas da cidade.

* Além das drogas, outros dois negócios eram muito lucrativos para os bandidos: a rede de tv a cabo, popularmente conhecida por “gatonet”, e a venda de gás de cozinha.

Hoje, nas comunidades pacificadas, o acesso em segurança tem permitido que prestadoras do serviço de TV por assinatura e distribuidores de gás, legalizados, atendam essa população, oferecendo esses serviços a preços acessíveis aos moradores de todas as áreas já pacificadas.

* A missão das forças de pacificação, da Policia e do Exército, é restabelecer a presença do Estado, preservando a ordem pública, e coibindo a prática de qualquer tipo de ilícito; e, principalmente, impedir a dominação e os atos de violência dos traficantes contra a população. A volta, para milhares de habitantes das comunidades pacificadas, de uma PAZ que a maioria jamais conheceu.

Afinal, foram mais de 30 anos de domínio absoluto dos traficantes, que impuseram suas próprias leis, regidas pela criminalidade e pelo terror.

* Outra grave dificuldade enfrentada pelas forças pacificadoras é que a grande maioria dos elementos que atuavam nas comunidades e aterrorizavam a população, não é fichada pela policia. Então, a população sabe quem eles são, mas como não tem registro policial, legalmente não podem ser presos.

Essa é uma missão de altíssimo risco, mas que está sendo muito bem administrada pelo Secretário de Segurança do Rio, o santa-mariense José Mariano Beltrame, com a participação das forças do Exército. 

A política de segurança adotada pelo atual Governo do Rio tem se mostrado altamente efetiva. Haja visto os resultados alcançados na redução da criminalidade em toda a Cidade Maravilhosa. Conforme o programa elaborado pelo Secretário Beltrame, essa atuação será ampliada, e deverá atingir em breve todas as comunidades faveladas.

É o resgate da cidadania para centenas de milhares de brasileiros, que por mais de três décadas estiveram desprotegidos pelo Estado – e subjugados pelo tráfico.

Daí, chego a conclusão de que  por estarem dois gaúchos participando ativamente dessa ação pacificadora, é que rolou na internet uma charge, em que o Cristo Redentor foi substituído pelo “Laçador” lá no alto do Corcovado.

Um ano repleto de futebol. E de polêmicas! – por Anderson Santos e Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 24 de janeiro de 2012 - por Anderson Santos (editor) e Bruno Lima Rocha

Não faltaram polêmicas nestas poucas semanas que a Além das Quatro Linhas esteve de “folga”. A FIFA continua pressionando o Brasil, a crise do Flamengo só aumenta, as trocas de clubes continuaram a todo vapor e o futebol feminino perdeu ainda mais espaço no país. Mas também teve o anúncio oficial da aposentadoria do, agora, ex-goleiro Marcos.

Para esta primeira coluna do ano, comentemos esses mais diversos assuntos, como um aperitivo do que virá nas outras semanas de 2012!

Futebol feminino reflete situação de esportes olímpicos

Daqui a pouco mais de quatro anos o Brasil terá uma das suas cidades como sede dos Jogos Olímpicos de Verão e pouco se vê, em termos gerais, ações para que o país desenvolva a prática e o desenvolvimento dos esportes olímpicos.

O futebol feminino, tratado como amador no país, acaba sendo o exemplo mais radical. Como imaginar que a versão feminina do esporte mais acompanhado tenha tantos retrocessos em termos estruturais, mesmo vivenciando a “Era Marta”? Lembram do basquete feminino? Pois bem, caminha-se pelo mesmo calvário, como sempre, mais uma vez.

Nos últimos dias de 2011, o presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro confirmou o fim do time de futsal por falta de patrocínio – o que fez Falcão ir para o Ortolândia e reacender o desejo de outras equipes grandes de (re)montar times na quadra – e também do futebol feminino, em meio ao fim do contrato estabelecido até então.

Entre idas e vindas passageiras de Marta, na folga da temporada estadunidense, as “Sereias da Vila” tinham a base da Seleção, que podiam contar com uma estrutura digna para treinamento. Sem o time, as meninas não só terão que buscar novos clubes para atuarem – como Érica, que partiu para a Coreia do Sul – como também sofrerão com “ajudas de custo” e falta de estrutura para treinos regulares.

Vale lembrar que em 2012 será realizado o segundo torneio mais importante da categoria, as Olimpíadas, em que o time feminino bateu na trave nas duas últimas edições.

A notícia vem no momento em que o Governo federal criou, através do ministro do Esporte Aldo Rebelo, uma coordenação específica para tratar da modalidade, sob liderança da ex-jogadora Michael Jackson.

Algumas empresas já entraram em contato com a diretoria santista para a manutenção da equipe, mas até agora ninguém confirmou nada sobre o assunto. O Santos afirma que teve que fazer uma grande engenharia financeira para manter o craque Neymar e pretende cortar custos de setores que não cobrirem seus gastos.

Daqui a pouco, Neymar quebra o contrato, aparece algum mecenas para pagar a multa rescisória e o Santos fica sem o dublê de quase-craque e backing vocal de cantor “sertanojo” e sem o futsal e as meninas.

Nike entra firme no mercado brasileiro

Uma das fornecedoras de material esportivo mais conhecida na atualidade, aqui no Brasil principalmente após uma CPI que recebeu sua alcunha, a Nike tenta firmar a terceira etapa de entrada no mercado local de futebol.

Se na década de 1990 teve-se o início da parceria com a CBF, que nos seus primeiros anos contava até mesmo com o direito à escolha “aleatória” de amistosos; e na década passada, o intuito de patrocinar os dois times de maior torcida do país, Flamengo e Corinthians; é a hora de ir em direção a outros centros de futebol, tendo em vista a Copa do Mundo FIFA 2014.

A próxima leva de novos uniformes, geralmente para o início do Brasileirão, contará com alterações em quatro campeões brasileiros, sendo dois deles os mais recentes campeões da Taça Santander Libertadores. Bahia, Coritiba, Internacional e Santos passam a usar o visto do lado direito com o sonho de ampliar o reconhecimento em outras partes do mundo – no caso do Peixe, as vendas, já que Pelé, Coutinho, Pepe e cia. já o fizeram reconhecido na metade do século passado.

O caso dos gaúchos tem um interesse ainda maior, com o fortalecimento da Aliança Internacional, rede global de cooperação estabelecida em setembro de 2011, inicialmente com os mexicanos do América, os estadunidenses do Chicago Fire e os espanhóis do Atlético de Madri – todos já patrocinados pela Nike. Em dezembro, ganharam a companhia de: Al Ain Sports (Emirados Árabes Unidos), Muangthong United Football Club (Tailândia), Raja Club Athletic (Marrocos), Shanghai Shenhua (China) e Besiktas (Turquia).

Sobre a Nike, o intuito é expandir ainda mais a atuação no mercado brasileiro. Cogita-se que os próximos alvos serão Vasco e Atlético-MG.

Cobranças e mais cobranças

Nem as férias de Ricardo Teixeira da CBF ou o encontro com Romário na Suíça fez com que os representantes da FIFA diminuíssem a pressão sob o Brasil. Enquanto o secretário-geral Jérôme Valcke esteve no país na última semana para se reunir com Ronaldo, Ricardo Teixeira e o ministro do Esporte Aldo Rebelo, o presidente Joseph Blatter se rasgava em elogios à Rússia.

Valcke ficou surpreso com a popularidade de Ronaldo (!) entre os trabalhadores das obras dos estádios no Brasil. Houve até promessa do Fenômeno (também do marketing) em realizar amistosos com os operários dos estádios que ficarem prontos ainda em 2012 e, quem sabe, o repasse de ingressos para alguns deles.

Dentre as obras visitadas, Valcke ficou deslumbrado com os andamentos em Fortaleza e com preocupação maior em relação a Natal. Mas a grande coisa em seu comunicado à imprensa foi o reforço da aprovação da Lei Geral da Copa, marcando até data para a assinatura oficial da presidenta Dilma Rousseff com Blatter: março.

Para Valcke, o Brasil estaria exigindo demais “só” porque conquistou cinco títulos mundiais. Entre os assuntos mais polêmicos que envolvem a LGC, o secretário-geral da FIFA não arredou o pé da venda de cerveja nos estádios – alvo de acordo oficial da CBF com Ministério Público Federal e de lei em alguns Estados. Em tempos de problemas criminais graças ao consumo de bebida num reality show, ele disse que estaríamos nos esquecendo que “só é cerveja”.

Direto da Rússia, Blatter disse que o país estava muito mais avançado para 2018 que o Brasil para 2014, retratando-se posteriormente.

As relações entre FIFA e CBF estariam estremecidas também por conta da decisão de abrir o processo dos membros do Conselho da entidade internacional que devolveram dinheiro de suborno da ISL à Justiça Suíça. Rumores davam conta de que se esses documentos vierem à tona, Teixeira abandona o barco de vez – mesmo que para algum dos seus “amigos”. O outro envolvido no caso, João Havelange, será indicado pelo Brasil para o Prêmio Nobel da Paz…

“Eles fingem que pagam e a gente finge que joga

A famosa frase do ex-jogador Vampeta, em sua passagem pelo Flamengo no início do século, parece estar de volta à Gávea. Ronaldinho Gaúcho está bastante insatisfeito com o atraso de cinco meses de 75% do seu salário por conta da falta do contrato da Traffic com o rubro-negro carioca.

Como se não pudesse piorar, ele teria ido para o “andar errado” na preparação do clube em Londrina e levou uma mulher para a concentração. O técnico Vanderlei Luxemburgo teria pedido o seu afastamento do elenco, mas o R10 só teve uma advertência por escrito. Luxa poderia ser demitido logo após os jogos da Pré-Libertadores.

O agente do jogador, seu irmão Assis, ainda teria conversado com dirigentes do Internacional para que o dentuço voltasse a Porto Alegre – como se os gremistas já não tivessem sofrido tanto com ele no ano passado… Esse boato parece piada e de péssimo gosto!

A novela desse contrato já se arrasta há meses e nunca parece que irá se resolver. Nesta quarta-feira (25 de janeiro), o Flamengo enfrenta o Real Potosí, na altitude boliviana. Ainda não se sabe se Ronaldinho entrará em campo.

Além dele, alguns jogadores do clube já reclamaram de atrasos, entre salários e luvas, que teriam sido pagas no dia 16. No mesmo dia, o zagueiro Alex Silva não se apresentou para viajar à Bolívia por conta do problema com os salários e deverá ser negociado.

Como se a turbulência não fosse pouca, após um longo vai-e-vem, o rubro-negro ainda perdeu o meio-campo Thiago Neves para o rival Fluminense, que venceu a disputa pela compra do jogador aos árabes do Al-Hilal.

A despedida de “São Marcos”

O ano também teve a despedida de um dos grandes ídolos do futebol surgidos nas últimas décadas. O ex-goleiro Marcos anunciou a sua aposentadoria após quase duas décadas de serviços prestados ao Palmeiras – inclusive negando o Arsenal da Inglaterra para jogar a Série B – e à Seleção, onde foi destaque no último título de Copa do Mundo FIFA, em 2002.

Com a humildade e a sinceridade que o marcaram como um ídolo dentre várias torcidas do país, Marcos destacou que sempre pensou em honrar o nome da família para não aborrecer os seus pais e que a maior homenagem que poderiam fazer para ele foi ter atuado no seu clube de coração por tanto tempo.

Relações assim entre clube, torcida e imprensa em tempos de assessores para isso e para aquilo farão de Marcos eterno quando o assunto for o futebol brasileiro. Ainda diremos: “Um dia ainda existiu quem falasse para os repórteres o que todo torcedor queria dizer…”.

Voltamos!

Esta foi só uma prévia do quanto de assuntos podemos e iremos tratar na Além das Quatro Linhas ao longo de 2012. Continuaremos monitorando o andar da carruagem que nos levará à Copa do Mundo FIFA 2014, independente de promessas, e os demais assuntos que interferem diretamente no jogo, mas que ainda são pouco discutidos por quem ama o futebol, o esporte do povo que cada vez mais se distancia dele.

(Entre em contato conosco e sugira assuntos, critique nossas opiniões, enfim, ajude-nos a construir a discussão do futebol “Além das Quatro Linhas”: andderson.santos@gmail.com e dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com)

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com) & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

Pessoa Jurídica Consumidora – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

24, janeiro, 2012 Claudemir Pereira 3 comentários

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) cuidou de estabelecer normas de proteção e defesa ao consumidor. Ainda que equivocadamente tenham manifestações que afirmam estarmos diante de normas de relações de consumo, discordo, pois o cerne do CDC é oportunizar uma relação de igualdade, equilíbrio entre consumidor e fornecedor.

O art. 2º dispõe sobre o ator-consumidor contextualizado às normas consumeristas, disso restou que consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. A partir deste enunciado já podemos barrar a especulação que pessoa jurídica não possa ser consumidora, pois o legislador deixou expressa tal possibilidade.

A questão que percorre maior complexidade está em torno da temática ‘destinatário final’. Em que pese o CDC não dispor expressamente a possibilidade de aplicar suas normas aos contratos em que ambas as partes contratantes são empresários (fornecedores). A doutrina e a jurisprudência corroboram ao entendimento de que é necessária a análise do caso em concreto, podendo assim avaliar a submissão desses às normas consumeristas.

Entendo que as pessoas jurídicas possam estar sujeitas ao CDC enquanto consumidoras, a partir da avaliação de duas questões necessárias, que podem, para tanto, configurar o caso concreto, ainda que separadas: a) destinatário final, e b) vulnerabilidade.

Na primeira situação, a empresa, ainda que consumidora, ela precisa ter adquirido produto e/ou serviço que não lhe seja objeto de lucro, de venda, ou seja, é consumidora por ter encerrado a relação de consumo em si, para consumo, ou seja, atuar como destinatária final. A outra situação impõe cuidado maior ao definirmos a pessoa jurídica consumidora, pois o que irá determinar a condição de consumidor é a vulnerabilidade diante da relação contratual.

Pois bem, em regra os empresários possuem uma relação de igualdade, seja econômica, informacional ou técnica; na contramão sendo desigual a relação entre os contratantes, havendo uma relação de vulnerabilidade de um para com o outro, aplica-se o CDC à relação contratual.

Da discussão, sobreveio a pergunta: aplica-se o CDC às pessoas jurídicas adquirentes de produtos e/ou serviços ainda que utilizados, direta ou indiretamente, na atividade que exercem?

A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece a possibilidade. Em caso que se debateu a temática, repasso em síntese dois julgados que abordam a lide. O primeiro, Hospital Centro Transmontano x Companhia de Saneamento Básico de São Paulo–Sabesp, o Ministro Francisco Falcão entendeu que o empreendimento (Centro Transmontado)exerce atividade de prestação de serviços, sendo certo que a água fornecida ao imóvel da empresa é utilizada para a manutenção dos serviços e do próprio funcionamento do prédio, como é o caso do imóvel particular, sendo assim consumidor.

Em outro julgado o Ministro Aldir Passarinho Junior definiu destinatário final sendo aquele que assume a condição de consumidor dos bens e serviços que adquire/utiliza, ou seja, quando o bem/serviço, mesmo que componha o estabelecimento, não integrando por meio de transformação, montagem, beneficiamento ou revenda – o produto ou serviço que venha a ser ofertado a terceiros.

O tema em pauta ainda requer atenção ao definirmos a pessoa jurídica como consumidora. O que de fato pode se perceber é que há um abrandamento na interpretação do termo destinatário final, ao passo que se admite, diante do caso em concreto, a aplicação do CDC às pessoa jurídicas (consumidoras), desde que comprovada a vulnerabilidade técnica, econômica, ou jurídica.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Adoro a Argentina, mas… – por Carlos Costabeber

Conheço pouco do interior da Argentina, mas a sua charmosa capital, Buenos Aires, é a cidade que mais gosto do curtir. Ainda mais que fica tão pertinho (uma hora e meia de avião de POA ao Aeroparque, ao lado do centro, e por apenas US$ 200 ida-e-volta).

Mas quando voltei agora em dezembro, fiquei ainda mais preocupado, se comparando com as visitas anteriores (março e agosto). Bem ao contrário do Brasil, a Argentina parece que “perdeu o rumo”. A Presidente Cristina Fernández de Kirchner, sacrificou ainda mais as já combalidas finanças do país, ao subsidiar bens de consumo, gás, transportes públicos e muito mais, só com objetivos eleitoreiros.

Além disso, a inflação real foi de uns 20/25%, só no ano passado, encarecendo o custo de vida e reduzindo tremendamente o poder aquisitivo dos assalariados.

E a inflação está afastando inclusive o turismo de compras dos brasileiros, que antes viajavam com a clara intenção de aproveitar os preços bem mais atrativos do que os nossos. Isso praticamente está no fim.

Mas ganha a eleição (foi uma “lavada”, pois assim como aqui no Brasil, lá a oposição é inexpressiva e desunida), começaram as medidas de correção de rumo, com o corte naqueles subsídios.

Sem falar na tentativa de “sufocar” a imprensa, que tenta alertar os argentinos para o que está acontecendo.

Também as intervenções no controle do CÂMBIO, deram mais uma mostra de que está instalada na Argentina uma “insegurança jurídica”, fazendo com que a população prefira guardar em casa seu dinheiro, a deixar depositado nos bancos. E mais: a fiscalização rígida do câmbio, fez renascer um “mercado negro” de dólares.

Para não me alongar, encerro citando a “guerra comercial” aberta contra o Brasil, uma vez que o nosso superávit na balança de mercadorias vem se multiplicando a cada ano.

A Presidente Cristina declarou, recentemente, que o país “não compraria nem um prego” de fora.

Assim, os exportadores brasileiros estão apavorados, pois a cada dia os argentinos impõem novas restrições aos produtos importados.

Só que, agora, entrou um componente novo nessa briga. Enquanto o Presidente Lula “fechava os olhos” para cada nova exigência dos hermanos, a Presidente Dilma “não está prá brincadeira”, e está “jogando pesado” contra essas restrições aos produtos brasileiros.

Basta ver o que está acontecendo com os veículos produzidos na Argentina, e que são exportados para cá.

Simplesmente, as guias para a internação, que eram emitidas de forma automática, agora levam no mínimo 60 dias – numa evidente retaliação comercial contra as sanções argentinas.

Claro que no, caso dos veículos, as novas regras atingem a todos os importadores. Mas quem tem sofrido mesmo são os procedentes da Argentina. Lembrando que a indústria automobilística daquele país só é viável, exportando para o Brasil – e não o oposto. Enquanto que o forte da nossa economia é o MERCADO INTERNO, o mesmo não ocorre com os argentinos.

Por fim, acredito que o que está acontecendo naquele país é o reflexo de uma série de erros históricos, e que se agravaram no período comandado pelo casal Kirchner. A cada nova decisão na área econômica e fiscal, “é um tiro que é dado no pé”, pois essa insegurança jurídica vai desestimulando os investidores, que ao invés de se sentirem incentivados passaram a se sentir ameaçados.

Já o Brasil, bem ao contrário, vive uma democracia plena, com liberdade de imprensa, economia crescendo, inflação sob controle, pleno emprego e com regras claras e bem definidas.

Mas, apesar disso tudo, a Argentina é um dos mais belos países do mundo, e que tem a capital mais charmosa das Américas.

Amo Buenos Aires! Recoleta, Puerto Madero, Palermo, Teatro Colón, Plaza San Martin, Rio da Prata; arquitetura européia, restaurantes de qualidade, parques bem cuidados, ruas arborizadas, belos museus, livrarias grandiosas, shows de tango, gente hospitaleira e culta!

Consumidor em Planos de Saúde – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

O primeiro dia do ano trouxe novas regras aos Planos de Saúde, atualizando procedimentos a partir da Resolução Normativa nº 262, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em regra, restou a determinação de que as administradoras de Planos de Saúde devem atender aproximadamente 60 novos procedimentos, aos contratos com data posterior a janeiro de 1999. Em que pese, apresenta-se uma nova listagem (mínima) de consultas, cirurgias e exames que um plano de saúde deve oferecer.

O art. 6º, do Código de Defesa do Consumidor, trouxe-nos os direitos básicos, dos quais podemos falar em obrigação do consumidor receber informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços; bem como na proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de serviços.

Por certo, buscar serviços médicos, laboratoriais e demais procedimentos ligados à saúde, difere-se dos serviços que adquirimos em regra. Tratando-se de saúde, não estamos diante de um simples consumo, trata-se aqui, em substancial, de uma situação que no mínimo requer maior atenção e cuidado.

Segundo a ANS, dos 190 milhões de brasileiros, aproximadamente 40 milhões ou 44% do total têm seguro médico privado. Destes, o número de brasileiros que dispõem de planos individuais ou familiares gira em torno de 8,4 milhões. O restante refere-se aos planos coletivos e empresariais.

Das alterações, cabe a ressalva de que o alcance da nova regra é limitado, uma vez que ela não beneficiará os 12 milhões de consumidores que estabeleceram contratos com operadoras antes de 1999.

Ainda que pertinente as alterações propostas pela ANS, o cumprimento das mesmas ainda é restrito. Os planos de saúde desconhecem a prestação de serviço dos médicos e laboratórios, que por vezes fica muito aquém do que fora contratado. Negativa de agendamento de consultas, ausência de cobertura, reajustes abusivos, descumprimento do contrato e a portabilidade dos Planos têm sido as principais reclamações.

Em publicação do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, 44,69% das reclamações de Planos de Saúde não são atendidas, o que evidencia o desrespeito com o consumidor. Delimitando-se à Região Sul, temos o índice absurdo de 74,48% das reclamações formalizadas pelos consumidores deixam de ser atendidas pelos prestadores do serviço de saúde (planos).  

As medidas ainda são escassas, desconfio que haja vontade em organizar os Planos de Saúde Privado, que, por ora, em matéria de respeito ao consumidor limitam-se tão somente ao campo dos planos, não de saúde, mas apenas planos…Enquanto isso, o consumidor adoece.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

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@vitorhugoaf

Um conto – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

10, janeiro, 2012 Claudemir Pereira 1 comentário

Vamos para Índia, na cidade de Porbandar, em Guzerate, fronteira com o Paquistão. Nos anos de 1860, existia um político. Karamchand era seu nome. Um dewan (ministro chefe), que estava disposto a conquistar o mundo, marcar uma época, libertar a Índia da Inglaterra, ecoando suas ideias para o resto do mundo.

Casou-se pela quarta vez com Putliba, uma mulher religiosa, devota de Vaisnava, que certo dia, chegou cantando o mantra supremo, Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare. Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare e contou que estava grávida.

Karamchand não gostou da notícia e disse a ela que essa criança seria um problema em sua carreira, pois estava destinado a marcar a história da Índia, e avisou que em breve iria arranjar o casamento de seu filho, para tão logo seguir seu destino.

Nasceu então um menino, passados 13 anos, Karamchand fez o casamento arranjado, conforme os costumes hindus. Disse então para seu filho seguir o seu caminho e nunca mais lembrar que tinha pai, e que ele faria o mesmo em relação ao filho.

E aqui inicia um belo conto que não é de fadas, mas sim de um simples descendente de Brahmanes, que com o apoio da mãe, desafiou os regulamentos de sua casta, que proibia a viagem para a Inglaterra, e foi cursar Direito naquele país.

Diferente de Códigos e Leis manuseava as leituras do Bhagayad-Gita, escritura Hindu, juntamente com o Evangelho e o Sermão da Montanha. Afirmava a simplicidade como o valor principal, agregando-se à crença hindu de Satya (verdade) e da Ahimsa (não-violência).

Sua mãe morreu. E neste período recebeu convite de uma empresa Hindu para ir à África do Sul, em Kwa Zulu, defender um cliente em um processo judicial.

Na África do Sul, onde o racismo era notório, aguçado ainda mais pela sua consciência social, fez sua defesa em uma causa que era extremamente difícil, e com isso, obteve uma grande projeção.

Neste período, surge uma lei na África, privando os hindus de votar. Alguns amigos, já adeptos aos seus pensamentos, insistiram para que defendesse a causa dos seus direitos. Então fundou em KwaZulu-Natal o Congresso Hindu. Iniciava a estratégia política, jejuar por dias e dias. 

O menino diferente de Porbandar confeccionava suas próprias roupas, também passava um dia da semana em silêncio. Abster-se de falar, segundo acreditava, trazia-lhe paz interior.

Um novo modo de vida é construído pelo filho do político Karamchand. Mas onde está Karamchand? É certo que não conseguiu méritos políticos…morreu sem  fazer história, e no caminho alguém lhe superou. Uma grande alma, assim denominada Mahatma Gandhi, o maior legado da Índia. Suas palavras são sábias, e em se falando de paz, registrou: “Não existe um caminho para Paz! A Paz é o caminho!”.

E na lápide do Sr. Karamchand está gravado: KARAMCHAND – Foi o pai do maior pacifista que a Índia já teve: MAHATMA GANDHI.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Apagão no emprego (Santa Maria e Brasil) – por Carlos Costabeber

Uma empreiteira que trabalha na construção de uma plataforma da Petrobrás em Rio Grande está trazendo do Japão, 200 operários soldadores.

Que coisa incrível de acreditar ! 

É tamanha a falta de mão-de-obra qualificada no Brasil, que o país vive um verdadeiro APAGÃO. O forte crescimento da nossa economia está gerando uma quantidade de oportunidades de emprego como jamais visto.

Por outro lado, por uma absurda miopia governamental, muito pouco se investiu e se investe na formação profissionalizante.

Quase todo o nosso ensino de 2° grau é convencional, teórico;  em detrimento da formação técnica, prática.

Agora o Brasil está pagando muito caro, pois não é de uma hora para outra que se consegue suprir uma carência dessa dimensão.

Li ontem, por exemplo, que só o segmento de telecomunicações tem um deficit de 15.000 profissionais.

E o mais impressionante está acontecendo com a construção civil. Pela primeira vez na história, os salários pagos pelas construtoras superam os da indústria como um todo. E a prova está nos canteiros de obras: os operários não vêm mais de ônibus; a maioria vem de carro próprio.

Outra: uma grande empresa de Santa Maria que atua na área de prestação de serviços em todo o Estado, está deixando de fechar contratos com órgãos públicos, por falta de mão-de-obra.

E essa situação se repete em todo o Brasil.

Mas por outro lado, “essa crise” de falta de pessoal, deve servir de alerta para as nossas empresas.

SÃO RARAS AQUELAS QUE TÊM UMA POLITICA MODERNA DE RECURSOS HUMANOS. Ainda convivemos com uma ALTA ROTATIVIDADE DE PESSOAL, ainda oferecemos SALÁRIOS BAIXOS, não investimos muito TREINAMENTO, não temos uma política de FIXAÇÃO DE EMPREGO.

Considero crítica a gestão de pessoas. E falo de cadeira, porque por 10 anos administrei todo o treinamento oferecido pela ABRADIF para toda a rede de distribuidores Ford desse país.

Poderia ter escrito um livro com todas as barbaridades que já encontrei no nosso meio. E isso  que muitos colegas sempre vem com essa máxima: “O nosso maior patrimônio são as pessoas”. É só da boca pra fora !

Que sirva, pois, de lição essa carência de profissionais. Os empresários já começaram a se dar conta de que têm de ter outra atitude, outra visão, com relação aos seus recursos humanos.

Por isso, desde 1999, adotei uma nova filosofia (até por uma questão de sobrevivência): O CLIENTE EM SEGUNDO LUGAR !.

Por que: se eu cuidar bem dos meus funcionários, eles cuidarão muito bem dos meus clientes.

Por fim: algumas idéias já começaram a acontecer, e é bem possível que em breve possa dar a todos boas noticias nessa questão.

O presente de 2012 – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

10, 9, 8,7, 6, 5, 4, 3, 2…dois mil e doze. Da contagem regressiva findou-se o ano, ceifamos os doze meses do já passado 2011. Restam-nos os presentes do novo ano, e já dito por Drummond, para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Pois bem, passamos meses assoberbados, na correria do ano, nem velho, nem novo, simplesmente o ano. E lá nos entremeios dos meses está ele, o ano, não tem esta tamanha importância que atribuímos aos últimos dias do ano velho, em prelúdio ao ano que se anuncia.

Neste clima de renovação, estamos ainda sob o efeito da espera de um novo presente. Irônico que possamos depositar expectativas em uma virada de ano. Ora, um dia como outro, não? Em certa forma sim, mas um dia, ou melhor, uma noite eivada de esperas, esperanças.   

De repente, em um instante, os fogos anunciam que o ano novo está presente e o velho ficou para trás, descartado. Ficamos na espera de felicidades, alegrias, conquistas, saúde, paz… São desejos, são presentes que aguardamos do ano que se inicia.

Apropriando-me dos galanteios poéticos de Drummond, desejo a você: fruto do mato, namoro no portão, domingo sem chuva, segunda sem mau humor, sábado com seu amor, chope com amigos, viver sem inimigos, filme antigo na TV, ter uma pessoa especial…E que ela goste de você. Ouvir uma palavra amável, ter uma surpresa agradável, noite de lua cheia, rever uma velha amizade, rir como criança, formar um par ideal, tomar banho de cachoeira, pegar um bronzeado legal, aprender um nova canção, queijo com goiabada, uma festa, um violão, uma (antiga) seresta, ter um ombro sempre amigo, bater palmas de alegria, uma tarde amena, calçar um chinelo velho (…)

E quem sabe, em resposta, no Ano Novo de Quintana fica o recado de que no alto, lá bem ao alto do décimo segundo andar, do ano passado, vive uma chamada Esperança; E ela pensa que quando todas as buzinas, todos os tambores, todos os reco-recos tocarem: Ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança. E em torno dela indagará o povo: – Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo) Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam: – O meu nome é ESPERANÇA, eis o presente de 2012!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com                                    

@vitorhugoaf

Forecasting – A Dificuldade de Prever! – por Carlos Costabeber

O conceito denominado FORECASTING serve para designar o conjunto de estudos, avaliações e pesquisas, no intuito de formar uma previsão futura.

Por isso, as empresas procuram aperfeiçoar ao máximo esse instrumento, para tentar minimizar os riscos e vislumbrar expectativas do que virá pela frente.

Os últimos acontecimentos macroeconômicos têm demonstrado que o “forecasting” tem sido relegado para um segundo plano, quando se trata de instituições financeiras – e principalmente de governos.

Por isso, sempre fui um estudioso das tendências de mercado. Não só por uma necessidade de sobrevivência nos negócios, mas como parte da minha base acadêmica.

No entanto, os empresários correm um grande risco em se alinhar de forma unilateral, ao que “os outros” estão prevendo.

E foi o que ocorreu, quando no auge da crise econômica de 2008, “todo-mundo-tirou-o-pé-do-acelerador”, pois essa a orienação de TODOS os economistas – insistentemente refletida pela imprensa mundial.

Mas o que eu fiz? EXATAMENTE O OPOSTO !

Enquanto a indústria automobilística reduzia a produção, e os distribuidores “puxavam o freio”, adquiri da fábrica um número muito grande de unidades, imaginando que as coisas não poderiam ser tão catastróficas como o previsto.

E, realmente, logo o Presidente Lula decidiu reduzir o IPI para carros, fazendo com que os consumidores partissem para as compras.

Com isso, a Superauto, que havia sido a única distribuidora Ford no Brasil  a “ir contra a maré”, colheu os frutos de uma decisão audaciosa: vendemos 1.000 carros novos entre dezembro/08 e fevereiro/09, e conquistamos a liderança de mercado – que se mantém até hoje.

Então, peguei esse gancho, pois as previsões sempre se destacam em cada começo de ano.

E, para 2012, estou certo de que a conjuntura internacional adversa não tirará o Brasil da sua linha de continuado crescimento.

O que está assustando é justamente a ESTIAGEM que está assolando o nosso Estado. Ao contrário dos verões passados, esse se seguiu a uma primavera quase sem chuvas. E as previsões são pouco animadoras.

O mano Fernando, que não se assusta por qualquer coisa, vem falando que o Rio Grande “pode não ter safra de grãos nesse ano”.

Será um desastre para o Estado, e por consequência, para os negócios, pois estamos visceralmente ligados à produção do campo.

Fora isso, sou um otimista convicto, acreditando que 2012 será um ano muito positivo para a economia brasileira. A Presidente Dilma está muito bem no comando da Nação; conhece muito de economia, e vai injetar recursos para manter o crescimento do PIB em índices positivos.

E Santa Maria ganhará novos investimentos, além da cidade viver um momento muito especial na recuperação de sua autoestima.

Vamos manter uma expectativa positiva, mas com os cuidados necessários para as eventualidades, pois todos os cenários são muitos otimistas.

Agora, se cada santa-mariense FIZER UM POUCO MAIS POR SUA CIDADE, a coisa irá de bem para melhor. Falta-nos ainda uma CONSCIÊNCIA MAIS PARTICIPATIVA, característica dos povos mais desenvolvidos. Mas, aos poucos, lá chegaremos!

FELIZ 2012!!!!

E um marginal dos estádios virou ‘pop star’ – por Anderson Santos e Dijair Brilhantes

30, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 27 de dezembro de 2011 - por Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

POLÍCIA X FUTEBOL

Na teoria, o Brasil é um país democrático, onde todos têm o direito à liberdade de expressão. Nos estádios de futebol tudo é diferente, nem mesmo o Estatuto do Torcedor, aprovado em 2003, que entende o torcedor como consumidor, só assim um possuidor de direitos, é respeitado.

A segurança pública prefere tomar suas próprias decisões, tendo total respaldo do Estado. Assim, a vida do cidadão fica na mão de policiais despreparados – e mal remunerados. Estamos às vésperas de sediar o maior evento esportivo do mundo e queremos saber como serão tratados os torcedores turistas: privilegiados ou como marginais, semelhante ao que ocorre com os brasileiros?

POLÍCIA OPRESSORA     

Os articulistas da Além das Quatro Linhas já frequentaram diversos estádios do Brasil, e em (quase) todos as cenas se repetem: a polícia tenta oprimir o que entende ser desrespeitoso, ou contra a lei. O problema é para nós, simples torcedores, sabermos o que os policiais entendem por isso.

No início deste ano, a PM carioca impediu a torcida do Fluminense de entrar no estádio com uma faixa que dizia “Muricy amarelão” – o técnico abandonou o clube alegando falta de estrutura em meio a Libertadores.

Em agosto, as torcidas de todo o Brasil organizaram um protesto contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A rodada foi batizada como o dia do “Fora Teixeira”. Em alguns Estados a Polícia Militar proibiu a entrada de faixas e cartazes alegando que atrapalharia a visibilidade do jogo, ou que o material das faixas era tóxico, o que poderia causar um incêndio.

Em outubro, a torcida do Grêmio preparava uma grande manifestação contra Ronaldinho (Ex-)Gaúcho no jogo Grêmio X Flamengo. A Brigada Militar proibiu a entrada de faixas contra o R-10, alegando ser um ato hostil e que em nada contribuiria para o espetáculo (?).

Torcedores do Grêmio foram diversas vezes agredidos pela Brigada Militar quando faziam protestos pacíficos contra o presidente do clube, Paulo Odone. Detalhe: o agora mecenas Odone – afinal, pagar R$ 500 mil só a um jogador… – é deputado estadual pelo PPS do Rio Grande do Sul.

A “segurança pública” parece ser contra qualquer tipo de manifestação popular.

ACUSADO TEM DIA DE POP STAR

No início do mês de dezembro o estádio Beira-Rio foi o palco de um jogo beneficente. A partida marcava a despedida do ex-jogador Fabiano, ídolo do Internacional no final da década de 90. Uma briga entre torcidas organizadas do próprio clube (!!!) deixou quatro pessoas feridas.

A briga foi fruto de uma confusão com um dos líderes de uma das facções no clássico Gre-Nal, pela última rodada do Brasileirão 2011, semanas antes. As ofensas continuaram via redes sociais e acabou terminando no jogo festivo.

A falta de segurança foi notória, já que um torcedor estava armado com uma faca nas dependências do Beira-Rio – que será sede da Copa do Mundo FIFA 2014, “graças” à leitura por 15 minutos de cada conselheiro colorado do contrato da Andrade Gutierrez.

Na última sexta-feira, o jornal Zero Hora (Grupo RBS) optou por fazer uma entrevista exclusiva com um dos acusados, que não merece ter seu nome citado neste espaço. Este já alcançou o objetivo, ter seu dia de Pop Star.

Curiosamente, a maioria dos meios de comunicação, com raras exceções, opta por mostrar as torcidas organizadas como grupos de vândalos, sem querer adentrar a questões importantes que cercam a relação entre clubes, atletas, TOs e torcedores – veja aqui um dos raros casos, da estatal TV Brasil. Ir além dos fatos, seguir o rastro, fazer jornalismo, … é difícil de se fazer?

TRISTE REALIDADE

Vivemos uma triste realidade sobre o que diz respeito à segurança pública, por vezes chegamos a duvidar se ela existe ou, no mínimo, para quem ela existe.

Todas as vezes que vimos brigas entre torcidas, dentro ou fora dos estádios – cada vez mais fora, refletindo a falta de segurança geral –, quando a polícia chegou a violência aumentou ainda mais. Parece-nos que ao invés de tentar manter a ordem, opta-se por esperar a desordem ocorrer e combatê-la, primeiro batendo e só depois querer saber quem eram os culpados.

Não é raro ver no meio da torcida a polícia batendo em senhores de idade, em pais que tentam proteger seus filhos ou espalhando spray de pimenta para tudo o que é lado. Na prática, isso pouco serve para punir quem merecia.

O Estatuto do Torcedor, renovado ano passado, propunha que o torcedor preso não entrasse mais nos estádios, mas pouco é visto ou ouvido de algo de prático, para além das punições a entrar no estádio com símbolos das organizadas ou extinção das mesmas. Como se a faixa saísse batendo em todo mundo… Dificilmente alguém é preso ou punido mesmo nos casos mais graves – como a da Supercopa de juniores de 1995, entre São Paulo e Palmeiras.

Quando as empresas de mídia fazem campanhas para as famílias irem aos estádios, a nós fica a dúvida de quem lhes dará segurança, principalmente fora das arenas, em que mal temos isto no cotidiano.

NADA DE “TORCIDAS” E DE “POLÍCIAS”

Na Inglaterra, os tão famosos hooligans foram responsáveis pela “limpeza” dos estádios do Reino Unido, por mais que continuem existindo para os clássicos mais ferrenhos. O mundo não os vê mais, porém não vê também torcidas de futebol e sim receptores de espetáculos teatrais, que só gritam e aplaudem quando “autorizados”.

Para o bem do futebol, a exclusão dos “torcedores” que iam aos campos não para ver as partidas e apoiar os seus times, mas para xingar a “torcida” do rival – por mais que o jogo não envolva os dois clubes – e para praticar atos de vandalismo, poderia ser uma boa alternativa. Mas será que o problema é só esse?

Será que a Polícia, no caso brasileiro, contentaria-se a ter que trabalhar em pleno domingo, sem receber nada a mais para isso – a não ser, de vez em quando, um lanche, para ficar só olhando a torcida vibrar, gritar e xingar, quando necessário? Há preparação dos funcionários desta instituição, em qualquer parte do país, para saber tratar os torcedores, identificar quem começou uma confusão e que efetivamente merece punição?

Querer “público teatral” é tirar, mais uma vez, o futebol do povo, aumentar o valor dos ingressos, “elitizar” os receptores das partidas e acabar com o incentivo dos torcedores. O que é outra questão ainda mais problemática.

Nada, nada mesmo, vale a pena se modifica o que o futebol tem de melhor: que é a possibilidade da paixão ser aflorada naqueles 90 minutos, sem que você tenha que receber um sermão do patrão ou de qualquer entidade repressiva. Nem violência entre torcidas, nem violência da polícia, mas também muito menos um comportamento teatral.

Se futebol é um espetáculo também é graças a nós torcedores, que estamos ali para aplaudir, apoiar, criticar, xingar, construir a sonoridade e a visualidade da partida. Mas também que pagamos ingressos, impostos – inclusive para as polícias nos darem segurança e não medo –, geramos todo um mercado através do marketing e da transmissão pela Indústria Cultural.

Enfim, já passou da hora de as entidades que organizam o futebol, o Estado e os clubes entenderem que as estrelas são os torcedores.

PAUSA

Continuando com esta premissa de atuação no escrever sobre o esporte que já foi bretão, brasileiro e agora parece ser catalão, que esta coluna se despede d@s noss@s leitor@s em 2011. Desejando um 2012 muito melhor para o futebol aqui no Brasil, especialmente “Além das Quatro Linhas”. Paramos por algumas semanas. Até o início dos Estaduais!

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

Lições de Natal: minha vida, uma fita? – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

27, dezembro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

A tradição do Natal é espaço para emoções, festas, brindes e celebrações. Este ano compartilhei emoções em uma ciranda de fraternidade. Natal em família, foi a minha lição de Natal. É deste espaço que trago as palavras, de primos, amigos e tios, do texto da tia faço o artigo da primeira terça-feira pós Natal, e a última de 2011.

Aprendi no Natal, que lá estavam todos presentes. Lá o tempo é presente. O Natal é presente no tempo e no ato de dar e receber carinho, atenção, delicadeza, presentes.

Em verdade, estes são preciosos motivos para nos alegrar, mesmo com os “nós” que trazemos em nosso íntimo. Lá ouvi, o que transforma o momento é a graça/o mistério de que o Natal existe, porque o Filho de Deus tomou a feição de criança e nasceu, aqui, na terra, em humilde gruta, lá em Belém.

Aprendi no Natal, que a festa é dele, mas o Natal pode ser todos os dias. O importante é aproveitar este tempo e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem vê e ouve os sons do Natal, que devem perdurar por todo o Ano Novo.

Aprendi no Natal, que ele existe para uma feliz renovada experiência de amor e alegria, de paz e fé. Olhando ao redor, a atmosfera natalina carrega em si uma energia diferente: as ruas, as casas, as árvores, a alma, tudo se enfeita, está decorado, envolvendo pessoas, sentimentos, luzes, brilhos e cores. São árvores arranjadas magistralmente, presépios graciosos, guirlandas, bolas e fitas misturando-se aos galhos.

Aprendi no Natal que poderíamos dizer que a nossa caminhada de vida é como peças de fita ou retalhos de fita. Numa comparação muito simplista, tomemos as fitas. Dourada, prata, verde, vermelha ou azul. Trabalhada com símbolos ou apenas em sua cor natural. Independente: todas são belas e ocupam seu lugar no laço, no enlaço ou mesmo nos “nós”, que com ela fazemos!

Metragem curta ou longa, adquirida em metros ou peças. De tecido ou papel. Espessuras diversas, mais encorpadas, mais finas. Algumas, até, vem com aramado na extremidade para deixar mais firme e consistente seu efeito, às vezes ferindo a mão de quem a trabalha.

Aprendi no Natal, que riqueza de detalhes encontramos numa loja de fitas, que riqueza de dons, realidades pessoais, de valores somos nós!

Crer é também pensar: minha vida uma fita?

Aprendi no Natal, cada um de nós sabe o tipo de fita é ou representa. A peça de fita esconde-se…guarda-se dentro de um rolo. Há que se cuidar do envólucro, ele representa nosso estilo, nosso jeito de ser. Guarda dentro de si a originalidade/individualidade, aquele algo especial que faz a diferença entre as pessoas.

Aprendi no Natal, que neste tempo, tenhamos “tempo” para refletir sobre a fita que somos. É preciso cortar pontas. Com ela desejamos enfeitar, fazer laços ou apenas nós? Façamos das nossas vidas uma excelente fita!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

@vitorhugoaf

REFERÊNCIA:

NATAL, em Família. Família Kaipper. Santa Maria, 2011

2011: o que deixei(amos) de fazer? – por Carlos Costabeber

26, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Ao chegar aos 60 anos, me dei conta do quanto deixei de fazer no passado, pela minha cidade/comunidade.

E realmente, confesso, que apesar de ter trabalhado durante 20 anos em entidades associativas de Santa Maria (como Presidente da CDL, da CACISM, como idealizador do Forum das Entidades, entre outras), fiz muito pouco.

Cito esse exemplo pessoal porque hoje dedico parte do meu tempo, da minha experiência, e principalmente do meu grande RELACIONAMENTO, para trabalhar pela coletividade. 

Aprendi isso com meu saudoso pai, Cirilo!  Um cidadão que trabalhou mais pelos outros do que para si próprio.

Por isso tudo, hoje eu tenho uma visão diferente. Passei a ser mais exigente comigo mesmo.

E a conclusão a que chego não é nada animadora !

Infelizmente, É PEQUENO O NÚMERO DE PESSOAS QUE SE DEDICAM ÀS ATIVIDADES VOLUNTÁRIAS.

Infelizmente, vejo que o ESPIRITO PARTICIPATIVO ainda contagia muito pouca gente.

E falo de cadeira, pois como empresário, professor e formador de opinião, tenho o privilégio de transitar nos mais variados segmentos da sociedade santa-mariense.

Sinto que estamos imbuídos de uma cultura onde prevalecem os interesses individuais. Tudo o que é coletivo, a gente acredita que seja de responsabilidade do Prefeito, dos políticos, das entidades de classe, das organizações assistenciais, da polícia e do judiciário.

Só que essa omissão está cobrando um preço muito elevado de todos nós. 

É verdade!

Ou passamos a ter uma atitude + participativa, e (-) contemplativa, ou teremos que viver numa cidade com um futuro incerto.

Concluo deixando um desafio a todos: a partir de 2012 SEJAMOS MAIS PARTICIPATIVOS. Usemos a nossa influência, nosso prestigio, nosso relacionamento, nossa experiência e uma parte do nosso tempo (e, se possível, do nosso dinheiro), para trabalhar pela cidade, pelo  bairro, pelas pessoas que necessitam de ajuda.

NÃO FALTAM OPORTUNIDADES !

Repito: não faltam oportunidades PARA SE EXERCER O ESPIRITO PARTICIPATIVO, pois vivemos numa SOCIEDADE COM INUMERAS CARÊNCIAS . Infindáveis carências !

Muito está por ser feito !

Tenho certeza de que cada um passará a se sentir mais realizado, mais feliz. Irá ganhar novos amigos e  terá seu esforço reconhecido.

Por isso, se você quer ter uma qualidade de vida ainda melhor, faça um esforço pela cidadania. Todos sairemos ganhando.

Tenha um FELIZ 2012, a partir de uma nova consciência de participação coletiva.

A vitória catalã foi em campo. Mas não apenas – por Anderson Santos e Dijair Brilhantes

22, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 20 de dezembro de 2011 - por Anderson Santos (editor) e Dijair Brilhantes

O ANO DO FUTEBOL BRASILEIRO ACABA COM UMA AULA CATALÃ

Quando nos decidimos por fazer uma edição especial da Além das Quatro Linhas sobre a final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA sabíamos da imensa dificuldade do Santos perante uma das melhores equipes da história do futebol mundial, só não esperávamos que seria tão fácil.

Na manhã do último domingo foi encerrada oficialmente a temporada para o futebol brasileiro. De forma melancólica, o Santos Futebol Clube foi goleado pelo Barcelona como nunca antes um time sul-americano perdera para um europeu. Neymar, apagado na partida, resumiu bem o que ela foi: uma aula magistral de futebol.

AS FALHAS APARECERAM DESDE O PRIMEIRO JOGO…

O Santos chegou ao Japão pensando no Barcelona. O mundo inteiro esperava pela provável final entre dois times cuja parte ofensiva é primorosa. Porém, depois do rescaldo dado pelos congoleses do Mazembe no ano passado – quando, surpreendentemente, venceram o favorito Internacional –, todos sabiam que antes os dois times precisavam passar pelos adversários das semifinais.

Na quarta-feira, atuando com a formação utilizada nos últimos jogos do Brasileirão – com o time titular em campo –, o Santos sofreu para passar pelos japoneses do Kashiwa Reysol.

O setor defensivo cansou de falhar ao longo da partida, mesmo contando com dois zagueiros (Bruno Rodrigo e Edu Dracena) e Durval, outro zagueiro, na lateral-esquerda, setor justamente onde os japoneses mais atacavam – em detrimento ao lado direito defensivo santista, que tinha a presença do ofensivo Danilo.

A vitória por 3 a 1 saiu graças à individualidade de jogadores como Neymar e Borges, em excelentes chutes de fora da área, e da boa cobrança de falta de Danilo, que se aproveitou do erro do goleiro adversário em montar a barreira. De qualquer forma, se era aquilo que os santistas tinham para mostrar, os espanhois já começavam a se tranquilizar. Não seria o suficiente.

No dia seguinte, poupando alguns titulares, como o brasileiro Daniel Alves e o candidato a melhor do mundo Xavi, o Barcelona passeou contra os catarianos do Al Sadd, cujo país tem a fundação que banca ao Barça o maior patrocínio master do mundo. Seja com reservas na Copa Audi, no clássico contra o Real Madrid ou contra o campeão asiático, sempre se mantém a forma de jogo: toque de bola refinado, criando brechas para chegar ao gol.

Assim saíram os dois gols do brasileiro Adriano, lateral-esquerdo “improvisado” na direita, o gol de Keita e do também brasileiro Maxwell. A parte negativa ficou para a fratura na tíbia da perna esquerda do centroavante Davi Villa. Envolto a especulações de saída do clube, o jogador foi colocado pelo técnico Pep Guardiola para provar que não tinha nada disso. Dias antes, Pep respondera assim ao principal jornal esportivo de Madrid: “o Marca mente” – já pensaram o dia em que algum treinador tiver coragem de dizer isso com jornalões ou TVs poderosas do Brasil?

E se os brasileiros vinham de um semestre de quase descanso no Brasileirão, cinco dias antes os catalães haviam ganhado do rival Real Madrid de virada, em pleno Santiago Bernabéu, por 3 a 1. Uma prévia aos seus adversários que já o esperavam no Japão.

Dentre as entrevistas coletivas, numa Muricy Ramalho foi deselegante – o que não chega a ser novidade – ao dizer que Guardiola só poderia ser considerado bom se trabalhasse no Brasil, para conviver com a pressão. A resposta veio em campo na manhã de domingo.

FALTOU JOGAR

Muito se falou no confronto entre Lionel Messi e Neymar. O argentino deve ser escolhido pela terceira vez consecutiva o melhor jogador do mundo. Neymar já conseguiu o grande feito de ficar entre os vinte e três melhores pela FIFA.

Todos aguardavam para ver o que o técnico Muricy Ramalho iria fazer para tentar parar o fantástico time do Barcelona. Jogaria como este Santos sempre soube fazer, de forma ofensiva, aproveitando a qualidade do seu trio da frente; ou se apequenando, a forma que geralmente deu certo para os brasileiros contra os europeus?

Muricy optou pela segunda opção. Recheou o time de marcadores, voltando com Leo na lateral-esquerda e trazendo Durval para a defesa. No meio, Arouca e Henrique tentariam proteger a defesa, isolando Paulo Henrique Ganso, Neymar e Borges no ataque. O Santos se propunha a ver o Barcelona jogar e esperar um contra ataque. Tudo que o Barcelona queria.

O time catalão veio para a partida com uma formação diferente da usual, já que não contava com um centroavante para formar o trio de ataque. Além disso, Pedro ficou no banco, com Iniesta, Daniel Alves (ponta-direita) e Fábregas se revezando com Messi lá na frente.

23 minutos foi o tempo que durou a esperança santista. Após duas falhas defensivas, dois golaços, um de Messi e outro de Xavi – quem alguns acham que não joga tanta bola assim… –, praticamente adiavam o sonho dos meninos da Vila. Muricy só mudou algo porque Danilo – em despedida para o Porto – saiu machucado, entrando o meia Elano.

Para fechar o jogo ainda no primeiro tempo, Fábregas pegou rebote de Rafael, que fizera duas grandes defesas numa mesma jogada, e só empurrou para o gol. A pergunta tornara-se: em quanto terminará o massacre?

No segundo tempo, o Barcelona cansou de perder oportunidades de gols. A tirada de pé dos catalães e a mudança da forma de jogar santista, agora (um pouco) mais ofensiva, ainda permitiu vermos duas chances de gol desperdiçadas por Borges e Neymar.

Para terminar o baile, Messi recebeu na área, driblou Rafael e marcou o seu segundo gol na partida. O argentino se igualou ao também barcelonista Pedro (em 2009), como os únicos jogadores a marcarem gols nas seis competições que disputaram num ano.

O  4 a 0 acabou ficando de bom tamanho, devido à desorganização santista. O time brasileiro não conseguiu defender com segurança e nem atacar com precisão. É redundância dizer que o título ficou em boas mãos.

O capitão, Carles Puyol, admitiu depois do jogo que teve medo ao ver as jogadas de Neymar, mas que dera certo a ideia de não deixar a bola chegar até ele. A disputa foi quase desumana, Neymar sucumbiu ao futebol coletivo dos espanhóis e admitiu isso ao final do jogo. Messi, junto com seus companheiros, deu mais um show de futebol.

A FIFA TAMBÉM ACERTA

Poucas vezes esta coluna fez algum tipo de elogio a FIFA. Não porque usamos de má vontade com os todo-poderosos do futebol mundial. A falta de transparência nas atitudes da entidade é que nos leva a isso.

Mas as organizações dos torneios sob responsabilidade da entidade merecem elogios.

Todos seguem o protocolo, os horários são seguidos à risca, e ninguém rouba a cena das verdadeiras estrelas do espetáculo que são os jogadores.

Isto é algo que deve ser seguido pela CBF e principalmente pela Conmebol, que proporciona verdadeiras farras nas finais de Libertadores, quando aparecem do nada parentes de autoridades dentro de campo.

E O REI?

O eterno camisa 10 santista não foi ao Japão. Pelé preferiu ficar no Brasil para fazer uma cirurgia de catarata. Após a Libertadores, o presidente santista convidou o rei do futebol para “jogar” o Mundial como uma estratégia de marketing – e talvez o time até precisasse dele mesmo…

Pelé negou o convite e nem sequer acompanhou o time do coração de perto, talvez por temer um fracasso na terra do sol nascente, o que acabou se confirmando. Dificilmente vemos Pelé nas derrotas, tanto de cubes brasileiros quanto da seleção, já nas vitórias…

MURICY TEM RAZÃO?

Muricy tem razão quando diz que a pressão que sofre um técnico no Brasil é incomparável. Mas o maior mérito do técnico Pep Guardiola não é exatamente fazer o time do Barcelona jogar, afinal é um time de craques. O segredo a ser desvendado é como um time de jogadores milionários joga tão bem coletivamente chegando aos incríveis 70% de posse de bola por jogo? O Barcelona não “perde” na posse de bola há três anos!!!

Não há briga de egos e o clube só acumula taças. Já são duas Ligas dos Campeões da Europa e duas Copas do Mundo de Clubes nos últimos três anos, a “Era Guardiola”.

Primeiro, é preciso afirmar que craques o Barcelona faz nas suas categorias de base – como o Flamengo se orgulhava de fazer por aqui. Dos onze jogadores que começaram a final, nove foram formados em casa – as exceções são Daniel Alves e Abidal. Não temos nenhum “jogador clássico” de bases do Brasil: altos, fortes e que respeitam posição. Parece que a prioridade nas terras catalãs é que se saiba jogar futebol.

As comparações com grandes times, em especial com o “Carrossel Holandês” comandado por Cruyff e Rinus Michel em 1974, são recorrentes. O time toca, toca, toca, mas geralmente chega ao gol e às vitórias nos deleitando. Longe de ser um futebol burocrático, como o do Brasil de Parreira em 1994, os atletas trocam de posição e tornam quase impossível pará-los.

Fora de campo, a história da luta catalã, representada por bandeiras da Catalunha e não da Espanha com seus torcedores, é um capítulo a parte. A intenção de esperar mais de 100 anos para colocar um patrocínio na camisa para não “manchar” a sua história é outra coisa, já que recebe dinheiro de uma fundação social – por mais duvidosa que possa parecer por vir do Catar.

Definitivamente, este FC Barcelona é “més que un club”!

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Twitter da coluna: @alem_das4linhas

É proibido fumar – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

20, dezembro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

Roberto Carlos já fez menção em letra de mesmo título que este artigo: é proibido fumar! Aviso com tais dizeres tem sido corriqueiro, além de obrigatório, desde que se levou à pauta leis e normas que passaram a proibir o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco.

O Município de Santa Maria legislou sobre o assunto em janeiro deste ano, tendo no dia 18 de abril o início da vigência da referida lei. Em que pese, passou-se a estabelecer normas de proteção à saúde e de responsabilidade por dano ao consumidor.

Neste sentido, o art. 24, incisos V, VIII e XII, da Constituição Federal, determina competência para legislar sobre produção e consumo; responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; bem como sobre previdência social, proteção e defesa da saúde.

Eis, então, o respaldo jurídico que compreende o consumo, a responsabilidade por dano ao consumidor, e a proteção e defesa da saúde em matéria que contempla o uso e consumo de produto fumígeno.

Na ideia de orientar, das interpretações possíveis, salvo locais de culto religioso; tratamento da saúde que tenham pacientes autorizados a fumar pelo médico que os assista; as vias públicas e aos espaços ao ar livre; as residências; e os estabelecimentos exclusivamente destinados ao consumo no próprio local de cigarros, desde que essa condição esteja anunciada, de forma clara, na respectiva entrada; restou a proibição aos espaços de uso coletivo, públicos e privados.

O cenário em prol da saúde e contra o consumo de cigarros tem respaldo na Convenção de Saúde da ONU, em que determinou o combate ao fumo como uma das metas para o milênio. A legislação, no Brasil, que fora encaminhada inicialmente em São Paulo, replicou-se em municípios e demais estados, e agora tem aplicação em âmbito nacional. A presidente Dilma Rousseff sancionou lei que proíbe o fumo em locais fechados, encerrando aqui a discussão inclusive da existência de fumódromos, pois agora é simplesmente proibido fumar em locais fechados.

A legislação sancionada pela presidente demonstra investimento pesado no que tange sobre o assunto. O texto aprovado aumenta impostos para produção de cigarros em 300%, o que deve representar aumento de 20% do produto; determina que deverão aparecer em 30% da área frontal do maço de cigarros texto que relate os malefício do fumo, permanecendo também as imagens e alertas do verso do maço; regulamenta, ainda, a publicidade, que passa a ser vedada, com exceção apenas da exposição dos produtos nos locais de vendas, acompanhada das cláusulas de advertência.

E em letra do Rei, agora mais do que nunca, é proibido fumar, diz o aviso que li.

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

A “minha” Guerra do Vietnã – por Carlos Costabeber

19, dezembro, 2011 Claudemir Pereira 2 comentários

Enquanto lia a reportagem da “Veja” sobre os 50 anos do inicio da Guerra do Vietnã, fiz uma volta no tempo, até o ano de 1967.

Na época, além de cursar o 1° ano de Administração da UFSM, fui aluno do NPOR do Regimento Mallet.

Por isso, enquanto estudávamos as artes militares, o mundo vivia a primeira guerra não declarada; uma guerra não convencional: era a Guerra do Vietnã !

Lembro bem que me considerava “anti-comunista” (acho que por influência de tantos anos estudando em um colégio católico, o Santa Maria), e torcia para que os americanos em pouco tempo saíssem vitoriosos.

Hoje, depois de meio século, se pode avaliar o tamanho do erro dos Estados Unidos em terem entrado nesse conflito. Lá morreram 50.000 soldados americanos (e um número muito superior em feridos graves), gastaram bilhões de dólares, destruíram o Vietnã e ainda abriram as portas para a disseminação das drogas no continente americano.

Mas, o que para mim sempre ficou marcado, é que era a minha geração que estava sendo enviada para morrer nas selvas do sudeste asiático, lutando por uma causa que se mostrou infrutífera.

Enquanto escrevo essas linhas, ouço a música que marcou a minha vida: “ERA UM GAROTO QUE COMO EU, QUE AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES” (MAS QUE MORREU NA GUERRA DO VIETNÃ), numa versão do grupo gaúcho “Engenheiros do Hawaii”.

Mas, em 1967 outra guerra muito importante explodiu em junho: a GUERRA DOS 6 DIAS”. Esse foi um confronto muito rápido, que culminou com as destruição, pelos israelenses, dos exércitos aliados árabes.

Lembro bem que aquela ação de Israel nos deixou impressionados. Ainda mais que o saudoso colega Roberto Knijnick, de origem judaica, encheu o mural do quartel com fotos de aviões e blindados israelenses.

Me perdoem por retroceder no tempo, ao me sentir motivado por uma reportagem da Veja, a escrever sobre as memórias da caserna; um período conflagrado mundialmente, e que marcou a minha geração. E em especial àqueles jovens de 18 anos (da turma, só o Tarso Genro tinha 20), que eram alunos do NPOR do “Velho Regimento”.

“Bons Tempos”!!!!!

Muda o calendário do futebol brasileiro. Mas, a quem isso interessa? – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

15, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 13 de dezembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A Confederação Brasileira de Futebol resolveu chamar a atenção para si no final de ano. Primeiro, Ricardo Teixeira (finalmente) resolveu largar o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA 2014, repassando-o para Ronaldo Nazário (o neófito cartola do curíntia). Depois, veio o anúncio de que ele se afastará por 45 dias do comando, deixando a entidade sob presidência de José Maria Marin – ex-jogador do São Paulo na década de 50, vice-governador de Maluf na década de 1980 (este homem já teve sua relevância na política paulista, operando com Paulo Salim na repressão contra as greves do ABC, por exemplo) e atual vice-presidente da CBF pela região Sudeste.

Mas “só” isso não bastava. Ricardo Teixeira e seu diretor de competições, Virgínio Elísio, resolveram mudar o calendário das competições nacionais a partir de 2013, mesmo quando tudo parecia estar caminhando bem. Os motivos? Nós contamos a partir daqui.

Tudo caminhava bem…

Com o fim do Campeonato Brasileiro, os bastidores do esporte bretão costumam ser sempre muito agitados. Os clubes fazem algumas contratações, há trocas no comando técnico,… Enfim, fatos corriqueiros do mundo da bola.

Mas, como de costume, esta coluna deixa isso para os grandes veículos de mídia abordarem. Vamos mais a fundo e tentar fazer o que poucos têm coragem: falar sobre os “donos” do futebol. Ainda mais com a Confederação Brasileira de Futebol seguindo o critério “o que está funcionando bem ’a gente’ muda”.

Quem é jovem deve lembrar. Na década de 1990, os times “expressinhos” eram bastante utilizados para cumprir uma agenda cruel, com até dois jogos num mesmo dia (!).

Por mais críticas que possamos fazer a ele, Ricardo Teixeira soube melhorar o calendário aos poucos. Mesmo que o fosso para os times pequenos só cresça, a organização do Campeonato Brasileiro em pontos corridos, primeiro através da Série A em 2003 e dois anos depois na Série B, permitiu uma regularidade de datas jamais vista. Isto é inegável, assim como o fim das viradas de mesa. Agora grande cai, e isso é bom.

Quanto à competitividade, o ano estava bem definido. Os Estaduais – torneios que os grandes tratam com desdém, mas os que não o ganham sabem sua importância – dão a emoção dos clássicos regionais com caráter decisivo; a Libertadores é a cereja do bolo, difícil, mas prazerosa; o Brasileirão é a regularidade à prova, com decisões cada vez mais emocionantes tanto quanto na época dos mata-matas; a Sul-Americana ainda sofre por um respeito maior, mesmo com a vaga ao campeão para a Libertadores.

A Copa Kia do Brasil (ai, ai, não cansam de vender os símbolos para as transnacionais!) – não o Joorabchian, mas a marca de carros sul-coreana – dá a emoção dos mata-matas e a possibilidade de um pequeno surpreender (Criciúma, Juventude, Paulista e Santo André que o digam). Quer dizer, a Copa do Brasil dava esta expectativa, ou dará até 2012.

O torneio teve anunciada a mudança de sua fórmula a partir de 2013. Só não começa a partir do ano que vem porque o Estatuto do Torcedor exige prazo de dois anos para mudança de forma de disputa – e exige tantas outras coisas que deveriam ser respeitadas, já que o torcedor agradeceria.

O novo formato

O novo formato terá a participação de 86 clubes, no lugar dos atuais 64 (uau, quem não se lembra: onde a Arena vai mal, mais um no Nacional, onde vai bem, mais um também!). 80 virão segundo critérios da CBF ainda não definidos e disputarão mata-matas até que sobrem 10 clubes, ou seja, teremos quatro fases, no lugar das duas atuais, até se chegar às oitavas-de-final.

E os outros seis? Por mais que os dois primeiros anos de Série D, dentre outros problemas (financeiros, especialmente) tenha chegado a ter 5 classificados para as quartas-de-final, com três desclassificados sendo classificados depois, eles já corrigiram o erro a partir deste ano.

Para a Copa Kia do Brasil, os seis virão da Copa Santander Libertadores – haja marcas! Caso só cinco times brasileiros participem da competição sul-americana, o líder do ranking da CBF chegaria direto para as oitavas – hoje seria o Santos, não mais o Grêmio, que perdeu o posto no RNC no início da semana.

Este é um desejo antigo. Desde 2001 que os times que participam da Libertadores não atuam no torneio local por falta de datas, problema ainda sem solução. A ideia é que o torneio nacional vá de março a novembro, numa clara imitação das copas e taças dos países europeus. Estica o calendário, estica até que arrebenta os clubes médios, só restando os abençoados pelo pool de empresários-investidores!

Dos oito perdedores desse mata-mata, os quatro com melhores campanhas no Brasileiro do ano anterior serão remanejados para a Copa Bridgestone Sul-Americana (mais um torneio vendido!, Ay Caramba, Bolívar dá coices na tumba e Artigas esperneia também!) do mesmo ano. Quer dizer, se o torneio continental já não era levado a sério, agora a CBF assume que não precisa, afinal, virou um consolo.

Eles entrarão já na etapa internacional, eliminando os confrontos entre brasileiros na primeira fase e diminuindo pela metade a participação nacional no torneio. 

Mas o problema não é só “imitação”

Esta decisão acaba com uma das fontes de disputa do Brasileirão. Com exceção de 2011, quando as vagas foram rapidamente definidas, a disputa por entrar na “zona da Sul-Americana” permitia que os times no meio da tabela pudessem dar trabalho e entrar em campo com vontade de vencer.

Além disso, se um torneio assim parece não ser importante para São Paulo ou Palmeiras – se bem que ambos estão com necessidade de títulos… – para clubes como Atlético-GO e Bahia, classificados para 2012, vale muito. É a chance de aparecer em nível internacional.

Além disso, com a ampliação de datas para o torneio, com Estaduais e Brasileirão mantendo os formatos atuais, o número máximo de partidas oficiais de um clube brasileiro em um ano saltará de 83 para 89! E em 2014, com a parada para a Copa do Mundo, como fica? Nem a CBF sabe.

Explicando 1 – O fator Corinthians

Pode se tratar de uma mera coincidência (o que estes colunistas duvidam muito), mas bastou o Corinthians ser eliminado na pré-Libertadores para a CBF incluir os times que disputam a maior competição da América do Sul na Copa do Brasil. Teixeira deve ter tomado esta decisão na companhia de seus novos aliados Andrés Sánchez e Ronaldo – o mesmo que disse em 2009 que o presidente da CBF tem duplo caráter.

O time corintiano passou os primeiros meses do ano disputando “apenas” o Campeonato Paulista. Eles só não vêem que isso acabou sendo uma vantagem. O clube paulista pôde reformular a equipe e entrar descansado para o Brasileiro, onde venceu oito dos dez primeiros jogos disputados (mais dois empates). Quando caiu o rendimento, a gordura serviu para mantê-lo entre os primeiros. Porém, o dinheiro a entrar nos cofres foi menor.

Parece-nos claro que a CBF quer privilegiar os clubes grandes. O caminho para o título de um time dos chamados pequenos é bem maior. Quatro divisões nacionais – que não aumentaram a quantidade de participantes de forma geral – e mais uma Copa Kia do Brasil com duas fases a mais e nas oitavas de final com o enfrentamento com elencos montados para a Libertadores.

Além disso, se for eliminado precocemente da Copa do Brasil não parece haver problema. Mesmo que estes clubes não disputem mais nada ao longo do ano e tenham que encerrar suas atividades por falta de renda – algo mais que comum.

É a lei da CBF: fortalecer os grandes e os pequenos que se virem. E as federações, o que acham disso? Acatam, afinal todos são aliados do império da CBF. Que vergonha, hein, cartolagem estadual!

Explicação 2 – Fator Organizações Globo

Mas não podia ficar só nisso. Para quem trabalha com a Economia Política da Comunicação, ficar só no campo, esquecendo da “amiga gângster” Globo…

A informação vem da (sócia no Valor Econômico) Folha, em texto dos jornalistas Nelson Barros Neto e Sergio Neto: “A ampliação do período de disputa agrada ao Sportv, canal pago da Globo, que no próximo ano não terá mais o direito de transmitir a Libertadores e a Sul-Americana”. Elementar Watson, elementar!

O grupo de Rupert Murdoch passará a atuar de forma firme no Brasil. O canal Fox Sports chegará à TV fechada brasileira em 2012 – a partir de fevereiro, com sede no Rio de Janeiro – tirando as duas competições sul-americanas do Sportv. Quem mandou aprovarem o PLC 116, agora chora e guenta!

A nova fórmula da Copa Kia do Brasil é a aposta para se ter jogos a transmitir durante o ano inteiro e, ainda mais, contando com a presença dos melhores elencos do país a partir da segunda metade do ano, com a entrada dos que disputavam a Libertadores.

Não é à toa que o principal executivo da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto compareceu ao anúncio. Vale lembrar que a perda dos torneios olímpicos para a Record pesa muito contra ele dentro das Organizações Globo.

Finalmente o retorno?

Quem é nordestino deve se lembrar. Em 2001 e 2002 o futebol local viveu um dos seus melhores momentos. A criação da Liga do Nordeste, com dezesseis clubes de maior torcida de oito Estados da região (exceção do Maranhão e do Piauí), patrocínio master da Coca-Cola e transmissão das afiliadas e filiadas Globo (como a Copa União, 1987) foi sucesso.

Não é a toa que em 2002, a CBF resolveu apostar nos torneios ampliados por região, que davam vaga à Copa dos Campeões, torneio curto no meio do ano que garantia lugar na Libertadores. O problema é que, com exceção do torneio nordestino, os outros foram um desastre em termos competitivos e de lucratividade. Então, que os outros acabem?

A CBF acabou com todos eles, quebrando contratos importantes para os times nordestinos e diminuindo a visibilidade deles. Após anos de disputa judicial – que poderia gerar um prejuízo de R$ 38 milhões aos cofres da CBF! – finalmente parece que se chegou  a um acordo.

A tendência é que o torneio volte em 2013 – houve tentativas menores em 2003 e 2010, mas sem nenhuma benesse, com direito a pedido do Sport para não jogar a competição e times reservas atuando. Para o torneio serão separadas 12 datas. A fórmula de disputa será a mesma de 2000, com quatro grupos de quatro times em jogos de ida e volta, com os dois melhores classificando para os mata-matas. 

Qualificam-se para o torneio os dois melhores de cada Estadual no ano anterior. Estas competições também apresentarão mudanças, já que os seus representantes só poderão entrar na reta final. 

A reunião que definiu o retorno do torneio foi realizada há um mês, com a presença de Ricardo Teixeira, Campos Pinto (Globo) e representantes da empresa de marketing esportivo, a pioneira, Klefer (do ex-presidente do Flamengo e ex-radialista Kleber Leite). Os cartolas locais não confirmam ter aceitado, apesar de a fórmula já ter sido publicada.

A cereja do bolo seria a vaga à Copa Bridgestone Sul-Americana ao campeão do torneio. Mas isto ainda depende do aval da Conmebol, das entranhas do Imperador Nicolás Leoz.

Efetivas mudanças

Mudanças em fórmulas de torneios nacionais e do calendário brasileiro já vimos aos montes. Nós ainda esperamos – sentados ou até deitados, para não nos cansar – o dia em que a gestão do futebol brasileiro mude para valer, passando a atender aos interesses dos torcedores e não apenas de certos cartolas, patrocinadores ou emissoras de televisão.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

Filosofia, justiça e política – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

13, dezembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

A sinopse define o intuito da obra, que apresenta o curso “Justice”, ministrado pelo autor, um dos mais populares da Universidade de Harvard. No mínimo instigante quase mil alunos aglomerar-se para ouvir a reação dos grandes problemas da filosofia a prosaicos assuntos do cotidiano. Temas que instigam nossos valores morais, valores de justiça: casamento entre pessoas do mesmo sexo, suicídio assistido, aborto, imigração, impostos, o lugar da religião na política, os limites morais dos mercados.

Tenho algumas boas compras de livros, que sem indicação, ou qualquer outro tipo de referência, os adquiri no escuro, no impulso. Dessas surpresas, já tem alguns dias, instigado pelo título, retirei da prateleira da livraria e levei pra casa, a obra, até então pra mim desconhecida, de Michael J. Sandel, com o curioso título – Justiça: o que é fazer a coisa certa.

Nas linhas do texto, fala-se das habilidades que o mundo espera de nós, sem dúvida, mediar conflitos está entre elas. A obra em comento, que me faz dividi-la com os leitores deste artigo, desafia-nos a meditar sobre esses conflitos e mostra como uma abordagem mais segura da filosofia pode nos ajudar a entender a política, a moralidade e também a rever nossas convicções.

Neste contexto, já definiu Aristóteles que a sabedoria prática é um estado racional e verdadeiro para agir em relação ao bem humano, em que se congrega virtude moral com implicações políticas. Trata-se três das principais linhas filosóficas sobre o que é o certo. O utilitarismo que parte da maximização do prazer; a ideologia libertária defendendo que somos livres e diante de tal liberdade, sustenta a implementação de um Estado Mínimo; e a concepção kantiana que encontra no motivo a ação moralmente correta ou não.

Dentre as passagens da obra, aborda-se como saber se uma sociedade é justa. Para tanto, basta perguntar, como ela distribui as coisas que valoriza: renda e riqueza, deveres e direitos, poderes e oportunidades, cargos e honrarias.

Disso a indagação: quem merece o quê? As discussões sobre justiça e direitos são pautas sobre o propósito de uma instituição social, o que, por sua vez, reflete noções conflitantes a respeito das virtudes que a instituição deveria valorizar e recompensar.

Talvez não seja possível determinar o que é justo sem discutir o sentido da vida boa. Retoma-se Aristóteles, a finalidade da associação política é cultivar a virtude dos cidadãos, aprender a levar uma vida boa; permitir que as pessoas desenvolvam suas capacidades e virtudes para deliberar sobre o bem comum, desenvolver um julgamento prático, participar da autodeterminação do grupo, cuidar do seu destino.

Dilemas de lealdade tratam do ser livre e responsável apenas pelo que consente e como alternativa à concepção voluntarista do indivíduo. O certo encontra-se em primazia sobre o bom. Os princípios de justiça que definem nossos direitos e deveres devem ser neutros no que tange à definição de vida boa. Para chegar à lei moral Kant argumenta que é necessário abstrair interesses e objetivos contingentes. Para deliberar sobre justiça, Rawls sustenta a renúncia dos nossos apegos e convicções particulares, das quais não sabemos a quem afetam. 

Eis novamente Aristóteles “só realizaremos plenamente nossa natureza como seres humanos se vivermos em uma pólis e participarmos da política (…) A virtude moral resulta do hábito, tornamo-nos justos ao praticar ações justas, comedidos ao praticar ações comedidas.” Completo: o que precisamos é coragem!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

A trajetória do Doutor Sócrates, militante do esporte. E da democracia – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 6 de dezembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A DIFÍCIL MISSÃO DE FALAR SOBRE SÓCRATES

A dificuldade de escrever esta coluna não está ligada às trapaças feitas por cartolas do futebol brasileiro, algo que para nós já se tornou rotineiro. A morte de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira fez com que os articulistas da Além das Quatro Linhas mudassem o tema da coluna desta semana na última hora.

Independente dos times que o Magrão jogou, ou até mesmo o que ele amou, nesse caso o Corinthians, Dr. Sócrates foi uma referência em campo pelo seu calcanhar mágico, mas principalmente fora dele por sua capacidade intelectual, que o levou a se formar em Medicina pela Universidade de São Paulo (campus de Ribeirão Preto). Além das quatro linhas foi um verdadeiro militante, um dos responsáveis pela Democracia Corintiana, uma proposta raríssima para aquelas bandas e ainda mais nos dias atuais.

A TRAJETÓRIA

No início dos anos 70, Sócrates começa a treinar no Botafogo de Ribeirão Preto, dividindo o tempo entre o clube e a faculdade de Medicina. Marcou sua passagem pelo clube do interior sendo artilheiro do Paulistão em 1976. Em 1978, transferiu-se para o Corinthians. Ao lado de Palhinha, Casagrande, Wladimir e Biro-Biro começou a surgir uma forte equipe que chegaria ao auge nos anos 80. Naquele time, ganhariam o bi-campeonato paulista de 1982-1983, parando a Máquina Tricolor, que tinha craques como Zé Sérgio no ataque e Renato Pé Murcho (ex-bugrino) no meio.

Em 1982, surgiu o que até hoje podemos chamar de um dos maiores movimentos democráticos da história do futebol brasileiro, a democracia corintiana. Sócrates exerceu sua liderança também como fruto do tempo que vivera, de abertura política e marcadas lutas sindicais por todo o Brasil.. O futebol era (e é) ainda habitado pelos chamados resquícios do entulho autoritário e contra estes o ex-estudante de Medicina se insurgira.

O “Magrão”, como era chamado por conta do seu 1,91m de altura, sem qualquer característica de jogador de futebol, sempre foi um líder instruído e bem articulado. Esta liderança fez com que o Corinthians passasse a adotar um sistema democrático. Jogadores e diretores tinham peso de voto igual para tomar as decisões que mudariam o rumo do clube e do time dentro de campo, de contratações a aumento salarial. Nascia a chamada “Democracia Corintiana”.

O Brasil ainda vivia a ditadura militar (nos seus estertores, governo João Figueiredo, e ainda à época com Golbery e Delfim em ministérios), a democracia não era bem vista no país. O time corintiano deu exemplo de como o sistema democrático poderia funcionar. O time entrava em campo com mensagens políticas nas camisas, além de um constante apoio nas passeatas do movimento das “Diretas Já”, que quase levou às eleições diretas a presidência do Brasil.

Sócrates foi um dos principais entusiastas do movimento e, dada a negativa do Congresso Nacional (em 1984, com a ditadura ganhando no voto dentro do Congresso), optou por deixar o país e atuar na italiana Fiorentina.

COPAS DE 1982 E 1986

A Copa do Mundo de 1982 ficou marcada para os brasileiros pelo grande time que acabou não vencendo. Esta geração do início dos anos 80 foi uma das mais talentosas do futebol. Ao lado de Toninho Cerezo, Paulo Roberto Falcão, Zico, Éder, Júnior, Leandro, Luizinho, Oscar e Batista, Sócrates fez parte de um meio campo inesquecível, de toques rápidos e envolventes. Após ser eliminado pela Itália no mundial de 82, ele declarou que foram os 30 dias mais perdidos de sua vida.

Na Copa seguinte, em 1986, o doutor e sua geração não eram mais os mesmos. Telê estava de volta, mas o encanto passara. Vivia-se a censura da palavra imposta pela direção de Otávio Pantera Cor de Rosa Pinto Guimarães e o mui nobre e ilibado Nabi Abi Chedid. O Magrão perdeu um dos pênaltis na fase de quartas de final e assim ficou marcado. Foi a última aparição de Sócrates com a camisa amarela. Mas sua classe nunca foi esquecida.

Seus últimos anos no futebol não tiveram o mesmo brilho. Sócrates teve problemas de relacionamento com seus companheiros de clube. Alguns chegaram a dizer que ele suspeitava da manipulação de resultados com participação de alguns de seus companheiros. O Doutor ainda voltou ao Brasil para atuar no Santos e no Flamengo. Justiça seja feita, no time da Vila, só o consórcio Luqui Bandeirantes se entusiasmou. Já no time de Zico, passou correndo sem deixar lembranças. Sem o mesmo brilho das atuações de anos anteriores, o Magrão optou pela aposentadoria em 1989, onde tudo começou, no Botafogo de Ribeirão Preto.

NENHUMA LIGAÇÃO COM AS PESSOAS DO TIME ATUAL

O Corinthians conquistou no final de semana o seu quinto título brasileiro. Óbvio que pulularam matérias ligando o grande Sócrates a este Corinthians campeão nacional, mas que em sua gestão atual nada representa o Magrão. As glórias e os títulos, sim, como bem provou a torcida ao homenageá-lo com o braço erguido no minuto de silêncio antes do jogo contra o Palmeiras.

A CBF está se brindando. Após muitas ameaças contra Ricardo Teixeira, o “dono” da entidade foi “obrigado” a distribuir o poder entre seus aliados mais recentes, todos eles vindo do Sport Club Corinthians Paulista – quem diria, logo de quem, dos mosqueteiros do povo, malditos como “gambás” pelas torcidas rivais. A cada dia, o Corinthians mais se assemelha ao Boca Juniors, dentro e fora das quatro linhas. No segundo aspecto, a frase acima não é nenhum elogio.

Voltando às manobras do Imperador Teixeira, primeiro, Andrés Sanchez, que sempre disse que não tinha interesse em comandar a CBF deu o primeiro passo para isso, ao assumir como diretor de seleções a partir de 2012, assim que sair da presidência do Corinthians.

A última cartada veio na última semana. Ronaldo Nazário de Lima foi escolhido para assumir a direção do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo. O Fenômeno terá a missão de aproximar pessoas (ou será tirar de cena Ricardo Teixeira antes que seja tarde?) já que a presidenta Dilma Rousseff demonstra total descontentamento com o presidente da CBF.

Ao anunciar Ronaldo, Teixeira disse que é hora da conciliação para podermos realizar a melhor e mais bela Copa de todos os tempos. O presidente corintiano voltou a fazer elogios ao R-Marketing-9 que, segundo ele, tudo o que toca vira ouro e, nesse caso, não será diferente (será?).

Ronaldo, o que confundiu André Luiz com Andréia (estava escuro e ele bêbado, segundo declarações oficiais….), faz tudo por dentro e com rubrica, sob o amparo de uma transnacional de marketing, relações-públicas e assessoria de comunicação e eventos. Não queima o filme dos sofredores como Kia Joorabchian do sultanato de Dualib, mas se batesse de frente com um grupo furioso de procuradores, talvez desguiasse, pulando da jangada, deixando “seu amigo” Andrés sozinho entre tubarões.

Romário já deu a dica ao ex-companheiro de ataque da Seleção. Se ele não quiser queimar sua imagem, basta realizar uma auditoria assim que assumir.

“NUNCA SERÃO”

Frase famosa do filme Tropa de Elite 1, repetida pelo lutador Anderson Silva no UFC-Rio 2011, encaixa-se como uma luva para Ronaldo e Andrés Sánchez. O Fenômeno foi genial dentro de campo, mas fora dele não podemos dizer o mesmo.

O presidente do Corinthians também pode ser considerado um gênio na arte de conquistar aliados e, indiscutivelmente, em termos de resultados, saindo no auge, com o título brasileiro. Os maiores exemplos de “amigos” são Ricardo Teixeira, Ronaldo e a alta cúpula da Rede Globo, a quem ele se referiu como gângster no início do ano. Ah, como já dissemos várias vezes, Andrés é sincero, muito sincero!

A relação de Sócrates com o presidente do Corinthians era conturbada. O doutor sempre deixou claro que não concordava com a administração de Sanchez. Meses atrás, Sócrates negou o convite para por os pés na calçada da fama do clube do Parque São Jorge. Não queria ser visto ao lado de Andrés.

FUTEBOL PARA ALÉM DAS QUATRO LINHAS

Fora de campo, Sócrates foi o que Ronaldo não é, e talvez nunca seja. Um lutador contra tudo que há de ruim no futebol, um claro exemplo que nos inspira a escrever e seguir com uma coluna com a perspectiva que nós temos.

Num mundo em que a criticidade é cada vez mais exceção, isso é visto por nós como uma dádiva. Nos campos futebolísticos, então, é uma imensa exceção, e isso juntando jogadores, comissões técnicas, dirigentes e jornalistas esportivos.

Escrever futebol “além das quatro linhas” é mais que o simples ato de preencher linhas ou pixels, é vivê-lo sob os diversos matizes proporcionados por este esporte, entendendo por que fazem o que fazem com a nossa paixão; racionalizando o máximo possível sobre algo que muitas vezes é irracional, explicando as relações de poder sobre, mas nunca esquecendo do amor em torno do assunto. Sócrates reflete isso.

TRÊS NOTAS PARA NÃO DEIXAR PASSAR

Nota de epílogo, primeira parte:

O S.C. Corinthians Paulista é muito maior do que a vivacidade de seus dirigentes e os diretores da Gaviões, torcida-empresa. Mas, na medida em que estas duas estruturas de poder – cartolagem e torcedores profissionais – vão tomando conta do espetáculo e marketizando o “ser curíntia” como um clichê de anúncio mal feito, a tendência é a fusão de imagens. Depois, para retirar um de dentro do outro, fica muito difícil.. O melhor exemplo é o C.R. Vasco da Gama, vice-campeão do Brasileiro 2011 e uma agremiação que deu a volta por cima. Para tanto, tiveram de “desEuricar”, embora escorando-se no ex-deputado estadual tucano Roberto Dinamite. Ainda dá tempo para a Fiel Torcida, mas tudo se encaminha para um processo à la Boca Jrs. Pré, durante e após Mauricio Macri. Cuidado!

Nota de epílogo, segunda parte:

Alô Pica-Pau, brioso informante e notório comentarista desta modesta coluna. Por favor, manda informações, tudo o que vier nós checaremos e vamos publicar, doa a quem doer. Pica-Pau, correio eletrônico também funciona….aquele abraço e bola prá frente.

Nota de epílogo, terceira parte:

Para a massa Xavante da Princesa do Sul. Valeu pelo retorno e a repercussão. Ou as mais de 24 micro-regiões do Rio Grande se unem e organizam uma defesa de suas expressões culturais, como os clássicos citadinos por exemplo, ou tudo vira pó sob a pressão da grenalização do futebol e a peleia selvagem pela audiência das rádios generalistas de Porto Alegre. Contem com a gente.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

E a nota, senhor consumidor? – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

6, dezembro, 2011 Claudemir Pereira 2 comentários

A educação para o consumo é um dos direitos básicos do consumidor, da qual decorre a orientação e informação não só para o consumidor, mas também ao fornecedor. Este é o pilar que sustenta o princípio da harmonização das relações de consumo.

A Nota Fiscal é o documento que comprova a relação comercial, além de garantir a eficiência administrativa da arrecadação do Estado. Em que pese, a nota é essencial para que o consumidor possa reclamar seus direitos, uma vez que ela comprova a compra, daí a sua necessidade.

Ocorre que, não raramente, os consumidores deixam de exigir a nota, ou pior, trocam-na por descontos; ou ainda justificam a ausência de tempo para sair com o produto da loja sem que exija seu primeiro direito enquanto consumidor: a nota fiscal.

Tenho como convicção que os nossos direitos andam correlacionado aos nossos deveres, e por esta razão não há que se falar em direito (do então consumidor), sem falar no dever de exigir a nota fiscal do produto que compra ou do serviço que contrata.

É prática comum os consumidores deixarem de solicitar a nota fiscal. Os comerciantes não negam o documento, mas também só emitem, na maioria das vezes, quando o consumidor solicita.

Por certo, é incoerente julgarmos as corrupções do país quando somos cúmplices da sonegação, quando negligenciamos nosso próprio direito/dever.

Compra boa é aquela que não gera problema, consumidor consciente é o que cumpre seus deveres para exigir os seus direitos. Pedir nota fiscal é um ato de cidadania!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

A crise financeira na Europa: longe e muito perto, ao mesmo tempo – por Andreas Dittmar Weise (com Carlos Costabeber)

Pedi ao meu amigo, Professor Andreas Dittmar Weise (que trocou a sua Alemanha pela UFSM), que ocupasse esse espaço, escrevendo um texto s/ a crise européia. Estudioso do assunto, tem me dado verdadeiras aulas s/ a economia européia. Por isso, fiquei feliz em tê-lo convencido a escrever o artigo abaixo.

Obrigado, Andreas!

Carlinhos

“Quem imaginou que o “velho mundo” como Donald Rumsfeld chamou Europa, teria tantos problemas com as próprias dívidas?

Olhando nos fatos, era só uma questão de tempo, pois este jogo não funciona mais. 

Políticos, na maioria dos governos do mundo, fazem sempre o mesmo jogo: perto das eleições oferecem incentivos, subvenções, diminuições de impostos (tudo em nome da liberdade da economia), que só fazem as dívidas aumentarem . Como no caso de Espanha, onde a salvação dos bancos na crise de 2008, fez dobrar as dívidas daquela nação ibérica.

Em função desta crise, muitos países apoiaram seus bancos, como Grécia, Portugal e Irlanda. Mesmo países com economias fortes como Itália e França tem tido problemas para refinanciar as suas dividas.

A solução que os governos europeus adotaram foi criar um guarda-chuva de 750 bilhões de Euros e o Banco Central autorizado a comprar as dívidas dos países, em vez de deixar abrirem falência, como a Grécia.

Mas por que tudo isso?

Essa é a idéia européia! 

Não foram criados mecanismos que permitam que um país possa sair da zona do Euro. Da mesma forma, justificam que se um sair, acaba o Euro. Ou que precisa-se de Euro para não haver novas guerras na Europa. Tudo isso, para que as populações continuem a aceitar esta loucura.

A criação da União Européia com o Euro (uma moeda única para todos países) sem ao mesmo tempo criar um sistema político unido não funciona, como sabemos hoje. Este experimento falhou em tudo, desde o início quando alguns países como Grã-Bretanha (que tem muito influencia no Europa) não aderiu ao Euro. E assim, bloqueiam tudo que seria bom ou contra os interesses nacionais. Cada um só pensando em si mesmo!

O guarda-chuva é uma oferta para especular contra os países, por que os governos europeus estão dispostos de pagar. O Banco Central também não consegue comprar todas os dívidas dos países como da Grécia (237 Bilhões Euros), Espanha (1 trilhão Euros) ou Itália com 1,5 trilhões de Euros. Idéias maravilhosas, só que  tem um único resultado: o cidadão vai pagar bem caro!

Pior ainda ! Os políticos acabaram com a confiança dos mercados, em vez de resolver os problemas, como Berlusconi fez na Itália. Na Itália e Grécia temos hoje governos não eleitos pelo povo, como Papdimos (Grécia) e Monti (Itália), que não estão nos parlamentos e foram professores, ou seja, tecnocratas que foram colocados no poder para resolver os problemas e dar confiança aos mercados.

Outras soluções ainda discutidas são os Eurobonds ou Europa de duas velocidades. Eurobonds são dívidas acumuladas por alguns países, para conseguir um melhor rating, ou seja, pagar menores juros do que o normal. A Europa de duas velocidades significa que países com bom rating e baixas dívidas fazem uma integração política maior. Mas será que isso pode ser a solução???

Tenho ainda minhas duvidas! Mas uma coisa é clara. Governos, dependentes do nível municipal, estadual ou federal, devem PARAR DE GASTAR dinheiro com projetos utópicos ou desnecessários só para demonstrar atividade. CUIDAR as finanças e não somente dar “presentes” para cidadãos nas eleições. PLANEJAR para a próxima geração e sobretudo dar CONFIANÇA para o mercado. Assim, vamos passar pela crise e o futuro pode chegar.”

A derrocada do futebol do interior gaúcho. E suas causas – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

30, novembro, 2011 Claudemir Pereira 1 comentário

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 28 de novembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

Refletindo a decadência do futebol gaúcho

Para quem olha para o futebol gaúcho como uma possibilidade de fuga do domínio – reflexo socioeconômico – do eixo Rio-São Paulo, a tendência é tomar um susto com o regresso apresentado nos últimos anos.

A ilusão seria seguir falando dos vários títulos do Internacional, justificando o seu nome a partir da última década, ou da “imortalidade” do Grêmio, provada nos rincões da Série B e da final da Libertadores logo a seguir. É algo que de tão visível acaba escondendo problemas maiores no futebol local.

O Rio Grande do Sul que já teve o título da Copa do Brasil de 1998 com o Juventude, em pleno Maracanã, contra o Botafogo e que viu em 1986 o Brasil de Pelotas eliminar o Flamengo de Zico e cia nas quartas de final do Brasileiro, vê o interior do estado em amplo processo de decadência.

Para se ter um parâmetro, enquanto o futebol alagoano terá dois times na Série B, o Rio Grande do Sul não terá nenhum. Vale lembrar que a economia alagoana é bem pior que a do interior gaúcho, não tendo, por exemplo, um banco estatal para patrocinar os clubes.

O Brasil de Pelotas foi rebaixado da Série C porque um lateral não cumpriu uma punição acumulada do ano passado. Ainda assim, só escaparia nos critérios de desempate contra o paulista Santo André e o também gaúcho Caxias, que foi o último campeão gaúcho (e isso em 2000) fora a dupla Gre-Nal,  quando apareceu o atual técnico corintiano Tite.

O time da Serra Gaúcha será o único representante do estado na Terceira Divisão (!). O Pará contará com o outrora forte Paysandu e o Águia de Marabá.

O citado Juventude, também de Caxias do Sul, foi eliminado nas oitavas de final da Quarta Divisão e só garantiu vaga para o ano que vem porque venceu a Copa Laci Ughini, a “Copinha” do segundo semestre promovida pela Federação Gaúcha.

O Cruzeiro de Porto Alegre, terceiro colocado do Gauchão 2011, não passou da primeira fase da Série D. O outro representante do Estado só será definido no estadual do ano que vem. A coisa tá feia.

OS ESTADUAIS RESISTIRAM, MAS COM PERDA DA FORÇA DOS PEQUENOS

O Brasil é o único país do mundo onde existem os campeonatos estaduais de futebol profissional. Alguns comentaristas fazem longas teses para pedir o fim destes torneios, que deveriam ser apenas para clubes pequenos (gostaríamos de descobrir o que estes comentaristas entendem por pequenos).

Há quem defenda que o Campeonato Gaúcho evoluiu, que hoje é um campeonato moderno. Mas os anos acabam mostrando que nada mudou, quer dizer, só piorou. A dupla Gre-Nal continua soberana. Onze anos sem surpresas, com Grêmio e Internacional alternando os títulos estaduais, com um time de médio ou pequeno porte aparecendo em alguma final de turno, como foi o caso do Caxias, no primeiro deste ano.

Times do interior gaúcho vivem sob condições precárias. Ao contrário dos grandes porto-alegrenses, a dificuldade de manter um clube em atividade por doze meses no ano é o maior desafio encontrado pelos dirigentes. A subida ou descida de divisão depende do maior apoio de um grupo político e/ou empresarial. Este drama é comum a todo futebol profissional do interior brasileiro.

15 DE CAMPO BOM MOSTROU MANO MENEZES AO MUNDO

Alguém lembra do 15 de Novembro, de Campo Bom (Vale dos Sinos), que em 2004 chegou às semifinais da Copa do Brasil, deixando no caminho o Vasco, com vitória por 3 a 0 em pleno São Januário?

O time havia se qualificado para participar da sua segunda edição do torneio por ter sido vice-campeão do Gauchão em 2003 – e também no ano anterior, ambos após derrotas para o Internacional.

Aquele time de 2004 fora treinado por Mano Menezes, que após passagens ruins por clubes do interior gaúcho e paranaense pode mostrar o seu trabalho e alçar voos maiores, que o levaram hoje a treinar a Seleção brasileira de futebol – ou o que o Ricardo Teixeira quer que isso seja.

Nos seus rápidos tempos áureos, o 15 voltaria a ser vice-campeão gaúcho em 2005 e a aparecer no cenário nacional após tirar o conterrâneo Grêmio na segunda fase da Copa do Brasil, sendo eliminado em seguida para o Volta Redonda.

A pedra no meio do caminho foi a crise do setor coureiro-calçadista – que migrou para o Nordeste em busca de maiores isenções fiscais. O clube hoje está licenciado da Federação Gaúcha por falta de condições de se manter.

COTAS DE TRANSMISSÃO

Apesar do já citado apoio do Banrisul, a diferença paga para Grêmio e Internacional em relação aos demais ainda é grande em vários níveis, não só no caso da publicidade para quem “tem tudo”, como diz o slogan da instituição financeira.

No caso estadual, a Federação Gaúcha paga cotas maiores à dupla Gre-Nal, daí a disparidade dentro de campo, seguindo um modelo espanhol – algo já comentado em outras colunas – em que o torneio fica restrito a quem tem maior aporte financeiro na competição.

Fica a dúvida (?): os clubes não arranjam mais patrocinadores porque não ganham torneios ou não ganham torneios porque não têm jogos transmitidos pela TV, o que prejudica a quantidade de possíveis apoios financeiros às campanhas?

Para resgatar a importância da TV também para os clubes do interior se manterem, trazemos o caso do Brasil de Pelotas de 2009. O ônibus com a delegação do time sofreu um grave acidente quando voltava de um amistoso, com a morte de três pessoas, dentre elas o ídolo xavante Cláudio Milar.

Na época, o clube não tinha as mínimas condições para ter jogadores em campo, tanto por motivos físicos, quanto psicológicos e financeiros, já que faltava uma semana para o início do torneio.

Após muita discussão, o problema principal era que os clubes já haviam recebido as cotas de transmissão da Rede Brasil Sul (RBS), com determinação de jogos a serem transmitidos e tudo o mais. Não se poderia atrasar o campeonato.

Esta informação não vem de fontes ocultas, mas de dois funcionários do Grupo, ao menos naquele período, o repórter fotográfico Nauro Júnior e o jornalista Eduardo Cecconi, autores do livro A noite que não acabou (Livraria Mundial, 2009). Eis um dos trechos:

“A urgência pelo respeito ao contrato que proporciona aproximadamente trezentos e cinquenta mil reais para cada clube pela cessão dos direitos de televisionamento afligia de tal maneira Novelletto [presidente da FGF], que reiterava a iminência de ter o fígado devorado se a tabela não fosse religiosamente cumprida” (p. 193).

É óbvio que não se coloca aqui a culpa de um acidente automobilístico nos Sirotsky, mas é inegável que ter de fazer um jogo a cada dois dias do primeiro turno daquele ano em muito contribuiu para que o time fosse rebaixado. E, pior do que isso, para que o clube de maior torcida no interior do RS entrasse numa rota de decadência.

CONGRESSO VIRA FARRA

Enquanto os seus clubes vão sendo tornados pequenos, a Federação local viaja a América do Sul para realizar congressos técnicos.

Em anos anteriores, a FGF os realizou em Montevidéu e Buenos Aires. Desta vez o Chile foi o destino, mais precisamente o luxuoso Regal Pacific, próximo dos centros comerciais.

A visita à ANPF (Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile) parece que não estava no roteiro, ou não deu tempo. Os cartolas passaram longe. Já Viña Del Mar e Valparaíso, pontos turísticos litorâneos, foram locais propícios para se debater sobre futebol?

Cerca de 60 pessoas, entre dirigentes e suas esposas (afinal elas também vivem de futebol), ganharam um natal antecipado do senhor Francisco Noveletto.

O presidente da Federação Gaúcha argumenta que o dinheiro gasto não é da federação. Quem teria bancado a “festa”, segundo ele, são os patrocinadores (não se trata da rede de lojas do presidente). Enquanto eles desperdiçam o dinheiro em farras, seus clubes vivem com a corda amarrada no pescoço.

PARECE PIADA

Mas não é só congresso técnico que sai do seu local de origem. Único grande atrativo de torcedores – ao menos no que aparenta ser a visão dos dirigentes, já que Ca-Ju também é clássico – o clássico Gre-Nal na fase classificatória percorre outras cidades e até outros países.

Nos últimos campeonatos gaúchos, tivemos clássico em Erechim, interior gaúcho, e Rivera (Uruguai), com um grande contingente de gremistas e colorados que residem naquela região. Os clubes receberam um bom dinheiro e os estádios tiveram bom público, apesar do superfaturamento dos ingressos.

Há um suposto convite para jogar um clássico em Boston ou Miami (EUA). Parece mais uma piada de mau gosto. Que os dois grandes clubes vão ganhar dinheiro disso não duvidamos, mas e o torcedor? Como vai se deslocar até os Estados Unidos no único clássico garantido pela “moderna” tabela?

Enquanto isso, os clubes do interior caem num ostracismo que é altamente prejudicial ao futebol local. Se no Rio de Janeiro só sobraram os quatro grandes, o Rio Grande do Sul só possui dois, o que diminui o potencial de barganha e de enfrentamento inclusive em áreas como a definição dos direitos de transmissão e da publicidade.

Torcedor apaixonado existe em qualquer lugar e deveria ser o foco de um clube, mas ninguém pensa nele mesmo. Esta figura só é lembrada pelos homens da cartola quando o nó da gravata aperta e os clubes estão no sufoco, beirando o rebaixamento ou no “fundo de um poço sem fundo”, como é o caso dos outrora famosos times do interior gaúcho.

É HORA DA ADAGA!

Esta coluna editorialmente entende que é chegada a hora de se valer das melhores tradições rio-grandenses e partir para a peleia direta contra a cartolagem e todas as forças sinistras que fazem da capital uma sanguessuga das mais de 24 microrregiões do estado. Se o futebol é parcela importante da identidade de um povo, é hora de defendê-la a ferro e fogo.

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

Uma vida, uma oportunidade – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

29, novembro, 2011 Claudemir Pereira 3 comentários

No sábado troquei de idade, cheguei aos trinta e dois anos. E disso, achei oportuno pensar sobre o que somos e sonhamos nos entremeios dos trinta e poucos anos.

Quem sou? Em um primeiro momento uma pergunta simples. Agora! Pare e pense exatamente quem você é. Quem somos? Quem eu sou? Creeedo, pano pra manga, manga longa. Pausa! Quem somos?! Talvez seja melhor nem pensar, mas porque fugir. Vamos lá.

Nasci em Santiago, em um certo 26 de novembro, quase nos anos 80, mas ainda sou da década de 70. Desde então, já fiz a felicidade de alguns, a tristeza de outros…as minhas próprias felicidades e tristezas.

Os culpados? Dona Martha e o Seu Pedro, em miúdos, mãe e pai. Dos meus primeiros passos…Opa, há quem diga que eu já sai correndo. Caminhar pra quê? As lembranças da infância vêm dos verdes da Fazenda Santa Rita, do meu avô, do meu pai…hoje de alguém. É de lá que eu defino boa parte do “quem sou eu”…dos primos, das tias, hoje grandes amigos. Dos dias de chuva, dos banhos no rio, dos cavalos, das ovelhas…paixão do meu pai, ainda suspeito que ele gostasse mais delas do que de mim…da poeira da estrada, das primas da capital, do gosto do milho verde assado ao fogo de chão, do cigarro de palha, do Xico, da Cacá, da Maria, da Aline…

Quem sou eu? Chego lá, no momento, sei que fui um magricelo, orelhudo…e com o joelho maior que a cabeça. Entre todos os meus tropeços, já fui o menino do terceiro andar que vestia terno e gravata aos 8 anos de idade e vendia livros velhos aos vizinhos; o melhor amigo do Pantor (o meu primeiro cachorro); o cara da escola; o do fundo da sala; o que matava aula (já voltei pra casa com um pé de tênis, por que o outro a professora pegou na hora em que eu pulava o muro da escola); o das boas notas; das ruins também; o vice-campeão de tennis; o último a ser escolhido no futebol, mas o dono da bola (só assim eu jogava); presidente da sala, do grêmio estudantil, do diretório acadêmico. Fã do Guns…fumante; ex-fumante; fumante novamente, ex-fumante; o cara das contradições, comprometido na faculdade; anarquista no colégio…tudo a seu tempo, em todo tempo tudo…inquieto, impulsivo, determinado…

Sou ainda o cara que queria fazer arquitetura e formou-se em Direito, que se apaixonou pelo Direito Penal, casou-se com o Direito Civil, mas assumiu a relação com o Direito do Consumidor. Hoje, sou o cara que se diverte em sala de aula e sujo de giz um eterno aprendiz com os meus alunos.

Bah…acabo de descobrir que posso falar horas sobre eu mesmo…ainda que restem coisas. Sou muitas vezes o filho ausente, que descobriu a falta e saudades que a ida de um pai faz…da tristeza que foi e do sentimento bom de saudades que sobrou. Sou o filho da mãe, minha melhor lição…chega uma altura da vida em que os papéis invertem-se, aí passamos a entender as horas em que elas não dormiram.

Quem eu sou? Aqui já ‘somos’, pois em certa altura passamos a caminhar de mãos dadas. Somos dois, mesmo querendo ser um, e talvez sejamos dois em um, ou um em dois. Uma escolha, um amor, como digo: uma ideia, a melhor iDéia.

Vou terminar por aqui, e com isso talvez eu tenha descoberto que a tarefa difícil de escrever sobre si, pode ser uma agradável surpresa sobre o que pensamos de nós.

Por mais que existam inúmeras palavras nada nos define, nada nos limita…Somos a soma daquilo que fomos, ao que somos e ao que queremos ser. Uma inconstância eterna sobre nossos papéis, erros e acertos.

O segredo está na aposta consigo mesmo. Confio na possibilidade de continuar, uma espécie de aposta da minha parte, e embora possam me chamar de sonhador, louco ou, qualquer outra coisa, acredito que tudo é possível. Uma vida, uma oportunidade!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com   

@vitorhugoaf

Absurdo: evasão nas universidades é de 50% – por Carlos Costabeber

28, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Há muito tempo sou crítico do número absurdo de acadêmicos das nossas universidades, que desistem do curso no meio do caminho.

Só que numa conversa com a minha amiga, a poderosa Irma Irani da Unifra, “fiquei de cabelo em pé”.

Para minha surpresa, a evasão escolar nas universidades brasileiras, públicas e privadas, CHEGA A 50%, considerando o abandono puro e simples e mais o número de vagas não preenchidas nos vestibulares.

Imaginem o desperdicio de dinheiro público nas universidades federais;

Imaginem o sacrificio dos pais para manter os filhos nas universidades particulares;

Imaginem a angústia na cabeça de milhares de acadêmicos.

Literalmente, TODOS SAEM PERDENDO. Sem falar na frustração, em sonhos desfeitos, na falta de bons profissionais no mercado. A sociedade brasileira é a grande perdedora, pois um país com tantas carências, não pode se dar a um desperdicio dessa grandeza.

Se ficarmos só no ABANDONO dos cursos, a evasão nacional média é de 25%, sendo que aqui na nossa UFSM, deve andar por volta de 17%. É muita coisa !!!!!!

Mas acredito que alguns fatores sejam determinantes para essas desistências:

1) Os jovens têm de escolher uma profissão MUITO CEDO. Com 16/17 anos, a gurizada tem de optar por um curso superior. Falta-lhes maturidade, conhecimento, e principalmente, ORIENTAÇÃO VOCACIONAL.

2) São muitas as opções de escolha. Só a UFSM oferece 100 cursos de graduação, nas mais diversas áreas. E muitos cursos são recentes, sem um histórico de aproveitamento profissional e que foram criados para atenderem novos nichos de mercado de trabalho.

3) FALTA DE PENSAMENTO COMPETITIVO. No mundo moderno, a disputa pelo mercado de trabalho é cada vez mais árdua, e as escolas e as próprias famílias não conseguem preparar os jovens para essa dura realidade.

4) A grande oferta de novos cursos de graduação também tem gerado profissionais para áreas de atividade que não se sustentam. O mercado de trabalho, cada vez mais seletivo, não consegue viabilizar economicamente os egressos de muitas profissões.

Isso acaba “espantando” os acadêmicos que tinham outra expectativa quando da escolha de uma carreira.

Por fim:

Vejam que o assunto é por demais complexo para ser abordado nessas poucas linhas. Mas como pai, professor e empresário, e por ter uma visão global do mercado de trabalho, deixo esse alerta para reflexão das instituições de ensino (de segundo e terceiro graus), dos jovens e de suas famílias.

É muito desperdício de dinheiro e de energia; são muitas as frustrações e as incertezas.

Para encerrar, cito um exemplo aqui mesmo de Santa Maria, que tem 6 cursos de Direito e 6 de Administração, para um mercado, penso, já saturado.

A chegada do “gladiador” Kleber e o deputado Odone – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

23, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 21 de novembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

A NOVA NOVELA DO FUTEBOL BRASILEIRO TEM COMO PROTAGONISTAS KLEBER E O GRÊMIO

Odone tenta criar mais um mito com a contratação de Kleber. O “gladiador imortal” terá que reerguer gestão de presidente gremista

Quando se tem uma contratação que demora semanas, até meses para ser concluída no futebol, logo se traz à tona a palavra “novela” para designá-la. O atacante Kleber e o Grêmio sabem muito bem serem protagonistas delas, chegou a vez de atuarem juntos.

Na última semana, o “Gladiador” foi notícia nos principais jornais do Brasil, principalmente na imprensa gaúcha. O Grêmio através do seu presidente (e deputado estadual pelo PPS) Paulo Odone, passou a fazer todo o esforço para contratar o atacante.

A negociação teve direito a voo fretado (São Paulo-Porto Alegre) e reunião na casa de empresário, até terminar em uma famosa boate de Porto Alegre. O bom atacante dentro de campo, problemático fora dele, pediu tempo para pensar.

Kleber chegou a dizer que não queria sair de São Paulo por conta das filhas, mas especula-se que o Corinthians estaria atravessando o negócio, mesmo com uma melhor proposta do tricolor gaúcho. Não custa lembrar, porém, que apesar da ligação com o rival Palmeiras, o coração, ao menos na juventude, era corintiano.

O supersincero, e em fim de mandato, Andrés Sanchez primeiro disse que não passaria por cima dos gaúchos, para depois confirmar o interesse no jogador, mas com uma proposta menor de salário e de compra de parte do passe.

No sábado (19 de novembro), após uma surpreendente derrota para o Ceará em pleno Olímpico, o executivo de Futebol gremista, Paulo Pelaipe, confirmou a contratação de Kleber – mesmo que durante a semana o Fluminense, numa negociação paralela, quase estragasse tudo. Com aval do Palmeiras, os tricolores já podem apresentá-lo oficialmente como o grande reforço para 2012, que ao menos em termo de salário (R$ 500 mil por mês) não deixa dúvidas disso.

O MEDO DO NOVO MICO

O presidente do Grêmio temia pagar um novo “mico”. Ressabiado do episódio Ronaldinho Gaúcho no início do ano, em que no dia marcado para o anúncio até caixa de som foi instalada no gramado do Olímpico, Odone optou por não dar como certa a contratação do “Gladiador”.

Mesma atitude tomou a imprensa gaúcha. O jornal Zero Hora optou por aguardar, já que em episódio anterior seu editor executivo de esportes deu a barrigada do ano, quando garantiu Ronaldinho no Olímpico. O ex-melhor do mundo acabou acertando com o Flamengo, e a imprensa preferiu culpar a família Assis e a direção gremista. Afinal, jornalista esportivo cravando contratações que não chegam não é novidade alguma.

Kleber também tem históricos com ameaças de negociações. Após uma sondagem do Flamengo no meio deste ano, que lhe oferecia um salário maior que no Palmeiras, onde tinha grande identificação com a torcida – em especial com a organizada Mancha Alviverde –, chegou a adiar a entrada em campo para completar sete jogos pelo clube no Brasileiro, o que inviabilizaria sua participação em qualquer outro time.

Mesmo após o “fico”, o atleta caiu de rendimento, marcando apenas um gol pela Série A a partir daí. Após a suposta agressão de torcedores contra o volante João Vitor, Kleber peitou técnico e vice-presidente de futebol, fechando a sua segunda passagem pelo clube paulista da pior forma possível.

PENSANDO NO FUTURO

Paulo Odone de Araújo Ribeiro é um grande visionário. Sempre fez tudo pensando no futuro. A tentativa de apagar o péssimo ano de 2011 tem muito a ver com o que poderá vir, mas não exatamente  para o clube.

Odone se elegeu deputado estadual pelo PPS usando como palanque eleitoral o Grêmio Futebol Porto-Alegrense. Após trazer o clube de volta à primeira divisão nacional de forma épica, as eleições de 2010 ficaram fáceis. O presidente foi eleito para mais um mandato como deputado estadual com mais de 60 mil votos. Nas eleições do clube, venceu em primeiro turno, com 222 votos dos 279 conselheiros presentes, alcançando seu quarto mandato.

Com gestão de dois anos, o certo é que o mandatário tricolor tem somente 2012 para tentar se redimir junto à torcida gremista e salvar sua carreira política. Neste ano, o time disputou ferreamente o Gauchão contra o rival Internacional que, mesmo com um elenco bastante superior, só venceu o torneio nos pênaltis.

No Brasileirão, viveu altos e baixos, com direito a demissão do ídolo, e salvador de 2010, Renato Portaluppi, o que gerou grandes desentendimentos com a torcida, que teve que ver o fracasso do ex-auxiliar técnico de Falcão, Julinho Camargo, e o sempre discutível Celso Roth até o fim de um campeonato que o clube não almeja grandes coisas há algumas rodadas.

A primeira missão do “Gladiador” é, sem dúvida, apagar os fracassos do seu novo presidente. Caso contrário, Paulo Odone corre o risco de virar um novo Eurico Miranda, que de ídolo e deputado federal dos vascaínos, nas eleições seguintes teve menos votos que porteiro de prédio e, no clube, é lembrado por detalhes não futebolísticos, no melhor estilo Luiz XIV.

Kleber assina por cinco anos…vamos ver quanto tempo levará ate a primeira encrenca.

VOLTARAM A DISPARAR

Por mais que a Copa do Mundo FIFA 2014 não seja o assunto principal da coluna, ela sempre vai aparecer. Odone é o Secretário Extraordinário do evento no Rio Grande do Sul, mesmo sendo presidente do rival do time que, ao menos por enquanto, terá seu estádio como sede do evento.

Brigas gaúchas a parte, Romário voltou a atacar nos últimos dias. Ao participar de um evento ao lado de Neymar e Pepe (o maior artilheiro da história do Santos, porque Pelé é hour concours), o baixinho disparara contra o Rei do futebol: “ Ele não tem p… nenhuma de consciência. Eu prometi para mim mesmo que não falaria do Pelé. Uma vez eu disse que ele calado é um poeta. Guardar mágoa é coisa de babaca. Ele tem de calar a boca. E tem mais. Eu não levo nenhuma da CBF. Eu não sei se ele leva”.

Edson Arantes do Nascimento respondeu dias depois, afirmando que não ouviu a frase do atual deputado federal pelo Rio de Janeiro (PSB-RJ), mas que não tinha relação alguma com a CBF, apesar de dizer que não havia nada provado contra seu presidente, Ricardo Teixeira.

Sobre o jornalista inglês Andrew Jennings, da BBC, principal inimigo da FIFA, o ex-artilheiro de Vasco e Flamengo disse que na opinião dele se trata do maior jornalista da atualidade, pois ele descobre coisas que ninguém descobre.

Nos Emirados Árabes, outro baixinho famoso, Diego Maradona tecia críticas ao presidente da FIFA Joseph Blatter, que teria contemporizado os casos de racismo entre atletas dentro de campo. “El Pibe de Oro” pediu medidas contra Blatter, destacando que “Blatter já cometeu muitos erros anteriormente. Seja por suas decisões ou o que ele falou, não é a primeira vez. Normalmente, os erros dele não são a favor do futebol”.

Sobre o caso, que se refere às denúncias contra o zagueiro inglês John Terry (Chelsea) e o atacante uruguaio Luiz Suárez (Liverpool), até o ministro do Esporte do Reino Unido, Hugh Robertson, defendeu a saída de Blatter da presidência da entidade por conta de atitudes como esta. Lembra-se que o Parlamento inglês formou uma espécie de CPI para entender como se perdeu o direito de realizar a Copa do Mundo para países como Rússia (2018) e Catar (2022), apontando para a compra de votos como único motivo plausível. Como se diz na gringa “Money rules!”, ainda mais se vier de petrodólares ou sob controle de máfias pós-soviéticas.

Pelé foi melhor que Romário e Maradona dentro dos gramados – trazer Blatter para a comparação seria incoerente, pois ele poucas vezes deve ter chutado uma bola. Fora de campo, o argentino teve uma vida repleta de fatos negativos, mas sempre peitou qualquer tipo de interesse contrário aos jogadores e à população oprimida. Romário vem sendo a grande surpresa, positiva, no Congresso Nacional. Já o Edson…

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

Twitter da coluna: @alem_das4linhas

 

Eis o que nos pertence – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

22, novembro, 2011 Claudemir Pereira 14 comentários

Em um dia destes, que não se cuidou em guardar, um personagem qualquer, ainda criança, colocou-se a sonhar.

O personagem adormecido via um dia cinza, sem graça, nem cor. Entre folhas que o vento teimava em espalhar, acomodava-se em bancos doados ao tempo, em uma praça qualquer.

Do tempo, ao tempo, por tempo, não havia lembranças boas, nem sentimento de fé. Talvez, este mesmo tempo, por tanto tempo, tenha feito dos sujeitos sem tempo também incrédulos, inclusive de si.

Pessoas incrédulas, sujeitos apenas da agonia, da incerteza, abandonados ao destino. Destino? Aquele que Deus quiser.

Quem disse que Deus quer?

Queria, quem sabe, sair do mundo imaginário, aportar-se no mundo real, não para fazer milagres, terminar com a pobreza, ou resolver as mazelas da miséria.

Miseráveis, sim, aqueles que não sonham, aqueles que deitam aos bancos do tempo, que observam as folhas passar, sem nem ao menos ser vento, sem, muito menos, fazer forças para atacá-lo.

Aqui o milagre! Deixar a posição cômoda do crítico, tão só e severamente crítico. A transformação está na superação dos sonhos. O primeiro passo? Sonhar!

Sonhamos que estávamos em um novo tempo. Pessoas felizes, que admiravam sua morada, que cuidavam dos seus canteiros. Aguardavam sorridentes os louros do que lhes tinha por vir.

Sujeitos não mais desolados, agora acalentados pelo sentimento de pertença. Que se faça a ressalva, pessoas que passam a ser reconhecidas não pelo que têm, ou pelo que querem ter, mas que se tomam em si, pela essência do que simplesmente são.

O personagem sonhador acordou. E no banco que tivera adormecido, já não era mais o mesmo, nem as fachadas das casas, os entornos das árvores. Assustou-se após o sonho, que se misturava em realidade, luzes e uma gigante árvore encantavam o centro da cidade.

Natal do Coração, ainda são diversos os nossos desafios, ainda assim acredito que 175 mil lâmpadas sejam capazes de acender a esperança. Tal como as 400 mil garrafas pet que ornamentam nossa cidade, que tenhamos também um novo destino, que nos permita sonhar: eis o que nos pertence!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Brasil x EUA: a velocidade dos trens – por Carlos Costabeber

21, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Nessa viagem aos Estados Unidos gravei uma imagem impressionante, para medir a distância econômica, social e cultural que separa os dois países.

Estávamos numa fre-way certa noite, quando baixou uma cancela em frente a uma ferrovia. Em poucos segundos, passou um comboio em alta velocidade (uns 120 km/h), e composto por mais de 100 vagões de carga. Eram vagões identificados como sendo de diversas empresas (a maioria eram da Wallmart) e muito bem conservados.

Instantaneamente, fiz uma comparação com os trens da ALL, tão comuns em Santa Maria, e que trafegam a uma velocidade ridícula, não superior a 20 km por hora, em média.

Sem falar no estado de conservação dos nossos vagões, muitos ainda do tempo da Rede Ferroviária Federal.

De forma automática, linquei aquelas imagens, que bem mostravam a distância que nos separa dos americanos: uma economia que é mais de 10 vezes a do Brasil.

Enquanto que, aqui, por um brutal erro estratégico do Governo Federal, que por pressão das novas montadoras que estavam chegando, e da Petrobrás que queria vender muito mais combustível, relegou o transporte ferroviário a um plano muito inferior.

Deixamos de investir numa malha ferroviária que integraria o Brasil inteiro, que reduziria em muito o tempo das viagens e que teria um ganho de produtividade imensa – reduzindo drasticamente o “Custo Brasil”, para investir no transporte rodoviário de pessoas e cargas.

E, para agravar a situação, por medo de uma improvável guerra com a Argentina, o Governo Brasileiro mandou construir as ferrovias com uma bitola estreita (enquanto que, nos resto do mundo, se usam bitolas bem mais largas).

E um terceiro erro estratégico foi demorar tanto tempo para privatizar a RFFSA; uma estatal que só gerou prejuízos para os cofres públicos, e que atrasou o nosso desenvolvimento como um todo.

Hoje, infelizmente, somos dependentes das rodovias, que, por falta de recursos, são em quantidade e em qualidade, muitíssimo abaixo das necessidades.

De resto, pode-se aplicar esse exemplo comparativo entre as duas malhas ferroviárias, para comprovar o que acontece com TODA A INFRAESTRUTURA do Brasil e dos Estados Unidos. Lá, tudo está feito, está pronto; enquanto que, aqui, tudo está para ser feito.

E se o Governo Federal não apressar a oferta das novas malhas ferroviárias para a iniciativa privada (que tem muito dinheiro e vontade de investir), continuaremos estagnados.

Para concluir, e para provar o quanto nosso País precisa avançar em todos os campos, cito um comentário feito pelo amigo General Adriano.

Disse-me ele que rodou mais de 100 quilômetros por uma rodovia que cruza a cidade baiana de Luiz Eduardo Magalhães, e que nos dois lados da estrada, eram só plantações de algodão. E que toda aquela gigantesca produção estava sendo transportada por caminhões, para ser exportada ou industrializada em SP.

E a sua conclusão não podia ser mais objetiva: por que o Brasil não estimula a industrialização de todo esse algodão, agregando muito mais valor, e gerando milhares de novos empregos? Por que não exportar tecidos com um custo muito menor, ao invés de mandar para a China o algodão bruto, que depois será por nós importado como produto acabado ?

Olhem! Vivemos num País com um dos mais impressionantes potenciais econômicos do mundo. Mas são tantas e tantas as distorções que têm de ser corrigidas, que a minha geração não terá oportunidade de desfrutá-las.

Mas que, mais cedo ou mais tarde, seremos uma nação gigante, isso não restam dúvidas.

A Proclamação da República (de Santa Maria) – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

15, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

No final da década de 1880, intensifica-se a crise da monarquia brasileira. Consubstanciada em uma forma de governo que não correspondia ao contexto social da época, era necessário avançar, e sob um novo cenário progredir nas questões políticas, sociais e econômicas.

A ideia de Proclamação da República Brasileira, em que pese, fortaleceu-se pelo descontentamento entre a Igreja Católica com o Regime Monárquico; desmandos e abusos do Império; e pelo apoio da classe média, indentificada com os ideais republicanos.

Eis que no dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.

Em versos, o Hino da Proclamação da República, entona-se: seja um hino de glória que fale de esperança, de um novo porvir, com visões de triunfos embale quem por ele lutando surgir.

Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós, das lutas na tempestade, dá que ouçamos tua voz. Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país. Hoje, o rubro lampejo de aurora acha irmãos, não tiranos hostis.

Santa Maria da Boca do Monte, cidade que aprendemos a amar, dos andarilhos que se fizeram acampar. Eis aqui, a terra para morar. No dia em que se comemora a Proclamação da República, ainda nos resta desamarrar antigos ranços.

Impérios passados, aqui não cabem mais, e dos desbravadores republicanos, coragem de luta é mensagem que hoje nos é válida aprimorar. Fazendo-se uso da esperança e fé em novos tempos. Ainda estamos diante das vontades que clamam por tantas outras proclamações.

E da letra do Hino, volto a usar, do Ipiranga (do Cadena, Itaimbé) é preciso que o brado seja um grito soberbo de fé (da Romaria, da Medianeria)… Eia, pois, brasileiros (santa-marienses) avante, seja o nosso país (Santa Maria) triunfante.

Livre terra de livres irmãos!

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

Sempre é bom voltar aos “States” – por Carlos Costabeber

14, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Retornei nesse domingo dos Estados Unidos, após uma viagem-prêmio concedida pela Ford. Pelo 6º ano consecutivo, a Superauto ganhou o Chairman´s Award, por ter ficado entre as 10 melhores do Brasil na satisfação dos clientes da marca Ford.

Um prêmio, sem dúvidas, merecido !

A viagem foi com destino a Bocaraton, na Flórida, com passagem por Miami e arredores.

Mas a idéia é focar rapidamente alguns temas a respeito da grande nação americana, após alguns anos de ausência.

E realmente, apesar de ser “odiado por meio mundo”, continua a ser um país extraordinário. Afinal, os Estados Unidos é responsável por 1/4 do PIB do mundo, e mesmo com todas as dificuldades econômicas e do elevado endividamento do povo e do próprio Governo, ainda permanecerá muito a frente dos demais.

No entanto, alguns fatores contribuem para a instabilidade americana.

O primeiro é o desemprego! Só que a imigração é um “mal necessário”, pois os americanos não se prestam para trabalhar em atividades de baixa qualificação/remuneração.

Basta ver que a gente mantém contato quase só com imigrantes: motoristas, atendentes, garçons, faxineiras. Sem falar em toda a mão-de-obra na construção civil, limpeza pública, nas lojas, na prestação de serviços em geral, e em boa parte da indústria.

Então, não haveria um só desempregado nos EUA, se os jovens assumissem uma parte dos postos de trabalho ocupados hoje pelos imigrantes.

Também é comum ver pessoas de idade avançada que continuam a trabalhar; algo pouco usual aqui no Brasil, mas que contribui para a redução no número de vagas.

Outro problema é o elevado endividamento das pessoas. Só que é tamanha a oferta de produtos e serviços, tamanha é a agressividade do marketing das empresa, que fica cada vez mais difícil fazer uma poupança. Ajudado também por uma carga tributária muito menor do que a nossa.

Senão veja o caso dos automóveis: lá eles custam em média, a metade do que aqui; sem falar que a renda é muito superior (o PIB americano varia entre 10 a 12 vezes o PIB brasileiro). Com isso, existe um carro para cada americano. Pode? Pode!!!!

Além disso, é cada vez menor o número de produtos “Made in USA”. Quase tudo o que se vê nas lojas é produzido no exterior, gerando um déficit comercial que cresce assustadoramente.

Mesmo assim, ao contrário dos europeus, os americanos têm condições de mais rapidamente sair da crise. Até porque é uma grande federação, enquanto a União Européia é formada por 27 países, com grandes diferenças econômicas, políticas e sociais entre si.

E agora, com o fim da “Guerra ao Terror”, que já consumiu inacreditável 1,5 trilhões de dólares, o Presidente Obama poderá tentar a reeleição e reconstruir a economia americana (afinal, quando o Bill Clinton deixou a Casa Branca, os Estados Unidos era um país superavitário).

E, pelo que vi nos debates na TV entre os candidatos republicanos à Presidência, e pela rejeição dos americanos aos estragos da “Era Bush”, o Obama deverá conseguir a reeleição.

Por fim, volto mais uma vez ao Brasil, admirado por essa nação que continua a ser a locomotiva do mundo, o berço do empreendedorismo, o baluarte da democracia e da liberdade; a sede do conhecimento e da inventividade.

Sempre é bom voltar aos “States”.

O jornalista inglês, os senadores e as biscas Ricardo Teixeira e FIFA – por Anderson Santos, Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

13, novembro, 2011 Claudemir Pereira Sem comentários

Coluna Além das 4 linhas -  edição da semana de 10 de novembro de 2011 - por Anderson Santos (editor), Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

UMA AULA AOS NOSSOS CONGRESSISTAS

Após a Copa do Mundo de 1998, o Congresso Brasileiro foi palco da CPI da Nike/Futebol. O intuito era dissecar as relações político-econômicas indicadas no esporte mais querido dos brasileiros a partir do contrato com a empresa de material esportivo.

Dez anos depois, não só continuamos com Ricardo Teixeira – o homem que caga montão para as críticas – no comando da CBF, como ele está sentado no baú de ouro, como presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo FIFA 2014. Enquanto isso, congressistas tentam mostrar trabalho. Em favor de quem?

Três processos, dois na Polícia Federal e um na Civil do Distrito Federal, foram reabertos recentemente – nesta sexta, R.T. prestou depoimento à PF do Rio de Janeiro. Em compensação, o ex-algoz Agnelo Queiroz (PCdoB), que presidiu a CPI e teve livro sobre o assunto proibido de circular, assumiu o Ministério do Esporte com direito a “boas-vindas” oficiais da entidade. A “oposição” a ele não virá por aí…

Na Câmara dos Deputados há uma Comissão que analisa a Lei Geral da Copa, motivo de rusgas entre Governo federal e FIFA, com destaque para atuação de Romário (PSB). Esta semana, o “Baixinho” criticou à iniciativa de “dar totais poderes a uma entidade marcada por denúncias de corrupção” e que nomeou um homem que responde a três processos para comandar os gastos de um evento do porte da Copa do Mundo.

A audiência na Câmara – só para registrar, presidida por Renan Filho (PMDB/AL), cujo nome e Estado de origem indicam a origem genealógica – teve como ponto central de discussão os direitos dos torcedores enquanto torcedores. Vale lembrar que o Estatuto do Torcedor, assim como o Estatuto do Idoso, é uma lei federal e está sendo amplamente desconsiderado pelo caráter “diferenciado” do evento.

JÁ NO SENADO…

No Senado, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte ouviu no dia 26 o “inimigo número 1” de Havelange, Blatter e “mr. Teixeira”, o jornalista Andrew Jennings, que deu uma aula sobre o caso aos parlamentares, incluindo como eles deveriam agir sobre.

Afinal, esta comissão não tem ninguém com experiência, não é mesmo? Álvaro Dias (PSDB/PR) participou da CPI Nike; Cristóvam Buarque (PDT/DF) foi ministro na primeira gestão petista; Roberto Requião (PMDB/PA), polêmicas com jornalistas e mamonas à parte, preside a CE, onde, em abril, chegou a sugerir a criação de uma legislação sobre a contratualização dos direitos de transmissão esportivos no país.

Ainda assim, foi necessário que o grande jornalistas inglês viesse ao Brasil para falar algo que já disse várias e várias vezes, seja em entrevistas, em reportagens para a BBC e no livro “Jogo sujo: o mundo secreto da FIFA”. Vai ver que é mais fácil que conseguir a vinda de Teixeira, Blatter e seu escudeiro Jerôme Valcke venham dizer coisas que ninguém ouviu.

Não sejamos injustos, há promessas de que ainda este mês o secretário-geral Valcke, que em momento de sinceridade sanchezniana admitiu em e-mail compra de votos na entidade, irá se apresentar no Senado – talvez para “forçar” a aprovação da Lei Geral da Copa.

Voltando a Jennings, ele reafirmou a denúncia do programa “Panorama”, que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo FIFA 2014 recebeu cerca de US$ 9,5 milhões (R$ 16,7 milhões) de suborno da empresa de marketing esportivo ISL. Seu ex-sogro, João Havelange, teria ficado com US$ 1 milhão. Ambos teriam tido que devolver essa vultosa quantia à Justiça Suíça.

Relembrando, o parecer foi feito em cima de documentos da justiça suíça a que o jornalista teve acesso – e pelo qual briga para que seja divulgado publicamente. Segundo o repórter, o desvio que deu fim a uma empresa que movimentava cerca de US$ 2 bilhões por ano em direitos de comercialização de tudo registrado pela FIFA, a ISL, seria arquitetada pelo trio Havelange-Teixeira-Blatter, este último que também teria se beneficiado do esquema.

Em 2000, a ISL fez uma estranha parceria com Grêmio e Flamengo, investindo milhões de dólares. No ano seguinte decretou falência, deixando ambos os clubes com dividas astronômicas.  

CRIME ORGANIZADO

Para Andrew Jennings, a FIFA possui todos os requisitos para ser enquadrada como uma quadrilha de crime organizado. Para ele, a Copa do Mundo FIFA 2014, a ser realizada no Brasil, poderá ficar marcada por escândalos envolvendo Teixeira, Havelange e Blatter.

Sobre o homem que comanda o futebol do país há mais de duas décadas, ele é bem claro sobre, utilizando uma comparação bem interessante com o que se dá dentro de campo: “Todo mundo ouviu falar do Pelé, do Romário, do Ronaldinho… Agora, o Ricardo Teixeira é comentado em todas as casas e isso não é bom para o Brasil. Vocês sabem disso. São os seus policiais que estão investigando o Teixeira, não sou eu. Estamos vendo criminosos, estamos vendo criminalidade no Brasil”.

Jennings não poupou da ironia para “explicar” a nossos senadores a situação: “É o momento de vocês dizerem à FIFA: ‘vocês fedem, vocês fedem. […] Não queremos que a nossa presidente seja fotografada com esses criminosos. Que animal é esse a FIFA, que animal é esse?”

Para ele, toda a pressão da entidade para que se cumpra o contrato assinado pelo então preside Lula em 2007, mesmo que infrinja leis brasileiras, é inócua, já que ela jamais teria a ousadia de tira o evento da maior nação de futebol do mundo. Nós deveríamos saber disso.

Jennings ainda explicou o maior problema e o principal motivo de o Brasil ser escolhido como sede do evento em 2014. Blatter teria “dado” a Copa a Teixeira em troca do apoio do presidente da CBF em sua reeleição na FIFA. Assim, poderia “roubar nos contratos”.

Além disso, explica que há um forte esquema de empreiteiros sobre o assunto – como tratamos na coluna passada sobre o caso da reforma do Beira-Rio não “poder” ser por conta própria. O suposto esquema se daria assim: “Eles têm que diminuir o ritmo de construção dos estádios e vai ficar mais caro e aí quando eles receberam a bolsa dos cidadãos abertos desse jeito aí eles constroem. Não sei por que vocês devem ser abusados dessa forma”.

Para o jornalista inglês, ainda há tempo para evitar que se manche a reputação do Brasil como foi feito com a África do Sul. Porém, a vontade tem que vir dos brasileiros em mudar a situação, não cabendo a um estrangeiro nos dizer como fazer isso. Numa das colocações retóricas, e das mais interessantes, ele pediu aos senadores: “Por favor, olhem-me nos olhos e digam que não há nenhum suborno nem propina acontecendo para a construção dos estádios”.

Poucos senadores, ao final da audiência, propuseram coisas para além de uma preocupação sobre o assunto. Os senadores gaúchos Pedro Simon (PMDB) e Ana Amélia (PP), por exemplo, pediu que Jennings encaminhasse as denúncias à presidenta Dilma – cá entre nós, por que não eles?

O único a mostrar algo de concreto foi senador Mário Couto (PSDB-PA) – o mesmo que discutiu com Marta Suplicy (PT) na tribuna em fevereiro. Couto foi ao encontro do que disse o jornalista e chegou a dizer que o próximo a cair será Ricardo Teixeira, ou o “mundo inteiro vai nos criticar”, pois este seria um dos maiores ladrões da pátria. Ele tentará criar uma CPI para investigar Teixeira.

CHAMADO A DEPOR

Na última quinta-feira dia 4 de novembro, Ricardo Teixeira foi até a Polícia Federal do Rio de Janeiro prestar depoimento. Acompanhado de três advogados Teixeira falou por mais de 3 horas, sobre seu patrimônio e suas contas foras do Brasil. O delegado afirmou que tudo será investigado, e quando for a hora seu sigilo telefônico e bancário será quebrado.

Teria o senhor Ricardo Teixeira soltado o verbo com fez a meses atrás à revista piauí? E com tantas cartas na manga o Presidente do COL, e dono do futebol brasileiro corre riscos de perder o reinado?

SUPERAÇÃO DE CRISE

O anúncio da semana não foi colocado. Após “prever” a queda do ministro Orlando Silva, parece que Governo e FIFA estão entrando nos trilhos. A promessa é que o acordo seja finalizado na semana que vem, com a aceitação da meia-entrada para os idosos, mas jamais para os estudantes – alguém lembra a juventude de qual partido que “domina” há décadas a União Nacional dos Estudantes?

Jerôme Valcke afirmou que a FIFA até poderá propor ingressos “populares” entre R$ 34,50 e R$ 50,90 para os jogos da primeira fase – afinal, já viu pobre em festas para a elite? Mas não deixou de “ameaçar” o Governo federal, ao afirmar que num confronto com a entidade não haverá vencedores: “O Brasil não vencerá a FIFA”. Se a entidade fez muitas concessões, o país terá que fazer o mesmo.

Um inglês dando aulas sobre como combater a corrupção no Brasil, enquanto um francês intimida a nação com as suas explicações de que os mais poderosos são os mais fortes. Espera aí, as nossas desigualdades sociais já não nos apresentam tal realidade, independente de Copa do Mundo?

QUEM ESCREVE:

Anderson Santos é jornalista e mestrando em comunicação social na Unisinos (andderson.santos@gmail.com), Dijair Brilhantes (dijairalemdasquatrolinhas@gmail.com) é estudante de jornalismo & Bruno Lima Rocha (bruno.estrategiaeanalise@gmail.com) é editor do portal Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br).

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A lição do tijolo – por Vitor Hugo do Amaral Ferreira

Um casal que se ama, mas está em crise financeira, recebe uma proposta indecente de um milionário excêntrico: se a bela esposa aceitar ir para a cama com ele por uma noite, os dois ganharão US$ 1 milhão. As necessidades financeiras acabam se conflitando, então, com a insegurança de ambos no futuro do casamento se a proposta for aceita.

O parágrafo anterior descreve a sinopse do filme “Proposta Indecente”, que trouxe à tona entre o drama e o romance a temática da moralidade. Com estréia em 1993, não são as cenas da bela Demi Moore que pretendo comentar nestas linhas. A cena em comento passa despercebida para maioria, ainda que tenha em si uma excelente e apropriada mensagem.

Eis então que no filme, após os atropelos vividos pelos personagens (deixo a curiosidade aos mais novos que queriam vê-lo, e a vontade de rever aos que já tenham assistido), David (Woody Harrelson) esposo de Diana (Demi Moore), está em seu novo emprego, ministrando aula de arquitetura.

Em certa altura ele mostra um tijolo e pergunta aos estudantes: vocês podem me dizer o que estão vendo? 

Um deles responde: um tijolo.

E o que mais? Replica o personagem do professor.

Uma arma, responde outro estudante que consegue risadas do restante da turma.

Nesse momento David diz algo mais ou menos assim:

Sim, isto é um tijolo, mas o que vocês não sabem é que até os tijolos querem ser alguma coisa, querem crescer e se tornar algo.

Pois bem, das falas da ficção creio que estamos na eterna tentativa de deixarmos de ser um tijolo apenas, e poder nos transformar em algo. Construções concretas, sólidas, arranha-céu, talvez a pretensão do tijolo seja tão somente a de ser útil.

Se ainda resta uma outra lição: nenhum tijolo se ergue sozinho, nem uma parede que tenha a ideia de se transformar será erguida com um tijolo só. Pense nisso!  

Vitor Hugo do Amaral Ferreira

vitorhugodir@hotmail.com

@vitorhugoaf

“Égua desamparada/Cavalo vira-lata”, com a palavra do prefeito – por Carlos Costabeber

7, novembro, 2011 Claudemir Pereira 2 comentários

Tinha decidido a trabalhar mais e escrever menos, sobre a questão dos cavalos que sofrem de maus tratos.

Mas, infelizmente, o Diário de Santa Maria do último dia 2 trouxe uma foto que me deixou muito triste, e motivou-me a voltar a esse assunto: uma égua teve de ser sacrificada, por falta de socorro. 

E a presença de uma placa colocada por populares ao lado da égua morta, dizia: “PROTESTO: A PREFEITURA NÃO QUER ME RECOLHER”.

Na realidade, o problema não era da Prefeitura, mas do dono do animal.

Já no dia 4, o Diário flagrou um cavalo, magérrimo, COMENDO LIXO doméstico em plena rua (com a chamada “Cavalo Vira-Lata”).

Essas são provas de que está demorando muuito a criação da Central de Controle Animal pela Prefeitura.

Já faz mais de ano que se discute essa questão. Enquanto isso, somos surpreendidos com cenas lamentáveis como a dessa égua que teve de ser sacrificada por falta de socorro, e desse cavalo comendo lixo.

Urge que o Prefeito encaminhe à Câmara de Vereadores essa proposta para a criação da Central.

Com isso, será possível a realização de convênios com entidades, empresas, universidades, que receberão os animais em estado vulnerável, e que não têm a identificação do proprietário.

Só assim Santa Maria deixará de ser uma cidade da Idade Média, no que tange à proteção dos direitos dos animais.

De minha parte, na semana passada levei o Padre Chico até o Hospital Veterinário da UFSM, para uma reunião com o seu Diretor, o Prof. Sérgio Segala.

A idéia é criar um programa de assistência clínica, fornecimento de alimentação, e orientação aos carroceiros que moram na Vila Maringá – obra meritória do Padre Chico.

Ficamos sabendo pelo Prof. Segala que já houve, em outra região da cidade, o Programa Carroceiro, com o mesmo objetivo.

Mas a idéia não prosperou, porque os carroceiros viviam numa situação tão miserável quanto os animais. E isso demandaria algo muito maior, privilegiando o ser humano antes do animal.

Mas, no caso da Vila Maringá, a situação é muito diferente. Lá, os carroceiros tem ampla assistência médica e odontológica, e a cozinha comunitária é auto suficiente no fornecimento de alimentação a todos os moradores.

Com isso, sinto-me feliz, pois quase 30 cavalos passarão a ser atendidos pelos professores e acadêmicos do Hospital Veterinário.

Logo após, trataremos de resolver o problema maior: a FALTA DE COMIDA, já que 90% dos animais sofrem dessa carência.

Outra iniciativa foi colocar na frente da Superauto um TANQUE COM ÁGUA PARA CAVALOS (e cachorros). A sede atinge 100% desses animais, durante os tórridos dias de verão. Os cavalos chegam a passar o dia inteiro trabalhando, sem beber nada!!!! É muito dolorido !

E essa idéia deverá ser adotada por outros parceiros, que tem empresas na rota dessas carroças, como o Park Hotel Morotin (do meu amigo Pati), o novo condominio do Hélio Militz e a empresa de moldados do Eng. Wilson. Também junto aos prédios residenciais da Base Aérea, tentarei viabilizar ÁGUA para esses animais sedentos.

O caminho ainda será longo e dolorido. Mas coloquei como mais uma missão de vida, a luta pela proteção dos cavalos contra os maus tratos, a falta de ÁGUA e COMIDA, e de acompanhamento veterinário.

Parabéns ao Diário de Santa Maria, que abraçou essa luta contra os maus tratos praticados pelos carroceiros. Continuem assim !!!

Entre você também nessa luta !!!

RESPOSTA DE SCHIRMER

EM TEMPO: esse texto, antes da publicação no sítio, foi enviado a uma série de pessoas, entre elas o prefeito Cezar Schirmer. Que respondeu de pronto, como você pode verificar a seguir:

Carlinhos.
O projeto já está na Câmara faz mais de um ano com o nome de Centro de Bem Estar Animal, alguns vereadores pediram para ouvir pessoas e entidades e houve um impasse relativo aos cachorros de rua, o que fazer com eles? Relativamente a cavalos já esta resolvido. Dei prazo no começo do mês, de 15 dias, para encontrar um consenso ou votar como foi. Sem a lei, estou de mãos amarradas, pois não posso sequer fazer convênios com entidades que se dispõem a nos ajudar neste assunto. Fora isso, está bem  encaminhado na linha do teu artigo. Um abraço.
Cezar Schirmer