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13 anos da Boate Kiss: além da memória, é preciso pensar no futuro para que não se repita – por Rosito Zepenfeld Borges

Na próxima terça, 27 de janeiro, se completam 13 anos da tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria. Um evento catastrófico, de dimensões globais, com 242 vítimas fatais e centenas de outras vítimas diretas e indiretas. O evento colocou Santa Maria, de uma forma extremamente negativa, no mapa da segurança contra incêndios.

Foram 13 anos de reflexão sobre as responsabilidades em relação à segurança contra incêndios, de mudanças na legislação e no comportamento das pessoas. Anos de vigília, caminhadas e acolhimentos aos familiares, sobreviventes e todos aqueles que de uma forma ou outra foram impactados pelo incêndio. Tão importante quanto recuperar o passado, é projetar o futuro. O nome do coletivo “Kiss: que não se repita” reflete essa ideia.

Ao longo desse período outras tragédias semelhantes ocorreram ao redor do mundo. A mais recente em Crans-Montana na Suíça, no Bar Le Constellation, com ao menos 40 mortes, que, inclusive, lançou comparações evidentes com ocorrido em Santa Maria no ano de 2013. A mesma coisa ocorreu na época do incêndio na Boate Kiss, comparando-a com o ocorrido em Buenos Aires, na Boate República de Cromagñón em 30 de dezembro de 2004 com a morte de 194 pessoas.

Podemos concluir que desastres como esses são cíclicos. Ocorrem periodicamente em diferentes locais do mundo, geralmente com características bem semelhantes. Tenho um livro em minha sala, denominado “A Segurança Contra Incêndios no Brasil”, escrito em 2008, ou seja, 5 anos antes dos eventos da Boate Kiss. O Capítulo III, intitulado “Aprendendo com os grandes incêndios”. Nesse capítulo são discutidos os grandes incêndios ocorridos no mundo, até a época e o impacto que os mesmos tiveram em relação ao aprendizado envolvido. Entre eles, o referido incêndio da Boate República de Cromagñón, citado acima:

Em 30 de dezembro de 2004, em Buenos Aires, um incêndio no Boliche República Cromagnon deixou cento e setenta e cinco mortos, com setecentos e quatorze feridos, cento e dois deles em estado grave. No local encontravam-se aproximadamente três mil pessoas. Indica-se como causa do incêndio o uso de fogo de artifício no interior da edificação, o qual teria inflamado o material de acabamento do teto. Houve problemas com as rotas de fuga – quatro, das seis portas de saída, apresentavam alguma forma de bloqueio para evitar acesso gratuito de pessoas. A maioria das vítimas teve problemas por inalação de fumaça e gases aquecidos, com queimaduras nas vias aéreas.

Fogos de artifício em locais fechados, problemas nas rotas de fuga e mortes por inalação de fumaça são algumas das “coincidências” das três situações citadas.

O que fazer para que Kiss, Le Costellation e Cromagñón não se repitam? A resposta passa em muito pela preparação das pessoas para a prevenção contra incêndios: nas escolas, no trabalho, nas comunidades. No dia 27 será lançado o Alerta Kiss, concebido como um canal de denúncia voltado exclusivamente para situações de risco em casas noturnas e estabelecimentos de reunião de público, como superlotação, saídas de emergência bloqueadas, ausência de alvará entre outras.

Porém entendo que o usuário somente terá condições de analisar uma situação de risco se, e somente se, apresentar algum conhecimento técnico sobre o tema. Ou seja, precisa ter o mínimo de qualificação sobre o assunto para não banalizar e desacreditar a ferramenta, além dos motivos citados anteriormente. O conhecimento é a ferramenta mais importante, para que realmente “não se repita”.

(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.

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